Seguidores

domingo, 14 de junho de 2026

A EUGENIA E O POVO ESCOLHIDO



A relação entre a eugenia e o conceito de Povo Escolhido fundamenta-se na justificativa ideológica de superioridade de um grupo sobre os demais, combinando determinismo biológico com narrativas de predestinação.

A relação entre a noção de Povo Escolhido e a eugenia envolve a apropriação distorcida de dogmas religiosos e científicos para justificar a hierarquização e exclusão de grupos humanos. Essa intersecção tomou sua forma mais trágica no século XX, quando ideologias políticas usaram mitos de superioridade racial para promover perseguições em massa.


Raiz Teológica

No contexto religioso (como no Judaísmo e, por consequência, no Cristianismo), a ideia de "povo escolhido" refere-se a um pacto com o divino para a preservação de preceitos éticos, morais e espirituais.

Segundo textos sagrados, a escolha implica receber a incumbência de dar exemplo de retidão e santidade. O teólogo e historiador britânico Paul Johnson argumenta que o conceito de povo eleito para os judeus não significava pureza racial ou biológica, mas sim a submissão a uma missão difícil, a Aliança.


A Eugenia do Povo Escolhido

A eugenia, cunhada como pseudociência no século XIX por Francis Galton (primo de Charles Darwin), pregava o "aprimoramento" genético da espécie humana. A eugenia foi dividida em duas correntes:

♦Eugenia Positiva: Encorajava o casamento e a reprodução entre indivíduos considerados "superiores" ou "aptos". Aqueles que possuem as características físicas, intelectuais ou morais desejadas pela elite governante.

♦Eugenia Negativa: Defendia a esterilização forçada, segregação e, em casos extremos, a eliminação de pessoas consideradas "indignas de viver" (como portadores de deficiências, minorias étnicas e opositores). Pessoas com deficiências, populações empobrecidas ou grupos marginalizados, vistos como um "peso" ou uma ameaça à pureza do grupo principal.


Os Privilegiados

O privilégio não era mais concedido por uma escolha divina, mas sim pela pureza e qualidade do código genético. O grupo dominante passava a se enxergar como a vanguarda evolutiva da humanidade, um "povo escolhido" pela própria seleção natural (ou pela manipulação artificial dela).


O Regime Nazista

É o exemplo mais extremo dessa junção. A ideologia alemã apropriou-se do conceito de "raça ariana" como um povo biológica e historicamente escolhido para dominar. Utilizou a eugenia negativa (extermínio, esterilização forçada e segregação) para eliminar judeus, romis, pessoas com deficiência e outros grupos.


A Eugenia nos Estados Unidos e Europa

Leis de segregação e programas de esterilização em massa foram justificados pela crença de que a população anglo-saxã branca precisava preservar sua "linhagem superior" contra o que chamavam de degeneração racial.


O Contexto Brasileiro

No início do século XX, intelectuais e médicos eugenistas debateram o "embranquecimento" da população. A elite eugenista local enxergava o padrão eurocêntrico como o ideal a ser alcançado para que o país progredisse, marginalizando as populações negras e indígenas.


A FARSA DO POVO ESCOLHIDO



Esse mito de povo escolhido (ou eleito) é uma narrativa sociorreligiosa onde uma divindade seleciona uma comunidade específica para realizar uma missão, receber ensinamentos ou atuar como guardiã de sua verdade. Essas histórias funcionam como mitos fundacionais que moldam a identidade e a cultura de uma civilização. Na sua raiz, não se trata de superioridade racial, mas sim de uma missão espiritual, na qual um grupo assume a responsabilidade de guardar preceitos éticos e propagar a mensagem divina.

A eleição divina dentro da fé de cada povo serve para dar significado à existência, transmitindo valores de geração em geração.

Sociologicamente, a narrativa opera em duas frentes distintas. Por um lado, ela atua como um mecanismo de sobrevivência psicológica, fornecendo coesão, resiliência cultural e força para minorias perseguidas manterem sua identidade ao longo das gerações. Por outro lado, quando instrumentalizada por estruturas de poder majoritárias, ela se transforma em uma ferramenta de exclusão, alimentando o fundamentalismo, a xenofobia e a intolerância ao sugerir que a dignidade humana de um grupo é superior à de outros.


Judeus - Povo de Israel

O Mito da Aliança: Na tradição contada no livro da Torá e na Bíblia, Javé (Deus) faz uma aliança com Abraão e seus descendentes. O povo hebreu é escolhido (Am Segulah) não por superioridade numérica ou física, mas para ser o guardião da Lei divina e testemunhar a moralidade perante as nações. A narrativa se estende pelos livros do Antigo Testamento, detalhando o Êxodo e a busca pela Terra Prometida.


Povos Iorubás - África Ocidental e Diáspora

A cosmologia iorubá narra que o Deus supremo, Olorun ou Olodumarê, ordenou ao Orixá Oxalá que criasse a Terra. A cidade de Ilê-Ifé é considerada pelos iorubás o umbigo do mundo e o local onde a humanidade foi criada, tornando esse povo os guardiões espirituais da tradição, dos ritos (os Itãs) e do culto aos Orixás.

Essa história é registrada e passada adiante através da rica tradição oral e do sistema oracular de Ifá.


Tupi-Guarani

Nas tradições guarani, Tupã (o Espírito do Trovão) é o grande criador do céu, da terra e dos mares.

O mito orienta esse povo em direção à busca contínua por um lugar de paz e abundância, sendo considerados os escolhidos para atuar em profundo respeito, convivência e equilíbrio com os elementos da natureza.

Todo esse repertório sagrado é transmitido oralmente pelos pajés e anciãos, garantindo a conexão contínua com o cosmos.


Civilização Helênica - Gregos

Os antigos gregos acreditavam ser descendentes diretos de mitos da criação e de heróis filhos do Olimpo.

Eles viam-se como um povo escolhido pela civilização e pela racionalidade, escolhidos pelos deuses para portar a excelência (areté), a filosofia e a arte, diferenciando-se dos demais povos que rotulavam como "bárbaros". 


Império Asteca - Mexicas

A mitologia asteca colocava o povo Mexica no centro da manutenção cósmica por meio de uma missão divina violenta.

Segundo a Profecia de Huitzilopochtli o Deus do sol e da guerra orientou o povo a migrar até encontrar um sinal sagrado: uma águia pousada em um cacto devorando uma serpente. Ali fundaram Tenochtitlán.

 Os astecas acreditavam ser o povo escolhido para alimentar o Quinto Sol com sangue humano. Sem esse sacrifício, o universo colapsaria nas trevas.


Império Inca

Assim como os japoneses, os incas utilizavam o mito do "povo escolhido" para centralizar o poder imperial na América do Sul. O deus Sol, Inti, apiedou-se da barbárie em que viviam os humanos e enviou seus filhos, Manco Cápac e Mama Ocllo. Eles surgiram do Lago Titicaca com uma haste de ouro e a missão de civilizar os povos, fundando a cidade sagrada de Cusco e estabelecendo o Império Inca (o "Povo do Sol"). 


Japoneses 

A legitimidade da dinastia imperial e a sacralidade do próprio território japonês estão profundamente conectadas à ancestralidade divina.

A mitologia conta a história da Linhagem de Amaterasu, o mito fundacional afirma que a deusa do Sol, Amaterasu, enviou seu neto Ninigi-no-Mikoto para governar a Terra. O primeiro imperador do Japão, Jimmu, seria o bisneto de Ninigi. Isso transformou os governantes e o povo em descendentes diretos dos deuses (Kami), tornando o arquipélago uma terra sagrada protegida.


Puritanos - Estados Unidos

Embora seja um mito moderno de matriz cristã, a fundação dos Estados Unidos apropriou-se fortemente do conceito bíblico de povo escolhido.

Ao migrarem para a América do Norte no século XVII, os colonos puritanos ingleses, liderados por John Winthrop, interpretaram a si mesmos como o "Novo Israel". Eles acreditavam ter um pacto direto com Deus para construir uma sociedade perfeitamente cristã na nova terra, o que moldou o mito do excepcionalismo americano e do "Destino Manifesto".


Teologia da Substituição

Com o surgimento do Cristianismo, a ideia de eleição foi ressignificada. Muitos cristãos passaram a acreditar que a aliança original havia sido expandida ou transferida para a Igreja, formando o verdadeiro Israel.

O mito frequentemente sofreu distorções perigosas ao longo da história. Nações e impérios utilizaram o conceito de "povo escolhido" para justificar Cruzadas, expansionismos, colonialismos e a escravidão, rotulando outras culturas como "inferiores" ou "pagãs".


Mormonismo

No Mormonismo, todos os Santos dos Últimos Dias são vistos como um povo da aliança, ou escolhido, porque aceitaram o nome de Jesus Cristo através da ordenança do batismo. Em contraste com o supersessionismo, os Santos dos Últimos Dias não contestam o status de "escolhido" do povo judeu. A maioria dos mórmons praticantes recebe uma bênção patriarcal que revela sua linhagem na Casa de Israel. Essa linhagem pode ser relacionada ao sangue ou por "adoção"; portanto, uma criança pode não compartilhar necessariamente a linhagem de seus pais (mas ainda será um membro das tribos de Israel). É uma crença amplamente difundida[ que a maioria dos membros da fé pertence à tribo de Efraim ou à tribo de Manassés.


Identidade Cristã

A Identidade Cristã é uma crença que sustenta que apenas pessoas germânicas, anglo-saxônicas, celtas, nórdicas ou arianas, e aqueles de sangue semelhante, são descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, e portanto, descendentes dos antigos israelitas.

Praticada de forma independente por indivíduos, congregações independentes e algumas gangues de prisão, não é uma religião organizada, nem está conectada a denominações cristãs específicas. Sua teologia promove uma interpretação racial do cristianismo. As crenças da Identidade Cristã foram principalmente desenvolvidas e promovidas por autores americanos que consideravam os europeus como o "povo escolhido" e os judeus como a prole amaldiçoada de Caim, o "híbrido da serpente" ou semente da serpente, uma crença conhecida como doutrina das duas linhagens. Mais tarde, seitas e gangues supremacistas brancas adotaram muitos desses ensinamentos.

A Identidade Cristã sustenta que todos os não-brancos (pessoas que não são de ascendência totalmente europeia) serão exterminados ou escravizados para servir à raça branca no novo Reino Celestial na Terra, sob o reinado de Jesus Cristo. Sua doutrina afirma que apenas pessoas "adamitas" (brancas) podem alcançar a salvação e o paraíso.


Mandaísmo

Os mandeístas se referem formalmente a si mesmos como Nasurai (Nazarenos), que significa guardiões ou possuidores de ritos e conhecimentos secretos. Outra autodesignação antiga é bhiri zidqa, que significa 'eleitos da retidão' ou 'os escolhidos justos', um termo encontrado no Livro de Enoque e no Gênesis Apócrifo II, 4.


Rastafari

Com base na tradição bíblica judaica e na lenda etíope via Kebra Nagast, os Rastafaris acreditam que o rei Salomão de Israel, junto com a rainha de Sabá da Etiópia, conceberam uma criança que deu início à linhagem de reis solomônicos na Etiópia, fazendo do povo etíope os verdadeiros filhos de Israel e, portanto, escolhidos. O reforço dessa crença ocorreu quando os Beta Israel, antiga comunidade israelita do Primeiro Templo da Etiópia, foram resgatados da fome no Sudão e levados para Israel durante a Operação Moisés em 1985. "This claim needs references to reliable sources. (June 2020)".


Igreja da Unificação

Sun Myung Moon ensinou que a Coreia é a nação escolhida, selecionada para cumprir uma missão divina e foi "escolhida por Deus para ser o local de nascimento da figura principal da era" e foi o local de nascimento da "Tradição Celestial", inaugurando o reino de Deus.


Nação do Islã

A Nação do Islã ensina que as pessoas negras constituem uma nação e que, por meio da instituição do comércio atlântico de escravos, lhes foi sistematicamente negado o conhecimento de sua história, língua, cultura e religião, e, na prática, perderam o controle de suas vidas. Embora não seja o Fundador da Nação do Islã, Elijah Muhammad era franco e defendia o estabelecimento de uma nação separada para os afro-americanos e a adoção de uma religião baseada no culto a Alá e na crença de que os negros eram seu povo escolhido.


Religião Massai

A religião tradicional do povo Maasai, do leste da África, afirma que o Deus Supremo Ngai os escolheu para pastorear todo o gado do mundo, e essa crença tem sido usada para justificar o roubo de outras tribos.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

ADIDAS X PUMA - BRIGA DE IRMÃOS


 

A rivalidade histórica entre dois irmãos deu origem a duas das marcas mais respeitadas do mundo, mas o que realmente causou a rivalidade dos irmãos e por que eles nunca se reconciliaram?

Uns dizem que a rivalidade começou quando a empresa esportiva dos irmãos Dassler Brothers Sports Shoe Company que na qual os dois eram sócios, conseguiram convencer o atleta negro americano Jesse Owens a usar os tênis da marca nas Olimpíadas de 1936. Depois de Owens ganhar 4 medalhas na competição que fazia propaganda da superioridade ariana, a empresa passou a faturar em dobro, e por conta dessa associação com um atleta negro, os irmãos se desentenderam.

Mas segundo os moradores de Herzogenaurach, um dos irmãos dormiu com a esposa do outro. Quando foram descobertos, os irmãos cortaram os laços filiais para sempre. Essa é a razão pela qual os irmãos dividiram seus negócios até a última caixa de sapatos e nunca mais se falaram. 

O que tudo indica, o que levou os irmãos a terem uma ruptura brusca um com o outro, foram suas divergências sobre a direção da empresa que os levaram a se separar e dividir a empresa até o último centavo. Isto aliado ao fato de que as esposas dos irmãos Dassler se odiavam e ambas estavam brigando entre si pelo controle e lucro da empresa Dassler Brothers Sports Shoe Company. Para apaziguar as mulheres e evitar mais conflitos, os irmãos decidiram dividir a empresa igualmente, Rudi criou a Puma enquanto Adi criou a Adidas. Para muitos, este é o motivo mais provável.

Mas as coisas entre os irmãos Dassler nem sempre foram assim, eles no início antes de criarem duas das principais marcas de esportes e estilo de vida do mundo, eles eram muito próximos um do outro. Eles inicialmente fundaram a Dassler Brothers Shoe Factory  na cidade de Herzogenaurach. Os dois eram sócios igualitários na empresa Dassler Brothers Sports Shoe Company, localizada em Herzogenaurach, na Alemanha. Os irmãos administravam a empresa juntos, cada um cuidando de uma parte diferente. Adolf era responsável por pensar e desenvolver os sapatos e Rudolf lidava com o comercial, vendendo os produtos.

Os irmãos, mesmo sendo filiados ao partido nazista de Hitler, conseguiram convencer o atleta negro americano Jesse Owens a usar os tênis da marca nas Olimpíadas de 1936. 

Depois de Owens ganhar 4 medalhas na competição que fazia propaganda da superioridade ariana, a empresa passou a faturar em dobro.

Rudolf Dassler nasceu no dia 26 de março de 1898 - Adolf Dassler nasceu no dia 3 de novembro de 1900 os dois nasceram na cidade de Herzogenaurach, Baviera, no Império Alemão. Nascidos em uma boa família de renda confortável, eles tinham mais dois irmãos, que eram, Fritz Dassler 1892 que era o mais velho dos irmãos e Marie Dassler 1894 a segunda mais velha dos irmãos. 

Aparentemente todos se davam bem, mas em 1948 as coisas mudaram para sempre. E então o impensável aconteceu: Rudolf e Adolf (Adi) se separaram repentinamente, se separando de maneira amarga. Eles dividem seus negócios até a última mesa, máquina de escrever e centavo. Eles montaram suas próprias empresas de calçados em lados opostos do rio. Sua amarga rivalidade não afetou apenas sua família, mas todos os moradores da cidade. Puma e Adidas se tornaram os principais empregadores da pequena cidade, polarizando os residentes em lados opostos do rio.

Os irmãos seguiram caminhos separados em 1948. Nesse mesmo ano, Rudi mudou-se para outro prédio, que também passou a ser a sede da Sportschuhfabrik Rudolf Dassler ( RUDA ). Ele acabou mudando o nome de sua empresa de calçados para Puma . Em 1949, Adi também fundou sua própria empresa de calçados e a chamou de Adidas, em homenagem ao seu próprio nome.

A rivalidade entre as duas empresas cresceu tanto que se estendeu para praticamente todos os habitantes da região de Herzogenaurach. 

Os moradores da "cidade dos pescoços tortos", como ficou conhecida, olhavam primeiro para os sapatos da outra pessoa antes de começar uma conversa. As lojas poderiam vender tênis de apenas uma das marcas, tendo que escolher o seu “lado”. Também foi especulado que pessoas não namoravam ou tinham relações com outras que preferiam a empresa oposta. 

Como esperado, Adolf e Rudolf trabalhavam de maneiras diferentes. Como Adolf fazia os sapatos na empresa “primogênita”,  a Dassler Brothers Shoe Factory ele tinha mais conhecimento técnico e conseguia produzir melhor os tênis da Adidas, já Rudolf, tinha facilidade com a movimentação dos produtos, tendo uma ótima equipe comercial. Mas os dois não esperavam uma outra concorrente: a Nike. Ela abalou o domínio das duas empresas no setor esportivo. 

Foi apenas em 2009 que um ato de paz simbólico foi feito para tentar controlar a rivalidade de anos na região. 

Rudolf Dassler morreu no dia 27 de outubro de 1974 (76 anos) de câncer de pulmão - Adolf Dassler morreu no dia 6 de setembro de 1978 (77 anos) por insuficiência cardíaca, os irmãos foram enterrados em lados opostos do mesmo cemitério, 


A RELIGIÃO ÁRABE ANTES DO ISLÂ



Na Árabia pré-islâmica, os Árabes eram politeístas, acreditando em vários deuses e adoravam ídolos.
Muitas tríbos praticavam o infanticídio, principalmente de meninas, para evitar o aumento da população, por causa da crescente fome.
Em seus cultos, eles realizavam sacrifícios humanos para agradar aos seus deuses.
Anualmente as tribos faziam peregrinações a cidade de Meca, e era nessa cidade sagrada, que ficava a Caaba, que era um templo religioso que abrigava os ídolos adorados por eles.
Além desses ídolos, dentro da Caaba era guardada a Pedra Negra, um meteorito que caiu do céu que para eles era um objeto muito sagrado.
Segundo consta a Mitologia, a Pedra Negra era branca e brilhante, mas por causa dos pecados cometidos pelos homens, essa pedra ficou negra.

Deuses Adorados
Allat (em árabe: اللات) A deusa da lua árabe, que foi uma das três principais deusas de Meca.

Al-Uzza (em árabe: العزى) "A mais poderosa" ou "A forte" era deusa da fertilidade, que foi uma das três principais deusas de Meca, os árabes só rezavam a ela ou Hubal a pedido de proteção e vitória, antes de qualquer guerra, para mostrar como ela era importante.

Manat (em árabe: منات) foi uma das três principais deusas de Meca, os árabes acreditavam ser a deusa do destino, O Livro dos Ídolos descreve que Manata foi a mais antiga de todos esses ídolos. Os árabes usavam seu nome para nomear seus filhos: 'Abd-Manata e Zayd-Manata. Manata foi erguida à beira-mar nos arredores de al-Mushallal em Qudayd, entre Medina e Meca. Os àrabes rezavam á deusa para pedir proteção em suas peregrinações. No final da peregrinação, no entanto, quando eles estavam prestes a voltar para casa, eles teriam se estabelecido no local onde ficava Manata, para raspar a cabeça, e ficar lá um tempo. Eles não consideram sua peregrinação concluída até eles visitarem Manata.

Manaf (em árabe: مناف) A estátua de Manaf foi acariciada por mulheres, mas houve períodos que não foram autorizadas a aproximarem.

Wadd (em árabe: واد) Deus de amor e amizade. Cobras são animais sagrados por causa de Wadd.

Amm (em árabe: أم) Ele foi venerado como deus do tempo, como seus atributos incluídos relâmpagos.

Ta'lab (em árabe: طالب) Um deus adorado na Arábia do Sul, particularmente no Reino do Sabá. Ta'lab era o deus da lua.

Dhu'l-Halasa (em árabe: ذو الحلاس) é um deus oracular do sul da Arábia. Ele era venerado sob a forma de uma pedra branca.

Al-Qaum (em árabe: القوم) Era o deus da guerra e da noite, e guardião de caravanas.

Dushara (em árabe: ذو شرى) Era o deus Nabataean seu nome significa "Senhor da Montanha"

Espíritos
Marid (em árabe: مارد) Marids são freqüentemente descritos como o tipo mais poderoso de djinn, tendo poderes especialmente grande. Eles são os mais arrogantes e orgulhosos também. Como todos os djinn, eles têm o livre arbítrio ainda poderia ser obrigada a executar tarefas. Eles também têm a capacidade de conceder desejos aos mortais, mas que geralmente requer batalha, e de acordo com algumas fontes de prisão, os rituais, ou apenas uma grande quantidade de bajulação.

Ifrit (em árabe: عفريت) é uma classe de gênios infernais, espíritos abaixo do nível de anjos e demônios, conhecidos por sua força e astúcia. Um ifrit é uma enorme criatura alada de fogo, masculino ou feminino, que vive no subsolo e frequenta as ruínas. Ifrits vivem em uma sociedade estruturada ao longo de antigas linhas árabes tribais, completo, com reis, tribos e clãs. Eles geralmente se casam um com um outro, mas eles também podem se casar com o humano. Apesar de as armas e as forças normais não terem poder sobre elas, são suscetíveis à magia que os seres humanos podem usar para matar ou capturar e escravizá-los. Tal como acontece com os gênios, um ifrit pode ser um crente ou descrente, bem ou mal, mas ele é mais frequentemente descrito como um ser perverso e cruel.

Djinn (em árabe: جن) são gênios bons ou maus que habitavam as pedras, as fontes, as árvores sagradas. Em alguns casos, os gênios do mal são vistos como seres humanos extraviados 

Monstros
Nasnas (em árabe: نسناس) é "meia um ser humano, tendo uma meia cabeça, metade de um corpo, um braço, uma perna, com a qual o lúpulo com muita agilidade". Acreditava-se ser descendentes de um demônio chamado um shikk e um ser humano.

Ghoul (em árabe: غول) é um demônio metamorfo habitante do deserto que pode assumir a aparência de um animal, especialmente uma hiena. Ele atrai viajantes incautos para o deserto para matá-los e devorá-los. A criatura também tem por presa crianças pequenas, rouba sepulturas, bebe sangue, e come os mortos tomando a forma de um que já comeu. Por causa do último habito, o espírito da palavra é por vezes utilizado para se referir a um ser humano comum, como um ladrão de túmulos, ou a qualquer um que se delicia com a macabra.

Bahamut (em árabe: بهموت ) é um peixe grande que reside em um mar imenso, às vezes descrito como tendo uma cabeça semelhante a de um hipopótamo ou elefante. Sobre seu lombo suporta um touro gigantesco nomeado Kujala, que se diz ter quatro mil olhos, quatro mil bocas, quatro mil narizes, quatro mil línguas, quatro mil ouvidos, quatro mil patas; uma grande quantidade de apêndices das quais há uma distância de quinhentos anos de viagem entre cada uma delas. Kujata suporta sobre seu lombo um rubi, que por sua vez repousa um anjo que, por sua vez, suporta os Sete Infernos, logo em seguida a Terra e após os Sete Céus.

A ORIGEM DA RELIGIÃO

 


a) Animismo ou Mana - A idéia de uma força impessoal que estaria em todos os elementos da natureza, dando-lhes vida, animando-os, dando-lhes movimento,

b) Xamã - Indivíduo considerado detentor de poderes especiais recebidos de divindades ou seres espirituais. Mantém o domínio religioso do grupo através do medo, uma vez que é olhado como capaz de fazer o bem e o mal. É quem realiza os rituais de magia e purificação,

c) Fetiche - Objeto ou elemento da natureza, do qual emanaria algum tipo de poder sobrenatural que adviria naturalmente ou após algum tipo de ritual no qual o xamã conferiria poder àquele elemento. Normalmente utilizado para produzir um bem ou um mal a alguma pessoa. O fetichismo é o culto a esses objetos ou elementos,

d) Totem - Objeto construído, quase sempre de madeira, que é venerado como um ídolo protetor contra os maus espíritos,

e) Tabu - Atos e costumes proibidos (geralmente pelo xamã) e que trariam maldições sobre quem rompesse com eles, praticando o que é proibido. São passados de geração em geração e, normalmente, os indivíduos os têm arraigados em seus costumes sem saberem nem mesmo a origem de crença e costume tão rigoroso. São obedecidos irrestritamente sem questionamentos e sem buscar razão lógica,

f) Rituais de Purificação - Práticas religiosas indicadas ou lideradas pelos xamãs e que visam a purificação espiritual do indivíduo. Normalmente são ritos que contém elementos penitenciais,

g) Necrolatria - Veneração de mortos em rituais e cultos onde são invocados, inclusive com o objetivo de angariar sua proteção e intermediação com as divindades ou espíritos.

terça-feira, 9 de junho de 2026

A GRANDE MÍDIA CONTRA O RAP



Historicamente, o rap carrega um DNA contra hegemônico focado em denunciar o racismo, a exclusão social e a violência. Por desafiar o status quo e dar voz às periferias, o gênero sofreu e ainda sofre com a marginalização, o preconceito da mídia corporativa e a falta de espaço nos meios de comunicação tradicionais.

O rap legitima a territorialidade e expõe feridas sociais, como a violência policial e o sistema desigual. Essa postura crítica gera desconforto em setores conservadores.

Desde os primórdios do hip-hop, letras que relatam a dura realidade nas ruas foram frequentemente rotuladas de forma equivocada pela grande mídia como apologia ao crime ou à violência, em vez de serem tratadas como crônicas da realidade periférica.

Quando a mídia abraça o rap, muitas vezes o faz esvaziando seu conteúdo político, focando apenas no apelo comercial (como no caso do trap atual) e ignorando artistas que mantêm discursos mais politizados.

Isso acontece, porque o rap nasceu nas comunidades negras e pobres, denunciando o racismo e a violência policial. A mídia tradicional costumava associar o ritmo à criminalidade, ignorando seu valor artístico.

Letras cruas e críticas sociais incomodavam os detentores do poder econômico na televisão e nas rádio.


Rede Globo e a Mídia x Rap

A tensão entre a Rede Globo e o rap nacional ocorre devido a divergências históricas, políticas e de interesses. O rap brasileiro nasceu na rua como um movimento de denúncia social, racial e periférica, o que colide com a lógica comercial e a imagem institucional da emissora.

O rap clássico aborda questões como racismo, violência policial e desigualdade. Essas críticas sistêmicas muitas vezes entram em choque com a linha editorial e os interesses da grande mídia televisiva da TV aberta.

A relação entre o rap brasileiro e a Rede Globo é historicamente marcada por tensões e distanciamento.

Eu foco na Rede Globo, por que é a maior empresa de comunicação da América Latina e uma das maiores do planeta, tudo que a Rede Globo apoia ou boicota, todos os meios de comunicação do Brasil, irá segui-la sem pestanejar. 

Grupos lendários como os Racionais MC's sempre recusaram convites da emissora, criticando a linha editorial e o elitismo dos programas. E apresentações raras vieram acompanhadas de atritos, como quando o rapper MV Bill cantou músicas críticas à própria Rede Globo durante sua participação no antigo programa Domingão do Faustão no ano de 2004.


Música de Bandido

Quando surgiu o Rap Brasileiro nos anos 1980 em São Paulo, o gênero veio logo na jugular da sociedade branca, com letras fortes e impactantes, abordando assuntos do dia-dia do negro pobre da periferia, o Rap logo foi taxado como música de vagabundo e de criminoso.

Foi tanta propaganda negativa contra o Movimento Rap, que  sociedade, até hoje tem preconceito contra o gênero musical.

Quando na verdade, 70% das letras do Rap, aborda temas importantes para o preto favelado, dando-lhe conscientizações social e política.


O Funk Brasileiro

O Funk Brasileiro foi criado no Rio de Janeiro em 1980. Em 1989 foi quando o ritmo explodiu por todo o Brasil.

Em 1980 o gênero ganhou sua identidade local ao adotar as batidas do Miami Bass. Foi nesse período que DJs e frequentadores passaram a compor letras em português para retratar a realidade das favelas cariocas.

Em 1989 é amplamente considerado o marco de explosão do gênero, impulsionado pelo lançamento da primeira coletânea nacional, o disco "Funk Brasil" produzido pelo DJ Marlboro, que popularizou a inserção de baterias eletrônicas e a temática das comunidades.


Música do Crime Organizado

É provado que o Movimento Funk tem forte relação com o crime organizado envolve tanto dinâmicas de violência, lavagem de dinheiro e controle territorial, quanto a criminalização histórica de uma expressão cultural da periferia. Essa intersecção é frequentemente debatida sob a ótica do mercado de entretenimento, apologia e influência social.

Eventos realizados em espaços públicos e comunidades, muitas vezes sem alvará, são frequentemente dominados ou influenciados por facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. Nesses locais, o crime organizado atua custeando a infraestrutura das festas (como som e iluminação), utilizando adegas e comércios locais no entorno para lavar o dinheiro do tráfico. Transformando aglomerações em pontos de comércio de drogas a céu aberto e locais para exibição de itens ilícitos.


O Fenômeno do Proibidão

As letras que fazem apologia direta a facções criminosas, ao tráfico e ao porte de armas vertente conhecida como funk "proibidão" geram tensões constantes com a Justiça. Foco em conteúdo adulto, explícito e letras pornográficas, montagens agressivas que lideram as Playlists de Funk Putaria no Spotify.

O funk com letras focadas em "putaria", também conhecido como funk proibidão, funk ousadia ou funk de fluxo, caracteriza-se pelo uso de linguagem explícita, referências diretas a experiências sexuais e descrições sem filtros.


Rede Globo

A Rede Globo teve um papel histórico e fundamental na massificação e popularização do funk brasileiro. Ao abrir espaço em sua grade de programação para o ritmo que nasceu nas periferias, a emissora ajudou a romper barreiras geográficas e sociais, levando o gênero para todo o país e pavimentando o caminho para o sucesso global.

Na década de 1990 e início dos anos 2000, atrações de grande audiência, como o Programa Xuxa Park (apresentado por Xuxa), foram vitrines essenciais. O DJ Marlboro, um dos maiores nomes do gênero, teve forte atuação nesses palcos, introduzindo a batida eletrônica para o público amplo.

A emissora carioca frequentemente inclui o funk nas trilhas sonoras de suas tramas. A exposição em novelas das 21h ajudou a normalizar o som em lares de diferentes classes sociais.

Transmissões de grandes festas, como o Carnaval, passaram a incorporar o ritmo em suas coberturas, consolidando o funk como parte da cultura popular brasileira.

A plataforma digital da emissora também registra a importância do ritmo, com conteúdos que exploram como o funk virou um fenômeno de massa e uma ferramenta de publicidade.


Movimento Funk no Site da Rede Globo: https://redeglobo.globo.com/sp/tvtribuna/splash/noticia/movimento-funk.ghtml

Globo News estreia série sobre o funk e homenageia Elis Regina: https://billboard.com.br/globonews-estreia-serie-sobre-o-funk-e-homenageia-elis-regina/

Funk brasileiro na Globo: a evolução do ritmo na maior emissora do país: https://wmusicabrasileira1.com/funkhiphop/2137.html

GloboNew no Facebook - Funk: Made in Brasil: https://www.facebook.com/watch/?v=669383728860926



A BÍBLIA NÃO FALA DA TRINDADE



A Bíblia fala da trindade? Não! Esta pergunta é válida porque, como é muito pregado a questão da trindade, muitas pessoas acreditam que a Bíblia fala da trindade. Mas será que isto é verdade ou não? Então, a Bíblia não faz nenhuma menção sobre a trindade. Verificando os textos bíblicos, nós vamos ver que não existe a palavra trindade ou alguma coisa que o valha escrito na Bíblia.

Nem no Antigo Testamento, nem no Novo Testamento, vamos ler alguma palavra fazendo menção à trindade. Para a Bíblia, não se trata de três deuses sendo um só. Não é uma consubstanciação que seria o nome técnico para isto.

Então, o que seria a trindade exatamente? Para começar, coloque em sua mente que a Bíblia não diz nada sobre trindade na forma como conhecemos. Não existe a palavra trindade na Bíblia, em nenhum aspecto, de nenhum método, de nenhum jeito. O que chamam de trindade, como é ensinado na religião, vamos verificar nos textos bíblicos, que se trata de uma única pessoa, ou seja, é um Deus.

Não três deuses em um, três deidades em um, três divindades em um. Não é o três em um, é somente um, é somente uma pessoa. O que para os religiosos é uma consubstanciação, ou seja, trindade, na verdade, a unidade.


Textos Bíblicos

2 Coríntios 3,13: A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, seja com todos vós. Amém. 

1 João 5,6-8: Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo. Não só por água, mas por água e por sangue.

E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que testificam no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito. E estes estão em acordo.

E três são os que testificam na terra, o Espírito, a água e o sangue. E estes concordam entre si. 

Mateus 3,16-17: E sendo Jesus batizado, saiu da água. E eis que lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como a pomba, e vindo sobre ele. 

Eis que uma voz do céu dizia, Este é meu Filho amado, em quem me comprazo.  

João 14,26: Este vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

Judas 20,21: Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo. Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.

1 Pedro 1,2: Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.

Hebreus 9,14: Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo, imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servir-lhes. Ao Deus vivo.


Reparem aqui, que nenhum destes textos dão a entender que existam três deidades, três divindades, três deuses. Não existe uma trindade.


Invenção da Patrística

A palavra "Trindade" (do latim Trinitas) e a definição sistemática do dogma só foram consolidadas séculos depois. Isso ocorreu nos Concílios de Niceia (325 d.C.) e Constantinopla (381 d.C.), quando líderes da igreja primitiva (os Padres da Igreja) precisaram combater heresias e explicar racionalmente como Deus pode ser um em essência e três em pessoas.

A Trindade é uma formulação da teologia patrística e não um termo explicitamente textual da Bíblia. A palavra Trindade cunhada por Teófilo de Antioquia por volta do ano 180 d.C. e popularizada por Tertuliano no século III.

Os Pais da Igreja precisaram criar conceitos formais (como substância, essência e pessoa) para combater outras correntes religiosos cristãos da época, como o modalismo (Deus agindo em três "máscaras" diferentes) e o arianismo (a crença de que Jesus era um ser criado). A definição dogmática formal de que Deus é "um Deus em três pessoas co-eternas e consubstanciais" foi fechada no Concílio de Niceia (325 d.C.) e no Concílio de Constantinopla (381 d.C.).

A patrística não inventou a Trindade do nada; ela traduziu a adoração a Deuses que existia desde antiguidade e formulou um dogma cristão e henoteísta, para se adequar a crença politeísta. O que eles fizeram, foram juntar a crença em vários Deuses com os relatos bíblicos do Pai, do Filho e do Espírito Santo em um dogma formal para proteger o monoteísmo cristão, que na verdade não é um monoteísmo, e sim um henoteísmo cristão. 


DEUSES QUE FORMAM A TRINDADE



O que hoje chamamos de Trindade no mundo antigo tinha outro nome, mas a crença era de que existiam três deuses principais que dominavam o panteão religioso dos povos do mundo antigo. Não necessariamente estes deuses eram os mais poderosos, estes deuses eram os mais populares, os mais temidos, os mais utilizáveis em tempos de guerras, calamidades e etc. Ou também eram deuses mais pregados no dia-a-dia. 

Por várias razões, no mundo antigo sempre existiam alguns deuses que as pessoas mais reverenciavam, ou mais respeitavam, ou mais temiam, etc. Geralmente eram três, não era uma regra, às vezes eram cinco, dez, doze, mas o número três era muito reverenciado no mundo antigo, assim como é ainda nos dias de hoje. O nome Trindade quer dizer três deidades, de onde a palavra tri quer dizer três, e dades vem de deidades, ou seja, três deuses. 

Então o nome Trindade quer dizer três deuses, três divindades, três deidades. E como eu disse, esse negócio de Trindade era muito comum no mundo antigo e era muito antiga. Alguns acreditam que esse negócio de Trindade já vinha desde a época do Neolítico. 

Contudo, registrado, documentado, o primeiro povo a falar sobre o que conhecemos de Trindade são os Sumérios. Então, documentado, a Suméria é o primeiro povo, é o primeiro país a falar a respeito da Trindade. É claro que esse conceito vem muito antes da Trindade. 


Trindade Suméria

Como eu disse, é provável que venha desde o Neolítico. Confirmado, registrado pelos Sumérios, a Trindade vem desta forma. A Trindade vem através dos deuses Ishtar, Shin e Shamash. 

Ishtar era a deusa da guerra, deusa do amor, era uma das deusas mães. Ishtar ganhou o título de deusa mãe muito posterior. Nem todos os Sumérios aceitavam Ishtar como sendo uma deusa mãe, mas com certeza ela era uma deusa da guerra, uma deusa do amor e deusa da beleza. 

O deus Shin era o deus da lua, deus dos bosques, deus da caça. E o deus Shamash era o deus do sol, deus da luz, deus do conhecimento. Depois dos Sumérios, documentado, nós temos o povo do Egito, que também tinha reverência pela Trindade em seu panteão religioso. 


Trindade Egípcia

E a Trindade egípcia era formada por Horus, Osiris e Isis. O deus Horus era o deus redentor, o deus salvador, era o deus da ressurreição e deus da vitória, porque Horus matou seu tio Seth que assassinara Osíris, seu pai. O deus Osíris era o juiz dos mortos e a deusa Isis era a deusa mãe, a deusa medianeira, a deusa do amor e a deusa da fertilidade. 


Trindade da Índia

Na Índia também temos a Trindade, através dos deuses Shiva, Brahma e Vishnu. Shiva é o deus da destruição, mas não é destruição como conhecemos. Na cultura antiga, quando uma divindade tinha o poder de destruição, na verdade era o poder da renovação. 

O deus Brahma era o deus da criação e o deus Vishnu é o deus da preservação. 


Trindade Grega

É claro que os gregos não iriam ficar de fora. A tríade divina da mitologia grega era formada por Zeus, Poseidon e Hades. 

Zeus é o deus do céu, deus dos homens, Poseidon é o deus dos mares e oceanos e Hades é o deus do tártaro, o deus da morte. Os etruscos também tinham a sua versão da trindade. 


Trindade Etrúsca

Os etruscos eram uma civilização que vinha antes dos romanos. 

Muito do que se conhece e que se sabe de cultura romana, na verdade, veio da cultura etrusca. E a trindade na cultura etrusca eram feitas pelos deuses Tínia, Une e Minerva. O deus Tínia é o deus dos céus, o deus dos deuses, o deus poderoso. 

A deusa Une era a deusa suprema da divindade, era a deusa das deusas. A deusa Une era a esposa do deus Tínia. O equivalente romano da deusa Une era a deusa Hera. 

E por fim a deusa Minerva era a deusa das artes, deusa da guerra. A deusa Menerva dos romanos é inspirado na deusa Menerva. Até aqui em terras brasíles tem a trindade e a trindade aqui nas terras tupiniquins são representados pelos deuses Tupã, Guaraci, Ojaci e Huda. 


Trindade Tupi-Guarani

Segundo a mitologia tupi-guarani, o deus Tupã não era exatamente um deus. A divindade Tupã era mais ou menos uma manifestação do deus Nyan Devurusu. Quando o deus Nyan Devurusu ficava bravo, irritado, nervoso, ele lançava um trovão e este trovão que é o Tupã. 

Então Tupã na verdade é uma onomatopeia e não uma divindade. O deus Nyan Devurusu é a energia que existe, é a que sempre existirá. Seria mais ou menos o sol, o céu, o poder. 

E o trovão era a manifestação de seu poderio ou de seu estado emocional. O deus Nyan Devurusu é a representação do sol, às vezes compreendido como aquele que dá vida e também criador de todos os seres vivos. O Jaci ou Guaraci é a mãe dos vegetais na mitologia Tupi, é a deusa da lua, é a protetora das plantas. A divindade Huda é o deus do amor. 


Trindade Zoroastra

A trindade também está representada na religião Zoroastrista através de Aura Mazda, vó humana e o deus Mitra. Aura Mazda é o deus do céu, é o deus da sabedoria, é o deus do conhecimento, é o deus da abundância e da fertilidade. 

O deus vó humana é o deus da inteligência, sabedoria, é o guardião dos animais. A questão do deus vó humana ser o deus da sabedoria seria a sabedoria do dia a dia, a inteligência emocional, como sair de uma situação complicada, é mais ou menos isso. E o deus Mitra era o deus da luz, o deus do sol, o deus da iluminação, o deus do despertar, quando você desperta para o conhecimento. 


Trindade Asteca

E também encontramos a trindade na religião Asteca através dos deuses Ometiotla, Errecatla e Quetzalcoatl. O deus Ometiotla é o deus da criação, esse deus era macho e fêmea ao mesmo tempo, ele era o deus da reprodução, o deus da vida, ou seja, a divindade que emanava vida em si mesmo. O deus Errecatla é o deus do vento, é o deus do ar, o deus da respiração, o deus do nascimento, o deus do movimento cósmico. 

Errecatla era uma das manifestações do deus Quetzalcoatl. Quetzalcoatl era o deus do vento, o deus do ar, o deus do aprendizado, era o deus do conhecimento, o deus do despertar para uma nova consciência, o deus do elemento criativo, o deus da eloquência e o deus do intelecto. Por conta destas efusões de divindades tríades espalhadas por todo o mundo antigo, automaticamente este conceito iria entrar na crença do cristianismo dos primeiros séculos. 


Conclusão

E o debate a respeito da trindade contra ou a favor foi muito calorosa, muito aguerrida e causou brigas, discussões, mortes, guerras, sangues foram derramados por conta desta teoria, seja contra ou a favor. E por conta destas tamanhas problemáticas teológicas, foi feito o concílio de Niceia para discutir várias questões, inclusive a questão da trindade. Mas como era uma polarização acirrada que causou guerras, prisões, execuções, no concílio de Niceia, que durou mais ou menos três meses, não foi logo de fato outorgado, homologado a trindade.

Teve que ter mais um concílio para tentar sanar o problema, que foi o concílio de Constantinopla. Porém a discussão a respeito da trindade perdura até nos dias de hoje e ainda no século 21 aos que acreditam na trindade e aos que não acreditam na trindade. Polêmicas à parte, é fato verificado, historicizado e corroborado que o assunto da tríade divina sempre ocorreu ao longo da história do homem.


OS ELEMENTOS QUE FORMAM A TRINDADE

 


O assunto envolvendo a trindade realmente desperta muita discussão, muita argumentação e muita imaginação. E imaginação o homem tem muito. Ligando a concepção religiosa com os elementos naturais que estão à nossa volta, o ser humano místico, supersticioso e religioso como é, vai elementar a questão da trindade em vários âmbitos do mundo que está à sua volta.

E muitos destes elementos trinitários para o ser humano é encontrado na natureza. Para o ser humano faz sentido a questão da trindade envolvendo o mundo natural, porque no seu arquétipo religioso, Deus, é uma divindade que se apresenta na forma de três pessoas. Para alguns religiosos, a questão da trindade é literalmente acreditado como três deuses formando um.

Seja como for, é fato verificado que há muitos pontos no mundo natural que dão ênfase para o ser humano dar sentido para a chamada trindade. 

Entre esses elementos do mundo natural, nós temos a água, que se comporta em três fases, que é o sólido, líquido e o gasoso. 

E o estado físico de toda a matéria existente no planeta se comportam nestes três elementos, que são sólido, líquido e gasoso.

E também são três elementos que compõem os átomos, os prótons, elétrons e nêutrons. 

E a base dos prótons e nêutrons contém três quarks cada um. 

No número atômico do lítio, nós encontramos o número 3 como o seu número atômico. Seria uma trindade da química.

O tempo também é um conceito que faz o homem pensar muito a respeito da trindade, porque o tempo é feito de passado, presente e futuro. 

Não só o tempo, mas também o espaço faz o homem torrar o cérebro pensando nas dimensões espaciais.

Porque o espaço é formado pela altura, largura e profundidade, ou comprimento, tanto faz. 

Outra questão que faz o ser humano pensar na trindade é a música, que acompanha o ser humano desde sempre. 

E a música é formada da melodia, harmonia e ritmo.

No mundo da geometria, o próprio triângulo é por si só um conceito muito usado na trindade. 

O triângulo é um ângulo que tem três lados. 

O mundo biológico é feito por três reinos. E isso faz realmente o homem pensar que não à toa esse negócio de trindade deve fazer algum sentido. Porque o reino biológico é formado pelo reino animal, vegetal e mineral. 

E para finalizar, os próprios seres vivos, não importam se esses seres vivos são animais, seres humanos, plantas, etc.

Vão obrigatoriamente obedecer três padrões, que são o nascimento, crescimento e morte. 

Estes elementos do mundo da natureza realmente faz-nos pensar sobre a trindade. 

E estas observações são feitas desde a pré-história e continuam até nos dias de hoje.

Mas é fato de que a Trindade, como religião, crença e mitologia, não existe no mundo real.


segunda-feira, 8 de junho de 2026

O EVANGELHO DE PAULO

 


Paulo de Tasso é o autor de 13 dos 27 livros do Novo Testamento. Quase metade da tua Bíblia foi escrita por ele, mas atenção a este detalhe que muda tudo. Paulo nunca conheceu Jesus em vida, nunca esteve com Ele, nunca ouviu uma parábola dEle, nunca ouviu fazer um milagre.

Tudo o que Paulo sabia, alegadamente, foi uma visão na estrada de Damasco, anos depois da crucificação. E ainda assim, hoje, a maior parte do cristianismo mundial não segue os ensinamentos de Jesus, segue a interpretação que Paulo fez deles. Esta diferença, que os teólogos acadêmicos chamam de problema de Paulo, foi documentada por dezenas de eruditos modernos, Bart Ehrman, James Tabor, James Dunn, Géza Vermes.

Paulo, em poucas décadas, transformou um movimento judaico apocalíptico liderado pelos irmãos de Jesus numa religião gentílica radicalmente diferente. As provas estão na própria Bíblia que tens em casa, só precisas de saber onde olhar. Vamos começar pela cronologia, porque a ordem dos eventos muda tudo.

Jesus foi crucificado por volta do ano 30, depois de Cristo. Os doze apóstolos originais, liderados por Pedro, João e Tiago, irmão de Jesus, ficaram em Jerusalém, formaram a primeira comunidade cristã totalmente judaica, continuavam a frequentar o templo, observavam a Torá, faziam circuncisão, mantinham a Kashrut, as leis alimentares judaicas. Eles não viam o cristianismo como uma religião nova, viam como uma seita judaica messiânica.

Entretanto, em algum momento entre 33 e 35 d.C., um judeu fariseu chamado Saulo de Tarso, agente do Sinédrio que perseguia ativamente os primeiros cristãos. Teve uma experiência na estrada de Damasco. Ele descreve isto nas suas próprias cartas, em Gálatas 1, versículo 12 e em Coríntios.

Diz que Jesus apareceu-lhe em visão. Saulo passou a chamar-se Paulo. E aqui vem o detalhe espantoso.

Em Gálatas 1, versículo 17 e 18, Paulo escreve textualmente, Depois disso, não consultei carne nem sangue, nem subi a Jerusalém para falar com os apóstolos que estavam lá antes de mim. Em vez disso, fui para a Arábia. Três anos depois, finalmente subiu a Jerusalém e ficou apenas quinze dias com Pedro.

Não procurou os outros apóstolos, não foi aprendiz de ninguém. Tirou tudo alegadamente de visões pessoais. E agora, presta atenção a esta ordem cirúrgica.

As cartas de Paulo foram escritas entre 50 e 60 d.C. Os quatro evangelhos canônicos, Marcos, Mateus, Lucas e João, foram escritos entre 70 e 100 d.C. Isto significa que Paulo escreveu primeiro. Os evangelhos vieram depois. E os autores dos evangelhos, especialmente Lucas, eram seguidores da teologia de Paulo.

Lucas é literalmente companheiro de viagem de Paulo. Mencionado em Colossenses 4, versículo 14. Atos dos apóstolos, também escrito por Lucas, é essencialmente a história de Paulo, não dos doze apóstolos.

Dos vinte e oito capítulos do livro de Atos, mais de metade são sobre Paulo. Pedro desaparece. Tiago aparece pouco.

João quase nada. Isto cria uma situação extraordinária. A versão de Jesus que tu conheces hoje foi filtrada através da teologia de Paulo, escrita uma geração antes dos próprios evangelhos.

Para os autores dos evangelhos, a forma como interpretaram a vida de Jesus já estava marcada pelo enquadramento paulino. Os teólogos acadêmicos chamam a isto a colonização paulina dos evangelhos.

Agora vamos ao conflito direto entre Paulo e os apóstolos originais. Em Gálatas 2, versículos 11 a 14, Paulo descreve um confronto público em Antioquia. Pedro tinha vindo visitar a comunidade.

Inicialmente comia com os cristãos gentios. Mas quando chegou um grupo enviado por Tiago, irmão de Jesus, Pedro retirou-se e parou de comer com os gentios. Por quê? Porque Tiago e a comunidade de Jerusalém ainda observavam as leis alimentares judaicas.

Para eles, cristãos gentios ainda eram impuros. Paulo ficou furioso. Em público, em frente a toda a comunidade, repreendeu Pedro.

Disse, e estou a citar a tradução portuguesa, Resistile na cara, porque era de censurar. Paulo, um homem que nunca conheceu Jesus, a repreender publicamente o discípulo mais íntimo de Jesus em frente de todos. Imagina o nível de tensão.

Esta cena revela duas versões completamente diferentes do cristianismo. Pedro, Tiago e os apóstolos originais viam a fé em Jesus como uma extensão do judaísmo. Os gentios podiam aderir, mas tinham de cumprir as leis judaicas básicas.

Paulo dizia o contrário. Para Paulo, a fé em Cristo abolia a Torá. Os gentios não precisavam de se circuncidar, não precisavam de observar leis alimentares, não precisavam do sábado judaico.

Ato 5, contra a Torá. Estas eram posições incompatíveis e levaram ao chamado Conselho de Jerusalém em Atos 15, por volta de 49 d.C. O Conselho de Jerusalém é um momento crucial e poucos cristãos modernos sabem o que realmente aconteceu. Os apóstolos originais, presididos por Tiago, irmão de Jesus, reuniram-se para decidir uma única questão.

Os cristãos gentios devem ser circuncidados e observar a Torá. A resposta de Tiago, registada em Atos 15, versículo 19, foi um compromisso. Os gentios não têm de ser circuncidados, mas devem observar quatro coisas.

Abster-se de carne sacrificada a ídolos, de sangue, de carne de animais sufocados e de imoralidade sexual. Pequenas regras, kosher light. Paulo aceitou publicamente, mas, nas suas cartas, ignorou.

Em Coríntios 8, escreve que comer carne sacrificada a ídolos não tem problema, contraria explicitamente o que Tiago decidiu. E aqui está a outra pista decisiva. Lê todas as cartas autênticas de Paulo, as sete que os acadêmicos aceitam como genuínas.

1ª Tessalonicenses, Gálatas, 1ª e 2ª Coríntios, Romanos, Filipenses. Filemon, lê com atenção. Quase nada do que Jesus ensinou aparece nestas cartas.

Paulo nunca cita o sermão da montanha, nunca menciona o Pai Nosso, nunca refere uma parábola de Jesus, nem o filho pródigo, nem o bom samaritano, nem o semeador. Nunca fala dos milagres de Jesus, não menciona a multiplicação dos pães, não menciona a ressurreição de Lázaro, nem o caminhar sobre as águas. Para Paulo, o que importa é uma coisa só, que Cristo morreu pelos teus pecados e ressuscitou.

Compara isto com o cristianismo de Tiago. A carta de Tiago, no Novo Testamento, é talvez o texto que mais se aproxima do que o irmão de Jesus realmente ensinava, e é radicalmente diferente de Paulo. Tiago 2, versículo 14, que aproveita meus irmãos, se alguém diz ter fé e não tiver as obras, pode a fé salvá-lo? Pausa! Isto é uma contradição direta da teologia paulina de salvação só pela fé.

Tiago continua, versículo 24, Vê, diz então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. Pega-se nesta frase, isolada, e parece o oposto exato de Romanos 3, versículo 28, onde Paulo escreve, O homem é justificado pela fé, sem as obras da lei. Estas duas frases não podem ser ambas verdadeiras no mesmo sistema teológico.

Martinho Lutero, no século XVI, notou esta contradição, chamou a carta de Tiago uma carta de palha, quis removê-la do cânone protestante. Lutero estava a defender Paulo contra o próprio irmão de Jesus, e isto, dois mil anos depois, ainda é o problema central do cristianismo moderno. Mas há mais, vai ao ano 144 d.C. Um teólogo chamado Marcião de Sinope, chega a Roma.

Marcião era rico, inteligente, e tinha uma tese, acreditava que Paulo era o único verdadeiro apóstolo de Jesus. Os outros apóstolos, segundo Marcião, tinham corrompido a mensagem com judaísmo residual. Marcião criou o primeiro cânone do novo testamento da história, continha apenas 10 cartas de Paulo e uma versão editada do Evangelho de Lucas.

Removia o antigo testamento inteiro. Para Marcião, o Deus de Israel era diferente do Pai de Jesus. A igreja romana excomungou Marcião e declarou-o herético.

Mas a reação a Marcião levou diretamente à criação do cânone do novo testamento, como conhecemos. A igreja teve de mostrar que Paulo não estava sozinho, por isso adicionou os quatro evangelhos, Atos, as Cartas Católicas e o Apocalipse. Mas o ponto continua.

No século II, já existiam cristãos sérios e influentes que acreditavam que Paulo tinha inventado uma versão diferente do cristianismo. Não era uma teoria moderna, era um debate antigo. Há outro grupo que merece atenção, os Ebionitas.

Eram uma seita cristã judaica que viveu na Palestina e na Síria desde o primeiro até o quarto século. Os padres da igreja, como Ireneu e Hipólito, escreveram sobre eles. Os Ebionitas tinham três características marcantes.

Primeira, viam Jesus como profeta humano, filho biológico de José e Maria. Não acreditavam na divindade de Jesus nem no nascimento virginal. Segunda, observavam a Torá completa.

Faziam circuncisão, observavam o sábado, comiam kosher. Terceira e mais espantosa, rejeitavam Paulo como apóstata e falso apóstolo. Os Ebionitas tinham um evangelho próprio, o Evangelho dos Ebionitas, que foi destruído.

Sabemos da sua existência apenas pelas citações que os padres da igreja preservaram nas suas refutações. Imagina, uma comunidade cristã que descende diretamente da igreja de Jerusalém liderada por Tiago, a que considerava Paulo um traidor da mensagem original de Jesus. Estes não eram pagãos, eram cristãos que rejeitavam o cristianismo paulino, e a sua memória foi quase apagada da história.

Em 325 d.C., Constantino convoca o concílio de Nicéia. Os Ebionitas já tinham sido marginalizados há gerações. O cristianismo que se torna oficial do Império Romano é o paulino.

A teologia que ganhou foi a de um homem que nunca conheceu Jesus em vida, contra a teologia dos irmãos e discípulos mais íntimos do próprio Jesus. E há ainda outro detalhe que poucos cristãos notam. A experiência de Damasco, a base de toda a autoridade de Paulo, está descrita três vezes no livro de Atos, capítulo 9, capítulo 22 e capítulo 26.

Leia as três versões em paralelo, vão te chocar. Na primeira versão, os companheiros de Paulo ouvem a voz, mas não veem ninguém. Na segunda versão, veem a luz, mas não ouvem a voz.

Na terceira versão, todos caem por terra juntos. As três versões contradizem-se. O mesmo autor, Lucas, conta três histórias incompatíveis do mesmo evento.

Os teólogos acadêmicos, como Bart Ehrman, apontam isto como prova de que a experiência de Damasco foi reinterpretada e expandida ao longo do tempo. Pode ter sido uma experiência visionária genuína. Pode ter sido um episódio psicológico.

Mas seja o que for, não é uma testemunha presencial fiável. E sobre essa base instável foi construída metade do Novo Testamento. Os ebionitas não foram a única comunidade cristã judaica suprimida.

Havia também os nazarenos, mencionados por Epifânio de Salames no século IV. Havia os euscesaitas, que sobreviveram até o século VII na Mesopotâmia. Todos partilhavam três traços comuns.

Veneravam Tiago como verdadeiro líder. Observavam alguma forma de Torá. Rejeitavam ou suspeitavam profundamente de Paulo.

Estas comunidades preservavam memórias diretas do círculo familiar de Jesus. E foram todas, sem exceção, declaradas hereges e apagadas pela Igreja Imperial. Vamos arrumar a evidência.

Bart Ehrman, professor de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte no livro Triunfo do Cristianismo, mostra como Paulo é o verdadeiro criador da religião que conhecemos hoje. James Tabor, no livro Paulo e Jesus, publicado em 2012, defende a tese explicitamente. Paulo criou uma religião nova, distinta da fé original de Jesus.

James Dunn, teólogo britânico premiado no seu livro A Teologia de Paulo, reconhece que existem tensões profundas, irreconciliáveis em alguns pontos, entre Jesus e Paulo. Geza Vermez, professor de estudos judaicos em Oxford, considerado o maior especialista vivo em Jesus histórico, escreveu no livro Jesus Judaico, que o cristianismo paulino é uma religião sobre Jesus, não a religião de Jesus. Então a pergunta original, Paulo inventou o cristianismo? A resposta acadêmica é precisa.

Paulo não inventou Jesus, mas inventou o cristianismo. Inventou a religião que conhecemos hoje, tirou a mensagem judaica apocalíptica de Jesus, traduziu-a em categorias gregas, removeu a Torá, adicionou a teologia da substituição expiatória, abriu aos gentios sem restrições, e construiu uma estrutura institucional que sobreviveu dois mil anos. Foi um gênio teológico, mas Jesus, o judeu da galiléia, provavelmente não reconheceria a religião que existe hoje em nome dele.

O cristianismo original, o cristianismo de Tiago, Pedro e dos irmãos de Jesus, era uma seita judaica messiânica que esperava o regresso iminente do Messias. Não tinha trindade, não tinha encarnação, não tinha pecado original, tinha um Jesus humano, profeta, mestre e mártir. Esse cristianismo morreu com a queda do templo em 70 depois de Cristo.

O que sobreviveu foi a versão de Paulo, simplificada, universalizada, perfeitamente adaptada ao mundo greco-romano. Tu agora podes escolher o que fazer com este conhecimento. Podes continuar a praticar o cristianismo paulino e perceber que estás a fazer uma escolha consciente.

Podes investigar as comunidades judaico-cristãs originais e tentar perceber o que Jesus realmente ensinava. Podes ler a carta de Tiago com olhos novos. Podes estudar o Evangelho de Tomé, descoberto em Nag Hammadi, que muitos acadêmicos consideram preservar palavras autênticas do Jesus histórico.