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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

PROBLEMAS COM O LIVRO DE DANIEL



Os debates em torno do Livro de Daniel concentram-se principalmente em desafios históricos, linguísticos e teológicos enfrentados por teólogos e historiadores. Enquanto a tradição religiosa o defende como uma obra do século VI a.C. escrita pelo próprio profeta, a crítica bíblica moderna aponta incongruências que sugerem uma composição posterior, no século II a.C., durante a revolta dos Macabeus.


Inconsistências Históricas

Dário, o Medo: O texto cita um governante chamado Dário, o Medo (Daniel 5:31), que teria conquistado a Babilônia. Contudo, registros históricos e arqueológicos da Persa indicam que quem conquistou a Babilônia foi Ciro, o Grande, e não há menção a nenhum monarca chamado Dário antes de Dário I (que era persa, não medo).


Belsazar como Rei: Daniel apresenta Belsazar como rei da Babilônia e filho de Nabucodonosor (Daniel 5:1-2). A arqueologia provou que Belsazar existiu e governou a Babilônia, mas ele era filho de Nabonido (não de Nabucodonosor) e atuava como príncipe regente, nunca tendo o título oficial de rei soberano.


A Loucura de Nabucodonosor: O capítulo 4 narra que o rei Nabucodonosor sofreu de licantropia clínica (comportando-se como um animal) por sete anos. Documentos históricos da Babilônia não registram esse afastamento; manuscritos encontrados nos Manuscritos do Mar Morto sugerem que esse relato pode ter sido originalmente associado ao rei Nabonido (a "Oração de Nabonido").


Questões Linguísticas

Livro Bilíngue: O texto transita abruptamente entre o hebraico e o aramaico. Começa em hebraico, muda para o aramaico de 2:4 a 7:28, e retorna ao hebraico até o fim.


Palavras Gregas e Persas: O livro contém termos de origem persa (ligados à administração do império) e palavras gregas (especialmente nomes de instrumentos musicais no capítulo 3). Críticos argumentam que a presença de termos gregos indica que o livro foi escrito após as conquistas de Alexandre, o Grande, na era helenística.


O Problema da Datação e das Profecias

Precisão Cirúrgica até Antíoco IV: O capítulo 11 traz descrições extremamente detalhadas das guerras entre os reinos Ptolemaico e Selêucida, culminando nas perseguições do rei Antíoco IV Epifânio no século II a.C.. A precisão cirúrgica desses eventos passados contrasta com as descrições mais vagas e teológicas dos capítulos seguintes.


Profecia Ex Eventu: Devido a essa exatidão, historiadores propõem que a obra seja uma "pseudepigrafia". Um autor anônimo do século II a.C. teria escrito sob o pseudônimo de Daniel (um sábio do passado) para encorajar os judeus perseguidos por Antíoco, apresentando a história já ocorrida como se fosse uma profecia futura.


Estrutura Canônica

Posição na Bíblia Hebraica: Na Tanakh (a Bíblia judaica), Daniel não está incluído na seção dos "Profetas" (Nevi'im), mas sim nos "Escritos" (Ketuvim). Para os críticos, isso reforça que o livro foi compilado muito tempo após o fechamento do cânon dos profetas.



PROBLEMAS COM O LIVRO DE ATOS


 

Alguns eventos de Atos foram inventados, isto está bem claro, nunca aconteceram, a crítica bíblica acadêmica aponta fortes contradições cronológicas e narrativas entre o livro e as cartas reais de Paulo, além de conflitos com registros do historiador judeu Flávio Josefo.

Na historiografia antiga, era comum que autores adaptassem relatos para transmitir mensagens teológicas ou políticas, em vez de focar na precisão factual literal.

Vamos ver os principais eventos e menções em Atos que historiadores e teólogos críticos apontam como historicamente problemáticos ou que não aconteceram da forma como foram descritos.


O Discurso de Gamaliel e o Anacronismo de Teudas Atos 5:36-37

O Relato: O rabino Gamaliel discursa ao Sinédrio e menciona duas revoltas passadas para justificar paciência com os cristãos. Ele cita primeiro a revolta de Teudas e, depois dela, a revolta de Judas, o Galileu.

A História Real: De acordo com o historiador judeu Flávio Josefo, Judas, o Galileu, liderou sua revolta no ano 6 d.C. por causa do censo de Quirino. Já Teudas liderou sua revolta muito tempo depois, por volta do ano 44-46 d.C., sob o procurador Cuspiu Fado.

O Problema: O autor de Atos inverteu a ordem cronológica e colocou Teudas (44 d.C.) antes de Judas (6 d.C.). Além disso, o próprio Gamaliel estava discursando na década de 30 d.C., o que significa que ele citou uma revolta (a de Teudas) que ainda nem havia acontecido na época de sua fala.


O Decreto do Concílio de Jerusalém Atos 15

O Relato de Atos: Descreve uma grande assembleia formal em Jerusalém. Thiago e Pedro determinam que os gentios apenas precisam seguir quatro regras básicas (abster-se de carne sacrificada a ídolos, de sangue, da carne de animais sufocados e da imoralidade sexual). Paulo aceita o decreto de bom grado e o distribui pelas igrejas.

A Versão de Paulo Gálatas 2: O próprio Paulo descreve esse encontro em sua carta aos Gálatas de forma muito diferente. Ele afirma que a reunião foi privada com os líderes ("as colunas"), que ele não cedeu à pressão legalista e que a única recomendação que recebeu foi de "lembrar-se dos pobres".

O Problema: Historiadores apontam que o "Decreto Apostólico" restritivo de Atos 15 provavelmente nunca existiu ou não foi imposto a Paulo. Se existisse, Paulo teria usado esse decreto oficial de Jerusalém para resolver suas intensas disputas posteriores em Corinto e na Galácia sobre comida sacrificada a ídolos, mas ele nunca o cita em suas cartas.


Paulo Submisso vs Paulo Independente

O livro de Atos retrata Paulo como um judeu totalmente submisso à liderança de Jerusalém, chegando a pagar os votos de purificação de homens no Templo para provar que ainda guardava a Lei, Atos 21:20-26.

Mas nas cartas paulinas, o apóstolo defende ferozmente sua independência apostólica de Jerusalém. Ele afirma que a Lei de Moisés perdeu o poder justificador e chega a confrontar Pedro publicamente em Antioquia por hipocrisia em relação às regras alimentares judaicas Gálatas 2:11-14.


A Confusa Conversão Pública de Paulo

Atos constrói uma narrativa sobre o início do ministério de Paulo que contradiz o testemunho em primeira mão do próprio apóstolo.

O Relato de Atos Capítulos 9, 22 e 26. Após ver uma luz cegante no caminho de Damasco, Paulo fica cego, é curado por Ananias, passa algum tempo em Damasco pregando e depois vai a Jerusalém, onde é introduzido aos apóstolos por Barnabé. Ele passa a transitar livremente e pregar publicamente em Jerusalém.

A Versão de Paulo Gálatas 1:15-24. Paulo insiste enfaticamente que, após sua revelação, não consultou nenhum ser humano e não foi imediatamente a Jerusalém. Em vez disso, ele foi para a Arábia e depois voltou a Damasco. Ele afirma expressamente que só foi a Jerusalém três anos depois, passou apenas 15 dias com Pedro, viu apenas Tiago e que continuou completamente "desconhecido de vista das igrejas da Judeia".


O Censo Universal e a Fome Global Atos 11:28

O Relato: O profeta Ágabo prevê que haveria uma grande fome em todo o mundo (o Império Romano), o que o autor afirma ter acontecido no reinado de Cláudio.

A História Real: Registros romanos da época confirmam que o reinado de Cláudio (41–54 d.C.) foi marcado por crises agrícolas severas e fomes localizadas sucessivas (como na Judeia por volta de 46-48 d.C. e na própria Roma). No entanto, nunca houve uma fome simultânea e global que afetou todo o mundo romano de uma só vez. O autor de Atos tendeu a inflar um evento regional para proporções universais por efeito dramático e teológico.


Para os historiadores seculares e da linha da crítica bíblica principal, o Livro de Atos não deve ser lido como um diário de bordo puramente factual, mas sim como uma obra de historiografia teológica antiga. O autor (tradicionalmente Lucas) tinha o objetivo de unificar a memória da Igreja primitiva, harmonizando as figuras de Pedro e Paulo, que historicamente tinham fortes divergências, e mostrar a expansão do Cristianismo sob o controle do Espírito Santo, adaptando os detalhes históricos para servir a esse propósito maior.


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

FÉ EM SUMÉRIO


 

Diferente do conceito ocidental de fé que muitas vezes se limita a uma crença intelectual ou abstrata, a mentalidade Suméria enxerga a fé como algo prático, físico e palpável, ligado especificamente a lealdade, vida, confiança e fidelidade.


Zid ou ZiÉ 

O termo principal e mais exato para expressar fé. Escrita com o caractere cunha 𒍣, ela carrega múltiplos significados interligados:

Fé e Confiança: A segurança depositada em algo ou alguém.


Verdade e Legitimidade: O que é correto, honesto e factual.

Fiel e Justo: Uma pessoa que age com retidão.


A raiz original dessa palavra "Zi" também significa "vida", "alma" ou "sopro", sugerindo que, para os sumérios, a verdade e a fé estavam diretamente ligadas à própria essência de estar vivo.


Ngiskimti ou Ngeshkimtil

Escrita em cuneiforme como 𒅆𒁾𒋾, esta palavra descreve a ação prática da fé. 

Significa: Confiança absoluta.  Objeto de apoio ou suporte. Ser alguém digno de confiança.


Nir

O termo 𒉪 "Nir" indica um tipo de confiança baseada no respeito. Significa confiança derivada de autoridade ou de uma posição elevada (como a fé e obediência que um servo tem em seu senhor ou um cidadão em seus deuses).


FÉ EM HEBRAICO

 


A palavra fé em hebraico é emunáh "אֱמוּנָה", que significa muito mais do que apenas uma crença abstrata.

Igualmente aos Sumérios, a fé dos hebreus é diferente do conceito ocidental de fé que muitas vezes se limita a uma crença intelectual ou abstrata, a mentalidade deles enxerga a fé como algo prático, físico e palpável, ligado especificamente a lealdade, vida, confiança e fidelidade.


O Significado Profundo de Emunáh

Firmeza e Suporte: A palavra vem da raiz Aman (א־מ־ן), que significa "firmar", "sustentar" ou "alicerçar". Lembra a estabilidade de uma coluna que sustenta um teto.


Fidelidade e Confiança: Em hebraico, ter fé não é apenas acreditar que algo existe, mas ser fiel, leal e agir com base nessa confiança.


Ação de Segurar: No hebraico bíblico, o conceito se assemelha ao ato físico de agarrar-se firmemente a algo seguro em meio a uma tempestade para não cair.


Palavras Relacionadas com a Mesma Raiz

Por compartilharem a mesma raiz hebraica, estas palavras estão diretamente conectadas:

Amém (אָמֵן): Significa "assim seja", "afirmo" ou "estou firme nisso".


Leamin (לְהַאֲמִין): O verbo que significa "crer" ou "confiar".


Iman ou Aman (אִימּוּן): No hebraico moderno, esta palavra passou a significar "treinamento" ou "exercício", reforçando a ideia de que a fé exige prática e constância.

A palavra suméria mais próxima de "iman ou Aman" é Ama, que significa "Mãe".

O termo "Ama" Significado: Mãe. 

Dela deriva o termo composto Ama-gi ou Amargi, formado por ama (mãe) + gi (retornar), que significa literalmente "retornar à mãe". Esse termo era usado em decretos antigos para se referir à libertação de escravos ou perdão de dívidas, sendo considerado o primeiro registro escrito do conceito de liberdade.


FÉ EM LATIM

 


A palavra fé chega ao português diretamente do latim fides. Na Roma Antiga, fides não tinha inicialmente um sentido puramente religioso ou de "crer no invisível", mas referia-se a um compromisso ético e social: significava confiança, lealdade, crédito, palavra dada ou a garantia de cumprimento de um acordo.  


Raiz Protoindo-europeia: O termo deriva da raiz indoeuropeia *bʰeidʰ-, que significa "persuadir", "confiar" ou "compelir".  


Etapa Proto-Itálica: Essa raiz evoluiu para o proto-itálico *feiðos ("confiável", "fiel"), que mais tarde deu origem ao substantivo fides e ao verbo fidere ("confiar") no latim clássico.  


Transição para a Roma Antiga: Na sociedade romana, a Fides era inclusive personificada como uma divindade que protegia os pactos, os tratados internacionais e a palavra de honra.  


Adaptação Cristã: Com a expansão do cristianismo e a tradução dos textos sagrados para o latim (como na Vulgata), fides foi a palavra escolhida para traduzir o termo grego pístis (πίστις), que denotava a crença, a confiança em Deus e a adesão espiritual.  


Termos Cognatos

A mesma raiz latina fides gerou diversas palavras na língua portuguesa:

Fidelidade (de fidelitas)  

Fiel (de fidelis)  

Confiança / Fiador (de confidere e fido)  

Pérfida (de perfidus — literalmente "que quebra a fé/pacto")


FÉ EM GREGO

 


A palavra em grego para "fé" é pístis (πίστις). Sua evolução etimológica vem da ideia de "persuasão" e "confiança gerada por um argumento ou prova".


Raiz Proto-Indoeuropeia: Deriva de *bʰeidʰ- ("persuadir", "confiar"), a mesma raiz que deu origem ao latim fides (e ao nosso português fé).


Verbo de Origem: Origina-se do verbo peíthō (πείθω — "persuadir", "convencer") e de sua forma média/passiva peíthomai ("ser persuadido", "obedecer", "confiar").


Sufixo Nominalizer: A adição do sufixo -ti- (que se torna -sis/-tis em grego) transforma a ação do verbo em um substantivo abstrato. Assim, pístis é literalmente "o estado de ter sido persuadido" ou "a qualidade do que é confiável".


Mutações de Sentido ao Largo do Tempo

Grécia Clássica (Filosofia e Retórica): Em Platão e Aristóteles, pístis designava o grau de convicção baseado em provas ou a confiança em um testemunho. Na retórica, era o meio de persuasão usado para convencer o ouvinte.


Comércio e Direito Grego: Significava "crédito", "penhor", "garantia" ou o cumprimento de um contrato comercial.


Grego Koiné (Novo Testamento): Com a expansão do cristianismo, pístis passou a traduzir o conceito hebraico de emunah (אֱמוּנָה — firmeza, lealdade, fidelidade). O termo deixou de ser apenas uma convicção intelectual e passou a significar entrega pessoal, lealdade ativa e confiança existencial em Deus.


Família da Palavra no Grego

Pistós (πιστός): Adjetivo para "fiel", "digno de confiança" ou "crente".

Pisteúō (πιστεύω): Verbo que significa "crer", "confiar" ou "depositar fé".

Ápistos (άπιστος): "Incrédulo", "infiel" ou "que não merece confiança".


A MENTIRA DO FERIADO DE TIRADENTES - ELE NÃO MORREU ENFORCADO

 


Infelizmente, tudo no Brasil é uma farsa e o feriado do Dia de Tiradentes também é uma farsa. Para começo de conversa, ele nem morreu enforcado como se ensinam nas escolas, faculdades, nos documentários, nos livros de história, na internet e etc. Os militares, quando derrubaram a monarquia, não implantaram a república, pois o Brasil se viu em uma ditadura militar e essa ditadura foi, obviamente, arbitrária e tirânica e para conter os ânimos da oposição, eles tiveram que inventar alguma coisa para justificar o golpe de estado que eles deram na monarquia, porque os militares mentiram para a população, dizendo que queriam implantar a república no Brasil, quando, na verdade, o que foi implantado foi uma ditadura militar. 

Isso, claro, através de um golpe de estado e para conter o real fato por trás deste golpe de estado, que foi orquestrado pelos militares Campos Salles e Companhia Limitada, forjaram um herói para barrar os protestos dos opositores, que eram contra este golpe de estado militar, porque os golpistas prometeram derrubar a monarquia para implantar a república, quando, na verdade, eles implantaram a ditadura militar. E estes golpistas também tinham a missão de apagar a forte imagem de Dom Pedro II, que ainda pairava no ar. E não foi fácil escolher alguém para se transformar em um herói nacional, porque o Brasil realmente não tem, em sua história, um movimento que realmente fizesse frente para substituir a imagem de Dom Pedro II, que era tida pela população. 

E para dificultar ainda mais a missão da figura mítica deste candidato a herói, o Brasil não teve em sua história guerras sangrentas, tal qual se conhece na história. E também não teve, em sua independência, nenhum evento sanguinário que justificasse alguma figura de algum herói. Em proporções históricas, o Brasil não tem, em sua história, guerras encarniçadas e sanguinolentas que justificassem a figura de um herói. 

E isso também não aconteceu na independência, pois a independência do Brasil, nós sabemos, foi feita por meio de tratados e contratos comerciais, onde o Brasil pagou 2 milhões de libras esterlinas para que Portugal aceitasse a independência do Brasil. E este acordo foi feito através do Tratado de Paz e Aliança. E na tal república que eles chamavam de revolução, que na verdade não foi uma revolução e nem uma república, não existe nenhum herói que pudesse ser idolatrado pela massa. 

Isto porque a oposição era grande contra este golpe militar. Como o Brasil é um país de fazer uma guerra sem lutas, eles tinham que fabricar um herói com urgência para legitimar e justificar o golpe e a ditadura. E pesquisando o que se deveria fazer, encontraram na figura de Joaquim José da Silva Xavier, o personagem perfeito para a invenção deste herói mítico que eles tanto precisavam. 

E com isso, no ano de 1890, Campos Salles e outros mentirosos, junto com ele, inventaram o herói de que eles tanto necessitavam, que é esta facciosa, fantasiosa e mentirosa imagem do Tiradentes, que é tido hoje como o herói da Inconfidência Mineira. E como todo herói, Tiradentes precisava de um rosto. Como não se sabe como era o verdadeiro rosto de Tiradentes, eles logo apelaram para a religião, é claro, porque atrelar o rosto de Tiradentes ao rosto de Jesus, como eles fizeram, foi uma jogada de mestre.

Porque um herói que morresse no Brasil, sacrificado por uma grande causa, seria o álibi perfeito para esconder o golpe militar e a implantação da ditadura militar republicana. E foi justamente isto que ocorreu. Tiradentes agora aparece como um patriota justo, grandioso e imponente, cuja imagem é parecida com a imagem de Jesus Cristo, que foi sacrificado por uma causa nobre, igualmente como fora Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. 

E a propaganda imponente, magnânima, grandiosa, majestosa e épica, fez o efeito esperado. Nós nunca devemos esquecer que estamos no Brasil, e aqui o que é errado sempre prospera. O que é preciso saber, e nunca esquecer, é que Tiradentes não morreu enforcado cabeludo.

Bom, na verdade Tiradentes nem morreu enforcado, ele nem enforcado foi. A tal pessoa que morreu no lugar de Tiradentes, não morreu com barba e cabelo comprido. Isto porque todo preso na época, tinha seus cabelos e barbas cortados por causa da infestação de piolhos, e o erro já começa por aí. 

E mesmo que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, estivesse vivo, ele não tinha cabelos e barbas compridos, uma vez que ele era militar. E sabemos que todo militar que se preze, não vai ter barba ou cabelo comprido, no máximo um bigode bem feito por sinal. Sem contar que, sendo Tiradentes militar, ele teria que morrer fuzilado, e não morrer enforcado.

Isso dado as leis da época. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, realmente foi preso, e isso é verdade. Não só ele foi preso, como também seus correligionários, e essa prisão se deu no ano de 1789.

Isso aconteceu porque Joaquim Silveiro dos Reis, o integrante do movimento da Inconfidência, traiu o movimento. Em uma delação premiada, Joaquim Silveiro dos Reis, caguetou seus compatriotas. Como ele tinha dívidas, ele fez um acordo, onde suas dívidas seriam perdoadas, em troca dele entregar todos os envolvidos no movimento.

Seria complicado executar os tais envolvidos, pois eles pertenciam à maçonaria, e executar membros da maçonaria estava totalmente fora de questão. E Tiradentes e seus companheiros eram todos maçons. Esses que estavam presos com Tiradentes, muitos deles eram membros importantes da maçonaria mineira, e nunca estes seriam executados.

Sem contar que, segundo as leis da época, se um deles fosse executado, todos teriam que ser executados. Segundo acordos e conversas palacianas, os que estavam presos com Tiradentes foram soltos, pois muitos deles, além de serem membros importantes da maçonaria, eram todos pessoas importantes na sociedade. E com isso fica somente Tiradentes na prisão, por ser o mais pobre da turma, e não ter um cargo tão importante assim na maçonaria.

E também, a Rainha de Portugal, Dona Maria I, não gostava de execuções, e não queria este cenário no seu reinado. Mas é certo que alguma coisa teria que ser feita, pois era indesculpável que tais presos saíssem ilesos destas acusações. E alguém, é claro, teria que servir como exemplo para que esta atitude não acontecesse novamente.

E é aí que entra justamente um personagem desconhecido do grande público. Este personagem se chama Isidro Gouveia. Isidro Gouveia era um carpinteiro, mas ele foi preso por roubo.

E segundo consta os registros históricos, Isidro Gouveia já estava condenado à morte. E esta condenação era a execução por enforcamento. E foi justamente Isidro Gouveia que foi enforcado no lugar de Tiradentes.

Fizeram um acordo com Isidro Gouveia, onde ele topou morrer no lugar de Tiradentes. E no acordo, a maçonaria daria uma quantia de dinheiro significativa para sua família, em troca de sua morte. E também no acordo, sua família sairia do Brasil para morar em Portugal.

Tudo isso foi feito para proteger sua família. Isidro Gouveia concorda com este acordo e morre no lugar de Tiradentes. A maçonaria liberta Tiradentes no mês de agosto de 1792.

E o leva para Lisboa com sua namorada chamada Perpétua Mineira. Isto, claro, junto com a viúva e os filhos de Isidro Gouveia, que morreu no lugar de Tiradentes. Todos eles foram para Portugal no navio chamado Golfine.

Quais são as provas de que Tiradentes não morreu enforcado? As provas que nós temos para comprovar que Tiradentes não morreu enforcado, começa no ano de 1811, onde Hipólito José da Costa publica um livro intitulado Narrativa da Perseguição. Neste livro, ele prova que outra pessoa morreu no lugar de Tiradentes. Outra prova disso está com o historiador e grafologista Marcos Correia.

No ano de 1969, Marcos Correia está em Portugal, estudando a assinatura de uma lista de presença de uma Assembleia Revolucionária. No caso, é a lista da presença da Assembleia da Revolução Francesa. O historiador e grafologista Marcos Correia estava estudando a vida de José Bonifácio de Andrade Silva, o Patriarca da Independência.

E estudando sua assinatura, como ele era um grafologista, ele descobre a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. E foi encontrado também em Portugal, na cidade de Lisboa, na Torre do Tombo, uma carta do desembargador Simão Sardinha, que conta que teria visto uma pessoa igual a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. E segundo os registros, Tiradentes, anos mais tarde, quando a poeira baixa, volta a morar no Rio de Janeiro, onde morre de causas naturais no ano de 1818.

Tudo que te ensinaram na escola, faculdade, documentários, livros, revistas, sites e etc, é mentira. A história do Brasil, assim como este país, é uma fraude, é uma farsa. Não esqueça de se inscrever no canal.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

1582 O NASCIMENTO DO CALENDÁRIO GREGORIANO

 


A Igreja Católica adotou a mudança de imediato em 1582, como Portugal, Espanha e Itália, mas os reinos protestantes recusaram o decreto papal por muito tempo.

Eles resistiram por cerca de 150 anos. Foi desenvolvido pela Igreja Católica e foi percebido como uma espécie de conspiração.

As províncias protestantes dos Países Baixos adotaram o calendário juliano por volta de 1700. O mesmo aconteceu com o Império Dinamarquês, que incluía a Noruega e a Islândia. O Império Britânico o adotou em 1752 e a Suécia um ano depois. A jovem União Soviética o adotou em 1920 e a Grécia em 1924. Um calendário juliano revisado foi adotado aproximadamente na mesma época para uso pela maioria das Igrejas Ortodoxas da Europa Central. Ele é alinhado ao calendário gregoriano.

A República Popular da China o adotou em 1949, logo após a formação do governo. O calendário tradicional chinês ainda é usado para celebrações culturais como o Ano Novo Chinês. O uso de um calendário tradicional para fins religiosos ou culturais é comum. Mas para negócios e outros fins semelhantes, o calendário gregoriano é o padrão.

A China não usa os nomes dos meses ou dos dias em inglês, nem suas traduções. Ela usa meses e dias numerados.

Os países protestantes e ortodoxos resistiram por séculos à adoção do calendário gregoriano de 1582 por motivos religiosos e políticos, enquanto quatro nações mantêm calendários civis próprios até os dias de hoje.

A seguir, uma lista de países que demoraram para adotar o calendário católico.


•Alemanha e Suíça (protestantes): Adotaram o novo calendário apenas em 1700.

•Dinamarca e Noruega: Fizeram a transição no ano de 1700.

•Grã-Bretanha e Colônias Americanas: Mudaram em 1752, pulando 11 dias em setembro.

•Suécia: Adotou o sistema definitivo em 1753, após uma tentativa confusa de mudança gradual.


Nações de tradição ortodoxa que resistiram até o século XX

•Rússia: Mudou apenas após a Revolução Bolchevique, em 1918.

•Romênia: Realizou a transição no ano de 1919.

•Grécia: Tornou-se o último país europeu a aderir, em 1923.

•Turquia: Adotou o calendário civil ocidental em 1926.


Países que não adotaram o calendário gregoriano para uso civil

•Etiópia: Usa o Calendário Etíope, que fica cerca de sete a oito anos atrás do ocidental.

•Nepal: Utiliza o sistema Bikram Sambat, que está mais de 56 anos à frente.

Irã: Utiliza o calendário Solar Hijri (ou calendário persa). É um dos calendários mais precisos do mundo, baseado no equinócio de primavera.

•Afeganistão: Também utiliza formalmente o calendário Solar Hijri, compartilhando a mesma contagem de anos e meses baseada em observações astronômicas que o Irã.


Existem nações que adotaram a estrutura de dias e meses do calendário gregoriano, mas rejeitaram a contagem de anos ocidental (Era Cristã):

•Tailândia: Segue o calendário solar tailandês, cuja contagem de anos 

começa na era budista (543 anos à frente do gregoriano).

•Japão: Utiliza o calendário gregoriano para o dia a dia, mas mantém oficialmente o sistema de eras imperiais (Gengo), onde o ano zera a cada novo imperador (atualmente na Era Reiwa).

•Taiwan: Utiliza o calendário Minguo, que inicia sua contagem de anos no ano da fundação da República da China (1912).





terça-feira, 25 de agosto de 2026

LISTA DE PESSOAS MORTAS PELA IGREJA RELIGIOSA

 



385 Prisciliano de Ávila, Bispo da Galiza, considerado o primeiro herético executado formalmente na história cristã, decapitado por acusação de gnosticismo. 


415 Hipátia de Alexandria foi uma filósofa pagã da Alexandria do final do século IV. Ao que tudo indica, ela foi professora de pensamento platônico, cientista e autora de diversos tratados matemáticos. Foi morta por uma multidão cristã no ano de 415.


1244 Os Cátaros Século XIII: Movimento cristão dissidente no sul da França. Milhares foram queimados em massa após a Cruzada Albigense, como no cerco de Montségur.


1292 Roger Bacon foi um filósofo inglês e frade franciscano, além de talentoso cientista natural. Ele é considerado um dos pioneiros do método científico e destacou-se pelo uso da observação empírica. Sua obra mais importante foi o  Opus Major , que contém tratados sobre matemática, óptica, alquimia e astronomia, incluindo teorias sobre as posições e dimensões dos corpos celestes. Bacon pode ter sido preso pelas autoridades eclesiásticas em 1279, e há uma tradição que afirma que ele morreu em cativeiro.


1300 Gerard Segarelli fundador dos Irmãos Apostólicos, queimado em Parma por recusar-se a dissolver sua ordem considerada herética.


1307 Fra Dolcino líder de um movimento espiritual radical na Itália (os Irmãos Apostólicos) que pregava a pobreza absoluta. Foi torturado e queimado vivo junto com sua companheira Margherita.


1314 Os Templários Cavaleiros da ordem militar extinta pelo Papa Clemente V. O Grão-Mestre Jacques de Molay foi queimado vivo em Paris após um julgamento contestado.


1314 Jacques de Molay  O último Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários. Foi queimado vivo em Paris após a dissolução da ordem militar por heresia, sob forte pressão do rei Filipe IV da França e de Bertrand de Got, o Papa Clemente V , foi queimado vivo em Paris após um julgamento contestado.


1316 Pietro d' Abano  foi um filósofo, astrólogo e professor de medicina italiano. Foi um autor renomado, cuja obra mais famosa foi  Conciliator Differentiarum, quæ inter Philosophos et Medicos Versantur , uma exploração da relação entre as teorias médicas contemporâneas e a filosofia natural aristotélica. Foi preso pela Inquisição e morreu na prisão por volta de 1316. Foi condenado postumamente e seus ossos foram queimados.


1327 Cecco d'Ascoli foi um enciclopedista, médico e erudito italiano especializado em matemática e astronomia. Foi professor de astronomia na Universidade de Bolonha e um astrônomo tão renomado que existe uma cratera na Lua com seu nome. É famoso por sua rivalidade com o poeta Dante. Acabou sendo julgado por heresia e queimado na fogueira em Florença, o primeiro professor universitário a ser condenado à morte pela Inquisição.


1353 Miguel Serveto geralmente conhecido simplesmente como Serveto, foi um médico, teólogo, cartógrafo e humanista espanhol. Sua especialização abrangia muitas áreas; ele escreveu tratados sobre matemática, astronomia, meteorologia, geografia, anatomia humana, medicina e farmacologia, bem como jurisprudência e poesia. Em 1553, foi julgado e condenado à morte em Viena pela Inquisição, embora tenham sido os calvinistas que o executaram em Genebra, ainda naquele ano.


1415 Jan Hus Reformador religioso tcheco, queimado vivo no Concílio de Constança por criticar a corrupção eclesiástica.


1416 Jerônimo de Praga Teólogo e reformador tcheco. Foi queimado na fogueira no Concílio de Constança por apoiar as ideias de Jan Hus.


1431 Joana d'Arc Heroína francesa, queimada viva após um julgamento político religioso conduzido por clérigos pró Inglaterra. Foi canonizada séculos depois.


1498 Girolamo Savonarola Frade dominicano que governou Florença, enforcado e queimado após desafiar abertamente a autoridade do Papa Alexandre VI.


1536 William Tyndale Erudito inglês que traduziu a Bíblia para o inglês. Foi estrangulado e queimado na fogueira na Bélgica por heresia e por contrariar os decretos da Igreja que proibiam traduções não autorizadas.


1576 Girolamo Cardano foi um polímata renascentista cujos talentos abrangiam desde a matemática à medicina, biologia, física, química, astronomia, filosofia e linguística. Ele foi um dos matemáticos mais influentes do Renascimento e uma das figuras-chave na fundação da probabilidade, além de ter sido o primeiro a utilizar os coeficientes binomiais e o teorema binomial no Ocidente. Escreveu mais de 200 tratados científicos. Cardano foi preso e condenado pela Inquisição, passando vários anos na prisão, embora tenha sido eventualmente libertado e reabilitado pelo Papa Gregório XIII. Ele é famoso por suas contribuições à álgebra e por ter feito o primeiro uso sistemático dos números negativos.  


1600 Giordano Bruno ele está entre os cientistas mais famosos que já se envolveram com a Inquisição. Ele é mais lembrado por suas teorias cosmológicas. Após sete anos de julgamentos em Roma, foi condenado e queimado na fogueira em 1600.


1616 Lucílio Vanini foi um  filósofo e médico carmelita e notável erudito do final do Renascimento. Libertino, opositor político dos papas, era conhecido como um dos primeiros defensores de alguma forma de evolução a partir dos primatas. Chegou a abandonar a Igreja para se converter ao anglicanismo, mas depois retornou à fé. Passou por um período de peregrinação, sempre se metendo em problemas com as autoridades. Acabou adotando uma identidade falsa e morreu em circunstâncias ainda incertas em 1619, executado por blasfêmia e heresia pelas autoridades de Toulouse. Foi estrangulado, teve a língua arrancada e o corpo queimado.


1639 Tommaso Campanella foi um astrólogo, filósofo e poeta italiano. No início de sua carreira, desencantou-se com o pensamento aristotélico e tornou-se defensor do novo empirismo. Foi brevemente preso pela Inquisição por se envolver em especulações astrológicas desenfreadas. Foi libertado, mas capturado na Calábria, torturado e passou vinte e seis anos na prisão. Mais tarde, foi libertado para fazer parte da corte do Papa Urbano VIII e teve algum envolvimento remoto no caso Galileu. Apesar de sua idade, voltou a se envolver em problemas e teve que exilar-se na corte de Luís XIII da França, onde morreu em 1639.


1689 Kazimierz Lyszczynsk caso de Kazimierz Lyszczynsk é singular, pois ele não tinha reputação de cientista. Era um soldado e nobre polonês, mas também um erudito amador e filósofo. Lyszczynsk foi educado pelos jesuítas, mas posteriormente tornou-se opositor da Companhia de Jesus, à qual se opôs como juiz em diversos casos contra os jesuítas relacionados à propriedade de terras. Foi preso e acusado de ateísmo e blasfêmia com base em um suposto manuscrito ateísta de sua autoria intitulado " Sobre a Não Existência de Deus" . Foi condenado e decapitado em 1689, após ter a língua arrancada e as mãos queimadas.


1826: Cayetano Ripoll Professor espanhol. Foi acusado de deísmo e de não levar seus alunos à missa. Ele foi enforcado em Valência, tornando-se a última pessoa executada pelas Juntas de Fé (sucessoras da Inquisição Espanhola).


Veja mais a seguir no link do Wikipédia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pessoas_executadas_por_heresia



A IGREJA CONTRA A CIÊNCIA

 


É comum no meio religioso os dizeres "A Igreja tem feito muitas contribuições à humanidade" , "Não fosse a Igreja, nós estaríamos sem cultura", "Só a Igreja promoveu a arte e o conhecimento científico na Idade Média" "Sem a Igreja, nós estaríamos órfãos de conhecimento". Estas frases são as mais famosas, mas na verdade, a Igreja, bem como todo Sistema Religioso tem promovido mais o atraso do que o avanço para sociedade como um todo, vou mostrar-lhes ponto a ponto por que estes comentários são historicamente falsos e mentirosos, intelectualmente desonestos, as provas mostrarão por si só que esta mentira é moralmente indefensável e irrefutável. A maioria destas supostas contribuições não foram atos de generosidade ou uma vocação para civilizar ou contribuir para o desenvolvimento do mundo e das pessoas, mas consequências inevitáveis de absoluto controle e monopólio educacional que a Igreja exerceu e ainda exerce sobre a sociedade por mais de mil e setecentos de anos.


George Lemaître 1894-1966

Vou usar o exemplo clássico de George Lemaître padre, astrônomo e físico belga o brilhante fisicista que propôs o que se tornaria a teoria do Big Bang. Inspirado nos trabalhos de Vesto Melvin Slipher 1875-1969, que estudou os períodos de rotação dos planetas e as composições atmosféricas dos planetas. Ele também estudou as linhas espectrais de uma galáxia, como também as galáxias em espiral. George Lemaître estuda e formula a lei proporcional entre as distâncias e a velocidade de afastamento das galáxias. Ou seja, Lemaître propõe, nesse trabalho, o estudo do átomo primitivo, ou primordial, que mais tarde é reconhecido como a teoria do Big Bang.

Esse nome foi dado com deboche pelo pesquisador Fred Rowling. Ele era um opositor ferrenho da teoria do Big Bang. Fred Rowling era defensor da teoria do universo estacionário. 

Voltando ao assunto do Sistema Religioso ser contra o pensamento livre. Depois que o padre e físico belga formulou a "hipótese do átomo primordial", hoje conhecida mundialmente como a Teoria do Big Bang, graças a Fred Rowling, todo mundo dizia que agora a igreja e a ciência agora andam de mãos dadas, a igreja e a ciência andam juntas, isso é mentira! Embora a igreja deu suporte financeiro, acadêmico e institucional para o avanço dos estudos de Lemaître ao longo de toda a sua vida, a Igreja não suportou a sua ciência, ela o tolerou, porque no século XX, já era tarde demais de simplesmente quebrar outro cientista no chão, como fizeram com Giordano Bruno, Galileu Galilei e tantos outros. O ponto central que é eles, convenientemente, esquecem de mencionar é o contexto.

Porque por séculos, a única forma de acessar educação formal, livros e um ambiente de aprendizado foi através de ser ligado à Igreja. Ser um padre, monge ou ter alguma conexão com a instituição não era uma escolha de fé, era o preço a ser pago não ser um analfabeto iletrado. É assim que o regime religioso funcionou e em muitos casos, ainda funciona.

George Lemaître nunca, mas nunca, em qualquer circunstância, poderia ser um cético, um ateísta, um agnóstico ou talvez até mesmo um materialista naquela época. Nem ele, nem ninguém trabalhando para o Estado Religioso dentro de uma universidade poderia ser. E nos dias atuais, a pressão permanece. Você não poderia dizer que você não teve ou não acreditou em uma religião, muito menos dizer que você pertenceu a outra religião.


A História do Controle Religioso

Mas mesmo com isso, eu acho que o teólogo mas chulé do Brasil pode concordar se ele ler meia milha de livros, mas dizer que a Igreja contribuiu para ciência por causa de George Lemaître é como dizer que o feudalismo contribuiu para agricultura porque permitiu que algumas casas plantarem sem comer. É uma absurdidade lógica. A Igreja não criou a ciência. Ela monopolizou o único lugar onde se permitia estudar, e até então, sob uma segurança rígida. Isso nos leva diretamente à maior meia verdade da história, que a Igreja criou escolas e universidades, porque a Igreja considerou o Estado Laico, que quer dizer, leigo ignorante do que eles consideraram verdadeiro. Nenhuma outra estrutura similar existia no sistema de Estado da época.

Após a queda do Império Romano no Ocidente, a Europa se fragmentou em Reinos Bárbaros e, mais tarde, em um sistema feudal.

Não existia um poder político único, e o que existia era muito difuso e localizado. A única instituição que mantinha uma estrutura burocrática, uma rede de comunicação latina, e a capacidade de preservar e transmitir conhecimento, era a Igreja Católica. E a Igreja cresceu naquela época precisamente porque padre era a única categoria que tinha acesso à educação, no vácuo de poder.

Desde muito cedo, a Igreja percebeu que precisava de teólogos para desenvolver a doutrina e administrar a Igreja, e também administradores para gerenciar suas propriedades, especialmente sendo que a Igreja era o maior proprietário de terra na Europa. Em outras palavras, nesse contexto, não existia um Estado secular ou qualquer entidade secular com a capacidade logística, financeira ou intelectual para criar e sustentar escolas em grande escala. Foi a ausência de uma estrutura competente em um Estado desmantelado que entregou esse monopólio à Igreja em uma bandeja de ouro.

E então, se o Estado quisesse oficiais letrados para fazer e executar as leis, taxas ou diplomacia, tinha de se contratar os padres, que eram os proprietários da verdade e do conhecimento naquela época. A Igreja controlava a interpretação do conhecimento, especialmente teologia e filosofia. A chamada Licença Docente, que é a licença para ensinar, foi lançado somente por autoridades eclesiásticas, os bispos ou o papas, e a Igreja considerou o Estado laico, que quer dizer, leigo ou ignorante, ou seja, ilegítimo, no sentido de ser inconsciente de revelar a verdade, refletindo a hierarquia do conhecimento da época.

Em outras palavras, o conhecimento secular era só válido se não contrariasse a fé, a doutrina da igreja (lembrando que isso ainda acontece nos dias atuais). Todo o desenvolvimento científico da época aconteceu apenas dentro dessa estrutura religiosa e não e nunca fora dela. 


Criação de Universidades

Mas por que e para quem a Igreja criou as universidades? Essa é uma pergunta que eu nunca vi ninguém responder. Bem, durante a Idade Média, a Igreja proibiu ativamente qualquer forma de educação que não estava sob controle absoluto.

Em outras palavras, criar as primeiras universidades não era um ato de iluminar as pessoas através da cultura e do conhecimento, era uma estratégia de congelamento mental, feito para controlar o pensamento da elite. Era para garantir que os futuros médicos, advogados e administradores do Reino pensassem dentro da caixa teológica da Igreja. A Universidade Medieval não era um espaço livre de ciência como sabemos hoje.

Era um centro para a formação de doutrina religiosa. A teologia era a matéria obrigatória e soberana. A filosofia foi permitida desde que provasse a existência de Deus e não poderia contrariar à Bíblia.


A Ciência

A ciência como conhecemos hoje apenas começou a avançar centenas de séculos depois, quando a Universidade começou a lutar para se libertar do controle da Igreja. A famosa separação de Igreja e Estado nunca aconteceu. É uma ironia histórica gigantesca.

As pessoas dizem que a Igreja criou as universidades, mas esquecem que ela também criou os incêndios que queimaram professores e alunos que tentaram pensar fora da doutrina ensinada lá. Inclusive as escolas monásticas e em seguida, as universidades como a de Universidade de Bolonha (Itália), para o ensino de Direito, e a Universidade de Paris, para o ensino de Teologia, surgiram principalmente para suprir as necessidades de recursos humanos da própria Igreja. Sua função não era educar a população de camponeses ou fornecer pesquisas científicas puras para a contribuição científica social.

A educação servia para os propósitos funcionais religiosos e ideológicos da Igreja. Ela nem estava aberta para o público. Você não podia fazer um vestibular de entrada para poder frequentar à universidade. A Igreja nunca permitiu isso. Isso aconteceu muito mais tarde. 


Controle e Manipulação Religiosa Social

Por mais de mil anos, você podia ser apenas um professor, médico, pesquisador, artista, e qualquer coisa que envolvesse o intelecto, se você se declarasse cristão. Não era uma escolha, era uma obrigação social. Sem se declarar cristão ou sem se submeter ao controle da igreja, você não tinha licença de fazer absolutamente nada.

E mesmo sem fazer exercer absolutamente nada, você não poderia ter nenhuma função ou posição de importância, se você se declarasse contra a religião, ou ficar sem religião, ou mesmo que fosse um crente de outra religião, você seria punido, com a morte, pela própria Igreja. E não podemos continuar fingindo que não sabemos disso.


Os Primeiros Cientistas Cristãos da Europa

Então, é muito óbvio que os primeiros cientistas na Europa cristã eram cristãos. Cientistas não cristãs foram proibidos. Qualquer um que desejasse pesquisar a natureza fora do dogma foi religioso, era considerado um herético, um bruxo ou um charlatão, isso quando não era assassinado pela igreja.

E a consequência lógica é que a História foi escrita pelos vencedores que, nesse caso, foram aqueles que controlavam o sistema religioso. E a prova definitiva de que o Cristianismo não promovia o progresso, mas, sim o regresso é só olhar para fora da bolha europeia. A erosão violenta que a o Cristianismo promoveu nos faz esquecer que outras culturas já estavam séculos, se não milênios, na frente dos europeus no quesito ciência, saber e conhecimento, e pasmem, sem precisar de nenhuma Bíblia.


Conhecimento Sem a Religião Cristã 

Os antigos egípcios, muito antes de Cristo, já tinham engenharia monumental capaz de construir pirâmides, matemática avançada e astronomia absurdamente precisa. 

Os chineses, uma civilização milenar muito mais sofisticada, nos deram o papel compassado, a bússola, pólvora, e a primeira prensa. Eles foram os primeiros a criar livros e coisas que completamente mudaram o curso do mundo.

Enquanto a Europa viveu a Idade das Trevas pelo regime ditatorial religioso cristão, o mundo islâmico experimentou sua época dourada desenvolvendo a álgebra, medicina moderna, criando hospitais, avançando em óptica e, ironicamente, preservando os textos de filósofos gregos que a igreja cristã ela mesma procurou queimar e proibir, como ela fez com o Serapeu ou Serapeum em Alexandria no ano 391, que foi destruído por ordem do patriarca cristão Teófilo I.

Os antigos gregos, antes de serem apagados pelo Cristianismo, nos deram filosofia, geometria, democracia e a ciência nascente. 


A Pergunta Óbvia

A pergunta que ninguém faz é, como é possível que tantas culturas, sem qualquer contato com o cristianismo ou com a Bíblia, foram não apenas avançadas, mas, em muitos casos, muito mais sofisticadas e evoluídas do que a Europa?

E a resposta é muito simples, porque a ciência e o progresso floresceram onde a religião cristã não controlava. O cristianismo sempre destruiu o conhecimento humano. O único livro que eles queriam que a humanidade tivesse acesso a era a mitologia bíblica.


A Religião Contra o Saber e o Conhecimento

Em 1499, a igreja queimou aproximadamente 5.000 manuscritos árabes em praça pública na cidade de Granada (Espanha), que eles consideraram obras heréticas e escrituras demoníacas. Durante a colonização espanhola, em 1562, a igreja ordenou que queimacem de milhares de códices e documentos Maias, considerando-os obras do diabo e cheias de superstições. Isso resultou em uma perda cultural incalculável.

Em 1559, a igreja católica instituiu o Index Librorum Proibitorum, o índice de livros proibidos de ler e estudar, pois para os religiosos, tais livros eram publicações literárias consideradas heréticas ou perigosas de procedências malígnas e diabólicas. Essa política resultou na queima ampla de livros individuais e coleções privadas ao longo dos séculos. Isso sem nem mencionar as centenas de histórias, conhecimentos e tradições de povos que nunca vamos conhecer ou ler uma linha, porque foram completamente apagados da história pela igreja.

Essa é a verdadeira e documentada contribuição da igreja à humanidade. O cristianismo não só não contribuiu, mas ativamente impediu a humanidade de progredir. E isso é imensurável e lamentável.


Idade das Trevas

Tivemos um período de mais de mil anos de atraso científico na Europa, esse momento ficou conhecido como as Idade das Trevas, onde tivemos estagnação e atraso científico e filosófico em toda sociedade da Europa. 

Em um tempo em que o conhecimento era proibido, vidas eram controladas do berço ao túmulo pela igreja cristã. E o foco da existência humana era o que eles chamavam de salvação da alma, não o melhoria da vida aqui na Terra.

Os casos mais emblemáticos, conhecidos a todos, são de Galileu, que foi condenado à morte por dizer que a Terra revoltou ao redor do Sol, ao contrário do que as mitologias bíblicas disseram e Nicolau Copérnico, que apenas publicou seu trabalho em seu leito de morte por medo da Inquisição. 

Mulheres que praticavam medicina folclórica e possuíam conhecimento de ervas foram perseguidas e queimadas vivas como bruxas.

A lendária Biblioteca de Alexandria, um dos maiores tesouros do conhecimento antigo, que já estava em declínio, foi sistematicamente destruído por fanáticos religiosos. 


Mil anos de Atrasos

E a verdade mais pura é que se a cristandade simplesmente ficasse fora do caminho, se não tivesse imposto seu monopólio de poder e pensado na Europa, nós provavelmente estaríamos mais de dois mil anos a frente, no mínimo, estaríamos mil anos a frente no desenvolvimento científico, tecnológico e social. Isto não é uma figura de linguagem.


O Marketing Históricos Religioso

Então, de onde vem esta narrativa das contribuições da Igreja? Isto surge do marketing histórico dominado pela Igreja. Quando a ciência finalmente explodiu nos períodos do Renascentismo e do Iluminismo, a Igreja começou a perder algumas de suas capacidades de controle e moral para incendiar pessoas em praças públicas. A Revolução Científica não aconteceu por causa da Igreja.

A Revolução Científica aconteceu para barrar o domínio monopólico da Igreja. E como a instituição não podia mais incendiar cientistas, ela mudou sua estratégia, começando a tentar reclamar os crédito pelos avanços que apenas surgiram quando foi puxado fora do centro de poder científico e intelectual. É a tática mais antiga do manual dos opressores.

É como um assaltante que, após a polícia entrar no esconderijo, diz que ele salvou a vítima porque, no final, ele não matou ela. É uma insulta à inteligência humana e deve ser uma insulta aos sectores médicos, científicos e tecnológicos. Na minha opinião, deveria ser uma nota de repudio ao juramento médico e científico por este histórico nefasto e esse atraso de mil anos causado somente e diretamente pela religião e pela Igreja.


Pesando na Balança

Vamos pesar na balança as supostas contribuições de um lado, Universidades que ensinaram teologia obrigatória, caridades usadas como ferramentas de conversão e proteção contra a ineficiência do Estado, e um monte de cientistas que só poderiam estudar porque eles usavam um uma batina de padre. E eu não vou nem entrar nas falácias de que a religião oferece um sentido de comunidade e de propósito, porque qualquer campo de futebol aberto ao público promove a mesma coisa muito mais eficientemente, não a mencionar as alternativas sem poder e fora da religião que existem para o mesmo propósito, como AA por exemplo.


O Verdadeiro Estrago

Com esse histórico maléfico da religião e da igreja cristã, temos o verdadeiro estrago real, 2 mil anos de violência institucionalizada, 1500 anos de poder político absoluto, 800 anos de cruzadas e inquisição, 300 anos de escravidão legitimada pela Bíblia, perseguição e assassinato de qualquer um considerados dissidentes, judeus, pagãos, mulheres, gays, cientistas, pessoas pretas. O saldo moral do cristianismo é inegavelmente negativo e sanguinolento. A religião cristã não civilizou o Ocidente, a religião cristã monopolizou o Ocidente, e essa monopólio destruiu muito mais do que nunca construiu.

Mesmo se tudo o que eles afirmaram ter feito fosse verdade, e não é, ainda seria infinitamente, absurdamente pequeno comparado com o oceano de sangue, os milênios de escuridão que causaram o ar. E, de novo, esse debate não é sobre atacar a confiança pessoal de qualquer um. Eu sei, essas são verdades que a maioria de cristãos nunca ouviu falar e jamais querem ouvir.


A Verdadeira Mentira da Religião

Parece uma mentira, um ataque, mas não é. É história, está nos livros. O desafio é que você tem que olhar fora da Bíblia, fora da igreja, porque os religiosos nunca vão te dizer isso, a verdadeira história da igreja é sobre entender como a crença da crença funciona de verdade, essa ideia de que a crença é sempre boa, formou nossa mentalidade e nossa história. A falsa narrativa da contribuição da igreja é um poderoso instrumento para apagar os danos reais que ela criou, e isso previne uma reparação histórica e para manter a instituição religiosa como uma vaca sagrada, inatingível, intocável e isenta de críticas.


domingo, 23 de agosto de 2026

MISTICISMO QUÂNTICO

 


Misticismo quântico é um conjunto de crenças metafísicas pseudocientíficas e práticas charlatãs associadas. Essas crenças tentam relacionar consciência, inteligência e visões de mundo místicas e religiosas com os princípios da mecânica quântica e suas interpretações. O misticismo quântico é um exemplo de mau uso dos conceitos científicos por fazer interpretações distorcidas e equivocadas da mecânica quântica, por isso que é considerado por cientistas, filósofos e uma parte da sociedade como uma pseudociência.

O desenvolvimento da mecânica quântica ao longo do século XX fomentou muitos debates relacionados às diversas interpretações dos seus princípios, como o da dualidade onda-corpúsculo e o efeito do observador. No meio acadêmico, interpretações vão das mais tradicionais, como a de Copenhagen, até aquelas que propõem múltiplos universos. Entretanto, surgiram paralelas ao meio interpretações de teor altamente esotérico, as quais tentavam unir campos como o da física o da espiritualidade através da mecânica quântica, que seriam posteriormente classificadas como "misticismo quântico". Apesar de utilizarem de teorias do Albert Einstein para apoiar o misticismo quântico, o próprio cientista criticou essa atitute, especialmente por parte de físicos, dizendo que “Nenhum físico acredita nisso. Do contrario não é um físico”.

Em 1961, o físico Eugene Wigner propôs em seu artigo Remarks on the mind-body question ("Observações na questão mente-corpo") uma relação entre o observador consciente e fenômenos da mecânica quântica, que se tornaria parte da Interpretação de von Neumann-Wigner. Tal interpretação surgiu na tentativa de entender quando o colapso da função de onda aconteceria ao realizar uma medição. A teoria de Wigner era que o colapso apenas aconteceria quando um observador consciente interagisse com um objeto em superposição, como descrito pelo experimento mental do Amigo de Wigner. Embora fossem posteriormente servir de inspiração para outras mais esotéricas, as ideias de Wigner eram de caráter primordialmente filosófico, não sendo consideradas como "no mesmo espírito" que o misticismo daquelas que inspiraria. Ao final da década de 1970, Wigner já havia reconsiderado sua posição, e rejeitava o papel da consciência na mecânica quântica.


Movimento New Age - Nova Era

Na década de 1970, a cultura New age ("Nova Era") começou a incorporar ideias da mecânica quântica, uma tendência que se iniciou com livros como os de Arthur Koestler, Lawrence LeShan, entre outros que propunham que a área poderia explicar fenômenos da parapsicologia. Na mesma década, o Fundamental Fysiks Group ("Grupo de 'Fysika' Fundamental") emergiu como uma associação de físicos adeptos ao misticismo quântico e praticantes da parapsicologia, meditação transcendental e outras práticas místicas orientais. Inspirado em parte pela interpretação de Wigner, Fritjof Capra, um dos membros do grupo, escreveu, em 1975, o livro O Tao da Física, que popularizaria as místicas visões da Nova Era com relação à física quântica entre o público não-científico. O Fundamental Fysiks Group é visto como um dos agentes responsáveis pela "enorme quantidade de balela pseudocientífica" envolvendo a mecânica quântica.


Misticismo Quântico e a Auto Ajuda

O misticismo quântico foi trazido à tona mais uma vez na atualidade através de obras literárias de autoajuda. O Tao da física é considerado o primeiro livro de misticismo quântico e se tornou um sucesso mundial, traduzido para mais de 23 idiomas e com mais de um milhão de exemplares vendidos. Outro exemplo conhecido internacionalmente é o livro O Segredo, escrito por Rhonda Byrne, um best-seller mundial cuja principal ideia é baseada na Lei da Atração, segundo a qual nossos pensamentos se manifestam na realidade: pensar positivo trará coisas positivas a nossa vida e vice-versa. A autora alude à física quântica[20] como um fundamento científico à Lei da Atração, mas não há, na realidade, quaisquer evidências científicas que apoiem a ideia e, consequentemente, pela sua comum mas falsa associação com conceitos científicos, a Lei da Atração é considerada uma pseudociência.

Outros famosos autores de livros de autoajuda que apelam ao misticismo quântico para dar crédito a suas ideias são o Amit Goswami e o Deepak Chopra. O primeiro viria a criar cursos de "ativismo quântico" nos quais propaga o misticismo relacionado à área. Já o segundo, em suas obras, propõe a "cura quântica", a qual ele afirma (erroneamente) ser baseada nos mesmos conceitos que a mecânica quântica e que pode curar qualquer coisa doença, inclusive o câncer, e até mesmo o envelhecimento. Afirmações como essas, não incomuns na perigosa interseção entre as áreas do misticismo quântico e da saúde, geram críticas por parte de membros da comunidade científica, sobretudo médicos e físicos, mas também de céticos preocupados, a autores como eles.

No Brasil, essas críticas se estendem ao recente fenômeno do "coaching quântico", um dos principais meios pelo qual o misticismo quântico se alastra hoje no país. Livros brasileiros de autoajuda como o DNA Milionário, escrito pela "coach quântica" Elainne Ourives, aluna de um dos cursos de Goswami, prometem ensinar como "reprogramar sua mente e código genético, e 'cocriar' sua realidade" através dos alegados ensinamentos da mecânica quântica. A autora e os outros "coaches quânticos" são criticados não apenas por charlatanismo, mas porque, assim como os de Deepak Chopra, seus "ensinamentos" relacionados à saúde podem ser considerados perigosos e até criminosos. A atuação indevida de profissionais do coaching em outras áreas fora das suas competências, como psicologia, causou uma repercussão nacional tamanha que a proposta de criminalizar a prática no país se tornou oficialmente uma sugestão legislativa após conseguir mais de 20 mil assinaturas no site e-cidadania.


Frequências Vibracionais

Um dos conceitos mais conhecidos atualmente baseados no misticismo quântico é o das "frequências vibracionais", inventado por David. R Hawkins, que relacionou sentimentos, comportamentos e "visões de vida" a "frequências" em seu livro Poder Vs. Força, as quais mediu através de uma técnica pseudocientífica chamada cinesiologia aplicada. Sentimentos positivos eram atribuídos por ele "frequências" e "níveis de consciência" mais altos e vice-versa. Embora Rhonda Byrne em O Segredo e entusiastas da Lei da Atração associem as vagas "frequências vibracionais" de Hawkins e sua relação com os nossos sentimentos àquelas de partículas subatômicas para dar uma base científica às ideias, não há qualquer ligação entre os dois conceitos.


O Misticismo Quântico e a SARS Covid-19

O misticismo quântico deu base a medicamentos e tratamentos ineficazes contra o vírus, justificou descaso com relação às medidas de segurança e menosprezou a gravidade dele durante a pandemia. Em 2020, duas mulheres estadunidenses afirmaram "não terem a frequência vibracional para contrair o vírus" e que, por isso, não precisavam de máscaras. No Brasil, circularam textos em sites afirmando que o vírus "tem uma vibração de 5,5 Hz e morre acima de 25,5 Hz" e que "para seres humanos com vibrações mais altas, o vírus é uma gripe simples", o que não é verdade, não havendo qualquer relação entre as inexistentes "frequências vibracionais" e o vírus. Terapeutas da "Saúde Quântica" também dizem, erroneamente e sem qualquer embasamento científico, que as doenças pulmonares não são causadas pelo vírus SARS-CoV e sim pela tristeza e o medo causados pelo distanciamento social.