A etimologia de Nínive em Sumério 𒀏 e depois em Acádio: Ninua ou Ninâ está profundamente ligada à sua história como centro religioso da Mesopotâmia, com origens que remetem a símbolos de peixes e divindades femininas.
O nome da cidade em cuneiforme era representado por um peixe dentro de uma casa, o ideograma NI.NU.A ou Ninâ 𒀏, sugerindo a tradução literal como "casa de peixe" ou "lugar de peixes".
Acredita-se que o nome esteja relacionado à deusa Ishtar (frequentemente associada a peixes/águas na região), significando talvez "Casa da Deusa" ou "Casa do Peixe", com origens possivelmente Hurritas antes de ser adotada pelos Assírios.
A principal divindade associada à cidade de Nínive, com raízes na antiga tradição suméria, era a deusa Inanna, em Sumério ou Ishtar em Acádio e Assírio. Inanna/Ishtar era uma divindade complexa, representando tanto o amor sensual e a fertilidade quanto a guerra, o combate e o poder político.
Embora seu centro de culto original fosse Uruk, o templo de Ishtar em Nínive tornou-se um dos mais importantes da Mesopotâmia. Ela era a deusa tutelar da cidade, protegendo-a e abençoando os reis Assírios.
Embora outros deuses assírios (como Assur) tivessem grande destaque na capital, o templo de Ishtar em Nínive era um dos centros religiosos mais antigos e influentes daquela região.
O principal templo dedicado à deusa Ishtar em Nínive era conhecido como Emašmaš ou E-mash-mash ("Casa das Oferendas" "Casa dos Oráculos" ou "Templo Supremo".
►E ou É: Significa "casa""templo" ou "domicílio".
►Mašmaš: (derivado de maš-maš): Frequentemente associado a oráculos, adivinhação, ou ao culto de deuses estelares/Ištar.
O Emašmaš de Nínive foi um dos santuários mais importantes da Mesopotâmia. Foi fundado ou restaurado por vários reis, sendo famoso por ter sido reconstruído por Maništušu (rei de Akkad) e, mais tarde, restaurado pelo rei assírio Samsî-Addu (ou Shamshi-Adad), que se orgulhava de tê-lo recuperado da ruína.
Curiosamente, o nome da cidade de Nínive (Ninua) é escrito com um ideograma que representa um peixe dentro de uma casa, sugerindo que o simbolismo do peixe já era central para a identidade da cidade antes da chegada de Jonas.
Abgal ou Apkallu
Abgal em sumério ou Apkallu em acádio são sete sábios antediluvianos.
Uanna ou Oannes: O primeiro e mais famoso, que ensinou os mitos da criação e os fundamentos da vida urbana.
Uannedugga: Dotado de inteligência abrangente.
Enmedugga: Responsável por decretar bons destinos.
Enmegalamma: Nascido em uma casa (simbolizando o ambiente doméstico).
Enmebulugga: Associado às pastagens e criação de animais.
An-Enlilda: O conjurador da cidade de Eridu.
Utuabzu: O último sábio, que teria ascendido ao céu
Na arte mesopotâmica, especialmente nos relevos palacianos neo-assírios, os Apkallu são representados em três formas principais:
Homem-Peixe: Vestindo uma capa de pele de peixe com a cabeça do peixe sobre a sua própria, simbolizando sua origem aquática.
Homem-Pássaro: Figuras com asas e, frequentemente, cabeça de águia.
Forma Humana: Seres alados em forma humana total.
Eles são frequentemente vistos segurando um balde (banduddū) e uma pinha (mullilu), objetos usados em rituais de purificação e proteção para afastar demônios e doenças.
Após o dilúvio, os novos sábios foram descritos como humanos (chamados de Ummanu), marcando a transição da sabedoria divina para a humana.
Pequenas estatuetas desses sábios eram enterradas sob os pisos das casas e templos para servirem como guardiões espirituais contra o mal.
Muitos estudiosos ligam os Apkallu aos Nephilim do Gênesis ou à figura de Enoque, o sétimo patriarca que também "caminhou com Deus" e subiu aos céus.
Berossus
Beroso foi um alto sacerdote da cidade de Babel. A data exata é desconhecida, mas sabe-se que viveu pelo menos até o reinado de Antíoco I (281–261 a.C.) ou 350 a.C. a 340 a.C. durante o final do domínio persa ou início da era de Alexandre, o Grande.. Ficou famoso por escrever a Babyloniaca (História da Babilônia) em grego, dedicada a Antíoco I Soter, governante do Império Selêucida. Sua obra foi provavelmente publicada por volta de 280-278 a.C.. Ele foi ativo na Babilônia e, segundo relatos posteriores (como os de Vitrúvio), posteriormente viveu na ilha de Kos, na Grécia, onde ensinou astrologia.
A obra Babyloniaca ou História da Babilônia, escrita pelo sacerdote babilônico Beroso por volta de 281 a.C., relata a história de Oannes. Oannes é descrito como uma criatura anfíbia, com forma de peixe e homem, que saiu do Golfo Pérsico para ensinar sabedoria, escrita, ciências, leis e artes à humanidade. Beroso situou essa aparição nos tempos pré-históricos, logo após o início do mundo, com Oannes aparecendo durante o reinado de Aloros.
O relato ocorre no primeiro livro da Babyloniaca, narrando um tempo em que os seres humanos viviam como animais antes de receberem a civilização.
Conexão com o Livro de Jonas
A Babyloniaca ou História da Babilônia, escrita pelo sacerdote babilônico Berosso no século III a.C., e o Livro de Jonas, parte da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), apresentam interessantes paralelos, particularmente no que diz respeito ao contexto assírio/babilônico, temas de arrependimento e a simbologia de criaturas marinhas.
Embora os Apkallu pertençam à mitologia mesopotâmica e Jonas à tradição bíblica, existem paralelos fascinantes que estudiosos utilizam para explicar por que a mensagem de Jonas foi aceita tão rapidamente pelos ninivitas Assírios.
A conexão mais forte reside na aparência de Jonas ao chegar em Nínive. De acordo com o relato bíblico, Jonas foi "vomitado" por um grande peixe após três dias.
Os assírios eram familiarizados com os Apkallu, seres semidivinos que emergiam do mar com mantos de pele de peixe para trazer mensagens e sabedoria dos deuses.
Um homem saindo das águas (ou das entranhas de um peixe) teria uma semelhança visual direta com um Apkallu, o que daria a Jonas uma autoridade divina instantânea aos olhos dos ninivitas, facilitando o arrependimento em massa descrito no livro de Jonas.
O nome Oannes é foneticamente muito próximo de Ioannes (João) e Ionas - Jonas - Yonah. Do hebraico Yonā, que significa "pomba" nomes usados na Septuaginta (tradução grega da Bíblia) para se referir ao profeta.
O nome Jonas é uma adaptação ou um trocadilho fonético deliberado feito pelos redatores bíblicos para ligar o profeta à figura de Oannes/Uanna.
Nessa visão, o nome original do profeta em contextos assírios poderia estar ligado ao termo para "sábio do mar", e apenas mais tarde foi associado à palavra hebraica para pomba.
Já Oannes é uma Helenização ou Gregarização do Sumério Uanna ou Uanna-Adapa, o primeiro dos sete sábios Apkallu que emergiu do mar para civilizar a humanidade.
Oannes é descrito como um ser que tem o corpo de um peixe, mas com cabeça, pés e voz de homem por baixo da "capa" de peixe. Jonas, por sua vez, é o homem que "emerge" de dentro de um peixe.
Jonas foi enviado para pregar em Nínive, a capital da Assíria (Mesopotâmia). Alguns autores, como Gerald Everett Jones, sugerem que o povo de Nínive aceitou a mensagem de Jonas tão rapidamente porque sua história de "vir do mar/peixe" ecoava o mito de Oannes, que eles já veneravam como um portador de sabedoria divina, o tema do herói engolido por um monstro marinho e "renascido" é um arquétipo comum, e Oannes personifica a versão babilônica do mestre que traz conhecimento das profundezas.
Jonas Nunca Existiu
Não existem registros arqueológicos ou fontes extrabíblicas da época (século VIII a.C.) que confirmem a existência de um profeta chamado Jonas. A maioria dos estudiosos modernos considera o Livro de Jonas uma obra de ficção didática ou uma sátira, escrita séculos após o período em que a história se passa (período pós-exílio).
Jonas é mencionado em 2 Reis 14:25 como Jonas, filho de Amitaié ou Amitai, um profeta real que viveu durante o reinado de Jeroboão II (790–749 a.C.). Isso sugere que o personagem da famosa história do "grande peixe" pode ter sido baseado em uma figura histórica real que serviu como profeta em Israel. No Novo Testamento, Jesus faz referência a Jonas, tratando a experiência do profeta no ventre do peixe como um evento real e comparando-o à sua própria morte e ressurreição (Mateus 12:40). Para muitos cristãos, essa menção de Jesus valida a historicidade do profeta.
Não existem evidências arqueológicas ou registros históricos na Assíria onde ficava Nínive que mencionem um profeta estrangeiro que tenha causado um arrependimento em massa de toda a cidade. Historiadores apontam que a Nínive descrita no livro é anacrônica, assemelhando-se mais à cidade em seu auge posterior do que à Nínive do século VIII a.C..
Muitos acadêmicos classificam o Livro de Jonas não como um relato histórico, mas como uma ficção didática, uma parábola ou até uma sátira.
O livro de Jonas é uma novela ou parábola, escrita no período pós-exílico (aprox. 400 a.C.), muito tempo depois de Jonas ter vivido. O objetivo da história seria comunicar mensagens teológicas sobre a soberania de Deus, a misericórdia para com todas as nações (incluindo inimigos como Nínive) e uma crítica à falta de obediência do próprio profeta.


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