Baal foi o Deus mais adorado em Israel, na própria Bíblia, Baal foi, em diversos períodos, um oponente direto e extremamente popular, rivalizando por diversas vezes, a afeição à adoração de YHWH.
Na Bíblia, vemos YHWH sendo o Deus legítimo, mas na prática o que temos é a adoração a Baal sendo feita diariamente. O culto a Baal era amplamente praticada pela população e, muitas vezes, promovida pela própria monarquia.
Baal era a principal divindade das populações cananeias, fenícias e de outros povos vizinhos. Como "Senhor da Tempestade", ele era visto como o deus que trazia a chuva e garantia a fertilidade da terra, o que o tornava uma figura central para a sobrevivência em uma sociedade agrícola. Já YHWH era percebido nos textos bíblicos mais antigos (como no Livro dos Juízes e Êxodo) como um Guerreiro, ele até era associado a tempestades, montanhas e batalhas, agindo como o defensor de Israel. Ele é descrito como um "homem de guerra" em Êxodo e líder do exército celestial contra os inimigos de Israel. Essa imagem de guerreiro vitorioso que controla o mar e os céus reflete motivos antigos do Oriente Médio.
Filhos de El
Baal e YHWH eram ambos, filhos de El. El era a divindade suprema da mitologia Cananéia, e não devemos esquecer que os Hebreus eram Cananeus.
♦Baal é explicitamente mencionado em textos ugaríticos como filho de El e Asherah. Baal era o deus jovem, guerreiro e das tempestades que geria os assuntos do mundo.
♦Yahweh é explicitamente mencionado em textos ugaríticos como filho de El e Asherah.
Sendo assim, os dois são filhos do mesmo pai e mesma mãe, Baal e Yahweh são dois dos 70 filhos, conhecidos como a "Assembleia de El" ou Bene Elohim (Filhos de Deus).
As provas de que Yahweh era filho de El, está em Deuteronômio 32:8-9, Yahweh era um dos filhos de El, um dos bny 'l ou "filhos de Deus" ou "filhos de Deus"). Em Deuteronômio 32:8-9, Yahweh recebe seu povo (Jacob) como herança de El (ou Elyon), sugerindo uma relação de subordinação ou filiação inicial, antes da evolução para o monoteísmo.
Estamos falando basicamente de dois irmãos que rivais. O povo de Israel adotou Yhwh como sua divindade, mas estes deuses basicamente tinham os mesmos poderes, tendo o mesmo pai e a mesma mãe, como Baal era mais adorado, certamente que seu culto em Israel seria também maior.
Com o tempo, a religião de Israel evoluiu e YHWH absorveu os títulos e atributos de El. No texto bíblico final, YHWH e El são nomes para a mesma e única divindade.
Ídolos Dentro do Templo de Jerusalém
A Bíblia relata que o rei Manassés de Judá colocou ídolos e altares dedicados a Baal e outras divindades pagãs (como o "poste sagrado" ou Aserá) dentro do próprio Templo de Jerusalém.
◄2 Reis 21:3, 5 (NVI): "Ele [Manassés] reconstruiu os altares idólatras que Ezequias, seu pai, tinha destruído, ergueu altares para Baal e fez um poste sagrado... Em ambos os pátios do templo do Senhor, construiu altares para os exércitos do céu."
◄2 Reis 23:4-7 (NVI): Descreve o rei Josias removendo e queimando os objetos de Baal e Aserá que estavam no Templo de Jerusalém, relatando que "queimou... tudo o que tinha sido feito para Baal, para o poste sagrado e para todos os exércitos do céu; ele os queimou fora de Jerusalém, nos campos do Cedrom".
Mais tarde, durante as reformas religiosas, o rei Josias removeu esses ídolos do templo e do vale de Cedrom.
A arqueologia confirma relatos de altares de Baal sendo destruídos e, em alguns casos, convertidos em locais de descarte (latrinas) durante os reinados de reis reformadores.
Baal é mais velho do que Yahweh
Baal era adorado em Ugarit e Canaã muito antes da consolidação do monoteísmo israelita e da formação do conceito moderno de "Céu" (como morada eterna de Deus e dos salvos). Historicamente o Deus Baal tem mais de três mil anos de existência, muito antes do Deus Javé da Bíblia.
Parte do povo Cananeu que formou o povo Hebreu, começou a adorar Javé, que na verdade era o Deus Baal reeditado. Baal era um título/divindade proeminente na religião cananeia-fenícia bem antes do monoteísmo israelita se consolidar, sendo Javé inicialmente parte de um panteão maior, segundo arqueólogos, remontando os primórdios dos povos de Ugarit, Ebla, que remonta o paleolítico.
O desenvolvimento da Bíblia Hebraica mostra uma forte tentativa de separar Javé de Baal, colocando Baal como um falso deus rival, enquanto inicialmente a distinção era menos nítida para a população local. Enquanto Baal era associado a ciclos de morte e ressurreição no inverno/primavera, Javé evoluiu de uma divindade de montanha/tempestade para um Deus monoteísta único e invisível. Baal, como parte do panteão cananeu, já estava consolidado na região Levantina antes que Javé se tornasse o Deus exclusivo dos Hebreu.
Reis de Israel que Adoravam Baal
A adoração a Baal e outros deuses cananeus foi predominante no Reino do Norte (Israel) durante grande parte de sua existência, com quase todos os reis perpetuando a idolatria iniciada por Jeroboão I (os "pecados de Jeroboão"). No entanto, a adoração explícita e formal de Baal atingiu seu ápice com a dinastia de Onri.
•Acabe (1 Reis 16:30-33): O rei mais notório na adoração a Baal. Ele casou-se com Jezabel e construiu um templo para Baal em Samaria [4.4, 4.17].
•Acazias (1 Reis 22:51-53): Filho de Acabe, continuou a adoração a Baal iniciada por seus pais [4.2].
•Jorão (2 Reis 3:1-2): Filho de Acabe e irmão de Acazias, embora tenha removido a coluna de Baal, continuou nos pecados de adoração à fertilidade [4.19].
•Jeú (2 Reis 10:18-28): Embora tenha destruído o culto a Baal temporariamente para assumir o poder, a Bíblia relata que ele não se desviou dos pecados de •Jeroboão I (adoração aos bezerros de ouro), mantendo práticas de idolatria [4.17].
•Reis que introduziram ou mantiveram idolatria geral (culto a bezerros/outros deuses):
•Jeroboão I: Iniciou a adoração aos bezerros de ouro em Betel e Dã, estabelecendo a idolatria no Reino do Norte [4.3].
Baasa, Ela, Zinri, Onri: Seguiram as práticas idólatras da época [4.14].
Reis de Judá que Adoravam Baal
A adoração a Baal e outros deuses cananeus foi introduzida no Reino de Judá principalmente através de alianças com o Reino do Norte (Israel), onde a adoração a Baal era mais forte, e por influência de monarcas específicos.
•Jeorão (Jorão): Casou-se com Atalia (filha de Acabe e Jezabel de Israel) e "fez o que era mau perante o Senhor, como fizeram os reis de Israel; porque tinha a filha de Acabe por mulher" (2 Reis 8:18), o que incluía a adoração a Baal.
•Acazias: Filho de Jeorão e Atalia, andou nos caminhos da casa de Acabe e fez o que era mau aos olhos do Senhor (2 Reis 8:27).
•Atalia (Rainha): Filha de Acabe e Jezabel, ela promoveu ativamente o culto a Baal em Judá, e seus seguidores chegaram a invadir o templo de Deus para dedicar os utensílios sagrados a Baal.
•Acaz: Foi um dos reis mais idólatras de Judá. Ele não apenas adorou a Baal, mas instituiu o culto a deuses estrangeiros, construiu altares por todo o lado e queimou seus filhos em sacrifício a Moloque (2 Crônicas 28:2-4).
•Manassés: Embora tenha se arrependido posteriormente, durante a maior parte do seu longo reinado, ele reconstruiu os altos, erigiu altares a Baal e fez um poste sagrado (Aserá), além de adorar todo o exército dos céus (2 Reis 21:3-5).
•Amom: Filho de Manassés, seguiu o exemplo idólatra de seu pai, adorando e servindo aos ídolos que seu pai tinha adorado (2 Reis 21:20-21).
Profetas que eram contra o Culto a Baal
Na Bíblia, o culto a Baal foi uma das maiores formas de idolatria enfrentadas pelos profetas do Antigo Testamento, isso é uma das muitas provas de que o culto a Baal era mais proeminente do que o culto a Yahweh.
►Elias: O principal profeta na luta contra Baal. Ele desafiou os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Aserá no Monte Carmelo para provar que o Senhor (Javé) é o único Deus verdadeiro.
►Eliseu: Sucessor de Elias, continuou a obra de seu mestre na luta contra a idolatria e a casa de Acabe (que promovia o culto a Baal).
►Micaías (filho de Inlá): Profeta que denunciou as falsas profecias e a idolatria durante o reinado de Acabe e Josafá.
►Jeú (Profeta): Embora mais conhecido como rei, ele foi ungido para eliminar a casa de Acabe e destruiu ativamente os profetas, sacerdotes e o templo de Baal.
►Oséias: Suas profecias usam a metáfora do adultério espiritual para condenar a infidelidade de Israel, que abandonava Deus para seguir os baalins.
►Jeremias: Frequentemente denunciava os líderes e o povo de Judá por oferecerem incenso e sacrifícios a Baal, alertando sobre o julgamento divino devido a essa idolatria.
►Sofonias: Profetizou sobre a destruição de tudo o que restava do culto a Baal em Judá durante o reinado de Josias.
A Realidade Cruel
Histórias como a de Elias no Monte Carmelo mostram a necessidade de "provar" a supremacia de Javé contra o culto popular a Baal. O culto a Javé (originalmente um deus do sul) se consolidou como principal com o tempo, competindo com o deus El e outros.
Embora Javé fosse considerado o deus patrono de Israel, ele não era o único ou, em certos períodos históricos, o mais adorado na prática popular. Durante grande parte da história do Antigo Testamento, a prática comum não era o monoteísmo, o monoteísmo nunca fez parte do culto dos Israelitas e sim o henoteísmo.
Os israelitas muitas vezes "coxeavam entre dois pensamentos", tentando manter a aliança com Javé ao mesmo tempo em que buscavam favores de deuses locais para garantir colheitas e fertilidade. A adoração exclusiva a Javé era frequentemente uma exigência dos profetas e sacerdotes, mas nem sempre a prática da maioria da população. O povo de Israel na sua totalidade sempre adorou mais a Baal do que Yahweh.
A própria Bíblia corrobora essa realidade ao registrar as constantes punições e alertas proféticos contra a idolatria. Se o Deus de Israel fosse naturalmente o mais adorado sem oposição, não haveria necessidade de tantos mandamentos e julgamentos focados em trazer o povo de volta à exclusividade de Javé.



.jpg)
.png)

