Paulo Freire implementou a ideia de progressão continuada (ciclos) na rede municipal de ensino de São Paulo entre 1989 e 1991, quando foi secretário de Educação na gestão de Luiza Erundina. O modelo visava combater a evasão e a repetência, propondo um ensino baseado em ciclos de aprendizado em vez de aprovação ano a ano.
No Brasil, já existiam iniciativas de implementar o sistema de progressão continuada em 1920. A partir de 1980, esse sistema passou a ser discutido em debates nacionais. Paulo Freire, quando Secretário Municipal de Educação de São Paulo, implantou a ideia. Em 1996, por conta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o sistema passou a ser adotado nas escolas, por todo país no governo de Fernando Henrique Cardoso. Embora a ideia já fosse debatida no Brasil, a gestão Freire em São Paulo foi pioneira na sua aplicação prática em larga escala.
A progressão continuada proposta por Freire pretendia garantir o tempo de aprendizado adequado para o aluno, evitando a exclusão escolar gerada pela reprovação.
O modelo de progressão continuada pode parecer uma forma de evitar a reprovação e o fracasso escolar, mas, na prática, isso muitas vezes resulta na promoção sem aprendizado, preparando mal os alunos para o mercado de trabalho e para os desafios da vida adulta. Um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, revelou que 75% dos estudantes que ingressam no Ensino Médio não têm as habilidades básicas necessárias em Português e Matemática, o que demonstra a ineficácia do sistema em consolidar aprendizagens essenciais (dados de 2024).
Impactos na Vida Universitária
Isso cria um exército de brasileiro com a doença do Analfabetismo Funcional. O analfabetismo funcional no ensino superior brasileiro é um problema grave e crescente, afetando cerca de 12% a 38% dos universitários, segundo dados de 2024-2025. Apesar de estarem na faculdade, esses estudantes têm dificuldades severas em interpretar textos, associar informações e realizar cálculos básicos, indicando falhas na educação básica.
São indivíduos que, embora alfabetizados (leem frases simples), não conseguem compreender textos complexos ou realizar inferências, o que é necessário no ambiente acadêmico.
Isso quer dizer que brasileiros com ensino superior completo ou em andamento são considerados analfabetos funcionais, segundo dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024-2025. Isso significa que, apesar de diplomados, não conseguem compreender textos complexos, interpretar informações ou realizar operações matemáticas elaboradas, conseguindo apenas ler frases simples.
A pessoa saber ler e escrever, mas não conseguir usar essas habilidades para interpretar textos, fazer contas simples ou realizar tarefas do dia a dia, como entender um contrato ou um artigo de jornal, quer dizer que ela é Analfabeta Funcional, tendo Diploma ou não.
Mercado de Trabalho
A formação de profissionais com dificuldades de compreensão textual compromete a qualidade do ensino superior e o mercado de trabalho. Esses universitários enfrentam sérias dificuldades para entrar no mercado de trabalho e para evoluir em suas carreiras, pois não possuem a capacidade de compreensão exigida no ambiente corporativo.
A situação é considerada um reflexo da desigualdade educacional no Brasil e do ensino de baixa qualidade na educação básica, que permite que alunos avancem sem o aprendizado necessário.

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