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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O DEUS DE ISRAEL TEM CHIFRES?

 


Este é o Deus original de Isra-El, o Deus semiótico Pai El com chifres de touro e tudo mais. Sua Bíblia afirma que Abraão não conhecia Yahweh, ele só conhecia El-Shaddai [ver Êxodo 6,2-4]. Então quem é El? ” A palavra ‘il é usada mais de 500 vezes nos textos de Ugarit. O uso mais óbvio da palavra é o nome do Deus patriarcal divino, que era o chefe do panteão. El tem um papel de pai (‘ab) do panteão e da humanidade. Ele está sentado diante do conselho divino (a família de El) como seu chefe [ver Salmo 82 & Deuteronômio 32,8]. Ele é retratado como sendo idoso e barbudo e é frequentemente chamado de “o sem idade” ou “pai dos anos”. Ele age como uma ajuda tanto para os Deuses menores quanto para a humanidade. Curiosamente, El também é visto como o criador em um texto hurriano-hittita descoberto na Anatólia. El senta-se no trono com sua consorte e esposa Athirat, ou a Asherah bíblica em hebraico, a “Progenitora dos Deuses”. Os atributos de El como um pai bondoso são expressos na frase “El bondoso, o Compassivo”. Outro epíteto importante associado a El é o de “Boi”, encontrado em quase todos os textos mitológicos ou épicos. ” – (Robinson, Jed. ” The God of the Patriarchs and the Ugaritic Texts: A Shared Religious and Cultural Identity”. Studia Antiqua 8, no. 1 (2010)). Veja a foto mencionando El como um homem velho, é uma tradução do Texto do ugarítico Ciclo de Baal. Ba’al era um filho de El no panteão cananeu. Baal, os “Baalim” e Asherah foram adorados pelos israelitas na Bíblia também no devido tempo [ver 2 Reis 17,16].


Texto da Doutora em Teologia, escritora, professora, linguista e teóloga, Angela Natel

Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Doutora em Teologia Exegese e interpretação da Bíblia) pela PUCPR. 

Link do Site: https://angelanatel.wordpress.com/2023/12/15/el-o-deus-de-israel/


El como "Touro El" (Shor El)

No panteão cananeu (especialmente nos textos de Ugarit), El era frequentemente chamado de Shor El (ou Thoru El), que significa literalmente "Touro El". Este título simbolizava sua força, supremacia como deus pai e poder gerador.

Em estatuetas e relevos da Idade do Bronze e do Ferro, El é comumente representado como um patriarca entronizado usando um tocado adornado com chifres de touro, que eram símbolos universais de autoridade divina e proteção no Antigo Oriente Próximo.

O culto ao "bezerro de ouro" (como o mencionado no Êxodo ou por Jeroboão I) é frequentemente interpretado por estudiosos como uma representação física de El (ou de sua fusão posterior com Yahweh), usando o touro como um pedestal ou símbolo de sua presença. 

Na Bíblia, Deus é comparado à força de um touro selvagem, especialmente em passagens que descrevem o poder e a libertação de Israel do Egito, como em Números 23:22 e 24:8, e na bênção de Moisés a José, onde seus filhos são vistos como chifres de touro selvagem, simbolizando sua força para lutar e subjugar inimigos, como em Deuteronômio 33:17. A imagem do touro selvagem (ou boi selvagem) representa uma força imponente, indomável e divina, usada para descrever tanto o poder de Deus quanto a força do povo de Israel. 


Referências Bíblicas ao "Touro Selvagem"

Números 23:22: Deus os tirou do Egito; ele tem a força de um boi selvagem (ou touro selvagem, dependendo da tradução).

Números 24:8: Deus o tirou do Egito; as suas forças são como as do boi selvagem; consumirá as nações, seus inimigos, e quebrará seus ossos, e com as suas setas os atravessará. 

Deuteronômio 33:17: Refere-se aos "chifres de um boi selvagem" como símbolos de majestade e poder para ferir nações.

Salmos 92:10: "Tu aumentaste o meu poder como o do boi selvagem". 


Essas metáforas refletem uma continuidade cultural onde o touro selvagem em hebraico, muitas vezes traduzido como auroque (boi selvagem ou primitivo ou unicórnio em versões antigas), representava a força indomável e a glória da divindade.

Teologias à parte, a questão é que, na época em que foi escrito o texto, é a questão da influência estrangeira na cultura hebraica desde os primórdios do nascimento da religião dos hebreus.

O estrangeirismo religioso revela que os hebreus, como todos os povos do planeta, fabricaram suas crenças, religião e teologia, a partir de povos que estavam ao seu redor e povos antigos, o que é muito comum na história antropológica de nosso planeta.

O problema é a forçação de barra que os religiosos fazem para manipular os textos, dizendo que Deus é uma entidade originária do povo hebreu, o que não é verdade,  cometendo desonestidade intelectual.


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