Seguidores

terça-feira, 3 de março de 2026

JOSÉ DO EGITO NUNCA EXISTIU

 


A existência histórica de José do Egito é duvidosa, pois não há evidências arqueológicas ou registros egípcios contemporâneos diretos que confirmem sua vida fora do relato bíblico de Gênesis, a questão da existência de José do Egito é um ponto de divergência entre a tradição religiosa e a historiografia acadêmica. Até o momento, não existem evidências arqueológicas diretas ou registros egípcios contemporâneos que mencionem um governador chamado José com a trajetória descrita na Bíblia. Embora elementos narrativos correspondam ao contexto egípcio, muitos especialistas consideram a história uma narrativa literária tardia ou teológica, não um registro histórico comprovado.

Arqueólogos não encontraram registros de um alto oficial semita chamado José, nem menções específicas a ele em papiros ou inscrições egípcias. Para a maioria dos historiadores e arqueólogos, José é considerado um personagem literário ou lendário. A ausência de seu nome em listas de vizires ou selos reais do Egito Antigo torna sua historicidade impossível de ser comprovada cientificamente no estágio atual das descobertas.

Alguns detalhes, como nomes egípcios, costumes e a descrição da fome, mostram familiaridade com o antigo Egito, o que, para alguns estudiosos, sugere base em tradições orais, enquanto outros argumentam que o texto foi escrito séculos depois.

Algumas correntes interpretam a narrativa de José como uma história de sabedoria ou um "novo Adão", focando mais em ensinamentos éticos e religiosos do que em fatos históricos.

A arqueologia trabalha com fragmentos, e a ausência de provas não é estritamente uma prova de que ele nunca existiu, mas a figura de José permanece no campo da fé e da teologia, sem confirmação científica definitiva, enquanto a narrativa bíblica é rica em detalhes, a comprovação histórica de José do Egito como figura real continua ausente. 

Uma hipótese comum tenta situar José no período em que o Egito foi governado pelos Hicsos (povos semitas), o que explicaria como um estrangeiro poderia ascender a um cargo tão alto. Contudo, não há provas documentais que liguem diretamente os Hicsos aos hebreus bíblicos.


AS 12 TRIBOS DE ISRAEL NUNCA EXISTIRAM PARTE 2



Supõe-se que as doze tribos descendam dos doze filhos de Jacó, Raquel, Lia, Bila e Zilpa, conforme descrito em Gênesis 29-30 e Gênesis 35, que viajaram com ele para o Egito e se tornaram uma grande nação. Isso é muito mais do que uma mera questão de laços familiares. Em Números — durante o êxodo, quando Israel já era uma grande nação — o povo de Israel é repetidamente retratado organizado por tribos, tanto no acampamento israelita quanto na ordem de marcha (Números 1, 2, 7, 10, 13, 26, 34). Em Josué, quando a terra prometida é conquistada, ela é dividida entre as tribos em patrimônios tribais (Josué 13:15-19:48). São “todas as tribos de Israel” que se unem para fazer de Davi rei (2 Samuel 5:1), e quando a Monarquia Unida dele e de Salomão se divide em duas, isso acontece segundo linhas tribais — geralmente dez para Israel, duas para Judá (1 Reis 11:31-35, 12:21, 23).

Quando Israel — e não Judá — foi conquistado pelos assírios, todas as suas tribos foram supostamente levadas para um exílio do qual nunca retornaram, o que dá origem à famosa tradição das “tribos perdidas de Israel”. De fato, neste texto, lemos que “nenhuma permaneceu, senão a tribo de Judá” (2 Reis 17:18). Mesmo assim, muitos anos depois, quando a própria Judá já havia sido conquistada, exilada e retornado da maneira usual, a dedicação do Segundo Templo teria sido acompanhada por um grande sacrifício, incluindo “doze bodes, segundo o número das tribos de Israel” (Esdras 6:17).

Fora da Bíblia Hebraica, pode haver uma única referência a uma tribo de Israel: a estela de Mesa, de meados do século IX a.C., talvez se refira à tribo de Gade. Por outro lado, temos inúmeros nomes registrados em inscrições epigráficas ao longo do primeiro milênio a.C., particularmente nos séculos posteriores, e ninguém parece se descrever como membro de uma tribo. A melhor evidência de que o Israel primitivo era organizado em tribos provavelmente é Juízes 5, que muitos estudiosos consideram o texto mais antigo de toda a Bíblia Hebraica, e que descreve uma batalha entre as tribos e (provavelmente) Jabim, rei de Canaã – a história é contada em Juízes 4, mas apenas o general Sísera é mencionado em Juízes 5. Contudo, como evidência, sua interpretação é mais complexa do que muitos estudiosos reconhecem. Não inclui Judá, Levi, Simeão ou Gade, e menciona outros grupos que normalmente não são considerados tribos plenas de Israel, como Maquir, Gileade e Meroz, sem indicar que devam ser entendidos de forma diferente das tribos mais conhecidas. Além disso, não sabemos ao certo como o texto foi editado ao longo do tempo.

Enquanto isso, o Pentateuco e o livro de Josué são geralmente meticulosos na descrição de detalhes tribais, até o último centímetro. Mas mesmo livros posteriores que contam a mesma história são, na melhor das hipóteses, vagos sobre o tema das estruturas tribais, e muitos outros livros não demonstram nenhum interesse no assunto. Os livros proféticos são especialmente notáveis ​​aqui, já que frequentemente nos fornecem um contexto histórico adicional, mesmo que incidental, para episódios bíblicos que, de outra forma, apareceriam em apenas um relato. Mas poucos profetas demonstram sequer consciência da importância da identidade tribal. Às vezes, pode ser difícil perceber – Efraim, Judá e Dã são usados ​​também como nomes de lugares geográficos, e os levitas aparecem com bastante frequência ao longo dos livros. Mas os fatos básicos são que há uma lista completa de tribos em Ezequiel 48, que muitas vezes é considerado uma edição do texto do período persa; Zebulom, Naftali, Efraim, Manassés e Judá são mencionados em Isaías 9; e a maioria das tribos nunca é mencionada nesses livros.

Então, onde isso nos leva? Bem, na minha opinião, a duas conclusões. Primeiro, é bastante provável que o Israel primitivo estivesse organizado em tribos de alguma forma. Juízes 5 é presumivelmente uma prova disso, pelo menos. No entanto, o quanto se assemelhava à visão familiar das doze tribos é uma questão muito mais difícil de responder. Em particular, nos últimos anos, vários estudiosos começaram a questionar se os primeiros judeus sequer se consideravam israelitas — por uma ampla gama de razões — e uma leitura direta de Juízes 5, na verdade, alimentaria essa discussão. O livro não inclui nenhuma das tribos mais consistentemente associadas a Judá do que a Israel, incluindo a própria Judá — e Simeão e Levi. Portanto, é possível que tenha existido um sistema tribal primitivo, mas apenas em Israel, enquanto Judá tinha algo diferente acontecendo. Talvez, em Judá, houvesse um sistema indígena, mas agora em grande parte esquecido, que incluísse vários grupos mencionados aqui e ali nas tradições referentes a Davi, mas não de forma consistente — os calebitas, os jerameilitas e assim por diante.

A segunda e mais importante conclusão, no entanto, é a seguinte: seja qual for a história real das doze tribos de Israel, essa história não explica o papel que a tradição das doze tribos desempenha na narrativa bíblica. Em vez disso, foi claramente o interesse dos autores exilados e pós-exilados no sistema tribal que lhe conferiu esse papel. Em primeiro lugar, a vasta maioria dos textos que descrevem as tribos é amplamente reconhecida como sendo desse período, e sua grande quantidade atesta a força desse interesse. Em segundo lugar, existe a tensão entre a forma completa e meticulosa como os arranjos tribais são descritos nos livros que correspondem à era heroica de Israel (Gênesis a Josué) e a forma vaga como os textos historicamente mais plausíveis dos livros de Reis tratam do assunto, o que sugere que estamos lidando com uma visão idealizada da identidade israelita. Existem, por exemplo, quinze listas tribais diferentes no Pentateuco, mas nem mesmo uma descrição completa de quais tribos faziam parte de qual reino e em que época. Provavelmente, o paradigma idealizado das doze tribos foi retroprojetado para o período das origens míticas porque era possível, enquanto as eras mais recentes da experiência israelita e judaíta resistiram com mais obstinação à centralização de um conceito que, no mínimo, não parece ter sido consistentemente importante. E, nesse aspecto, a tradição das doze tribos não difere de nenhuma outra tradição.

Em outras palavras, a ideia de que qualquer tipo de tradição simplesmente destila a memória de uma nação e a mantém estável por séculos pertence (ou deveria pertencer) a outra era acadêmica. Hoje, devemos reconhecer que tudo o que sobrevive, sobrevive porque aqueles que o escreveram encontraram significado nele, e que esse significado moldou a forma como a história foi contada. De maneira mais ampla, em qualquer geração, as visões de identidade estão sempre sendo remodeladas pelo tempo e pelas circunstâncias, e as tradições de identidade são remodeladas para se adequarem a elas. Assim, a tradição das doze tribos pode muito bem ter raízes em realidades mais antigas, embora o quão diferentes estas eram do paradigma permaneça uma questão em aberto. Como a temos, no entanto, a tradição é principalmente um reflexo de como os autores desses textos viam a si mesmos e ao seu mundo.


Material de Referência para este artigo do Blog: "O Mito das Doze Tribos de Israel: Novas Identidades Através do Tempo e do Espaço", de Andrew Tobolowsky professor associado do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade William & Mary, publicado pela Cambridge University Press.



AS 12 TRIBOS DE ISRAEL NUNCA EXISTIRAM PARTE 1

 


A arqueologia moderna  desafia a narrativa literal e cronológica das 12 tribos conforme descrita no livro de Josué e no Pentateuco. O consenso acadêmico atual tende a ver a narrativa das 12 tribos mais como uma construção teológica e identitária posterior do que um registro histórico exato de uma divisão familiar e territorial original.

A arqueologia demonstra que os primeiros israelitas (por volta de 1200 a.C.) não invadiram Canaã vindo do deserto de uma só vez, como relata o livro do Êxodo, mas surgiram gradualmente como uma cultura distinta dentro da própria região de Canaã, assentando-se principalmente nas terras altas.

Estudos de DNA e escavações indicam que os primeiros israelitas eram, na verdade, cananeus que se estabeleceram nas colinas centrais de Canaã por volta de 1200 a.C.. A cultura material (cerâmica e casas) desses assentamentos é quase idêntica à dos cananeus, sugerindo uma evolução interna e não uma conquista externa em massa.

Fora da Bíblia, não há registros arqueológicos contemporâneos da Idade do Ferro (1200-586 a.C.) que confirmem a organização das 12 tribos ou seus nomes como divisões administrativas. No entanto, evidências indicam a presença de tribos específicas mencionadas na Bíblia em momentos posteriores, como a menção da tribo de Gade na Estela de Mesa (século IX a.C.).

A arqueologia sugere que a identidade "Israel" se formou gradualmente a partir da união de clãs e grupos rurais. O número "12" é visto por muitos estudiosos como um símbolo teológico de plenitude e unidade nacional, criado posteriormente para representar a totalidade do povo, em vez de uma divisão genealógica exata desde o início.

O número 12 é simbólico (como as 12 constelações), representando o ideal de unidade do povo de Deus, muitas vezes usado para unificar grupos de tamanhos diferentes. 

A própria Bíblia apresenta listas de tribos que variam (às vezes sem Levi, ou dividindo José em Efraim e Manassés), sugerindo que a estrutura tribal mudou ao longo do tempo. A narrativa organizada das 12 tribos foi uma invenção ou formalização do Reino de Judá (sul) para incorporar as tribos do norte, especialmente após a queda de Samaria.

A arqueologia confirma a existência de dois reinos distintos: Israel (Norte) e Judá (Sul). O Reino do Norte era maior e mais rico, englobando a maioria das tribos mencionadas, enquanto Judá era menor e centrado em Jerusalém.

A arqueologia mostra que muitas das cidades que, segundo o livro de Josué, foram conquistadas pelas tribos, não estavam habitadas na época (ex: Jericó, Ai), ou mostram uma destruição em tempos diferentes, contestando uma conquista rápida e total.

A "identidade" israelita nos assentamentos da época é notada pela falta de ossos, tipologia de casas e cerâmica simples, indicando mais uma transição cultural e social do que uma conquista militar familiar.

A arqueologia confirma a existência do "Israel antigo" como um grupo de povos assentados nas colinas de Canaã no final da Idade do Bronze, mas indica que a estrutura de 12 tribos familiares organizadas é uma tradição teológica, possivelmente desenvolvida para dar coesão cultural e histórica ao povo, e não uma descrição literal dos fatos.

Achados em locais como Hazor e Meguido mostram camadas de destruição e reconstrução, mas nem sempre coincidem perfeitamente com os relatos de conquista de Josué.


Material de consulta para o artigo deste Blog: A Bíblia Não Tinha Razão? de Israel Finkelstein.


ABRAÃO - ISAQUE E JACÓ NUNCA EXISTIRAM

 

Abraão, Isaque e Jacó foram patriarcas bíblicos cuja riqueza era medida em gado, prata, ouro e muitos servos, sendo considerada uma bênção divina. Abraão era extremamente rico, Isaque prosperou a ponto de gerar inveja nos filisteus e Jacó acumulou grandes rebanhos, tornando-se poderoso em bens. 

As riquezas dos patriarcas bíblicos Abraão, Isaque e Jacó são descritas no livro de Gênesis como uma combinação de herança divina, trabalho estratégico e acumulação de bens materiais típicos da era nômade.

►Abraão: Era muito rico em gado, prata e ouro. A sua prosperidade foi acumulada durante sua jornada de fé e reconhecida como uma bênção de Deus. Além disso, ele investia em poços de água, que eram recursos valiosos na época. Abraão é descrito como "muito rico" em gado, prata e ouro. Sua fortuna não veio apenas de posses, mas de uma estrutura quase empresarial para a época: 

Servos e Exército: Possuía centenas de servos treinados, o suficiente para formar um exército particular de 318 homens.

Alianças e Respeito: Era reconhecido como um "príncipe de Deus" entre as nações vizinhas, o que facilitava o comércio e a posse de terras. 

►Isaque: Prosperou continuamente, tornando-se muito rico e poderoso. Ele colheu cem vezes mais do que semeou em um ano e possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam. A sua riqueza também incluiu a reabertura de poços cavados por seu pai, Abraão.

Diferente de seu pai, Isaque expandiu a riqueza através da agricultura e da persistência em recursos hídricos: 

Colheita Centuplicada: A Bíblia relata que ele semeou em tempos de fome e colheu cem vezes mais no mesmo ano.

Domínio de Poços: Sua riqueza em gado era tão vasta que gerava inveja nos filisteus. Ele prosperou reabrindo poços antigos e cavando novos, garantindo a sobrevivência de seus enormes rebanhos.

►Jacó: Acumulou vasta fortuna em rebanhos (ovelhas e cabras) através de estratégias de criação durante seu tempo com Labão. Ele reconheceu que sua riqueza foi resultado da bênção de Deus, que o ajudou a prosperar apesar das dificuldades. 

Em resumo, as riquezas desses patriarcas eram visíveis e demonstradas através da posse de grandes rebanhos, metais preciosos e servos, frutos de sua obediência a Deus e trabalho estratégico.

A riqueza de Jacó foi construída principalmente durante os 20 anos em que trabalhou para seu sogro, Labão: 

Melhoramento Genético: Jacó utilizou técnicas de reprodução (orientadas por visão divina) para garantir que as ovelhas e cabras mais fortes e listradas fossem as suas. Ao sair de Padã-Arã, ele possuía grandes rebanhos, servos, servas, camelos e jumentos.

Estamos falando de uma das famílias mais ricas de sua geração, nos dias atuais, eles seriam tidos como Bilionários, fora da Bíblia, não temos nenhum relato, inscrição, fragmento da existência destes patriarcas. 


Tom Meyer

Também conhecido como "The Bible Memory Man" (o homem da memória bíblica), é um professor de estudos bíblicos do Shasta Bible College que utiliza a arqueologia para validar as narrativas dos patriarcas bíblicos. Tom Meyer é reconhecido por memorizar mais de 20 livros completos da Bíblia, trazendo uma perspectiva única que combina o conhecimento do texto bíblico com achados arqueológicos.

Em seu livro "Archaeology and the Bible: 50 Fascinating Finds That Bring the Bible to Life"("Arqueologia e a Bíblia: 50 descobertas fascinantes que trazem a Bíblia à vida"), Meyer explora como descobertas arqueológicas conectam os relatos do Gênesis com evidências históricas.

Meyer argumenta que a arqueologia fornece uma grande quantidade de evidências (um "tsunami de evidências") que corroboram a veracidade histórica da Bíblia, transformando o que alguns consideram mitos em história confiável.

Contexto da Era dos Patriarcas (c. 2000–1700 a.C.): O foco de Meyer está em demonstrar que os lugares, costumes e povos mencionados em Gênesis condizem com o cenário arqueológico do antigo Oriente Próximo durante a época dos patriarcas.

Embora ele utilize descobertas para ilustrar a Bíblia, Meyer enfatiza que a autoridade da Bíblia não depende da arqueologia para ser verdadeira, mas que essas descobertas ajudam a sustentar a fé e defender a confiabilidade das Escrituras.


Falhas nos Estudos de Meyer

Tom Meyer não leva em consideração que os costumes bíblicos dos Patriarcas, são na verdade os costumes de todos os povos da região, tais costumes vem desde a pré-história e remonta os Sumérios, Acádios, Gutios, Elamitas, Amoritas, Cassitas, Hititas, etc. bem antes da Bíblia. Portanto, não é um costume Bíblico, é sim um costume do povo da Mesopotâmia e de todo crescente fértil.

O Livro "Archaeology and the Bible: 50 Fascinating Finds That Bring the Bible to Life" é acusado por ser  focada em apologética cristã e criacionismo, até ai, tudo bem, o problema é que o livro de Tom Meyer é usado com viés de confirmação, onde a arqueologia é usada seletivamente apenas para "provar" o texto Bíblico, em vez de deixar que os dados falem por si mesmos, independentemente da narrativa religiosa, o problema da arqueologia seletiva é muito conveniente pra a teologia cristã.

O livro é categorizado como um livro didático para educação de adultos e evangelismo. Por ser uma obra de introdução e curta (cerca de 160 páginas), ela necessariamente omite descobertas arqueológicas que são mais difíceis de harmonizar com o texto bíblico, o que pode dar ao leitor leigo uma visão excessivamente simplista da relação entre a pá do arqueólogo e as Escrituras. O livro foca em apenas 50 descobertas para cobrir 2.000 anos de história.

Não se trata de um relatório técnico de escavação (peer-reviewed), mas de uma obra de divulgação. Portanto, falta-lhe o rigor de discutir contra-argumentos ou incertezas técnicas que são padrão em publicações científicas de arqueologia.

As falhas dependem do que você busca: se procura uma defesa da fé, o livro cumpre seu papel; se busca um debate arqueológico neutro, ele será visto como unilateral. A falhas são  baseadas em divergências de metodologia e interpretação religiosa e não científica. 


Arqueologia e História Levados a Sério

Após mais de um século de escavações, arqueólogos como William G. Dever afirmam que não há registros contemporâneos que confirmem esses patriarcas como figuras históricas individuais. William G. Dever é um dos principais defensores da perspectiva acadêmica de que os patriarcas bíblicos, Abraão, Isaque e Jacó não existiram como figuras históricas reais, conforme descritas no Gênesis. 

William G. Dever "todos os arqueólogos respeitáveis desistiram da esperança de encontrar qualquer contexto que tornasse Abraão, Isaque ou Jacó figuras históricas confiáveis".

A arqueologia demonstra que os relatos patriarcais contêm anacronismos detalhes que só existiam muito tempo depois de quando os patriarcas teriam vivido (por exemplo, a menção a filisteus e camelos domesticados).

Para a maioria dos historiadores e arqueólogos, incluindo Dever, essas histórias são consideradas lendas construídas ou contos populares de períodos muito posteriores (provavelmente durante o exílio babilônico ou pouco depois, séculos VI ou V a.C.) para criar uma ancestralidade comum para o povo de Israel. Abraão, Isaque e Jacó não são confirmados arqueologicamente e historicamente.

A arqueologia e a história abordam as figuras bíblicas de Abraão, Isaque e Jacó não como personagens comprovados por evidências diretas (como inscrições contemporâneas a eles), mas sim contextualizando-os dentro da "Era dos Patriarcas" (final do terceiro milênio a.C. até meados do segundo milênio a.C.).

As descobertas arqueológicas mostram que as histórias de Gênesis, como os costumes de herança, contratos de compra de terras e alianças de casamento, condizem com o cenário da Suméria e toda Mesopotâmia e Canaã do Médio Bronze, período em que os patriarcas teriam vivido.

Arqueólogos encontraram na região de Harã (atual Turquia) aldeias com nomes dos familiares de Abraão, como Terá (seu pai) e Naor (seu avô), o que corrobora a localização geográfica do relato bíblico, mas estas cidades, são localidades que são mais antigas que o relato bíblico, são cidades que existem desde os períodos Sumério, Acádio e Gútio.


Faraó Yakub-Har e Jacó

Pesquisas no Egito e Israel descobriram selos da época dos hicsos (povos semitas) contendo o nome "Yakub-Har" ou Yakob-Har em egípcio, o que é similar à raiz do nome Jacó e indica a presença e relevância de pessoas com esse nome na região na mesma época.

Meruserre Yaqub-Har ou Yakubher,  também conhecido como Yak-Baal, foi um faraó do Egito durante o século XVII ou XVI a.C. Como ele reinou durante o fragmentado Segundo Período Intermediário do Egito, é difícil datar seu reinado com precisão, e até mesmo a dinastia à qual ele pertencia é incerta.

Yaqub-Har é atestado por cerca de 27 selos de escaravelho: 3 de Canaã, 4 do Egito, 1 da Núbia e 19 de proveniência desconhecida. A ampla distribuição geográfica desses escaravelhos indica a existência de relações comerciais entre o Delta do Nilo, Canaã e Núbia durante o Segundo Período Intermediário. Mas ainda assim, não encontramos nada sobre o Patriarca Jacó.

A dinastia à qual Yaqub-Har pertence é debatida, sendo Yaqub-Har considerado ora um rei da 14ª dinastia, ora um dos primeiros governantes hicsos da 15ª dinastia, ora um vassalo dos reis hicsos.

Estamos falando de um Faraó, um rei no Egito, já o personagem Jacó, não pertencia ao reinado do Egito, não pertencia à realeza e nem ao círculo familiar dinástico egípcio. Segundo o relato bíblico, ele era da família de Abraão e Isaque.


Etimologia

O nome Yakub-Har significa "Protegido por Har", onde Yaqub é uma forma de Jacó ("que [Deus] proteja") e Har (ou Her) é um elemento teofórico, possivelmente o nome de um deus.

O nome é composto por dois elementos, frequentemente lidos como Yaqub (Jacó) e Har (ou Her).  O termo Har é associado a um deus, não necessariamente egípcio, mas sim semítico ocidental ou amorita.

Yaqub é um nome de origem amorita/semítica ocidental, paralelo ao bíblico Jacó (Ya-ah-qu-ub-El), significando "que [Deus] proteja".

Devido à ambiguidade dos hieróglifos, o nome foi interpretado por alguns como "Yaqub-Baal" ou "Yaqub-El" em contextos mais antigos, mas Yaqub-Har é a forma mais comum nos escaravelhos desse rei. Temos que levar em consideração que o termo El, é um termo Sumério, que quer dizer Senhor, Dono, Marido, é o primeiro nome do Deus El Lil ou En Lil. 

O nome Baal também quer dizer Senhor, Marido, Dono.

Yaqub-Har foi um governante de origem asiática (hicsos) que utilizava um prenome egípcio, Meruserre. 

O nome Jacó tem origem hebraica, derivando de Ya'akov (יעקב), que significa literalmente "aquele que segura pelo calcanhar" ou "calcanhar" ('aqebh). A raiz etimológica está ligada ao relato bíblico de seu nascimento, no qual nasceu agarrando o calcanhar de seu irmão gêmeo, Esaú, indicando também o sentido figurado de "suplantar" ou "substituir". 

A etimologia reforça o papel de Jacó como o segundo gêmeo que busca superar o primeiro (Esaú), tornando-se o patriarca de Israel.

Embora não haja um "selo de Abraão", as descobertas demonstram que os hábitos nômades ou seminômades descritos, como o de comprar terras (em vez de conquistá-las), coincidem com as práticas da época.


Os 'Apiru

Os primeiros israelitas surgiram no final da Idade do Bronze, não tanto por uma conquista militar maciça, mas pela sedentarização de grupos nômades e rurais em Canaã, muitos dos quais poderiam ser classificados como Apiru/Habiru. 

Nem todos os Apiru eram hebreus, também não eram um grupo étnico ou uma nação específica, mas uma classe social descrita em documentos egípcios e mesopotâmicos do segundo milênio a.C.. Eles eram nômades, trabalhadores braçais, mercenários, refugiados ou pessoas que viviam à margem das cidades-estado de Canaã, "sem laços com estruturas políticas estabelecidas".

Os Hebreus faziam parte do grupo social mais amplo dos Apiru/Habiru. O termo Apiru desaparece dos registros históricos na mesma época em que a nação de Israel se estabelece em Canaã.

Os primeiros israelitas não foram invasores externos (como no relato de Josué), mas sim grupos de Apiru locais e camponeses cananeus que se revoltaram contra as cidades-estados e formaram uma nova sociedade igualitária nas montanhas de Canaã. Israel surgiu de uma mistura de povos semíticos já presentes em Canaã, incluindo grupos Apiru, nômades Shasu e camponeses locais.

Como eu já disse, nem todo Apiru se tornou israelita, mas o grupo original que formou Israel incliu elementos Apiru que buscavam refúgio e independência.


Escravos no Egito

Os Apiru ou Habiru/Hapiru eram frequentemente escritos em documentos egípcios como trabalhadores forçados, escravos, prisioneiros de guerra ou mercenários estrangeiros de classe social inferior entre 1550–1069 a.C.. Eles não eram um grupo étnico único, mas sim pessoas marginalizadas, muitas vezes de origem semítica, trabalhando em serviços pesados no Egito.  Documentos, incluindo as Cartas de Amarna, descrevem os Apiru servindo a faraós ou trabalhando no Delta do Nilo. 

Registros egípcios do Médio Império (aprox. 2000-1600 a.C.) mencionam escravos com nomes semíticos trabalhando em residências, indicando uma grande presença dessa classe no Egito,  os Apiru representam uma categoria socioprofissional de trabalhadores forçados e marginalizados, na qual os hebreus se enquadravam durante o período de servidão no Egito.

Não há registros de uma nação Israelita neste período, não tem documentos, iscrições ou algo do tipo que mencione ou mostre os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, ou seja, 12 Tribos sendo escravos no Egito. 


O Povo de Isrel é Sitado de 1200 a. C.

A evidência extra-bíblica mais antiga que menciona o nome "Israel" é uma inscrição do faraó egípcio Merneptá, datada de cerca de 1208 a.C.. Nesta estela, "Israel" é mencionado como um grupo de pessoas ou tribo que já habitava a região de Canaã. 

 Arqueólogos identificaram o surgimento de centenas de pequenas aldeias não fortificadas nas terras altas de Canaã (região central) por volta de 1200 a.C.. Essas aldeias indicam uma mudança social e a formação de um grupo populacional distinto dos cananeus da costa, marcando o início da presença israelita na terra. Abraão, Isaac, Jacó não são os Patriarcas fundadores da nação Israeliga, como é relatado.


O Atigo Testamento

O Antigo Testamento não foi escrito inteiramente no exílio babilônico, partes da obra, foi escrito sim no Cativeiro Babilônico. Embora existissem tradições orais e textos escritos séculos antes (como as fontes javista e eloísta do século X ao VIII a.C.), foi no exílio que a identidade judaica se consolidou por meio da escrita. A crise da perda do Templo e da terra impulsionou os escribas e sacerdotes a registrarem formalmente as tradições orais para preservar a fé monoteísta. A chamada "Fonte Sacerdotal" foi desenvolvida nesse período, 80% da Bíblia Hebraica ( Antigo Testamento) foi escrita ou editada durante e logo após o exílio.

Textos como os primeiros capítulos de Gênesis mostram paralelos diretos com a literatura babilônica, muitas vezes escritos como uma resposta teológica (polêmica) às crenças dos captores, surgiram ou se aprofundaram conceitos como a figura de Satanás e a hierarquia de anjos, influenciados pelo contato com a cultura da região. 

O que veio antes e depois:

►Pré-Exílio (c. 1200 – 587 a.C.): Primeiros poemas, leis e crônicas reais (ex: partes de Provérbios, Salmos e profetas como Amós e Oséias).

►Exílio (587 – 538 a.C.): Lamentações, Ezequiel e a edição final de grande parte da Torá e dos livros históricos (Reis).

►Pós-Exílio (após 538 a.C.): Profetas como Ageu, Zacarias e Malaquias, além da finalização da Torá (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) mais ou menos, por volta de 450 a.C.. 


A Torah

Este período foi o "catalisador" para a edição da Torá. Sem o Templo, o povo judeu precisava de uma lei escrita para manter sua identidade. A Fonte Sacerdotal, focada em leis e rituais, foi desenvolvida ou expandida nesta época. A Torá como a conhecemos hoje foi provavelmente concluída no período persa (após 538 a.C.). O escriba Esdras (c. 450 a.C.) é frequentemente creditado por trazer a Torá finalizada da Babilônia para Jerusalém e estabelecê-la como a autoridade central da vida judaica, mas não há comprovação de que somente Esdras seria o escritor da Torah no período do Cativeiro Babilônico.

A Torá só foi considerada "concluída" e apresentada como a autoridade máxima após o retorno do exílio, por volta de 450 a.C.. O escriba Esdras é a figura histórica central nesse processo, sendo creditado por trazer os rolos da Babilônia e ler a Lei publicamente em Jerusalém, estabelecendo-a como o fundamento da vida judaica.

Isso elimina a possibilidade de argumentar que Moisés escreveu a Torá inteira no Monte Sinai, cerca de 1000 anos antes do exílio, como acreditam os religiosos fundamentalistas tradicionais. Cai por terra também, qualquer menção da existência física de Abraão, Isaque e Jacó, pois são figuras mitológicas irreais, que foram construídas através de contos alegóricos do folclore de povos da região.


segunda-feira, 2 de março de 2026

O ALCORÃO MANDA M▲T▲R PESSOAS?

 


O Alcorão contém versículos que mencionam o combate e a morte de adversários, geralmente inseridos em contextos históricos de guerra e legítima defesa vividos pelo profeta Maomé. Eruditos islâmicos ressaltam que esses versos não são ordens genéricas para matar pessoas, mas instruções específicas para batalhas da época.

O Alcorão proíbe o início de hostilidades e ordena o tratamento gentil de não muçulmanos que não combatem a religião nem expulsam fiéis de seus lares (Surata 60:8). A interpretação literal desses versos para justificar violência atual é considerada desonestidade intelectual por muitos especialistas.


Incitação à guerra em prol do Islamismo:

[2.244] FAÇAM GUERRA pela causa de Alá e sabei que Ele ouve e sabe todas as coisas.


A guerra contra não muçulmanos é uma ordem de Maomé:

[2.216] Está-vos PRESCRITA A GUERRA (pela causa de Alá), embora o repudieis. É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial; todavia, Alá sabe todo o bem que fizerdes, Alá dele tomará consciência.


Incitação ao castigo de não muçulmanos:

[3.56] QUANTO AOS INCRÉDULOS, CASTIGÁ-LOS-EI SEVERAMENTE, NESTE MUNDO e no outro, e jamais terão protetores.


Intransigência religiosa com ameaças de terror:

[3.151] INFUNDIREMOS TERROR NOS CORAÇÕES DOS INCRÉDULOS, por terem atribuído parceiros a Alá [entre outros, Jesus e o Espírito Santo], sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!


Incitação à guerra e ao suicídio terrorista:

[4.74] Que FAÇAM GUERRA pela causa de Alá aqueles DISPOSTOS A SACRIFICAR A VIDA TERRENA pela futura, porque a quem FIZER GUERRA PELA CAUSA DE ALÁ, quer sucumba, quer vença, CONCEDEREMOS MAGNÍFICA RECOMPENSA.


Incitação à guerra contra não muçulmanos:

[4.76] OS fiéis [muçulmanos] FAZEM GUERRA PELA CAUSA DE ALÁ; os incrédulos, ao contrário, combatem pela do sedutor. FAÇAM GUERRA, POIS, CONTRA os aliados de Satanás, porque a angústia de Satanás é débil.


Como tratar desertores do islamismo, da jihad e da sharia:

[4.89] Anseiam (os hipócritas) que renegueis [o islamismo], como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham se voltado para a causa de Alá. Porém, SE SE REBELAREM [contra o islamismo], CAPTURAI-OS então, MATAI-OS, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor.


Sacrifício e indução à guerra contra infiéis:

[4.95] Os fiéis [muçulmanos], que, sem razão fundada, permanecem em suas casas, jamais se equiparam àqueles que SACRIFICAM OS SEUS BENS E SUAS VIDAS PELA CAUSA DE ALÁ; Ele concede MAIOR DIGNIDADE ÀQUELES QUE SACRIFICAM OS SEUS BENS E SUAS VIDAS do que aos que permanecem (em suas casas). Embora Alá prometa a todos (os fiéis) o bem, sempre CONFERE AOS JIHADISTAS UMA RECOMPENSA SUPERIOR à dos que permanecem (em suas casas).


Perseguição, sofrimento:

[4.104] E NÃO DESFALEÇAIS NA PERSEGUIÇÃO AO INIMIGO; porque, SE SOFRERDES, ELES SOFRERÃO TANTO QUANTO VÓS; porém, vós podeis esperar de Alá o que eles não esperam…


Castigo, assassinato, crucificações, amputações, banimento:

[5.33] O CASTIGO, para aqueles que LUTAM CONTRA ALÁ e CONTRA O SEU MENSAGEIRO [MAOMÉ] e semeiam a corrupção na terra, é QUE SEJAM MORTOS, OU CRUCIFICADOS, OU LHES SEJA DECEPADA A MÃO E O PÉ OPOSTOS, OU BANIDOS. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.


Decapitação, amputação, terror:

[8.12] E de quando o teu Senhor revelou aos anjos: Estou convosco; firmeza, pois, aos fiéis! Logo INFUNDIREI O TERROR NOS CORAÇÕES DOS INCRÉDULOS; DECAPITAI-OS E DECEPAI-LHES OS DEDOS!


Incitação à guerra até o islamismo prevalecer na terra:

[8.39] GUERREIEM [contra os infiéis] ATÉ que não haja mais incredulidade, e até PREVALECER TOTALMENTE A RELIGIÃO DE ALÁ…


Terrorismo e crueldade para infundir medo:

[8.57] Se entrardes em GUERRA COM OS INFIÉIS, INFUNDA TERROR nos que estivem por trás deles, PARA QUE SE LEMBREM DISSO depois.


Indução à chacinas e escravidão:

[8.67] Não é dado a profeta algum fazer cativos de guerra, ANTES DE TER PROMOVIDO GRANDE CHACINA EM SUA TERRA…


Prescrição para intimidar não muçulmanos com armas:

[8.59] E não pensem os incrédulos que poderão obter coisas melhores (do que os fiéis). Jamais o conseguirão.

[8.60] Mobilizai TUDO QUANDO DISPUSERDES, EM ARMAS e cavalaria, PARA INTIMIDAR, com isso, o inimigo de Alá e vosso, E SE INTIMIDAREM AINDA OUTROS QUE NÃO CONHECEIS, mas que Alá bem conhece. Tudo quanto investirdes na causa de Alá, ser-vos á retribuído e não sereis defraudados.


Maomé é incitado a estimular os muçulmanos à guerra:

[8.65] Ó Profeta, ESTIMULA OS FIÉIS [muçulmanos] À GUERRA. Se entre vós houvesse vinte perseverantes, venceriam duzentos, e se houvessem cem, venceriam mil dos incrédulos, porque estes são insensatos.


Capturar, espreitar e matar não muçulmanos é um dever dos muçulmanos:

[9.5] Mas quando os meses sagrados houverem transcorrido, MATAI OS IDÓLATRAS, ONDE QUER QUE OS ACHEIS; CAPTURAI-OS, ACOSSAI-OS E ESPREITAI-OS; porém, CASO SE arrependam [se convertam ao islamismo], observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Alá é Indulgente, Misericordiosíssimo.


Instrução para fazer guerra contra não muçulmanos, pois Alá os castigará por meio dos ataques dos muçulmanos:

[9.14] FAÇAM GUERRA CONTRA ELES! ALÁ OS CASTIGARÁ, POR INTERMÉDIO DAS VOSSAS MÃOS [ó muçulmanos], ele OS ENVERGONHARÁ e vos fará prevalecer sobre eles, e curará os corações de alguns fiéis [muçulmanos].


Incitação ao sacrifício da vida em prol do islamismo:

[9.20] Os fiéis [muçulmanos] que deixarem suas casas e SACRIFICAREM SEUS BENS E SUAS VIDAS PELA CAUSA DE ALÁ, obterão maior dignidade ante Alá e serão os ganhadores.


Judeus e cristãos devem ser dominados e pagar imposto pela sua vida:

[9.29] FAÇAM GUERRA CONTRA AQUELES QUE NÃO CREEM EM ALÁ e no Dia do Juízo Final, nem se abstêm do que Alá e Seu Mensageiro [Maomé] proibiram, e nem professam a verdadeira religião [o islamismo] [ mesmo que sejam] do povo do livro [judeus e cristãos], até que, submissos, paguem o Jizya.


Incitação à guerra contra judeus e cristãos:

[9.30] Os JUDEUS dizem: Ezra é filho de Alá; os CRISTÃOS dizem: O Messias é filho de Alá. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. QUE ALÁ FAÇA GUERRA CONTRA ELES! Como se desviam!


Punições para os muçulmanos que não fizerem guerra contra não muçulmanos:

[9.38] Ó fiéis [muçulmanos], que sucedeu quando VOS FOI DITO PARA FAZERDES GUERRA PELA CAUSA DE ALÁ, e vós ficastes apegados à terra? Acaso, preferíeis a vida terrena à outra? Que ínfimos são os gozos deste mundo, comparados com os do outro!

[9.39] SE NÃO MARCHARDES (para o combate), ALÁ VOS CASTIGARÁ DOLOROSAMENTE, suplantar-vos-á por outro povo, e em nada podereis prejudicá-Lo, porque Alá é Onipotente.


Os muçulmanos devem lutar contra os não muçulmanos:

[9.41] QUER ESTEJAIS LEVE OU FORTEMENTE (ARMADOS), marchai (para o combate) e SACRIFICAI VOSSOS BENS E VOSSAS VIDAS PELA CAUSA DE ALÁ! Isso será preferível para vós, se quereis saber.


Muçulmanos induzidos a viajar para conquistar terras de outros povos:

[9.42] Se o ganho fosse imediato e a viagem fácil, ter-te-iam seguido: porém, a viagem pareceu-lhes penosa. E ainda jurariam por Alá: Se tivéssemos podido, teríamos partido convosco! Com isso se condenaram, porque Alá bem sabia que eram mentirosos.


Alá ordena que Maomé e seus comparsas sejam implacáveis com não muçulmanos:

[9.73] Ó Profeta [Maomé], FAÇA GUERRA CONTRA OS INCRÉDULOS E HIPÓCRITAS [muçulmanos que não praticam o verdadeiro islamismo], e SEJA IMPLACÁVEL PARA COM ELES! O inferno será sua morada. Que funesto destino!


Promessas para os que se sacrificam pela causa do islamismo:

[9.88] Porém, o Mensageiro [Maomé] e os fiéis [muçulmanos] que com ele sacrificaram seus bens e suas vidas obterão as melhores dádivas e serão bem-aventurados.


Muçulmanos são ordenados a matar e morrer pela causa de Alá:

[9.111] ALÁ COBRARÁ DOS FIÉIS [MUÇULMANOS] O SACRIFÍCIO DE SEUS BENS E DE SUAS VIDAS, EM TROCA DO PARAÍSO. FARÃO GUERRA PELA CAUSA DE ALÁ, MATARÃO E SERÃO MORTOS. É uma promessa infalível, que está registrada na Tora, no Evangelho e no Alcorão. E quem é mais fiel à sua promessa do que Alá? Regozijai-vos, pois, pela a troca que haveis feito com Ele. Tal é o magnífico benefício.


Ordem para guerrear não muçulmanos e aterrorizá-los com severidade:

[9.123] Ó fiéis [muçulmanos], FAÇAM GUERRA CONTRA VOSSOS VIZINHOS INCRÉDULOS [NÃO-MUÇULMANOS] PARA QUE SINTAM COMO SOIS SEVEROS; e sabei que Alá está com os tementes.


Os muçulmanos oferecem as opções: o Islã ou a destruição:

[17.16] E SE PENSAMOS EM DESTRUIR UMA CIDADE, PRIMEIRAMENTE ENVIAMOS NOSSOS MANDAMENTOS aos seus habitantes abastados que estão nela, MAS ELES OS TRANSGRIDEM; então, A CIDADE MERECERÁ O CASTIGO; NÓS A ANIQUILAREMOS COMPLETAMENTE.


Muçulmanos instruídos a guerrear com máximo empenho contra não muçulmanos:

[25.52] NÃO DÊS OUVIDOS AOS INCRÉDULOS; mas FAÇA GUERRA CONTRA ELES COM O MÁXIMO VIGOR, com este (Alcorão).


Prisões e mortes cruéis são prescritas:

[33.60] Se os hipócritas e os que abrigam a morbidez em seus corações, e os intrigantes, em Medina, não se contiverem, TE ORDENAREMOS GUERREÁ-LOS; então, não ficarão nela, como teus vizinhos, senão por pouco tempo.

[33.61] Serão malditos: onde quer que se encontrarem, DEVERÃO SER APRISIONADOS E CRUELMENTE MORTOS.

[33.62] Tal foi a Lei de Alá, para com aqueles que viveram anteriormente. NUNCA ACHARÁS MUDANÇAS NA LEI DE ALÁ!


Enfrentar não muçulmanos, dominá-los e guerrear e morrer por Alá:

[47.4] E QUANDO VOS ENFRENTARDES COM OS INCRÉDULOS [NÃO MUÇULMANOS], GOLPEAI-LHES OS PECOÇOS, ATÉ QUE OS TENHAIS DOMINADO, E TOMAI (OS SOBREVIVENTES) COMO PRISIONEIROS. Libertai-os, então, por generosidade ou mediante resgate, quando a guerra tiver terminado. Tal é a ordem. E se Alá quisesse, Ele mesmo ter-Se-ia livrado deles; PORÉM, (DEU-LHES A GUERRA) PARA TESTAR VOCÊS. QUANTO ÀQUELES QUE FORAM MORTOS PELA CAUSA DE ALÁ, Ele jamais desmerecerá as suas obras.


Muçulmanos devem controlar as cidades onde estejam:

[47.35] “Ó FIÉIS, NÃO TEMAM, NEM VOS DESANIMEIS, SUPLICANDO POR PAZ, QUANDO VOCÊS É QUEM DEVEM ESTAR NO CONTROLE, pois Alá está com vocês e ele nunca permitirá que vocês sofram alguma perda por causa de vossas boas ações.”


Cegos, coxos e enfermos são desculpados de não guerrearem contra não muçulmanos:

[48.17 Não terão culpa o cego, o coxo, o enfermo [que não guerrearem contra não muçulmanos]. Quanto àquele que obedecer a Alá e ao Seu Mensageiro [Maomé], Ele o introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios; por outra, quem desdenhar, será castigado dolorosamente.


Muçulmanos devem ser severos com não muçulmanos e bonzinhos entre si:

[48.29] Maomé é o Mensageiro de Deus, E AQUELES QUE ESTÃO COM ELE SÃO SEVEROS PARA COM OS INCRÉDULOS [NÃO-MUÇULMANOS], PORÉM COMPASSIVOS ENTRE SI… Vê-los-ás genuflexos, prostrados, anelando a graça de Alá e a Sua complacência. Seus rostos estarão marcados com os traços da prostração. Tal é o seu exemplo na tora e no Evangelho, como a semente que brota, se desenvolve e se robustece, e se firma em seus talos, compraz aos semeadores, PARA IRRITAR OS INCRÉDULOS [NÃO-MUÇULMANOS].


A religião de Alá deve prevalecer sobre todas as outras, pela vida ou pela morte:

[61.4] Em verdade, ALÁ APRECIA AQUELES QUE FAZEM GUERRA POR SUA CAUSA…

[61.9] Foi Ele Quem enviou o Seu Mensageiro [Maomé], com a orientação e com a verdadeira religião, PARA FAZÊ-LA PREVALECER SOBRE TODA RELIGIÃO, AINDA QUE ISSO DESGOSTE OS idólatras [não muçulmanos].

[61.10] Ó fiéis [muçulmanos], QUEREIS QUE VOS INDIQUE UMA TROCA QUE VOS LIVRE DE UM CASTIGO DOLOROSO?

[61.12] É que creiais em Alá e em Seu Mensageiro [Maomé], e QUE SACRIFIQUEIS OS VOSSOS BENS E AS VOSSAS VIDAS PELA SUA CAUSA. ISSO É O MELHOR, para vós, se quereis saber.


Guerrear e ser inflexível contra não muçulmanos:

[66.9] Ó Profeta [Maomé], FAÇA GUERRA COM VIGOR CONTRA OS INCRÉDULOS [NÃO-MUÇULMANOS] E OS HIPÓCRITAS [MUÇULMANOS QUE NÃO PRATICAM O ISLAMISMO COMO DEVE SER PRATICADO], e SEJA INFLEXÍVEL PARA COM ELES, pois a sua morada será o inferno. E que funesto destino!


domingo, 1 de março de 2026

O PROFETA JONAS NUNCA EXISTIU

 


A etimologia de Nínive em Sumério 𒀏 e depois em Acádio: Ninua ou Ninâ está profundamente ligada à sua história como centro religioso da Mesopotâmia, com origens que remetem a símbolos de peixes e divindades femininas. 

O nome da cidade em cuneiforme era representado por um peixe dentro de uma casa, o ideograma NI.NU.A ou Ninâ 𒀏, sugerindo a tradução literal como "casa de peixe" ou "lugar de peixes".

Acredita-se que o nome esteja relacionado à deusa Ishtar (frequentemente associada a peixes/águas na região), significando talvez "Casa da Deusa" ou "Casa do Peixe", com origens possivelmente Hurritas antes de ser adotada pelos Assírios.

A principal divindade associada à cidade de Nínive, com raízes na antiga tradição suméria, era a deusa Inanna, em Sumério ou Ishtar em Acádio e Assírio. Inanna/Ishtar era uma divindade complexa, representando tanto o amor sensual e a fertilidade quanto a guerra, o combate e o poder político.

Embora seu centro de culto original fosse Uruk, o templo de Ishtar em Nínive tornou-se um dos mais importantes da Mesopotâmia. Ela era a deusa tutelar da cidade, protegendo-a e abençoando os reis Assírios. 

Embora outros deuses assírios (como Assur) tivessem grande destaque na capital, o templo de Ishtar em Nínive era um dos centros religiosos mais antigos e influentes daquela região. 

O principal templo dedicado à deusa Ishtar em Nínive era conhecido como Emašmaš ou E-mash-mash ("Casa das Oferendas"  "Casa dos Oráculos" ou "Templo Supremo".

►E ou É: Significa "casa""templo" ou "domicílio".

►Mašmaš: (derivado de maš-maš): Frequentemente associado a oráculos, adivinhação, ou ao culto de deuses estelares/Ištar.

O Emašmaš de Nínive foi um dos santuários mais importantes da Mesopotâmia. Foi fundado ou restaurado por vários reis, sendo famoso por ter sido reconstruído por Maništušu (rei de Akkad) e, mais tarde, restaurado pelo rei assírio Samsî-Addu (ou Shamshi-Adad), que se orgulhava de tê-lo recuperado da ruína. 

Curiosamente, o nome da cidade de Nínive (Ninua) é escrito com um ideograma que representa um peixe dentro de uma casa, sugerindo que o simbolismo do peixe já era central para a identidade da cidade antes da chegada de Jonas.


Abgal ou Apkallu

Abgal em sumério ou Apkallu em acádio são sete sábios antediluvianos.

Uanna ou Oannes: O primeiro e mais famoso, que ensinou os mitos da criação e os fundamentos da vida urbana.

Uannedugga: Dotado de inteligência abrangente.

Enmedugga: Responsável por decretar bons destinos.

Enmegalamma: Nascido em uma casa (simbolizando o ambiente doméstico).

Enmebulugga: Associado às pastagens e criação de animais.

An-Enlilda: O conjurador da cidade de Eridu.

Utuabzu: O último sábio, que teria ascendido ao céu

Na arte mesopotâmica, especialmente nos relevos palacianos neo-assírios, os Apkallu são representados em três formas principais:

Homem-Peixe: Vestindo uma capa de pele de peixe com a cabeça do peixe sobre a sua própria, simbolizando sua origem aquática.

Homem-Pássaro: Figuras com asas e, frequentemente, cabeça de águia.

Forma Humana: Seres alados em forma humana total.

Eles são frequentemente vistos segurando um balde (banduddū) e uma pinha (mullilu), objetos usados em rituais de purificação e proteção para afastar demônios e doenças.

Após o dilúvio, os novos sábios foram descritos como humanos (chamados de Ummanu), marcando a transição da sabedoria divina para a humana.

Pequenas estatuetas desses sábios eram enterradas sob os pisos das casas e templos para servirem como guardiões espirituais contra o mal.

Muitos estudiosos ligam os Apkallu aos Nephilim do Gênesis ou à figura de Enoque, o sétimo patriarca que também "caminhou com Deus" e subiu aos céus.


Berossus

Beroso foi um alto sacerdote da cidade de Babel. A data exata é desconhecida, mas sabe-se que viveu pelo menos até o reinado de Antíoco I (281–261 a.C.) ou 350 a.C. a 340 a.C. durante o final do domínio persa ou início da era de Alexandre, o Grande.. Ficou famoso por escrever a Babyloniaca (História da Babilônia) em grego, dedicada a Antíoco I Soter, governante do Império Selêucida. Sua obra foi provavelmente publicada por volta de 280-278 a.C..  Ele foi ativo na Babilônia e, segundo relatos posteriores (como os de Vitrúvio), posteriormente viveu na ilha de Kos, na Grécia, onde ensinou astrologia. 

A obra Babyloniaca ou História da Babilônia, escrita pelo sacerdote babilônico Beroso por volta de 281 a.C., relata a história de Oannes. Oannes é descrito como uma criatura anfíbia, com forma de peixe e homem, que saiu do Golfo Pérsico para ensinar sabedoria, escrita, ciências, leis e artes à humanidade. Beroso situou essa aparição nos tempos pré-históricos, logo após o início do mundo, com Oannes aparecendo durante o reinado de Aloros.

O relato ocorre no primeiro livro da Babyloniaca, narrando um tempo em que os seres humanos viviam como animais antes de receberem a civilização.


Conexão com o Livro de Jonas

A Babyloniaca ou História da Babilônia, escrita pelo sacerdote babilônico Berosso no século III a.C., e o Livro de Jonas, parte da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), apresentam interessantes paralelos, particularmente no que diz respeito ao contexto assírio/babilônico, temas de arrependimento e a simbologia de criaturas marinhas.

Embora os Apkallu pertençam à mitologia mesopotâmica e Jonas à tradição bíblica, existem paralelos fascinantes que estudiosos utilizam para explicar por que a mensagem de Jonas foi aceita tão rapidamente pelos ninivitas Assírios.

A conexão mais forte reside na aparência de Jonas ao chegar em Nínive. De acordo com o relato bíblico, Jonas foi "vomitado" por um grande peixe após três dias.

Os assírios eram familiarizados com os Apkallu, seres semidivinos que emergiam do mar com mantos de pele de peixe para trazer mensagens e sabedoria dos deuses.

Um homem saindo das águas (ou das entranhas de um peixe) teria uma semelhança visual direta com um Apkallu, o que daria a Jonas uma autoridade divina instantânea aos olhos dos ninivitas, facilitando o arrependimento em massa descrito no livro de Jonas.

O nome Oannes é foneticamente muito próximo de Ioannes (João) e Ionas - Jonas - Yonah. Do hebraico Yonā, que significa "pomba" nomes usados na Septuaginta (tradução grega da Bíblia) para se referir ao profeta. 

O nome Jonas é uma adaptação ou um trocadilho fonético deliberado feito pelos redatores bíblicos para ligar o profeta à figura de Oannes/Uanna.

Nessa visão, o nome original do profeta em contextos assírios poderia estar ligado ao termo para "sábio do mar", e apenas mais tarde foi associado à palavra hebraica para pomba.

Já Oannes é uma Helenização ou Gregarização do Sumério Uanna ou Uanna-Adapa, o primeiro dos sete sábios Apkallu que emergiu do mar para civilizar a humanidade.

Oannes é descrito como um ser que tem o corpo de um peixe, mas com cabeça, pés e voz de homem por baixo da "capa" de peixe. Jonas, por sua vez, é o homem que "emerge" de dentro de um peixe.

Jonas foi enviado para pregar em Nínive, a capital da Assíria (Mesopotâmia). Alguns autores, como Gerald Everett Jones, sugerem que o povo de Nínive aceitou a mensagem de Jonas tão rapidamente porque sua história de "vir do mar/peixe" ecoava o mito de Oannes, que eles já veneravam como um portador de sabedoria divina, o tema do herói engolido por um monstro marinho e "renascido" é um arquétipo comum, e Oannes personifica a versão babilônica do mestre que traz conhecimento das profundezas.


Jonas Nunca Existiu

Não existem registros arqueológicos ou fontes extrabíblicas da época (século VIII a.C.) que confirmem a existência de um profeta chamado Jonas. A maioria dos estudiosos modernos considera o Livro de Jonas uma obra de ficção didática ou uma sátira, escrita séculos após o período em que a história se passa (período pós-exílio).

Jonas é mencionado em 2 Reis 14:25 como Jonas, filho de Amitaié ou Amitai, um profeta real que viveu durante o reinado de Jeroboão II (790–749 a.C.). Isso sugere que o personagem da famosa história do "grande peixe" pode ter sido baseado em uma figura histórica real que serviu como profeta em Israel. No Novo Testamento, Jesus faz referência a Jonas, tratando a experiência do profeta no ventre do peixe como um evento real e comparando-o à sua própria morte e ressurreição (Mateus 12:40). Para muitos cristãos, essa menção de Jesus valida a historicidade do profeta.

Não existem evidências arqueológicas ou registros históricos na Assíria onde ficava Nínive que mencionem um profeta estrangeiro que tenha causado um arrependimento em massa de toda a cidade. Historiadores apontam que a Nínive descrita no livro é anacrônica, assemelhando-se mais à cidade em seu auge posterior do que à Nínive do século VIII a.C.. 

Muitos acadêmicos classificam o Livro de Jonas não como um relato histórico, mas como uma ficção didática, uma parábola ou até uma sátira. 

O  livro de Jonas é uma novela ou parábola, escrita no período pós-exílico (aprox. 400 a.C.), muito tempo depois de Jonas ter vivido.  O objetivo da história seria comunicar mensagens teológicas sobre a soberania de Deus, a misericórdia para com todas as nações (incluindo inimigos como Nínive) e uma crítica à falta de obediência do próprio profeta.


O NASCIMENTO DO POVO HEBREU



O consenso acadêmico predominante no início do século XXI sustenta que não há uma equivalência direta entre os ʿApiru e os hebreus bíblicos. Os ʿApiru representam uma ampla classe social pan-regional de forasteiros marginalizados, trabalhadores ou mercenários que se estendiam pelo Oriente Próximo entre os séculos XVIII e XII a.C., enquanto "hebreus" denota um grupo étnico ou tribal específico ligado ao surgimento do antigo Israel no Levante meridional. O arqueólogo Israel Finkelstein, em sua análise das transições da Idade do Bronze Final, enfatiza que as atividades dos ʿApiru em textos como as Cartas de Amarna refletem rupturas internas cananeias, e não uma invasão externa por proto-israelitas, o que está em consonância com as evidências arqueológicas de um assentamento gradual nas terras altas por volta de 1200 a.C., sem sinais de conquista. Esta visão sublinha a natureza não étnica do termo, uma vez que ʿApiru aparece em diversos contextos na Mesopotâmia, Anatólia e Egito, sem estar ligado a nenhum povo específico.

Os argumentos a favor de uma conexão, destacam paralelos socioeconômicos e alinhamento cronológico entre a marginalidade dos ʿApiru no período de Amarna, no século XIV a.C., e a ascensão de Israel no final do século XIII a.C. 1200 a. C., argumentando que grupos ʿApiru deslocados contrubuíram para a sociedade israelita primitiva. Nadav Na'aman, por exemplo, postula que o uso bíblico de "hebreus" (ʿibrîm) deriva da designação ʿApiru como um rótulo social, transferido para as tradições literárias judaítas durante a Idade do Ferro para evocar o status de forasteiro, sem implicar uma sobreposição completa de identidade. Tais visões baseiam-se em descrições textuais de hebreus como seminômades ou servis em Gênesis e Êxodo, assim, os Hebreus do livro de Gênesis, na verdade eram os ʿApiru como sendo trabalhadores assalariados ou rebeldes.

Estudos recentes na década de 2020 têm explorado cada vez mais as dinâmicas interseccionais, enfatizando como as rupturas da era de Amarna envolvendo os ʿApiru podem ter influenciado indiretamente o vácuo sociopolítico que possibilitou a formação de Israel como uma comunidade montanhosa anti-imperial, embora a linhagem direta permaneça não comprovada. Análises recentes, até 2025, continuam a enfatizar as distinções etimológicas, evitando a identificação excessiva dos ʿApiru com os hebreus com base apenas em semelhanças fonéticas. Norman K. Gottwald, revisitando seu modelo de confederação tribal, observa potenciais elementos habiru entre os primeiros israelitas como camponeses livres que resistiam ao domínio cananeu e egípcio, mas adverte contra a identificação excessiva devido à fluidez do termo. 


É seguro afirmar que os Hebreus vieram da formação de vários povos diversos, isso acontece com qualquer nação. A formação do povo Hebreu foi feito como sempre foi feito no planeta, através de aglutinação e união de múltiplos povos e etnias variadas, nenhum povo na Terra nasceu de apenas uma nação, e temos vários exemplos na história.

▼Gregos ou Helenos: A formação do povo grego ocorreu a partir de 2000 a.C. através da mistura de povos indo-europeus Minoicos, Pelasgos, Aqueus, Jônios, Eólios e Dórios que migraram para a península Balcânica, na região do mar Egeu, com os povos nativos cretenses (civilização minoica). Esse processo, ocorrido no período Pré-Homérico, resultou na cultura helênica e no desenvolvimento de cidades-estados.

▼Romanos: A formação do povo romano resultou da mistura de povos itálicos, Latinos, Sabinos, etruscos, Samnitas, Úmbrios e gregos na península Itálica, por volta do século VIII a.C.. Iniciou-se como aldeias no rio Tibre, evoluindo sob forte influência etrusca e grega até se tornar uma cidade-estado. A sociedade era estratificada, com patrícios (nobreza), plebeus e escravos.

▼Turcos ou Túrquicos são um vasto grupo etnolinguístico que compartilha origens na Ásia Central e na Sibéria. Eles são unidos principalmente pelas línguas turcas e por uma história de migrações que se estendeu da Mongólia até a Europa Oriental e o Oriente Médio.

▼Turcos (da Turquia): O maior grupo, concentrado na Anatólia e nos Bálcãs.

Azeris (Azerbaijanos): Principalmente no Azerbaijão e no noroeste do Irã.

Uzbeques: O grupo mais numeroso da Ásia Central, vivendo no Uzbequistão e países vizinhos.

Cazaques: Habitam o vasto território do Cazaquistão e partes da China e Mongólia.

Turcomenos: População majoritária do Turcomenistão, com comunidades no Irã e Afeganistão.

Quirguizes: Principalmente no Quirguistão e nas montanhas Pamir.

Uigures: Povo de maioria muçulmana que habita a região de Xinjiang, na China.

Tártaros: Diversos grupos (do Volga, da Crimeia, da Sibéria) espalhados pela Rússia e Europa Oriental.

Iacutos (Sakha): Localizados no extremo leste da Sibéria (Rússia); são um dos poucos grupos turcos não muçulmanos (praticam o cristianismo ortodoxo e xamanismo). 

Bashkires: Vivem na região do Volga e Montes Urais, na Rússia.

Chuvaches: Povo turco da Rússia que fala uma língua distinta (ramo Oghur) e é majoritariamente cristão.

Gagauzes: Cristãos ortodoxos que habitam principalmente a Moldávia e a Ucrânia.

Carachais e Balcares: Povos do Cáucaso Norte.

Tuvinianos: Habitam a República de Tuva, na fronteira com a Mongólia.

Nogais: Descendentes de hordas nômades, espalhados pelo Cáucaso e região do Cáspio. 

Göktürks: Fundadores do primeiro grande império turco na Ásia Central (séculos VI-VIII).

Seljúcidas: Tribos que migraram para a Pérsia e Anatólia, preparando o caminho para o Império Otomano.

Otomanos: A dinastia que expandiu o domínio turco por três continentes.

Cumanos e Pechenegues: Tribos nômades que dominaram as estepes da Europa Oriental na Idade Média.

Cazares: Famosos por terem uma elite que se converteu ao judaísmo no Cáucaso.

Búlgaros Antigos: Diferentes dos búlgaros eslavos modernos, eram originalmente um povo turco.

Isto são quatro exemplos da totalidade da realidade antropológica da formação de todos os povos ou nações de nosso planeta, isso aconteceu com o povo Cananeu.

E é nesse contexto que nascem os Hebreus, pois eles vieram dos Cananeus (pois parte deles eram Cananeus), vieram dos Habiru (pois parte deles eram 'Apiru).


Estela de Merneptah

A primeira menção histórica da palavra "Israel" fora da Bíblia data do século XIII a.C. (c. 1208 a.C.), na Estela de Merneptá, filho de Ramsés II, ascendeu ao trono já em idade avançada (por volta dos 60 ou 70 anos) porque todos os seus irmãos mais velhos faleceram antes de seu pai, relata ter derrotado um povo chamado Israel já estabelecido na região. 

Este é o seu legado mais famoso. Trata-se de uma placa de granito negro. O texto celebra as vitórias militares do faraó e menciona que "Israel está desolado, sua semente não existe mais", indicando que os israelitas já eram um grupo estabelecido na região de Canaã naquela época.


Transcrição

"Os chefes inimigos prostram-se dizendo: "Salom!" [expressão que significa "haja paz"; significa mais do que mera ausência de conflitos] Nenhum levanta a cabeça entre os Nove Arcos: Tjeneu [os líbios] está derrotado, Hati [provavelmente os hititas residentes na Palestina] está em paz, Canaã está despojada de toda a maldade, Ascalão foi conquistada, Gezer foi tomada, Ienoão [ou Ianoão, sua identificação é incerta] ficou como não tivesse existido, Israel está destruído [ou devastado], a sua semente [ou descendência] não existe mais, a Síria tornou-se uma viúva para o Egito. Todos os que vagavam sem destino no deserto [os Beduínos] foram submetidos pelo Rei do Alto e Baixo Egito, Baenré-Meriamon [filho de Merneptá], filho de Ré [ou Rá, abreviatura de Amon-Rá], Merneptá-Hetephermaet, dotado de Vida, como Ré, todos os dias.

Notas: Ienoão é mencionado junto com as cidades conquistadas por Tutemés III. A tabuinha de Tell-Amarna n.º 197 faz referência a uma cidade de nome Ianuamu. Mais tarde, Seti I (1294 a.C. a 1279 a.C.) conquista Ienoão no seu 1.º ano de reinado. Ienoão ou Ianoão, em hebraico, pode ser vertido por "YHVH fala". "a região de Canaã / Hurru".


O Nascimento de Israel

O nascimento de Israel foi um processo onde a terra de Canaã deixou de ser um conjunto de cidades-estados cananeias para se tornar a base territorial de um povo monolatrista no início, com sua identidade formada tanto pela tradição de um "retorno" (Êxodo) quanto pela evolução interna de grupos já presentes na região. 

O nascimento de Israel é uma transição social e política, onde povos cananeus do interior, nômades e grupos marginalizados ('apiru ou hapiru) se uniram para formar uma nova identidade, abandonando gradualmente a cultura cananeia urbana.

Inicialmente, formaram uma confederação de tribos sem governo centralizado (12 tribos?), que se assentaram nas terras altas (região montanhosa) de Canaã antes de se tornarem uma monarquia.

Durante o cativeiro babilônico, eles escreveram o Livro de Gênesis e partes do Antigo Testamento, relatando as aventuras e eventos que aconteceram enquanto ainda não eram uma nação, e sim, uma confederação de povos diversos sem uma liderança ou nacionalidade ('Apirus) que mitificaram, dando uma nacionalidade (embora ainda não existia na época) unindo assim, aspectos culturais em comum. Ou seja, eles contaram as histórias (modificadas) de quando Israel ou Hebreus eram parte do gigantesco povo sem pátria dos 'Apirus.

Os Hebreus nasceram de um amontoado de colchas de retalhos regionais, culturais e étnicos. 

O nascimento de Israel na região de Canaã é um processo histórico e religioso complexo, que mistura a narrativa mítica bíblica da "Terra Prometida" com evidências arqueológicas que há uma emergência gradual dos israelitas no local. A região, situada no Levante, era conhecida como Canaã antes de ser ocupada e se tornar o território de Israel e Judá.

A arqueologia moderna confirma que o povo de Israel surgiu, em grande parte, da própria terra de Canaã. A maioria dos "israelitas" era provavelmente de origem cananeia, um grupo semita indígena, que se diferenciou culturalmente e religiosamente ao longo do tempo.

O povo Cananeu não era um povo único, mas sim uma confederação de cidades-estados e grupos étnicos diversos que habitavam a região do Levante (atual Israel, Palestina, Líbano e partes da Síria e Jordânia). Eles eram Fenícios, Amorreus, Hititas, Hivitas, Jebuseus, Gigarseus, Heteus, Heveus, Arqueus, Sineus, Perizeus, Amalequitas, Arvadeus, Zemareus, Hamateus, Amonitas, Moabitas, Sidom, Fenicios, Sodoma, Gomorra, Hurritas, Síria, Admá, Lasa, Zeboim, Filisteus, Hebreus ou Israelitas, etc., são todos povos Cananeus ou Cananitas, e tem povos que esqueci de colocar nesse mosaico multicultural.