O nazismo é uma questão complexa. Não se encaixa facilmente no sistema tradicional de "esquerda versus direita" que tanto apreciamos.
No mundo inteiro (menos no Brasil), o Nazismo é considerado como um movimento de direita ou ultradireita. Toda Academia de historiadores e cientistas políticos, tanto de viés de esquerda, quanto de direita, veem o Nazismo como sendo um movimento totalitário de direita. Menos, claro, no Brasil.
Por que o termo "Socialista" no nome?
O termo "socialista" no Partido Nazista (NSDAP) era uma tática para atrair a classe trabalhadora, mas sua ideologia era fundamentalmente oposta aos verdadeiros princípios socialistas (como a solidariedade internacional e a igualdade econômica), focando-se, em vez disso, na unidade nacional sob um regime autoritário.
O nome completo do partido nazista era "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães" (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiter Partei). O termo "Nazista" é a abreviação de "nacional-socialista".
Mas, e o nome "Socialista"?
O fato de a palavra "socialista" aparecer no nome deles não os torna automaticamente socialistas. Já ouviu falar da "República Democrática Alemã"? Era assim que a ditadura comunista da Alemanha Oriental se autodenominava oficialmente. O mesmo vale para a "República Popular Democrática da Coreia" - Coreia do Norte , um dos países mais antidemocráticos da história. Hitler e seus asseclas nazistas admitiram abertamente que só adicionaram "socialista" (junto com "nacional") ao nome do partido em 1920 para ampliar seu apelo (o partido se chamava originalmente "Partido dos Trabalhadores Alemães").
Duas Facções no Partido - Esquerda e Direita
Quando os nazistas não estavam no poder, existia de fato uma ala anticapitalista e revolucionária, que poderia ser vista como tendo objetivos socialistas. Mas isso só acontecia porque se queria conquistar a esquerda dessa maneira. A figura principal desse movimento, Gregor Strasser, foi assassinado em 1934. E isso significou o fim desse pensamento. É claro que, após a tomada do poder, Hitler queria "manter seu povo" de bom humor — inclusive por meio de benefícios sociais. No entanto, esses benefícios não alteraram o caráter fundamentalmente de extrema direita do regime.
Gregor Strasser não era comunista de fato, contudo, defendia reformas sociais e econômicas socialistas em termos de redistribuição de riqueza e participação nos lucros, mas sempre dentro de uma estrutura nacionalista e racista, que era fundamentalmente anti-marxista. Strasser ocupou altos cargos no Partido Nazista, sendo o chefe da organização política do partido e, por um período, o segundo em comando depois de Hitler em poder e popularidade.
Suas visões mais radicais em relação a políticas econômicas e sua oposição à aproximação de Hitler com a grande indústria geraram conflitos internos.
Devido a essas divergências e à crescente rivalidade pelo poder, Strasser renunciou aos seus cargos em 1932 e foi assassinado em 1934, durante a "Noite das Facas Longas", uma purga na qual Hitler eliminou rivais e dissidentes, incluindo a ala mais "socialista" do partido. Hitler ordenou o assassinato de Gregor e dos demais "strasseristas" na "Noite das Facas Longas", para evitar conflitos internos no partido. Isso pôs fim definitivamente àquela ala "socialista" do partido. Gregor Strasser tinha um irmão, o nome dele era Otto Strasser, que era partidário de seu irmão, compartilhando de seus ideais, Otto foi obrigado a se exilar, para não ter o mesmo destino de seu irmão.
Lembrando que os irmãos Strassers eram do Partido Nazista (Partido dos Trabalhadores Alemães) e eram antissemitas, pregavam a supremacia ariana e todo pacote nazista, mas a forma de aplicar a economia social para o povo alemão, eles comungavam com os ideais comunistas.
Direita ou Esquerda?
O próprio Hitler dizia que o nazismo não era nem de esquerda, nem de direita. Se você perguntasse a Hitler se o partido dele era de esquerda ou de direita, ele diria que não era nenhum dos dois (pouco antes de mandar prendê-lo).
Apesar das ideias de extrema direita, o governo nazista não tinha problema nenhum em roubar ideias da esquerda. Eles nacionalizaram algumas indústrias, implementaram alguns programas socialistas, como o sistema nacional de saúde, e até assumiram o controle dos sindicatos.
Ódio ao Comunismo
Adolf Hitler tinha uma aversão profunda ao comunismo, que ele via como uma ideologia destrutiva e uma conspiração judaico-bolchevique. O ódio ao comunismo foi um pilar central da ideologia nazista e da política externa do Terceiro Reich, justificando a perseguição de comunistas e a invasão da União Soviética.
Diferente do que muitos acreditam atualmente, o futuro tirano nazista destilou todo seu ódio contra o “bolchevismo implantado na nação” na República de Weimar. Hitler também chegou a debochar de quem chamava os nazistas de esquerdistas.
Hitler via o comunismo "marxismo" e "bolchevismo" não apenas como uma teoria econômica ou política concorrente, mas como uma ideologia inventada e controlada pela "comunidade judaica internacional". Essa crença reforçou seu antissemitismo e apresentou a luta como uma batalha racial global pela sobrevivência.
O nazismo baseava-se no nacionalismo extremo e na unidade do povo alemão (Volk) segundo critérios raciais. Em contraste, o comunismo defendia a solidariedade internacional da classe trabalhadora, transcendendo as fronteiras nacionais. Hitler rejeitou esse internacionalismo, por acreditar que ele apagaria as identidades nacionais e raciais e levaria à submissão da Alemanha.
Enquanto os comunistas enfatizavam a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas, Hitler desejava que todas as classes sociais na Alemanha trabalhassem juntas em harmonia para o bem da nação sob um único governo totalitário. Ele acreditava que o conflito de classes era caótico e destrutivo.
Uma vez no poder, um dos primeiros grandes atos de Hitler foi eliminar o Partido Comunista da Alemanha como força política. O incêndio do Reichstag em 1933 foi usado como pretexto para prender dezenas de milhares de comunistas, socialistas e sindicalistas, que estiveram entre as primeiras vítimas enviadas para os recém-criados campos de concentração.
Embora o nome do partido nazista incluísse "Socialista", as visões econômicas de Hitler estavam longe das do socialismo ou comunismo tradicionais. Ele protegia a propriedade privada e o lucro, considerando-os essenciais para a produtividade, desde que as empresas aderissem às diretrizes nazistas e servissem aos interesses do Estado. Ele se opunha à ideia comunista de propriedade pública dos meios de produção.
Em essência, o ódio de Hitler pelo comunismo era profundo e multifacetado, servindo como uma poderosa ferramenta para unir vários segmentos da sociedade alemã, desde empresários e latifundiários assustados até militares e nacionalistas, contra um inimigo comum percebido.
Em seu discurso ao Reichstag, Hitler, entre outras coisas, enfatiza seu ódio ao Comunismo, confira o discurso;
Discurso ao Reichstag - Berlim, 17 de maio de 1933: https://der-fuehrer.org/reden/english/33-05-17.htm
Entrevista no The Guardian
Em 1923, o jornal britânico The Guardian publicou uma entrevista que o repórter George Sylvester Viereck fez com Führer. Durante o episódio, isso fica ainda mais evidente, o ódio que Hitler tinha do Comunismo.
Intitulada de “Não há espaço para o estrangeiro, não há utilidade para o vagabundo”, o futuro tirano destila todo seu ódio contra o pensamento esquerdista e joga toda a culpa da falência da Alemanha no “bolchevismo implantado na nação” pela República de Weimar. Confira um trecho da entrevista:
“Quando eu tomar conta da Alemanha, acabarei com o tributo externo e o bolchevismo em casa”, declarou Adolf Hitler esvaziando a xícara como se não contivesse chá, mas a alma do bolchevismo.
O “bolchevismo”, continuou, o chefe dos camisas pardas da Alemanha fascistas, olhando fixamente para mim “é nossa maior ameaça. Matar o bolchevismo na Alemanha e restaurar 70 milhões de pessoas ao poder. A França deve sua força não aos seus exércitos mas às forças do bolchevismo e da dissensão em nosso meio”.
“O Tratado de Versalhes e o Tratado de St Germain são mantidos vivos pelo bolchevismo na Alemanha. O Tratado de Paz e o bolchevismo são duas cabeças de um monstro. Devemos decapitar ambos”, concluiu.
Por que, perguntei a Hitler, você se define como um nacional-socialista se o programa de seu partido é a própria antítese do que é comumente associado ao socialismo?
“O Socialismo”, ele retruca, abaixando sua xícara de chá, firmemente “é a ciência de lidar com o bem comum. Comunismo não é socialismo. Marxismo não é socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram seu significado. Eu tirarei o socialismo dos socialistas”.
“O socialismo é uma instituição ariana germânica antiga. Nossos ancestrais alemães mantinham certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada. O marxismo não envolve negação da personalidade e, ao contrário do marxismo, é patriótico”.
“Poderíamos nos chamar Partido Liberal. Optamos por nos chamar de Nacional-Socialistas. Não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o cumprimento das reivindicações justas das classes produtivas pelo Estado com base na solidariedade racial.” Para nós, estado e raça são um”.
O que — continuei meu interrogatório — são as tábuas fundamentais da sua plataforma?
“Hitler: “Acreditamos em uma mente saudável em um corpo saudável. O corpo político deve ser sadio se a alma quiser ser saudável. A saúde moral e física são sinônimas”, disse.
Mussolini, o interrompi, disse o mesmo para mim. Hitler sorriu.
“As favelas”, ele acrescentou “são responsáveis por nove décimos, o álcool por um décimo de toda depravação humana. Nenhum homem saudável é marxista. Homens saudáveis reconhecem o valor da personalidade”.
Mein Kampf contra o Comunismo
Adolf Hitler expressa fortes críticas e ódio pelo comunismo em seu livro Mein Kampf. O anticomunismo é um tema central na ideologia nazista, conforme descrito na obra.
Mein Kampf é o título do livro de dois volumes de autoria de Adolf Hitler, no qual ele expressou suas ideias antissemitas, anticomunistas, antimarxistas, racialistas e nacionalistas de extrema direita, então adotadas pelo Partido Nazista. O primeiro volume foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo foi escrito por Hitler fora da prisão e editado em 1926. Mein Kampf tornou-se um guia ideológico e de ação para os nazistas, e ainda hoje influencia os neonazistas, sendo chamado por alguns de "Bíblia Nazista". É importante ressaltar que as ideias propostas em Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas são oriundas de teorias e argumentos então correntes na Europa. Na Alemanha nazista, era uma exigência não oficial possuir o livro. Era comum presentear o livro a crianças recém-nascidas, ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam na sua formatura.
No livro, Hitler descreve o comunismo como uma ideologia que ele despreza profundamente, ligando-o frequentemente a conspirações judaicas, uma característica fundamental do seu virulento antissemitismo.
Dedicou um capítulo inteiro, intitulado "A Luta Contra a Frente Vermelha", para detalhar sua oposição e estratégia contra os movimentos de esquerda, incluindo social-democratas e comunistas.
Ria e considerava "idiota" a ideia de que o nazismo fosse uma forma de socialismo ou estivesse alinhado com a esquerda, enfatizando a diferença ideológica fundamental e oposição entre as duas correntes.
A aversão ao comunismo foi um dos pilares da política interna e externa de Hitler, culminando na perseguição de comunistas na Alemanha e na invasão da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.
"Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo.”
“Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de que o problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo”
Conclusão:
Depois de tantas provas apresentadas, não tem como um indivíduo dizer que o Movimento Nazista era de Esquerda.
No Brasil, o extinto Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgão de repressão política e social ativo durante a ditadura, classificou o nazismo como um extremismo da direita. "Vigilantes estamos para todas as formas de extremismo aqui alimentadas, sejam da esquerda, como o comunismo, sejam da direita, como o fascismo e o nazismo", apontou o órgão em nota registrada nos arquivos do Acervo Estadão, datada de 27 de julho de 1949.
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