Tudo que nos ensinaram sobre a Doutrina do Anticristo é uma farsa, uma mentira, não existe.
O próprio conceito deste dogma falacioso, provém de interpretações alarmistas, futuristas e políticas que se afastam do texto bíblico original.
A mentira, a farsa não está na Bíblia, mas no "espetáculo" criado em torno do tema, ou seja, erros de interpretações incentivadas por um domínio filosófico, teológico e intelectual.
Variação Teológica
A doutrina do Anticristo é uma construção teológica que varia bastante conforme a tradição religiosa. No cristianismo, por exemplo, há interpretações diferentes: alguns enxergam o Anticristo como uma figura literal que surgirá no fim dos tempos, outros entendem como um símbolo do mal ou da oposição a Cristo presente em qualquer época. Já em outras correntes, essa ideia é vista como uma metáfora ou até mesmo como uma leitura equivocada de textos bíblicos.
Versículos que Falam Sobre o Anticristo na Bíblia
♦2 Tessalonicenses 2:
¹ Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, pedimos
² que vocês não se deixem demover facilmente de seu modo de pensar, nem fiquem perturbados, quer por espírito, quer por palavra, quer por carta, como se procedesse de nós, dando a entender que o Dia do Senhor já chegou.
³ Ninguém, de modo nenhum, os engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,
⁴ o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, apresentando-se como se fosse o próprio Deus.
⁵ Vocês não lembram que eu costumava lhes dizer estas coisas, quando ainda estava com vocês?
⁶ E, agora, vocês sabem o que o detém, para que ele seja revelado a seu tempo.
⁷ Porque o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém.
⁸ Então será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda.
⁹ Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a ação de Satanás, com todo poder, sinais e prodígios da mentira,
¹⁰ e com todo engano de injustiça aos que estão perecendo, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.
¹¹ É por este motivo que Deus lhes envia a operação do erro, para darem crédito à mentira,
¹² a fim de serem condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça
♦1 João 2:18: "Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora."
♦1 João 2:22: "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho."
♦1 João 4:3: "E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo..."
♦Apocalipse 13:16-18: Descreve a "besta" que força todos a receberem uma marca na mão ou na testa para comprar ou vender, mencionando o número 666.
Os Pais da Igreja Falavam Sobre o Anticristo
Vários Padres da Igreja (Patrística) escreveram sobre o Anticristo, geralmente interpretando-o como uma figura escatológica de perseguição e engano do fim do mundo.
•Irineu de Lyon (c. 120-202): Em sua obra Adversus Haereses (Contra as Heresias), dedica parte do livro V para falar sobre o Anticristo, identificando-o com a besta do Apocalipse e argumentando que ele seria da tribo de Dã.
•Hipólito de Roma (c. 170-235): Escreveu o tratado "Sobre Cristo e o Anticristo", um dos estudos mais detalhados da antiguidade, onde analisa Daniel e Apocalipse para descrever o Anticristo como um imitador tirânico de Cristo.
•Tertuliano (c. 160-225): Em seus escritos, associa o Anticristo com o "homem do pecado" descrito por Paulo em 2 Tessalonicenses.
•Cirilo de Jerusalém (c. 313-386): Em suas Catequeses, detalha o Anticristo como um governante romano que surgirá após a divisão do império, enganando os judeus e cristãos.
•João Crisóstomo (c. 347-407): Em suas homilias, discute o Anticristo como o iníquo que se opõe a Deus e busca adoração, destacando sua perseguição à Igreja. Comentou sobre a "manifestação do iníquo" em suas homilias sobre as cartas de Paulo.
•Agostinho de Hipona (354-430): Em A Cidade de Deus, aborda o anticristo, frequentemente focando no espírito da iniquidade e na apostasia final.
•Jerônimo (c. 347–420 d.C.): Em seus comentários sobre o profeta Daniel, ele refutou a ideia de que as profecias se referiam apenas a Antíoco Epifânio, defendendo que elas apontavam para um Anticristo futuro que surgiria do fim do Império Romano.
•Policarpo de Esmirna (69–155 d.C.): Em sua Carta aos Filipenses, ele adverte que "todo aquele que não confessa que Jesus Cristo veio em carne é um anticristo", ecoando as definições das epístolas de João.
•Martinho de Tours (c. 316–397 d.C.) já falava do Anticristo como alguém que "já teria nascido" e alcançaria o poder na maturidade, evidenciando que o dogma estava consolidado na compreensão patrística por volta do ano 300-400 d.C.
Problema com a Visão Teológica dos Pais da Igreja
O problema das visões teológicas dos Pais da Igreja é que todos eles eram Católicos. Já se tinha uma visão teológica catolicista nos desenvolvimentos teológicos destes doutrinadores. De uma perspectiva histórica e teológica, os Pais da Igreja são os fundamentos da Igreja Católica.
Inspirados em crenças e mitologias religiosas de povos antigos, eles estabeleceram as bases do que o catolicismo crê hoje, como a Santíssima Trindade, a presença real de Cristo na Eucaristia, a veneração a Maria, Demonologia, Cristologia, a Autoridade dos Bispos (sucessão apostólica), Arrebatamento, Escatologia e a Doutrina do Anticristo, etc.. Naquela época (especialmente antes do Grande Cisma de 1054), não havia a divisão entre Católica e Ortodoxa como conhecemos hoje. Eles pertenciam à "Igreja Indivisa".
A Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas Orientais os veneram como os guardiões da fé. Muitos autores protestantes (evangélicos) também os estudam, embora nem sempre concordem com todas as suas conclusões teológicas. Os escritos desses homens não são apenas história, mas parte da Sagrada Tradição que interpreta a Bíblia.
Origem Histórica
A ideia do Anticristo surgiu como uma construção teológica e simbólica dentro do cristianismo primitivo, mas ao longo da história foi reinterpretada em diferentes contextos culturais, políticos e religiosos. Originalmente mencionada nas cartas de João, ela evoluiu para representar tanto uma figura escatológica quanto um símbolo do mal absoluto.
Vê-se o surgimento também no Livro de Daniel (167 a.C.), que descreve um perseguidor final que “proferirá palavras contra o Altíssimo” e oprimirá os santos (Dn 7:25).
Personagens que já foram o Anticristo
Outro problema da doutrina do Anticristo é que muitos personagens já foram escolhidos como sendo o Anticristo, o grande engano nessa identificação é que os próprios personagens vão mudando conforme a época, conceito, acontecimento e outras variáveis que ninguém sabe dizer o porquê.
A lista de personagens que já foram o anticristo é vasta, vou listar somente algumas. O primeiro na lista a ser o próprio Anticristo Encarnado foi o Imperador Nero, além dele, tivemos o Rei Antíoco Epifânio, Imperador Décio, Imperador Diocleciano, Imperador Cômodo, Imperador Calígula, Imperador Heliogábalo, Imperador Caracala, Imperador Domiciano, Átila o Huno, Gengiskan, Sultão Maomé II, Adolf Hitler, Mussolini, Josef Stalin, Saddam Hussein, Napoleão, etc..
E tivemos até Papas que foram considerados Anticristos, tais como:
Estêvão VI (896–897): Famoso por realizar o "Sínodo do Cadáver" (ou Concílio Cadavérico), onde exumou o corpo de seu antecessor, o Papa Formoso, vestiu-o com roupas papais e o submeteu a um julgamento eclesiástico.
João XII (955–964): Eleito quando ainda era adolescente, seu pontificado é descrito como um dos mais imorais. Relatos da época (como os de Liutprando de Cremona) o acusam de transformar o Palácio de Latrão em um bordel, cometer perjúrio, assassinato e invocar deuses pagãos.
Bento IX (1032–1044, 1045, 1047–1048): Conhecido por ter sido papa três vezes, vendeu o papado por dinheiro e, segundo relatos, cometeu atos de grande violência e imoralidade. São Pedro Damião o descreveu como um "demônio do inferno disfarçado de padre".
Alexandre VI (1492–1503): Nascido Rodrigo Borgia, é o exemplo clássico de corrupção renascentista. Ele usou o papado para aumentar o poder de sua família, teve vários filhos reconhecidos (como César e Lucrécia Borgia) com amantes e manteve um estilo de vida extravagante e imoral.
Bonifácio VIII (1294–1303): Conhecido por sua arrogância e disputas políticas severas, foi retratado por Dante Alighieri no "Inferno" da Divina Comédia como um papa simoníaco (que vendia cargos eclesiásticos).
Urbano VI (1378–1389): Conhecido por sua extrema crueldade e temperamento violento. Sua eleição conturbada levou ao Grande Cisma do Ocidente, quando a Igreja teve dois papas simultâneos. Ele era conhecido por torturar cardeais que conspiravam contra ele.
Leão X (1513–1521): Da família Médici, seu pontificado foi marcado pelo desperdício da fortuna do Vaticano e pela intensificação da venda de indulgências (o perdão dos pecados em troca de dinheiro), o que foi um fator direto para o início da Reforma Protestante de Martinho Lutero.
Muitos destes foram tão vis, que por causa de suas vilanias, estourou na Europa a Guerra Religiosa, chamada também de Reforma Religiosa.
Padre Francisco Ribera e a Contra Reforma
A guerra religiosa estava insuportável na Europa renascentista, tudo por conta das heresias, vilanias e pecados vindos dos próprios sacerdotes, padres, bispos e papas, por causa disso, faz-se em 1545 na cidade de Trento, o Concílio de Trento, que ficou mais conhecida como; A Contra Reforma.
E foi justamente na Contra Reforma que entra em cena o Padre Francisco Ribera 1537–1591. Ele escreveu um comentário de 500 páginas sobre o Apocalipse para refutar a ideia protestante de que o Papa era o Anticristo. Ele argumentou que o Anticristo seria uma única pessoa que surgiria apenas no futuro distante, governando por 3,5 anos literais pouco antes da segunda vinda de Cristo.
Certamente ele não inventou a doutrina do Anticristo, mas certamente catapultou e muito as doutrinas escatológicas que são ensinadas nas igrejas evangélicas.
Ausência de Consenso
Não existe uma única e unânime "doutrina do Anticristo" aceita por todas as vertentes cristãs. As diferentes interpretações e a falta de clareza nas próprias escrituras sobre a identidade e o papel do Anticristo podem levar alguns a considerar qualquer doutrina específica e dogmática sobre ele como uma "mentira", pois ela se basearia mais em especulação do que em revelação clara.
A mentira da doutrina do Anticristo está, para muitos, na forma como ela é interpretada, ensinada e utilizada, podendo desviar do propósito original da fé, gerar enganos históricos, manipular pessoas ou simplificar excessivamente a natureza do mal.
Interpretações Literalistas Problemáticas
A Bíblia usa linguagem simbólica e apocalíptica ao falar de figuras como o Anticristo. A "mentira" pode surgir quando essa linguagem é interpretada de forma puramente literal, levando a previsões falhas e identificações errôneas de pessoas ou eventos como o Anticristo. A história está cheia de exemplos de líderes que foram rotulados como o Anticristo, e essas profecias nunca se concretizaram, revelando-se "mentiras".
Às vezes, a doutrina do Anticristo pode ser usada para instigar medo nas pessoas, controlá-las ou até mesmo para justificar perseguições a grupos diferentes. Quando usada como uma ferramenta de intimidação ou divisão, a doutrina se torna uma "mentira" em seu propósito e impacto, pois a fé deveria trazer esperança e união, não pânico ou exclusão.
A ideia de que um único indivíduo "o Anticristo" será a personificação de todo o mal pode é uma "mentira" porque simplifica demais a complexidade do mal no mundo. O mal reside na escolha humana e nas estruturas pecaminosas da sociedade, não apenas em uma única figura futura. Atribuir tudo a um Anticristo pode desviar a responsabilidade individual e coletiva de combater o mal no presente.
Focar em uma figura política futura pode ser uma distração ("farsa") para ignorar os problemas éticos e espirituais do presente, como a intolerância e a falta de compaixão. A farsa está no sensacionalismo e nas interpretações que transformam um conceito espiritual de oposição a Deus em um roteiro de conspiração política.
O falso dogma do Anticristo desvia a atenção da mensagem central de Jesus Cristo. Em vez de focar na melhoria do ser humano em humildade, ética e honra, a doutrina, quando levada ao extremo, pode gerar medo, especulação e uma busca incessante por sinais de um inimigo, o que, para muitos, é o oposto do que a fé cristã deveria ser.
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