O mundo dos mortos da mitologia sumeriana é uma mitologia rica, vasta e complexa.
A estrutura religiosa pós morte existe desde a pré-história, remontando a idade da pedra lascada. A Pré-História durou mais ou menos entre 4 a 5 milhões de anos (datas aproximadas).
Registrado, o contos e mitos sumérios do submundo, são os primeiros relatos escritos que temos sobre o além túmulo.
Acreditava-se que estivesse localizado muito longe, abaixo do "Grande Abismo" ou da estepe. Era uma "Terra Sem Retorno", cercada por sete muralhas com sete portões, protegida por um guardião chamado Neti.
Muitos Nomes
O submundo ou inferno sumeriano tinha muitos adjetivos, tais como: Yaru - Kur - Alari - Arallû - Irkalla - Kigal - Kuku - Erṣetu. Conhecido também como Kurnugia ou Kur Nu Gi A "A Terra Sem Retorno", Kur (terra/montanha) e nu-gi-a (não retorno).
Era a parte mais profunda do cosmos do antigo Oriente Próximo, aproximadamente paralelo à região conhecida como Tártaro na cosmologia grega antiga.
Ficava abaixo das "Montanhas do Pôr do Sol" (a oeste) ou profundamente na terra.
Kur como Dragão
Kur também é um Dragão Sumério primordial, o monstro do caos, considerado o primeiro dragão da mitologia escrita, embora sua crença vem desde os tempos pré-históricos.
Ele é ao mesmo tempo, o submundo (a "Terra Sem Retorno") e o vazio cósmico, Kur era um adversário serpentino que vivia entre as montanhas e o mar primordial, famoso por ter roubado a deusa Ereshkigal.
Kur personificava as águas subterrâneas caóticas e o próprio submundo. O termo "Kur" originalmente significava montanha ou terra estrangeira, antes de ser associado ao monstro e ao mundo inferior.
Nos mitos, Kur raptou a deusa Ereshkigal, o que levou a uma batalha onde o deus Enki tentou resgatá-la, lutando contra as águas primordiais de Kur. A destruição de Kur foi um mito crucial, por vezes atribuído a heróis ou deuses, que permitiu o surgimento da civilização, mas que frequentemente resultava em inundações perigosas, pois as águas que Kur represava eram liberadas.
Como uma entidade primordial semelhante a um dragão que precisa ser conquistada pelos deuses, Kur é considerado um precursor de monstros mesopotâmicos posteriores, como Tiamat, bem como do Leviatã hebraico.
Kur emergiu das profundezas da mitologia suméria como um lugar e um ser. Um vasto dragão que personificava o poder do próprio submundo. Dizia-se que habitava sob a terra, onde a crosta encontrava o mar primordial. Textos antigos descreviam sua forma como uma serpente monstruosa, uma criatura cuja força podia abalar os alicerces da criação. Quando Kur se agitava, tempestades se seguiam e o equilíbrio entre o céu, a terra e as profundezas era posto à prova. Seu rugido ecoava pelos mitos como um lembrete do caos e das forças indomáveis que os deuses temiam enfrentar.
Nas histórias antigas, Kur representava mais do que uma besta. Simbolizava a fronteira entre a vida e a morte, a ordem e o abismo. O submundo tomou forma quando raptou Ereshkigal e a arrastou para a escuridão. Quando Enki e Ninurta lutaram e o derrotaram, o mundo tremeu sob a ameaça do dilúvio que seu corpo outrora contera.
Para os sumérios, Kur não era maligno, mas essencial, uma força que definia a criação ao se opor a ela. Sua lenda falava de uma luta divina e da eterna necessidade de conter as águas do caos que jazem logo abaixo da superfície do mundo.
Ereskigal
O nome Ereskigal quer dizer "Senhora da Grande Terra" ou "Rainha do Grande Lugar".
Eresh ou Erech: Significa "senhora", "rainha" ou "dona".
Ki: Significa "terra", "chão" ou "mundo".
Gal: Significa "grande".
A governante do submundo era a deusa Ereshkigal, que vivia no palácio Ganzir, nome por vezes usado para designar o próprio submundo.
Ela era casada com Gugalanna que foi seu primeiro consorte. É a morte dele que motiva a famosa descida de sua irmã, Inanna, ao submundo.
Enlil, Deus do ar, das tempestades, dos raios e dos trovões é identificado como seu segundo marido em certas tradições, com quem ela teria tido o filho Namtar, o deus das pragas e mensageiro do submundo.
Ninazu, Deus do Submundo, da cura e da agricultura
Rei das cobras aparece como seu marido também, mas isso vai depender das variantes mitológicas do terceiro milênio antes de Cristo, pois em algumas versões mitológicas, Ninazu é seu filho.
Nergal, Deus da guerra, da matança e do submundo é eu consorte mais famoso e definitivo, o deus da guerra e das doenças que se tornou o rei do submundo ao lado dela após um confronto inicial.
Gugalanna
O nome Gugalanna quer dizer "Inspetor de Canal de An" ou "Grande Boi do Céu".
GU₄ / GU₂: Boi ou touro.
GAL: Grande.
AN: Céu (ou o deus An).
NA: Partícula de ligação ou possessiva.
Gugalanna é o primeiro marido de Ereskigal, ele é frequentemente identificado como o "Touro do Céu" enviado pelos deuses na Epopeia de Gilgamesh. Seu nome reflete seu papel tanto como um touro celestial quanto um agente com controle sobre águas ou canais divinos. Gilgamesh e Enkidu mataram Gugalanna, enfurecendo Inanna. Inanna é a irmã mais nova de Ereskigal.
Ganzir - Kigallu - Gingal
É o palácio de Ereskigal, funciona como um local de julgamento e guarda a fronteira entre a vida e a morte, vigiado por sete portões, frequentemente descrito como um vasto zigurate de cinco níveis, dominando a paisagem do submundo.
Situado sob as "Montanhas do Pôr do Sol", no oeste, o submundo era um reino de escuridão total, onde as almas residiam como sombras. Neti, o servo fiel e mestre dos portões, guarda a entrada de Ganzir. Cada portão exige que as almas despidam-se de suas posses e orgulho, igualando todos na morte.
Ereshkigal governava Ganzir com autoridade inabalável. Seu palácio era o coração do submundo, onde reinavam o silêncio e o julgamento. Ela mantinha sua corte além dos sete portões, entronizada em sua câmara de lápis-lazúli, personificando a inevitabilidade da morte.
Sob suas ordens, Neti guardava a entrada. Ele trancava e destrancava os sete portões, um de cada vez. Seu dever era absoluto, pois ninguém podia passar sem entregar a coroa, o manto e o orgulho. O papel de Neti vinculava os vivos e os divinos às leis da descendência.
Outros cruzaram esse limiar, cada um ligado ao mito e ao destino. Inanna desceu ousadamente, pressionando a porta de Ganzir para encarar o reino de sua irmã. Ningishzida viajou para perto, advertida a não se aproximar da casa de Ereshkigal. Gilgamesh e Enkidu falaram de Ganzir como o “olho” do submundo, reconhecendo-o como a fronteira sombria onde todas as coisas terminavam.
Neti
Também conhecido como Bitu - Bidu - Idungallu.
Embora Neti seja o nome padrão para o guardião dos portões na literatura suméria antiga, o termo Bitu (ou Idungallu, "grande guardião dos portões") às vezes é usado em encantamentos mesopotâmicos posteriores para exercer poder sobre demônios e fantasmas. O nome Bitu deriva ou está associado à frase suméria Ì-DU₈ (ou idu ), que significa "porteiro" ou "guardião da porta", e que foi posteriormente transcrita para o acádio como idugallu (Grande Porteiro).
Bitu é uma divindade menor na mitologia suméria, funcionando principalmente como guardião do submundo. Ele era conhecido como o "grande guardião do portão" ou idugallu em acádio, frequentemente associado ao deus Namtar, e ocasionalmente substituindo-o, como o responsável pelos portões do submundo. Ele era frequentemente invocado em antigos encantamentos mágicos especializados, concebidos para forçar fantasmas e demônios a retornarem ao reino dos mortos.
O papel de Bitu está ligado a outras divindades do submundo na teologia mesopotâmica, aparecendo ocasionalmente ao lado de Ningishzida ou do lendário rei Etana.
Ele é o servo leal da rainha do submundo, Ereshkigal, mais conhecido por guardar os sete portões e guiar Inanna durante sua descida, sendo o principal porteiro ou guardião do submundo. Ele raramente é retratado na arte, mas está fundamentalmente ligado à arquitetura do submundo, servindo à rainha.Ereshkigale o vizir Namtar.
Gidim - Etemmu os Fantasmas da Antiga Suméria
Na mitologia mesopotâmica, gidim (sumério) ou eṭemmu (acadiano) são fantasmas inquietos dos falecidos, criados na morte para viajar ao submundo (Irkalla). Eles são frequentemente "espíritos da morte" causados pela falta de sepultamento, ritos funerários inadequados ou morte violenta. Os Gidim podem assombrar os vivos, causando doenças, infortúnios ou pesadelos.
A principal causa de um gidim vingativo é a falta de um enterro adequado ou de ofertas regulares de comida/bebida (libações) por parte dos parentes sobreviventes. Normalmente, um gidim viaja para o mundo inferior, um lugar escuro, miserável e empoeirado governado por Ereshkigal e Nergal.
Os gidim inquietos podem retornar ao mundo mortal, frequentemente causando doenças, como dores de cabeça ou transtornos mentais. Eles podem possuir alguém, entrando, como é sabido, pelo ouvido.
Os mesopotâmios utilizavam magia, incluindo talismãs, incenso, rituais de oferendas e exorcismos, para apaziguar ou banir esses espíritos.
O gidim mais famoso é o de Enkidu, invocado do submundo por Gilgamesh na Epopeia de Gilgamesh.

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