O consenso acadêmico predominante no início do século XXI sustenta que não há uma equivalência direta entre os ʿApiru e os hebreus bíblicos. Os ʿApiru representam uma ampla classe social pan-regional de forasteiros marginalizados, trabalhadores ou mercenários que se estendiam pelo Oriente Próximo entre os séculos XVIII e XII a.C., enquanto "hebreus" denota um grupo étnico ou tribal específico ligado ao surgimento do antigo Israel no Levante meridional. O arqueólogo Israel Finkelstein, em sua análise das transições da Idade do Bronze Final, enfatiza que as atividades dos ʿApiru em textos como as Cartas de Amarna refletem rupturas internas cananeias, e não uma invasão externa por proto-israelitas, o que está em consonância com as evidências arqueológicas de um assentamento gradual nas terras altas por volta de 1200 a.C., sem sinais de conquista. Esta visão sublinha a natureza não étnica do termo, uma vez que ʿApiru aparece em diversos contextos na Mesopotâmia, Anatólia e Egito, sem estar ligado a nenhum povo específico.
Os argumentos a favor de uma conexão, destacam paralelos socioeconômicos e alinhamento cronológico entre a marginalidade dos ʿApiru no período de Amarna, no século XIV a.C., e a ascensão de Israel no final do século XIII a.C. 1200 a. C., argumentando que grupos ʿApiru deslocados contrubuíram para a sociedade israelita primitiva. Nadav Na'aman, por exemplo, postula que o uso bíblico de "hebreus" (ʿibrîm) deriva da designação ʿApiru como um rótulo social, transferido para as tradições literárias judaítas durante a Idade do Ferro para evocar o status de forasteiro, sem implicar uma sobreposição completa de identidade. Tais visões baseiam-se em descrições textuais de hebreus como seminômades ou servis em Gênesis e Êxodo, assim, os Hebreus do livro de Gênesis, na verdade eram os ʿApiru como sendo trabalhadores assalariados ou rebeldes.
Estudos recentes na década de 2020 têm explorado cada vez mais as dinâmicas interseccionais, enfatizando como as rupturas da era de Amarna envolvendo os ʿApiru podem ter influenciado indiretamente o vácuo sociopolítico que possibilitou a formação de Israel como uma comunidade montanhosa anti-imperial, embora a linhagem direta permaneça não comprovada. Análises recentes, até 2025, continuam a enfatizar as distinções etimológicas, evitando a identificação excessiva dos ʿApiru com os hebreus com base apenas em semelhanças fonéticas. Norman K. Gottwald, revisitando seu modelo de confederação tribal, observa potenciais elementos habiru entre os primeiros israelitas como camponeses livres que resistiam ao domínio cananeu e egípcio, mas adverte contra a identificação excessiva devido à fluidez do termo.
É seguro afirmar que os Hebreus vieram da formação de vários povos diversos, isso acontece com qualquer nação. A formação do povo Hebreu foi feito como sempre foi feito no planeta, através de aglutinação e união de múltiplos povos e etnias variadas, nenhum povo na Terra nasceu de apenas uma nação, e temos vários exemplos na história.
▼Gregos ou Helenos: A formação do povo grego ocorreu a partir de 2000 a.C. através da mistura de povos indo-europeus Minoicos, Pelasgos, Aqueus, Jônios, Eólios e Dórios que migraram para a península Balcânica, na região do mar Egeu, com os povos nativos cretenses (civilização minoica). Esse processo, ocorrido no período Pré-Homérico, resultou na cultura helênica e no desenvolvimento de cidades-estados.
▼Romanos: A formação do povo romano resultou da mistura de povos itálicos, Latinos, Sabinos, etruscos, Samnitas, Úmbrios e gregos na península Itálica, por volta do século VIII a.C.. Iniciou-se como aldeias no rio Tibre, evoluindo sob forte influência etrusca e grega até se tornar uma cidade-estado. A sociedade era estratificada, com patrícios (nobreza), plebeus e escravos.
▼Turcos ou Túrquicos são um vasto grupo etnolinguístico que compartilha origens na Ásia Central e na Sibéria. Eles são unidos principalmente pelas línguas turcas e por uma história de migrações que se estendeu da Mongólia até a Europa Oriental e o Oriente Médio.
▼Turcos (da Turquia): O maior grupo, concentrado na Anatólia e nos Bálcãs.
Azeris (Azerbaijanos): Principalmente no Azerbaijão e no noroeste do Irã.
Uzbeques: O grupo mais numeroso da Ásia Central, vivendo no Uzbequistão e países vizinhos.
Cazaques: Habitam o vasto território do Cazaquistão e partes da China e Mongólia.
Turcomenos: População majoritária do Turcomenistão, com comunidades no Irã e Afeganistão.
Quirguizes: Principalmente no Quirguistão e nas montanhas Pamir.
Uigures: Povo de maioria muçulmana que habita a região de Xinjiang, na China.
Tártaros: Diversos grupos (do Volga, da Crimeia, da Sibéria) espalhados pela Rússia e Europa Oriental.
Iacutos (Sakha): Localizados no extremo leste da Sibéria (Rússia); são um dos poucos grupos turcos não muçulmanos (praticam o cristianismo ortodoxo e xamanismo).
Bashkires: Vivem na região do Volga e Montes Urais, na Rússia.
Chuvaches: Povo turco da Rússia que fala uma língua distinta (ramo Oghur) e é majoritariamente cristão.
Gagauzes: Cristãos ortodoxos que habitam principalmente a Moldávia e a Ucrânia.
Carachais e Balcares: Povos do Cáucaso Norte.
Tuvinianos: Habitam a República de Tuva, na fronteira com a Mongólia.
Nogais: Descendentes de hordas nômades, espalhados pelo Cáucaso e região do Cáspio.
Göktürks: Fundadores do primeiro grande império turco na Ásia Central (séculos VI-VIII).
Seljúcidas: Tribos que migraram para a Pérsia e Anatólia, preparando o caminho para o Império Otomano.
Otomanos: A dinastia que expandiu o domínio turco por três continentes.
Cumanos e Pechenegues: Tribos nômades que dominaram as estepes da Europa Oriental na Idade Média.
Cazares: Famosos por terem uma elite que se converteu ao judaísmo no Cáucaso.
Búlgaros Antigos: Diferentes dos búlgaros eslavos modernos, eram originalmente um povo turco.
Isto são quatro exemplos da totalidade da realidade antropológica da formação de todos os povos ou nações de nosso planeta, isso aconteceu com o povo Cananeu.
E é nesse contexto que nascem os Hebreus, pois eles vieram dos Cananeus (pois parte deles eram Cananeus), vieram dos Habiru (pois parte deles eram 'Apiru).
Estela de Merneptah
A primeira menção histórica da palavra "Israel" fora da Bíblia data do século XIII a.C. (c. 1208 a.C.), na Estela de Merneptá, filho de Ramsés II, ascendeu ao trono já em idade avançada (por volta dos 60 ou 70 anos) porque todos os seus irmãos mais velhos faleceram antes de seu pai, relata ter derrotado um povo chamado Israel já estabelecido na região.
Este é o seu legado mais famoso. Trata-se de uma placa de granito negro. O texto celebra as vitórias militares do faraó e menciona que "Israel está desolado, sua semente não existe mais", indicando que os israelitas já eram um grupo estabelecido na região de Canaã naquela época.
Transcrição
"Os chefes inimigos prostram-se dizendo: "Salom!" [expressão que significa "haja paz"; significa mais do que mera ausência de conflitos] Nenhum levanta a cabeça entre os Nove Arcos: Tjeneu [os líbios] está derrotado, Hati [provavelmente os hititas residentes na Palestina] está em paz, Canaã está despojada de toda a maldade, Ascalão foi conquistada, Gezer foi tomada, Ienoão [ou Ianoão, sua identificação é incerta] ficou como não tivesse existido, Israel está destruído [ou devastado], a sua semente [ou descendência] não existe mais, a Síria tornou-se uma viúva para o Egito. Todos os que vagavam sem destino no deserto [os Beduínos] foram submetidos pelo Rei do Alto e Baixo Egito, Baenré-Meriamon [filho de Merneptá], filho de Ré [ou Rá, abreviatura de Amon-Rá], Merneptá-Hetephermaet, dotado de Vida, como Ré, todos os dias.
Notas: Ienoão é mencionado junto com as cidades conquistadas por Tutemés III. A tabuinha de Tell-Amarna n.º 197 faz referência a uma cidade de nome Ianuamu. Mais tarde, Seti I (1294 a.C. a 1279 a.C.) conquista Ienoão no seu 1.º ano de reinado. Ienoão ou Ianoão, em hebraico, pode ser vertido por "YHVH fala". "a região de Canaã / Hurru".
O Nascimento de Israel
O nascimento de Israel foi um processo onde a terra de Canaã deixou de ser um conjunto de cidades-estados cananeias para se tornar a base territorial de um povo monolatrista no início, com sua identidade formada tanto pela tradição de um "retorno" (Êxodo) quanto pela evolução interna de grupos já presentes na região.
O nascimento de Israel é uma transição social e política, onde povos cananeus do interior, nômades e grupos marginalizados ('apiru ou hapiru) se uniram para formar uma nova identidade, abandonando gradualmente a cultura cananeia urbana.
Inicialmente, formaram uma confederação de tribos sem governo centralizado (12 tribos?), que se assentaram nas terras altas (região montanhosa) de Canaã antes de se tornarem uma monarquia.
Durante o cativeiro babilônico, eles escreveram o Livro de Gênesis e partes do Antigo Testamento, relatando as aventuras e eventos que aconteceram enquanto ainda não eram uma nação, e sim, uma confederação de povos diversos sem uma liderança ou nacionalidade ('Apirus) que mitificaram, dando uma nacionalidade (embora ainda não existia na época) unindo assim, aspectos culturais em comum. Ou seja, eles contaram as histórias (modificadas) de quando Israel ou Hebreus eram parte do gigantesco povo sem pátria dos 'Apirus.
Os Hebreus nasceram de um amontoado de colchas de retalhos regionais, culturais e étnicos.
O nascimento de Israel na região de Canaã é um processo histórico e religioso complexo, que mistura a narrativa mítica bíblica da "Terra Prometida" com evidências arqueológicas que há uma emergência gradual dos israelitas no local. A região, situada no Levante, era conhecida como Canaã antes de ser ocupada e se tornar o território de Israel e Judá.
A arqueologia moderna confirma que o povo de Israel surgiu, em grande parte, da própria terra de Canaã. A maioria dos "israelitas" era provavelmente de origem cananeia, um grupo semita indígena, que se diferenciou culturalmente e religiosamente ao longo do tempo.
O povo Cananeu não era um povo único, mas sim uma confederação de cidades-estados e grupos étnicos diversos que habitavam a região do Levante (atual Israel, Palestina, Líbano e partes da Síria e Jordânia). Eles eram Fenícios, Amorreus, Hititas, Hivitas, Jebuseus, Gigarseus, Heteus, Heveus, Arqueus, Sineus, Perizeus, Amalequitas, Arvadeus, Zemareus, Hamateus, Amonitas, Moabitas, Sidom, Fenicios, Sodoma, Gomorra, Hurritas, Síria, Admá, Lasa, Zeboim, Filisteus, Hebreus ou Israelitas, etc., são todos povos Cananeus ou Cananitas, e tem povos que esqueci de colocar nesse mosaico multicultural.

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