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sábado, 17 de janeiro de 2026

URIM E TUMIM ORIGINAL SUMÉRIO

 


Segundo o mito bíblico, Urim e Tumim eram objetos sagrados no Antigo Testamento, associados ao peitoral l (hoshen) do Sumo Sacerdote, usados para discernir a vontade de Deus em Israel, funcionando como um oráculo de "sim ou não", "luz e perfeição", possivelmente pedras (cristais?) ou objetos gravados, cujos significados exatos são desconhecidos, mas representavam a revelação divina antes do fim do período do Segundo Templo. 

Serviam para consultar a Deus em questões de importância nacional, como um meio de adivinhação (cleromancia). 

Alguns estudiosos veem referência a Jesus Cristo, pois o hebraico Urim e Tumim começam com a primeira e última letra do alfabeto, simbolizando "Princípio e Fim".


Urim e Tumim na Bíblia

♦ Êxodo 28:30 - Também porás no peitoral do juízo Urim e Tumim, para que estejam sobre o coração de Arão, quando entrar diante do Senhor: assim Arão levará o juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do Senhor continuamente.

♦ Levítico 8:8 - Depois pôs-lhe o peitoral, pondo no peitoral o Urim e o Tumim

♦ Números 27:21 - E apresentar-se-á perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele consultará, segundo o juízo de Urim, perante o Senhor; conforme a sua palavra sairão, e conforme a sua palavra entrarão, ele e todos os filhos de Israel com ele, e toda a congregação.

♦ Deuteronômio 33:8 - E de Levi disse: Teu Tumim e teu Urim são para o teu amado, que tu provaste em Massá, com quem contendeste junto às águas de Meribá.

♦ 1 Samuel 28:6 - E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. 

♦ Esdras 2:63 - E o governador lhes disse que não comessem das coisas consagradas, até que houvesse sacerdote com  

♦ Neemias 7:65 - O governador lhes disse que não comessem das coisas sagradas, até que se apresentasse o sacerdote com Urim e Tumim.


Uma Cópia da Tábuas do Destino da Sumeriano

Em 1900, o Assiriólogo, Muss-Arnolt publicou um artigo postulando uma origem babilônica para as palavras Urim e Tumim na Bíblia. Este artigo apareceu originalmente no American Journal of Semitic Languages ​​and Literatures - Revista de Línguas e Literaturas Semíticas e foi posteriormente publicado separadamente pela University of Chicago Press - Imprensa da Universidade de Chicago.

Urim e Tumim seriam uma reprodução religiosa, inspirada nas Tábuas dos Destinos usada por Marduk em seu peito, de acordo com a religião Suméria. Seu nome original em Sumério é: Amar Utu K ou Amar Utu, que quer dizer "Bezerro do sol; Bezerro Solar", na Bíblia, ele é conhecido como Merōdaḵ. Marduk era filho de Enki (Deus das águas doces subterrâneas, da sabedoria, dos ofícios, da magia e dos encantamentos)  e Damgalnuna ou Damkina (Deusa da purificação ritualística e intercessora dos suplicantes).

O bibliotecário da Universidade de Michigan, William W. Bishop, escreveu que devia a Muss-Arnolt "uma grande preocupação com sua precisão bibliográfica". Elogiando-o por acertar de uma forma irrefutável, a relação do Urim e Tumim da Bíblia, com às Tábuas do Destino da Suméria. Ele também menciona que Muss-Arnolt era protestante, com ascendência judaica.

Você pode conferir isso, na publicação de William W. Bishop, "Dias de faculdade—1889–93: Fragmentos de autobiografia";Michigan Alumnus: Quarterly Review, Vol. LIV No. 10, 6 de dezembro de 1947; p.351.

Confira a publicação do Professor "Muss-Arnolt"

O Urim e Tumim: Uma sugestão sobre sua natureza e significado originais. -  https://www.jstor.org/stable/pdf/527621.pdf?refreqid=fastly-default%3A27207ef8f74b786ba048146d372584c1&ab_segments=&initiator=&acceptTC=1

O Urim e Tumim: Uma sugestão sobre sua natureza e significado originais. - https://www.jstor.org/stable/527621?seq=1



O Que são as Tábuas do Destino?

Em Sumério se diz: Dub Namtarra. Em acádio se diz: ṭup šīmātu, ṭuppi šīmāti.

É uma tabuleta sagrada de argila com escrita cuneiforme e selos cilíndricos, contendo as leis e decretos fixos do universo. Quem os possui governa tudo; eles controlam a ordem cósmica e os destinos dos deuses e das pessoas.

Na mitologia Suméria, as "Tábuas dos Destinos", referem-se principalmente a um poderoso artefato da mitologia mesopotâmica, uma tabuleta de argila com leis cósmicas inscritas que concede ao seu possuidor autoridade suprema sobre deuses e humanos, famosamente disputada por deuses como Tiamat, Marduk e o pássaro Anzu, como visto no Enuma Elish.

As Tábuas são consideradas as mais importantes dos Mesh (ou Me) "Leis". Uma coleção de construções (leis) divinas, sociológicas e mágicas que formaram a base da cultura suméria. 

Em essência, as "Tábuas do Destino" são um objeto específico de imenso poder na mitologia mesopotâmica, simbolizando um destino fixo, enquanto outras culturas personificam o destino em seres poderosos que manipulam os próprios fios da vida.


Mitologia Original

Na Mitologia Original, seu portador era o Deus Enlil, a recuperação das Tábuas, é frequentemente atribuída a Ninurta, em mitos como Anzû e a Tábua dos Destinos, destacando a luta pela ordem cósmica, ou seja, a eterna luta pelo poder e controle.

Enlil foi o principal possuidor, consolidando seu domínio como o "senhor do universo" e "decretador dos destinos",pois Enlil foi o principal divindade adorada pelos Sumérios. O pássaro demoníaco Anzû ou Zu roubou as Tábuas de Enlil, causando caos, até que Ninurta (Deus da agricultura, da caça e da guerra, filho de Enlil e Ninhursag) derrotou Anzû e as recuperou, restaurando a ordem.

Nos mitos Sumério e Akádio, Ninurta foi o campeão dos deuses contra o pássaro Anzû, depois que este roubou a Tábua dos Destinos de seu pai Enlil. No mito babilônico (nunca existiu o império babilônico) Marduk, filho de Enki, é o possuidor das Tábuas.

No poema sumério Ninurta e a Tartaruga, o deus Enki detém a Tábua; portanto, ela reside com Enki no Abzu (o mar primordial abaixo do espaço vazio do submundo (Kur) e da terra (M) acima). Tanto este poema quanto o poema acádio Anzû tratam do roubo da tábua pelo pássaro Imdugud (sumério) ou Anzû (acadiano) de seu dono original (Enki ou Enlil dependendo da versão). No final, a Tábua é recuperada pelo deus Ninurta e devolvida a Enlil.


O Mito - Anzu e as Tábuas do Destino

Anzû é um pássaro divino da tempestade e a personificação do vento sul e das nuvens de trovão. Anzu desejou o poder supremo, que era controlado por Enlil, o rei dos deuses. Enquanto Enlil estava se banhando e seu poder estava desprotegido (pois ele tirou a Tábua de seu peitoral), Anzu roubou a "Tábua dos Destinos" ou Tábuas dos Destinos. Com esse artefato, Anzu ganhou controle sobre o universo e os decretos divinos.

Com a Tábua, Anzu fugiu para Montanha Hehe, interrompendo a ordem cósmica (as Leis ou Mesh) e deixando os deuses desesperados. As regras divinas foram quebradas, causando uma crise de autoridade.

A maioria dos deuses temia enfrentar Anzu, que estava armado com a Tábua. Ninurta, o deus guerreiro e filho de Enlil (ou Ningirsu em algumas versões sumérias), foi incumbido de recuperar o artefato. Após uma batalha feroz e perigosa, Ninurta derrotou Anzu e devolveu a Tábua a Enlil.

O monstro, metade homem e metade pássaro, foi eventualmente derrotado pelo deus Ninurta, que recuperou as tábuas. A vitória de Ninurta reafirma a hierarquia divina e a restauração da ordem sobre o caos, mostrando que a estabilidade do universo deve ser defendida contra forças rebeldes. 


Variação da Mitologia - Enuma Elish - Versão Babilônica

A Tábua dos Destinos é um importante dispositivo no épico Enuma Elish, no qual Tiamat concede esta tábua a Kingu (Comandante do exército de Tiamat no Enūma Eliš) quando o toma como seu consorte e lhe dá o comando de seu exército. 

Tiamat recompensa Kingu com as Tábuas do Destino, que legitimam o governo de um deus e controlam os destinos, e ele as usa orgulhosamente no seu peitoral. Com Kingu como seu campeão, Tiamat convoca as forças do caos e cria onze monstros horríveis para destruir seus filhos.

Marduk mata Kingu e depois mata Tiamat, derrotar a deusa do caos Tiamat, ele assume o controle de seu exército e de seus tesouros.

Em reconhecimento à sua vitória e soberania, os outros deuses entregam a Marduk as Tábuas do Destino. Na Tábua V, Marduk decide não guardar o poder para si, mas o entrega a Anu (o deus do céu e seu avô), estabelecendo uma nova ordem cósmica onde ele (Marduk) se torna o legislador supremo, e Anu o guardião das Tábuas. 


Senakeribe

A Tábua dos Destinos é referenciada  de uma cópia de uma inscrição de Senakeribe em escrita neobabilônica, agora no Museu Britânico.


As Tábuas do Destino em Outras Mitologias

Mitologia Grega "Moiras ou As Parcas": As Moiras ou As Parcas eram três deusas,  sendo Nona (Cloto), Décima (Láquesis) e Morta (Átropos), sendo figuras poderosas que nem Zeus podia contestar, personificando o destino inevitável.

Nona (Cloto - A Fiandeira): Fia o fio da vida na roca, simbolizando o início da existência.

Décima (Láquesis - A Distribuidora): Mede o comprimento do fio, determinando a duração e o curso da vida.

Morta (Átropos - A Inflexível): Corta o fio com sua tesoura, selando o fim da vida, independentemente da vontade dos deuses ou mortais.


Mitologia Nórdica "Nornas":  As Nornas são três sábias divindades femininas da mitologia nórdica, moradoras das raízes de Yggdrasil, a Árvore do Mundo, que tecem e determinam o destino de deuses e mortais, representando o passado (Urd), o presente (Verdandi) e o futuro (Skuld), e são as responsáveis por regar a árvore e manter o destino do cosmos.

Urd ou Urðr: A mais velha, representa o passado, o que já foi, e olha para trás.

Verdandi: A mulher madura, simboliza o presente, o que está sendo.

Skuld: A jovem encapuzada, representa o futuro, o que virá, e carrega um pergaminho fechado.


Confira os Sites sobre a versão Original do mito Urim e Tumim

O Urim e Tumim: Uma sugestão sobre sua natureza e significado originais. -  https://www.jstor.org/stable/pdf/527621.pdf?refreqid=fastly-default%3A27207ef8f74b786ba048146d372584c1&ab_segments=&initiator=&acceptTC=1

O Urim e Tumim: Uma sugestão sobre sua natureza e significado originais. - https://www.jstor.org/stable/527621?seq=1



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O NAZISMO ERA DE ESQUERDA OU DE DIREITA?

 




O nazismo é uma questão complexa. Não se encaixa facilmente no sistema tradicional de "esquerda versus direita" que tanto apreciamos.

No mundo inteiro (menos no Brasil), o Nazismo é considerado como um movimento de direita ou ultradireita. Toda Academia de historiadores e cientistas políticos, tanto de viés de esquerda, quanto de direita, veem o Nazismo como sendo um movimento totalitário de direita. Menos, claro, no Brasil.


Por que o termo "Socialista" no nome?

O termo "socialista" no Partido Nazista (NSDAP) era uma tática para atrair a classe trabalhadora, mas sua ideologia era fundamentalmente oposta aos verdadeiros princípios socialistas (como a solidariedade internacional e a igualdade econômica), focando-se, em vez disso, na unidade nacional sob um regime autoritário. 

O nome completo do partido nazista era "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães" (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiter Partei). O termo "Nazista" é a abreviação de "nacional-socialista".


Mas, e o nome "Socialista"?

O fato de a palavra "socialista" aparecer no nome deles não os torna automaticamente socialistas. Já ouviu falar da "República Democrática Alemã"? Era assim que a ditadura comunista da Alemanha Oriental se autodenominava oficialmente. O mesmo vale para a "República Popular Democrática da Coreia" - Coreia do Norte , um dos países mais antidemocráticos da história. Hitler e seus asseclas nazistas admitiram abertamente que só adicionaram "socialista" (junto com "nacional") ao nome do partido em 1920 para ampliar seu apelo (o partido se chamava originalmente "Partido dos Trabalhadores Alemães").


Duas Facções no Partido - Esquerda e Direita

Quando os nazistas não estavam no poder, existia de fato uma ala anticapitalista e revolucionária, que poderia ser vista como tendo objetivos socialistas. Mas isso só acontecia porque se queria conquistar a esquerda dessa maneira. A figura principal desse movimento, Gregor Strasser, foi assassinado em 1934. E isso significou o fim desse pensamento. É claro que, após a tomada do poder, Hitler queria "manter seu povo" de bom humor — inclusive por meio de benefícios sociais. No entanto, esses benefícios não alteraram o caráter fundamentalmente de extrema direita do regime.

Gregor Strasser não era comunista de fato, contudo, defendia reformas sociais e econômicas socialistas em termos de redistribuição de riqueza e participação nos lucros, mas sempre dentro de uma estrutura nacionalista e racista, que era fundamentalmente anti-marxista.  Strasser ocupou altos cargos no Partido Nazista, sendo o chefe da organização política do partido e, por um período, o segundo em comando depois de Hitler em poder e popularidade.

Suas visões mais radicais em relação a políticas econômicas e sua oposição à aproximação de Hitler com a grande indústria geraram conflitos internos.

Devido a essas divergências e à crescente rivalidade pelo poder, Strasser renunciou aos seus cargos em 1932 e foi assassinado em 1934, durante a "Noite das Facas Longas", uma purga na qual Hitler eliminou rivais e dissidentes, incluindo a ala mais "socialista" do partido.  Hitler ordenou o assassinato de Gregor e dos demais "strasseristas" na "Noite das Facas Longas", para evitar conflitos internos no partido. Isso pôs fim definitivamente àquela ala "socialista" do partido.  Gregor Strasser tinha um irmão, o nome dele era Otto Strasser, que era partidário de seu irmão, compartilhando de seus ideais, Otto foi obrigado a se exilar, para não ter o mesmo destino de seu irmão.

Lembrando que os irmãos Strassers eram do Partido Nazista (Partido dos Trabalhadores Alemães) e eram antissemitas, pregavam a supremacia ariana e todo pacote nazista, mas a forma de aplicar a economia social para o povo alemão, eles comungavam com os ideais comunistas.


Direita ou Esquerda?

O próprio Hitler dizia que o nazismo não era nem de esquerda, nem de direita. Se você perguntasse a Hitler se o partido dele era de esquerda ou de direita, ele diria que não era nenhum dos dois (pouco antes de mandar prendê-lo).

Apesar das ideias de extrema direita, o governo nazista não tinha problema nenhum em roubar ideias da esquerda. Eles nacionalizaram algumas indústrias, implementaram alguns programas socialistas, como o sistema nacional de saúde, e até assumiram o controle dos sindicatos.


Ódio ao Comunismo

Adolf Hitler tinha uma aversão profunda ao comunismo, que ele via como uma ideologia destrutiva e uma conspiração judaico-bolchevique. O ódio ao comunismo foi um pilar central da ideologia nazista e da política externa do Terceiro Reich, justificando a perseguição de comunistas e a invasão da União Soviética. 

Diferente do que muitos acreditam atualmente, o futuro tirano nazista destilou todo seu ódio contra o “bolchevismo implantado na nação” na República de Weimar. Hitler também chegou a debochar de quem chamava os nazistas de esquerdistas.

Hitler via o comunismo "marxismo" e "bolchevismo" não apenas como uma teoria econômica ou política concorrente, mas como uma ideologia inventada e controlada pela "comunidade judaica internacional". Essa crença reforçou seu antissemitismo e apresentou a luta como uma batalha racial global pela sobrevivência.

O nazismo baseava-se no nacionalismo extremo e na unidade do povo alemão (Volk) segundo critérios raciais. Em contraste, o comunismo defendia a solidariedade internacional da classe trabalhadora, transcendendo as fronteiras nacionais. Hitler rejeitou esse internacionalismo, por acreditar que ele apagaria as identidades nacionais e raciais e levaria à submissão da Alemanha.

Enquanto os comunistas enfatizavam a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas, Hitler desejava que todas as classes sociais na Alemanha trabalhassem juntas em harmonia para o bem da nação sob um único governo totalitário. Ele acreditava que o conflito de classes era caótico e destrutivo.

Uma vez no poder, um dos primeiros grandes atos de Hitler foi eliminar o Partido Comunista da Alemanha  como força política. O incêndio do Reichstag em 1933 foi usado como pretexto para prender dezenas de milhares de comunistas, socialistas e sindicalistas, que estiveram entre as primeiras vítimas enviadas para os recém-criados campos de concentração.

Embora o nome do partido nazista incluísse "Socialista", as visões econômicas de Hitler estavam longe das do socialismo ou comunismo tradicionais. Ele protegia a propriedade privada e o lucro, considerando-os essenciais para a produtividade, desde que as empresas aderissem às diretrizes nazistas e servissem aos interesses do Estado. Ele se opunha à ideia comunista de propriedade pública dos meios de produção. 

Em essência, o ódio de Hitler pelo comunismo era profundo e multifacetado, servindo como uma poderosa ferramenta para unir vários segmentos da sociedade alemã, desde empresários e latifundiários assustados até militares e nacionalistas, contra um inimigo comum percebido.

Em seu discurso ao Reichstag, Hitler, entre outras coisas, enfatiza seu ódio ao Comunismo, confira o discurso;

Discurso ao Reichstag - Berlim, 17 de maio de 1933: https://der-fuehrer.org/reden/english/33-05-17.htm


Entrevista no The Guardian

Em 1923, o jornal britânico The Guardian publicou uma entrevista que o repórter George Sylvester Viereck fez com Führer. Durante o episódio, isso fica ainda mais evidente, o ódio que Hitler tinha do Comunismo.

Intitulada de “Não há espaço para o estrangeiro, não há utilidade para o vagabundo”, o futuro tirano destila todo seu ódio contra o pensamento esquerdista e joga toda a culpa da falência da Alemanha no “bolchevismo implantado na nação” pela República de Weimar. Confira um trecho da entrevista:

“Quando eu tomar conta da Alemanha, acabarei com o tributo externo e o bolchevismo em casa”, declarou Adolf Hitler esvaziando a xícara como se não contivesse chá, mas a alma do bolchevismo.


O “bolchevismo”, continuou, o chefe dos camisas pardas da Alemanha fascistas, olhando fixamente para mim “é nossa maior ameaça. Matar o bolchevismo na Alemanha e restaurar 70 milhões de pessoas ao poder. A França deve sua força não aos seus exércitos mas às forças do bolchevismo e da dissensão em nosso meio”.


“O Tratado de Versalhes e o Tratado de St Germain são mantidos vivos pelo bolchevismo na Alemanha. O Tratado de Paz e o bolchevismo são duas cabeças de um monstro. Devemos decapitar ambos”, concluiu.

Por que, perguntei a Hitler, você se define como um nacional-socialista se o programa de seu partido é a própria antítese do que é comumente associado ao socialismo?


“O Socialismo”, ele retruca, abaixando sua xícara de chá, firmemente “é a ciência de lidar com o bem comum. Comunismo não é socialismo. Marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu tirarei o socialismo dos socialistas”.


“O socialismo é uma instituição ariana germânica antiga. Nossos ancestrais alemães mantinham certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. O marxismo não envolve negação da personalidade e, ao contrário do marxismo, é patriótico”.

“Poderíamos nos chamar Partido Liberal. Optamos por nos chamar de Nacional-Socialistas. Não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o cumprimento das reivindicações justas das classes produtivas pelo Estado com base na solidariedade racial.” Para nós, estado e raça são um”.

O que — continuei meu interrogatório — são as tábuas fundamentais da sua plataforma?


“Hitler: “Acreditamos em uma mente saudável em um corpo saudável. O corpo político deve ser sadio se a alma quiser ser saudável. A saúde moral e física são sinônimas”, disse.

Mussolini, o interrompi, disse o mesmo para mim. Hitler sorriu.


“As favelas”, ele acrescentou “são responsáveis ​​por nove décimos, o álcool por um décimo de toda depravação humana. Nenhum homem saudável é marxista. Homens saudáveis ​​reconhecem o valor da personalidade”.


Mein Kampf contra o Comunismo

Adolf Hitler expressa fortes críticas e ódio pelo comunismo em seu livro Mein Kampf. O anticomunismo é um tema central na ideologia nazista, conforme descrito na obra. 

Mein Kampf é o título do livro de dois volumes de autoria de Adolf Hitler, no qual ele expressou suas ideias antissemitas, anticomunistas, antimarxistas, racialistas e nacionalistas de extrema direita, então adotadas pelo Partido Nazista. O primeiro volume foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo foi escrito por Hitler fora da prisão e editado em 1926. Mein Kampf tornou-se um guia ideológico e de ação para os nazistas, e ainda hoje influencia os neonazistas, sendo chamado por alguns de "Bíblia Nazista". É importante ressaltar que as ideias propostas em Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas são oriundas de teorias e argumentos então correntes na Europa. Na Alemanha nazista, era uma exigência não oficial possuir o livro. Era comum presentear o livro a crianças recém-nascidas, ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam na sua formatura.

No livro, Hitler descreve o comunismo como uma ideologia que ele despreza profundamente, ligando-o frequentemente a conspirações judaicas, uma característica fundamental do seu virulento antissemitismo.

Dedicou um capítulo inteiro, intitulado "A Luta Contra a Frente Vermelha", para detalhar sua oposição e estratégia contra os movimentos de esquerda, incluindo social-democratas e comunistas.

Ria e considerava "idiota" a ideia de que o nazismo fosse uma forma de socialismo ou estivesse alinhado com a esquerda, enfatizando a diferença ideológica fundamental e oposição entre as duas correntes. 

A aversão ao comunismo foi um dos pilares da política interna e externa de Hitler, culminando na perseguição de comunistas na Alemanha e na invasão da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.


"Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo.”


“Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de que o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo”


Conclusão: 

Depois de tantas provas apresentadas, não tem como um indivíduo dizer que o Movimento Nazista era de Esquerda.

No Brasil, o extinto Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgão de repressão política e social ativo durante a ditadura, classificou o nazismo como um extremismo da direita. "Vigilantes estamos para todas as formas de extremismo aqui alimentadas, sejam da esquerda, como o comunismo, sejam da direita, como o fascismo e o nazismo", apontou o órgão em nota registrada nos arquivos do Acervo Estadão, datada de 27 de julho de 1949.


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ALGUMAS CONTRADIÇÕES BÍBLICAS



A Bíblia está repleta de contradições. Ela começa até mesmo com dois relatos contraditórios da criação. Mas muitas dessas contradições podem ser difíceis de perceber, porque foram fundidas no que parece ser uma única história.

Por exemplo, dois relatos diferentes do Grande Dilúvio são fundidos em um só. Na versão mais antiga, Noé leva sete animais puros de cada espécie para que possa fazer sacrifícios quando chegar à costa. Na versão posterior, encomendada pelo Rei Ezequias, que não queria nenhuma menção a sacrifícios antes da construção do Templo de Jerusalém, apenas dois animais de cada espécie foram levados a bordo da arca e Noé não fez nenhum sacrifício.

Da mesma forma, duas versões diferentes da história de José sendo levado como escravo para o Egito foram fundidas. Na versão judaísta, Judá é o irmão que se opõe à decisão dos irmãos de jogar José no poço. Na versão israelita, é Ruben quem se opõe. Essas histórias também diferem quanto a quem leva José, os ismaelitas ou os midianitas.

Existem diferentes versões do milagre da água realizado por Moisés. Essas versões não foram unificadas, mas sim inseridas em pontos distintos da narrativa por redatores posteriores. Na versão israelita, Deus se agrada do que Moisés faz. Na versão judaísta, Deus se desagrada. (Moisés era um herói israelita.)

Existem três versões diferentes da história da unção de Saul como rei por Samuel, com três opiniões distintas sobre se isso foi bom ou ruim. Uma foi escrita por judeus pró monarquia, outra por israelitas pró monarquia e outra por israelitas antimonárquica. Da mesma forma, existem dois relatos de como Davi chegou a Saul. Em um, ele é um jovem pastor que entra para o exército apesar da pouca idade. No outro, ele é um músico na corte de Saul.

Existem também contradições abrangentes que podem ser difíceis de identificar devido à sua ampla escala. Por exemplo, um grupo de autores sustentava que Deus era conhecido como Javé desde os tempos de Lameque, um ancestral de Noé. Outro grupo sustentava que Deus não revelou esse nome antes da época de Moisés. Da mesma forma, um grupo de autores defendia que a conquista de Canaã foi absoluta, com vitória total sobre toda a terra. Outro grupo defendia que a conquista foi parcial, com algumas vitórias e algumas derrotas, e que nem todo o território foi conquistado.

Existem dezenas desses exemplos, não apenas na Bíblia Hebraica, mas também no Novo Testamento cristão, como duas genealogias diferentes de Jesus e dois relatos da morte de Judas, que ou cometeu suicídio ou caiu e sofreu uma lesão intestinal. E existem três relatos muito diferentes sobre o túmulo vazio e cinco relatos distintos sobre a quem Jesus apareceu após a crucificação.

Então, como devemos lidar com essas contradições? Bem, em primeiro lugar, devo dizer que não devemos tentar reconciliá-las. Ao fazer isso, criamos apenas mais uma explicação, agravando ainda mais o problema. Se quisermos compreender o texto, devemos primeiro reconhecer que existem contradições.

Também não devemos acreditar que, ao reconhecer essas contradições, de alguma forma "desmascaramos a Bíblia". A Bíblia é um texto antigo. Se você quiser dedicar tempo a estudá-la, por qualquer motivo, tentar "desmascará-la" é simplesmente perder seu próprio tempo. Você leria Homero para "desmascará-lo"? Você estudaria os escritos do antigo Egito para "desmascará-los"? Claro que não. O que é desmascarado é meramente a posição literalista da Bíblia que é separada do próprio texto e isso é extremamente fácil de fazer, e, portanto, não representa nenhuma conquista. Você não compreendeu a Bíblia demonstrando que os literalistas estão errados, assim como não compreendeu a astronomia demonstrando que os terraplanistas estão errados.


Não adianta conhecer essas contradições se não nos fizermos as perguntas interessantes:

Quem escreveu esses relatos divergentes? Onde e quando viveram? Quais eram suas crenças religiosas e políticas, seus aliados e opositores?

Por que divergiram nas perspectivas específicas que apresentaram? Por que um afirma que Ruben foi o herói e o outro diz que foi Judá, em vez de, digamos, Benjamim e Simeão? Por que um escritor considera Josué um herói nacional e outro sequer se dá ao trabalho de mencioná-lo?

Quem fundiu esses relatos contraditórios em um único texto e por quê?

Esse é o valor de estudar essas contradições chegar a uma melhor compreensão do texto, das pessoas que o produziram e das culturas em que viviam. Se tudo o que você faz ao se deparar com uma contradição é tentar explicá-la como se não existisse, ou então dizer “Ahá, os literalistas estão errados!”, você está prestando um desserviço ao texto e, francamente, não está aproveitando bem o seu tempo.


E tem mais !!!!

1. A Bíblia nos fala que toda a escritura foi inspirada por Deus (II Timóteo 3:16).

Mas em alguns trechos é negada a inspiração divina (I Coríntios 7:6;5:12) (II Coríntios 11:17).


2. Os Gigantes existiam antes da inundação (Gênesis 6:4).

Somente Noé, sua família, e os animais da Arca sobreviveram ? inundação (Gênesis 7:23).

Mesmo depois da Inundação os gigantes continuaram existindo (Números 13:33).


3. Deus diz para Noé que tudo o que se move e tem vida servirá de alimento para ele, e também toda a vegetação. Só não poderá comer da carne ainda com vida, ou seja, com sangue (Gênesis 9:3-4).

Deus diz que nem todos os animais podem ser consumidos (Deuteronômio 14:7-20).


4. Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras, até que Deus criou vários idiomas diferentes, fazendo com que ninguém entendesse um ao outro (Gênesis 11:1,6-9).

Anterior a isto, a Bíblia fala de diversas nações, cada um com sua própria língua (Gênesis 10:5).


5. Deus admitiu que Ele é a causa da surdez e da cegueira (Êxodo 4:11).

Contudo, Deus não aflige os homens por vontade própria (Lamentações 3:33).


6. Deus envia Moisés para o Egito resgatar os filhos de Israel (Êxodo 3:10. 4:19-23).

No caminho, Deus ameaçou Moisés de morte. (Êxodo 4:24-26). Não proveu de explicação.


7. Deus mata todos os animais dos egípcios com uma forte pestilência. Nenhum sobreviveu ? pestilência (Êxodo 9:3-6).

Deus mata todos os animais dos egípcios com uma chuva de granizo (Êxodo 9:19-21,25). (Mas eles já não haviam morrido com a pestilência?)


8. Deus não foi conhecido por Abraão, Isaac e Jacó pelo nome de Javé (Êxodo 6:2-3).

O nome do Senhor já era conhecido (Gênesis 4:26).


9. Deus proíbe que seja feito a escultura de qualquer ser (Êxodo 20:4).

Deus ordenou a fabricação de estátuas de ouro (Êxodo 25:18).


10. Proibição do assassinato (Êxodo 20:13).

Deus manda Moisés matar todos os homens de Madiã (Números 31:7).


11. Proibição do roubo (Êxodo 20:15).

Deus manda roubar os egípcios (Êxodo 3:21-22).


12. Proibição da mentira (Êxodo 20:16)

Deus permiti a mentira (I Reis 22:22)


13. Você tem que julgar o próximo com justiça (Leviticus 19:15).

Não julgue ninguém para não ser julgado (Mateus 7:1).


14. Deus jamais se arrepende (I Samuel 15:29).

Deus se arrepende (Gênese 6:6) (Êxodo 32:14) (I Samuel 15:11,35) (Jonas 3:10).


15. Deus não pode mentir (Números 23:19).

Deus deliberadamente enviou um “espírito” mentiroso (I Reis 22:20-30) (II Crônicas 18:19-22).

Deus faz pessoas acreditarem em mentiras (II Tessalonicenses 2:11-12).

O Senhor engana os profetas (Ezequiel 14:9).


16. Aarão morreu no monte Hor. Imediatamente depois disso, os israelitas foram para Salmona e Finon (Números 33:38).

Aarão morreu em Mosera. Depois disso, os isralelitas foram para Gadgad e Jetebata (Deuteronômio 10:6-7).

Deus diz a Moisés que Aarão morreu no monte Hor (Deuteronômio 32:50).


17. Nós temos que amar Deus (Deuteronômio 6:5) (Mateus 22:37).

Nós temos que temer Deus (Deuteronômio 6:13) (I Pedro 2:17).


18. Deus escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança (Deuteronômio 10:1-2,4).

Deus ditou e Moisés escreveu (Êxodo 34:27-28).


19. Josué queimou a cidade de Hai e reduziu-a a um monte de ruínas para sempre (Josué 8:28).

Hai ainda existe como uma cidade (Neemias 7:32).


20. Josué destruiu totalmente os habitantes de Dabir (Josué 10:38-39).

Os habitantes de Dabir ainda existem (Josué 15:15).


21. Saul destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 15:7-8,20).

David destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 27:8-9).

Finalmente os amalecitas são mortos (I Crônicas 4:42-43).


22. Isaí teve sete filhos além de seu mais jovem, David (I Samuel 16:10.11).

David foi o sétimo filho (I Crônicas 2:15).


23. Saul tentou consultar o Senhor (I Samuel 28:6).

Saul nunca fez tal coisa (I Crônicas 10:13-14).


24. Saul cometeu suicídio (I Samuel 31:4-6) (I Crônicas 10:4-5).

Saul foi morto por um amalecita (II Samuel 1:8-10).

Saul foi morto pelos filisteus (II Samuel 21:12).


25. Davi tomou 1.700 cavaleiros de Adadezer (II Samuel 8:4).

Davi tomou 7.000 cavaleiros de Adadezer (I Crônicas 18:4).


26. Davi matou aos arameus 700 parelhas de cavalos e 40.000 cavaleiros (II Samuel 10:18).

Davi matou aos arameus 7.000 cavalos e 40.000 empregados (I Crônicas 19:18).


27. Israel dispõe de 800.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 500.000 homens (II Samuel 24:9).

Israel dispõe de 1.100.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 470.000 homens (I Crônicas 21:5).


28. Satã provocou Davi a fazer um censo de Israel (I Crônicas 21:1).

Deus sugeriu Davi a fazer um censo de Israel (II Samuel 24:1).


29. Davi pagou 50 siclos de prata por gados e pelo terreno (II Samuel 24:24).

Davi pagou 600 siclos de ouro pelo mesmo terreno (I Crônicas 21:25).


30. Rei Josias foi morto em Magedo. Seus servos o levam morto para Jerusalém (II Reis 23:29-30).

Rei Josias foi ferido em Magedo e pediu para seus servos o levarem para Jerusalém, onde veio a falecer (II Reis 23:29-30).


31. Foram levados 5 homens dentre os mais íntimos do rei (II Reis 25:19-20).

Foram levados 7 homens dentre os mais íntimos do rei (Jeremias 52:25-26).


32. São citados os nomes de 10 pessoas que vieram com Zorobabel (Esdras 2:2)

São citados os nomes de 11 pessoas que vieram com Zorobabel (Neemias 7:7)


33. (Esdras 2:3 & Neemias 7:8) Estas passagens pretendem mostrar a quantidade de pessoas que voltaram do cativeiro babilônico. Compare o número para cada família: 14 deles discordam.


34. A terra vai durar para sempre (Salmos 104:5) (Eclesiastes 1:4).

A terra perecerá (II Pedro 3:10) (Hebreus 1:10-11).


35. Deus fala a respeito de sacrifícios com os filhos de Israel libertos do egito (Levítico 1:1-9).

Deus nega que houvesse dito algo sobre sacrifícios naquela ocasião (Jeremias 7:22).


36. O filho não deve ser castigado pelo erro do pai, ou vice-versa (Deuteronômio 24:16) (Ezequiel 18:20) (II Crônicas 25:4).

Deus vinga a crueldade dos pais nos filhos até a quarta geração (Êxodo 20:5) (Deuteronômio 5:9).

Todos os homens são culpados pelo pecado de Adão. A culpa passou de pai para filhos por diversas gerações (Romanos 5:12).


37. Jesus foi filho de José, que o foi de Jacob (Mateus 1:16).

Jesus foi filho de José, que o foi de Heli (Lucas 3:23).


38. O pai de Salathiel foi Jeconias (Mateus 1:12).

O pai de Salathiel foi Neri (Lucas 3:27)


39. Abiud é filho de Zorobabel (Mateus 1:13).

Resa é filho de Zorobabel (Lucas 3:27).

São citados os nomes de todos os filhos de Zorobabel, mas nem Resa e nem Abiud estão entre eles (I Crônicas 3:19-20).


40. Jorão era o pai de Ozias que era o pai de Joathão (Mateus 1:8-9).

Jorão era o pai de Occozias, do qual nasceu Joás, que gerou Amazias, que foi pai de Azarias que, finalmente, gerou Joathão (I Crônicas 3:11-12).


41. Josias era o pai de Jeconias (Mateus 1:11).

Josias era o avô de Jeconias (I Crônicas 3:15-16).


42. Zorobabel era filho de Salathiel (Mateus 1:12) (Lucas 3:27).

Zorobabel era filho de Fadaia. Salathiel era tio dele (I Crônicas 3:17-19).


43. Sale era filho de Cainan, neto de Arfaxad e bisneto de Sem (Lucas 3:35-36).

Sale era filho de Arfaxad e neto de Sem (Gênese 11:11-12).


44. Ninguém jamais viu a Deus (João 1:18, 6:46) (I João 4:12).

Jacob viu Deus cara a cara (Gênesis 32:30).

Moisés e os anciões de Israel viram Deus (Êxodo 24:9-11).

Deus falou com Moisés cara a cara (Êxodo 33:11) (Deuteronômio 34:10).

Ezequiel viu Deus em uma visão (Ezequiel 1:27-28).


45. Jesus curou um leproso depois de visitar a casa de Pedro e Simão (Marcos 1:29,40-42).

Jesus curou o leproso antes de visitar a casa de Pedro e Simão (Mateus 8:2-3,14).


46. O Diabo levou Jesus primeiro ao topo do templo e depois para um lugar alto para ver todos os reinos do mundo (Mateus 4:5-8).

O Diabo levou Jesus primeiro para o lugar alto e depois para o topo do templo (Lucas 4:5-9).


47. Quem crê no filho de Deus tem vida eterna (João 3:36).

Quem ama a Deus e ao seu próximo tem vida eterna (Lucas 10:25-28).

Quem guarda os 10 mandamentos tem vida eterna (Mateus 19:16-17).


48. O sermão conteve 9 beatitudes (Mateus 5:3-11).

O sermão conteve 4 beatitudes (Lucas 6:20-22).


49. Jesus adquiriu Mateus como discípulo depois de acalmar a tempestade (Mateus 8:26).

Jesus adquiriu Mateus (Levi) como discípulo antes de ter acalmado a tempestade (Marcos 2:14, 4:39)

Obs: O contexto identifica Levi como outro nome para Mateus. Compare [Mateus 9:9-17] com [Marcos 2:14-22] e com [Lucas 5:27-39].


50. O centurião se aproximou de Jesus e pediu ajuda para um criado doente (Mateus 8:5-7).

O centurião não se aproximou de Jesus. Ele enviou amigos e os anciões dos judeus (Lucas 7:2-3,6-7).


51. Jairo pediu a Jesus que ajudasse a sua filha, que estava morrendo (Lucas 8:41-42).

Ele pediu para que Jesus salvasse a filha dele que já havia morrido (Mateus 9:18).


52. Jesus disse aos seus discípulos que deveriam andar calçados com sandálias (Marcos 6:8).

Jesus lhes disse que não deveriam andar descalços (Mateus 10:10).


53. Deus confiou o julgamento a Jesus (João 5:22) (João 5:27,30 8:26) (II Coríntios 5:10) (Atos 10:42).

Jesus, porém, disse que não julga ninguém (João 8:15,12:47).

Os santos hão de julgar o mundo (I Coríntios 6:2).


54. A transfiguração de Jesus ocorreu 6 dias após a sua profecia (Mateus 17:1-2).

A transfiguração ocorreu 8 dias após (Lucas 9:28-29).


55. A mãe de Tiago e João pediu a Jesus para que eles se assentassem ao seu lado no reino (Mateus 20:20-21).

Tiago e João fizeram o pedido, ao invés de sua mãe (Marcos 10:35-37).


56. Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com dois homens cegos (Mateus 20:29-30).

Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com somente um homem cego (Marcos 10:46-47).


57. Dois dos discípulos levaram uma jumenta e um jumentinho para Jesus da aldeia de Bethfagé (Mateus 21:2-7).

Eles levaram somente um jumentinho (Marcos 11:2-7).


58. Jesus amaldiçoou a árvore de figo depois de ter deixado o templo (Mateus 21:17-19).

Ele amaldiçoou a árvore antes de ter entrado no templo (Marcos 11:14-15,20)


59. Um dia após Jesus ter amaldiçoado a figueira, os discípulos notaram que ela havia secado (Marcos 11:14-15,20)

A figueira secou imediatamente após a maldição ser posta (Mateus 21:19).


60. Jesus disse que Zacarias era filho de Baraquias (Mateus 23:35).

Zacarias era filho de Joiada (II Crônicas 24:20-22).


61. Jesus manda amarmos uns aos outros (João 13:34-35).

Você não pode ser um discípulo de Jesus a menos que já tenha aborrecido seus pais, seus irmãos, seus filhos ou sua esposa (Lucas 14:26).


62. Vestiram Jesus com um manto carmesim (Mateus 27:28).

Vestiram Jesus com um manto púrpura (Marcos 25:17) (João 19:2).


63. Após Pedro ter negado Jesus, o galo cantou pela segunda vez (Marcos 14:30,57-72).

O galo só cantou uma vez (Lucas 22:34,60-61) (Mateus 26:34,69-74)


A VERDADEIRA ORIGEM DOS HEBREUS

 


O livro "A Bíblia Não Tinha Razão" dos autores:  Finkelstein e Neil Asher Silberman, enfatiza que, apesar das pesquisas arqueológicas modernas e dos meticulosos registros egípcios do período de Ramessés II, há uma diferença óbvia de qualquer evidência sobre a migração de um povo semítico através da Península do Sinai, exceto os Hicsos. Ainda que os Hicsos sejam de alguma maneira uma boa coincidência, deixando Aváris (posteriormente renomeado 'Pi-Ramessés') como seu centro principal, no coração da região correspondente à 'Terra de Goshen' e de que posteriormente Manetão escreveu que finalmente os Hicsos fundaram o Templo de Jerusalém, isso gera outros problemas, já que os hicsos não foram escravos e sim governantes, foram expulsos em vez de perseguidos para trazê-los de volta. No entanto, o livro argumenta que a narrativa do êxodo talvez tenha evoluído a partir de vagas memórias da expulsão dos hicsos, revertido para incentivar a resistência ao domínio de Judá pelo Egito no século VII a. C.

◘Leiam a história completa dos Hicsos neste mesmo Blog, clique no link: https://adalbersantos.blogspot.com/2026/01/os-hicsos.html

Finkelstein e Silberman argumentam que em vez de que os israelitas, depois do Êxodo, tenham conquistado Canaã (como está sugerido no livro de Josué); de fato, a maioria deles já estava aí desde sempre; os Israelitas eram simplesmente cananeus que se desenvolveram em uma nova cultura. 

◘Leiam o artigo: "OS ISRAELITAS SÃO CANANEUS" neste mesmo Blog: https://adalbersantos.blogspot.com/2025/05/os-israelitas-sao-cananeus.html

Relatórios recentes sobre padrões de assentamentos prolongados nos centros israelitas não mostram sinais de invasões violentas ou ainda de infiltrações pacíficas, mas sim uma transformação demográfica até 1200 a. C. na qual aparecem aldeias em lugares previamente despovoados; estes assentamentos têm uma aparência similar aos campos beduínos atuais, sugerindo que os habitantes foram, em alguma ocasião, pastores nômades, levados à agricultura na Idade do Bronze tardia pelo colapso da 'cultura de cidade' canaanita.

Os autores tomam o assunto da descrição do livro de Josué onde os israelitas conquistam Canaã em poucos anos, muito menos que o tempo de vida de um indivíduo, em que são destruídas as cidades de Hazor, Ai e Jericó. Finkelstein e Silberman veem este relato como o resultado do efeito longínquo e difuso da memória popular sobre destruições causadas por outros eventos; a pesquisa arqueológica atual destes lugares mostra que sua destruição abrangeu um período de muitos séculos, quando Hasor foi destruída de 100 a 300 anos depois de Jericó, enquanto que Ai (cujo nome de fato significa 'montículo de ruínas') esteve completamente abandonada cerca de um milênio antes da destruição de Jericó e não foi reocupada até 200 anos depois.


ANACRONISMOS NA BÍBLIA



Anacronismos na Bíblia são inserções de eventos, objetos ou ideias que não existiam na época em que as histórias se passam, como o uso do termo "Faraó" em Gênesis ou a presença de camelos domesticados nas histórias patriarcais, que surgiram séculos depois, embora autores possam usar termos conhecidos para seus leitores. Exemplos incluem a presença de filisteus antes de sua migração e a interpretação de conceitos modernos (como "sangue de Jesus" como purificador biológico) em contextos antigos, o que exige cuidado na leitura para não impor valores atuais a contextos passados. 
Alguns críticos apontam anacronismos como indícios de que a Bíblia não é historicamente confiável e foi escrita muito tempo depois. 
Desenterrando a Bíblia e analisando o Livro de Gênesis e sua relação com as evidências arqueológicas para determinar o contexto no qual se estabeleceu sua narrativa. Diversos descobrimentos arqueológicos sobre a sociedade e a cultura no Oriente Próximo revelam para os autores uma série de anacronismos, os quais sugeririam que as narrativas foram escritas nos séculos, VII e V antes de Cristo.
Alguns críticos apontam anacronismos como indícios de que a Bíblia não é historicamente confiável e foi escrita muito tempo depois.

Exemplos comuns de Anacronismos:
◙ Editores posteriores inseriram termos modernos ou atualizações geográficas (como mudar "Laís" para "Dã") para maior clareza, como visto em Juízes 18:29.
◙ Faraó: O título "Faraó" não era usado para o Egito na época de Abraão, mas os autores bíblicos usaram a palavra disponível em sua língua para "governante do Egito".
◙ Camelos: Histórias patriarcais mencionam camelos domesticados, mas a domesticação e uso generalizado desses animais na região só ocorreu séculos mais tarde, conforme achados arqueológicos.
◙ Filisteus: A presença de filisteus nas narrativas patriarcais (como em Abraão) é considerada anacrônica, pois eles só apareceram na região após a invasão dos "Povos do Mar" (cerca de 1100 a.C.).
◙ Jericó: Evidências arqueológicas sugerem que a cidade de Jericó já estava abandonada ou em ruínas quando a conquista bíblica (segundo o cronograma bíblico) teria ocorrido. 
◙ O sistema organizado de sinagogas desenvolveu-se após o exílio babilônico e a destruição do Templo, embora apareça anteriormente em alguns textos.
◙ Ur dos Caldeus": Os caldeus não controlaram Ur até cerca de 1000 a.C., muito depois da época de Abraão.
◙ São mencionados com frequência os arameus, mas não existe nenhum texto deles até 1100 a. C. e só começaram a dominar as fronteiras setentrionais de Israel depois do século IX. Jacó interagindo com arameus antes de 900 a.C. é outro anacronismo, pois os arameus só se tornaram proeminentes localmente mais tarde.
◙ O texto descreve a origem do reino de Edom, mas registros assírios mostram que Edom só apareceu como Estado depois de que a zona foi conquistada pela Assíria. Antes dessa época, não tinha reis nem um Estado propriamente dito e a evidência arqueológica mostra que o território estava escassamente povoado.
◙ A história de José se refere a comerciantes que andavam em camelos e que levavam «goma arábica, bálsamo e mirra», um evento pouco provável para o primeiro milênio, mas muito comum nos séculos VIII a VII a. C., quando a hegemonia assíria possibilitou que este comércio florescesse.
◙ A Terra de Gósen tem um nome que provém de um grupo árabe que só chegou a dominar o Delta do Nilo nos séculos VI e V a.C.
◙ O Faraó egípcio está descrito como temeroso da invasão do leste, quando o território do Egito se havia estendido às partes do norte de Canaã, sendo o norte sua ameaça principal por conseguinte, até o século VII a. C.
◙ O livro comenta que isto concorda com a hipótese documental, na qual a crítica textual argumenta que a maioria dos primeiros cinco livros bíblicos foram escritos entre os séculos VIII e VI a. C. Ainda que os resultados arqueológicos e os registros assírios sugiram que o Reino de Israel era o maior dos dois, é o Reino de Judá ao que se outorga maior preeminência no livro de Gênesis, cujas narrativas se concentram em Abraão, Jerusalém, Judá (o Patriarca) e Hebrom, mais que nos personagens e lugares do Reino do Norte (Israel); A Bíblia desenterrada explica esta preeminência da tradição javista como uma tentativa de aproveitar-se da oportunidade brindada pela destruição de Israel em 720 a. C., para descrever aos israelitas como um só povo, com Judá havendo tido (sempre) a primazia.

Outros Anacronismos
Origens da agricultura e da música
Algumas gerações depois de Adão, lemos sobre a família de Lameque:
Em Gênesis 4:18-24, lemos: "Lameque tomou para si duas mulheres; o nome da primeira era Ada, e o da segunda, Zilá. Ada deu à luz Jabal; ele foi o primeiro dos que habitavam em tendas e cuidavam de rebanhos. O nome de seu irmão era Jubal; ele foi o primeiro de todos os que tocavam harpa e flauta. Zilá também deu à luz Tubal-Caim, que fundia metal e moldava todo tipo de ferramentas de bronze e ferro. A irmã de Tubal-Caim era Naamá."
♦ Isso é um completo absurdo. Flautas antigas feitas de osso de ave e marfim de mamute foram encontradas em uma caverna no sul da Alemanha e datadas de mais de 40.000 anos atrás. Existem várias outras descobertas semelhantes, quase tão antigas, e a incerteza na datação é de apenas alguns milhares de anos. Como Jubal era o tetraneto de Adão (Gênesis 4:17-21), e Adão viveu 75 gerações antes de Jesus, segundo Lucas 3, Jubal não poderia ter vivido há 40.000 anos. Mais provavelmente entre 6.000 e 8.000 anos atrás, considerando uma variação de até 80 anos por geração.
♦ Há também boas evidências arqueológicas de assentamentos e animais domesticados que remontam a cerca de 9000 a.C. e de metalurgia que remonta a cerca de 9500 a.C. Essas datas são muito antigas para que Jabal e Tubal-Caim sejam plausivelmente os verdadeiros criadores do acampamento, da agricultura e da metalurgia.

Os anacronismos são compreensíveis se o Gênesis for uma narrativa escrita por volta de 600 a.C., descrevendo a história mítica de Israel, mas não pode ser levado a sério como história narrativa.

O Êxodo do Egito 
Uma dificuldade séria para o registro bíblico é a falta de evidências arqueológicas que sustentem a existência de uma classe de escravos israelitas no Egito no segundo milênio a.C., ou mesmo em qualquer outra época.
Existem alguns relevos bem conhecidos de cerca de 1450 a.C. representando escravos com aparência semita, embora estes sejam identificados nas inscrições anexas como prisioneiros de guerra das campanhas do faraó no sul (Núbia) e no norte (Síria-Canaã), em vez de serem de famílias israelitas que viveram no Egito durante séculos.
O problema é que o nome Israel nunca é usado antes do final do século XIII a.C. Existem muitos documentos e inscrições onde ele poderia ter sido usado há inscrições dos Hicsos, inscrições egípcias e o extenso arquivo cuneiforme do século XIV de Tel el-Amarna, contendo cerca de 400 cartas que descrevem Canaã na época. Mas nada sobre Israel. Isso levou a maioria dos historiadores antigos a concluir que Israel não existia naquele período e só emergiu gradualmente como um grupo distinto durante o século XIII a.C.
Os lugares no Egito e na rota percorrida pelos israelitas refletem a geografia do primeiro milênio a.C. (quando o texto foi escrito), e não do segundo milênio a.C. (quando os eventos supostamente ocorreram). Vários lugares mencionados na rota do Êxodo foram identificados como desocupados na época da suposta peregrinação pelo deserto. Por exemplo, a ocupação mais antiga de Eziom-Geber data do século VIII a.C., mais de 500 anos depois da época em que o Êxodo teria ocorrido. Da mesma forma, os nomes Gósen, Pitom, Sucote, Ramessés e Cades-Barneia apontam para a geografia do primeiro milênio, e não do segundo.

A Conquista de Canaã
Uma omissão ainda mais grave no registro arqueológico é a ausência de evidências da invasão cananeia. A destruição de cidades e a substituição de uma cultura por outra são justamente os campos de estudo mais importantes da arqueologia. Mas, por mais flexíveis que sejamos com as datações, simplesmente não há evidências de uma invasão e conquista de Canaã. Em vez disso, as evidências arqueológicas mostram uma transição gradual de uma sociedade agrícola para cidades-reinos.
Historiadores cristãos conservadores, especialmente James Hoffmeier e Kenneth Kitchen, tentaram bravamente reunir as evidências para apoiar o relato bíblico do Êxodo, e por muito tempo encontrei conforto em seus livros. No entanto, eventualmente, o peso das evidências contra o relato do Êxodo me alertou sobre este assunto.
A explicação alternativa se encaixa muito melhor nas evidências disponíveis: a história inicial de Israel, descrita de Gênesis a Deuteronômio, reflete a geografia e a cultura de uma época muito posterior e foi construída para fornecer um mito fundador para Israel. É uma "história" contada de forma desajeitada para reforçar as reivindicações e exigências dos últimos reis de Judá. Isso explicaria o número incrivelmente grande de pessoas vagando pelo deserto, os nomes de lugares anacrônicos mencionados no relato do Êxodo, a falta de evidências arqueológicas de uma invasão israelita e a ausência de menção a Israel antes do final do século XIII a.C.
A história do Egito pode ainda conter algumas memórias culturais, mas estas foram embelezadas e exageradas a tal ponto que já não é possível recuperar quaisquer detalhes históricos essenciais que possam ter existido.

Babilônia
Não existiu Império Babilônico, mas existiu a cidade de Babel, as ruínas dos zigurates, templos e palácios mencionados no livro de Daniel. A grande Rua das Procissões, o Portão de Ishtar, os jardins suspensos da Babilônia. E leria as palavras de Nabucodonosor, conforme relatadas por Daniel:
“Não é esta a grande Babilônia que eu construí para residência real com a minha grande força e para a minha majestosa honra?” (Daniel 4:30)
No entanto, não mencionarei os problemas — que Dario, o Medo, não conquistou a Babilônia, mas sim Ciro, o Persa (Daniel 5:31; 6:28); que não há evidências arqueológicas ou históricas de um período de doença mental de Nabucodonosor (Daniel 4); que Belsazar nunca foi rei e não era parente de Nabucodonosor (Daniel 5:1-2). Esses detalhes complicariam a mensagem.

Problemas do Novo Testamento
Embora as partes posteriores do Antigo Testamento, e grande parte do Novo Testamento, sejam mais bem fundamentadas arqueologicamente, ainda existem algumas dificuldades.

O Evangelho de Lucas diz:
Naqueles dias, César Augusto decretou o recenseamento de todo o império para fins de impostos. Este foi o primeiro recenseamento, realizado quando Quirino era governador da Síria. (Lucas 2:1-2)
Sabe-se que Quirino foi governador da Síria em 6 d.C., muito tarde para o nascimento de Jesus. Várias explicações foram sugeridas: que Quirino era um administrador do censo, mas depois se tornou governador; ou que algum outro governador iniciou o censo, mas a compilação final dos dados só foi concluída durante o governo de Quirino; ou que Quirino serviu como governador em duas ocasiões distintas; e assim por diante. Mas nenhuma dessas hipóteses parece provável.
Outro problema com este censo é que não há evidências de que os governantes romanos exigissem que as pessoas se registrassem na cidade de suas terras ancestrais. Exigir uma migração tão massiva de pessoas para fins de contagem populacional parece extremamente improvável e é desconhecido em qualquer outro censo romano do qual tenhamos registros.

O Massacre de Bebês
O massacre de bebês em Belém também é desconhecido nos registros históricos fora da Bíblia. Isso é particularmente surpreendente, visto que temos um relato histórico da época escrito por Flávio Josefo, que, aliás, se esforçou bastante para registrar em detalhes os excessos de Herodes, o Grande, e vários outros massacres ocorridos na mesma época.
Cada problema isoladamente provavelmente pode ser explicado. Mas o acúmulo de anomalias no relato bíblico o torna cada vez mais suspeito.

Monoteísmo em toda a Bíblia
Como se observa na interpretação universalista da Bíblia, os compromissos teológicos muitas vezes levam a leituras anacrônicas das Escrituras. Os cristãos são monoteístas, mesmo que monoteístas trinitários. O problema é que o verdadeiro monoteísmo é raro na Bíblia. Quando surgiu sob influência persa por volta de 400 a.C., com Isaías 40-55, não perdurou por muito tempo.
A Bíblia é predominantemente henoteísta ( Êxodo 20:2-3 e 1 Coríntios 8:5 ). 
Monoteísmo significa "UM SÓ DEUS". Henoteísmo significa ser leal a um Deus que vive em meio a uma grande variedade de deuses. Henoteísmo significa que cada grupo étnico, ou mesmo cada subgrupo, presta lealdade ao seu próprio Deus supremo, sem negar que outros deuses existam como protetores celestiais de outros povos ( Juízes 11:24 ).
Os estudiosos Bruce Malina e Richard Rohrbaugh explicam que, nas Escrituras Hebraicas, a estrutura social da monarquia israelita servia como imagem teológica de Deus. Como essa monarquia se restringia a um único grupo étnico ou povo, a Bíblia apresenta o henoteísmo em vez do monoteísmo. Sendo assim, uma vez que se tratava de uma monarquia confinada a um único grupo étnico, a visão bíblica de Deus é predominantemente henoteísta, e não monoteísta. Uma vez que o homem que reinava em Israel era apenas um rei entre muitos reis, o Deus de Israel era visto como um Deus entre muitos deuses, mesmo sendo o supremo.

Igreja e Estado 
É quase infalível. Sempre que um cristão fundamentalista ocidental do século XXI fala sobre a história de Jesus sendo posto à prova quanto ao pagamento de impostos a César "Marcos 12:13-17 - Mateus 22:15-22 - Lucas 20:20-26", ela é distorcida e transformada em uma prescrição bíblica sobre como Igreja e Estado devem se relacionar. Para os ocidentais do século XXI, a religião, assim como os laços familiares, a política e a economia, é uma instituição social fundamental. Hoje, as pessoas discutem sobre a separação entre religião e política, um fenômeno que surgiu no século XVIII. Isso se infiltra na Bíblia por meio de anacronismos.
O camponês Jesus do Mediterrâneo do primeiro século desconhecia nossas perspectivas do século XXI. Igreja e Estado, e sua separação, seriam completamente estranhos para ele. A religião do Mediterrâneo antigo não possuía uma existência institucional separada no sentido moderno. A religião antiga era um sistema abrangente de significados que unificava os sistemas políticos e de parentesco em uma visão completa.
Para Jesus e todos os seus contemporâneos, a religião não era concebida como um sistema fechado, dotado de uma teoria prática específica e uma estrutura organizacional distinta. Em vez disso, a religião do primeiro século estava inserida e inextricavelmente ligada aos sistemas de parentesco (por exemplo, ancestralidade) e de pólis (por exemplo, templo, messias, teocracia). A religião antiga era, portanto, política (Templo; Império) ou doméstica (Lar).
Então, como Jesus poderia estar falando sobre manter Igreja e Estado separados ao questionar o pagamento de impostos ao Imperador? Tal distinção e prescrição futuras não fariam sentido para ele! Portanto, nossa familiaridade com essa história deve ser espúria e anacrônica!

Universalismo Bíblico 
Pergunte a qualquer cristão sobre Jesus e Paulo e provavelmente ouvirá que suas preocupações eram universais, ou seja, para toda a humanidade. Para nós, cristãos do século XXI, Jesus, Paulo e os Doze eram universalistas com preocupações globais. Esses homens buscavam evangelizar o mundo inteiro e converter todos ao cristianismo.
A Bíblia, e até mesmo os Evangelhos, pintam um quadro muito diferente. O Novo Testamento foi escrito por, para e sobre israelitas. O interesse e o foco do Jesus pré-pascal eram a renovação do Israel do primeiro século na teocracia israelita. Como os estudiosos do contexto explicaram, declarações como o preceito de Mateus 28:19, “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações…”, são de alto contexto. Os discípulos estão sendo ordenados a ir aos israelitas que vivem entre todos os povos, não aos não israelitas! Antes disso, na narrativa de Mateus, a missão se limitava apenas às terras dos israelitas bárbaros (Mateus 10:5).

Declarações da Ciência Bíblica
Livrarias cristãs estão repletas de livros sobre nutrição bíblica e vida saudável, assuntos que pertencem ao nosso mundo contemporâneo, dominado pela ciência. Essas livrarias também oferecem livros que afirmam que a Bíblia fornece a ciência correta no que diz respeito à idade da Terra e aos detalhes da origem humana. Muitos desses livros alegam que a Bíblia é um "texto cientificamente preciso".
Somos filhos de uma história imensamente complexa. No Ocidente do século XVIII, o foco se voltou para a natureza (ou seja, a homogeneidade) e a regularidade. Começamos a testar o mundo empírico ao nosso redor com a expectativa de obter resultados consistentes e quantificáveis. Essa foi a época da busca pela episteme, onde a razão pura se tornou a autoridade dos "Iluministas". A generalidade e a uniformidade da experiência humana foram enfatizadas nesses tempos pós Iluminismo. Sofremos com uma enorme ressaca dessa época.
A nossa cultura é a única que não consegue distinguir a verdade dos fatos. Embora todos os fatos sejam verdadeiros, nem todas as verdades são verdades factuais. A nossa é uma cultura que defende que as únicas verdades são aquelas comprovadas pela ciência. Influenciados por essas normas culturais, os fundamentalistas sentem a necessidade de provar a Bíblia com uma precisão científica rigorosa. Em vez de ser inerrante do ponto de vista da salvação, a Bíblia deve ser inerrante do ponto de vista cognitivo!
Não pensem que o fundamentalismo está excluído dos círculos católicos e evangélicos, que apenas “outros cristãos” podem ser fundamentalistas. O fundamentalismo católico/evangélico é muito real. Já ouvi pastores e padres discursando sobre como temos “provas científicas” de que realmente existiram os Três Reis Magos. Ou pregando sobre como os “milagres eucarísticos e da santa ceia” apresentam “provas científicas” sobre o ensinamento da Igreja acerca da Presença Real e do Sacerdócio. E não consigo contar quantas palestras já ouvi de católicos afirmando que o Sudário de Turim prova cientificamente a Ressurreição de Jesus. O sem pelagianismo não deveria ter desaparecido com o Segundo Concílio de Orange 529? Então!

Leis físicas que governam o universo nas Escrituras
Será que alguém pode realmente saber o que a Bíblia significa antes de entender o que ela significava (ou seja, o que significava para seus autores originais)? "De jeito nenhum!" deveria ser a resposta óbvia, e a Autoridade Pastoral da Igreja concorda ao explicar que o Sentido Literal das Escrituras vem em primeiro lugar.
Os leitores ocidentais da Bíblia enfrentam um grande problema ao ler os Evangelhos, pois os abordam com uma bagagem conceitual completamente alheia ao mundo antigo. Por exemplo, acreditamos em “leis da natureza” ou “leis físicas que governam o universo”. Portanto, quando observamos Jesus realizando feitos extraordinários e sobre-humanos nas histórias dos Evangelhos, sejam eles factuais ou ficcionais, declaramos esses atos como “milagres”. E definimos “milagre” como “uma violação das leis da natureza”.
Nossos ancestrais bíblicos na fé não viam a realidade como nós a vemos. Eles não reconheciam nada como "leis físicas que governam o universo". Portanto, não há nenhuma palavra na Bíblia que possa ser traduzida adequadamente como milagre. Assim como não se pode ter o conceito de "triângulo" sem antes conceber logicamente o de "ângulo", não se pode conceber "violar as leis da natureza" sem antes ter o conceito de "leis da natureza".
É por isso que a Bíblia Hebraica e o Novo Testamento Grego falam de maravilhas e prodígios, nunca de milagres. Lendo os Evangelhos com respeito, vemos que Jesus realizou “feitos poderosos” (dynameis) e, no Quarto Evangelho, “sinais” (semeia) e “obras” (ta erga). Mas nenhum texto do Novo Testamento afirma que ele infringiu quaisquer “leis físicas que governam o universo”.
John Pilch sabiamente disse: "Milagre é uma palavra interessante para o período pós Iluminismo". Assim como acontece com "sobrenatural", toda vez que alguém atribui um "milagre" ao mundo e aos personagens da Bíblia, está cometendo um anacronismo. Não há milagres na Bíblia. Tais violações das leis físicas que governam o universo eram desconhecidas no Mediterrâneo antigo.

O que devemos esperar da História e da Arqueologia?
Alguns apologistas bíblicos fazem questão de salientar que não se deve esperar que a Bíblia siga os padrões modernos da narrativa histórica. Concordo. Mas isso não dá aos autores bíblicos licença para inventar coisas como a origem dos instrumentos musicais ou o uso de camelos. Poderia justificar o uso de nomes de lugares posteriores na jornada do Êxodo, mas a maioria dos outros elementos mencionados neste capítulo não são simplesmente relatos imprecisos segundo os padrões modernos. Em vez disso, parecem fazer parte de uma história imaginada, criada por razões ideológicas.
Além disso, se permitirmos exageros e uma grande dose de imaginação histórica, a narrativa perde toda a sua força. Se não podemos acreditar que instrumentos musicais foram tocados pela primeira vez oito gerações depois de Adão (Gênesis 4:21), por que deveríamos acreditar nas maldições descritas no capítulo anterior? Se não podemos acreditar que Abraão veio de Ur dos Caldeus, por que deveríamos acreditar nas promessas que Deus fez a Abraão? As mensagens do evangelho do Novo Testamento dependem da confiabilidade e precisão dessas maldições e promessas, e uma vez que a historicidade do texto bíblico não pode ser presumida, a mensagem do evangelho também não pode ser crida.
É crucial não aplicar os valores, conceitos ou conhecimentos atuais a contextos históricos antigos para uma leitura mais precisa. E entender que a Bíblia foi escrita por humanos em contextos específicos, e que interpretações modernas podem ser anacrônicas (como ligar o "sangue de Jesus" a uma função biológica moderna, em vez de seu significado sacrificial). 

Anacronismos dificultam a compreensão das Escrituras
O anacronismo é uma praga generalizada que impede milhões de cristãos ocidentais de compreenderem a Bíblia ou Jesus. 
Anacronismo e leitura da Bíblia formam um casal infeliz, cujo filho é a ignorância.
Ao refletirmos sobre essas questões, chegamos à triste realidade da grande maioria dos estudos bíblicos católicos e evangélicos oferecidos em lares, paróquias, centros católicos, círculos de orações, consagrações, vigílias, catequeses, escolas dominicais e redes sociais & afins.
O anacronismo torna o estudo das Escrituras impossível.
Existem cinco grandes obstáculos, abusos que impedem o estudo das Escrituras, por mais que afirmemos o contrário. Esses cinco problemas são generalizados nos círculos católicos. São difíceis de perceber, muito menos de erradicar. São eles: anacronismo, etnocentrismo, fundamentalismo, ignorância genuína e estupidez sincera.