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sábado, 11 de abril de 2026

PROBLEMAS COM O EVANGELHO DE MARCOS

 



Dizem que os Evangelhos foram escritos pelos Apóstolos de Jesus Cristo, o problema é que, dos quatro Apóstolos, só Mateus e João foram Apóstolos, Lucas e Marcos não foram Apóstolos. E tem mais, todos os quatro Evangelhos são anônimos, eles não foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, ninguém sabe quem de fato os escreveu. 

O nome dos pseudos escritores, só foram colocados mais de um século depois dos escritos. 


Irineu de Lyon

O Patriarca Católico chamado Irineu 130-202, bispo de Lyon na França, foi quem afirmou (sem provas) em 180 que os quatro evangelhos foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João e, portanto, tais evangelhos desde então, levam seus nomes.

Foi um processo puramente teológico e tradicional, não teve pesquisa e apuração. Irineu de Lyon disse que estes quatro evangelhos levam os nomes destes escritores por três motivos: 

1- O mundo tem Quatro Cantos

2 - Por conta da Tradição que já remontava mais de 150 anos após a morte de Jesus

3 - Por conta da Teologia Católica


Vários tipos de Cristianismos

O Cristianismo ou Catolicismo sofria de ataques dos grupos religiosos rivais. Embora fossem todos cristãos, por assim dizer, cada um tinha um método, uma maneira, um jeito diferente de acreditar. Era um grupo ramificado, assim como é nos dias atuais. O cristianismo nunca foi uma religião única, original, exclusiva, singular e distinta, muito pelo contrário, sempre foi um vespeiro multifacetado, sempre foi um barril de pólvora espalhado e ramificado.

Nesse período cristianismo não era uma instituição unificada, mas sim um conjunto diverso de comunidades espalhadas pelo Império Romano, frequentemente referidas como "seitas" ou movimentos teológicos. A distinção entre "ortodoxia" (o que viria a ser a Igreja Católica/Ortodoxa) e "heresia" ainda estava em formação. 


Cristianismo Gnóstico

Nessa época, o que chamamos de cristianismo era na verdade uma miríade variada de um monte de seitas gnósticas das mais diversas doutrinas.

Esses grupos competiam pela interpretação correta das palavras de Jesus e dos apóstolos, o que levou a Igreja Proto-Ortodoxa a definir seus dogmas e o cânon bíblico. Entre estes estavam:

•Valentinianos (Valentim): A forma mais influente de gnosticismo, quase assumindo a liderança na Igreja de Roma.

•Basilidianos (Basílides de Alexandria): Enfatizavam um conhecimento complexo sobre as hierarquias celestiais.

•Setianos: Acreditavam descender de Sete, filho de Adão.

•Marcionismo ou Seguidores de Marcião:  Movimento fundado por Marcião de Sinope por volta de 144 d.C. Ele rejeitava totalmente o Antigo Testamento, argumentando que o Deus do AT era um ser de justiça rigorosa, diferente do Deus de amor pregado por Jesus.

Criou o primeiro "cânon" bíblico, composto apenas por uma versão editada do Evangelho de Lucas e dez cartas de Paulo.

•Montanismo: Movimento iniciado por Montano na Frígia por volta de 170 d.C. Defendia uma nova revelação profética através do Espírito Santo, enfatizando o ascetismo rigoroso, o jejum e a expectativa iminente do fim do mundo.

•Cristianismo Judaico (Ebionitas e Nazarenos)

Seguintes de Jesus que mantinham a observância da Lei Judaica (Torah), incluindo a circuncisão e regras alimentares.

•Ebionitas: Consideravam Jesus um profeta humano, negando sua divindade pré-existente e usando apenas uma versão do Evangelho de Mateus.

•Nazarenos: Semelhantes aos ebionitas, mas aceitavam o nascimento virginal de Jesus.

Encratitas: Defendiam o ascetismo radical, incluindo a abstinência de carne, vinho e casamento. Tatiano, discípulo de Justino Mártir, tornou-se um líder encratita após escrever o •Diatessaron (uma harmonia dos quatro evangelhos). 


Por conta destes variados grupos religiosos, a Igreja Católica procurou se diferenciar dos demais rivais e logo fez uma versão oficial do que deveria ser crido como regra de fé, e temos o dogma oficial como temos hoje. 


Títulos

Os Títulos oficiais dos quatro livros são o que é hoje, depois de muitas brigas. Mas não são verdadeiros.

Jesus morreu por volta dos anos 30, o escrito de Marcos só foi escrito por volta dos anos 70 e colocado o nome deste escrito de Evangelho de Marcos só no ano 180, isso são mais de 150 anos de diferença! Isso usando o calendário católico, que é o calendário que usamos.


Geografia do Livro de Marcos

Segundo a Tradição da Igreja Católica, Marcos era um conhecedor nato da região da Palestina, na prática, isso não é verdade.

Em Marcos 7:31, lemos: "E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galileia, pelo meio das terras de Decápolis".

Agora no mapa, notamos que a região de Sidom fica ao Norte e a região da Galileia fica ao Sul. Um erro crasso para quem é especialista da região. 

E tem mais; no episódio que ocorreu os espíritos imundos nos porcos, temos a cidade de Gerasa ou Província dos Gadarenos ou Gerasenos, os porcos caem em um despenhadeiro, vamos ao texto;

Marcos 5:12,13: "E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar".

Temos um probleminha aqui, Gerasa ou Província dos Gadarenos ou Gerasenos, fica mais de 50 Km do Litoral.

Está bem claro que Marcos não escreveu o livro que leva seu nome. 

No Livro de Lucas, ao invés de Gerasa, ele coloca o evento sendo acontecido em Gadara, uma cidade um pouco mais perto do lago da Galiléia, mas esta cidade fica ao Norte, ainda na região de Decápolis.


Cópias

Mateus e Lucas copiaram Marcos, não é uma questão de opinião ou achismo, é fato, é a realidade. 

Mais de 80% do Livro de "Marcos" estão nos textos de Mateus e mais de 50% do Livro de "Marcos" estão nos textos de Lucas, se isso não for cópia, não sei o que é.

Na versão grega, estas duplicações são mais óbvias.

Uma dúvida: Se Mateus foi mesmo Apóstolo de Jesus, então, ele foi testemunha ocular dos eventos que estão em seu "livro", então por que ele copiou Marcos? Alguma coisa errada não está certa.

O DIABO NAS DIFERENTES NAS 5 PRINCIPAIS RELIGIÕES

 


Oposto da luz e metáfora para o Mal, Satanás faz parte do imaginário de diversas culturas ao redor do mundo que o veem de maneiras diferentes. O Diabo faz parte do imaginário de diversas sociedades há muito tempo. É uma figura universal. Está presente, de formas variadas, no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoismo.

O Diabo faz parte do imaginário de diversas sociedades há muito tempo. “É uma figura universal. Está presente, de formas variadas, no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoismo”, confirma Mateus Soares de Azevedo, mestre em História das Religiões pela USP (Universidade de São Paulo).

Ele aparece como uma oposição a Deus, a definição do mal, uma criatura terrível que corrompe o homem e transforma tudo em chamas. Segundo o Doutor em História Social pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) Germano Miguel Favaro Esteves, o dualismo é uma das marcas do entendimento dessa entidade.

“Nas religiões ocidentais, Deus e o Diabo figuram em oposição quase absoluta, não obstante os mitos de muitas sociedades os coloquem em íntima conjunção, sendo que a existência do Bem pressupõe diretamente a existência do Mal”, explica.


Cristianismo

Como dito, o imaginário ocidental é frequentemente afetado por concepções cristãs. O conceito de Satanás, no cristianismo, daria origem à personificação do mal. Ele é o adversário de Deus, descrito no Novo Testamento como o governante dos demônios e o Deus desta Era.

Além disso, conta com diversas antíteses que complementam o pensamento de oposição a Deus, como representante de tudo que o outro não significa. Perversidade, destruição, morte, trevas, — ou seja, a antítese de tudo que há na luz.


Judaísmo

No judaísmo, diferentemente do cristianismo, não há uma figura do Diabo. Satan significa literalmente inibidor, alguém que impede algo de acontecer.

O judaísmo ortodoxo vê Satanás como uma metáfora para o ato de inclinar-se para o mal. Isso está de acordo com os ensinamentos talmúdicos da religião. Em Gênesis 6: 5 e 8:21, é dito que “a imaginação do coração do homem [é] o mal”, e desta frase extrai-se o conceito de yetzer hará, que representa essa noção de disposição congênita para fazer o mal, o que viola a vontade de Deus.


Islamismo

No Alcorão, o Diabo é Iblis. Ele não seria o inimigo de Alá porque é apenas uma de suas criações, não tendo a capacidade de opor à superioridade do deus. Também chamado de Shaitan, o Satanás consideraria os humanos como seus maiores inimigos.

Ele, no entanto, não tem poderes. Sua influência na humanidade está no fato de que este tenta, de toda forma, fazer com que as pessoas não obedeçam a Alá, usando de tentações.

O inimigo singular de Shaitan é a humanidade. Ele pretende desencorajar os humanos de obedecer a Deus. Assim, a humanidade é advertida para lutar contra as perversidades de Shaitan e as tentações que o demônio coloca nelas. Colaborando apenas com ideias, tudo que acontece depois é por escolha humana.


Budismo

No Budismo, há Mara. Sendo o contrário de Buda, que significa iluminação, essa figura representa a ilusão. Segundo o monge Nyanaponika Thera, ele é a “personificação das forças antagônicas à iluminação”

Ele foi responsável por tentar o príncipe Sidarta, Gautama Buddha, ao “oferecer-lhe lindas mulheres” que, nas lendas, normalmente são suas filhas. Ele também é conhecido por tirar os homens do caminho espiritual, estimulando a valorização das coisas mundanas.


Hinduísmo

Nessa religião, não existe nenhuma representação direta do Diabo. Em contraste ao cristianismo, o hinduísmo apenas reconhece que pessoas podem fazer coisas ruins. Isso aconteceria quando elas estivessem submetidas a entidades chamadas de asuras.

O mais próximo do Satanás seria Rahu que, na mitologia indiana, foi derrotado por Vishnu, um dos deuses principais do hinduísmo. Além disso, é um planeta maléfico natural responsável pelos eclipses.


A HERANÇA DA ESCRAVIDÃO E O NEGRO NO MERCADO DE TRABALHO

 


Documentos sobre escravidão e pós-abolição retratam as dificuldades dos negros para entrar no mercado de trabalho. Projeto de pesquisa coleta dados históricos em fazendas para saber como ocorreu a consolidação do trabalho durante o período da escravidão e pós-abolição no Brasil.

A escravidão, o baixo crescimento demográfico e alta taxa de mortalidade infantil contribuíram negativamente para a entrada do negro no mercado de trabalho rural, no período pós-abolição. Esses dados são preliminares e constam no projeto de pesquisa Quando o interior conta, que analisa documentos encontrados em sete propriedades rurais e núcleos coloniais, no Estado de São Paulo e na parte fluminense do Vale do Paraíba, no Rio de Janeiro, do final do século 19 até meados do século 20. A iniciativa é coordenada pelos professores Bruno Gabriel Witzel de Souza, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP), e Thales Augusto Zamberlan Pereira, da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EESP). “Temos algumas evidências de que existiam fazendas que usavam o trabalhador imigrante e o trabalhador nacional, que potencialmente era um ex-escravizado. Não foi simplesmente um grupo que entrou e outro que saiu, como aprendemos anteriormente”, comenta Thales Augusto.


O pesquisador da FGV-EESP destaca que os dados obtidos com as documentações encontradas são fragmentados. Segundo ele, para montar o quebra-cabeça da real situação de pessoas brancas e negras na sociedade brasileira, no final da escravidão e no pós-abolição, os dados sobre mortalidade infantil no período são uma boa métrica para mostrar as reais condições de vida da população no período. “As taxas de mortalidade, especialmente a infantil, das crianças negras eram absurdamente maiores que as das crianças brancas. Estamos vendo um reflexo do passado, e a pergunta que fazemos é se isso ocorreu pela falta de oportunidade, ou fatores estruturais, por exemplo”, diz o pesquisador.

Para Bruno Gabriel, a função do estudo é verificar diferentes hipóteses que conhecemos sobre a escravidão e o pós-abolição, mas que ainda não foram confirmadas por meio de testes. “Isso vai mudar, naturalmente, as perspectivas que temos sobre a escravidão e o pós-escravidão. Queremos saber, por exemplo, o nível de produtividade de descendentes de italianos e de descendentes de escravizados. Sabemos que a dinâmica do mercado de trabalho era muito mais complexa do que pensávamos anteriormente”, salienta o pesquisador.

Dois grandes empecilhos da escravidão para o desenvolvimento dos negros foram a barreira da entrada no mercado de trabalho e o aspecto demográfico, pois as famílias negras eram pequenas. “Os negros tinham uma desvantagem histórica por conta da escravidão, e as famílias italianas eram formadas, em média, por seis a sete pessoas e suas crianças, a partir dos 5 ou 7 anos, começavam a ser empregadas nos cafezais. Já as famílias negras eram formadas por três pessoas, em média, e esse era um ponto importante na época”, comenta Bruno. O projeto de pesquisa tem como objetivo de resgatar, preservar e disponibilizar, gratuitamente e on-line, antigos documentos das propriedades. Além disso, a iniciativa busca coletar microdados para estudo da história econômica e social. O objetivo é saber como foi o passado paulista e como ocorreu a consolidação do mercado de trabalho rural livre durante o século 19, período que abrange a escravidão e o pós-abolição, e como ele se desenvolveu ao longo do século 20 , nas décadas de 1950 a 1970.

Financiado pelo programa Modem Endangered Archives, da Biblioteca da Universidade da Califórnia,em Los Angeles (Ucla), nos EUA, que promove a recuperação de arquivos em risco ao redor do mundo, Quando o interior conta é baseado em um projeto anterior de 2019, durante o pós-doutorado de Bruno Gabriel na FEA-USP, com a criação de um arquivo físico e digital da Fazenda Ibicaba, localizada no município de Cordeirópolis, em São Paulo. “Criamos um arquivo físico e digitalizamos todo o material daquela propriedade, que foi a primeira a usar trabalhadores europeus de forma sistemática”, diz o pesquisador. O material da Fazenda Ibicaba já está disponível para consulta neste link.


De acordo com Bruno, a importância desse projeto é estudar a escravidão, a imigração e o pós-abolição a partir do que for encontrado sobre o indivíduo e não somente em relação ao município. Por isso, reforça a necessidade de mais propriedades colocarem à disposição seus documentos para expandir o entendimento sobre o mercado de trabalho durante esse período. “A gente, geralmente, pensa em um passado longínquo, do século 19, ou do começo do século 20, mas livros de 1950, 1960 e 1970, daqui a duas gerações serão muito importantes. E mais adiante os pesquisadores terão todo esse material já pronto para fazer a pesquisa. Será muito bacana!”, destaca o pesquisador. Os pesquisadores do projeto convidam proprietários rurais e pessoas que conheçam esse tipo de documentação no interior do Brasil a contatá-los. O interesse não está apenas em grandes acervos. Como relata Bruno: “Mesmo um único livro contábil, de meados do século 20, adiciona uma peça importante a esse quebra-cabeça”, conclui Bruno Gabriel.


Fonte: Jornal da Usp https://jornal.usp.br/diversidade/documentos-sobre-escravidao-e-pos-abolicao-retratam-as-dificuldades-dos-negros-para-entrar-no-mercado-de-trabalho/


quinta-feira, 9 de abril de 2026

MARCOS 16:9-20 É UM ACRÉSCIMO

 


A maioria dos estudiosos de crítica textual concorda que os versículos 9 a 20 de Marcos 16, conhecidos como o "final longo", provavelmente não faziam parte do manuscrito original, terminando abruptamente no versículo 8. Os manuscritos mais antigos e confiáveis, como o Codex Sinaiticus e Vaticanus encerram no v. 8, sendo os versículos finais considerados uma adição posterior.

Os manuscritos mais antigos (século IV) terminam em Marcos 16:8. O "final longo" (9-20) só aparece em cópias posteriores e em grande parte da tradição bizantina.

O versículo 8 termina com as mulheres com medo e em silêncio após ouvirem sobre a ressurreição. Acredita-se que o final longo foi adicionado para harmonizar o Evangelho de Marcos com os relatos de ressurreição em Mateus, Lucas e João.

Embora considerado um acréscimo, esse trecho é antigo e aceito pela tradição cristã, presente na Vulgata e na versão King James.

Muitas traduções modernas colocam os versículos 9-20 entre colchetes ou com notas de rodapé, indicando sua ausência nos manuscritos mais antigos.

É conhecido que Marcos tenha terminado abruptamente ou que o final original tenha sido perdido. O final longo (9-20) é uma adição, considerada por muitos como um "final secundário" incluído para completar a narrativa. 


A IGREJA E A ESCRAVIDÃO

 



A Igreja Católica teve uma relação complexa e contraditória com a escravidão, marcada pela conivência institucional e posse de escravizados, especialmente no Brasil colônia. Embora bulas papais pontuais tenham condenado o tráfico de indígenas e africanos, a hierarquia e ordens religiosas frequentemente utilizaram mão de obra escrava.
No Brasil colonial, a Igreja e o Estado atuaram juntos. A catequização buscava "dominar o corpo para libertar a alma", ensinando aos negros escravizados paciência e resignação, enquanto a instituição sacralizava a estrutura do engenho. Embora tenha havido vozes isoladas contra a escravidão, como o Padre Bartolomeu de las Casas, a estrutura institucional utilizou a religião para justificar o trabalho escravo forçado. 
Por um longo período, que durou mais de 300 anos, mosteiros e conventos possuíam escravizados, conhecidos como "escravos da religião", e a Igreja sustentou-se com essa mão de obra.
 Bulas papais como Dum Diversas (1452) e Romanus Pontifex (1454) autorizaram reis portugueses a submeter pagãos (negros) à escravidão, criando um arcabouço jurídico para o tráfico.
A expressão Dum Diversas provém do latim e é o incipit (as primeiras palavras) da bula papal emitida pelo Papa Nicolau V em 18 de junho de 1452, traduzida como "enquanto diferentes" ou "enquanto diversas [considerações/ações]".
Dum: Significa "enquanto", "enquanto que" ou "quando".
Diversas: Vem de diversus, indicando "diferentes", "diversos", ou no contexto, "diversas ações" ou "diferentes considerações". 
A expressão Romanus Pontifex vem do latim e significa literalmente "Pontífice Romano". O termo é usado para se referir ao Papa como o Bispo de Roma.
Por meio da Ordem de Cristo, da qual o Papa era o soberano, a Igreja financiou expedições de captura de africanos.
A escravidão era frequentemente apresentada como um "mal necessário" para a evangelização ou como uma forma de castigo pelos pecados (como a maldição de Cam).
Havia padres que atuavam diretamente no comércio de pessoas ou que puniam escravizados que tentavam fugir, chegando a negar a eucaristia a quem facilitava fugas.
A Igreja lutou mais cedo e com mais vigor contra a escravização de povos indígenas (nativos), defendendo que eram "livres por natureza", o que paradoxalmente incentivou o aumento do tráfico de africanos.
Iniciativas contra a escravidão foram tardias, focando mais na evangelização e "humanização" do trato do que na abolição.


A BÍBLIA E A ESCRAVIDÃO


A Bíblia não condena explicitamente a escravidão, mas a regula, estabelecendo regras de tratamento, muitas vezes diferenciadas para hebreus e estrangeiros (Êxodo 21, Levítico 25). É importante notar que a escravidão nos tempos bíblicos diferia da escravidão colonial das Américas; era um status social polissêmico, muitas vezes motivado por dívidas, pobreza extrema ou guerras, e não exclusivamente por raça.


Antigo Testamento

•Regulação e Tratamento: A Lei Mosaica continha normas para o tratamento de escravos. Escravos hebreus deveriam ser libertados após seis anos, enquanto escravos estrangeiros poderiam servir por toda a vida.

•Diferença da Escravidão Moderna: A Bíblia condena o "roubo de homens" (sequestro para escravizar). A escravidão baseada em raça não é defendida.

•Limites de Castigo: Se um senhor ferisse um escravo e este morresse na hora, o senhor seria punido. No entanto, se o escravo sobrevivesse um ou dois dias, o senhor não recebia punição adicional, pois o escravo era considerado "seu dinheiro".


Versículos Bíblicos

Êxodo 21:2: "Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça."

Deuteronômio 15:12-14: Determina a libertação após seis anos e ordena que o servo não saia de "mãos vazias", recebendo presentes do rebanho e da eira.

→Êxodo 21:5-6: Se o escravo decidir não sair, a lei ordena furar sua orelha com uma sovela contra a porta, tornando-o escravo para sempre.

→Levítico 25:44-46: Permite a compra de escravos e escravas das nações vizinhas, tornando-os propriedade herdada por toda a vida.

→Levítico 25:47: Autoriza a compra de estrangeiros residentes.

→Êxodo 21:20-21: Estabelece que se um dono ferir seu escravo e ele morrer imediatamente, o dono será punido, mas se sobreviver um ou dois dias, não será punido, pois "é seu dinheiro".

→Êxodo 21:7-11: Regula a venda de filhas como servas, com regras específicas de casamento e sustento.

→Deuteronômio 21:10-14: Permite tomar mulheres prisioneiras de guerra como esposas, com restrições à sua venda posterior.

→Êxodo 20:10: Inclui os escravos na obrigação de descansar no sábado.


Novo Testamento

Embora não abole a escravidão, o Novo Testamento, em cartas como a de Filemon, incentiva os senhores a tratarem seus escravos como "irmãos no Senhor", focando na igualdade espiritual, sem, no entanto, abolir a instituição social da época.

•Visões Críticas: Alguns analistas argumentam que as passagens bíblicas sobre a escravidão refletem uma cultura arcaica e cruel, onde escravos eram tratados como propriedade, especialmente quando comparados com os direitos dos homens livres.

•Visão Teológica/Apologética: Defensores da Bíblia sustentam que as leis da época serviam para humanizar uma prática já existente, limitando abusos e garantindo direitos mínimos, dentro do contexto histórico do antigo Oriente Médio. 

A interpretação dessas passagens varia, com alguns focando nas leis de proteção (humanização) e outros na aceitação da propriedade humana.


Versículos Bíblicos

→Efésios 6:5-9: Orienta os escravos a obedecerem aos senhores terrenos "com temor e tremor" e "como a Cristo", enquanto os senhores devem tratar os escravos com respeito, sem ameaças, lembrando que ambos têm o mesmo Senhor nos céus.

→Colossenses 3:22 - 4:1: Instrução semelhante, pedindo que os escravos trabalhem de coração, não apenas quando vigiados, e que senhores deem o que é justo e equitativo.

→1 Timóteo 6:1-2: Aconselha escravos a honrarem seus senhores para evitar que o nome de Deus seja blasfemado, especialmente se o dono for cristão.

→Gálatas 3:28: "Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos são um em Cristo Jesus" (indica igualdade espiritual, não social).

→1 Coríntios 7:21-23: Paulo sugere que, se possível, o escravo busque a liberdade, mas o mais importante é viver para Deus, pois "quem foi chamado pelo Senhor sendo escravo, é liberto do Senhor".

→Filemon 1:15-17: Paulo apela a Filemon para receber o escravo fugitivo Onésimo não mais como escravo, mas como um irmão amado em Cristo.


A Bíblia usada na Escravidão Colonial

A Bíblia foi historicamente utilizada no período colonial nos séculos XV a XIX como uma das principais ferramentas ideológicas para justificar e sustentar a escravidão de africanos e indígenas nas Américas. Esse processo envolveu a interpretação seletiva, a manipulação de textos bíblicos e a catequização dos escravizados para promover obediência e submissão.

•O Mito da Maldição de Cam (Gênesis 9): Frequentemente usado para justificar o racismo e a escravização de negros. A interpretação distorcida de que os descendentes de Cam (filho de Noé) estariam amaldiçoados à servidão foi aplicada aos africanos.

•A "Bíblia dos Escravos" (1807): Produzida por missionários britânicos, esta versão editada era usada nas colônias britânicas para evangelizar africanos escravizados. Ela removia passagens sobre liberdade, a fuga do Egito (Êxodo) e igualdade, focando apenas em textos que pregavam a submissão aos senhores.

•Seleção de Textos de Obediência: Sacerdos e senhores brancos enfatizavam passagens do Novo Testamento, como "Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com temor e tremor" (Efésios 6:5).

•Utilização do Antigo Testamento: Trechos que descreviam a escravidão como uma instituição aceita na antiguidade hebraica foram usados para legitimar o sistema colonial, ignorando as diferenças de contexto jurídico e social.


quarta-feira, 8 de abril de 2026

A FICÇÃO DAS CURAS DE DOENÇAS NA BÍBLIA


 

A Bíblia relata diversas curas realizadas por Jesus e profetas, incluindo lepra, paralisia, cegueira, febre e doenças crônicas, simbolizando o poder divino sobre enfermidades físicas. 


▲Promessas de Curas na Bíblia

Deus como Curador: "Eu sou o Senhor, que te sara" (Êxodo 15:26).

Restauração no Leito: "O Senhor o sustenta no leito de enfermidade; na doença, tu o restauras" (Salmos 41:3).

Cura Completa: "É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças" (Salmos 103:2-3).

Cura através de Jesus: "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças" (Isaías 53:4).

Oração e Cura: "A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará" (Tiago 5:15).

Saúde e Alegria: "O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido seca os ossos" (Provérbios 17:22).


▲Curas no Antigo Testamento

Naamã (2 Reis 5): O general sírio foi curado de lepra após banhar-se sete vezes no rio Jordão, seguindo a instrução do profeta Eliseu.

Ezequias (2 Reis 20; Isaías 38): O rei orou ao Senhor após receber o diagnóstico de morte do profeta Isaías; Deus atendeu sua oração e acrescentou 15 anos à sua vida.

Ressurreição do Filho da Viúva (1 Reis 17): O profeta Elias clama a Deus e ressuscita o filho da viúva de Sarepta.

Esterilidade de Ana (1 Samuel 1): Ana, que era estéril, teve sua saúde e fertilidade restauradas após oração fervorosa no tabernáculo.

Jó (Livro de Jó): Após sofrer com uma chaga maligna que cobriu todo o corpo, Jó foi curado e restaurado por Deus ao final de suas provações.

Águas Amargas (2 Reis 2): Eliseu cura as águas de Jericó com sal, tornando-as potáveis. 


▲Principais Doenças Curadas por Jesus

Lepra: Jesus curou leprosos, uma doença incurável na época (Mateus 8:1-4, Lucas 17:11-19).

Paralisia: O paralítico de Cafarnaum (Marcos 2:1-12) e o homem na piscina de Betesda (João 5:1-9).

Cegueira: A cura do cego de nascença (João 9:1-7) e o cego Bartimeu (Marcos 10:46-52).

Febre: A sogra de Pedro foi curada de febre alta (Marcos 1:29-31).

Fluxo de Sangue: A mulher que tocou nas vestes de Jesus (Lucas 8:43-48).

Mão Ressequida: Cura da mão atrofiada (Mateus 12:9-13).

Possessão Demoníaca: Libertação de espíritos que causavam males físicos e mentais (Mateus 8:28-34, Marcos 5:1-20).

Enfermidades diversas: O servo do centurião foi curado à distância apenas pela autoridade da palavra de Jesus. 


♦Versículos Bíblicos de Cura e Esperança

Salmos 103:2-3: "Bendiga o Senhor a minha alma... é ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças".

Tiago 5:14-15: "A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará".

Isaías 41:10: "Não temas, pois estou com você... eu o fortaleço e o ajudo".

Salmos 41:3: "O Senhor o sustenta no leito da enfermidade; da doença, tu o restaurarás".

Salmo 107:20: "Ele enviou a sua palavra e os curou; livrou-os da sepultura".

Mateus 4:23: "Jesus percorria toda a Galileia... curando toda sorte de enfermidade e doença entre o povo". 


▲Curas Realizadas por Pedro

Cochos e Paralíticos: O primeiro milagre público após o Pentecostes foi a cura de um homem coxo de nascença que pedia esmolas na porta do Templo (Atos 3:1-10). Mais tarde, Pedro curou Enéias, um homem paralítico que estava acamado há oito anos (Atos 9:33-34).

Enfermidades Gerais: A influência de Pedro era tamanha que as pessoas colocavam enfermos em macas nas ruas para que, ao menos, a sombra de Pedro passasse sobre eles e fossem curados (Atos 5:15-16).

Ressurreição: Pedro ressuscitou Dorcas (Tabita), que havia morrido após uma enfermidade não especificada (Atos 9:36-42).


▲Curas Realizadas por Paulo

Deficiências Físicas: Em Listra, Paulo curou um homem impotente dos pés, coxo desde o ventre materno, que nunca havia andado (Atos 14:8-10).

Doenças Infecciosas e Crônicas: Na ilha de Malta, Paulo curou o pai de Públio, que sofria de febre e disenteria. Após esse evento, todos os outros enfermos da ilha foram até ele e foram curados (Atos 28:8-9).

Curas por Objetos: Deus operava milagres extraordinários por meio de Paulo, de modo que lenços e aventais que tocavam seu corpo eram levados aos enfermos, e as doenças os deixavam (Atos 19:11-12).

Ressurreição: Paulo ressuscitou o jovem Êutico, que morreu após cair de uma janela durante uma pregação prolongada (Atos 20:9-12).


▲Filipe em Samaria

O evangelista Filipe também realizou curas notáveis, incluindo muitos paralíticos e coxos (Atos 8:7).


Deus Não Cura Doenças

Nos dias atuais, não vemos amputados, cegos, diabéticos, aidéticos, pessoas com câncer, coxos e deficientes físicos afins sendo curados. A desculpa é que Deus cura o interior, a cura na verdade é cura espiritual (sem contar como é isso na vida real). Doentes continuam doentes, o que vemos na vida real são médicos, enfermeiros e profissionais da saúde, aplicando medicamentos para tais doentes.

Igreja que diz que cura caroço, dor de cabeça e outras doenças irrelevantes, é fácil, quero ver os amputados, cegos, diabéticos, aidéticos, pessoas com câncer, coxos e deficientes físicos afins sendo curados.

Do ponto de vista científico e prático, são as vacinas, os antibióticos e os tratamentos médicos que combatem biologicamente os patógenos e curam enfermidades e não Deus, Jesus ou as Religiões.

A Ciência e Medicina focam nas causas físicas, nos mecanismos biológicos e nos resultados mensuráveis. As vacinas, por exemplo, erradicaram doenças como a varíola, algo que só foi possível através do método científico.

Mesmo para quem possui crenças religiosas, o consenso ético e médico é que a fé não substitui o tratamento médico. Negar vacinas ou remédios em nome de uma crença é considerado um risco grave à saúde pública e individual.

Todas as doenças que o ser humano procura combater, curar ou dar algum tratamento para o adoentado melhore, não vemos a ação de Deus, Jesus, corando de fato. Sacerdotes de diversas religiões fazem rezas, orações, meditações, benzedeiras, passes e etc., fazem tais rituais de curas, mas não curam os  amputados, cegos, diabéticos, aidéticos, pessoas com câncer, coxos e deficientes físicos afins sendo curados, estes tem que enfrentar o martírio do SUS.


DOENÇAS CONTROLADAS OU ERRADICADAS GRAÇAS ÀS VACINAS E NÃO DEUS

 


A vacinação é essencial na prevenção de doenças

Atualmente, existe um grande número de microrganismos capazes de infectar o corpo humano e causar danos severos. Felizmente, as vacinas e não Deus são uma medida ideal para aumentar as defesas e permitir que o corpo humano combata essas doenças.

Por vários anos, uma longa lista de doenças foi quase eliminada pelas vacinas, e até algumas outras foram completamente erradicadas. Por isso, é fundamental manter o calendário de vacinação em dia e não hesitar em imunizar as crianças. Os benefícios de saúde a longo prazo são realmente surpreendentes.


Deus Não Cura Doenças

Do ponto de vista científico e prático, são as vacinas, os antibióticos e os tratamentos médicos que combatem biologicamente os patógenos e curam enfermidades e não Deus, Jesus ou as Religiões.

A Ciência e Medicina focam nas causas físicas, nos mecanismos biológicos e nos resultados mensuráveis. As vacinas, por exemplo, erradicaram doenças como a varíola, algo que só foi possível através do método científico.

Mesmo para quem possui crenças religiosas, o consenso ético e médico é que a fé não substitui o tratamento médico. Negar vacinas ou remédios em nome de uma crença é considerado um risco grave à saúde pública e individual.

Todas as doenças que o ser humano procura combater, curar ou dar algum tratamento para o adoentado melhore, não vemos a ação de Deus, Jesus, corando de fato. Sacerdotes de diversas religiões fazem rezas, orações, meditações, benzederias, passes e etc, fazem tais rituais de curas, mas não curam os  amputados, cegos, diabéticos, aidéticos, pessoas com câncer, coxos e deficientes físicos afins sendo curados, estes tem que enfrentar o martírio do SUS.


Edward Jenner - Variola

A palavra Vacina vem do latim Vaccinus, que quer dizer Vaca. Originalmente, fazia parte da expressão Variolae Vaccinae, usada para descrever a "Varíola das Vacas".

A escolha do nome deve-se ao médico inglês Edward Jenner, que em 1769 desenvolveu a técnica de imunização.

Jenner observou que pessoas que ordenhavam vacas e contraíam a varíola bovina (Cowpox), uma versão muito mais leve da doença, tornavam-se imunes à terrível varíola humana.

Cowpox vem do inglês que quer dizer  e significa literalmente "peste das vacas" ou "varíola bovina".

Cow: Vaca.

Pox: Um termo arcaico usado para descrever doenças que causam pústulas, erupções ou feridas na pele (como a smallpox, que é a varíola humana).

Em 1881, o cientista Louis Pasteur propôs que o termo fosse estendido a outras formas de imunização em homenagem ao trabalho pioneiro de Jenner com as vacas.

Em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a varíola oficialmente erradicada. Foi uma das doenças mais letais da história e a primeira a ser eliminada graças a uma vacina.


Alexander Fleming - Pelicelina

A penicilina foi descoberta pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming em 1928, no St. Mary's Hospital, em Londres, quase por acaso. Após retornar de férias, ele notou que um fungo Penicillium Notatum contaminou uma placa de cultura de bactérias e impediu o seu crescimento. Fleming identificou que o fungo Penicillium Notatum produzia uma substância que matava bactérias, a qual chamou de "penicilina".


Howard Florey e Ernst Boris Chain

Em 1939, na Universidade de Oxford, Howard Florey e Ernst Boris Chain lideraram uma equipe que conseguiu isolar e concentrar a penicilina, tornando-a estável e utilizável. Eles iniciaram os primeiros testes clínicos, mas a produção era mínima, feita em laboratórios improvisados.

Em 1941 Florey viajou aos Estados Unidos para buscar apoio. Lá, cientistas e indústrias farmacêuticas se uniram ao esforço. Ainda em 1941, o grupo de Oxford demonstrou com sucesso o uso da penicilina injetável em humanos, salvando vidas com infecções graves.

A parceria entre a visão de Florey e a expertise bioquímica de Chain foi essencial para a aplicação clínica da penicilina.

O trabalho deles permitiu a produção em massa do primeiro antibiótico, salvando inúmeras vidas durante a Segunda Guerra Mundial e revolucionando a medicina.


Prêmio Nobel

Fleming, Florey e Chain receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 1945 pela descoberta e desenvolvimento do antibiótico.

O três receberam conjuntamente o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1945. Eles foram premiados pela descoberta da penicilina (por Fleming em 1928) e pelo desenvolvimento de métodos para isolar, purificar e produzir o antibiótico em escala, permitindo seu uso terapêutico contra doenças infecciosas.


Pólio

É uma doença viral aguda causada pelos poliovírus tipos 1, 2 e 3. Pode causar meningite, paralisia e até morte por asfixia. Esta infecção é transmitida por contato direto e pode ocorrer em qualquer idade. No entanto, estudos estimam que mais de 50% dos casos ocorram em crianças menores de 3 anos.

As vacinas contra a poliomielite erradicaram a poliomielite nos Estados Unidos, na Europa e na maior parte do Pacífico Ocidental e do Oriente Médio. No entanto, essa condição ainda persiste em mais de 30 países da África e da Ásia.

A poliomielite não tem tratamento específico e a vacinação é a única ferramenta para controlar os surtos. O esquema da vacina injetável (VIP) inclui 2 doses administradas aos 2 e 4 meses de idade, com reforço entre 15 e 18 meses, além de um segundo reforço entre 4 e 5 anos de idade.


Tétano

O tétano é uma condição aguda causada por toxinas produzidas pela bactéria Clostridium tetani. Causa rigidez dolorosa dos músculos do corpo e do rosto e pode levar rapidamente à morte. A infecção ocorre a partir de feridas causadas por objetos contaminados.

A vacina contra o toxóide tetânico (TT) geralmente faz parte da vacina combinada DTPa que também protege contra difteria e coqueluche.

Os profissionais recomendam o uso de 4-5 doses de DTPa para maior proteção contra o tétano.


Difteria

A difteria é uma doença infecciosa causada por algumas cepas tóxicas da bactéria Corynebacterium diphtheriae. Afeta o trato respiratório superior causando febre, tosse, dor e placas acinzentadas na garganta. É disseminado por contato direto com partículas transportadas pelo ar expelidas pela tosse e espirros.

Em épocas anteriores, esta doença causou um grande número de mortes em todo o mundo. No entanto, a vacinação reduziu drasticamente a taxa de infecções por difteria na maioria dos países. Por outro lado, a negação da vacinação infantil e a baixa cobertura levaram ao surgimento de novos surtos.


Gripe

A gripe é uma doença viral comum causada pelos vírus influenza A e B. É transmitida de pessoa para pessoa através do contato com secreções contaminadas. Pesquisas sugerem que as crianças são as mais suscetíveis a esta doença, afirmando que 2 em cada 10 crianças contraem a gripe a cada ano.

A vacinação continua sendo a opção mais segura e eficaz para prevenir a gripe.

Na maioria das regiões, as vacinas inativadas e atenuadas são utilizadas para combater a doença.


Hepatite A

É uma condição viral causada pelo vírus da hepatite A (HAV), comum em crianças. O curso da doença é geralmente autolimitado e pode se manifestar com febre, mal-estar e vômitos. A transmissão é fecal-oral e ocorre através do contato com alimentos e água contaminados.

A vacinação universal é considerada a melhor medida de controle da hepatite A na comunidade. No entanto, nos últimos anos a incidência tem aumentado em todo o mundo devido à falta de vacinação e más condições de higiene em muitos países. Portanto, a imunização é vital de acordo com os programas de cada região.

As vacinas monovalentes contra a hepatite A são geralmente aplicadas a partir do primeiro ano de vida.


Hepatite B

É uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite B. É transmitido principalmente por contato sexual e pelo sangue. Essa condição causa uma doença hepática aguda com duração de várias semanas que se manifesta com icterícia, urina escura, fadiga, náusea, vômito e dor abdominal.

Da mesma forma, também pode causar infecção crônica que pode levar à cirrose e câncer de fígado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2019 a hepatite B causou mais de 820 mil mortes em todo o mundo. No entanto, as vacinas ainda são uma opção segura para prevenir essa infecção.

O esquema de vacinação recomendado inclui 3 doses da vacina HBV para aumentar a imunidade.


Rubéola

A rubéola é uma doença exantemática comum em crianças e é causada por um Togavirus do gênero Rubivirus. A transmissão ocorre através do contato com as secreções respiratórias das pessoas afetadas, pela tosse ou espirro. Isso geralmente causa uma erupção cutânea generalizada na pele, febre e mal-estar geral.

Por outro lado, essa doença é de alto risco para gestantes não vacinadas, pois pode causar anormalidades no feto e induzir abortos. Felizmente, esta é uma das doenças que foi quase eliminada pelo uso de vacinas.

A vacinação contra a rubéola é dada como uma preparação combinada, conhecida como tripla viral (SRP), que também protege contra caxumba e sarampo.


Sarampo

Esta é uma doença viral altamente contagiosa causada pelo vírus do sarampo do gênero morbillivirus. Na maioria dos casos, esta condição apresenta febre, tosse, conjuntivite, secreção nasal e pequenas manchas por todo o corpo.

A AEP afirma que, graças aos programas de vacinação infantil, até 95% dos casos foram reduzidos na maioria dos países. No entanto, em 2011, o sarampo apresentou um ressurgimento crítico na Europa que ainda tem focos importantes na França e na Bulgária.


Catapora ou Varicela

É uma doença exantemática infantil causada pelo vírus varicela-zoster (VZV). É contraída através do contato com vesículas contaminadas ou secreções respiratórias de uma pessoa com a doença. A maioria dos casos de varicela ocorre em crianças de 1 a 9 anos, especialmente em climas tropicais.

A catapora é altamente contagiosa e pode levar a complicações graves em 10% das pessoas afetadas. Além disso, esse vírus é capaz de permanecer adormecido dentro dos nervos, para depois ressurgir e produzir herpes zoster. No entanto, a vacinação mostra uma eficácia superior a 95% de acordo com a AEP.


Caxumba

Caxumba é uma doença viral comum em crianças de 5 a 14 anos de idade. Essa condição é transmitida por secreções respiratórias e é caracterizada pela presença de inchaço e dor na glândula parótida, no nível maxilar. Além disso, febre, dor de cabeça e fadiga são comuns.

Esta doença não tem um tratamento específico e geralmente remite após vários dias. A vacina contra caxumba é composta por uma cepa atenuada do vírus, combinada com outros componentes do sarampo e da rubéola.


Infecção por Haemophilus influenzae tipo B (Hib)

A bactéria Haempophilus influenzae tibo B (Hib) é um patógeno capaz de produzir pneumonia, meningite, epiglotite, celulite infecciosa e infecção articular. Tem alta incidência e mortalidade em crianças não vacinadas menores de 5 anos.

Nos tempos antigos, mais de 200.000 crianças eram infectadas a cada ano, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Felizmente, esta é uma das doenças que foi quase eliminada graças às vacinas.

A vacina Hib é geralmente uma preparação combinada conhecida como vacina pentavalente.


Coqueluche ou Tosse Ferina

A coqueluche é uma infecção respiratória causada pela bactéria Bordetella pertussis. Tem uma incidência especial em crianças de 3 a 4 meses e em adolescentes. Isso geralmente começa com um quadro catarral, semelhante à gripe, e depois segue para uma tosse intensa que pode durar de 4 a 6 semanas.

Recém-nascidos e bebês não vacinados correm alto risco de complicações. Por isso, é recomendado que as mães se vacinem durante a gravidez, para oferecer alguma proteção ao bebê.

A vacina pertussis contém cepas inativadas e faz parte da vacina combinada DTPa.


Doença Pneumocócica

As infecções causadas pela bactéria Streptococcus Pneumoniae têm alta prevalência em todo o mundo. Esse patógeno é capaz de produzir otite, sinusite, pneumonia, meningite e até sepse e bacteremia. Portanto, é de alto risco em crianças pequenas não vacinadas.

Os avanços na vacinação reduziram muito a incidência desse tipo de infecção e melhoraram a qualidade de vida.

Existem dois tipos de preparações pneumocócicas: a vacina polissacarídica e a vacina conjugada.


Rotavírus

A infecção por rotavírus é outra das doenças quase eliminadas graças às vacinas. No entanto, ainda tem uma alta incidência como causa de diarreia aquosa e vômitos em crianças pequenas. Além disso, esse vírus é capaz de causar desidratação grave e é responsável por um elevado número de internações.


Covid 19

Foi com a vacina que o Covid 19 foi controlado, fazendo com que o mundo acabasse de vez com o lockdown ou medidas de fechamento total.


terça-feira, 7 de abril de 2026

BIBLIOTECA DE NAG HAMMADI


 

Os manuscritos de Nag Hammadi, também conhecidos como a Biblioteca de Nag Hammadi, são uma coleção de 13 códices de papiro encadernados em couro que revolucionaram nossa compreensão do cristianismo primitivo e do Gnosticismo.

Foram encontrados em dezembro de 1945 por um camponês egípcio chamado Mohammed Ali Samman, róximo à cidade de Nag Hammadi, no Alto Egito, dentro de uma jarra de barro selada e enterrada ao pé de uma falésia.

Estima-se que os manuscritos físicos foram produzidos em meados do século IV d.C. (aprox. 350 d.C.), embora os textos originais que eles traduzem possam datar dos séculos II ou III.

Estão escritos em copta (o estágio final da língua egípcia, usando o alfabeto grego), sendo provavelmente traduções de originais em grego.

A coleção compreende 52 textos em sua maioria gnósticos, incluindo escritos que antes eram conhecidos apenas por menções de seus detratores (os "caçadores de heresias" da Igreja primitiva). 

Textos famosos como o Evangelho de Tomé (que contém 114 ditos atribuídos a Jesus), o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade.

Incluem diálogos filosóficos, apocalipses e até uma tradução/adaptação parcial de A República de Platão.

Contém três trabalhos pertencentes ao Corpus Hermeticum. 

Acredita-se (mas não há certeza) que os manuscritos foram enterrados por monges do mosteiro de São Pacômio por volta do ano 367 d.C.. Isso provavelmente ocorreu após o bispo Atanásio de Alexandria emitir uma carta pascal definindo o cânone estrito do Novo Testamento e ordenando a destruição de livros considerados "heréticos" ou "apócrifos".

Diferente dos Manuscritos do Mar Morto (que focam no judaísmo do Segundo Templo), a Biblioteca de Nag Hammadi fornece acesso direto às vozes do cristianismo gnóstico, permitindo aos historiadores reavaliar a diversidade de crenças nos primeiros séculos da era cristã.


Por que Estes Textos foram Excluídos?

Datação Tardia: Muitos foram escritos no século II d.C. ou depois, muito tempo após a morte dos apóstolos, tornando sua autenticidade duvidosa.

Conteúdo Gnóstico: A maioria apresentava ensinamentos gnósticos, que enfatizavam um conhecimento secreto e a salvação pela compreensão interior, em contraste com a fé baseada na morte e ressurreição de Cristo.

Contradições Teológicas: Relatos sobre a vida e a natureza de Jesus frequentemente contradiziam os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Falta de Aceitação Geral: Não eram considerados inspirados por Deus pela maioria das comunidades cristãs primitivas. 

Quando o imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo no ano 312, ele quis usar este ato como uma forma de unificar seus fragmentados domínios territoriais.

Por isso, buscou-se padronizar as doutrinas cristãs e criar um cânone a partir das escrituras do Novo Testamento. Assim, as escrituras apócrifas foram separadas e até mesmo suprimidas. A grande maioria simplesmente deixou de ser reproduzida.

Ao fim do século 4, os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João foram aceitos amplamente como parte integral dos 27 textos que constituem o Novo Testamento, que, junto com o Velho Testamento, formam o cânone das escrituras cristãs sagradas.

O evangelho de Mateus enfatiza a descendência nobre de Jesus e a remonta até Abraão. Acredita-se que o primeiro evangelho tenha sido o de Marcos, escrito entre os anos 65 e 75 D.C.

Os evangelhos de Lucas e Mateus se basearam neste texto. O evangelho de Lucas foi escrito para convertidos não judeus e rastreia a genealogia de Jesus até Adão, fazendo dele uma figura universal.


EVANGELHOS EXCLUÍDOS DA BÍBLIA

 


Em 1945, um grupo que escavava o deserto egípcio em busca de fertilizante fez uma descoberta que mudou completamente nosso entendimento sobre o início do Cristianismo.

Tratava-se de vários textos primitivos cristãos, incluindo os evangelhos de Tomé, Filipe e Marcião, alguns dos muitos livros alternativos sobre Jesus que não foram incluídos na Bíblia.

Por retratarem um Jesus Cristo radicalmente diferente daquele presente nos evangelhos do Novo Testamento — Mateus, Marcos, Lucas e João — estes relatos acabaram sendo excluídos pela Igreja de seu texto sagrado quando se chegou a uma versão oficial do cristianismo.


Evangelho de Felipe

Escrito originalmente em grego entre os anos 180 e 250 d.C., embora a versão encontrada em Nag Hammadi esteja traduzida para a língua copta, o evangelho de Filipe,  foi redescoberto em 1945 na Biblioteca de Nag Hammadi, no Egito. Embora leve o nome do apóstolo Filipe, o texto é considerado anônimo. Ele recebeu esse título porque Filipe é o único apóstolo nominalmente mencionado em uma de suas passagens.

O texto mostra, um estreito vínculo entre Jesus e Maria Madalena, é um texto cristão gnóstico que é totalmente diferente dos evangelhos canônicos da Bíblia, ele foca em ensinamentos esotéricos e na autoridade espiritual feminina.

O texto apresenta diálogos entre os discípulos e o Salvador ressuscitado sobre a natureza da matéria e a ascensão da alma.

Maria Madalena é retratada como a discípula que recebeu revelações especiais de Jesus, o que gera tensões e disputas de autoridade com outros apóstolos, especialmente Pedro.

 O texto chegou até nós de forma fragmentada através de manuscritos em grego e copta, sendo o mais famoso o Códice Akhmim.

 

Evangelho de Tomé

O Evangelho de Tomé é um dos textos apócrifos mais importantes do cristianismo primitivo, redescoberto em 1945 na coleção de manuscritos de Nag Hammadi, no Egito. Embora atribuído ao apóstolo Tomé, a maioria dos historiadores data a obra entre os anos 140 e 180 d.C., sendo escrita originalmente em grego e preservada em copta. 

Diferente dos evangelhos canônicos da Bíblia, ele não narra a vida de Jesus, mas consiste em uma lista de 114 ditos (logia) atribuídos a ele.

O texto não apresenta milagres, morte ou ressurreição; foca inteiramente nas palavras e ensinamentos "secretos" que Jesus teria confiado a Tomé, o Dídimo.

Muitos estudiosos associam o conteúdo ao gnosticismo, sugerindo que a salvação vem através do autoconhecimento e da descoberta da centelha divina interior, em vez da fé institucionalizada.

Enquanto os evangelhos tradicionais tratam o Reino de Deus como algo futuro ou externo, o de Tomé enfatiza que o "Reino está dentro de vós e ao vosso redor".

O texto foi excluído do cânone bíblico por ser considerado herético pela Igreja primitiva. Os motivos principais incluem: 

Divergência Teológica: Seus ensinamentos contradizem a mensagem central de redenção através do sacrifício de Cristo.

Data de Escrita: Foi escrito muito tempo após a morte dos apóstolos, o que tirou sua credibilidade como relato direto.

Falta de Narrativa: A ausência da Paixão e Ressurreição desqualificava o texto para as necessidades litúrgicas da época.


Evangelho da Infância de Tomé ou Pseudo-Tomé

Foi escrito originalmente no século II d.C., provavelmente em meados desse século, por volta do ano 150 d.C. a 185 d.C..

É um texto cristão apócrifo que narra a vida de Jesus dos 5 aos 12 anos de idade [18, 4], ele preenche a lacuna deixada pelos evangelhos canônicos sobre o crescimento do "Menino Jesus" 

O texto apresenta um Jesus jovem com poderes sobrenaturais que ele nem sempre controla de forma benevolente, alternando entre milagres de compaixão e atos de punição [4.6, 4.5]: 

Os Pardais de Barro: Jesus molda doze pardais de barro em um sábado. Quando repreendido por trabalhar no dia de descanso, ele bate as mãos e ordena que os pássaros voem, e eles ganham vida [4.1].

Ressurreições: Relata Jesus ressuscitando crianças que morreram em acidentes, como um menino que caiu de um telhado (Zenon) [4.6].

Maldições: Em passagens controversas, Jesus amaldiçoa outras crianças ou adultos que o irritam, fazendo-os definhar ou cair mortos, embora muitas dessas ações sejam revertidas posteriormente [4.6].

Educação e Sabedoria: Descreve Jesus na escola, onde ele confunde seus professores com uma sabedoria que supera o entendimento humano, explicando o significado profundo das letras do alfabeto [4.6, 4.12]

Atribuído a "Tomé, o israelita filósofo", mas não é o apóstolo Tomé que escreveu o famoso Evangelho de Tomé (o "Evangelho dos Ditos") [4.2].

Originalmente escrito em grego, o texto foi amplamente traduzido e expandido ao longo dos séculos, dando origem a versões em latim, siríaco, georgiano e até influenciando o Evangelho Árabe da Infância [4.2, 4.8].

Em 2024, pesquisadores identificaram em Hamburgo o manuscrito mais antigo conhecido deste evangelho, um fragmento de papiro grego datado do século IV ou V [4.11, 4.15].

Este livro foi rejeitado pela Igreja primitiva e excluído do cânone bíblico (tornando-se apócrifo) por vários motivos: 

Datação tardia: Escrito muito depois da morte dos apóstolos [4.21].

Doutrina e Estilo: O comportamento vingativo do menino Jesus em certas passagens contradiz a imagem de Jesus apresentada nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João [4.3, 4.21].

Fins Pedagógicos: Muitos estudiosos acreditam que as histórias funcionavam como "contos populares" ou parábolas para satisfazer a curiosidade dos fiéis sobre os anos ocultos de Jesus [4.5, 4.10]. 


Evangelho de Pedro

Não confunda este evangelho apócrifo com as Epístolas de Pedro (1 e 2 Pedro) da Bíblia, que foram escritas bem antes, por volta dos anos 60 d.C. a 100 d.C.

O Evangelho de Pedro foi escrito, muito provavelmente, entre os anos 100 d.C. e 150 d.C. O texto parece utilizar elementos dos quatro evangelhos da Bíblia (Mateus, Marcos, Lucas e João), o que indica que foi composto após a circulação desses escritos. 

O texto já era conhecido e circulava por volta do ano 190 d.C., quando o bispo Serapião de Antioquia mencionou e proibiu seu uso em igrejas devido ao conteúdo considerado herético. O manuscrito físico mais famoso deste evangelho, encontrado no Egito em 1886, é uma cópia muito mais tardia, datada entre os séculos VIII e IX. A narrativa apresenta um tom mais lendário e antijudaico, características comuns em apócrifos produzidos no século I.


Evangelho da Verdade

Escrito provavelmente entre 140 d.C. e 180 d.C. O Evangelho da Verdade é um dos textos mais importantes da biblioteca de Nag Hammadi, descoberta no Egito em 1945. Diferente de outros apócrifos que narram milagres, este é um sermão teológico e poético sobre a natureza do conhecimento divino.

Muitos estudiosos atribuem a autoria a Valentim, um famoso mestre cristão de Roma que fundou a escola do Valentinianismo. Santo Ireneu de Lyon menciona o título desta obra ao criticar os valentinianos por volta de 180 d.C.

O texto usa metáforas belíssimas sobre luz, perfume e o "Livro dos Viventes". Ele descreve a alegria de retornar ao Pai e a paz de encontrar a verdadeira identidade. Uma seção famosa discute o "Nome do Pai", explorando a relação mística entre Deus e seu Filho

Foi rejeitado pela Igreja primitiva porque sua teologia sugeria que o mundo físico era uma ilusão ou um erro, em vez de uma criação boa de Deus. Além disso, o foco exclusivo na salvação pelo conhecimento (Gnose) afastava-se da doutrina da salvação pelo sacrifício vicário e pela fé, comum nos evangelhos canônicos.

O texto não foca na vida de Jesus, mas em como a humanidade se perdeu de Deus: 

O Erro (Plane): O mundo material e o sofrimento são vistos como frutos do "Erro", que se personifica como uma névoa que cega os seres humanos.

A Ignorância: O pecado não é visto como uma desobediência moral, mas como esquecimento ou falta de conhecimento (Gnosis) de onde viemos.

Jesus como Revelador: Jesus é enviado pelo Pai para trazer a "Palavra" que dissipa a ignorância, funcionando como um despertador para as almas que "estão dormindo" e tendo pesadelos no mundo material.


Evangelho de Judas

Não confunda o Evangelho de Judas (texto apócrifo focado em Judas Iscariotes) com a Epístola de Judas (carta presente no Novo Testamento da Bíblia, atribuída a Judas Tadeu, que adverte contra falsos mestres).Acredita-se que o texto original foi escrito em grego por volta do ano 150 d.C. O manuscrito encontrado é uma cópia em copta (antiga língua egípcia) datada do século III ou IV. Já no ano 180 d.C., o bispo Irineu de Lyon mencionou e condenou este texto em sua obra Contra as Heresias, classificando-o como uma história fictícia inventada por grupos gnósticos.

O Evangelho de Judas é um texto apócrifo de origem gnóstica que apresenta uma perspectiva radicalmente diferente sobre Judas Iscariotes, retratando-o não como o traidor de Jesus, mas como seu discípulo mais fiel e o único que compreendeu sua verdadeira missão divina.

O texto afirma que Jesus pediu pessoalmente a Judas que o entregasse às autoridades. O objetivo seria sacrificar o "corpo físico" de Jesus para que sua essência divina pudesse ser libertada e retornasse ao reino espiritual.

Diferente dos evangelhos canônicos, este manuscrito reflete crenças gnósticas do século II, onde o mundo material é visto como uma criação de um deus inferior e imperfeito, enquanto a salvação vem através do conhecimento secreto (gnosis).

 No relato, Jesus zomba da ignorância dos outros discípulos e revela apenas a Judas os "mistérios do reino", chamando-o de "décimo terceiro espírito" que governaria sobre as outras gerações.

O documento foi encontrado no Egito na década de 1970, mas sua existência só se tornou amplamente conhecida em 2006, após ser autenticado e publicado pela National Geographic.