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domingo, 7 de junho de 2026

O BIG BANG NÃO GEROU O UNIVERSO


 

A física não afirma que o Big Bang criou o universo a partir do nada. O Big Bang não foi o início absoluto de tudo e nem criou o universo do nada. Em vez disso, o Big Bang é descrito como uma violenta expansão de algo que já existia: o espaço-tempo e a energia, E=MC².

Na verdade, o Big Bang descreve apenas o momento em que o universo passou a se expandir e esfriar a partir de um estado extremamente denso.


As principais evidências e razões pelas quais os cientistas acreditam que ele não foi o início absoluto incluem:

♦Limites da Matemática: A teoria da relatividade geral de Einstein indica que, no momento do Big Bang, a matéria e a energia estavam comprimidas em um ponto de densidade infinita, chamado de singularidade. Para a física, infinitos apontam as limitações das nossas teorias, o que sugere que havia leis ou um estado físico anterior que ainda não compreendemos totalmente.

♦A Falha da Singularidade nas Leis da Física: A ideia popular de que o universo surgiu de um ponto de tamanho zero e densidade infinita (uma "singularidade") é, na verdade, uma falha matemática. Quando as equações da Relatividade Geral de Einstein chegam ao momento do Big Bang, os resultados dão "infinito". Para os físicos, isso não prova uma criação do nada, mas sim que a teoria de Einstein falha ali e precisa ser substituída pela gravidade quântica.

♦Flutuações Quânticas: Na mecânica quântica, o "nada" não é um vazio absoluto, mas um "vácuo quântico" repleto de energia. Físicos estudam a possibilidade de que o universo tenha surgido de uma flutuação ou instabilidade nessa energia pré-existente. O espaço-tempo sempre existiu na forma de um vácuo quântico eterno, e o Big Bang foi apenas uma perturbação local que gerou a nossa bolha de universo.

♦Modelos de Universos Cíclicos ou Rebatimento: Diversos físicos teóricos propõem que o Big Bang não foi o começo de tudo, mas sim a transição de um universo anterior que se contraiu e depois se expandiu novamente, em um processo de "quique" (bounce). O universo passa por eternos períodos de contração e expansão, sendo o Big Bang apenas o início do ciclo atual.

Inflação Cósmica: A maior prova de que o Big Bang não iniciou o universo é o período conhecido como Inflação Cósmica. Antes do "Big Bang Quente", o espaço passou por uma expansão exponencial e ultrarrápida guiada pela energia do próprio tecido espacial. O Big Bang foi apenas o resultado final dessa inflação, quando essa energia se converteu em matéria e radiação.

O Problema do Horizonte - Uniformidade do Cosmos: A radiação cósmica de fundo (o eco do Big Bang) mostra que o universo tem exatamente a mesma temperatura em todas as direções. Se o universo tivesse surgido diretamente de uma explosão ou ponto inicial do Big Bang, regiões opostas do cosmos nunca teriam tido tempo de interagir para equilibrar suas temperaturas. Isso prova que existia um estado anterior (a inflação) que homogeneizou o universo antes do Big Bang.

Buracos Negros Mais Velhos que o Esperado: A descoberta de buracos negros supermassivos extremamente antigos (como o UHZ1, detectado pelo telescópio James Webb) que já existiam apenas 470 milhões de anos após o Big Bang desafia o modelo padrão. Eles são grandes demais para terem se formado no tempo disponível, sugerindo que certas estruturas ou sementes cosmológicas podem ter existido antes ou se comportado de forma diferente do previsto pelo Big Bang tradicional. Ou seja, o nosso universo pode ser o interior de um buraco negro que colapsou em um "multiverso" muito maior.


A FARSA DO BIG BANG



O ser humano sempre procurou especular, examinar e investigar as suas origens. Este conceito é mais que natural, porque, se nós existimos, certamente viemos de algum lugar. E, se nós viemos de algum lugar, as coisas que nos cercam, as coisas que existem, também vieram de algum lugar. Tudo tem uma origem, tudo tem um começo, isso. A questão é saber qual é a origem das coisas. E uma das teorias mais abordadas e mais aceitas é a teoria do Big Bang. 

Segundo o conceito da teoria do Big Bang, uma explosão de luz e matéria teve o resultado de uma grande expansão contínua e universal, que continua até os dias de hoje. E essa tal explosão ocorreu aproximadamente há 13,7 bilhões de anos. Essa explosão aconteceu em função da grande concentração de massa e energia. Os fundamentos dessa teoria são baseados nos resultados de observações feitas por físicos e astrônomos, que demonstram que o universo encontra-se em constante expansão. E essa questão do universo estar em constante expansão é uma verdade. Isso foi provado no ano de 1929, por um físico e astrônomo norte-americano, Edwin Powell Hubble. Ele provou que as galáxias afastavam-se umas das outras. E, se as galáxias se afastam umas das outras, é porque deve ter havido uma grande explosão, que, em inglês, se fala Big Bang.

Mas, muito antes de Edwin Hubble, pesquisadores observando o universo já falavam que ele estava em expansão. Temos como exemplo o astrônomo Vesto Melvin Slipher, que estudou os períodos de rotação dos planetas e as composições atmosféricas dos planetas. Ele também estudou as linhas espectrais de uma galáxia, como também as galáxias em espiral. Outro estudioso foi George Lemaître. Ele foi um padre, astrônomo e físico belga. Inspirado nos trabalhos de Vesto Melvin, George Lemaître estuda e formula a lei proporcional entre as distâncias e a velocidade de afastamento das galáxias. Ou seja, Lemaître propõe, nesse trabalho, o estudo do átomo primitivo, ou primordial, que mais tarde é reconhecido como a teoria do Big Bang.

Esse nome foi dado com deboche pelo pesquisador Fred Rowling. Ele era um opositor ferrenho da teoria do Big Bang. Ele era defensor da teoria do universo estacionário. Fred Rowling acerta em se opor à teoria do Big Bang, mas ele erra em defender a teoria de um universo estacionário. Todas as coisas estão caminhando para algum lugar. Nada fica parado.

E, finalmente, Edwin Powell Hubble, estudando os relatos de George Lemaître e também de Vesto Melvin e outros, ele descobre as então chamadas nebulosas, que depois descobriu-se que, na verdade, essas nebulosas eram galáxias. E essas galáxias se afastavam umas das outras. E esse afastamento se dá a uma velocidade considerada proporcional à distância que as separava. Com esses dados, Edwin Powell Hubble dizia que o universo estava em constante expansão. Que o universo está em expansão, disso não há dúvidas.

O problema mesmo é a teoria do Big Bang, porque o cambalacho que os cientistas falam é que a teoria do Big Bang não diz que o universo se originou de uma explosão propriamente dita. Porque a ocorrência de uma explosão pressupõe a existência de alguma coisa anterior que explodiu. E aí fica aquele impasse, tá? A teoria diz que o universo se originou de uma grande explosão ou não? Aí é que está. Os cientistas, nessa parte, vão falar igual falam os políticos e os religiosos, falsos profetas. Eles vão dizer uma coisa, dizer outra coisa, vão fugir pela tangente e vão ficar dando voltas, tudo para falar que, se colocar na ponta do lápis

Não existe o Big Bang. E como explica, então, a expansão do universo? Porque o universo está em expansão, então a conta não fecha. Não é errado dizer que não sabe; é simples eles falarem: o universo está em expansão, disso não há dúvidas, mas não sabemos como e por que o universo está em expansão. O que eles podem dizer? Eles podem dizer assim: é bem provável, é bem possível, mas não há como provar que o universo, que está em expansão, se iniciou em um ponto em comum, sabe-se lá onde e como no universo. E, de lá para cá, o universo está em expansão. Pode ser que tenha havido uma grande explosão. Pode ser, mas não tem como provar. Eles falando desta forma, ok, é honesto, é uma ciência crível, é uma ciência que podemos acreditar. Agora, da forma que eles fazem, passando essa mentira em documentários, nas revistas, nos jornais, na internet etc., aí não tem como.

Porque, se existe uma explosão, é óbvio que alguma coisa anterior a essa explosão fez com que essas coisas explodissem. Aí vão falar: “Ah, mas eram nuvens de gás e poeira, eram massa e energia”. Ok, então de onde vieram a massa e a energia? De onde vieram a nuvem e a poeira? E a poeira é o resultado de um objeto que era sólido. Não existe poeira por um acaso. Se existe poeira, é porque existiu antes um objeto sólido. Tudo o que existe surgiu de um ponto inicial. É impossível acreditar que alguma coisa surgiu do nada. Nada surge do nada e nada desaparece. Tudo vai para algum lugar. E, até hoje, ninguém conseguiu uma explicação honesta, plausível, comensurável, comprobatória e racional da teoria do Big Bang.

O que ocorreu antes do Big Bang? Não é errado dizer que não sabemos. É só dizer: não sabemos. As leis da física moderna não são capazes de explicar o que ocorre em um ponto onde a temperatura e a densidade são possivelmente infinitas em um volume igual a zero. Por que igual a zero? Porque é do ponto zero que surge alguma coisa. E a teoria do Big Bang é o pontapé inicial de tudo. E o que estava antes desse pontapé inicial? E é por isso que temperatura e densidade, porque estamos falando de uma explosão, são infinitas, só que o volume é igual a zero, porque é o início.

Muitos cientistas, em documentários, usam a teoria da relatividade de Albert Einstein. Isso é apelar. Quando o desespero bate à porta, a tendência é apelar para o que der, e a tábua de salvação é a teoria geral da relatividade de Albert Einstein. Só que não tem como explicar, nem a teoria de Albert Einstein ajuda. Usar a teoria de Einstein para ser uma das bases para a formulação da teoria do Big Bang é um tiro no pé, porque essa teoria não consegue explicar a existência de alguma coisa antes mesmo de haver o tempo.

E outra coisa: tudo o que existe é composto por átomos. Agora, num vazio, antes do Big Bang, não existem átomos. É o vazio. Então, se há um vazio, essa explosão do Big Bang nunca aconteceu. Sem dizer que isso iria contra as próprias leis da física, como, por exemplo, a lei da conservação da massa, de Antoine Laurent de Lavoisier. Segundo a lei de conservação da massa, de Antoine Laurent de Lavoisier, na natureza, nada se cria, nada se perde e tudo se transforma. Esse conceito é verdadeiro, é válido e é crível. Nada se cria automaticamente, como também nada se perde; tudo se transforma. Então, se no ponto zero, se antes da explosão, se no vazio, nada se cria, nada surge daí e também nada se perde, sendo assim, a teoria do Big Bang não explica como tudo se transforma e o universo, ao mesmo tempo, está em constante expansão.

Para ter havido o Big Bang, é obrigatoriamente haver um aumento na quantidade de matéria. Se pegar a lei da conservação da massa de Lavoisier, essa afirmação será desmentida. Isso sem contar com outras leis da física. E, para não ficar somente na lei de Lavoisier, eu tenho que falar de uma das muitas leis de Newton. Neste caso, eu vou usar a primeira lei de Newton, que é a lei da inércia. Segundo a lei da inércia de Isaac Newton, se um corpo está em repouso, ele tende a ficar em repouso. Agora, se um corpo está em movimento, ele tende a ficar em movimento. Agora, segundo esta primeira lei de Newton, que é a lei da inércia, o que gerou o nada, o vazio, o zero, a causar uma explosão? E tem um problema aqui, porque, para alguma coisa ficar em repouso, em movimento, tem que ser um corpo. Esse corpo pode ser sólido, líquido ou gasoso. Qual era o tipo de corpo?

Objeto ou sei lá o quê que estava no vetor zero do início das coisas para gerar esta explosão. Não foi gás, poeira, nem foi massa e nem energia, porque estamos no ponto zero, no vazio. E, se está em repouso, obrigatoriamente ele estará em repouso.

Aí muitos vão dizer: “É, mas o universo está em expansão, o universo está em movimento, alguma coisa gerou o movimento.” Sim, a segunda lei de Newton comprova a sua explicação. Tudo está em movimento, o universo está em movimento, mas isso não explica a origem do Big Bang. Explica o resultado, não a origem. Todas as leis da física explicam o resultado das coisas, não explicam o ponto zero antes do Big Bang.

Por que não explica? Porque não existe. A física só pode estudar as coisas que existem. A física não consegue estudar, especular, explicar as coisas que não existem. Antes do ponto zero, antes do Big Bang, antes da explosão, o que havia? Não sabemos. A questão é que, antes da formação do universo, só existia um único ponto em repouso e sem nenhuma força a atuar sobre ele. Agora a pergunta: como é que ele explodiu?

É como eu disse, nem vamos usar mais leis físicas, senão vamos implodir a teoria da explosão. Em uma grande explosão, os objetos obrigatoriamente, não tem jeito, têm que se afastar e continuar se afastando. E todos esses objetos, em uma explosão, irão se afastar de uma forma distribuída e concentrada em grupos, porque estamos falando de uma explosão. A dificuldade da teoria do Big Bang é somente esta.

Podem observar o universo à sua volta, mesmo sem binóculo. Vamos verificar que no universo tem uma coisinha chamada movimento angular. Porque, se houve uma grande explosão, então os objetos ter-se-iam movimentado em linha reta, porque é uma explosão.

Olha outro problema aqui: nada, mas absolutamente nada no universo se movimenta em linha reta. Podem reparar: Sol, Lua, planetas, asteroides, cometas etc. Nada se movimenta em linha reta. Todos os movimentos dos objetos do universo têm movimentos elípticos. O movimento elíptico é um movimento circular, só que não é um círculo perfeito, é um círculo oval. Isso é chamado de movimento elíptico. Tudo no universo circula meio que arredondadamente elíptico; nada em linha reta, absolutamente nada. Mesmo os que acreditam que a Terra é plana — sabemos que isso é um besterol —, esses vão observar que os movimentos planetários são elípticos, são circulares, são arredondados.

E uma explosão terá o resultado desses objetos fazendo uma trajetória em linha reta, se não, não é explosão. Qualquer explosão: pegue aí uma bombinha, um rojão, um morteiro, qualquer coisa. Explodiu, os objetos resultantes desta explosão se movimentarão, rápidos, claro, porque é uma explosão, mas em linha reta, e não em linhas circulares, arredondadas ou elípticas. E o universo se movimenta elipticamente.

Segundo a teoria do Big Bang, esta grande explosão é a maior força gerada que aconteceu no universo, e, até hoje, o universo sente o seu efeito. Ok, cadê o efeito da movimentação dos objetos que estão no universo em linha reta? Não existe.

E tem um outro agravante: esses objetos não giram no mesmo ângulo. Não é estranho isso? A galáxia de Andrômeda, por exemplo, gira da esquerda para a direita; a galáxia NGC 4622 gira da direita para a esquerda; as luas de Saturno giram, ao contrário umas das outras; e este fenômeno também acontece com as luas de Júpiter. Então, cadê essa grande explosão?

É difícil acreditar nessas coisas quando começamos a pensar, pesquisar e estudar.

A FARSA DAS DEZ PRAGAS DO EGITO



De uma perspectiva estritamente histórica e arqueológica, não há evidências diretas nos registros do antigo Egito que comprovem que as pragas ocorreram exatamente como descritas no livro bíblico do Êxodo. A narrativa é comprovadamente uma epopeia teológica fictícia e literária, e não um relato histórico real. 
Essas imprecações operavam pelo reconhecimento social da palavra dita com autoridade divina.

A Perspectiva Histórica e Arqueológica
A arqueologia convencional questiona fortemente a veracidade literal da narrativa bíblica.
♦Ausência de Inscrições Egípcias: Os antigos egípcios eram meticulosos em seus registros, documentando suas derrotas e desastres. No entanto, nenhum hieróglifo ou papiro egípcio sobrevivente do período do Novo Império menciona um colapso total do Estado, mortes em massa de primogênitos ou uma libertação repentina de milhões de escravos.
♦A Controvérsia do Papiro de Ipuwer: Alguns historiadores alternativos e defensores religiosos apontam para um documento antigo chamado Papiro de Ipuwer, que descreve um Egito em ruínas onde "o rio é sangue". No entanto, os egiptólogos tradicionais datam este texto do período do Médio Império, centenas de anos antes da cronologia tradicional de Moisés e do Êxodo. Eles o consideram um poema sobre anarquia política, e não sobre pragas literais.
♦Paralelismo literário: estudiosos observam que muitos elementos das pragas espelham "fórmulas de maldição" comuns entre os povos semitas ocidentais, usadas em antigos tratados do Oriente Próximo. As histórias podem ter sido escritas ou ampliadas séculos depois para servir como um testemunho simbólico do poder de Javé sobre os deuses do Egito.

Fórmulas de Maldições do Crescente Fértil
As maldições eram fórmulas rituais poderosas que invocavam divindades ou demônios para trazer o caos, a doença ou o exílio sobre os inimigos. Eram aplicadas por sacerdotes exorcistas especialistas conhecidos como āšipu.
♦Fórmulas de Proteção de Monumentos e Leis: Em estelas como o Código de Hamurabi e em pedras de demarcação de terras (kudurru), os reis selavam seus decretos invocando os grandes deuses (como Anu, Enlil e Ea) para destruir quem violasse a lei. 
♦Tabuletas de Exorcismo e Vinculação Maqlû: Em rituais contra a feitiçaria, o āšipu recitava encantamentos para devolver o mal ao feiticeiro ou invocar o deus do fogo para queimar a bruxaria, neutralizando a pessoa mal intencionada.
♦Fórmulas em Tigelas de Encantamento: Muitas vezes inscritas em recipientes de cerâmica para aprisionar demônios e fantasmas de mortos que traziam doenças, elas traziam fórmulas de isolamento e destruição.

No entanto, vamos fingir que tudo isso seja verdade, então vamos dar explicações esdrúxulas e ou naturais e quem sabe científicas convincentes que poderiam ter inspirado essas estorietas imaginárias.
♦1 - Água para Sangue: Provavelmente causada por uma proliferação de algas ou bactérias tóxicas (como a alga sanguínea Borgonha ) que deixaram o Rio Nilo vermelho, esgotando o oxigênio e matando os peixes.

♦2 a 4 - Rãs, Piolhos e Moscas: Com a morte dos peixes, os predadores naturais das rãs desapareceram, fazendo com que elas invadissem a terra em enxames. Quando as rãs morreram, suas carcaças forneceram um ambiente ideal para a reprodução de enxames de insetos, piolhos e moscas.

♦5 e 6 - Pestilência e Furúnculos: Os insetos picadores atuavam como vetores, disseminando doenças para o gado e causando furúnculos dolorosos em humanos e animais.

♦7 a 9 - Granizo, Gafanhotos e Escuridão: Esses eventos são frequentemente atribuídos a mudanças climáticas extremas ou erupções vulcânicas, como a antiga erupção massiva do vulcão Thera, no Mediterrâneo. Nuvens de cinzas teriam bloqueado o sol (a praga da escuridão) e causado anomalias climáticas, atraindo enxames de gafanhotos para a região.

♦10 - Morte dos Primogênitos: Uma teoria sugere que grãos armazenados, contaminados por mofo tóxico devido à umidade extrema causada por tempestades e insetos anteriores, envenenaram a população. Como os primogênitos tradicionalmente comiam primeiro e recebiam porções maiores, eles teriam sido os mais afetados.

Textos do Antigo Egito
♦Existem alguns escritos do antigo Egito que mencionam condições caóticas e catastróficas que lembram as descritas na Bíblia , embora ainda haja muito debate sobre se elas se referem exatamente às pragas do Êxodo.
♦As Admoestações de Ipu-Wer: Um papiro do Império Médio que descreve um período de grande convulsão social onde "o rio é sangue" e as pessoas sofrem com a falta de água potável.
♦A Profecia de Nefer-Rohu: Este antigo texto egípcio fala de um tempo em que o disco solar estará coberto e a terra estará em completa escuridão, sem sombras projetadas.


A VIDA APÓS A MORTE NA SUMÉRIA

 


Ao contrário do vasto conjunto de textos funerários do antigo Egito, não existem "guias" mesopotâmicos que detalhem a vida após a morte e o destino da alma depois dela. Em vez disso, as concepções mesopotâmicas antigas sobre a vida após a morte precisam ser reconstruídas a partir de diversas fontes de diferentes gêneros.

Muitos textos literários, sendo o mais famoso a Epopeia de Gilgamesh, contemplam o significado da morte, narram o destino dos mortos no submundo e descrevem ritos fúnebres. Outros textos provavelmente foram compostos para serem recitados durante ritos religiosos envolvendo fantasmas ou deuses moribundos. Dentre esses textos rituais, os mais notáveis ​​são Gilgamesh, Enkidu e o Submundo; A Descida de Ishtar ao Submundo; e Nergal e Ereshkigal. Outras fontes para as crenças mesopotâmicas sobre a vida após a morte incluem sepultamentos, inscrições em túmulos, textos econômicos que registram despesas com funerais ou cultos aos mortos, referências à morte em inscrições e editos reais, crônicas, cartas reais e privadas, textos lexicais, comentários de culto, textos mágico-médicos, presságios e fórmulas de maldição.

Além de pertencerem a diferentes gêneros, as fontes das crenças mesopotâmicas sobre a vida após a morte provêm de distintos períodos da história mesopotâmica e abrangem as culturas suméria, acádia, babilônica e assíria. Portanto, devemos ter cuidado para não considerar as crenças mesopotâmicas sobre a vida após a morte como estáticas ou uniformes. Como todos os sistemas culturais, as ideias mesopotâmicas sobre a vida após a morte se transformaram ao longo do tempo. Crenças e práticas relacionadas à vida após a morte também variavam de acordo com o status socioeconômico e diferiam dentro dos paradigmas religiosos oficiais e populares. Com isso em mente, no entanto, a continuidade cultural entre a civilização suméria e seus sucessores permite uma síntese de diversas fontes, a fim de fornecer uma introdução funcional aos conceitos mesopotâmicos da vida após a morte.


O Mundo Inferior

Os antigos mesopotâmios concebiam o submundo como o oposto cósmico dos céus e como uma versão sombria da vida na Terra. Metafisicamente, acreditava-se que ele se situava a uma grande distância do reino dos vivos. Fisicamente, porém, ficava subterrâneo e é poeticamente descrito como estando localizado a uma curta distância da superfície da Terra.

Os relatos literários sobre o submundo são geralmente sombrios. É descrito como uma “terra sem retorno” escura e a “casa da qual ninguém sai ao entrar”, com poeira em sua porta e trinco (Dalley 155). No entanto, outros relatos atenuam esse quadro desolador. Por exemplo, uma obra suméria conhecida como a Morte de Urnamma descreve os espíritos dos mortos se regozijando e festejando com a chegada da governante Urnamma ao submundo. Shamash, o deus sol da justiça, também visitava o submundo todas as noites em seu circuito diário pelo cosmos. Da mesma forma, a estudiosa Caitlín Barrett propôs que a iconografia funerária – especificamente o simbolismo relacionado à deusa Inanna /Ishtar, que descia e retornava do submundo – indica uma crença em uma existência após a morte mais desejável do que a descrita em muitos textos literários. Embora os humanos não pudessem esperar retornar à vida em exata imitação de Inanna/Ishtar, argumenta Barrett, ao utilizarem a iconografia funerária que representa Ishtar, eles poderiam tentar evitar os aspectos desagradáveis ​​do submundo do qual a própria Inanna/Ishtar havia escapado. O submundo mesopotâmico, portanto, é melhor compreendido não como um lugar de grande miséria nem de grande alegria, mas como uma versão atenuada da vida na Terra.

Uma das representações mais vívidas do submundo descreve uma "grande cidade " subterrânea (em sumério, "iri.gal") protegida por sete muralhas e portões, onde habitam os espíritos dos mortos. Na narrativa acádia " A Descida de Ishtar ao Submundo", Ishtar atravessa esses sete portões em sua jornada para o submundo. Em cada portão, ela é despojada de suas vestes e joias até entrar nua na cidade dos mortos. Diante de tais descrições, é notável que os ritos funerários mesopotâmicos para a elite pudessem durar até sete dias.

A comunidade de espíritos que habitava a “grande cidade” era por vezes chamada de Arallu em acádio ou Ganzer em sumério, termos de significado incerto. O sumério Ganzer também é um nome para o submundo e uma entrada para o submundo. Paralelamente à ideia mesopotâmica de autoridade divina no céu e na terra, o reino dos mortos era governado por divindades específicas, hierarquizadas e com um chefe supremo à sua frente. Em textos mais antigos, a deusa Ereshkigal (“Senhora da Grande Terra”) era a rainha do submundo. Mais tarde, ela foi substituída pelo deus guerreiro Nergal (“Chefe da Grande Cidade”). Um mito acádio, datado, no máximo, de meados do segundo milênio a.C., tenta resolver as tradições conflitantes, fazendo de Ereshkigal a esposa de Nergal. Assim como as divindades celestiais se reuniam regularmente em um conselho divino para proferir julgamentos para o universo, os governantes divinos do submundo eram auxiliados em suas decisões por um grupo de elite de divindades chamado Anunnaki.

É importante ressaltar que o submundo mesopotâmico não era um "inferno". Embora fosse entendido como o oposto geográfico dos céus, e embora seu ambiente fosse em grande parte uma inversão dos reinos celestiais (por exemplo, era caracterizado pela escuridão em vez da luz), ele não se opunha ao céu como uma possível morada para espíritos de mortos com base em seu comportamento durante a vida. O submundo mesopotâmico não era um lugar de punição nem de recompensa. Em vez disso, era o único destino no além para espíritos de mortos cujos corpos, túmulos ou estátuas de culto tivessem recebido os devidos cuidados rituais.


A natureza humana e o destino após a morte

Na epopeia babilônica antiga de Atrahasis, os deuses criaram os humanos misturando argila com o sangue de uma divindade rebelde chamada We-ilu, que foi especialmente sacrificada para a ocasião. Os humanos, portanto, continham um componente terreno e um divino. Contudo, o elemento divino não significava que os humanos eram imortais. Os mesopotâmios não tinham o conceito de ressurreição física ou metempsicose. Em vez disso, Enki (Ea, em acádio), a divindade suméria da sabedoria e da magia, decretou a morte para os humanos desde a sua origem. A mortalidade definia a condição humana fundamental e é até mesmo descrita como o destino (šimtu, em acádio) da humanidade. O eufemismo mais comum para morrer nos textos mesopotâmicos é "ir ao encontro do próprio destino" (Cooper 21). A busca pela imortalidade física, sugere a Epopeia de Gilgamesh, era, consequentemente, fútil. O melhor que os humanos podiam almejar era a fama duradoura por meio de seus feitos e realizações na Terra. A imortalidade, na medida em que era metaforicamente possível, se concretizou na memória das gerações futuras.

Os seres humanos eram considerados vivos enquanto tivessem sangue nas veias e fôlego nas narinas. No momento em que o sangue se esgotava ou o corpo exalava seu último suspiro, era considerado um cadáver vazio. A condição desse cadáver vazio é comparada ao sono profundo e, após o sepultamento, o corpo moldado em barro “retornava ao barro” (Bottéro, “Religião” 107). O eufemismo bíblico para a morte como sono (Nova Versão Padrão Revisada, 1 Reis 2:10; 2 Reis 10:35; 15:38; 24:6; 2 Crônicas 9:31) e a afirmação: “Tu és pó, e ao pó voltarás” (Gênesis 3:19; cf. Eclesiastes 3:20), apontam para o contexto cultural comum subjacente aos paradigmas da antiga Mesopotâmia e de Israel.

Os mesopotâmios não consideravam a morte física como o fim definitivo da vida. Os mortos continuavam uma existência animada na forma de um espírito, designado pelo termo sumério gidim e seu equivalente acádio, eṭemmu. O eṭemmu é melhor compreendido como um fantasma. Sua etiologia é descrita no épico babilônico antigo Atrahasis I 206-230, que narra a criação dos humanos a partir do sangue do deus morto We-ilu. O texto usa um jogo de palavras para conectar o eṭemmu a uma qualidade divina: We-ilu é caracterizado como alguém que possui ṭemu, “entendimento” ou “inteligência”. Assim, acreditava-se que os humanos eram compostos de um corpo corpóreo e algum tipo de percepção divina.

É importante ressaltar que as noções mesopotâmicas do corpo físico e do eṭemmu não representam um dualismo estrito corpo/alma. Ao contrário do conceito de psique no pensamento grego clássico, o eṭemmu estava intimamente associado ao cadáver físico. Alguns textos chegam a falar do eṭemmu como se fosse idêntico ao corpo. Por exemplo, o eṭemmu é às vezes descrito como "dormindo" na sepultura (Scurlock, "Morte", 1892) – uma descrição que ecoa relatos do cadáver ou pagaru. Além disso, o eṭemmu mantinha necessidades corpóreas como fome e sede, uma característica que será discutida com mais detalhes adiante. Também não está claro se o eṭemmu existia dentro do corpo vivo antes da morte (e, portanto, era uma entidade que se separava do corpo), ou se só passou a existir no momento da morte física (e, portanto, era uma entidade criada pela transformação de alguma força vital física). Em ambos os casos, após a morte física, o status do falecido mudava de awilu para eṭemmu. A morte era, portanto, um estágio de transição durante o qual os humanos se transformavam de um estado de existência para outro.

O eṭemmu não era imediatamente transportado para o submundo após a morte corporal, mas tinha que passar por uma jornada árdua para alcançá-lo. O sepultamento e o luto adequados do cadáver eram essenciais para a transição do eṭemmu para o outro mundo. Desde que os ritos funerários necessários fossem realizados, o fantasma precisava atravessar uma estepe infestada de demônios, cruzar o rio Khuber com a ajuda de um indivíduo chamado Silushi/Silulim ou Khumut-tabal (este último significando “Rápido, leve-me para lá!”), e ser admitido através dos sete portões da cidade do submundo com a permissão do guardião dos portões, Bidu (“Abra!”).

Ao chegar ao submundo, o eṭemmu era "julgado" pela corte dos Anunnaki e recebia um lugar em sua nova comunidade subterrânea. Esse julgamento e essa alocação não tinham natureza ética e nada estavam relacionados aos méritos do falecido durante sua vida. Em vez disso, tinham uma função clerical e confirmavam, de acordo com as regras do submundo, a entrada do eṭemmu em seu novo lar.

Contudo, o julgamento e a colocação do eṭemmu no submundo não eram inteiramente arbitrários ou neutros. Assim como existiam hierarquias sociais dentro das comunidades vivas, também existia uma hierarquia entre os fantasmas na “grande cidade” dos mortos. O status de um eṭemmu no submundo era determinado por dois fatores: o status social do falecido em vida e os cuidados póstumos que seu corpo e túmulo ou estátua de culto recebiam dos vivos na Terra. Reis como Urnamma e Gilgamesh permaneciam governantes e juízes dos mortos no submundo, e os sacerdotes permaneciam sacerdotes. Nesse aspecto, a ordem social subterrânea imitava a da superfície. Alguns textos, como Gilgamesh e Enkidu e o Submundo, indicam que o destino do falecido no submundo dependia do número de filhos que ele tinha. Quanto mais descendentes, mais privilegiada era a existência do eṭemmu no submundo, pois havia mais parentes para garantir a realização dos rituais póstumos necessários.

No submundo, o eṭemmu podia se reunir com parentes que o precederam na morte. Deve-se notar, contudo, que embora o eṭemmu fosse capaz de reconhecer e ser reconhecido pelos fantasmas de pessoas que o falecido conhecera em vida, esses fantasmas não parecem ter retido as características únicas da personalidade do falecido no mundo dos mortos.

Além do eṭemmu, acreditava-se também que os seres vivos eram compostos por uma emanação semelhante ao vento, chamada em acádio de zaqiqu (ou ziqiqu). Esse espírito era assexuado, provavelmente semelhante a um pássaro, e estava associado aos sonhos, pois podia deixar o corpo enquanto o indivíduo dormia. Tanto o eṭemmu quanto o zaqiqu desciam ao submundo após a morte física. Contudo, além das descrições de sonhos, o eṭemmu é mencionado com muito mais destaque do que o zaqiqu na literatura mesopotâmica. Isso pode ser devido ao fato de que, diferentemente do eṭemmu, o zaqiqu era considerado relativamente inofensivo e incapaz de interferir, positiva ou negativamente, nos assuntos dos vivos. Era, portanto, natural que um número maior de textos mesopotâmicos se concentrasse nos rituais apropriados para o eṭemmu, já que esses ritos visavam apaziguar o espírito do morto para que ele não assombrasse os vivos.


A relação entre os mortos e os vivos

Como indicado acima, o destino do eṭemmu após a morte corpórea dependia da realização dos rituais pós-morte adequados pelos vivos. Primeiro, os ritos funerários — especificamente o sepultamento do cadáver e o luto ritual — no momento da morte eram necessários para a jornada bem-sucedida do eṭemmu até o submundo e sua integração nele. Segundo, oferendas cultuais contínuas no túmulo do falecido ou (pelo menos no período pré-sargônico) na estátua de culto eram necessárias para garantir a existência confortável do eṭemmu no submundo. Vimos que o eṭemmu mantinha as necessidades de um ser vivo. Principalmente, necessitava de sustento. Contudo, o submundo era desprovido de qualquer alimento palatável. Como articula a Morte de Urnamma, “A comida do submundo é amarga e a água é salobra” (Cohen 103). O fantasma, portanto, dependia dos vivos para sua subsistência, que era providenciada por meio de oferendas de comida e bebida. A ausência de oferendas reduzia o eṭemmu à condição de mendigo no submundo. A principal responsabilidade pela realização dessas oferendas recaía sobre o filho mais velho do falecido. Scurlock relaciona os deveres póstumos com as leis de propriedade mesopotâmicas, postulando que “presumivelmente é por isso que [o filho mais velho] também recebia, costumeiramente, uma parte extra da herança” (“Morte”, 1888).

Tanto as classes não-elitistas quanto as elites necessitavam de tais rituais, mas a necessidade de cultos fúnebres para a elite era particularmente enfatizada. A principal diferença entre os cultos fúnebres para as classes não-elitistas e para a elite parece ter sido que, para as pessoas comuns, apenas os falecidos pessoalmente conhecidos por seus descendentes — como os familiares mais próximos — exigiam cultos eṭemmu individuais. Parentes distantes parecem ter se “fundido em uma espécie de ancestralidade coletiva” (Scurlock, “Death” 1889). Em contraste, as oferendas de culto real eram feitas individualmente a todos os ancestrais do rei reinante.

Enquanto as oferendas fossem feitas regularmente, o eṭemmu permanecia em paz no submundo. Fantasmas pacificados eram amigáveis ​​e podiam ser induzidos a ajudar os vivos, ou pelo menos impedidos de lhes causar dano. Uma pessoa que não recebesse os ritos funerários adequados ou as oferendas de culto, no entanto, tornava-se um fantasma inquieto ou um demônio cruel. Alguns casos em que isso podia ocorrer incluíam pessoas que não eram sepultadas, sofriam uma morte violenta ou outro fim não natural, ou morriam solteiras. Fantasmas cruéis perseguiam, agarravam, amarravam ou até mesmo abusavam fisicamente de suas vítimas, e também podiam possuí-las entrando em seus corpos através dos ouvidos. Eles também podiam assombrar os sonhos dos vivos. Doenças, tanto físicas quanto psicológicas, e infortúnios eram frequentemente atribuídos à ira de um eṭemmu inquieto. Por exemplo, o servo sofredor do poema babilônico Ludlul bēl nēmeqi lamenta seu destino:

"Uma doença debilitante se abateu sobre mim:

um vento maligno soprou do horizonte,

uma dor de cabeça brotou da superfície do submundo…

O irresistível [Fantasma] deixou Ekur"

[O demônio Lamastu desceu] da montanha. (Linhas 50-55, Poema do Justo Sofredor)


Os mesopotâmios desenvolveram muitos meios mágicos para lidar com fantasmas vingativos. Alguns métodos incluíam a confecção de nós mágicos, a fabricação de amuletos, a aplicação de unguentos mágicos, a ingestão de poções mágicas, o enterro de uma estatueta representando o fantasma e a oferta de libações enquanto se recitavam encantamentos.


Conclusões

Nas concepções mesopotâmicas da vida após a morte, a vida não terminava com a morte física, mas continuava na forma de um eṭemmu, um espírito ou fantasma que habitava o submundo. Além disso, a morte física não rompia a relação entre vivos e mortos, mas reforçava o vínculo entre eles por meio de um novo conjunto de obrigações mútuas. Assim como o bem-estar do fantasma no submundo dependia das oferendas dos vivos, o bem-estar dos vivos também dependia da propiciação e do favor adequados aos mortos. Em grande medida, essas crenças sobre a vida após a morte refletiam e reforçavam a estrutura social dos laços de parentesco nas comunidades mesopotâmicas.


A FARSA DO PARAÍSO ISLÂMICO E AS 72 VIRGENS



A promessa de 72 virgens no Paraíso não está escrita diretamente no Alcorão. A crença deriva de interpretações de certos Hadiths (ditos e tradições do profeta Maomé). 

Realmente, o livro sagrado do Islã, o Alcorão, descreve o Paraíso (Jannah) como um jardim repleto de rios, frutos e paz espiritual. Ele menciona a presença de companheiros celestiais puros, chamados de Húris (ou Hoor). No entanto, o Alcorão nunca especifica uma quantidade e usa termos que denotam pureza e beleza, sem o foco puramente sexual frequentemente propagado.


Jannah

É o conceito islâmico para o Paraíso ou Céu, traduzido literalmente como "Jardim". É a morada eterna de paz, felicidade e recompensa reservada aos justos e fiéis, descrita no Alcorão como um lugar de rios correntes, sombra fresca, palácios e contentamento infinito.

Na escatologia islâmica, Jannah é a recompensa final para aqueles que viveram uma vida de fé, paciência e boas ações, onde não existem dor, tristeza, velhice ou ódio.

É descrita como tendo jardins exuberantes, rios de água pura, leite, mel e vinho não inebriante. Os confortos e prazeres superam qualquer imaginação humana.

Embora os prazeres físicos sejam extensivamente descritos, a maior bênção para os crentes em Jannah é a proximidade e a contemplação de Deus (Alá), além da paz interior absoluta.


As Húris

O Alcorão menciona recompensas chamadas Húris ou Houris, traduzidas como "donzelas puras" ou "companheiras de grandes olhos". Elas são descritas como seres celestiais puros criados para os justos, não sendo descritas como mulheres humanas terrenas.


A Origem do Número

O número específico de 72 virgens não é encontrado no Alcorão. Ele vem de tradições (Hadith) consideradas autênticas (Sahih), especialmente uma narrada por Al-Tirmidhi, que descreve os luxos e as recompensas reservadas ao menor grau dos mártires ou crentes no Paraíso (Jannah).


Hadiths

Os Hadiths (ou hádices) são o conjunto de ditos, ações, aprovações e comportamentos atribuídos ao Profeta Muhammad. Eles servem como uma das principais fontes de orientação espiritual, moral e jurídica no Islã, complementando diretamente o Alcorão. Enquanto o Alcorão é considerado a palavra literal de Deus, os Hadiths registram a aplicação prática dessas leis no dia a dia da primeira comunidade muçulmana (a chamada Sunnah).

A menção ao número 72 aparece nos Hadiths, que são coleções de ditos e tradições atribuídos ao Profeta Maomé, registrados séculos após a sua morte. 

♦Hadith de Al-Tirmidhi: Uma das narrações mais citadas (considerada de autenticidade fraca ou isolada por vários teólogos) menciona que o menor prêmio para os habitantes do Paraíso incluiria 72 esposas celestiais.

♦Simbolismo: Para muitos historiadores e estudiosos da língua árabe, o número 72 não deve ser interpretado literalmente. Na cultura árabe antiga, esse número era usado como uma metáfora para expressar uma quantidade imensa, infinita ou abundante de bênçãos.


Húri

As Húris não são descritas apenas como mulheres humanas. A tradução literal do termo refere-se a seres com "olhos grandes e contrastantes".

♦Gênero: A palavra Houri é gramaticalmente feminina em árabe, mas a tradição islâmica aponta que o paraíso oferecerá companhias celestiais adequadas para o desejo de cada crente, havendo debates acadêmicos de que isso também se aplica a companheiros masculinos celestiais.

♦Para homens e mulheres: A maioria dos clérigos islâmicos contemporâneos defende que essas recompensas e companhias celestiais de extrema beleza e pureza estarão disponíveis para todos os crentes justos, sejam homens ou mulheres.

♦Interpretação metafórica: Muitas correntes do Islã interpretam essas descrições físicas de forma puramente alegórica, representando um estado de felicidade, paz espiritual e satisfação plena que ultrapassa a compreensão humana terrena.


Interpretações

Muitos estudiosos e teólogos islâmicos debatem esses textos. Enquanto visões mais literais apontam para recompensas sensuais e recompensas físicas, muitos muçulmanos e autoridades religiosas consideram essa descrição uma metáfora alegórica para a paz, beleza suprema e a generosidade de Alá, e não um harém literal no céu.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

A FARSA DO ARREBATAMENTO II


 

O arrebatamento não é uma doutrina cristã. Ele nem existia na cultura religiosa ou na teologia hebraica; não existia.

Primeiro, o cristianismo, na época, era uma dissensão do judaísmo. O cristianismo vai começar a ter suas origens com Constantino, o Grande e Papa Silvestre I. Embora o  Papa Silvestre I não compareceu pessoalmente ao Concílio de Niceia em 325 d.C. Devido à sua idade avançada, ele foi representado por dois legados: os presbíteros Vito e Vicente, além do bispo Ósio de Córdoba. Embora ausente, o Papa aprovou e confirmou as decisões do concílio.

A ideia de um arrebatamento da igreja surgiu muitos séculos depois dos apóstolos e não faz parte da Tradição da Igreja.


Textos

1 Tessalonicenses 4:16-17: É o texto mais direto. Paulo usa o verbo grego harpazo (arrebatado, levado à força). Ele afirma que os vivos serão "arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares".


1 Coríntios 15:51-52: Trata da transformação física que ocorre no mesmo instante. Ele afirma que "nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos"


João 14:1-3 (Jesus e João): Registrado pelo apóstolo João, Jesus promete voltar para "vos levar para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também".


Estes textos foram escritos para consolar os crentes que choravam pelos parentes mortos. Tem também a questão da crença iminente, de que os apóstolos viviam na expectativa de que Jesus poderia voltar a qualquer momento.

A palavra latina raptura (de onde vem "arrebatamento") é a tradução direta do termo grego harpazo usado por Paulo.

Temos um outro probleminha ai, que é a datação histórica do tal arrebatamento, até o ano de 1830 ninguém falava sobre o arrebatamento da Igreja como é tão conhecido nos dias de hoje. 

Isso foi feito por John Nelson Darby que nasceu no ano de 1800 e morreu no ano de 1882 ele se inspirou nos ensinos de um padre Jesuíta espanhol chamado Francisco Ribeira que nasceu no ano de 1537 e morreu no ano de 1591, nenhum reformador acreditava em um arrebatamento coletivo da igreja. 

A a ideia geral de que os cristãos vivos seriam "arrebatados" (elevados aos céus) no fim do mundo para se encontrar com Cristo sempre fez parte da teologia medieval, mas depende de como você define "arrebatamento". Se você está se referindo ao arrebatamento secreto e pré-tribulacionista (a ideia de que a Igreja será retirada do mundo de forma invisível antes de um período de sete anos de tribulação), você está correto: essa teologia de fato não existia na Idade Média. Ela só foi desenvolvida e popularizada a partir da década de 1830 pelo teólogo britânico John Nelson Darby.

Não havia a ideia de um "desaparecimento secreto" ou de duas etapas na volta de Jesus. Na arte medieval (como em afrescos e iluminuras do Juízo Final), os salvos aparecem sendo elevados visivelmente pelos anjos para encontrar Cristo, enquanto o mundo é julgado.


Padre Jesuíta Francisco Ribeira

Foi o padre Francisco Ribeira 1537-1591, padre jesuíta espanhol quem lançou as bases teológicas para o que hoje conhecemos como a doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista. Ele não inventou o arrebatamento moderno diretamente, mas criou o sistema de interpretação bíblica chamado Futurismo, essencial para que essa crença surgisse séculos depois.

Durante a Reforma Protestante, os reformadores utilizavam uma linha de interpretação chamada Historicismo. Eles afirmavam que as profecias de Daniel e do Apocalipse estavam se cumprindo ao longo da história humana e identificavam formalmente o Papado e a Igreja Católica como o Anticristo. 

Para combater essa narrativa desgastante para Roma, a Igreja Católica iniciou a Contrarreforma. A Ordem dos Jesuítas assumiu o papel de criar novas interpretações proféticas para desviar a culpa do Papa.

Em 1590, Francisco Ribera publicou um tratado de 500 páginas sobre o Apocalipse. Suas propostas centrais mudaram o entendimento escatológico da época. Ribera propôs que quase todo o livro do Apocalipse não se aplicava ao passado ou ao presente, mas sim a um futuro distante.

Ele argumentou que o Anticristo não seria uma dinastia ou cargo religioso (como o Papado), mas sim um único homem judeu literal que governaria o mundo por 3 anos e meio no fim dos tempos. Ao empurrar todos os eventos catastróficos e a figura do Anticristo para os momentos finais da história, ele tirou o foco crítico que estava sobre a Igreja de sua época.

Ribera estabeleceu que a última "semana" da profecia das 70 semanas de Daniel ocorreria inteiramente no futuro, separada das outras 69. Séculos mais tarde, na década de 1830, o teólogo anglo-irlandês John Nelson Darby pegou essa mesma estrutura futurista jesuíta (a separação da última semana) e adicionou um novo elemento: a ideia de que a Igreja cristã seria retirada da Terra secretamente (o Arrebatamento) antes que essa última semana de tribulação começasse. Dessa forma, embora os evangélicos modernos que pregam o arrebatamento secreto rejeitem a teologia católica tradicional, o esqueleto profético que utilizam baseia-se diretamente nos estudos criados por Francisco Ribera para defender o Vaticano no século XVI.


Invencionice Gospel

♦John Nelson Darby - 1830: Foi o criador do Dispensacionalismo, o sistema teológico que separou o destino da Igreja do destino de Israel. Foi ele quem propôs que a Igreja precisava ser retirada da Terra (no arrebatamento secreto) antes que a Grande Tribulação começasse.

♦Cyrus Scofield - 1909: Popularizou essa ideia ao incluí-la nas notas de rodapé de sua famosa Bíblia de Referência Scofield, que moldou o pensamento de grande parte do evangelicalismo moderno.


A FARSA DO ARREBATAMENTO I

 


Até o ano de 1830 ninguém falava sobre o arrebatamento da Igreja como é tão conhecido nos dias de hoje.  

Isso foi feito por John Nelson Darby que nasceu no ano de 1800 e morreu no ano de 1882 ele se inspirou nos ensinos de um padre Jesuíta espanhol chamado Francisco Ribeira que nasceu no ano de 1537 e morreu no ano de 1591, nenhum reformador acreditava em um arrebatamento coletivo e pré tribulacionista da igreja. 

Através da Bíblia Anotada de Scotfield esse ensinamento começou a ser anotado. 

Diferente das doutrinas centrais do cristianismo que datam de quase dois mil anos, a ideia de um arrebatamento secreto antes da tribulação ganhou força apenas em 1830 e também em 1909, com grande sucesso do lançamento da Bíblia de Estudos Scofield, antes da Primeira Guerra Mundial. 


A História

Esta estória falsa sobre o arrebatamento pré-tribulacionista da igreja tem sua raiz na farsante religião Católica Romana, um padre Jesuíta de nome Francisco Ribeira quem desenvolveu tal mentira para combater os protestos que as pessoas faziam contra o Catolicismo Romano. Pois os protestantes da época diziam que o Papa e o todo Clero eram a Besta e o Anticristo e os Demônios de Apocalipse 13. 

Para defender o sistema Católico, o padre Ribeira, juntamente com a Contra-Reforma com o Concílio de Trento 1545-1563, desenvolveu-se a herética e mentirosa teologia arrebatamentista pré-tribulacionista e secreta da igreja, que hoje é largamente ensinada nos templos evangélicos e nas suas faculdades de teologia.

Como todo ensino errado viraliza arregimenta seguidores e fanáticos, esta doutrina esdrúxula não poderia ser diferente, pois os pastores Samuel Roffey Maitland, James Todd, William Burgh e principalmente, John Nelson Darby se influenciaram pelo falso ensino Católico arrebatamentista pré-tribulacionista. 

Nelson Darby ficou muito famoso, ele foi uma figura muito influente entre os Irmãos de Plymouth, os Irmãos de Plymouth são diversos grupos evangelicos adenominacionais com origem em Dublin, na Irlanda, por volta de 1825.

Darby com o seu falso ensino influenciou um advogado chamado Cyrus Scofield, o qual, após converter-se, se tornaria ministro ordenado da Igreja Congregacional. Sua obra, a Bíblia de Referência de Scofield 1909, foi a responsável pela popularização do falso ensino do arrebatamento  nos Estados Unidos e em vários outros países que mais tarde a traduziram.

Para piorar a situação que já era desastrosa, no ano de 1990 os escritores pentecostais Tim LaHaye e Jerry Jenkins lançam uma série de livros hereges de ficção evangélica de nome Left Behind ou Deixados Para Trás, que depois vira filme com o mesmo nome. 


Bíblia de Estudo Scofield 

Foi lançada no ano de 1909 com as anotações do Pastor Scofield é uma farsa perigosa, pois em nenhuma parte os Apóstolos ou o próprio Cristo nos ensinou sobre a questão do arrebatamento pré-tribulacionista, é uma das Bíblias de estudo mais vendidas do mundo, e tem infelizmente ensinado erradamente desde que fora lançada no ano de 1909. A Bíblia foi crucial para a popularização do pré-milenismo e do estudo dispensacionalista, com mais de dois milhões de exemplares vendidos até o final da Segunda Guerra Mundial.

PROBLEMAS COMUNS NA AMÉRICA LATINA



Todos os países da América Latina são Subdesenvolvidos

Todos os países da América Latina são Pobres 

Todos os países da América Latina são Corruptos


Todos os países da América Latina tem problemas com o Crime Organizado (Narcotráfico)

Todos os países da América Latina tem problemas com a Desigualdade e Concentração de Renda

Todos os países da América Latina tem problemas com a Dependência Econômica 

Todos os países da América Latina tem problemas com a Violência Urbana

Todos os países da América Latina tem problemas com a Educação

Todos os países da América Latina tem problemas com a Instabilidade Política

Todos os países da América Latina tem problemas com a Distribuição de Renda

Todos os países da América Latina tem problemas com a Pobreza Urbana e Habitação Precária



Todos os países da América Latina tem Baixo Crescimento

Todos os países da América Latina tem Estagnação Econômica

Todos os países da América Latina tem Estagnação Estrutural

Todos os países da América Latina tem Baixo Valor Agregado

Todos os países da América Latina tem Moedas Fracas

Todos os países da América Latina tem Problemas com a Inflação

Todos os países da América Latina tem sua população sofrendo com o Analfabetismo Funcional

Todos os países da América Latina tem sua Imprensa Comunista

Todos os países da América Latina tem dependência de Recursos Naturais 



Todos os países da América Latina tem deficiência na sua Indústria

Todos os países da América Latina tem deficiência na Tecnologia

Todos os países da América Latina tem deficiência de Acesso à Água em Áreas Rurais

Todos os países da América Latina tem deficiência na sua Infraestrutura Escolar Deficitária



SEIS ERROS DA EVOLUÇÃO HUMANA

 





Figuras com aparência humana enfileiradas e ordenadas da esquerda para a direita: da criatura mais primitiva e simiesca chegando até o homem atual. A imagem transmite a ideia de uma evolução previsível, que transforma seres vivos em versões “melhores” de seus ancestrais, culminando no Homo sapiens, o homem moderno.

Essa representação é tão poderosa que já se fixou na memória de gerações como o “retrato” definitivo da evolução humana. Por isso ela é icônica: uma imagem com alto poder simbólico, reconhecida instantaneamente e capaz de resumir um momento histórico, um sentimento ou uma identidade cultural. Exemplos semelhantes desse fenômeno são: Albert Einstein mostrando a língua (1951), os Beatles atravessando a Abbey Road (1969) e Che Guevara de boina com o olhar fixo no infinito (1960).

A imagem de que tratamos aqui, contudo, tem nome, autor, data e objetivo original bem definido.


A origem da imagem da evolução humana

Comumente conhecida como “A Marcha do Progresso”, a obra foi criada pelo artista Rudolph Zallinger (1919-1995) para ilustrar o livro Early Man (“O Homem Primitivo”), do antropólogo Francis Clarck Howell, lançado pela editora Time-Life em 1965.

O livro fazia parte da mais ambiciosa coleção de divulgação científica já publicada: uma série de 51 tomos lançados entre 1961 e 1967. Traduzida para vários idiomas, foi um enorme sucesso global.

A ilustração de Zallinger, que a maioria de nós conhece parcialmente (com seis figuras), foi publicada originalmente em cinco lâminas desdobráveis. Elas mostravam 15 espécies de primatas conhecidas na época que poderiam ser consideradas ancestrais ou parentes dos humanos modernos. Alinhadas da esquerda para a direita, como se estivessem marchando em um desfile, as figuras compunham uma linha do tempo de 25 milhões de anos sob o título “O caminho para o Homo Sapiens”.

A maioria dessas espécies era pouco compreendida, e algumas eram comprovadamente quadrúpedes. Mesmo assim, para aprimorar a ilustração, Zallinger desenhou reconstruções eretas e perfeitamente alinhadas. O resultado estético ficou impressionante e rapidamente se popularizou, migrando para livros didáticos, jornais e revistas. A cena tornou-se familiar para multidões que nunca folhearam o livro original e sequer ouviram falar do seu criador.


As muitas versões e usos da imagem

O público interpretou “O caminho para o Homo Sapiens” como o desenho exato da linhagem humana, começando no Pilopithecus (o primeiro na linha, hoje considerado um ancestral dos gibões) e seguindo em linha reta até nós. Essa interpretação equivocada deu origem a todas as variações e paródias que conhecemos hoje, fazendo com que a ilustração ganhasse vida própria na cultura pop.

Dessa forma, o impacto visual superou o texto explicativo e a imagem tornou-se mais famosa do que a própria ciência por trás dela. Como ainda acontece nos dias de hoje, as pessoas ignoraram o texto original do livro que alertava:

“(…) Essas reconstruções são parcialmente hipotéticas(…) elas mostram como esses primatas extintos poderiam ter sido. (…) O período em que viveram pode ser visto na linha do tempo no topo da página: azul para os ancestrais dos grandes símios, vermelho e roxo para os hominídeos (…). As lacunas nas faixas correspondem à extinção da linhagem ou a lacunas no registro fóssil. Embora os ancestrais dos grandes símios fossem quadrúpedes, todos são mostrados aqui em pé para facilitar a comparação.” (HOWELL, 1970.)

O texto esclarecia, portanto, que a ilustração incluía a evolução de macacos e dos humanos lado a lado, apenas para fins de comparação. Mas esse detalhe crucial passou despercebido, e o mundo escolheu enxergar ali um progresso linear, direto e inevitável do macaco ao homem.


1. Linearidade falsa (evolução em linha reta)

O erro: a imagem sugere que a evolução humana aconteceu em uma linhagem única e linear, onde uma espécie deu origem diretamente à outra (Espécie A → Espécie B → Espécie C).

A realidade: a evolução não é uma linha, mas sim uma árvore ramificada cheia de galhos onde alguns se separam e outros param de crescer. Existiram diversas espécies pertencentes ao gênero Homo, e algumas linhagens desapareceram sem deixar descendentes (como os Neandertais). Houve longos períodos de coexistência entre espécies e até cruzamentos e misturas genéticas entre elas.  Os humanos modernos não são o fim de uma fila, mas os únicos sobreviventes de uma árvore outrora cheia de vida.


2. A ideia de “progresso” ou finalidade (teleologia)

O erro: o alinhamento passa a mensagem de que a evolução possui um objetivo final planejado: a perfeição do Homo sapiens. Dá a entender que as espécies anteriores eram apenas rascunhos “inferiores” inacabados.

A realidade: a evolução não tem uma meta final ou direcionamento para a perfeição. Ela avança por meio de mutações aleatórias e seleção natural, moldando os organismos para sobreviverem aos seus ambientes específicos naquele exato momento. Um chimpanzé atual está tão evoluído para o ambiente dele quanto o ser humano está para o seu.

Se a ideia de “progresso evolutivo” em direção à perfeição fosse verdadeira, seria difícil explicar a longevidade do Homo erectus, que sobreviveu por quase 2 milhões de anos, em comparação com os meros 300.000 anos do Homo sapiens. Em termos de sucesso de sobrevivência histórica, eles nos superam de longe: essa espécie adaptou-se a eras glaciais e migrou por três continentes sem qualquer tecnologia moderna, mostrando-se muito mais estável do que nós até aqui.

Além disso, nada garante que somos o “topo da evolução” ou o destino final. A evolução não parou em nós e é impossível prever o que será da nossa espécie daqui a 20.000 anos ou mais  diante de novas pressões seletivas (como novas doenças, mudanças climáticas brutais e os impactos de nossa própria tecnologia) que continuam agindo sobre o nosso DNA.


3. Substituição sequencial por extinção

O erro: visualmente, parece que à medida que um hominídeo dava um “passo à frente” e se modernizava, a versão anterior tornava-se obsoleta e desaparecia imediatamente. Esse erro alimenta a famosa e errônea dúvida criacionista: “Se o homem veio do macaco, por que os macacos ainda existem?”.

A realidade: novas espécies surgem por isolamento geográfico e especiação, frequentemente coexistindo por milhares ou milhões de anos com suas espécies irmãs ou ancestrais, sem que uma extinga a outra de forma imediata, obrigatória ou mecânica.


 4. Bipedalismo gradual e perfeito

O erro: a imagem mostra uma transição perfeitamente gradual da postura: o primeiro primata caminha totalmente curvado com os nós dos dedos no chão, e cada criatura subsequente vai se levantando progressivamente, ângulo por ângulo, até o homem moderno.

A realidade: não existe apenas um tipo de bipedalismo (andar sobre duas pernas). Uma galinha, um bonobo e um ser humano caminham de maneiras diferentes, embora todos sejam bípedes (ocasionais ou permanentes).

Os ancestrais hominídeos utilizavam formas específicas de bipedismo com base em suas respectivas anatomias. Eles não caminhavam necessariamente eretos, como a ilustração sugere; muitos eram bípedes parciais que ainda mantinham forte agilidade nas árvores. A postura ereta não evoluiu de forma matemática e geométrica como um relógio subindo ponteiro por ponteiro.


5. Inclusão de linhas evolutivas mortas e omissões de descobertas

O erro: a marcha misturou, na mesma fila, ancestrais prováveis com espécies que hoje sabemos que foram “becos sem saída” evolutivos (como o Paranthropus robutus, uma linha que se extinguiu sem deixar descendentes). Além disso, a imagem ignorou fósseis fundamentais já conhecidos na época.

A realidade: por questões de rivalidade acadêmica e política científica da época, a ilustração omitiu descobertas cruciais do arqueólogo Louis Leakey (como o Homo habilis e o Kenyapithecus). Isso gerou um anacronismo e uma imprecisão biológica histórica simplificando excessivamente os dados para criar uma sequência visual que parecesse fluida e limpa aos olhos do público.


6. Eurocentrismo e invisibilidade de gênero

O erro: o “destino final” da marcha é representado exclusivamente por um homem adulto, branco e com traços nitidamente europeus. As mulheres e todas as outras populações humanas globais foram completamente excluídas da ilustração.

A realidade: biologicamente, todos os seres humanos vivos hoje (africanos, europeus, povos originários americanos, asiáticos, aborígenes australianos etc.) pertencem à mesma espécie: Homo sapiens. A escolha de um europeu como o “modelo padrão” de humanidade reflete o viés eurocêntrico e racista da época, ignorando que a nossa espécie surgiu e se diversificou na África antes de povoar o restante do planeta.

Da mesma forma, a ilustração comete um apagamento de gênero ao retratar a evolução como uma linhagem puramente masculina. Sem o papel biológico, adaptativo e social das fêmeas hominídeas, a continuidade da nossa espécie teria sido impossível. A evolução não tem gênero, cor ou etnia preferencial.


Conclusão

Cessadas as análises, fica claro que “A Marcha do Progresso” funciona muito melhor como uma bela obra de arte publicitária do que como uma representação científica confiável. O seu maior pecado não foi a falta de dados da época, mas sim a tentativa de moldar a rica e caótica história humana para que ela coubesse em um design visualmente agradável, simétrico e de fácil consumo para as massas.

Nas seis décadas decorridas desde a publicação da ilustração de Zallinger, a paleoantropologia passou por uma verdadeira revolução. Inúmeras novas descobertas de fósseis, reclassificações de hominídeos já conhecidos e saltos tecnológicos monumentais — como métodos mais precisos de datação e o estudo do DNA antigo — transformaram o que sabíamos. Longe de simplificar o cenário, a ciência moderna provou que a história humana é imensamente mais complexa, dinâmica e repleta de lacunas fascinantes do que os cientistas de 1965 jamais poderiam prever.

Ao tentar nos colocar no topo de uma escada imaginária, a ilustração antiga nos cegou para a nossa própria fragilidade biológica. Ela nos fez esquecer que somos apenas um galho sobrevivente em uma árvore cheia de ramos cortados. Se quisermos entender o nosso verdadeiro lugar na natureza, precisamos abandonar a ilusão da fila indiana.

A evolução não é uma marcha triunfal em direção ao homem branco europeu; é uma teia complexa, contínua e sem destino final. E o Homo sapiens, com seus modestos 300.000 anos de história, ainda precisa caminhar muito para provar que tem o mesmo sucesso de sobrevivência daqueles que vieram antes dele.


Fontes

HOWELL, F. Clark; ZALLINGER, Rudolph. O Homem Pré-Histórico. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1970.

GOLDSCHMIDT, Andrea; GUIMARÃES, Simone. Desconstruindo imagens: representações visuais da evolução dos hominídeos e a problematização da “Marcha para o progresso”. Revista de Educação e Ensino de Ciências, 2026.

BIZZO, Nelio. Filosofia e História da Biologia, v. 15, n. 2, p. 85-104, jul.-dez. 2020.

BLAKE, Kevin. On the origins of  “The Match of Progress”.  Washington University, 17 dezembro 2018.

GOLDSCHMIDT, Andrea Inês;  GUIMARÃES, Simone. Descontruindo imagens: representações visuais da evolução dos hominídeos e a problematização da “Marcha para o progresso”.  Bio-grafia 19(36), janeiro 2026.

DIOGO, Rui; JACKSON, Fatimah et al. Not Just in the Past: Racist and Sexist Biases Still Permeate Biology, Anthropology, Medicine and Education. Evolutionary Anthropology, v. 32, n. 2, 2023.

ACHIAM, Marianne; MARANDINO, Martha. The communication of evolution is riddled with cultural stereotypes. University of Copenhagen Research News, 2022.