O nome Enoque tem origem no hebraico Chanokh (חנוך) ou Henoch, significando "dedicado", "consagrado" ou "iniciado". É um nome de raízes bíblicas e antigas, associado a um caráter piedoso e devoto, referindo-se principalmente ao personagem do Antigo Testamento que "andou com Deus".
De acordo com o consenso acadêmico e histórico, o personagem bíblico Enoque (o sétimo depois de Adão) não é o autor físico do que conhecemos hoje como o Livro de Enoque, pois tal personagem, nem existiu na vida real.
Enquanto Enoque teria vivido milênios antes de Cristo (segundo a cronologia de Gênesis), os fragmentos mais antigos do livro encontrados nos Manuscritos do Mar Morto datam de cerca de 300 a.C. a 100 a.C.. Enoque é um personagem existindo antes do Dilúvio, o Livro de Enoch, foi escrito entre 300 a 100 a. C., bem depois do Dilúvio.
E para piorar a situação, temos no mínimo, três versões do Livro, que são;
♦O Primeiro Livro de Enoch ou Enoque Etíope
♦O Segundo Livro de Enoch ou Enoch Eslavônico
♦O Terceiro Livro de Enoch ou Enoch Hebraico
O livro que foi escrito cerca de 300 a.C. a 100 a.C. foi o Primeiro Livro de Enoch
♦O Primeiro Livro de Enoch ou Enoque Etíope
Como o livro é uma coleção de cinco partes distintas, cada seção possui sua própria data provável de composição.
•Livro dos Vigilantes (Caps. 1–36): É a parte mais antiga, datada entre o século IV a.C. e o século III a.C.. Fragmentos desta seção foram encontrados nos Manuscritos do Mar Morto.
•Livro das Parábolas (Caps. 37–71): É a seção mais recente e debatida. Muitos estudiosos acreditam que foi escrita no século I a.C. ou no início do século I d.C..
•Livro das Luminárias Astronômicas (Caps. 72–82): Provavelmente composto no século III a.C., tratando de calendários e movimentos celestiais.
•Livro das Visões de Sonhos (Caps. 83–90): Datado de cerca de 160 a.C., pois contém alusões à Revolta Macabeia.
Epístola de Enoque (Caps. 91–108): Escrita por volta do século II a.C..
♦O Segundo Livro de Enoch ou Enoch Eslavônico
Foi escrito aproximadamente entre o século I a.C. e o século I d.C. (antes da destruição do Templo em 70 d.C.).
O Segundo Livro de Enoque (abreviado como 2 Enoque e também conhecido como Enoque Eslavo ou Segredos de Enoque) é um texto pseudepigráfico do gênero apocalíptico. Ele descreve a ascensão do patriarca Enoque, ancestral de Noé, por dez céus em um cosmos no centro da Terra.
♦O Terceiro Livro de Enoch ou Enoch Hebraico
Foi provavelmente composto no século V ou VI d.C. na Babilônia, embora contenha material mais antigo. Diferente do 1 Enoque (etíope), que é do período pré-cristão (aprox. 200 a.C. a I d.C.), o 3 Enoque é uma obra da literatura mística Hekhalot.
Não é uma obra antiga, conforme o são o Primeiro e o Segundo Livros de Enoque. Faz parte da literatura mística do judaísmo e fala sobre a ascensão do autor a fim de receber revelações do anjo Metatron, o mesmo Enoque, já na vida eterna. Utiliza-se de I e II Enoque como fontes e conteúdo do século IV D.C. É citado no Talmude (Berakoth 7a). Possui 54 capítulos.
Quando se fala do Livro de Enoque, se fala do primeiro livro, O livro que foi escrito cerca de 300 a.C. a 100 a.C. foi o Primeiro Livro de Enoch. O livro registra tradições orais e mitos judaicos que circulavam na época, usando o nome de Enoque para dar autoridade e legitimidade à mensagem.
O livro bíblico de Judas (v. 14-15) cita uma profecia atribuída a Enoque. Estudiosos debatem se Judas estava validando o livro como um todo ou apenas citando uma verdade contida em uma obra popular da época.
A questão é que o Livro de Enoque não foi escrito pelo personagem bíblico Enoque, mas sim por múltiplos autores anônimos ao longo de vários séculos, e Enoque nem existiu.
Temos um outro problema, como Enoque escreveu o Livro de Enoque, se na época a escrita não foi inventada? A escrita foi inventada pelos Sumérios, e não existem registros ou fragmentos que atestam que tenha existido alguém com o nome de Enoque pelos Sumérios.
De uma perspectiva histórica e cronológica, a existência do personagem bíblico Enoque e a invenção da escrita estão separadas por milênios.
Textos narrativos e teológicos extensos, como os que compõem o Livro de Enoque, exigem um sistema de escrita muito mais maduro, que só surgiu séculos ou milênios depois.
Se Enoque existiu e deixou algum legado, este teria sido transmitido exclusivamente por via oral durante gerações antes de ser colocado no papel. Só que Enoque nunca existiu, e esse é o problema, portanto, não pode ter havido uma tradição oral, se o tal personagem é uma construção irreal.
O Livro de Enoque que conhecemos hoje foi escrito em aramaico e grego apenas entre 300 a.C. e 100 a.C., o que reforça que a obra é um registro de tradições judaicas tardias atribuídas a ele para fins de autoridade espiritual.

Nenhum comentário:
Postar um comentário