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quinta-feira, 2 de abril de 2026

SAOSHYANT O MESSIAS PERSA ANTES DE JESUS



A palavra Saoshyant, em avéstico: Saošiiaṇt̰, tem raízes no antigo idioma avéstico, a língua das escrituras sagradas do Zoroastrismo. Significa "aquele que trará benefício" ou "benfeitor futuro", "beneficiar", "prosperar".
A palavra avéstico deriva de Avesta + o sufixo -ico. Refere-se à língua iraniana oriental antiga utilizada no Avesta, o livro sagrado do zoroastrismo. Etimologicamente, provém do persa médio abestag (texto/escritura) e está relacionado ao persa antigo, sendo uma língua do ramo indo-irânico, familiar ao sânscrito.
Saoshyant é o termo avéstico para o futuro salvador profetizado no Zoroastrismo, que significa literalmente "aquele que traz benefícios", que surgirá no fim dos tempos para liderar a renovação final do mundo conhecida como Frashokereti, ressuscitar os mortos, realizar o julgamento final e garantir o triunfo definitivo do bem sobre o mal.
Nas escrituras avésticas primárias, a figura de Saoshyant, também chamado Astvat-ereta ("aquele que torna a existência reta" ou "encarnação da retidão"), aparece pela primeira vez no Avestá Jovem, particularmente no Fravardin Yasht (Yasht 13.129), onde ele é descrito como o benfeitor que se oporá à destruição do mundo corporal e à Mentira (Druj), a encarnação do mal. Este salvador é invocado como aquele cujo nome é vitorioso e que beneficiará toda a existência corpórea. O Zamyad Yasht (Yasht 19.89–96) fornece uma visão escatológica mais detalhada, afirmando que Astvat-ereta surgirá do Lago Kansaoya (no leste do Irã, perto do Lago Hamun), como amigo de Ahura Mazda e filho de uma donzela chamada Vishpataurvairi, possuindo sabedoria vitoriosa. De lá, ele contemplará todas as criaturas com o olho da percepção, conduzindo o mundo dos vivos à imortalidade e fulminando os perversos Druj, enquanto forças malignas como Aeshma (Fúria) e Angra Mainyu (o Espírito Destrutivo) se curvam e fogem derrotadas.
Textos zoroastrianos posteriores, compostos em persa médio (pahlavi) durante a era sassânida, expandem esse conceito, retratando múltiplos Saoshyants como sucessivos renovadores do mundo, nascidos ao longo de milênios para combater o crescente poder do mal. De acordo com o Bundahishn (um compêndio cosmológico), a semente do profeta Zoroastro é preservada no Lago Kansaoya, onde é guardada por forças divinas até que três virgens se banhem sucessivamente no lago e concebam os salvadores: Ushedar (aparecendo 1.000 anos depois da época de Zoroastro), Ushedarmah (no final do segundo milênio) e o último Saoshyant, Astvat-ereta (nascido 3.000 anos depois de Zoroastro). Cada um realiza rituais consultando Ahura Mazda—Ushedar por 50 anos e os outros por 30 anos—e contribui para a renovação progressiva, mas o Saoshyant final lidera a batalha climática, ressuscitando toda a humanidade através de cinco grandes cerimônias Yasna, purificando o mundo com um rio de metal fundido que aniquila o mal enquanto poupa os justos e estabelece a perfeição eterna.
A doutrina de Saoshyant reforça a escatologia linear do Zoroastrismo, enfatizando o livre-arbítrio, a luta moral e a inevitável vitória de asha (verdade e ordem) sobre druj (falsidade e caos), influenciando conceitos de messianismo em tradições abraâmicas subsequentes. Embora os Gathas (hinos de Zoroastro no Avestá Antigo ) façam alusão a futuros benfeitores em versos como Yasna 48.11–12 e Yasna 43.3, a narrativa completa do salvadorse desenvolve no Avestá Jovem e na literatura pálavi, refletindo interpretações teológicas em evolução ao longo dos séculos.

Origens Linguísticas
O termo Saoshyant deriva da palavra avéstica saoš́iiaṇt̰ , um particípio ativo formado a partir do radical futuro da raiz verbal sū-/sau-, que significa literalmente "aquele que traz benefício" ou "aquele que promove". Esta raiz remonta ao protoindo-europeu ḱewh₁-, que significa "inchar", que evoluiu no avéstico para transmitir noções de fortalecimento, prosperidade ou criação de lucro através do crescimento e aprimoramento.
No uso linguístico avéstico, saoš́iiaṇt̰ incorpora esse sentido etimológico, como ilustrado em Yasht 13.128-129, onde descreve uma figura que "promove toda a vida material" dentro de uma invocação ritual aos fravashis (pré-almas) de futuros benfeitores. A amplitude semântica do termo é evidente em comparações históricas entre línguas indo-iranianas; por exemplo, a raiz cognata do sânscrito antigo śū-/śav- carrega significados paralelos como "inchar, ser forte, aumentar ou prosperar", destacando uma evolução conceitual compartilhada da expansão física para o avanço benéfico nos primeiros contextos indo-iranianos.
Para além da sua aplicação especializada, saoš́iiaṇt̰ funciona em avéstico como um substantivo comum que denota qualquer benfeitor ou promotor do bem-estar.

Uso em textos Avésticos
Nos Gathas, o estrato mais antigo do corpus avéstico (Yasna 28–34, 43–51 e 53), saoshyant- funciona principalmente como um substantivo comum que denota benfeitores contemporâneos alinhados com a missão de Zoroastro de promover a retidão ( asha ) e a ordem divina de Ahura Mazda. Aparece como autorreferencial para Zoroastro em Yasna 48.9 e 53.2, e no plural para indivíduos exaltados em Yasna 34.13. Referências a figuras futuras ocorrem em Yasna 45.11 e 48.12-13, retratando "futuros libertadores" (saoshyants) que, por meio da bondade e da retidão, combaterão a violência e apoiarão as províncias, sendo apresentados como participantes ativos nos esforços reformistas de Zoroastro, em vez de figuras escatológicas distantes.
Este uso como termo descritivo para "aquele que traz benefícios" — derivado da raiz sau-, que significa "beneficiar" ou "promover" — destaca as contribuições comunitárias e imediatas para o progresso moral. Esses exemplos reforçam o uso de saoshyant- como um epíteto para líderes éticos dentro da tradição viva, sem conotações proféticas.
No Avestá Jovem, o termo transita para um título mais específico, particularmente no singular, evocando um salvador profético. Um exemplo fundamental é Yasht 13.129, onde designa o vitorioso Saoshyant, também chamado Astvat-ereta ("encarnação da retidão"), que beneficiará todo o mundo material e encarnará a própria retidão: "Cujo nome será o vitorioso SAOSHYANT... Ele será SAOSHYANT... porque beneficiará todo o mundo material." Isto marca uma mudança de promotores genéricos para um benfeitor escatológico central para a renovação cósmica.
O plural saoshyants persiste no Avestá Jovem como uma designação para líderes religiosos ou sacerdotes envolvidos em deveres rituais e morais. Em Yasna 61.5, aparece na invocação: "que nós, como Saošyants, (derrubemos) a Mentira", retratando um coletivo de figuras sacerdotais combatendo a falsidade por meio de seu serviço. No geral, as nuances do termo evoluem ao longo do Avesta, desde denotar benfeitores imediatos e terrenos até prenunciar um papel escatológico final na obtenção de benefícios universais.

Referências nos Gathas
O termo saoshyant, que significa "aquele que traz benefício" ou "benfeitor", aparece nos Gathas, as escrituras zoroastrianas mais antigas atribuídas a Zoroastro, principalmente na forma plural para denotar aqueles que promovem a retidão (asha) e o bom pensamento (vohu manah). Em Yasna 45.11, serve como um título que evoca uma figura futura ou aliado alinhado com Ahura Mazda, descrito como alguém que se opõe às forças enganosas por meio de ações virtuosas: "A pessoa que... se opôs aos deuses e mortais culpados... tal pessoa... é um aliado... Que nos salvará." Este uso aplica o termo ao próprio Zoroastro ou aos seus sucessores espirituais, enfatizando o seu papel no estabelecimento da ordem divina contra a oposição.
Da mesma forma, Yasna 46.3 emprega saoshyant (como saēšuyā) para se referir a um coletivo de benfeitores cujas intenções se alinham com os ensinamentos de Ahura Mazda: "As intenções daqueles que salvarão estão de acordo com os Teus ensinamentos maduros." Aqui, o termo destaca os esforços comunitários na defesa da verdade, metaforicamente comparados a “touros dos céus” que sustentam o mundo da justiça , sem especificar um redentor escatológico singular. Os estudiosos interpretam isto como Zoroastro dirigindo-se aos seus seguidores ou potenciais aliados como saoshyants, enfatizando a liderança ética e a cooperação com o divino.
Em Yasna 48.12, o conceito adquire dimensões proféticas, ligando os saoshyants à renovação da criação por meio do julgamento divino : "Esses homens serão os salvadores das terras, ou seja, aqueles que seguirem o conhecimento de Teus ensinamentos com ações em harmonia com o bom pensamento e com a verdade... Estes, de fato, foram destinados a serem os expurgadores da fúria." Este verso retrata os benfeitores como agentes que executam a vontade de Ahura Mazda, julgando e expurgando o engano (druj) para restaurar a harmonia cósmica, implicando uma futura vitória do bem sobre o mal.
Em geral, Gathic saoshyant funciona como um termo coletivo para a comunidade justa que auxilia o triunfo de Ahura Mazda, em vez de um messias individualizado ; aqueles que agem de acordo com a verdade tornam-se salvadores das terras por meio de seus atos. O debate académicocentra-se em saber se este uso é messiânico – prenunciando um futuro renovador – ou metafórico, simbolizando a ação ética e a responsabilidade comunitária no quadro ético de Zoroastro, com a primeira visão a ganhar destaque apenas em interpretações posteriores.

Menções nos Yashts e Yasna
Nos textos do Avéstico Jovem, o conceito de Saoshyant adquire contornos escatológicos mais definidos, particularmente nos Yashts e Yasna, onde é invocado como um futuro benfeitor que inaugura a renovação cósmica. O Frawardīn Yašt (Yasht 13.129) fornece uma das primeiras identificações explícitas do Saoshyant com a figura de Astvat-ereta, que significa "aquele que faz as criaturas corpóreas se erguerem" ou "aquele que encarna a retidão corpórea". Esta passagem descreve um salvador cujo nome é o vitorioso Saoshyant, que beneficia todo o mundo corpóreo, e Astvat-ereta, que se erguerá como uma encarnação viva para se opor à destruição e ao Druj (falsidade), opondo-se ao mal entre a humanidade.
O Yasna, como texto litúrgico central, integra Saoshyant às invocações rituais, enfatizando seu papel na renovação final. No Yasna 59, parte do Haoma Yasht, Haoma dirige-se a Zaratustra e pede louvor para que "os outros Saoshyants [benfeitores] possam me louvar", retratando-os como futuros aliados na adoração divina e na purificação (Yasna 59.2). Além disso, o Yasna 59.28 adora explicitamente "o Saoshyant, que golpeia com a vitória", ligando essa figura a Verethraghna (a divindade da vitória) em um contexto cerimonial que ressalta o triunfo sobre a resistência durante a restauração do mundo. Essa invocação ocorre dentro do ritual do haoma, simbolizando pureza e imortalidade, visto que a preparação e a oferenda do haoma representam a santificação essencial para a realização escatológica.
Temas escatológicos relacionados a Frashokereti, a doutrina da renovação final do mundo, aparecem em Yasna 34.13-15, onde os Saoshyants são mencionados como "benfeitores futuros" cuja Daena (consciência ou religião) trilhará um caminho de Asha (retidão) para alcançar a recompensa reservada aos sábios. Esses versos, dirigidos a Ahura Mazda, invocam o Bom Pensamento (Vohu Manah) e a Retidão como guias, implicando a capacidade de ação dos Saoshyants em derrotar o mal e possibilitar a renovação da criação, com Mazda como o determinante final. Essa ligação escatológica destaca o papel emergente dos Saoshyants na purificação e revitalização do mundo material, baseando-se em usos anteriores do termo nos textos gáticos como um benfeitor geral.

Elaborações Tradicionais
Na literatura zoroastriana pós-avéstica, a figura escatológica do Saoshyant evolui para uma tríade de benfeitores sucessivos, cada um aparecendo em intervalos de mil anos durante os três milênios finais da história cósmica, a partir da época de Zoroastro. Essa estrutura organiza a renovação progressiva do mundo, com cada Saoshyant contribuindo para o triunfo gradual do bem sobre o mal, culminando na restauração final liderada pelo terceiro.
O primeiro Saoshyant, Ukhshyat-ereta (em persa médio: Ushēdar, "aquele que faz a existência crescer"), está profetizado para surgir após o primeiro milênio, renovando os ensinamentos de Zoroastro, purificando as práticas religiosas e iniciando uma melhoria parcial do mundo, promovendo a retidão e derrotando ameaças demoníacas específicas, como um lobo monstruoso. O segundo, Ukhshyat-nemah (persa médio: Ushēdarmāh, "aquele que faz crescer a reverência"), surge mil anos depois, promovendo ainda mais reformas éticas e legais — introduzindo conceitos como a lei Dadīg — e auxiliando na subjugação de figuras do caos como o tirano Zohak, fortalecendo assim as forças da ordem. Finalmente, Astvat-ereta (Persa Médio: Soshyōs, "aquele que tem o osso ou semente corporal"), surge após o terceiro milênio para alcançar a vitória total, supervisionando a erradicação completa da falsidade e a renovação total do mundo.
Essa doutrina dos múltiplos Saoshyants é detalhada em textos pálavi compostos entre os séculos IX e XII d.C., particularmente no Bundahišn (capítulos 30, 32 e 34), que descreve sua sequência cronológica e contribuições para a renovação cósmica, e no Dēnkard (livro 3), que sistematiza seus papéis dentro de enciclopédias teológicas mais amplas. Estas obras retratam o trio como sucessores espirituais de Zoroastro, construindo progressivamente em direção ao escaton sem implicar igualdade; os dois primeiros efetuam salvações limitadas, enquanto o último garante o triunfo universal.
Os estudiosos debatem se as escrituras avésticas, que se referem predominantemente a um único Saoshyant, sugerem inerentemente pluralidade por meio de termos como Ukhshyat-ereta nos Yashts (por exemplo, Yt. 13.128), ou se o sistema triádico representa uma elaboração sacerdotal posterior para alinhar a escatologia a uma cronologia milenar. Embora os Gathas enfatizem um futuro benfeitor (Y. 48.12), os textos pós-Gáticos e as exegeses Pahlavi formalizam os três como uma progressão coesa, provavelmente sistematizada durante a era Sassânida para enriquecer a soteriologia zoroastriana. Esta evolução do singular para o plural sublinha o desenvolvimento adaptativo da tradição em resposta às necessidades históricas e teológicas.

O Saoshyant Final e o Nascimento Virginal
Na tradição zoroastriana, o último Saoshyant, chamado Astvat-ereta, é concebido por meio de um processo milagroso envolvendo a semente preservada do profeta Zoroastro, depositada no Lago Kansaoya (também grafado Kąsaoya ou Kasaoya) e fertilizada por intervenção divina quando uma virgem se banha ali. Este lago, mencionado no Vendidad avéstico como um corpo de água sagrado na região da aurora, serve como repositório da semente de Zoroastro, protegida pelo yazata das águas até o momento determinado próximo ao fim do mundo. A concepção garante a pureza da linhagem do salvador, com a semente entrando na virgem sem relação sexual, resultando em sua gravidez.
O nome Astvat-ereta deriva do avéstico astvat-ərəta, que significa "aquele que encarna a retidão", de Yasna 43.16, com astvat relacionado à existência corporal, enfatizando temas de renovação corpórea e a íntima conexão do salvador com a ressurreição dos mortos. Essa etimologia destaca temas de pureza e renovação corpórea, distinguindo-o como o benfeitor supremo que aperfeiçoa a criação. Textos posteriores, como o Bundahishn (cap. 32), descrevem a preservação milagrosa da semente no lago, desafiando a decomposição natural, com sucessivas virgens banhando-se para conceber os três salvadores.
A mãe de Astvat-ereta é chamada Vīspa.taurvairī (ou Ērədat̰.fɛδrī) no Avesta (Yt. 13.142), uma donzela sagrada . Nascida na região do Lago Kansaoya, a Saoshyant emerge com conhecimento sobre-humano inato, conversando sabiamente desde a infância e possuindo discernimento inato das verdades divinas, semelhante aos próprios atributos miraculosos de Zoroastro. A Saoshyant final representa a terceira e culminante figura na sequência de salvadores.

Frashokereti e a Renovação Mundial
Frashokereti, derivado do termo avéstico que significa "tornar maravilhoso" ou "tornar perfeito", refere-se à doutrina zoroastriana da renovação final do universo, na qual o bem triunfa sobre o mal, restaurando a criação ao seu estado original e imaculado. Este evento escatológico marca o culminar da história cósmica, onde as forças de Ahura Mazda erradicam Angra Mainyu e suas criações demoníacas, purificando o mundo de toda corrupção e pecado. O conceito sublinha a visão de mundo dualista do Zoroastrismo, enfatizando a inevitável vitória da ordem (asha) sobre o caos (druj).
Em Frashokereti, o papel central é desempenhado por Astvat-ereta, o último Saoshyant, que lidera as forças do bem na batalha culminante contra Angra Mainyu. Como figura messiânica e descendente de Zaratustra, o Saoshyant reúne os justos, auxiliados por entidades divinas como os Amesha Spentas, para confrontar e vencer o espírito maligno e seus daevas, pondo fim à era da mistura entre o bem e o mal. Este conflito decisivo resolve a luta cósmica em curso iniciada na criação, com a liderança do Saoshyantgarantindo a purificação de todos os reinos material e espiritual. Alusões bíblicas a esta batalha aparecem em textos como Yasna 59, evocando a invocação de ajuda divina do Saoshyant.
Após a vitória, o mundo passa por uma profunda transformação durante Frashokereti, com renovação física e espiritual remodelando o cosmos. Montanhas serão niveladas e vales aterrados, criando uma paisagem plana e harmoniosa, enquanto as águas e a terra serão purificadas, eliminando todas as impurezas e fontes de decadência. Os justos alcançarão a imortalidade, livres da fome, sede, envelhecimento ou morte, habitando uma existência perfeita em paz eterna sob o governo de Ahura Mazda. Esta renovação restaura a criação à sua condição original, espelhando a pureza primordial antes do ataque de Angra Mainyu.
Na cosmologia zoroastriana, Frashokereti se alinha com a fase final de uma linha do tempo de 12.000 anos dividida em quatro ciclos de 3.000 anos, com o ciclo conclusivo — começando por volta da época de Zaratustra — culminando na era de Saoshyant. Este último milênio intensifica a luta contra o mal, levando à chegada do salvador e ao início da renovação do mundo, enquadrando assim a história humana dentro de um plano divino predeterminado.

Ressurreição e Juízo Final
Na escatologia zoroastriana, o Saoshyant desempenha um papel central na ressurreição dos mortos, iniciando o processo ao longo de um período de cinquenta e sete anos, durante o qual toda a humanidade é ressuscitada da sepultura. Este renascimento começa com os ossos de figuras primordiais como Gayomard, o primeiro homem, e Mashye e Mashyane, o primeiro casal humano, antes de se estender a cada indivíduo. Auxiliado por quinze homens e quinze donzelas, o Saoshyant supervisiona a restauração dos corpos, marcando o ponto culminante do Frashokereti, ou renovação final.
A ressurreição é possibilitada pela preparação de um elixir da imortalidade conhecido como hūsh (ou amṛtatā), composto da gordura do boi Hadhayans e da planta branca haoma, que é administrado a todos os revividos. Esta poção concede a vida eterna, garantindo que “todos os homens se tornem imortais para sempre e eternamente”. O Zand-i Vohuman Yasht descreve de forma semelhante o Saoshyant como purificador das criaturas e responsável pela ressurreição e existência futura, enfatizando a renovação dos corpos como parte do plano cósmico de Ohrmazd.
Após a ressurreição, o julgamento final se desenrola na assembleia de Sadvadar-vad, onde os atos de cada alma são pesados ​​e revelados. Uma provação fundamental envolve um rio de metal fundido que flui das montanhas, pelo qual todos devem passar; para os justos, é como leite morno, servindo como um banho purificador, enquanto para os ímpios, inflige um tormento abrasador como punição. O Zand-i Vohuman Yasht corrobora este julgamento, retratando o metal fundido como um teste que distingue os justos dos injustos durante os tempos do fim.
O julgamento resulta na separação dos justos, que ascendem para se juntar a Ahura Mazda no paraíso, das forças do mal, que são finalmente derrotadas e relegadas ao inferno para um período de tormento antes da purificação universal. No Bundahishn, esta divisão é explícita: os bons são glorificados na presença de Ohrmazd, enquanto figuras malignas notórias como Dahag e Frasyav sofrem um " castigo das três noites" único em meio ao fluxo derretido. O Zand-i Vohuman Yasht reforça esta dicotomia moral, prevendo o triunfo final do bem sobre o mal, com os justos recompensados ​​e os ímpios separados pela intervenção divina.

Desenvolvimentos na tradição Zoroastriana
Na literatura zoroastriana medieval, particularmente nos textos pálavi do Denkard e do Bundahishn, compostos entre os séculos VIII e X d.C., o conceito de Saoshyant foi sistematizado em uma estrutura de três salvadores sucessivos, cada um aparecendo no final de um milênio no ciclo final de 3.000 anos do mundo. Essas figuras — Ushidar (em avéstico, Ukhshyat-ereta, "aquele que faz a existência crescer"), Ushidarmah (Ukhshyat-nemah, "aquele que faz a devoção crescer") e o último Saoshyant (Astvat-ereta, "aquele que personifica a retidão") — foram elaboradas como descendentes de Zoroastro através de sementes preservadas, combatendo progressivamente o mal e preparando o terreno para a renovação final (Frashokereti). O Denkard, um compêndio enciclopédico de doutrinas, detalha seus papéis no Livro VII, enfatizando sua coordenação com entidades divinas para restaurar a ordem cósmica, enquanto o Bundahishn, nos capítulos 30 a 34, descreve seus nascimentos de virgens no Lago Kansaoya e suas contribuições para derrotar as forças de Angra Mainyu, com o último Saoshyant liderando a ressurreição ao longo de um período de 57 anos.
Durante o período moderno, particularmente do século XIX ao início do século XX, em meio às influências coloniais e aos movimentos reformistas dentro das comunidades parsis na Índia , as interpretações do Saoshyant passaram a adotar dimensões simbólicas e éticas. O estudioso e sumo sacerdote zoroastriano Maneckji Nusservanji Dhalla, em sua obra de 1914, Teologia Zoroastriana , reinterpretou o Saoshyant não como uma figura messiânica literal, mas como uma metáfora para o progresso humano coletivo, representando o triunfo da retidão (asha) por meio da renovação moral e do avanço social. Essa visão reformista, reiterada na História do Zoroastrismo de Dhalla (1938), retratava o salvador como um ideal de perfeição ética alcançável por indivíduos e comunidades, alinhando a escatologia zoroastriana ao racionalismo e ao humanismo universal, em vez da intervenção sobrenatural. Tais perspectivas ganharam força entre os parsis instruídos, enfatizando a responsabilidade pessoal na promoção de um mundo "renovado" e livre do mal.
Na prática zoroastriana contemporânea, as invocações ao Saoshyant permanecem parte integrante dos rituais diários, particularmente na recitação do Fravarane (declaração de fé) durante a oração Kusti, onde os fiéis afirmam sua lealdade a Ahura Mazda e aguardam a chegada dos salvadores para derrotar a falsidade (druj). Essa oração, realizada várias vezes ao dia por zoroastrianos leigos, ressalta a esperança na justiça final e é um elemento unificador entre as comunidades globais. No entanto, persistem debates entre zoroastrianos parsis (de origem indiana) e iranianos (de origem iraniana) a respeito do momento e da natureza do advento do Saoshyant; os parsis ortodoxos frequentemente mantêm uma expectativa literal ligada às profecias do fim dos tempos, enquanto alguns grupos iranianos, influenciados por adaptações pós-islâmicas, a encaram de forma mais flexível como um processo espiritual contínuo em meio a desafios modernos como a assimilação. Essas diferenças refletem tensões comunitárias mais amplas sobre ortodoxia versus adaptação em contextos de diáspora.
A entrada da Enciclopédia Iranica sobre o Saoshyant destaca seu papel na manutenção da resiliência entre as comunidades zoroastrianas, enquadrando a renovação escatológica como uma metáfora para a preservação cultural em meio aos desafios demográficos. Em 2025, a população zoroastriana global era estimada em aproximadamente 110.000 a 120.000 pessoas.

Impacto nas religiões Abraâmicas
Estudiosos identificaram possíveis canais de transmissão de conceitos zoroastrianos, incluindo o Saoshyant, para o pensamento judaico por meio de interações durante o Império Aquemênida (c. 550–330 a.C.), quando governantes persas como Ciro, o Grande, permitiram o retorno de exilados judeus da Babilônia e apoiaram a reconstrução do Templo de Jerusalém, fomentando o intercâmbio cultural e religioso. Esse período marcou o surgimento do judaísmo pós-exílico, durante o qual ideias escatológicas zoroastrianas, como um futuro salvador e a renovação do mundo, podem ter influenciado a literatura apocalíptica judaica. De forma semelhante, sob o Império Sassânida (224–651 d.C.), o intensificamento do patrocínio estatal zoroastriano e as comunidades judaicas em territórios persas, incluindo a Babilônia, provavelmente facilitaram ainda mais a troca de ideias, como evidenciado por temas compartilhados em textos como o Talmude Babilônico.
No judaísmo, paralelos entre o Saoshyant e o Messias aparecem em visões proféticas de um renovador do mundo que estabelece justiça e paz, como descrito em Isaías 11, onde um descendente de Davi julga as nações e transforma a Terra em um reino harmonioso, ecoando o papel do Saoshyant em Frashokereti. Para o cristianismo, a função escatológica do Saoshyant — ressuscitar os mortos, derrotar o mal e inaugurar um reino divino — apresenta semelhanças com a Segunda Vinda de Cristo e a ressurreição em geral, uma conexão debatida por historiadores que atribuem esses elementos às influências persas nas primeiras comunidades cristãs do Oriente Próximo. Geo Widengren, um proeminente estudioso de religião comparada, argumentou a favor de impactos iranianos significativos no messianismo cristão, destacando similaridades estruturais nas narrativas do salvador nessas tradições.
No que diz respeito ao Islã , a figura do Mahdi, o guiado que surge como o imã final para liderar os fiéis, instaurar a justiça e supervisionar o julgamento, apresenta raízes zoroastrianas através de adaptações do século VII na literatura hadith, onde os motivos de um salvador nascido de uma virgem combatendo o caos são paralelos ao Saoshyant, possivelmente importado por meio de persas convertidos ao Islã durante a era omíada.
Contra-argumentos propõem desenvolvimentos nativos dentro das tradições abraâmicas ou até mesmo influência reversa, com o sacerdote zoroastriano Ardeshir Khorshedian postulando que o conceito de Saoshyant evoluiu a partir de ideias messiânicas judaicas absorvidas pelos zoroastrianos no período sassânida, e não o contrário. Estudos acadêmicos, como a obra de Mitra Ara de 2008, Escatologia nas Tradições Indo-Iranianas, enfatizam motivos escatológicos indo-iranianos compartilhados, como renovação cósmica e arquétipos de salvadores, como originários de crenças protoindo-iranianas pré-zoroastrianas, sugerindo uma evolução paralela em vez de um empréstimo direto entre o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Papel na Fé Bahá'í
Na Fé Bahá'í, a profecia zoroastriana do Saoshyant é interpretada como cumprida por meio de uma série de Manifestações sucessivas de Deus, com os três futuros salvadores (Ushidar, Ushidar-mah e Saoshyant) simbolizando revelações divinas progressivas que culminam na era atual. De acordo com 'Abdu'l-Bahá, essas figuras correspondem a Muḥammad como o primeiro, o Báb como o segundo e Bahá'u'lláh (1817 – 1892) como o último e maior Saoshyant, cada um trazendo renovação através da iluminação espiritual em vez da conquista literal. Este mapeamento alinha-se com a doutrina Bahá'í da revelação progressiva, onde profetas anteriores como Abraão e Moisés representam dispensações fundamentais que conduzem a estes cumprimentos escatológicos, enquanto Jesus e Maomé fazem a ponte do ciclo profético em direção à era Bahá'í.
Bahá'u'lláh é considerado o renovador mundial prometido que alcança uma forma espiritual de Frashokereti — a renovação zoroastriana do mundo — ao estabelecer a unidade da humanidade, eliminar as divisões religiosas e inaugurar uma era de paz e justiça globais por meio dos princípios da unidade e da investigação coletiva da verdade. Ao contrário das expectativas zoroastrianas tradicionais de uma batalha física contra o mal ou um nascimento virginal literal, a adaptação bahá'í enfatiza o triunfo simbólico sobre a discórdia através da transformação moral e social, com o Báb servindo como arauto que inicia este processo ao declarar sua missão em 1844. Este cumprimento é evidenciado pela conversão dos zoroastrianos no Irã do século XIX, que reconheceram Bahá'u'lláh como o profetizado Sháh Bahrám Varjávand com base em reinterpretações de textos como o Zand-i Vahman Yasn.
As escrituras Bahá'ís, particularmente o Kitáb-i-Íqán (Livro da Certeza, revelado em 1862), fazem referência às profecias zoroastrianas do Prometido (Mihdi ou Saoshyant) da linhagem dos antigos reis persas, criticando os zoroastrianos contemporâneos por rejeitarem o Báb devido à sua ascendência não-Qajar, ao mesmo tempo que afirmam o advento da orientação divina como a "Estrela da Manhã da Verdade" que ilumina o caminho da humanidade. Neste texto, Bahá'u'lláh associa o Saoshyant ao tema recorrente da "Estrela da Manhã" das figuras proféticas, retratando-o como a fonte eterna de certeza e renovação através das dispensações.
Estudos recentes da Fé Bahá'í sobre escatologia inter-religiosa, baseados nesses fundamentos, destacam o papel da profecia de Saoshyant em promover o diálogo entre o Zoroastrismo e as tradições abraâmicas, retratando a revelação de Bahá'u'lláh como um escaton unificador que transcende o apocalipse literal em favor de um globalismo ético e um destino espiritual compartilhado.

CANDIDATOS A MESSIAS ALÉM DE JESUS

 


A história registra inúmeras figuras que se proclamaram ou foram aclamadas como Messias, especialmente dentro das tradições judaica, cristã e islâmica. O termo, de origem hebraica (Mashiach), significa "ungido" e originalmente referia-se a reis e sacerdotes de Israel

Candidatos a Messias do Mundo Antigo

Simão de Pereia (c. 4 a.C.): Um ex-escravo de Herodes que liderou uma revolta e foi proclamado rei por seus seguidores. Ele se rebelou depois que Herodes, o Grande morreu em 4 a.C.. 

Simão aproveitou o caos político para se rebelar. Ele liderou um grupo de seguidores, queimou o palácio real em Jericó e saqueou outros bens, coroando-se rei. A revolta foi contida por Grato, comandante das tropas romanas. Simão tentou fugir por um desfiladeiro, mas foi capturado e decapitado.

Atronges (c. 4 a.C.): Um pastor que, junto com seus irmãos, liderou uma rebelião armada contra os romanos e a dinastia herodiana.

Jesus de Nazaré (c. 4 a.C. – 30/33 d.C.): Considerado o Messias pelos seus seguidores, o que deu origem ao Cristianismo.

Judas e Galileu 6 d.C. Atos 5:37 Liderou uma revolta contra o censo de Quirino, que visava taxar a Judeia. Ele acreditava que pagar impostos aos romanos era traição a Deus, o que influenciou o grupo dos zelotes.

Foi morto pelos romanos, e seus seguidores se dispersaram, é provável que ele tenha morrido em combate ou aprisionado e executado.

Teudas (c. 44-46 d.C.) Atos 5:36-37 Um profeta que convenceu uma multidão a segui-lo até o rio Jordão, prometendo dividir as águas. Ele atraiu cerca de 400 seguidores alegando ser importante, mas foi morto pelos romanos, resultando na dispersão de seu grupo.

Apolônio de Tiana: O Sábio de Tiana nascimento  3 a.C. ou 1 d.C., ou 15 d.C. Capadócia, atual Kemerhisar. morreu em  100 d.C. em Éfeso.

Ele foi contemporâneo de quase todos os imperadores romanos do primeiro século, tendo inclusive enfrentado julgamentos sob o reinado de Domiciano 81–96 d.C.

Ele professava a religião Orfita. O Orfismo foi um culto de mistério da Grécia Antiga (séc. VII a.C.) baseado em ensinamentos atribuídos a Orfeu, focado na imortalidade da alma e sua purificação através de reencarnações. Diferente da religião oficial, pregava ascetismo (vegetarianismo) e o dualismo corpo-alma, influenciando Pitágoras e Platão com a ideia de libertação divina.

Mito de Origem: Deriva da história de Dioniso-Zagreu, filho de Zeus e Perséfone, despedaçado pelos Titãs. A humanidade teria surgido das cinzas dos Titãs, carregando uma centelha divina (alma) e uma culpa original (corpo).

Vida Após a Morte: Os órficos acreditavam no ciclo de reencarnações (metempsicose). A salvação era pessoal, alcançada ao evitar o esquecimento e beber da fonte da memória (Mnemosine), muitas vezes guiados por instruções em lâminas de ouro.

Práticas: Focava em ritos de purificação, vegetarianismo e ética rígida para libertar a alma da "prisão" do corpo.

Influência: Moldou fortemente o pensamento pitagórico, o dualismo platônico e antecipou conceitos de alma e vida eterna que influenciaram o cristianismo primitivo.

O Egípcio (c. 52-58 d.C.): Um profeta judeu egípcio que reuniu milhares de seguidores no Monte das Oliveiras, prometendo que as muralhas de Jerusalém cairiam.

Menahem ben Judah (c. 66 d.C.): Líder sicário durante a Grande Revolta Judaica que entrou em Jerusalém com pompa real.

Simão Bar Kokhba morto em 135 d.C.: Liderou a última grande revolta contra Roma e foi aclamado como Messias pelo proeminente Rabino Akiva. 


Candidatos a Messias Judaicos Posteriores e da Idade Média

Moisés de Creta (Século V): Prometeu levar os judeus de Creta de volta a Israel atravessando o mar a pé.

Abraham Abulafia (1240–c. 1291): Místico cabalista que se proclamou profeta e Messias.

Sabbatai Zevi (1626–1676): Provocou o maior movimento messiânico da história judaica moderna antes de se converter ao Islã sob pressão.

Jacob Frank (1726–1791): Afirmava ser a reencarnação de Zevi e liderou o movimento frankista.

Menachem Mendel Schneerson (1902–1994): O sétimo Rebe de Lubavitch, cujos seguidores (movimento Chabad) em grande parte o consideram o Messias


Candidatos a Messias Atuais

Inri Cristo (Brasil): Álvaro Thais afirma ser a reencarnação de Jesus desde 1979 e lidera a Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade (SOUST).

Vissarion (Rússia): Sergei Torop fundou a Igreja do Último Testamento na Sibéria, alegando ser a reencarnação de Cristo.

David Shayler (Inglaterra): Ex-agente do MI5 que declarou ser o Messias em 2007.

Shoko Asahara (Japão): Líder da seita Aum Shinrikyo, que se autodenominava o novo Messias e arquiteto do atentado no metrô de Tóquio.

Apollo Quiboloy (Filipinas): Líder da "Igreja do Reino de Jesus Cristo", que se autoproclama o "Filho Designado de Deus".


Candidatos a Messias das Outras Religiões

Islã: O conceito de Mahdi é central. Figuras como Mirza Ghulam Ahmad (fundador do movimento Ahmadiyya) afirmaram ser tanto o Mahdi quanto o Messias.

Fé Bahá'í: Bahá'u'lláh é considerado o Messias prometido por todas as grandes religiões anteriores.


OS MESSIAS DAS RELIGIÕES


Jesus Cristo não é o único Messias conhecido e nem é o primeiro. Religiões que esperam um Messias incluem principalmente o Judaísmo, que aguarda um líder ungido da linhagem de Davi, e o Islamismo, que espera a vinda do Imam Mahdi e o retorno de Jesus Isa Masih. O Cristianismo aguarda o retorno de Jesus (segunda vinda), enquanto outras crenças como Zoroastrismo Saoshyant, Budismo Maitreya e Hinduísmo Kalki também possuem figuras messiânicas futuras. Enquanto o Judaísmo ainda aguarda um primeiro Messias político/espiritual, o Cristianismo entende Jesus como o cumprimento dessa promessa, e o Islã combina a vinda de um guia Mahdi com o retorno de Jesus. 

Judaísmo Mashiach: Espera por um futuro líder humano, rei da linhagem de Davi, que trará paz mundial, reconstruirá o Templo de Jerusalém, reunirá os judeus em Israel e trará o conhecimento de Deus a toda a humanidade. É uma figura redentora, não divina.

Islamismo Mahdi e Isa: Acredita que o Imam Mahdi surgirá no fim dos tempos para encher a terra de justiça. A tradição islâmica afirma que ele atuará ao lado de Jesus Isa Masih, que retornará para combater o Anticristo Dajjal e estabelecer o Islã.

Cristianismo Retorno de Jesus: Acredita que o Messias já veio Jesus, mas aguarda a segunda vinda de Cristo no Apocalipse, quando ele julgará os vivos e os mortos, instaurando o Reino de Deus definitivo.

Zoroastrismo Saoshyant: Espera uma figura messiânica (Saoshyant) que trará a renovação final do mundo Frashokereti, derrotando o mal definitivamente.

Budismo Maitreya: Aguarda o futuro Buda Maitreya, que virá para ensinar o Dharma puro quando os ensinamentos do Buda atual Siddhartha Gautama tiverem sido esquecidos.

Hinduísmo Kalki: Acredita que Kalki, o décimo e último avatar de Vishnu, aparecerá no fim da era atual Kali Yuga montado em um cavalo branco para destruir o mal e restaurar a justiça Dharma.


POR QUE SEGUNDO OS JUDEUS JESUS NÃO É O MESSIAS


Segundo a Tradição Judaica, o candidato a messias, teria ou terá que preencher vários requisitos para ser reconhecido como O Messias. Segundo a visão religiosa e teológica Judaica, Jesus não preencheu e não preenche tais requisitos.

O Messias deve cumprir Todas as Profecias. O Tanach elenca em várias passagens esparsas uma série de profecias que o messias judeu cumprirá quando vier. E aqui está um ponto muito importante: o messias judeus cumprirá TODAS. Isso mesmo: todas. Ele não cumprirá uma, duas, três profecias, mas todas elas. Caso contrário, estaremos chamando o Eterno de mentiroso (Que o Eterno não permita!).

Ademais, se bastasse cumprir apenas um profecia para ser considerado o messias, praticamente qualquer um poderia ser o messias. Por exemplo: eu sou da tribo de Judá, o messias será da tribo de Judá, e isso não faz de mim o messias!

É preciso cumprir todas as profecias. TODAS. E aqui está um ponto que os cristãos e islâmicos ignoram completamente.

Este livreto: Isaías Segundo o Judaísmo, foi redigido para demonstrar com base no Tanach o porquê Jesus não pode ser considerado messias segundo a tradição judaica. Segundo o Tanach, existem critérios que nos permitem identificar com precisão quando o messias houver chegado. No caso, para os Judeus, Jesus descumpriu praticamente todos os critérios.


Segundo a Tradição Judaica Elias Reaparecerá Antes do Messias Malaquias 4:5-6

No “Novo Testamento” cristão, Jesus afirma que João Batista era Elias (Mateus 11:13-14, 17: 10-13). Entretanto, quando João Batista foi perguntado sobre o assunto, ele negou (João 1:21). O Evangelho de Lucas 1:17 tenta resolver o problema, afirmando que João Batista apareceu no espírito de Elias. É prudente lembrar que o cristianismo em geral nega com ênfase a doutrina da reencarnação. Isso por si só já é uma contradição, já que o próprio cristianismo lança mão dessa doutrina para justificar o retorno do profeta Elias em João Batista. Independente dessa polêmica, há outras críticas em relação ao mesmo assunto.

O Profeta Malaquias previu que o próprio Elias iria retornar, e não apenas alguém em seu espírito, caso típico da reencarnação. Elias, para quem não sabe, foi o único que subiu aos céus sem morrer segundo o Tanach (2 Reis 2:11). Por isso, espera-se que o profeta, ao voltar, volte diretamente do céu sem a necessidade de reencarnar.

Ressalte-se que João Batista, além de ter negado ser Elias, não cumpriu a profecia do Tanach sobre o retorno do profeta Elias. A profecia diz: “E ele [Elias] fará volver o coração dos pais para o Eterno através dos filhos, e o coração dos filhos para o Eterno através dos pais, para que Eu não venha desferir sobre esta terra uma destruição completa” (Malaquias 4:6). Evidentemente João Batista não realizou a profecia. Pelo contrário,  parte dos judeus se afastou das Leis do Eterno para seguir o “messias nazareno”, Jerusalém entrou em guerra civil e os romanos destruíram  toda cidade, inclusive o segundo templo, após a morte de Jesus.


Segundo o Tanach, o Messias deve ser descendente do Rei Davi e Salomão. Jeremias 23:05, 33:17, Ezequiel 34:23-24;  2 Samuel 7:5-13

O “Novo Testamento” cristão fala sobre a genealogia de José. Entretanto, há um grande problema para os cristãos resolverem: Jesus afirma ter nascido de uma virgem e que José não era seu pai. (Mat. 1:18-23). Em resposta, alega-se que José adotou Jesus, e passou sua genealogia a ele por adoção. De qualquer maneira, tenha ou não adotado, o problema permanece.

Não há base bíblica para a adoção nesses casos. Um pai não pode passar sua linha tribal por adoção. Um sacerdote que adota um filho de outra tribo não pode fazer dele um sacerdote por adoção. Mas, suponhamos que tenha havido a adoção. Mesmo assim, José não poderia dar a Jesus o que ele mesmo não tinha. José é descendente de Jeconias  (Mateus 1:11-16). E daí? E daí que os escritores cristãos esqueceram que isso fez José cair na maldição do Eterno que prevê que nenhum dos descendentes de Jeconias se sentaria como rei no trono de Davi. (Jeremias 22:30, 36:30). Ora. Conforme vimos, o messias será necessariamente um rei descendente do Rei Davi e Salomão.

Outra questão: não há provas de que Maria descende de Davi. Mesmo que se pudesse comprovar que Maria é descendente de David, a filiação tribal nos tempos antigos dava-se através do pai e não através da mãe conforme previsto em Números 1:18 e Esdras 2:59. Se Jesus não tinha pai humano, como ficaria então a questão da filiação?

Suponhamos que por uma generosidade do Eterno a linhagem tribal de José pudesse ser transferida a Jesus por “afinidade”. Em qualquer caso, como José é descendente de Jeconias, Jesus não poderia ser o messias por causa da maldição prevista para os descendentes de Jeconias (Jeremias 22:30 e 36:30).

Mas, o “Novo Testamento” cristão é confuso em relação à genealogia de José. Enquanto Mateus diz que José é desdente de Jeconias, o amaldiçoado, Lucas discorda e diz que José é descendente de Natã filho de Davi. (Lucas 3:23-31). De qualquer modo, isso é insuficiente para qualificar Jesus como possível messias tendo em vista que é preciso ser descendente de Davi e Salomão. Dessa maneira, a descrição de Lucas é inútil, pois Jesus passa por filho de Natã, não de Salomão.

Além disso, Lucas (3:27) também lista Salatiel e Zorobabel na árvore genealógica de Jesus. Ora, lembremos que os dois também aparecem em Mateus 1:12 como descendentes de Jeconias, o amaldiçoado! Enfim: de qualquer maneira Jesus não preenche os requisitos para ser messias.

Mas deixemos de lado essas questões de genealogia. Não é apenas essa questão que inviabiliza Jesus como o pretendido messias. 


O Messias deve reunir  Povo Judeu do Exílio e devolvê-los a Israel

“E ele deve criar uma bandeira para as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e reunirá os dispersos de Judá dos quatro cantos da terra.” (Isaías 11:12)  Quando Jesus estava vivo, nada disso aconteceu. Pelo contrário, surgiu uma religião nova e os judeus foram divididos e dispersos pelo mundo mais ainda!


Ele Reconstruirá o Templo de Jerusalém

(Ezequiel 37:26-27), mas como Jesus reconstruiria o terceiro templo se o segundo templo ainda estava em pé? Para escapar dessa dificuldade, os cristãos inventaram uma nova interpretação: relacionaram o terceiro templo ao corpo de Jesus que, segundo eles, teria ressuscitado no terceiro dia. De todo modo, ironicamente, tanto Jesus, quanto o segundo templo foram destruídos pelos romanos de modo que a profecia de Ezequiel passou longe de ser cumprida.

Temos dois grandíssimos problemas ai que se chamam, Al Aqsa e Domo da Rocha, como resolver estas duas questões importantes?


Al Aqsa 685 d.C. e 715 d.C.

O problema é o Templo de Al Aqsa ou Haram al-Sharif, que está localizado exatamente onde ficava o antigo Templo de Jerusalém ou Monte do Templo ou Har ha-Bayit. O local é o ponto mais sagrado do judaísmo e o terceiro mais sagrado do islã, gerando intensas disputas históricas e religiosas na Cidade Velha de Jerusalém.

Iniciada após a conquista de Jerusalém pelo califa Omar, está situada na esplanada Al-Haram al-Sharif "Nobre Santuário".


Domo da Rocha 691

Domo da Rocha está localizado no topo do Monte Moriá, na Cidade Velha de Jerusalém, exatamente onde se situava o Templo de Jerusalém, o Primeiro Templo de Salomão e o Segundo Templo de Herodes. Atualmente, o local é conhecido como Esplanada das Mesquitas ou Monte do Templo.

A rocha branca abrigada no interior do Domo é considerada o lugar do "Santo dos Santos" do antigo templo judaico.

Foi construído em 691 d.C., foi construído pelo califa Omíada Abd al-Malik ibn Marwān entre 685 e 691/2 d.C., para proteger a rocha sagrada, o Monte Moriá e comemorar a ascensão de Maomé ao céu. É o local mais sagrado do judaísmo, onde Abraão teria preparado o sacrifício de seu filho Isaac. 

O local é o centro de tensões devido à sua importância para as três religiões abraâmicas, judaísmo, islã e cristianismo.


O Messias Governará em uma época de Paz no Mundo Inteiro

“E julgará entre muitos povos, e castigará poderosas nações até mui longe, e converterão as suas espadas em enxadas, e as suas lanças em foices: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.”. (Miquéias 4:3).

“O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.” (Isaías 11:6-7).

Em outras palavras: O messias trará a paz universal e tornará desnecessária a guerra. No entanto, o período que Jesus viveu não pode ser considerado pacífico nem mesmo na região onde ele morava. Revoltas, guerras civis, golpes, matanças sanguinárias e muitas lutas. O próprio Jesus foi morto violentamente e a maioria de seus apóstolos tiveram mortes violentas e seus seguidores foram perseguidos também pela força da violência.  Nem mesmo entre os judeus havia paz. Toda essa confusão belicosa por si só já mostra que a profecia não foi cumprida.

Ironicamente, a Idade Média, onde prevaleceu a mentalidade cristã na Europa, foi uma dasépocas mais violentas e insanas da história da humanidade. Basta saber ler para conferir a informação nos livros de história. Só isso, por si só já é suficiente para demonstrar que a era messiânica não tinha chegado. Logo, como o Eterno não mente, a única conclusão coerente é que Jesus não era o messias.


Quando o messias governar, o povo judeu observará os estatutos do Eterno

“Meu servo Davi será rei sobre eles, e todos eles terão um só pastor. Devem seguir as minhas ordenanças e ter o cuidado de observar os meus estatutos” (Ezequiel 37:24).

Pelo contrário, os seguidores de Jesus acusam as leis mosaicas de “retrógradas” e “ultrapassadas”. Paulo ficou famoso pelas polêmicas com Pedro por incitar as pessoas a não fazerem circuncisão (Gálatas 5:6  e 6:15, Felipenses 3:2-3). Paulo também lançou polêmica sobre o cumprimento das leis das festas religiosas, de Rosh Codesh (lua nova) e de Shabat  (Sábado): (Colossenses 2:16). O próprio Jesus incitava o povo a descumprir as leis da cashrut sobre a alimentação adequada (Mateus 15:11). Algo assim contradiz completamente a profecia de Ezequiel que diz que o Messias levará o povo judeu a observar as leis da Torah e suas Mitzvoth.


Quando o Messias governar, todos os povos servirão ao Eterno

E virá passar que desde uma lua nova até à outra e desde um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Eterno” (Isaías 66:23).

Ora, até hoje isso não aconteceu! Pelo contrário, as divisões de fé se multiplicaram. E muitas guerras foram feitas por causa delas. Outro ponto importante é que o messias será um rei terreno, um governante de povos. O reino dele será deste mundo e não do outro mundo como afirmou o próprio Jesus (João 18:36).

“a terra se encherá de conhecimento do Eterno, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

Isso não aconteceu nem na época de Jesus, nem depois, nem hoje. Os povos do mundo inteiro ainda continuam afastados do Eterno. A busca de riqueza e poder ainda lidera o ranking da principal meta de vida das pessoas. Ainda é minoria os que priorizam uma vida pautada pela elevação espiritual e pelo compromisso de melhorar a vida de todos na sociedade.


O restabelecimento da dinastia David, que jamais cessará Daniel 7:13-14

Mas Jesus não teve filhos, nem estabeleceu reinado algum, muito menos um que nunca cessaria.


Uma era de paz eterna entre todos os povos e todas ás nações Isaías 2:2-4; Miquéias 4:1-4; Ezequiel 39:9.

Obviamente não temos paz, e infelizmente muitas guerras foram feitas em nome de Jesus.


Todos os povos do mundo serão convertidos ao monoteísmo. Jeremias 31:31-34; Zacarias 8:23; Isaías 11:9; Zacarias 14:9, 16.

O mundo ainda está cheio de idolatria, inclusive idolatrando Jesus como se fosse o próprio Eterno, comportamento antijudaico já que o Eterno ordenou nos seus preceitos que só Ele pode ser adorado. Obviamente, Jesus não é o Eterno. Foi por esse motivo doutrinário e por outras questões políticas que a Igreja Católica Romana separou-se da Igreja Cristã Ortodoxa do oriente, o primeiro “grande cisma” cristão.


Reconhecimento que só o Eterno é o Eterno Deus Isaías 11:9

Obviamente o mundo ainda não reconheceu o Eterno de Israel como único D’us. Para o Judaísmo a questão é muito simples. O Eterno é Deus, Ele é Único. Simples, não é?

Entretanto, o cristianismo afirma a existência de três divindades distintas e independentes que, apesar disso, formam um só deus, a trindade divina. Mistério da fé cristã que afirma que 1=3 e que o igual é idêntico ao diferente! Nenhum cristão consegue explicar isso de maneira satisfatória. Já consultei vários padres e bispos, nenhum deu uma resposta coerente. Também já li as obras de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Nenhum deles respondeu sem agredir os princípios mais elementares da lógica e do ser.

A ideia de trindade é comum nos cultos pagãos. Na Grécia tínhamos a trindade Zeus, Poseidon e Hades. Em Roma: Júpiter, Netuno e Plutão. No Egito: Osíris, Isis, Hórus. A mesma ideia também se repete nos cultos pagãos antigos do norte da Europa, no Taoismo, nos cultos africanos, nos cultos indígenas do “novo mundo”, no Budismo e no Hinduísmo.

A única resposta coerente sobre o assunto da “trindade” nas religiões é dada pela Cabalá judaica nas lições sobre o pilar do equilíbrio na Árvore da Vida. Evidentemente, um mestre autorizado de Cabalá deve ser consultado.


O mundo se tornará Vegetariano Isaías 11:6-9

Obviamente o mundo não é vegetariano! Tem dúvidas?


Reunião das doze tribos de Israel Ezequiel 36:20

Infelizmente as dez tribos continuam desaparecidas…


Não haverá fome no mundo Ezequiel 36:29-30

Não precisamos olhar para a África para perceber que ainda há muita fome no mundo. Basta andar nas ruas e ver as centenas de pessoas que moram nas ruas e debaixo das pontes. E, claro, os milhares de desamparados que existem dentro de nosso grande Brasil.


A morte cessará Isaías 25:8

A morte não cessou. Elas continuam diariamente. E, portanto, é evidente que Jesus não cessou a morte no mundo.


Ressurreição de todos os mortos Isaías 26:19; Daniel 12:2; Ezequiel 37:12-13; Isaías 43:5-6.

Obviamente Jesus não ressuscitou todos os mortos antes de ser morto pelos romanos!


As nações ajudarão materialmente Israel Isaías 60:5-6; 60:10-12

O que vemos são muitas nações querendo destruir Israel, ou no mínimo, prejudicar Israel. Existem nações, como o Irã que prometem destruir Israel. Jesus não cumpriu esta profecia. Pelo contrário, em nome de Jesus, as nações perseguiram os judeus por séculos a fio!

Atualmente há o movimento “boicote Israel” que deseja que todos os países do mundo não comprem produtos de Israel para destruir financeiramente o estado judeu. Ou seja: o mundo ainda está muito longe da chegada do messias.


As nações irão até os judeus para buscar orientação espiritual.  Zacarias 8:23

Em boa medida, os não-judeus querem é converter os judeus para acreditarem em Jesus ou Maomé! E mais: muitos criticam os judeus como “péssimos exemplos” a serem seguidos.

É comum os povos fazerem piadinhas de judeus como avarentos, maus e sanguinários, apesar da maioria dos judeus praticarem Tsedacá e as leis judaicas serem pioneiras em relação a “função social da propriedade” e a “proteção ao meio-ambiente”, ideias que só ganharam força entre os gentios no séc. XX.


Todas as armas serão destruídas Ezequiel 39:9, 12

Jesus não destruiu as armas. Pelo contrário, foi a inspiração de muitas delas, inclusive de ordens religiosas com fins militares. O mundo de hoje está armado até os dentes, inclusive com armas nucleares, químicas e biológicas que podem destruir toda vida no planeta…


O rio Nilo secará Isaías 11:15

Jesus não secou o rio Nilo. Ele continua forte, vigoroso e fluindo como de costume.


As árvores darão frutos mensalmente Ezequiel 47:12.

Isso não aconteceu nem acontece. Duvida? Experimente plantar um pé de manga e colher os frutos mensalmente…


As tribos de Israel receberão de volta as terras herdadas do Eterno Ezequiel 47:13-13.

Isso não aconteceu nos tempos de Jesus. Começou a acontecer agora no séc. XX com o retorno dos Judeus para Israel. Mesmo assim, os não judeus querem tomar a terra de Israel. As outras 10 tribos de Israel ainda continuam desaparecidas e dispersas pelo mundo.

Lembro: o mundo inteiro vocifera contra Israel sem nenhuma razão ética válida, mesmo quando Israel tem razão. Um exemplo é a “flotilha humanitária” noticiada pelo mundo como se Israel tivesse atacado civis inocentes sem mais nem menos. Apesar de tudo ter sido filmado e documentado, o mundo ignorou a verdade e as TV e jornais caluniaram Israel sem o menor escrúpulo.

Outro exemplo é a tentativa da divisão de Israel em Palestina e Israel. É evidente que o mundo de hoje deseja dividir o minúsculo estado de Israel, único estado Judeu no mundo. O objetivo é dar parte do Estado de Israel para ser controlado por organizações árabes terroristas. Ressalte-se, há dezenas de países de cultura árabe seguidores do islão no mundo. Por que, então, essas dezenas de países recusam abrigo a seus compatriotas árabes da palestina? Porque querem destruir Israel, o único estado judeu no mundo. Basta ler qualquer edição do jornal Visão Judaica para constatar a canalhice e a má-fé dos árabes na palestina em relação aos judeus. Só não vê quem não quer.


As nações da terra reconhecerão suas injustiças contra Israel Isaías 52 e 53

Isso não aconteceu. E até mesmo o holocausto, esse poço inominável de brutalidade que marcou o séc. XX não comoveu todas as nações. O Irã nega o holocausto constantemente e promete “varrer Israel da face da terra”.

As nações caluniam Israel constantemente. Basta se lembrar da “flotilha humanitária” e dos movimentos de “direitos humanos” que não defendem os humanos, mas apenas animais, plantas e terroristas/criminosos.



A CONFUSA GENEALOGIA DE JESUS



As genealogias de Jesus, encontradas nos Evangelhos de Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38, apresentam diferenças notáveis que têm sido debatidas por teólogos e céticos há séculos. Embora críticos vejam nessas variações "erros" ou contradições, estudiosos cristãos oferecem diversas reconciliações baseadas no contexto cultural e nos objetivos teológicos de cada autor. ,Sob uma perspectiva histórica e acadêmica, as genealogias de Jesus não são vistas como registros civis modernos, mas sim como construções teológicas que visam legitimar sua identidade. Historiadores e arqueólogos não possuem documentos externos da época para confirmar cada nome, mas analisam as listas de Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38 com base em seu contexto literário e cultural.


Discrepância

Mateus começa com Abraão para enfatizar as credenciais messiânicas judaicas de Jesus; Lucas traça a linhagem até Adão para destacar a importância universal de Jesus para toda a humanidade.


A Linhagem Real versus a Linhagem Biológica

Após o Rei Davi, Mateus segue a linhagem através de Salomão , o herdeiro do trono. Lucas segue a linhagem através de Natã , outro filho de Davi.

Divergência na Linhagem de Davi

A diferença mais óbvia ocorre após o Rei Davi: 

Mateus: Traça a linhagem através de Salomão, o herdeiro do trono, enfatizando o direito legal e real de Jesus ao trono messiânico.

Lucas: Traça a linhagem através de Natã, outro filho de Davi, focando na ascendência física e biológica. 


Quem era o pai de José?

Os dois textos nomeiam pais diferentes para José, o pai terreno de Jesus: 

Mateus 1:16: Afirma que Jacó gerou José.

Lucas 3:23: Diz que José era filho de Heli. 


Possíveis Explicações:

Linhagem de Maria: Uma visão comum é que Lucas registra a genealogia de Maria (sendo Heli o pai dela e sogro de José), enquanto Mateus registra a de José. Como as genealogias judaicas eram tipicamente patriarcais, o nome de José teria sido usado no lugar do de Maria.


Casamento Levirato

Outra teoria sugere que Heli e Jacó eram meio-irmãos. Se um morreu sem filhos, o outro teria se casado com a viúva (conforme a lei do levirato), resultando em um pai biológico e um pai legal para José. 


Nomes Omitidos em Mateus 

Mateus organiza sua genealogia em três grupos de 14 gerações. Para manter essa simetria numérica (possivelmente um recurso de memorização ou simbolismo relacionado ao nome "Davi", cujo valor numérico em hebraico é 14), ele omite deliberadamente alguns nomes conhecidos do Antigo Testamento, como Acazias, Joás e Amasias. 


A Maldição de Jeconias

Em Jeremias 22:30, Deus amaldiçoou o Rei Jeconias, declarando que nenhum de seus descendentes se sentaria no trono de Davi.

O "Problema": Mateus inclui Jeconias na linhagem real de Jesus.

O "Malabarismo Religioso": Como Jesus foi concebido por meio da Virgem Maria e não era descendente biológico de José (que vinha de Jeconias), Ele herdou o direito legal ao trono sem herdar a maldição do sangue. 


Diferenças em Salatiel e Zorobabel

Ambas as listas mencionam Salatiel e seu filho Zorobabel, mas os pais de Salatiel diferem (Jeconias em Mateus e Neri em Lucas). Alguns sugerem que se tratam de indivíduos diferentes com nomes comuns na época, enquanto outros recorrem novamente a adoções ou casamentos leviratos para explicar a dupla ascendência.


Estrutura Simbólica em Mateus

Mateus organiza a genealogia em três conjuntos de 14 gerações (14+14+14), o que sugere uma simplificação intencional para fins de memorização e simbolismo numérico (a soma das consoantes de "Davi" em hebraico é 14), resultando na omissão deliberada de nomes na linhagem real. 

Mateus omite vários reis conhecidos para manter o padrão de 14 gerações. Isso era uma prática comum na época e não era visto como um "erro", mas como uma forma de destacar pontos cruciais da história.


Incompatibilidade com o Nascimento Virginal

Ambas as genealogias rastreiam a linhagem de Jesus através de José. No entanto, o relato do nascimento virginal (também em Mateus e Lucas) afirma que José não foi o pai biológico de Jesus. Do ponto de vista biológico, isso significa que a genealogia de José não é a genealogia de Jesus.


Contradição sobre a linhagem de Jeconias

A linha de Mateus passa por Jeconias ou Joaquim, que recebeu uma maldição profética Jeremias 22:30 de que nenhum descendente dele sentaria no trono de Davi, criando um conflito teológico, caso Jesus fosse considerado descendente biológico de José.


Perspectiva Teológica/Tradicional

Para contornar essas contradições, a tradição cristã muitas vezes argumenta que Mateus apresenta a linhagem legal/real de José, enquanto Lucas apresenta a linhagem biológica através de Maria, com José sendo considerado filho de Heli por casamento (genro).


Presença de Mulheres em Mateus

Um detalhe historicamente intrigante na genealogia de Mateus é a inclusão de quatro mulheres antes de Maria: Tamar, Raabe, Rute e a mulher de Urias (Betsabeia). Genealogias judaicas eram quase exclusivamente masculinas.

Historiadores notam que essas mulheres eram estrangeiras ou tinham histórias de vida complexas, o que sugere que o autor queria mostrar que o plano de Deus inclui todos, independentemente de origem ou passado.


Linhagem de Maria versus linhagem de José

A explicação moderna mais popular é que Mateus registra a linhagem legal de José (a sucessão real), enquanto Lucas registra a linhagem biológica de Maria. Os defensores dessa teoria argumentam que a frase de Lucas "como era de se esperar" (Lucas 3:23) sugere isso, e que José é mencionado no lugar de Maria para seguir o costume patrilinear tradicional.


A ciência histórica aponta que as listas não coincidem e são construções feitas com propósitos teológicos, focadas em demonstrar que Jesus era o Messias descendente de Davi, e não em fornecer uma árvore genealógica biológica exata.

Bart Ehrman, Israel Finkelstein, dentre outros, concordam com esta abordagem.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

ISAÍAS NÃO PROFETIZOU O NOME DE CIRO

 

O profeta Isaías profetizou o nome do rei Ciro cerca de 150 a 200 anos antes do seu nascimento, um dos eventos mais notáveis da profecia bíblica. Em Isaías 44:28 e 45:1, entre 760 e 710 a.C..

Em Isaías 45:1 refere-se a ele diretamente como "Ciro, o seu ungido" (ou Messias, no sentido de ser escolhido para uma missão especial). Ciro é retratado como aquele que libertaria o povo judeu do cativeiro na Babilônia e permitiria a reconstrução do Templo.

A profecia se concretizou quando Ciro, imperador persa, conquistou a Babilônia por volta de 538 a.C. e emitiu o decreto de libertação.

A precisão dessa profecia é considerada um forte argumento na teologia bíblica sobre a soberania de Deus na história.

Mas....  a história não é bem assim!


Confusão e Bagunça

Acontece que o nome real de Ciro é uma bagunça de tradução, pois os religiosos sempre querem atrapalhar o meio de campo. Vamos então, a explicação.


Kūruš 𐎤𐎢𐎽𐎢𐏁

Kūruš 𐎤𐎢𐎽𐎢𐏁 é a grafia para o Persa antigo para o nome de Ciro, o Grande 600–530 a.C., fundador do Império Aquemênida. Ele unificou os povos iranianos, conquistou a Média, Lídia e Babilônia, criando o maior império da época. Reconhecido por sua administração tolerante, reinou de 559 a 530 a.C..

Seu nome Kūruš 𐎤𐎢𐎽𐎢𐏁 provém do Elamita "Kuraš" que é derivado do nome Mku-Ra-Aš que quer dizer: Cuidador, Pastor ou Protetor.

Obs: As grafias cuneiformes mais antigas terminam em /-aš/, o que fortalece a teoria de uma raiz elamita, diferentemente do persa antigo que costumava usar /-uš/.

Kuraš é a forma documental e original em inscrições como o Cilindro de Ciro e os relatos de Nabonido, sendo posteriormente helenizado para Kūros (grego) e, eventualmente, Ciro.


Nome do Trono?

Algumas fontes ligam o nome ao termo persa para "trono", reforçando sua identidade como governante, uma variação de significado ligada à realeza persa, mas não temos nenhuma comprovação disso.


Sol?

Existem interpretações do nome Ciro por autores clássicos que o identificam ou se referem à palavra persa para "Sol". O historiador Plutarco 46-120 afirma que "o sol, que, na língua persa , é chamado de Ciro". Além disso, o médico Ctésias, que serviu na corte do rei persa Artaxerxes II da Pérsia, escreve em seu livro Persica, conforme resumido por Fócio, que o nome Ciro vem da palavra persa "Khur", o sol.

É muito improvável que isso seja verdade, pois os Persas diferenciavam bem as palavras de Ciro e do Sol.


Sol em Persa Antigo

Em Persa Antigo c. 525–330 a.C.: Em Persa Antigo, a palavra para sol era Hvar ou Huvar (transliterado como h-u-v-r).

Em Persa Médio Pahlavi: A palavra evoluiu para khwar.

Em Persa Moderno (Farsi): Atualmente, utiliza-se khorshid (خورشید), que deriva da junção de khwar (sol) com shēd (brilhante).

E ainda existem outros termos importantes com raízes antigas:

Mihr / Mehr: Originalmente o nome da divindade Mitra, passou a ser usado poeticamente para se referir ao sol.

Āftāb: Usado no persa moderno para se referir à luz solar ou ao calor do sol. 

E nenhuma destas palavras, fazem alusão ao nome de Ciro como sendo o Sol.


Variações do Nome

Outras vertentes sugerem significados como "jovem", "herói" ou até "humilhador do inimigo". 

Ele não foi o primeiro da sua linhagem a usar esse nome; seu avô, Ciro I, rei de Anshan ou Ansã também se chamava Kūruš, o que indica que o nome já fazia parte da tradição familiar antes de ele se tornar o "Grande".


O Nome Ciro quer dizer Senhor

A palavra grega antiga para Senhor, Mestre, Marido, Dono é κύριος, romanizado como kýrios ou kurios. Através da adaptação grega Kyros, o nome foi etimologicamente ligado à palavra grega kyrios, que significa literalmente "senhor", "mestre" ou "aquele que tem autoridade". Nesse sentido, o nome em si descreve uma posição de poder.

E é perfeitamente aceitável que seja assim, pois a palavra Ciro vem do latim Cyrus que deriva do grego antigo Kyros que quer dizer Senhor, Mestre, Marido, Dono. O nome sempre é aludido para o siginificado para alguém que tenha autoridade. 

Cyrus Magnus ou Ciro o Grande, era um nome/título real da linhagem dos Aquemênidas. 

Todos na época entendiam que a palavra Ciro, já era subentendida como Senhor, Mestre, Dono, Marido. 

Portanto, quando o profeta Isaías profetizou sobre Ciro, todos já entendiam automaticamente que um Rei, Dono, Senhor, se apossaria do trono da Pérsia.


O Profeta Isaías Errou?

Não! O profeta Isaías não errou, ele escreveu certo, ele disse em seu escrito, que um Rei (Ciro) iria surgir.


Isaías 44:28 - Que digo de Ciro (Rei): É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado. 

Isaías 45:1 - Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro (Rei), a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. 


O problema e confusão se dá por causa da religião e dos religiosos, que torcem os termos escritos, por não entenderem nada de história, e cada um faz sua confusão particular denominacional, causando dúvidas e enganos por onde passam.