O nome Sansão tem origem Hebraica, derivado de Shimshon (שִׁמְשׁוֹן), que por sua vez vem de Shemesh ou Šemeš ou Shamash ou Šamaš, significando "sol "pequeno sol" ou "como o sol". Associado à luz e ao vigor, o nome representa força física descomunal, popularizado pelo juiz bíblico do Antigo Testamento, conhecido por sua superforça.
Shemesh ou Šemeš ou Shamash ou Šamaš é o Deus Sol em Acádio. Seu nome no Acádio original é Šamšu ou Shamshu.
A palavra é um cognato (palavra com a mesma origem) de outros termos semíticos para sol, como šamšatu (disco solar) em acádio, šams em árabe e šemeš em hebraico.
Refere-se à própria estrela sol, mas como divindade, Shamash era considerado o governante do dia, o juiz supremo, e quem trazia luz e verdade, cortando as trevas e a falsidade.
Quem foi Sansão na Bíblia?
Sansão é uma figura central no Livro de Juízes do (capítulos 13 a 16 e um dos últimos dos líderes que "julgaram" Israel antes da instituição da monarquia. Sansão era tribo de Dã, dotado de uma força sobre-humana que foi usada para salvar Israel do poder dos filisteus. Sansão foi juiz de Israel durante vinte anos no tempo dos filisteus Juízes 15:20 e 16:31.
Foi consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe como Nazireu, com voto de nunca cortar o cabelo, o qual era o símbolo de sua força e obediência.
Nunca Existiu
Mas acontece que tal personagem nunca existiu, não há provas arqueológicas contemporâneas (como inscrições daquela época) que confirmem sua existência como um indivíduo histórico específico. Não existem menções arqueológicas dos Filisteus daquele período falando a respeito de Sansão.
A figura de Sansão é uma figura de um herói lendário, no máximo, mitológico, tal como Hércules devido às semelhanças em seus feitos (lutar contra leões, ser traído por uma mulher).
Provas Arqueológicas?
►Evidências de Templos Filisteus - O Templo de Dagon: Arqueólogos escavaram templos filisteus da época na Idade do Ferro em locais como Tel Qasile (próximo a Tel Aviv) e Tel Miqne (Ekron). Esses templos possuíam uma arquitetura única: o telhado era sustentado por duas colunas centrais feitas de madeira, apoiadas em bases de pedra. Essa estrutura corresponde perfeitamente à descrição bíblica de como Sansão teria derrubado o templo de Dagon.
◄Refutação: Provar que existiram os Templos na época, é provar que tais construções realmente existiram, não quer dizer que Sansão existiu, mas sim que o personagem criado, foi inserido dentro de um contexto mitológico de uma construção típica do povo Filisteu. Não foram encontrados nestes Templos ou lugares adjacentes, inscrições, fragmentos ou qualquer objeto que atesta a existência de um prisioneiro cego, fortíssimo que foi aprisionado ou escravizado por sacerdotes dos Templos Filisteus.
►O "Selo de Sansão" XI a. C.: Em 2012, uma equipe da Universidade de Tel Aviv encontrou um pequeno selo de pedra no sítio arqueológico de Beit Shemesh ou Bete-Semes (Casa do Sol), perto da área onde Sansão vivia. O selo, datado do século XI a.C. (a época dos Juízes), retrata um homem de cabelos longos lutando contra um leão. Embora não prove que o selo pertenceu a Sansão, demonstra que histórias de heróis lutando contra leões circulavam na região naquela época, condizente com a narrativa de Sansão.
◄Refutação: O "Selo de Sansão", encontrado em 2012 em Beth Shemesh (Israel), não prova a existência histórica do personagem bíblico Sansão. Embora seja encontrado perto da fronteira entre os israelitas e filisteus, exatamente onde as histórias de Sansão se passam, o Selo não prova que foi confeccionado no período de Sansão, o selo contextualiza a narrativa, mostrando que o cenário geográfico e cultural é autêntico, mas não constitui uma evidência direta ou prova documental da existência da pessoa física de Sansão.
Os diretores da escavação, Shlomo Bunimovitz e Zvi Lederman, da Universidade de Tel Aviv, não afirmam que o homem no selo é Sansão. A teoria é que o selo prova que, na época, circulavam histórias sobre um herói que lutava com leões na região, história que pode ter inspirado a narrativa bíblica, ou que o selo representa um mito local, não necessariamente um fato histórico literal.
O selo funciona como uma evidência cultural. Ele mostra que o "mito" ou que a história de Sansão tem raízes em uma realidade geográfica e temporal concreta, mas não serve como uma "certidão de nascimento" arqueológica para o indivíduo Sansão.
Lutar com Leão não é um dos melhores esportes, mas histórias e lendas locais de homens enfrentado Leões, era comum na região. A presença de leões na região dos filisteus e em Israel durante o século XI a.C. era um fato geográfico e ecológico real, tornando encontros com esses animais perigosos, embora a "luta" não fosse um esporte comum ou diário, mas sim um risco de segurança enfrentado por pastores e viajantes, em certos momentos, alguns destes, não tinham outra alternativa, além de enfrentar os predadores felinos, mas eles evitavam o máximo que podiam, caso alguns destes ao enfrentar um Leão, sobrevivesse a tal aventura suicida, este se tornaria uma lenda viva, um herói local.
►O Cenário de Timna: Escavações em Tel Batash (a provável cidade de Timna, onde vivia a esposa filisteia de Sansão) confirmaram a presença de ocupação filisteia no mesmo período, incluindo cerâmicas e estruturas típicas, corroborando o ambiente de interação/conflito relatado no livro de Juízes.
◄Refutação: Não existem provas diretas ou indiretas atestando que Sansão existiu ou passou por Timna, o que a arqueologia em Timna e regiões próximas (como Betechemes) oferece é uma consistência contextual, mostrando que o relato bíblico de Sansão no livro de Juízes se encaixa com precisão na realidade geográfica, cultural e temporal da época, só isso e nada mais.
Arqueólogos encontraram evidências de casas com "quatro cômodos" (típicas do período dos juízes) e uma clara transição entre a ocupação cananeia, filisteia e hebreia, o que condiz com o ambiente de conflito descrito na história de Sansão.
Não existe um selo ou registro escrito contemporâneo que nomeie Sansão. A Bíblia retrata Timna como um lugar de "liminaridade" (zona de fronteira), onde ocorriam casamentos mistos e interações culturais entre filisteus e israelitas, o que é coerente com a arqueologia. Mas maioria dos arqueólogos considera que as narrativas de Sansão são histórias teológicas/culturais que foram, em algum momento, enraizadas em um contexto geográfico real.
O cenário de Timna não prova a existência de Sansão, mas valida o ambiente onde a sua história é contada, tornando a narrativa historicamente coerente com o final da Idade do Bronze/início da Idade do Ferro na região.
►A Cegueira no contexto Hitita: A prática de cegar prisioneiros de guerra e colocá-los para trabalhar em moinhos (como aconteceu com Sansão) é atestada por arqueólogos em culturas influenciadas pelos "Povos do Mar", grupo ao qual os Filisteus pertenciam.
◄Refutação: O relato da cegueira de Sansão Juízes 16:21, por si só, não constitui uma prova arqueológica ou documental externa de que ele foi uma pessoa real. A cegueira de Sansão é um detalhe interno de uma narrativa teológica, mas as evidências arqueológicas sugerem que o cenário e o período histórico da história são autênticos, mas que não provam a existência física e real de Sansão. Uma história pode ser rica em detalhes e fisicamente plausível em partes, mas isso prova apenas que a narrativa é bem construída (consistência interna), não que os eventos ocorreram de fato (exatidão externa).
Personagens em mitologias e textos religiosos frequentemente possuem características físicas que servem a propósitos simbólicos ou teológicos. A cegueira de Sansão, por exemplo, simboliza sua queda espiritual e perda de discernimento antes de sua redenção final. Para historiadores, a existência de uma figura como Sansão exigiria registros contemporâneos fora do texto bíblico ou evidências arqueológicas específicas que confirmassem sua biografia, o que ainda não ocorreu.
Inspirado em Gilgamesh
Sansão foi um personagem bíblico criado a partir do primeiro Herói da humanidade, que foi Gilgamesh, rei de Uruk 2650 a.C.. Ao contrário de Sansão, Gilgamens realmente existiu, mas, claro, foram incorporados alegorias mitológicas irreais no rei de Uruk.
Ambos são personagens com força física extraordinária, quase sobre-humana, que agem muitas vezes fora das normas sociais.
Tanto Sansão quanto Gilgamesh realizam um de seus primeiros grandes feitos enfrentando e derrotando um leão com as próprias mãos.
Sansão (do hebraico Shimshon) é frequentemente associado a Shamash (o deus sol mesopotâmico), a divindade patrona de Gilgamesh. A história de Sansão, com seu cabelo (raios de sol) e sua fraqueza ao cair da noite, Dalila, cujo nome está relacionado à noite, Lilah, é lida por alguns especialistas como um "mito solar", o que é verdade.
A relação entre Gilgamesh e Shamhat (que o "humaniza") é comparada ao papel de Dalila na narrativa de Sansão, onde a interação com uma mulher leva a uma mudança drástica no status do herói.
O escritores pegaram elementos do cotidiano da época, para criar tal personagem, inspirado em Gilgamesh e Hércules.
Inspirado em Hércules
Ambos são conhecidos pela força sobre-humana, mataram leões com as próprias mãos. Mas aqui, ambos são figuras mitológicas que nunca existiram.
Realizaram feitos impossíveis contra inimigos.
Ambos têm suas quedas ou sofrimentos causados por figuras femininas — Sansão por Dalila e Hércules por Mégara ou Dejanira ou Comaitho.
Assim como Sansão, Hércules também tem conexão com cabelos/pele de leão.
O ato de derrubar as colunas do templo de Dagom por Sansão ecoa o "descanso" de Hércules após os trabalhos, ou a abertura das fontes de águas.
A força de Sansão vem de Yahweh (Deus), enquanto a de Hércules é divina/semideus. Hércules é um semideus (filho de Zeus), o que explica sua força inerente. Já Sansão é um nazireu cujos poderes vêm diretamente do Espírito de Deus, sob a condição de não cortar o cabelo.
Os dois morrem em atos de sacrifício ou sofrimento extremo que resultam em uma forma de redenção ou ascensão espiritual.
Tanto Hércules e, depois, Sansão, são ambos derivados do conto de um mito ainda mais antigo, como o de Gilgamesh, rei de Uruk.
Uma breve história do mito de Comaitho
Comaito era filha de Pterelau, o rei dos Tafienses. Pterelau possuía uma característica mágica: ele era invencível e imortal enquanto mantivesse um único fio de cabelo dourado em sua cabeça, um presente de seu avô, o deus Posídon.
Comaito apaixonou-se pelo inimigo de seu pai, Anfitrião (que, curiosamente, é o pai "terreno" de Hércules), enquanto ele sitiava a cidade.
"Anfitrião não era o pai biológico de Hércules, mas sim seu padrasto e marido de sua mãe, Alcmena. Na mitologia grega, Zeus assumiu a forma de Anfitrião para seduzir Alcmena enquanto o marido estava na guerra, tornando-se o verdadeiro pai do semideus. Anfitrião criou Hércules e foi pai de seu irmão gêmeo, Íficles."
Para ajudar o seu amado a vencer, Comaitho cortou o fio dourado da cabeça do pai enquanto ele dormia, retirando assim sua imortalidade e poder.
Sem sua proteção mágica, Pterelau foi derrotado e morto. No entanto, Anfitrião, horrorizado pela traição da filha contra o próprio pai, acabou executando Comaito em vez de recompensá-la.
Conclusão:
Embora falte uma "nota de rodapé" dos filisteus dizendo "Sansão nos causou problemas", a arqueologia confirma que os templos, a geografia, a cultura e os tipos de conflitos descritos na história de Sansão são historicamente autênticos para o período do século XI a.C., mas não provam que Sansão existiu.
Nenhuma história hebraica é original, todas são oriundas de contos dos povos arredores e antigos.
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