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domingo, 10 de maio de 2026

A BÍBLIA NÃO É A VERDADE ABSOLUTA

 


Os defensores argumentam que o cumprimento das profecias bíblicas, as descobertas arqueológicas (por exemplo, os Atos dos Apóstolos) e a consistência interna comprovam sua autenticidade, estes apoiadores sustentam que a Bíblia é a palavra de Deus inerrante e literal.

É claro que também existem muitas histórias, parábolas, relatos e mensagens positivas e redentoras nessas páginas. Por exemplo, há detalhes historicamente precisos, mensagens morais impactantes e muito mais. Mas as quatro áreas de imprecisão e falsidade tornam impossível considerar esta coleção de livros como uma autoridade incontestável em qualquer assunto cristão sério. Na melhor das hipóteses, você pode ignorar as partes negativas e se concentrar em algumas das positivas.

Por outro lado, muitos o consideram inspirado, focando em sua verdade teológica, enquanto algumas perspectivas distinguem entre sua confiabilidade espiritual e sua precisão científica.

Em última análise, o debate sobre se a Bíblia representa a "verdade absoluta" reside em se abordar o texto como uma revelação divina ou como um documento humano.


Textos sobre a Inspiração Divina

♦2 Timóteo 3:16 – Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino.

♦2 Pedro 1:21 – Homens falaram da parte de Deus, impulsionados pelo Espírito Santo.

♦1 Coríntios 2:13 – Palavras ensinadas não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito.


Textos sobre a Autoridade e o Poder da Palavra

Hebreus 4:12 – A palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante que espada de dois gumes.

♦Isaías 40:8 – A erva seca e a flor cai, mas a palavra de Deus permanece para sempre.

♦Salmo 119:105 – A tua palavra é lâmpada para os pés e luz para o caminho.

♦Mateus 24:35 – Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.


Textos sobre a Infalibilidade e Origem

♦Provérbios 30:5 – Toda palavra de Deus é pura e ele é escudo para quem nele confia.

♦João 10:35 – A Escritura não pode ser anulada ou falhar.

♦1 Tessalonicenses 2:13 – Recebida não como palavra de homens, mas como a palavra de Deus.


A Realidade

A crença de que a Bíblia não é "verdade absoluta" frequentemente surge de discussões sobre sua consistência histórica, científica ou interna, sugerindo que contém contradições ou que deve ser interpretada metaforicamente em vez de literalmente. Por outro lado, muitos o consideram inspirado, focando em sua verdade teológica, enquanto algumas perspectivas distinguem entre sua confiabilidade espiritual e sua precisão científica.

Outros mencionaram problemas óbvios, como discrepâncias entre textos bíblicos, impossibilidades lógicas e falta de evidências.

Vou adotar uma abordagem menos óbvia. Existem quatro áreas em que falsidades evidentes tornam a Bíblia um texto muito enganoso: científica, histórica, teológica e moralmente.


Do Ponto de Vista Científico

O livro está repleto de informações imprecisas sobre a criação, cosmologia, geografia, a idade da Terra, a natureza de muitos fenômenos físicos, bem como uma infinidade de coisas completamente impossíveis (como o Sol "parado"). Isso demonstra que os autores simplesmente não compreendiam conceitos básicos como a rotação da Terra ou a natureza do nosso sistema solar. Outro exemplo simples é todo o relato de Noé e o Dilúvio. Se você tentar analisá-lo seriamente por um instante sequer, os detalhes se tornam totalmente absurdos. (Será que os ursos polares caminharam até a antiga Palestina e depois voltaram para o Ártico após o dilúvio? E os cangurus? Preguiças na Mesoamérica? Como uma família de oito humanos, reproduzindo-se entre si, criou a diversidade racial existente na Terra? Etc.) Essa área de desinformação não costuma incomodar muito as pessoas — podemos considerá-la como mitos ou metáforas, mal-entendidos de autores antigos.


Historicamente

Bíblia relata muitas informações históricas que são claramente incorretas. Houve um tempo em que as pessoas consideravam as informações históricas contidas neste livro como um relato sério de eventos que aconteceram. No entanto, ao longo dos anos, arqueólogos examinaram muitos desses detalhes e descobriram que eram ficcionais. (Até mesmo os pesquisadores mais devotos, que esperavam encontrar o contrário, ficaram chocados com o que descobriram.) Por exemplo, mesmo um evento tão grandioso e significativo para a história dos antigos hebreus quanto o Êxodo não pode ter acontecido da forma como é descrito. Todas as evidências apontam contra. O Censo que envia Maria e José a Belém também não aconteceu, mas parece ser um recurso literário. E assim por diante. Poderíamos descartar essa questão também – talvez sejam… metáforas? Mas está ficando cada vez mais difícil justificá-la. Se você não se incomoda com imprecisões científicas e históricas, continue lendo: a situação vai piorar e será mais difícil ignorá-las.


Teologicamente

Dependendo de suas crenças religiosas e teologia específicas, suas opiniões aqui podem variar. No entanto, em comparação com quase qualquer ramo do cristianismo moderno que eu conheça, a Bíblia apresenta questões teológicas distorcidas de uma maneira *muito* séria. O Deus da Bíblia age e é descrito de maneiras completamente opostas aos princípios da teologia moderna. Por exemplo, ele é onisciente e, ainda assim, precisa "testar" as pessoas, muitas vezes de maneiras chocantemente cruéis (Abraão e Isaque, Jó, etc.). Frequentemente, os humanos conseguem falar diretamente com Deus e convencê-lo a agir com mais misericórdia (Ló), o que é uma estranha inversão, considerando que os seres humanos são falhos e caídos, enquanto Deus é a fonte de toda a moralidade. Para um deus que nos concede o livre-arbítrio (tão importante, tão protegido, que milhões de crianças morrendo de fome é o caminho certo que ele escolheu, valendo esse preço), ele é retratado como aquele que "endurece o coração do faraó", transformando pessoas em sal por desobedecerem a uma ordem e enviando pragas quando os humanos não agem como ele deseja. As pessoas criadas "à imagem de Deus" são tão perversas e depravadas que são irredimíveis e devem ser queimadas vivas. Teólogos modernos reinterpretarão essas histórias como metáforas, mais uma vez, mas não há dúvida de que elas deturpam ideias teológicas de uma maneira realmente dolorosa. Se essas ideias estiverem corretas, este não é um bom livro para aprender sobre os conceitos cristãos de Deus — é altamente enganoso. Quem o ler terá uma ideia completamente errada de quem o Deus cristão deveria ser. No entanto, mesmo que você não acredite nessa teologia, ainda terá um problema que se agrava com o que foi dito acima.


Moralmente

O livro está repleto de lições, histórias e diretrizes que contrariam uma concepção moderna de moralidade, ética, bondade e direitos humanos. O próprio Deus se envolve em atos horríveis (genocídio, assassinato de crianças), encoraja e ordena os mesmos, e as pessoas dentro das histórias que são consideradas heróis cometem atrocidades regularmente. O livro inclui regras que endossam a escravidão, a misoginia, o assassinato e coisas piores. Não existe nenhuma sociedade humana viva hoje que consentiria em viver sob a lei descrita nestas páginas, temos agora concepções de direitos humanos, liberdade, igualdade para todos perante a lei, ideias básicas sobre os direitos das crianças e muitas outras restrições morais que não podemos simplesmente desfazer.


sábado, 9 de maio de 2026

A TEOLOGIA CRISTÃ É PSEUDOCIÊNCIA

 


Pseudociência é um conjunto de crenças, práticas ou teorias que se apresentam como científicas, usam linguagens técnicas e alega base em fatos, mas que não seguem o método científico, lógico e técnico. 

A Pseudociência busca apenas justificativas que confirmem suas crenças e valores, ignorando fatos que a contradizem. Seus fundamentos baseiam-se em relatos pessoais ("funcionou comigo, então funciona com todos") em vez de dados estatísticos sólidos. Não evolui com novas descobertas, mantendo dogmas ultrapassados. 

Exemplos de Pseudociências: Astrologia - Homeopatia - Terra Plana - Constelação Familiar - Coaching Quântico - Movimento Anti-vacina.


Pseudociência Teológica

E tudo isso é a Teologia Cristã, pois é um conceito dogmático religioso que se apresenta como uma verdade real, usa linguagem técnica e bases com fatos bíblicos, mas não segue nenhum método lógico e técnico.

A Pseudociência busca apenas justificativas que confirmem suas crenças e valores, ignorando fatos que a contradizem, e a Teologia Cristã é a mesma coisa, pois busca ter sua própria realidade paralela e particular, vivendo em uma mundo irreal e imaginário. Quanto a ignorar fatos que a contradizem, a Teologia Cristã demoniza qualquer ideia ou fato real que contradiz com provas irrefutáveis sua versão alternativa imaginária.

No Sistema Religioso, seus dogmas e crenças pessoais viram regras inalteráveis, vale a experiência pessoal ou epifania particular que logo vira lei, regra e decreto divino, em vez de dados estatísticos sólidos.

A Teologia Cristã não evolui com novas descobertas, ideias, bases e elementos, antes, vive mantendo dogmas ultrapassados, baseados no que eles dizem ser a "tradição" da sua religião ou doutrina. A Teologia Cristã é Pseudociência na sua gênese.


A Teologia Cristã Campo Filosófico

A Teologia Cristã é um estudo do Campo da Filosofia, é o estudo da Fé. Diferente da Filosofia, a Teologia está estritamente no campo da crença religiosa.

A Filosofia estuda questões importantes e fundamentais sobre a existência humana, conhecimento, verdade, valores morais, estética e mente através da análise racional e reflexão crítica. Diferente de outras ciências, ela questiona o porquê e o como das coisas, buscando entender a natureza da realidade, a ética e a política de forma profunda.

A base de alguns temas filosóficos são:

Metafísica: Estuda a natureza da realidade, existência e ser.

Epistemologia: Investiga a natureza, origem e limites do conhecimento.

Ética: Analisa a moralidade, valores, certo e errado.

Lógica: Estuda as regras do pensamento correto, argumentação e razão.

Política: Questiona a justiça, o poder, governo e liberdade.

Estética: Reflete sobre a beleza, arte e sensibilidade


Existem mais temas, todavia, estes temas mostrados, são uma ótima base para se começar a estudar e conhecer a Filosofia.

No caso da Teologia, os Padres Católicos dizem que ela nasceu com  Irineu de Lyon 130-202, por outro lado, os próprios sacerdotes católicos dizem que como estudo acadêmico, a Teologia Cristã nasceu mesmo nos séculos XI e XIII, durante a Idade Média. O problema é que nem eles próprios concordam entre si. 

De qualquer forma, a Teologia não pode ser considerada uma ciência acadêmica é o estudo sistemático, crítico e metodológico da fé, das doutrinas e da experiência do sagrado dentro do ambiente universitário, é levado muito a sério, mas não pode ser classificada como ciência e nem como uma filosofia prática (já falei sobre a Filosofia acima).


A Teologia Cristã

A Teologia é um estudo interpretativo, é como cada religioso ou cada denominação ou corrente religiosa entende, vê e vive o sagrado. Diferente das ciências naturais, que buscam evidências laboratoriais, a teologia é considerada uma ciência hermenêutica, ou seja, é muito complicado, pois é muito particular e subjetivo, o que vale para uma corrente religiosa, não serve para outra, e vice versa.

Veja que interessante, o que é válido para Igreja Católica Romana, não serve para a Igreja Católica Ortodoxa, o que é válido para a Assembleia de Deus do Belém, não serve para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Teologia Pentecostal é diferente da Teologia das Testemunhas de Jeová, etc.

Todas as igrejas dizem que sua Teologia em particular é verdadeira, é de Deus, é vinda da Bíblia e etc. 


Diferentes Tipos de Teologias

Para piorar, temos o problema de a Teologia não ser uma matéria única, muito pelo contrário, ela é difusa, imprecisa.

As teologias cristãs dividem-se em diferentes abordagens metodológicas dogmáticas, o problema é que elas buscam interpretar a revelação de Deus nas Escrituras e estruturar doutrinas e aplicar a fé cristã a contextos históricos, geográficos ou sociais específicos, mas cada uma corrente religiosa faz isso diferente da outra, isso faz surgir as mais variadas linhas de pensamentos distintos uns dos outros. Por exemplo Temos:

Teologia Católica Romana: Baseia-se na Escritura, Tradição e Magistério.

Teologia Ortodoxa Oriental: Foca no misticismo, na tradição patrística e na liturgia.

Teologia Protestante/Reformada: Foca na Sola Scriptura (somente a Bíblia) e na teologia calvinista ou luterana.

Teologia Pentecostal/Carismática: Enfatiza a experiência do Espírito Santo, dons espirituais e a atualidade do poder de Deus.

Teologia da Libertação: Enfatiza a justiça social e a opção preferencial pelos pobres.

Teologia da Cruz: Destaca Deus revelado na fraqueza e no sofrimento da cruz, contrapondo a "teologia da glória".

Teologia da Prosperidade: Associa a fé cristã ao sucesso financeiro e saúde física.


Lembrando que todas estas correntes de pensamentos teológicos usam a Bíblia como verdade absoluta, real e universal, sem contar que todas usam Efésios 4:3-6 "a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.

⁴ Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;

⁵ Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;

⁶ Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós." 

Com isso, dizem que seus ensinos, doutrinas e dogmas são unos, ímpares e únicos, e pasmem, todas dizem que o ensino da outra é errada, mas a sua em particular usa a Bíblia que é a Palavra de Deus. 

Se a Teologia Cristã fosse mesmo verdadeira, ela seria comprovada no dia-dia, mas sabemos que quando colocadas as pseudoverdades teológicas no dia-dia, a Teologia Cristã não passa, não serve e não funciona.


Teoria de Aquário

A Teologia Cristã é uma linha de pensamento que fica dentro de seu aquário, se tirá-la do aquário, ela simplesmente implode por si mesma. 

Não é ciência pois não funciona no mundo real do dia-dia da pessoa comum, é uma teoria irreal, ela fica linda dentro de sua prateleira, dentro do seu mundo paralelo. Nem para o próprio crente serve, pois quando acaba o culto, a missa ou o ensino teológico, ele não pratica o que aprendeu ou ouviu nos eventos religiosos.

Isso acontece pelo simples fato de ser uma realidade alternativa, a Teologia não é conhecimento que eleva o nível intelectual de seus adeptos, é um tipo de ensinamento perigoso, ardiloso, maléfico e maldito.


A EXAUSTÃO DE PROVAR SEMPRE SEU VALOR PARA SUA FAMÍLIA

 


O problema de tentar provar o tempo todo que você está certo para a sociedade e principalmente para a família é um ciclo exaustivo que frequentemente mascara uma profunda insegurança, o medo da vulnerabilidade ou a necessidade de validação externa. Essa busca constante por aprovação pode resultar em exaustão emocional, isolamento e na perda da própria identidade, pois o indivíduo passa a moldar suas ações para agradar aos outros.

Tentar validar seu valor, decisões ou crenças constantemente é insustentável. Ninguém consegue viver se desdobrando para ter razão o tempo todo sem sofrer. A busca por aprovação (social ou familiar) faz com que a pessoa tome decisões baseadas no que trará reconhecimento, anulando sua essência genuína.Em casos familiares, o esforço para provar sua razão pode ser uma reação a manipulações psicológicas, onde sentimentos são banalizados e a realidade é distorcida. Essa postura gera uma visão rígida, dificultando a aceitação de novas perspectivas e provocando desgastes nas relações interpessoais.

Quando a autoestima está ancorada na reação alheia, qualquer crítica ou falta de reconhecimento causa insegurança e sofrimento.

Tentar convencer a sociedade ou a família de que suas escolhas são corretas é como tentar empurrar uma parede. Você gasta uma energia que deveria ser usada na sua própria construção pessoal para tentar gerenciar a percepção alheia. No fim do dia, você está exausto e não saiu do lugar.

Quando você condiciona sua paz de espírito ao "sim" da família ou da sociedade, você entrega o controle da sua vida a eles. Se eles não concordam, você se sente um fracasso, mesmo que esteja fazendo o que é certo para você. Isso cria uma dependência emocional perigosa.

Na família, o desejo de estar certo mata a conexão. Onde deveria existir escuta e acolhimento, nasce o debate e o conflito. Muitas vezes, é melhor ter paz do que ter razão. Provar que está certo geralmente afasta as pessoas, em vez de aproximá-las.

Para ser aceito pela "sociedade", muitas vezes você acaba moldando suas verdades para caberem no que esperam de você. Com o tempo, você pode esquecer quem realmente é, vivendo um personagem que apenas performa o "sucesso" que os outros aprovam.


A FARSA DA FAMÍLIA DE DEUS

 



No falacioso Sistema Religioso, nos é ensinado que o Deus Todo Poderoso é quem zela, protege, governa e vela pela querida Família Cristã. 

No detestável e funesto Sistema Religioso, a diretriz é que, Deus é o Deus da Família, o Deus da Casa, o Governador do Lar. Mas a realidade é bem diferente do que nos ensinaram e nos forçaram a acreditar.

O que nós vemos no mundo real é o puro abandono, desunião, perseguição, rivalidades, brigas, desentendimentos, ciúmes, concorrência, inveja, todo tipo de conflitos que se possa imaginar. 

Não existem laços de sangue, compromisso fraterno e amizade familiar, nem na Bíblia isso acontece, vamos ver apenas alguns casos: 

Caim e Abel Gênesis 4: A primeira família experimentou o extremo, com Caim matando Abel por inveja e aceitação divina.

Abraão, Sara e Hagar Gênesis 16, 21: Conflito conjugal e ciúme entre Sara e Hagar, resultando na expulsão de Hagar e Ismael.

Isaque, Rebeca, Esaú e Jacó Gênesis 27: Favoritismo dos pais gerou rivalidade intensa entre irmãos, levando Jacó a enganar Esaú para roubar a bênção.

José e seus irmãos Gênesis 37: Ciúme fraterno extremo levou os irmãos a venderem José como escravo.

Davi e Absalão 2 Samuel 13-18: Conflito familiar complexo envolvendo abuso, vingança e tentativa de usurpação do trono por parte do filho contra o pai.

Jesus e seus Familiares João 7:3-5 - Mateus 12:46-50 - Marcos 3:31-35 - Marcos 3:21: Jesus enfrentou incompreensão e até oposição de parentes, que o consideravam fora de si.

Briga entre Ana e Penina 1 Sm 1:6-7: Penina é chamada de "rival" de Ana e a irritava "excessivamente" para a enfurecer.

Mical desonra Davi 2 Samuel 6:16-20: Durante a celebração da chegada da Arca da Aliança a Jerusalém, Mical, filha de Saul, sentiu desprezo por Davi ao vê-lo dançar com alegria diante de Deus, considerando sua atitude vulgar e indigna de um rei.

Os filhos do Profeta Samuel eram Maus 1 Samuel 8:1-3: Os filhos de Samuel, Joel e Abias, foram juízes corruptos que aceitaram subornos e perverteram a justiça, agindo de forma gananciosa, ao contrário de seu pai, , foi o pretexto utilizado pelo povo de Israel para pedir a Samuel um rei.

Noé amaldiçoa seu neto Canaã Gênesis 9:25: Noé estava bêbado e ficou pelado na sua tenda. Cão viu a nudez do pai e contou aos seus dois irmãos do lado de fora, para que eles o cobrissem (o vestissem).


Em todas estas situações, vimos nos mitos bíblicos que tais personagens míticos não se davam bem com os do seu próprio sangue.

Não existe união, harmonia, simetria, paz, diálogo, convergência e outras mentiras que nos contaram e ainda contam na hipócrita e pilantrópica Religião.

Para os enganados religiosos, Deus é Todo Poderoso, ele Pode Tudo, mas, na prática, no mundo real, ele não é Todo Poderoso, não Pode Tudo, pelo simples fato de ele não existir.

Não existe Família de Deus, não existe um projeto divino para às famílias, esperar que uma divindade inexistente faça e aconteça na sua família é o pior erro que se possa cometer.

Você é quem deve tomar às rédeas de sua família, seja o exemplo a ser seguido, você tem que ser amigo, honrado, justo, humano e humilde para os que são do seu sangue, você tem que ser o melhor que você possa ser em sua forma de se comportar.

Seja firme, amoroso e zelador por todos do seu lar, não deixa as malignas doutrinas religiosas e sociais macular a convivência das pessoas que vivem na sua casa. 


segunda-feira, 27 de abril de 2026

A DECIFRAÇÃO DO CUNEIFORME



A decifração da escrita cuneiforme começou com a decifração da escrita cuneiforme do persa antigo entre 1802 e 1836.

As primeiras inscrições cuneiformes publicadas nos tempos modernos foram copiadas das inscrições reais aquemênidas nas ruínas de Persépolis, com a primeira cópia completa e precisa sendo publicada em 1778 por Carsten Niebuhr. A publicação de Niebuhr foi usada por Grotefend em 1802 para fazer o primeiro avanço – a constatação de que Niebuhr havia publicado três línguas diferentes lado a lado e o reconhecimento da palavra "rei".

A redescoberta e publicação da escrita cuneiforme ocorreram no início do século XVII, e as primeiras conclusões foram tiradas, como a direção da escrita e a constatação de que as inscrições reais aquemênidas representavam três línguas diferentes (com duas escritas distintas). Em 1620, García de Silva Figueroa datou as inscrições de Persépolis como sendo do período aquemênida, identificou-as como persa antigo e concluiu que as ruínas eram a antiga residência de Persépolis. Em 1621, Pietro della Valle especificou a direção da escrita, da esquerda para a direita. Em 1762, Jean-Jacques Barthélemy descobriu que uma inscrição em Persépolis era semelhante à encontrada em um tijolo na Babilônia. Carsten Niebuhr fez as primeiras cópias das inscrições de Persépolis em 1778 e identificou três tipos diferentes de escrita, que posteriormente ficaram conhecidos como Niebuhr I, II e III. Ele foi o primeiro a descobrir o sinal para divisão de palavras em uma das inscrições. Oluf Gerhard Tychsen foi o primeiro a listar 24 valores fonéticos ou alfabéticos para os caracteres em 1798.

A decifração propriamente dita só ocorreu no início do século XIX, iniciada por Georg Friedrich Grotefend em seu estudo da escrita cuneiforme do persa antigo. Ele foi seguido por Antoine-Jean Saint-Martin em 1822 e Rasmus Christian Rask em 1823, que foi o primeiro a decifrar o nome Aquemênides e as consoantes m e n. Eugène Burnouf identificou os nomes de várias satrapias e as consoantes k e z entre 1833 e 1835. Christian Lassen contribuiu significativamente para a compreensão gramatical da língua persa antiga e para o uso das vogais. Os decifradores utilizaram as breves inscrições trilíngues de Persépolis e as inscrições de Ganjnāme em seu trabalho.

Na etapa final, a decifração da inscrição trilíngue de Behistun foi concluída por Henry Rawlinson e Edward Hincks. Edward Hincks descobriu que o persa antigo é em parte um silabár.


Conhecimento Inicial

Durante séculos, os viajantes de Persépolis, localizada no Irã, notaram inscrições cuneiformes esculpidas e ficaram intrigados. As tentativas de decifrar o cuneiforme persa antigo remontam aos historiadores árabes-persas do mundo islâmico medieval, embora essas primeiras tentativas de decifração tenham sido em grande parte malsucedidas.

No século XV, o veneziano Giosafat Barbaro explorou ruínas antigas no Oriente Médio e voltou com notícias de uma escrita muito estranha que havia encontrado gravada nas pedras dos templos de Shiraz e em muitas tabuletas de argila.

Antonio de Gouvea, um professor de teologia, observou em 1602 a estranha escrita que vira durante suas viagens um ano antes na Pérsia.  Em 1625, o viajante romano Pietro Della Valle, que havia pernoitado na Mesopotâmia entre 1616 e 1621, trouxe para a Europa cópias de caracteres que vira em Persépolis e tijolos inscritos de Ur e das ruínas da Babilônia. As cópias que ele fez, as primeiras a circular na Europa, não eram totalmente precisas, mas Della Valle entendeu que a escrita devia ser lida da esquerda para a direita, seguindo a direção das cunhas. No entanto, ele não tentou decifrar as escritas.

O inglês Sir Thomas Herbert, na edição de 1638 de seu livro de viagens Some Yeares Travels into Africa & Asia the Great, relatou ter visto em Persépolis esculpidas na parede "uma dúzia de linhas de caracteres estranhos... consistindo em figuras, obeliscos, triângulos e pirâmides" e achou que se assemelhavam ao grego. Na edição de 1677, ele reproduziu algumas e achou que eram 'legíveis e inteligíveis' e, portanto, decifráveis. Ele também supôs, corretamente, que representavam não letras ou hieróglifos, mas palavras e sílabas, e que deveriam ser lidas da esquerda para a direita.

Em 1700, Thomas Hyde chamou pela primeira vez as inscrições de "cuneiformes", mas considerou que elas não eram mais do que frisos decorativos.

As tentativas adequadas de decifrar a escrita cuneiforme persa antiga começaram com cópias fiéis de inscrições cuneiformes, que se tornaram disponíveis pela primeira vez em 1711, quando duplicatas das inscrições de Dario foram publicadas por Jean Chardin.


Dedução da Palavra Rei em Persa Antigo

Carsten Niebuhr trouxe para a Europa cópias muito completas e precisas das inscrições de Persépolis, publicadas em 1767 em Reisebeschreibungen nach Arabien "Relato de viagens à Arábia e outras terras circundantes". O conjunto de caracteres que mais tarde seria conhecido como cuneiforme persa antigo foi logo percebido como o mais simples dos três tipos de escrita cuneiforme encontrados e, por isso, foi considerado um forte candidato à decifração (as outras duas escritas, mais antigas e mais complexas, eram a elamita e a babilônica). Niebuhr percebeu que havia apenas 42 caracteres na categoria mais simples de inscrições, que ele denominou "Classe I", e afirmou que, portanto, deveria ser uma escrita alfabética. 

Por volta da mesma época, Anquetil-Duperron voltou da Índia, onde havia aprendido pálavi e persa com os parsis, e publicou em 1771 uma tradução do Zend Avesta, tornando assim conhecido o avéstico, uma das antigas línguas iranianas. Com essa base, Antoine Isaac Silvestre de Sacy pôde iniciar o estudo do persa médio em 1792-93, durante a Revolução Francesa, e percebeu que as inscrições de Naqsh-e Rostam tinham uma estrutura bastante estereotipada, seguindo o modelo: "Nome do Rei, o Grande Rei, o Rei do Irã e Aniran, filho de N., o Grande Rei, etc...".  Ele publicou seus resultados em 1793 em Mémoire sur diverses antiquités de la Perse.

Em 1798, Oluf Gerhard Tychsen fez o primeiro estudo das inscrições de Persépolis copiadas por Niebuhr. Ele descobriu que séries de caracteres nas inscrições persas eram separadas umas das outras por uma cunha oblíqua 𐏐  e que estas deviam ser palavras individuais. Ele também descobriu que um grupo específico de sete letras 𐎧𐏁𐎠𐎹𐎰𐎡𐎹 se repetia nas inscrições e que elas tinham algumas terminações recorrentes de três a quatro letras. No entanto, Tychsen atribuiu erroneamente os textos aos reis arsácidas e, portanto, não conseguiu avançar mais. 

Friedrich Münter, bispo de Copenhague, aprimorou o trabalho de Tychsen e provou que as inscrições deviam pertencer à época de Ciro e seus sucessores, o que levou à sugestão de que as inscrições estavam em persa antigo e provavelmente mencionavam reis aquemênidas. Ele sugeriu que a longa palavra que aparece com alta frequência e sem qualquer variação no início de cada inscrição 𐎧𐏁𐎠𐎹𐎰𐎡𐎹  deve corresponder à palavra "Rei", e que as repetições dessa sequência devem significar "Rei dos Reis". Ele corretamente deduziu que a sequência deve ser pronunciada kh-sha-a-ya-th-i-ya, uma palavra da mesma raiz que o avéstico xšaΘra- e o sânscrito kṣatra-, que significam "poder" e "comando", e que agora se sabe ser pronunciada xšāyaθiya em persa antigo.


Dedução dos Nomes dos Governantes em Persa Antigo

Em 1802, Georg Friedrich Grotefend conjecturou que, com base nas inscrições conhecidas de governantes muito posteriores (as inscrições pálavi dos reis sassânidas), o nome de um rei é frequentemente seguido por "grande rei, rei dos reis" e o nome do pai do rei. Essa compreensão da estrutura das inscrições monumentais em persa antigo baseava-se no trabalho de Anquetil-Duperron, que havia estudado o persa antigo através dos Avestás zoroastrianos na Índia, e de Antoine Isaac Silvestre de Sacy, que havia decifrado as inscrições pálavi monumentais dos reis sassânidas. 

Ao analisar o comprimento das sequências de caracteres nas inscrições 1 e 2 de Niebuhr, compará-las com os nomes e a genealogia dos reis aquemênidas conhecidos pelos gregos e levar em consideração o fato de que, segundo essa genealogia, os pais de dois dos governantes aquemênidas não eram reis e, portanto, não deveriam ser descritos dessa forma nas inscrições, Grotefend deduziu corretamente a identidade dos governantes. Na história persa da época em que se espera que as inscrições tenham sido feitas, houve apenas dois casos em que um governante chegou ao poder sem ser filho de um rei anterior: Dario, o Grande, e Ciro, o Grande, ambos imperadores por meio de revoltas. Os fatores decisivos entre essas duas escolhas foram os nomes de seus pais e filhos. O pai de Dario era Histaspes e seu filho, Xerxes, enquanto o pai de Ciro era Cambises I e seu filho, Cambises II. Nas inscrições, o pai e o filho do rei tinham grupos diferentes de símbolos para os nomes, então Grotefend corretamente deduziu que este rei devia ser Dario, o Grande.

Essas conexões permitiram a Grotefend identificar os caracteres cuneiformes usados ​​nos nomes de Dario, do pai de Dario, Histaspes, e do filho de Dario, Xerxes. Ele equiparou as letras 𐎭𐎠𐎼𐎹𐎺𐎢𐏁 ao nome darheu-sh para Dario, como conhecido pelos gregos.

Essa identificação estava correta, embora a grafia persa real fosse da-a-ra-ya-va-u-sha, mas isso era desconhecido na época. Grotefend equiparou de forma semelhante a sequência 𐎧𐏁𐎹𐎠𐎼𐏁𐎠 a kh-sh-her-sh-e para Xerxes, o que também estava correto, embora a transcrição real do persa antigo fosse wsa-sha-ya-a-ra-sha-a. Finalmente, ele combinou a sequência do pai que não era rei 𐎻𐎡𐏁𐎫𐎠𐎿𐎱 com Histaspes, mas novamente com a suposta leitura persa de go-sh-tasp, em vez do verdadeiro persa antigo vi-i-sha-ta-a-sa-pa.

Por esse método, Grotefend identificou corretamente cada rei nas inscrições, embora sua identificação do valor de letras individuais fosse imprecisa, por falta de uma melhor compreensão da própria língua persa antiga. Grotefend identificou corretamente apenas oito letras entre os trinta sinais que havia compilado. Por mais inovador que fosse, esse método indutivo não convenceu os acadêmicos, e o reconhecimento oficial de seu trabalho foi negado por quase uma geração. Embora a Memória de Grotefend tenha sido apresentada à Academia de Ciências e Humanidades de Göttingen em 4 de setembro de 1802, a academia se recusou a publicá-la; ela foi posteriormente publicada na obra de Heeren em 1815, mas foi ignorada pela maioria dos pesquisadores da época. 


Confirmação através dos Hieróglifos Egípcios

Foi apenas em 1823 que a descoberta de Grotefend foi confirmada, quando o filólogo francês Champollion, que acabara de decifrar hieróglifos egípcios, conseguiu ler a dedicatória egípcia de uma inscrição hieroglífica-cuneiforme quadrilíngue em um vaso de alabastro no Gabinete de Medalhas, o vaso Caylus. Champollion descobriu que a inscrição egípcia no vaso era o nome do Rei Xerxes I, e o orientalista Antoine-Jean Saint-Martin, que acompanhava Champollion, conseguiu confirmar que as palavras correspondentes na escrita cuneiforme eram de fato as palavras que Grotefend havia identificado como significando "rei" e "Xerxes" por meio de conjecturas. As descobertas foram publicadas por Saint-Martin em Extrait d'un mémoire relatif aux antiques inscriptions de Persépolis lu à l'Académie des Inscriptions et Belles Lettres, vindicando assim o trabalho pioneiro de Grotefend. Desta vez, os acadêmicos tomaram nota, particularmente Eugène Burnouf e Rasmus Christian Rask, que expandiriam o trabalho de Grotefend e avançariam ainda mais na decifração da escrita cuneiforme. Na verdade, a decifração dos hieróglifos egípcios foi, portanto, decisiva para confirmar os primeiros passos da decifração da escrita cuneiforme.

Em 1836, o eminente estudioso francês Eugène Burnouf descobriu que a primeira das inscrições publicadas por Niebuhr continha uma lista das satrapias de Dario. Com essa pista em mãos, ele identificou e publicou um alfabeto de trinta letras, a maioria das quais ele havia decifrado corretamente.

Um mês antes, um amigo e aluno de Burnouf, o professor Christian Lassen de Bonn, também havia publicado seu próprio trabalho sobre As Inscrições Cuneiformes Persas Antigas de Persépolis. Ele e Burnouf mantinham correspondência frequente, e sua alegação de ter detectado independentemente os nomes das satrapias e, assim, ter fixado os valores dos caracteres persas, foi, consequentemente, ferozmente atacada. Segundo Sayce, quaisquer que fossem suas obrigações para com Burnouf, Lassen

...as contribuições para a decifração das inscrições foram numerosas e importantes. Ele conseguiu determinar os valores reais de quase todas as letras do alfabeto persa, traduzir os textos e provar que a língua neles contida não era o zend, mas sim uma língua irmã, próxima tanto do zend quanto do sânscrito. — Sayce


Decifrando Textos Elamitas e Babilônicos

Entretanto, em 1835, Henry Rawlinson, um oficial do exército da Companhia Britânica das Índias Orientais, visitou as Inscrições de Behistun na Pérsia. Esculpidas durante o reinado do rei Dario da Pérsia (522–486 a.C.), elas consistiam em textos idênticos nas três línguas oficiais do império: persa antigo, babilônico e elamita. A inscrição de Behistun foi para a decifração da escrita cuneiforme o que a Pedra de Roseta (descoberta em 1799) foi para a decifração dos hieróglifos egípcios em 1822.

Rawlinson concluiu com sucesso a decifração da escrita cuneiforme persa antiga. Em 1837, ele terminou sua cópia da inscrição de Behistun e enviou uma tradução de seus parágrafos iniciais para a Sociedade Real Asiática. Antes que seu artigo pudesse ser publicado, no entanto, as obras de Lassen e Burnouf chegaram até ele, o que exigiu uma revisão de seu artigo e o adiamento de sua publicação. Em seguida, surgiram outras causas de atraso. Em 1847, a primeira parte da Memória de Rawlinson foi publicada; a segunda parte só apareceu em 1849.  A tarefa de decifrar textos cuneiformes persas antigos estava praticamente concluída.  

Após traduzir o persa antigo, Rawlinson e, trabalhando independentemente dele, o assiriólogo irlandês Edward Hincks, começaram a decifrar as outras escritas cuneiformes na Inscrição de Behistun. A decifração do persa antigo foi, portanto, fundamental para a decifração do elamita e do babilônico, graças à inscrição trilíngue de Behistun.


Decifrando Acádio e Sumério

A decifração do babilônico acabou por levar à decifração do acádio, que era um predecessor próximo do babilônico. As técnicas reais usadas para decifrar a língua acádia nunca foram totalmente publicadas; Hincks descreveu como procurou os nomes próprios já legíveis no persa decifrado, enquanto Rawlinson nunca disse nada, levando alguns a especular que ele estava secretamente copiando Hincks. Eles foram muito auxiliados pelas escavações do naturalista francês Paul Émile Botta e do viajante e diplomata inglês Austen Henry Layard na cidade de Nínive a partir de 1842. Entre os tesouros descobertos por Layard e seu sucessor Hormuzd Rassam estavam, em 1849 e 1851, os restos de duas bibliotecas, agora misturadas, geralmente chamadas de Biblioteca de Assurbanípal, um arquivo real contendo dezenas de milhares de tabuletas de argila cozida cobertas com inscrições cuneiformes.

Em 1851, Hincks e Rawlinson já conseguiam ler 200 inscrições acádias. Logo foram acompanhados por outros dois decifradores: o jovem erudito de origem alemã Julius Oppert e o versátil orientalista britânico William Henry Fox Talbot. Em 1857, os quatro homens foram convidados a participar de um famoso experimento para testar a precisão de suas decifrações. Edwin Norris, secretário da Royal Asiatic Society, deu a cada um deles uma cópia de uma inscrição recém-descoberta do reinado do imperador assírio Tiglate-Pileser I. Um júri de especialistas foi convocado para examinar as traduções resultantes e avaliar sua precisão, e os resultados foram publicados. Em todos os pontos essenciais, as traduções produzidas pelos quatro estudiosos apresentaram grande concordância entre si. Havia, naturalmente, algumas pequenas discrepâncias. O inexperiente Talbot cometeu vários erros, e a tradução de Oppert continha algumas passagens duvidosas que o júri atribuiu educadamente à sua falta de familiaridade com a língua inglesa. Mas as versões de Hincks e Rawlinson correspondiam notavelmente de perto em muitos aspectos. O júri declarou-se satisfeito, e a decifração da escrita cuneiforme acádia foi considerada um fato consumado.

O sumério foi a última e mais antiga língua a ser decifrada. Venda de vários campos, provavelmente de Isin, por volta de 2600 a.C.

Finalmente, o sumério, a língua mais antiga com escrita, também foi decifrado através da análise de antigos dicionários acádio-sumérios e tabletes bilíngues, visto que o sumério permaneceu por muito tempo uma língua literária na Mesopotâmia, sendo frequentemente copiada, traduzida e comentada em numerosos tabletes babilônicos. 


Nomes Próprios

Nos primórdios da decifração cuneiforme, a leitura de nomes próprios representava a maior dificuldade. Contudo, hoje há uma melhor compreensão dos princípios que regem a formação e a pronúncia dos milhares de nomes encontrados em registros históricos, documentos comerciais, inscrições votivas, obras literárias e documentos legais. O principal desafio residia no uso característico de logogramas sumérios não fonéticos em outros idiomas, que possuíam pronúncias diferentes para os mesmos símbolos. Até que a leitura fonética exata de muitos nomes fosse determinada por meio de passagens paralelas ou listas explicativas, os estudiosos permaneciam em dúvida ou recorriam a leituras conjecturais ou provisórias. No entanto, em muitos casos, existem variantes textuais, com o mesmo nome sendo escrito foneticamente (total ou parcialmente) em um caso e logo graficamente em outro.


A Era Digital

Métodos computacionais estão sendo desenvolvidos para digitalizar tabletes e ajudar a decifrar textos. Em 2023, foi demonstrado que a tradução automática de alta qualidade de línguas cuneiformes como o acádio pode ser alcançada usando métodos de Processamento de Linguagem Natural com redes neurais convolucionais.

Em novembro de 2023, pesquisadores fizeram registros mais precisos da escrita cuneiforme com digitalizações tridimensionais e uma Rede Neural Convolucional Baseada em Regiões capaz de avaliar a profundidade da impressão deixada pelo estilete na argila e a distância entre os símbolos e as cunhas. A rede neural foi treinada em modelos 3D de 1.977 tabletes cuneiformes, com anotações detalhadas de 21.000 sinais cuneiformes e 4.700 cunhas.


HUMANOS ESCOLHEM LÍDERES FRACOS

 


Wilston Curchill nunca disse que os animais nunca permitem que um líder fraco ou estúpido guie a manada. Mas a frase é uma fria realidade que remete a nossa sociedade "sofisticada e moderna", visto que destaca a diferença entre a liderança baseada no instinto de sobrevivência e a liderança humana baseada em escolhas complexas e idiotas.

 

A Frase

A origem da frase é inserta, a citação aparece repetidamente na internet como sendo de Wilston Curchill, embora o próprio nunca tenha dito na vida real. A frase é de autoria desconhecida.

Embora frequentemente associada ao ex-primeiro-ministro britânico, a frase é um exemplo comum de "citação inventada" atribuída a figuras históricas para dar autoridade à mensagem.

Não há nenhum registro histórico de que Winston Churchill tenha dito ou escrito essa frase, arquivos oficiais como International Churchill Society não a reconhecem como autêntica. Essa frase é uma criação moderna que tenta usar a autoridade de Churchill para validar uma opinião sobre liderança.


Liderança Animal

A liderança animal é focada em sobrevivência, por isso animais sociais, como lobos, leões, chimpanzés, elefantes, gorilas, baseiam sua hierarquia na força física, imposição, experiência, sabedoria ou capacidade de proteger o grupo, como por exemplo experiência em encontrar comida ou habilidade de proteção do grupo. 

Um líder fraco que não consegue guiar o grupo com segurança ou garantir recursos, coloca o bando em risco de morte, por isso ele é rapidamente desafiado e substituído, muitas vezes de forma violenta, por um mais apto.

Na natureza, seguir um líder fraco ou estúpido tem consequências imediatas e fatais, como a morte por predação ou inanição. Isso força uma seleção natural dos líderes mais capazes.

No reino animal, os sinais são honestos, os animais raramente conseguem "fingir" competência. Ou o macho alfa vence a briga, ou a matriarca sabe onde está a água. Não há marketing ou ideologia para mascarar a fraqueza, os animais tendem a não tolerar a "estupidez" na liderança, pois seu custo é muito alto.


Liderança Humana

Nós humanos, somos estúpidos, nós escolhemos nossos líderes por afinidade ideológica, promessas de futuro, carisma ou até por medo de um "inimigo" pior.

Os seres humanos são capazes de escolher líderes baseados em emoções, promessas falsas, carisma, oratória, aparência ou riqueza, em vez de caráter ou capacidade técnica, mesmo que o indivíduo não tenha competência, sabedoria ou caráter para o cargo. Isso pode levar a decisões coletivas prejudiciais que, na natureza, resultariam na eliminação do grupo.

Estas infelizes decisões humanas são muitas vezes guiados também por ideologias, laços emocionais ou manipulações, o que pode levar a escolhas questionáveis.

Só na sociedade humana permite que  As sociedades humanas são mais complexas, permitindo que líderes ineptos permaneçam no poder por mais tempo do que na natureza. 


Conclusão

Enquanto os animais seguem o mais forte ou o mais sábio por instinto de sobrevivência, os humanos frequentemente seguem quem melhor os persuade, independentemente da competência. Portanto, a frase reflete que os animais tendem a não tolerar a "estupidez" na liderança, pois seu custo é muito alto.

A grande diferença entre nós, os humanos inteligentes e os animais é que, nos animais, o erro na escolha do líder geralmente resulta em morte ou extinção imediata do grupo, enquanto nas sociedades humanas, as estruturas sociais conseguem amortecer (ou prolongar) o impacto de uma liderança ruim.

Portanto, quem é inteligente então?


domingo, 26 de abril de 2026

A REPÚBLICA DO EVANGELISTÃO

 


"Evangelistão" é um termo crítico e polêmico usado para descrever a crescente influência de pautas conservadoras neopentecostais na política brasileira, sugerindo uma teocracia em potencial. O conceito aponta para a atuação da "Bancada Evangélica" e a aproximação entre Estado e igrejas, com temor de retrocessos em direitos civis e pluralidade cultural.

O crescimento da influência evangélica é visto como um desdobramento da Nova República, consolidando uma "Bancada Evangélica" que debate as fronteiras entre religião e Estado.

A compra da Rede Record por Edir Macedo em 1989 é frequentemente citada como um marco central, permitindo que igrejas expandam sua influência para a iniciativa privada e pública.

O movimento pentecostal cresce em locais com baixa presença do Estado, oferecendo suporte social e teologia conservadora a populações vulneráveis.

Críticos alertam que esse movimento busca a conversão de valores cristãos em decretos, o que pode ameaçar a diversidade cultural e religiosa, resultando no vandalismo de terreiros e censura cultural, esse movimento faz parte de uma ascensão global da extrema direita que utiliza a fé como ferramenta política.


A CIA E A RELIGIÃO EVANGÉLICA NO BRASIL

 


Há 50 anos uma guerra psicológica ousada foi colocada em prática – e seus efeitos operam até hoje. Para tentar combater o avanço do comunismo, os EUA enviaram ao Brasil milhares de missionários de religiões e seitas evangélicas e católicas, judeus conservadores e até membros de empresas privadas com um objetivo: popularizar versões reacionárias da fé cristã e, assim, conquistar corações e mentes. 

O objetivo era implantar e defender governos subservientes e capitalistas  – vários deles, como o brasileiro, eram ditaduras militares – que se opusessem ao comunismo e se alinhassem à economia de mercado que os EUA tentavam expandir para todo o planeta.


Digno de um filme de conspiração internacional, esse roteiro geopolítico é real. E está relatado no livro O Partido da Fé Capitalista (Da Vinci Livros), lançado no início do ano.


A obra é baseada na tese de doutorado O Partido da Fé Capitalista – Organizações religiosas e o imperialismo norte-americano na segunda metade do século XX, que o historiador Rodrigo de Sá Netto defendeu em 2022 no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense. 

Em sua investigação, que durou cinco anos, Sá Netto utilizou arquivos públicos brasileiros e estadunidenses e pesquisou, entre outros, documentos do Serviço Nacional de Informações, o SNI , depositados no Arquivo Nacional do Brasil, e da Central Intelligence Agency, a CIA, nos EUA. No NARA (National Archives and Records Administration) ele pesquisou os arquivos dos presidentes estadunidenses.

“O livro e a tese contam a história de uma coligação ecumênica que envolve religiosos de múltiplas denominações. Ela começa a ser gestada por órgãos governamentais americanos, como a USIA, a United States Information Agency, que lidava com diplomacia pública, voltada para influenciar populações de outros países de acordo com seus interesses”, conta Sá Netto, que é também é pesquisador do Arquivo Nacional. 

“Houve financiamento das agências norte-americanas, majoritariamente com os Republicanos e um pouco com os Democratas, para a atuação desses missionários nas décadas de 1950 a 1970”, explica Fábio Py, teólogo protestante-evangélico e professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte-Fluminense, que participou da banca de Sá Netto.

“A estratégia também envolvia empresários, agentes governamentais, líderes religiosos e intelectuais estadunidenses, que contactaram os seus pares no Brasil e nos demais países latino-americanos”, relata Sá Netto. 

O plano começou em 1954, com a criação pelo governo dos EUA da Fundação para Ação Política e Religiosa na Ordem Civil e Social, a Frasco, cujo dirigente era um membro da Usia. A Frasco congregava religiosos de várias denominações, sobretudo evangélicos, que nos EUA são maioria, mas também católicos conservadores e judeus. 

Era um “esforço internacional para formar uma frente religiosa internacional anti-comunista e pró-capitalista, defendendo os pressupostos do livre mercado e da liberdade norte-americana, em contraste com o que seria o ateísmo e o planejamento econômico comunista, onde supostamente não haveria liberdade sequer para se professar a religião”, explica o historiador.


TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E LUTA ANTICOMUNISTA

No início da década de 1950, os Estados Unidos e a então União Soviética mergulham na Guerra Fria pós-2ª Guerra Mundial e passam a disputar econômica, militar e politicamente a hegemonia sobre cada centímetro do mundo. 

Na América Latina, que Washington sempre considerou como seu quintal, a ditadura empresarial e militar implantada em 1964 olhava com bons olhos essa expansão capitalista. Os militares contribuíram para que o Brasil, o maior país da região, tivesse se tornado o principal alvo da estratégia de consolidação e ampliação da influência do governo estadunidense. 

“Não à toa, a partir dos anos 1950 temos uma escalada inédita da vinda de missionários e religiosos estrangeiros vindo para cá”, diz Sá Netto.

Algumas das maiores e mais poderosas igrejas pentecostais que atuam no Brasil foram fundadas naquele contexto. Um exemplo é a Igreja do Evangelho Quadrangular. Fundada em 1923 por Aimee McPherson, nos Estados Unidos, a igreja foi trazida ao Brasil em 1951 por Harold Williams e Jesus Hermínio Vasquez Ramos, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. 

Outros exemplos são a Igreja Deus é Amor e Brasil Para Cristo, fundada por pastores brasileiros que tinham passagem por igrejas pentecostais norte-americanas. 

Essas igrejas evangélicas pentecostais abriram o caminho para novas, como a  Igreja de Nova Vida, fundada no Brasil pelo pastor canadense Robert McAlister, uma das primeira expoentes da teologia da prosperidade no Brasil. Outra é a superpoderosa Igreja Universal do Reino de Deus. “O Edir Macedo aprendeu muito, pegou a fórmula e transformou em uma franquia com traços brasileiros e adaptações muito efetivas. Mas a matriz de pensamento é toda estadunidense”, explica Sá Netto.

A estratégia dos EUA passava por enviar organizações missionárias em massa para o Brasil. Um documento de 1961, do Conselho de Segurança Nacional, encontrado por Sá Netto, relata que, desde 1957, havia um número incontável de missões evangélicas estrangeiras na Amazônia, mas que não havia certeza sobre quais nem quantas exatamente. 

O documento mostrava que essas missões tinham colaboração com a CIA, com o garimpo ilegal, com a destruição de cultura indígena e tráfico de drogas. Mas o Conselho ressaltava que nada havia sido provado e que não convinha retirá-las do Brasil porque elas faziam um bom trabalho. “Convinha retirar o indígena da natureza e integrá-lo à civilização, à sociedade capitalista brasileira. Essa concepção permanece até hoje”, diz Sá Netto.

A simpatia do estado brasileiro com os evangélicos estrangeiros foi admitida pelo próprio Comando Militar da Amazônia. Em um relatório de 1974, o órgão admitiu haver “uma complacência e até mesmo apoio das autoridades municipais, estaduais e federais com relação a estes missionários”.  

A pesquisa de Sá Netto também revela que o governo ditatorial tinha uma predileção nada disfarçada por missionários evangélicos sobre os católicos. 

Um documento confidencial da DSI do Ministério do Interior diz, por exemplo, que as missões católicas, “normalmente sob influência da Teologia da Libertação, procuram a conscientização do índio para seus direitos”, contestando frequentemente as determinações do governo. O governo criticava, por exemplo, o fato das missões católicas exacerbarem “a reivindicação pela terra indígena”, dando “importância secundária à catequese”. 

A “pressão ideológica e reivindicatória” que os católicos progressistas exerciam, sobretudo os reunidos no Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, era, então, apontada como ponto negativo da presença desse grupo. Por outro lado, a DSI livrava completamente a cara do grupo evangélico, afirmando, sem rodeios, que essa “ação contestadora só ocorre com os missionários católicos”.

Os documentos revelam que a Igreja da Unificação, que se concentrava nas cidades, também foi protegida pelos militares. “Os serviços de inteligência diziam que a despeito de denúncias nada havia sido comprovado contra a igreja, que deveriam permanecer no Brasil porque vigorava no País a liberdade religiosa e, mais importante, porque ela fazia atividades de conscientização política anticomunista”, diz Sá Netto.

A Igreja da Unificação, conservadora, pró-capitalista, era o nome conhecido da Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial, foi fundada na Coréia do Sul em 1954 por Sun Myung Moon, o Reverendo Moon.

Um documento, datado de 1981, defende a permanência no Brasil da Igreja da Unificação. Para a Diretoria de Segurança Interna do Ministério da Justiça, além de ser juridicamente inatacável, importava o fato de ela lutar contra o comunismo, contrapondo-se, assim, à influência das organizações de contestação da ditadura. 

Para o órgão, suas pregações contribuíram para fortalecer o nacionalismo e o sentimento religioso e democrático, e que a sua denúncia sistemática das mazelas do comunismo fortaleceria a consciência política e ideológica da população.

Conhecida por organizar enormes casamentos coletivos que reuniam até milhares de casais, a Igreja da Unificação foi fundada por Sun Myung Moon na Coreia do Sul em 1954, e ficou conhecida por escândalos financeiros, como desvio de doações de fiéis.

Ao longo da década de 1980, explica Sá Netto, a Igreja se envolveu na política brasileira: financiou 60 candidatos à Constituinte de 1986, de legendas conservadoras, além dos candidatos a prefeito em São Paulo, Jânio Quadros e Paulo Maluf. Hoje, a igreja foi rebatizada como Federação da Família para a Paz Mundial e Unificação.

Para o pesquisador, os filhos daquela política imperialista dos EUA ainda estão muito ativos no Brasil. Um exemplo é o 8 de Janeiro, que tem fortes indícios da participação de algumas igrejas na organização do movimento golpista. 

Segundo a Polícia Federal, alguns dos golpistas presos durante a invasão e depredação alegaram terem sido recrutados e/ou financiados por organizações como a Igreja Batista, a Presbiteriana Renovada e a Assembleia de Deus.

Além disso, a infiltração em espaços públicos também ainda ocorre de maneira explícita. Em 2019, o grupo evangélico ultraconservador Capitol Ministries se aproximou de integrantes do governo Bolsonaro e mais recentemente, de deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Relatório lista preocupações com os missionários, mas reconhece dificuldades em controlá-los.

Documentos mostram preocupação dos miliares com a influência da Teologia da Libertação.


sábado, 25 de abril de 2026

A FARSA DOS BILIONÁRIOS FEITOS DO ZERO


 

Vivemos numa época obcecada por histórias de sucesso. Todos os dias, ouvimos falar de pessoas que supostamente começaram do nada e ficaram extremamente ricas através de trabalho árduo e talento!

Nessas histórias, os bilionários são apresentados como prova de que qualquer pessoa pode ter sucesso se se esforçar o suficiente. A mensagem é simples: trabalhe duro e o sucesso é garantido. Essa narrativa é reconfortante. Ela inspira esperança e motivação, mas também é profundamente enganosa.

Ignora-se uma verdade importante: a sorte, especialmente nascer na família certa, desempenha um papel fundamental no sucesso. Trabalho árduo, inteligência e ambição também são importantes. Mas, sem acesso a uma boa educação, dinheiro, contatos e segurança financeira, essas qualidades raramente levam à riqueza extrema.

A ideia do "bilionário que se fez sozinho" é um dos maiores mitos do capitalismo moderno. Ela nos faz esquecer sistemas injustos e coloca toda a responsabilidade sobre os indivíduos. Se os bilionários enriqueceram apenas com esforço, então a pobreza deve ser um fracasso pessoal.

Essa forma de pensar faz com que a desigualdade pareça normal e esconde profundas injustiças sociais. Mas o mundo real é bem diferente.

Para entender como a sorte molda o sucesso, precisamos analisar o ponto de partida das pessoas na vida. Nem todos começam do mesmo lugar. Alguns nascem em famílias com dinheiro, educação de qualidade e conexões fortes. Outros crescem na pobreza, em escolas precárias, insegurança e estresse constante!

Quando suas necessidades básicas são atendidas, você pode correr riscos. Pode falhar, tentar novamente, aprender, viajar e experimentar. O fracasso se torna uma lição, não um desastre. Mas quando a sobrevivência é incerta, o risco se torna perigoso. Um passo em falso pode levar à fome, dívidas ou à falta de moradia. Nessas condições, o planejamento a longo prazo e a criatividade diminuem. O medo molda cada decisão.

Essa diferença por si só pode mudar completamente o rumo de uma vida. Muitas vezes elogiamos o empreendedorismo e a inovação, mas esquecemos o quanto eles dependem da segurança financeira. Abrir um negócio, abandonar a universidade, mudar para outro país ou investir em ideias arriscadas exigem uma coisa: a liberdade de falhar sem ser destruído. E essa liberdade não está disponível para todos.


O Mito da Meritocracia

Esses exemplos não são raros. Eles revelam um padrão mais amplo. Muitos bilionários vêm de famílias ricas ou influentes. Mesmo aqueles rotulados como "feitos por si mesmos" muitas vezes se beneficiaram de educação de elite, fortes redes sociais e oportunidades especiais.

Essa realidade desafia a ideia de meritocracia, a crença de que o sucesso depende apenas de talento e esforço. Em um sistema verdadeiramente justo, a origem familiar não importaria muito. Mas, nas sociedades modernas, o nascimento continua sendo um dos indicadores mais fortes de riqueza.

Esse mito persiste porque beneficia aqueles que estão no topo. Se os bilionários conquistassem tudo apenas com esforço, a desigualdade extrema pareceria justa. A riqueza imensa pareceria merecida. A pobreza pareceria um fracasso pessoal. A responsabilidade social se dissiparia e ajudar os menos favorecidos começaria a parecer desnecessário.

Ao celebrar histórias de sucesso e ignorar sistemas injustos, a sociedade transforma a desigualdade estrutural em culpa individual.


Reescrevendo a História do Sucesso

As histórias que contamos moldam o mundo que aceitamos. Quando elogiamos bilionários como se tivessem construído sua fortuna sozinhos, fazemos com que a desigualdade pareça normal. Deixamos de enxergar os sistemas injustos e passamos a culpar os pobres por sua situação.

Os bilionários não alcançaram o sucesso apenas por trabalharem duro. Muitos deles também tiveram muita sorte. Nasceram em famílias ricas, estudaram em instituições de elite, estavam cercados por redes influentes e protegidos por segurança financeira. Podiam assumir grandes riscos sem medo de perder tudo. Além disso, estavam no lugar certo na hora certa.

Somente reconhecendo o papel da sorte poderemos construir uma sociedade onde o sucesso não seja determinado no nascimento e onde o potencial humano não seja desperdiçado simplesmente porque alguém nasceu na pobreza.


Para melhor compreender essa questão, vamos examinar as histórias de algumas das pessoas mais ricas do mundo.


Bill Gates - Microsoft

Bill Gates é frequentemente retratado como o exemplo perfeito de um bilionário que construiu sua própria fortuna. A imagem popular mostra um jovem brilhante programando sozinho em uma garagem, construindo a Microsoft por meio de pura inteligência e trabalho árduo. Embora Gates seja claramente talentoso e trabalhador, essa versão da história omite um contexto crucial.

Ele nasceu em uma família rica e altamente instruída. Seu pai era um advogado renomado e sua mãe atuava nos conselhos de administração de grandes empresas e instituições de caridade. Gates frequentou uma escola particular de elite que tinha acesso a computadores na década de 1960, quando a maioria das pessoas nunca tinha visto um.

Mais importante ainda, suas primeiras oportunidades de negócios foram moldadas por redes sociais de elite. O primeiro grande contrato da Microsoft com a IBM, um ponto de virada na história da empresa, foi influenciado pelas conexões profissionais de sua mãe. Esse único acordo colocou a Microsoft em uma trajetória acelerada rumo ao sucesso global.

Gates não construiu seu império do nada. Ele o construiu sobre uma base sólida de privilégios.


Mark Zuckerberg

A história de Mark Zuckerberg segue um padrão semelhante. Ele cresceu em uma família rica com acesso precoce a computadores. Seus pais contrataram professores particulares de programação para ajudá-lo a desenvolver habilidades técnicas enquanto a maioria das crianças ainda estava aprendendo matemática básica.

Ele frequentou escolas de elite e, posteriormente, ingressou na Universidade de Harvard, uma das redes acadêmicas e sociais mais poderosas do mundo. Harvard não é apenas um lugar para estudar. É um espaço onde as ideias rapidamente encontram investidores e mentores.

O Facebook não cresceu isoladamente. Foi criado em um ambiente rico em talento, dinheiro e visibilidade. Sua expansão inicial foi impulsionada por redes universitárias de elite, antes de se disseminar para o resto do mundo. O sucesso de Zuckerberg não se baseou apenas no talento, mas no talento multiplicado pelo acesso.


Elon Musk - Tesla, SpaceX

Elon Musk é frequentemente descrito como um visionário audacioso que assume riscos. Sua história destaca longas jornadas de trabalho, decisões ousadas e ambição implacável. Mas essa imagem também esconde um contexto importante.

Musk cresceu em uma família rica na África do Sul, onde seu pai possuía ações em uma mina de esmeraldas. Isso lhe proporcionou contato precoce com redes internacionais e segurança financeira. Mais tarde, esse apoio permitiu que ele migrasse entre continentes, frequentasse universidades de elite e investisse em empreendimentos extremamente arriscados.

Para Musk, fracassar significava perder dinheiro ou status. Para pessoas comuns, fracassar pode significar dívidas, problemas legais ou ficar sem teto. Essa diferença muda completamente o significado de risco. Assumir riscos não é heroico quando as consequências são limitadas. Torna-se heroico apenas quando a própria sobrevivência está em jogo.


Jeff Bezos - Amazon

A história de que ele fundou a Amazon em uma garagem é verdade, mas seu início foi impulsionado por um investimento de quase US$ 250 mil de seus pais em 1995, em um momento crucial da empresa.


Warren Buffett - Berkshire Hathaway

Frequentemente pintado como um investidor autodidata, Buffett é filho de um congressista dos EUA. Ele já tinha US$ 15 mil em economias (uma quantia enorme na época) ao se formar na faculdade e comprou uma fazenda aos 14 anos.


Elizabeth Holmes - Theranos

A "mentira" mais notória e comprovada. Holmes afirmou ter criado do zero um império de tecnologia sanguínea, mas a empresa era baseada em fraudes. Ela foi condenada por fraude e o valor da empresa foi revisado para zero.


Donald Trump

Afirmava ser um bilionário que construiu o império sozinho, mas investigações mostraram que ele recebeu mais de US$ 400 milhões de dólares do pai, Fred Trump, ao longo da vida.


Calvin Lo

Apresentado como um "bilionário oculto" de seguros, uma longa investigação da Forbes descobriu que muitas das informações sobre sua riqueza e conexões eram exageradas ou infundadas.


Kylie Jenner

Foi nomeada pela Forbes como a bilionária "self-made" mais jovem da história. A classificação gerou controvérsia imediata, pois, apesar de gerir seu próprio negócio, ela nasceu em uma família multimilionária (Kardashian-Jenner) e utilizou sua fama pré-existente e plataforma midiática como capital inicial.