Adalberto Bernardes
Blog de História - Mitologia - Filosofia & Afins
Seguidores
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
A REAL LISTA DOS REIS SUMÉRIOS
sábado, 24 de outubro de 2026
REINO HURRITA
REINO BIAINILI OU URARTU
Biainili (em cuneiforme Urartiano: 𒆳بي𒀀𒄿نيلي) era o endônimo e auto-designação do Reino de Urartu, uma antiga civilização da Idade do Ferro centrada na região do Lago Van, no Planalto Armênio. Enquanto os vizinhos assírios usavam o exônimo Urartu (que deu origem ao bíblico Ararat), os próprios governantes e habitantes chamavam sua terra de Biainili ou Biaini. Não sabemos o significado do nome Biainili, provavelmente significava "A Terra do Povo Bia".
A a primeira capital foi a cidade de Arzashkun e, posteriormente, Tushpa (atual Van), além de importantes fortalezas como Erebuni (onde hoje fica Erevã, na Armênia).
Idioma
O povo de Biainili (nome nativo do antigo Reino de Urartu) falava o idioma urartiano, também chamado de Urartita ou Vaniano (nome do Lago Van).
O urartiano pertencia à família das línguas hurro-urartianas. Ele não tinha nenhum parentesco com o idioma armênio atual, nem com as línguas indo-europeias ou semíticas que existiam na região. Era uma "ilha linguística" isolada no antigo Oriente Próximo.
O idioma era registrado principalmente através de uma versão adaptada da escrita cuneiforme neoassíria. Os reis de Urartu deixaram centenas de inscrições cuneiformes esculpidas em rochas, estelas de pedra e objetos de bronze para registrar suas campanhas militares e obras públicas.
Confederação de Tribos
O povo Biainili é a crônica de uma confederação de tribos montanhesas que se unificou para resistir à agressão imperialista e acabou se tornando uma das maiores superpotências da Idade do Ferro no Antigo Oriente Próximo.
Antes de se tornar um reino centralizado, a região do Planalto Armênio era habitada por tribos fragmentadas, mencionadas nos registros assírios desde o século XIII a.C. como os povos de Uruatri e Nairi.
Diante das frequentes e violentas incursões do Império Assírio, que buscava cavalos, metais e escravos, essas tribos gradualmente se uniram em uma confederação defensiva.
O primeiro rei unificador mencionado foi Aramu. Contudo, foi o rei Sarduri I quem consolidou o reino por volta de 832 a.C., transferindo a capital para Tushpa (atual Van, na Turquia) e fundando a dinastia real de Biainili.
A Era de Ouro e Expansão Imperial - Séc. VIII a.C. (800 a.C. até o ano 701 a.C.)
Aproveitando um período de temporária fraqueza interna da Assíria, Biainili iniciou uma expansão territorial agressiva sob uma sucessão de reis guerreiros e construtores:
♦Ishpuini e Menua c. 820–785 a.C.: Conquistaram a cidade sagrada de Musasir e estabeleceram o culto ao deus Haldi como o motor ideológico do império. Menua construiu canais de irrigação maciços (alguns usados até hoje) que transformaram o planalto em uma potência agrícola. Sob sua co-regência, o termo oficial nas inscrições nativas mudou definitivamente para Biainili.
♦Argishti I c. 785–763 a.C.: Levou o império ao seu ápice militar. Ele expandiu as fronteiras até o sul do Cáucaso e fundou a fortaleza de Erebuni em 782 a.C., que originou a atual cidade de Yerevan, capital da Armênia. Biainili controlava rotas comerciais vitais, estrangulando o acesso assírio aos metais da Anatólia.
Equilíbrio Entre os Reinos
O rei assírio Sargão II lançou sua famosa "Oitava Campanha" em 714 a.C., invadindo Biainili. Os assírios derrotaram o rei Rusa I, saquearam o riquíssimo templo de Haldi em Musasir e destruíram pomares e plantações. Desonrado, Rusa I cometeu suicídio.
Apesar do golpe devastador, Biainili não colapsou imediatamente. O rei Rusa II (c. 685–645 a.C.) promoveu um renascimento cultural e arquitetônico, erguendo novas e impenetráveis fortalezas e selando a paz com os assírios.
Declínio e Colapso - Séc. VII – VI a.C. (701 a.C. até 501 a.C.)
O fim de Biainili foi provocado por uma combinação de pressões internas e novas ondas de invasores:
Décadas de guerras constantes contra a Assíria esgotaram os recursos do reino.
O território passou a ser fustigado por incursões violentas de cavaleiros nômades, os cimérios e citas.
Fragilizado, o reino sucumbiu gradualmente. A capital e suas fortalezas principais (como Teishebaini) foram queimadas e destruídas. A independência política de Biainili chegou ao fim entre 590 a.C. e meados do século VI a.C., caindo sob o domínio dos Medos e, posteriormente, do Império Aquemênida (Persa).
O urartiano deixou de ser escrito e falado após a queda do reino, por volta do século VI a.C., sendo gradualmente substituído pelo armênio na região.
Legado do Nome
O termo Biainili (que provavelmente significava "a terra do povo Bia") não desapareceu completamente da história. Linguistas e historiadores apontam que a palavra evoluiu foneticamente ao longo dos séculos na transição para a língua armênia, dando origem direta ao nome do Lago Van e da cidade de Van, o coração geográfico daquela civilização.
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
O CAOS PRIMORDIAL SUMERIANO
Na mitologia Suméria, o caos primordial é representado pelas águas infinitas e desorganizadas, personificadas pela deusa Nammu, o que seria mais tarde, a Deusa Babilônica Tiamat, que simbolizava o oceano cósmico original antes da criação do universo. Para os sumérios, o caos não era o "vazio absoluto", mas sim uma massa fluida e indiferenciada repleta de potencialidades, a partir da qual os deuses ordenadores emergiram para moldar o Cosmos.
Nammu e Tiamat
Ambas representam as águas primordiais e a origem do cosmos e são consideradas figuras maternas que deram à luz as primeiras gerações de divindades.
Ambas aparecem em mitos associados à criação do mundo e da vida.
Mas as semelhanças acabam aqui.
Deusa Nammu
Seu nome talvez queira dizer: "Senhora do Rio Cósmico"
É vista de forma puramente materna e benevolente na tradição de Eridu, ajudando na criação dos seres humanos sem entrar em guerras contra os deuses.
Na tradição da cidade de Eridu, Nammu é a matriz do universo. Ela existia antes de qualquer outra coisa e criou o mundo sem a necessidade de um consorte masculino (partenogênese).
Antes de o universo tomar forma, só existia o oceano cósmico (Nammu). A partir de si mesma, ela gerou o casal primordial: An - O deus do Céu e Ki - A deusa da Terra.
A união de An e Ki gerou Enlil (o deus do ar), que separou o céu da terra, permitindo que o mundo manifestado existisse.
O papel mais famoso de Nammu na literatura suméria está no tablete conhecido como "Enki e Ninmah" ou "Enki e a Criação do Homem".
O Mito
Os deuses mais jovens estavam exaustos com o trabalho pesado de cavar canais e carregar a terra. Eles começaram a reclamar e a chorar.
Nammu, sendo a mãe compassiva, vai até o seu filho, Enki (o deus da sabedoria e das águas doces), que estava dormindo nas profundezas do Abzu, e diz: "Meu filho, levanta-te do teu leito... Cria substitutos para os deuses, para que eles possam deixar suas ferramentas de trabalho."
Enki acorda e dá as instruções. Nammu modela o primeiro ser humano moldando o argila do oceano primordial (o Abzu), com a ajuda de Ninmah (a deusa mãe/da fertilidade), infundindo a humanidade com a vida para que pudesse servir aos deuses.
Culto
Nammu não possuía templos grandiosos exclusivos como o seu filho Enki ou o neto Enlil, pois ela pertencia a uma era mitológica anterior à organização das grandes cidades-estado. Ela era reverenciada principalmente em Eridu, a cidade mais antiga da Suméria, como a grande ancestral espiritual de toda a existência.
Deusa Tiamat
Tem uma natureza dupla: no início é uma criadora associada às águas salgadas, mas após a morte de seu consorte Apsu, ela se transforma na personificação monstruosa do caos e lidera uma guerra contra os deuses jovens antes de ser derrotada por Marduk.
Para saber sobre os Mitos de Tiamat, leia os artigos: OS FILHOS DE TIAMAT: https://adalbersantos.blogspot.com/2026/10/os-filhos-da-deusa-tiamat.html
A Evolução Babilônica: Apsû e Tiamat
Com a fusão cultural na Mesopotâmia (pelos acádios e amoritas), a história do caos primordial ganha contornos mais dramáticos no célebre Enûma Eliš.
OS FILHOS DA DEUSA TIAMAT
Na mitologia mesopotâmica, no famoso poema épico Enuma Elish, os Onze Filhos de Tiamat são monstros e criaturas divinas criados por Tiamat, Deusa primordial do oceano de água salgada para guerrear contra a geração mais jovem de deuses, liderada por Marduk.
Essas criaturas personificam o caos primordial e forças da natureza. Ao derrotá-los, Marduk os transforma em troféus e constelações, estabelecendo a ordem no cosmos.
Deusa Tiamat
Também conhecida como Tiāmattu ou Tâmtu, que significa "mar" ou "oceano". O nome está ligado a raízes semíticas ocidentais e orientais (como o termo Yam ou Tâmtu para mar/água salgada.
Na antiga Suméria, Tiamat era a deusa primordial das águas salgadas e do caos, personificando o oceano de onde todas as coisas foram criadas.
Ela formava o par inicial com Apsu (o deus das águas doces). As águas doces de Abzu e as águas salgadas de Tiamat se misturaram, gerando a primeira geração de deuses.
O Conflito
Com o passar do tempo, as novas divindades tornaram-se barulhentas e inquietas, perturbando o descanso de Abzu.
Abzu planejou destruir os deuses jovens, mas o deus Ea (Enki) antecipou-se, lançou um feitiço de sono e o matou, transformando seu corpo na base do cosmos.
Arrasada pela morte do companheiro (e inicialmente hesitante), Tiamat assumiu a ira, gerou um exército de monstros e lutou contra as novas divindades. Ela acabou sendo derrotada e morta pelo deus Marduk, que usou seu corpo para criar o céu e a terra.
Kingu - Trabalhador ou Aquele que Trabalha
Após a morte de Apsu (o deus das águas doces), a deusa Tiamat (o oceano primordial de água salgada) decide se vingar dos deuses mais jovens. Ela escolhe Kingu entre os seus filhos para ser seu novo consorte e o comandante supremo do seu exército de monstros.
Para demonstrar sua autoridade máxima, Tiamat entrega a Kingu a Tábua dos Destinos (Dupe Shimati), um artefato de poder supremo que legitimava o governo sobre o universo e garantia que qualquer decreto dele se tornasse realidade. Após derrotar e dividir o corpo de Tiamat para criar a Terra e o Céu, Marduk captura Kingu. Marduk toma a Tábua dos Destinos do peito de Kingu, sela-a com seu próprio anel e a entrega ao deus Anu, consolidando o seu próprio reinado supremo.
Para aliviar os deuses de suas tarefas pesadas (como manter a ordem do universo e produzir comida), Marduk decide criar os seres humanos. Para que isso seja justo, um culpado deve ser sacrificado para pagar pela rebelião.
Os deuses apontam unanimemente Kingu como o verdadeiro instigador da guerra. Ele é executado, e o deus Ea (pai de Marduk) usa o sangue de Kingu misturado com a argila para moldar a humanidade. Portanto, na visão babilônica, os seres humanos carregam em si uma centelha divina, mas que tem origem no sangue de um deus rebelde e caótico.
Bašmu - Serpente Venenosa
Bašmu, a serpente venenosa, assumiu a forma de uma enorme cobra com chifres, antebraços e asas. Nesse monstro, vemos o antecedente direto da Hidra de Lerna da Grécia, sendo ambos representados pela mesma constelação no céu noturno, que é a Constelação de Hydra ou Constelação de Bašmu ou Mul.Dingir.MuŠ(original).
Descrito como um monstro marinho “com sessenta milhas duplas de comprimento” que dá por volta de 193,12 quilômetros de comprimento, seu apetite voraz causou muitos problemas e, eventualmente, o panteão de deuses mais jovens enviou Nergil, um encantador de serpentes, para subjugá-lo. Fundamentalmente, Bašmu parece representar os perigos do mar, um tema comum nos mitos, de Poseidon a Jörmungandr.
Ušumgallu - Grande Dragão ou Serpente Venenosa Suprema
Ušumgallu era uma combinação feroz de dragão, leão e demônio, mas evoluiu para algo muito maior nos mitos acádios e, posteriormente, babilônicos. Seu próprio nome passou a ser associado ao divino como um título honorífico, e Marduk, pai dos deuses mesopotâmicos e patrono da própria Babilônia, ficou conhecido como ušumgal kališ parakkī, “governante incomparável de todos os santuários”.
Nisso, vemos um tema comum no destino desses monstros. A maioria foi cooptada para servir ao panteão dos deuses, encontrando um novo significado nos mitos como divindades úteis e patronas de aspectos específicos da divindade.
Mušmaḫḫū - Serpente Exaltada
Outra serpente (há muitas delas nos mitos mesopotâmicos), Mušmaḫḫū também apresenta características de leões e pássaros. Aqui temos outro precursor da Hidra, já que Mušmaḫḫū parece ter tido sete cabeças, assim como o monstro morto por Hércules.
Existe até um paralelo com essa história nos primeiros mitos acádios. Diz-se que Ninurta, um deus guerreiro sumério (literalmente o "Senhor da Cevada"), derrotou uma serpente de sete cabeças, e temos até uma representação disso, esculpida em uma concha.
Mušḫuššu - Dragão Furioso
O Mušḫuššu, a “serpente furiosa”, é outra combinação de animais, apresentando também características de leão, águia, chifres e crista. Como animal sagrado de Marduk, muitas representações desse monstro sobreviveram e podemos ter uma boa ideia de como os babilônios imaginavam a aparência do Mušḫuššu.
Mušḫuššu é mais famoso por estar representado no Portão de Ishtar, do século VI a.C., que ficava na Babilônia. Este icônico portão azul contém representações de muitos animais, mas Mušḫuššu está incluído como servo de Marduk.
Laḫmu - O Cabeludo
Agora, mudando um pouco o ritmo, temos Laḫmu, "o peludo", que é retratado de forma bastante direta como um homem com uma grande barba. A extensão de sua humanidade e os motivos para ele aparecer como um homem não são claros, mas parece ter resultado na percepção de Laḫmu como uma figura heroica.
Existiam muitos Laḫmu na tradição mesopotâmica antiga, onde eram associados à água e invocados como uma forma de proteção divina. Foi somente na tradição babilônica posterior que Laḫmu se tornou o primogênito de Tiamat e um ser muito mais divino e cosmológico.
Ugallu - Grande Demônio do Clima
Ugallu, a "Grande Besta do Tempo", era um deus com cabeça de leão que encontrou um nicho completamente novo além de seu papel original no panteão babilônico. Muitos amuletos foram descobertos na região, onde Ugallu parece ter funcionado como um talismã contra o perigo.
A ideia era que, se você se encontrasse em perigo e carregasse um desses talismãs, Ugallu apareceria para defendê-lo, pois Ugallu controlava tempestades e doenças. Dado que Ugallu era um monstro enorme com cabeça de leão, isso presumivelmente poderia ser útil, embora faltem evidências concretas de que isso tenha realmente acontecido.
Uridimmu - Cão Louco, Cão Raivoso ou Leão Furioso
Uridimmu "Cão Louco", era uma figura humanoide com cabeça de cachorro ou leão. Aparentemente, ele está associado a animais raivosos e, em sua aparência, foi concebido para ser retratado como o oposto e a contraparte de Ugallu.
Ele é frequentemente esculpido em portas como um troféu para afastar o mal da casa, uma presença talismânica da mesma forma que Ugallu. Ele também é associado a doenças e enfermidades, e em tempos posteriores parece ter surgido um culto em torno dele, que perdurou até o Império Persa.
Girtablilu - Homem-Escorpião
Seres com torso humano e corpo de escorpião que guardavam os portões do submundo.
Criado inicialmente por Tiamat, assim como Laḫmu, eventualmente surgiram muitos Girtablullû, e, como os outros monstros, eles encontraram um novo papel como servos de Shamash, o antigo deus sol da Mesopotâmia.
Nesse papel eles aparecem na Epopeia de Gilgamesh, onde guardam os portões de Shamash na grande montanha de Mashu, coberta de cedros. Gilgamesh atravessa o portão e o túnel, chegando ao antigo submundo mesopotâmico de Kumugi (Kurnugi) a Erṣet lā târ ou "A Terra do Não Retorno".
Ūmu Dabrūtu - Tempestade Violenta
O monstro das tempestades violentas, nem sequer sabemos qual era a aparência de Umū dabrūtu, pois nada sobreviveu, embora a hipótese mais provável seja a de uma figura composta com leões, águias, touros, serpentes e cães. Contudo, sabemos o destino de Umū dabrūtu: destruído por Marduk, como os outros, este monstro foi forçado a servir a Babilônia.
Esses monstros, uma vez derrotados, tornaram-se símbolos apotropaicos, ou seja, guardiões contra o infortúnio e totalmente benevolentes para os babilônios. Presume-se que a presença de Umū dabrūtu oferecia proteção contra o mau tempo.
Kuli Ana - Kulullû - Peixe do Céu ou Homem Peixe, Mulher Peixe
Kulull, termo genérico para o povo do mar, tanto tritões quanto sereias, seria então um híbrido de homem e peixe, assemelha-se a um tritão e, aparentemente devido à sua associação com boa sorte e prosperidade, tornou-se uma figura duradoura no mito babilônico, com inúmeras representações que sobreviveram até os dias de hoje. De fato, Kulullû é a representação mais antiga de um tritão de que temos conhecimento.
Kulullû aparece em toda parte, em afrescos de palácios e marcos divisórios que delimitavam a antiga Babilônia, com muitas estatuetas do monstro também sobrevivendo até os dias de hoje. Eventualmente, surgem múltiplos Kulullû, e em mitos posteriores, há até mesmo Kuliltu ou mulheres peixe.
Kusarikku - Homem Touro
O Kusarikku, o homem touro, precursor óbvio do Minotauro da mitologia grega. No entanto, esses monstros tinham braços, torso e cabeça de humano, e orelhas, chifres e partes inferiores de touro .
Em mitos posteriores, Kusarikku, após ser destruído por Marduk, passou a ser associado ao deus sol Shamash em seu papel como deus da justiça, sendo um dos dois monstros de Tiamat que servem especificamente a esse deus, juntamente com Girtablullû. Ele é até mesmo mencionado em uma canção criada para acalmar uma criança que chora.
sábado, 17 de outubro de 2026
RIOS SOTERRADOS DE SÃO PAULO
RIOS DE SÃO PAULO
A história hídrica de São Paulo é fascinante e contraditória; a cidade que hoje sofre com o trânsito e o concreto foi, no passado, completamente moldada por águas.
Região Centro
Região do Glicério e Baixada do Glicério ─ Centro / Liberdade / Cambuci: Localizada às margens do antigo rio Tamanduateí, historicamente uma área baixa, alagadiça e sujeita a cheias constantes.
Bom Retiro: Antigo Campo de Guaré, região plana e pantanosa cortada por braços de água do Rio Tietê e córregos da região central.
Luz: Conhecido no início do século XVII como o antigo Campo de Guaré, a região central era uma área de pântanos e alagadiços às margens do Rio Tamanduateí antes de ser aterrada e urbanizada.
Parque Dom Pedro II: Esta área central era essencialmente a várzea do Rio Tamanduateí. Antes do aterramento e da canalização que deram lugar a avenidas e viadutos, o local era um enorme brejo urbano que acumulava as águas que desciam das colinas históricas do centro.
Região da Várzea do Rio Pinheiros ─ Zona Oeste e Sul
Zona Oeste
Antigamente, o Rio Pinheiros era extremamente sinuoso e cercado por quilômetros de brejos intransitáveis. A intervenção urbana e o projeto de bairros-jardins alteraram drasticamente a paisagem.
Os Jardins ─ Jardim Europa, Jardim América e Jardim Paulista: Hoje uma das áreas mais nobres e caras da cidade, no passado era um brejo inóspito e lamacento, repleto de caminhos pantanosos usados por lavadeiras e pescadores que iam em direção ao Rio Pinheiros.
Antes da canalização e do surgimento dos prédios comerciais espelhados, essa região era conhecida por moradores antigos como o "pântano" ou o "brejo" do Itaim. O solo macio e o lençol freático alto dão muito trabalho à engenharia civil até hoje durante escavações de subsolos.
Baixo Pinheiros: A antiga várzea do Rio Pinheiros, caracterizada por solos encharcados que exigiram grandes obras de retificação do rio no século XX.
Barra Funda e Água Branca: Na Zona Oeste, esses bairros operários e industriais cresceram sobre as terras baixas e encharcadas do Tietê. A famosa enchente histórica de 1966 "apagou" a Barra Funda sob as águas, provando a fragilidade do solo de várzea
Zona Sul
Brooklin: A margem leste do Rio Pinheiros era historicamente uma grande várzea pantanosa ocupada por chácaras e fazendas, como a Fazenda Casa Grande, antes de se transformar em um polo empresarial e residencial.
Moema, Itaim Bibi e Vila Olímpia: Também eram regiões de brejos e várzeas pantanosas que passaram por grandes obras de aterro e retificação ao longo do século XX.
Jabaquara: Embora seja uma região mais alta na Zona Sul, o termo de origem indígena significa "toca da fuga" ou "mata dos quilombos", mas historicamente a região era cercada por extensos vales úmidos e matas densas com nascentes que dificultavam o acesso.
Região da Várzea do Rio Tietê ─ Zonas Norte e Leste
O Rio Tietê possuía uma planície de inundação gigantesca (as famosas várzeas). Bairros inteiros foram construídos sobre o antigo leito sinuoso do rio.
Zona Norte
Jaçanã: Região cujo nome e formação original estão fortemente associados à presença de áreas pantanosas e lagos habitados por aves como a jaçanã.
Parque Edu Chaves e Vila Sabrina: Localizado próximo ao Rio Cabuçu de Cima, o bairro era originalmente uma região pantanosa de vegetação rasteira, trilhas de boiadeiros e pastagens sujeitas a alagamentos.
Casa Verde e Santana: As partes mais baixas desses tradicionais bairros da Zona Norte faziam parte das planícies úmidas do Tietê. A Casa Verde começou a se desenvolver a partir de sítios em terrenos de várzea baixa.
Pirituba: O nome deste bairro da Zona Noroeste vem do tupi e significa exatamente "ajuntamento de piçarras" ou "vegetação de brejo" (uma alusão às plantas de áreas pantanosas que cobriam os córregos locais).
Zona Leste
Mooca Baixa: Trecho de várzea junto ao Rio Tamanduateí, tradicionalmente conhecido por sofrer com inundações históricas.
Jardim Pantanal: Situado nas proximidades do Rio Tietê, é uma área de várzea historicamente marcada por enchentes recorrentes e características de solo alagadiço.
Pari, Canindé e Brás: Áreas do centro expandido cortadas pelo Tietê e pelo Tamanduateí. Eram regiões de mangues fluviais e terrenos lodosos que frequentemente voltavam a ficar submersos nas grandes cheias da cidade.







.png)

.png)