É comum no meio religioso os dizeres "A Igreja tem feito muitas contribuições à humanidade" , "Não fosse a Igreja, nós estaríamos sem cultura", "Só a Igreja promoveu a arte e o conhecimento científico na Idade Média" "Sem a Igreja, nós estaríamos órfãos de conhecimento". Estas frases são as mais famosas, mas na verdade, a Igreja, bem como todo Sistema Religioso tem promovido mais o atraso do que o avanço para sociedade como um todo, vou mostrar-lhes ponto a ponto por que estes comentários são historicamente falsos e mentirosos, intelectualmente desonestos, as provas mostrarão por si só que esta mentira é moralmente indefensável e irrefutável. A maioria destas supostas contribuições não foram atos de generosidade ou uma vocação para civilizar ou contribuir para o desenvolvimento do mundo e das pessoas, mas consequências inevitáveis de absoluto controle e monopólio educacional que a Igreja exerceu e ainda exerce sobre a sociedade por mais de mil e setecentos de anos.
George Lemaître 1894-1966
Vou usar o exemplo clássico de George Lemaître padre, astrônomo e físico belga o brilhante fisicista que propôs o que se tornaria a teoria do Big Bang. Inspirado nos trabalhos de Vesto Melvin Slipher 1875-1969, que estudou os períodos de rotação dos planetas e as composições atmosféricas dos planetas. Ele também estudou as linhas espectrais de uma galáxia, como também as galáxias em espiral. George Lemaître estuda e formula a lei proporcional entre as distâncias e a velocidade de afastamento das galáxias. Ou seja, Lemaître propõe, nesse trabalho, o estudo do átomo primitivo, ou primordial, que mais tarde é reconhecido como a teoria do Big Bang.
Esse nome foi dado com deboche pelo pesquisador Fred Rowling. Ele era um opositor ferrenho da teoria do Big Bang. Fred Rowling era defensor da teoria do universo estacionário.
Voltando ao assunto do Sistema Religioso ser contra o pensamento livre. Depois que o padre e físico belga formulou a "hipótese do átomo primordial", hoje conhecida mundialmente como a Teoria do Big Bang, graças a Fred Rowling, todo mundo dizia que agora a igreja e a ciência agora andam de mãos dadas, a igreja e a ciência andam juntas, isso é mentira! Embora a igreja deu suporte financeiro, acadêmico e institucional para o avanço dos estudos de Lemaître ao longo de toda a sua vida, a Igreja não suportou a sua ciência, ela o tolerou, porque no século XX, já era tarde demais de simplesmente quebrar outro cientista no chão, como fizeram com Giordano Bruno, Galileu Galilei e tantos outros. O ponto central que é eles, convenientemente, esquecem de mencionar é o contexto.
Porque por séculos, a única forma de acessar educação formal, livros e um ambiente de aprendizado foi através de ser ligado à Igreja. Ser um padre, monge ou ter alguma conexão com a instituição não era uma escolha de fé, era o preço a ser pago não ser um analfabeto iletrado. É assim que o regime religioso funcionou e em muitos casos, ainda funciona.
George Lemaître nunca, mas nunca, em qualquer circunstância, poderia ser um cético, um ateísta, um agnóstico ou talvez até mesmo um materialista naquela época. Nem ele, nem ninguém trabalhando para o Estado Religioso dentro de uma universidade poderia ser. E nos dias atuais, a pressão permanece. Você não poderia dizer que você não teve ou não acreditou em uma religião, muito menos dizer que você pertenceu a outra religião.
A História do Controle Religioso
Mas mesmo com isso, eu acho que o teólogo mas chulé do Brasil pode concordar se ele ler meia milha de livros, mas dizer que a Igreja contribuiu para ciência por causa de George Lemaître é como dizer que o feudalismo contribuiu para agricultura porque permitiu que algumas casas plantarem sem comer. É uma absurdidade lógica. A Igreja não criou a ciência. Ela monopolizou o único lugar onde se permitia estudar, e até então, sob uma segurança rígida. Isso nos leva diretamente à maior meia verdade da história, que a Igreja criou escolas e universidades, porque a Igreja considerou o Estado Laico, que quer dizer, leigo ignorante do que eles consideraram verdadeiro. Nenhuma outra estrutura similar existia no sistema de Estado da época.
Após a queda do Império Romano no Ocidente, a Europa se fragmentou em Reinos Bárbaros e, mais tarde, em um sistema feudal.
Não existia um poder político único, e o que existia era muito difuso e localizado. A única instituição que mantinha uma estrutura burocrática, uma rede de comunicação latina, e a capacidade de preservar e transmitir conhecimento, era a Igreja Católica. E a Igreja cresceu naquela época precisamente porque padre era a única categoria que tinha acesso à educação, no vácuo de poder.
Desde muito cedo, a Igreja percebeu que precisava de teólogos para desenvolver a doutrina e administrar a Igreja, e também administradores para gerenciar suas propriedades, especialmente sendo que a Igreja era o maior proprietário de terra na Europa. Em outras palavras, nesse contexto, não existia um Estado secular ou qualquer entidade secular com a capacidade logística, financeira ou intelectual para criar e sustentar escolas em grande escala. Foi a ausência de uma estrutura competente em um Estado desmantelado que entregou esse monopólio à Igreja em uma bandeja de ouro.
E então, se o Estado quisesse oficiais letrados para fazer e executar as leis, taxas ou diplomacia, tinha de se contratar os padres, que eram os proprietários da verdade e do conhecimento naquela época. A Igreja controlava a interpretação do conhecimento, especialmente teologia e filosofia. A chamada Licença Docente, que é a licença para ensinar, foi lançado somente por autoridades eclesiásticas, os bispos ou o papas, e a Igreja considerou o Estado laico, que quer dizer, leigo ou ignorante, ou seja, ilegítimo, no sentido de ser inconsciente de revelar a verdade, refletindo a hierarquia do conhecimento da época.
Em outras palavras, o conhecimento secular era só válido se não contrariasse a fé, a doutrina da igreja (lembrando que isso ainda acontece nos dias atuais). Todo o desenvolvimento científico da época aconteceu apenas dentro dessa estrutura religiosa e não e nunca fora dela.
Criação de Universidades
Mas por que e para quem a Igreja criou as universidades? Essa é uma pergunta que eu nunca vi ninguém responder. Bem, durante a Idade Média, a Igreja proibiu ativamente qualquer forma de educação que não estava sob controle absoluto.
Em outras palavras, criar as primeiras universidades não era um ato de iluminar as pessoas através da cultura e do conhecimento, era uma estratégia de congelamento mental, feito para controlar o pensamento da elite. Era para garantir que os futuros médicos, advogados e administradores do Reino pensassem dentro da caixa teológica da Igreja. A Universidade Medieval não era um espaço livre de ciência como sabemos hoje.
Era um centro para a formação de doutrina religiosa. A teologia era a matéria obrigatória e soberana. A filosofia foi permitida desde que provasse a existência de Deus e não poderia contrariar à Bíblia.
A Ciência
A ciência como conhecemos hoje apenas começou a avançar centenas de séculos depois, quando a Universidade começou a lutar para se libertar do controle da Igreja. A famosa separação de Igreja e Estado nunca aconteceu. É uma ironia histórica gigantesca.
As pessoas dizem que a Igreja criou as universidades, mas esquecem que ela também criou os incêndios que queimaram professores e alunos que tentaram pensar fora da doutrina ensinada lá. Inclusive as escolas monásticas e em seguida, as universidades como a de Universidade de Bolonha (Itália), para o ensino de Direito, e a Universidade de Paris, para o ensino de Teologia, surgiram principalmente para suprir as necessidades de recursos humanos da própria Igreja. Sua função não era educar a população de camponeses ou fornecer pesquisas científicas puras para a contribuição científica social.
A educação servia para os propósitos funcionais religiosos e ideológicos da Igreja. Ela nem estava aberta para o público. Você não podia fazer um vestibular de entrada para poder frequentar à universidade. A Igreja nunca permitiu isso. Isso aconteceu muito mais tarde.
Controle e Manipulação Religiosa Social
Por mais de mil anos, você podia ser apenas um professor, médico, pesquisador, artista, e qualquer coisa que envolvesse o intelecto, se você se declarasse cristão. Não era uma escolha, era uma obrigação social. Sem se declarar cristão ou sem se submeter ao controle da igreja, você não tinha licença de fazer absolutamente nada.
E mesmo sem fazer exercer absolutamente nada, você não poderia ter nenhuma função ou posição de importância, se você se declarasse contra a religião, ou ficar sem religião, ou mesmo que fosse um crente de outra religião, você seria punido, com a morte, pela própria Igreja. E não podemos continuar fingindo que não sabemos disso.
Os Primeiros Cientistas Cristãos da Europa
Então, é muito óbvio que os primeiros cientistas na Europa cristã eram cristãos. Cientistas não cristãs foram proibidos. Qualquer um que desejasse pesquisar a natureza fora do dogma foi religioso, era considerado um herético, um bruxo ou um charlatão, isso quando não era assassinado pela igreja.
E a consequência lógica é que a História foi escrita pelos vencedores que, nesse caso, foram aqueles que controlavam o sistema religioso. E a prova definitiva de que o Cristianismo não promovia o progresso, mas, sim o regresso é só olhar para fora da bolha europeia. A erosão violenta que a o Cristianismo promoveu nos faz esquecer que outras culturas já estavam séculos, se não milênios, na frente dos europeus no quesito ciência, saber e conhecimento, e pasmem, sem precisar de nenhuma Bíblia.
Conhecimento Sem a Religião Cristã
Os antigos egípcios, muito antes de Cristo, já tinham engenharia monumental capaz de construir pirâmides, matemática avançada e astronomia absurdamente precisa.
Os chineses, uma civilização milenar muito mais sofisticada, nos deram o papel compassado, a bússola, pólvora, e a primeira prensa. Eles foram os primeiros a criar livros e coisas que completamente mudaram o curso do mundo.
Enquanto a Europa viveu a Idade das Trevas pelo regime ditatorial religioso cristão, o mundo islâmico experimentou sua época dourada desenvolvendo a álgebra, medicina moderna, criando hospitais, avançando em óptica e, ironicamente, preservando os textos de filósofos gregos que a igreja cristã ela mesma procurou queimar e proibir, como ela fez com o Serapeu ou Serapeum em Alexandria no ano 391, que foi destruído por ordem do patriarca cristão Teófilo I.
Os antigos gregos, antes de serem apagados pelo Cristianismo, nos deram filosofia, geometria, democracia e a ciência nascente.
A Pergunta Óbvia
A pergunta que ninguém faz é, como é possível que tantas culturas, sem qualquer contato com o cristianismo ou com a Bíblia, foram não apenas avançadas, mas, em muitos casos, muito mais sofisticadas e evoluídas do que a Europa?
E a resposta é muito simples, porque a ciência e o progresso floresceram onde a religião cristã não controlava. O cristianismo sempre destruiu o conhecimento humano. O único livro que eles queriam que a humanidade tivesse acesso a era a mitologia bíblica.
A Religião Contra o Saber e o Conhecimento
Em 1499, a igreja queimou aproximadamente 5.000 manuscritos árabes em praça pública na cidade de Granada (Espanha), que eles consideraram obras heréticas e escrituras demoníacas. Durante a colonização espanhola, em 1562, a igreja ordenou que queimacem de milhares de códices e documentos Maias, considerando-os obras do diabo e cheias de superstições. Isso resultou em uma perda cultural incalculável.
Em 1559, a igreja católica instituiu o Index Librorum Proibitorum, o índice de livros proibidos de ler e estudar, pois para os religiosos, tais livros eram publicações literárias consideradas heréticas ou perigosas de procedências malígnas e diabólicas. Essa política resultou na queima ampla de livros individuais e coleções privadas ao longo dos séculos. Isso sem nem mencionar as centenas de histórias, conhecimentos e tradições de povos que nunca vamos conhecer ou ler uma linha, porque foram completamente apagados da história pela igreja.
Essa é a verdadeira e documentada contribuição da igreja à humanidade. O cristianismo não só não contribuiu, mas ativamente impediu a humanidade de progredir. E isso é imensurável e lamentável.
Idade das Trevas
Tivemos um período de mais de mil anos de atraso científico na Europa, esse momento ficou conhecido como as Idade das Trevas, onde tivemos estagnação e atraso científico e filosófico em toda sociedade da Europa.
Em um tempo em que o conhecimento era proibido, vidas eram controladas do berço ao túmulo pela igreja cristã. E o foco da existência humana era o que eles chamavam de salvação da alma, não o melhoria da vida aqui na Terra.
Os casos mais emblemáticos, conhecidos a todos, são de Galileu, que foi condenado à morte por dizer que a Terra revoltou ao redor do Sol, ao contrário do que as mitologias bíblicas disseram e Nicolau Copérnico, que apenas publicou seu trabalho em seu leito de morte por medo da Inquisição.
Mulheres que praticavam medicina folclórica e possuíam conhecimento de ervas foram perseguidas e queimadas vivas como bruxas.
A lendária Biblioteca de Alexandria, um dos maiores tesouros do conhecimento antigo, que já estava em declínio, foi sistematicamente destruído por fanáticos religiosos.
Mil anos de Atrasos
E a verdade mais pura é que se a cristandade simplesmente ficasse fora do caminho, se não tivesse imposto seu monopólio de poder e pensado na Europa, nós provavelmente estaríamos mais de dois mil anos a frente, no mínimo, estaríamos mil anos a frente no desenvolvimento científico, tecnológico e social. Isto não é uma figura de linguagem.
O Marketing Históricos Religioso
Então, de onde vem esta narrativa das contribuições da Igreja? Isto surge do marketing histórico dominado pela Igreja. Quando a ciência finalmente explodiu nos períodos do Renascentismo e do Iluminismo, a Igreja começou a perder algumas de suas capacidades de controle e moral para incendiar pessoas em praças públicas. A Revolução Científica não aconteceu por causa da Igreja.
A Revolução Científica aconteceu para barrar o domínio monopólico da Igreja. E como a instituição não podia mais incendiar cientistas, ela mudou sua estratégia, começando a tentar reclamar os crédito pelos avanços que apenas surgiram quando foi puxado fora do centro de poder científico e intelectual. É a tática mais antiga do manual dos opressores.
É como um assaltante que, após a polícia entrar no esconderijo, diz que ele salvou a vítima porque, no final, ele não matou ela. É uma insulta à inteligência humana e deve ser uma insulta aos sectores médicos, científicos e tecnológicos. Na minha opinião, deveria ser uma nota de repudio ao juramento médico e científico por este histórico nefasto e esse atraso de mil anos causado somente e diretamente pela religião e pela Igreja.
Pesando na Balança
Vamos pesar na balança as supostas contribuições de um lado, Universidades que ensinaram teologia obrigatória, caridades usadas como ferramentas de conversão e proteção contra a ineficiência do Estado, e um monte de cientistas que só poderiam estudar porque eles usavam um uma batina de padre. E eu não vou nem entrar nas falácias de que a religião oferece um sentido de comunidade e de propósito, porque qualquer campo de futebol aberto ao público promove a mesma coisa muito mais eficientemente, não a mencionar as alternativas sem poder e fora da religião que existem para o mesmo propósito, como AA por exemplo.
O Verdadeiro Estrago
Com esse histórico maléfico da religião e da igreja cristã, temos o verdadeiro estrago real, 2 mil anos de violência institucionalizada, 1500 anos de poder político absoluto, 800 anos de cruzadas e inquisição, 300 anos de escravidão legitimada pela Bíblia, perseguição e assassinato de qualquer um considerados dissidentes, judeus, pagãos, mulheres, gays, cientistas, pessoas pretas. O saldo moral do cristianismo é inegavelmente negativo e sanguinolento. A religião cristã não civilizou o Ocidente, a religião cristã monopolizou o Ocidente, e essa monopólio destruiu muito mais do que nunca construiu.
Mesmo se tudo o que eles afirmaram ter feito fosse verdade, e não é, ainda seria infinitamente, absurdamente pequeno comparado com o oceano de sangue, os milênios de escuridão que causaram o ar. E, de novo, esse debate não é sobre atacar a confiança pessoal de qualquer um. Eu sei, essas são verdades que a maioria de cristãos nunca ouviu falar e jamais querem ouvir.
A Verdadeira Mentira da Religião
Parece uma mentira, um ataque, mas não é. É história, está nos livros. O desafio é que você tem que olhar fora da Bíblia, fora da igreja, porque os religiosos nunca vão te dizer isso, a verdadeira história da igreja é sobre entender como a crença da crença funciona de verdade, essa ideia de que a crença é sempre boa, formou nossa mentalidade e nossa história. A falsa narrativa da contribuição da igreja é um poderoso instrumento para apagar os danos reais que ela criou, e isso previne uma reparação histórica e para manter a instituição religiosa como uma vaca sagrada, inatingível, intocável e isenta de críticas.