O relato bíblico alega que os Hebreus derrubaram a muralha de Jericó com sete sacerdotes tocando trombetas (chifres de carneiros) e levando também a Arca da Aliança, com sigo:
"E sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca, e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. Josué 6:4"
"Então Josué, filho de Num, chamou os sacerdotes e disse-lhes: Levai a arca da aliança; e sete sacerdotes levem sete trombetas de chifres de carneiros, adiante da arca do Senhor. Josué 6:6"
E o povo iria, ajudando na sonoridade, gritando, para o barulho, abalar as estruturas do muro:
"E será que, tocando-se prolongadamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido da trombeta, todo o povo gritará com grande brado; e o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá por ele, cada um em frente. Josué 6:5"
Os guerreiros iam adiante, fazendo o pelotão de infantaria avançada:
"Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Josué 6:3"
"E disse ao povo: Passai e rodeai a cidade; e quem estiver armado, passe adiante da arca do Senhor. Josué 6:7"
Todo o povo, deveria fazer isso por seis dias consecutivos:
⁸ E assim foi que, como Josué dissera ao povo, os sete sacerdotes, levando as sete trombetas de chifres de carneiros diante do Senhor, passaram e tocaram as trombetas; e a arca da aliança do Senhor os seguia.
⁹ E os homens armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as trombetas; e a retaguarda seguia após a arca; andando e tocando as trombetas iam os sacerdotes.
¹⁰ Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis.
¹¹ E fez a arca do Senhor rodear a cidade, contornando-a uma vez; e entraram no arraial, e passaram a noite no arraial. Josué 6:8-11
E enfim, cai a grande Jericó, com sua colossal muralha:
"E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade. Josué 6:16"
"Gritou, pois, o povo, tocando os sacerdotes as trombetas; e sucedeu que, ouvindo o povo o sonido da trombeta, gritou o povo com grande brado; e o muro caiu abaixo, e o povo subiu à cidade, cada um em frente de si, e tomaram a cidade. Josué 6:20"
Dados da Extraordinários Muralha
As muralhas de Jericó tinham cerca de 4 a 6 quilômetros de comprimento e uma altura de 9 a 12 metros, com 3,50 metros de espessura, isso é baseado em muralhas da época.
As muralhas de Jericó eram um complexo sistema de fortificação, consistindo em um muro de contenção de pedra na base e, sobre ele, um muro de tijolos de barro, formando uma estrutura forte, com uma segunda muralha ainda mais alta protegendo a cidade interna, construída ao longo de milênios com pedra e tijolos, sendo um exemplo da engenharia defensiva antiga.
Tamanho da População dos Hebreus
De acordo com a narrativa bíblica, o tamanho total da população de hebreus que participou da conquista de Jericó não é especificado, mas o livro de Josué menciona que cerca de 40.000 homens armados estavam prontos para a batalha e cruzaram o Rio Jordão em direção às planícies de Jericó.
A Bíblia relata que a população total de israelitas, incluindo homens em idade de lutar, mulheres e crianças, era de aproximadamente 600.000 homens, o que pode chegar a um total de 2 a 3 milhões de pessoas, embora esse número seja objeto de debate entre historiadores e arqueólogos. No entanto, nem todos participaram diretamente do cerco de Jericó, que envolveu uma estratégia específica liderada por Josué, com a arca da aliança e sacerdotes à frente.
Agora, vamos pensar um pouco...
Como sete sacerdotes, tocando sete berrantes cada um, e um amontoado de gente gritando, pode derrubar um muro como este?
Resposta: Pelo poder de Deus. O problema da religião é simplificar tudo, utilizando a frase "poder de Deus" ou "vontade de Deus"
Segundo a teologia cristã, o foco principal da história bíblica não é o número de pessoas, mas sim a intervenção divina que causou a queda das muralhas após o povo marchar ao redor da cidade por sete dias.
Arqueologia
Desde o século XIX, Tell es-Sultan tem sido identificado como o local da antiga Jericó. Os estudiosos chegaram a essa conclusão com base em sua localização no Vale do Jordão e na presença de uma nascente natural, que a Bíblia afirmava estar próxima da cidade.
A primeira equipe a escavar as ruínas da cidade foi liderada por Charles Warren, em 1868. Mas, após nada encontrarem além de terra e tijolos de barro, os pesquisadores desistiram. Quarenta anos mais tarde, novas escavações foram feitas em Jericó.
Os arqueólogos alemães, guiados por Ernst Sellin e Carl Watzinger, desenterraram parte do muro e de casas da cidade entre os anos de 1907 e 1909. Nada acharam que pudessem considerar como resultado do ataque de Josué.
Entre 1930 e 1936, John Garstang, da Universidade de Liverpool, após algumas semanas de escavações, surpreendeu o mundo. Ele encontrou tijolos de barro e os restos de uma muralha antiga que teriam sido destruídos por um terremoto que ajudou na conquista do local por Josué. Segundo ele, esses achados estavam relacionados com a conquista de Josué, o que provaria a historicidade da narrativa. Alan Millard destaca que Garstang teria encontrado dois muros, paralelos, com um espaço de 4,5 metros entre eles. A ideia era de que um dia houve construções assentadas sobre o topo desses muros, e um violento incêndio arrasou a cidade. Segundo Garstang, isso aconteceu por volta de 1400 AEC.
Alguns anos depois, Garstang solicitou à arqueóloga britânica Kathleen Kenyon que verificasse novamente os resultados de suas pesquisas. Em 1952, Kenyon iniciou sua jornada de escavações, que duraram até 1958. Ela chegou a conclusões diferentes das de Garstang, que tinha datado seu achado por volta de 1400 AEC, enquanto Kenyon os datou por volta de 1550 AEC. Ela atribuiu a destruição de 1550 AEC à atividade egípcia, associada à expulsão dos hicsos e aos primórdios da hegemonia do Egito na região. Evento que confirma sua tese, pois a expulsão dos hicsos do Egito ocorreu por volta de 1550 a.C., marcando o fim do Segundo Período Intermediário e o início do Império Novo.
Uma descoberta que foi posteriormente confirmada pela datação por radiocarbono realizada na década de 1990. Os israelitas, por outro lado, supostamente conquistaram a cidade centenas de anos depois. Mas a data da destruição de Jericó não foi a única coisa que as escavações de Kenyon confirmaram. Ela descobriu que um grande incêndio consumiu a cidade na época de sua destruição, em 1550 a.C., mas o que o causou?
Após sua destruição, essa cidade foi desocupada por vários séculos e então reocupada brevemente durante a Idade do Bronze Final. A arqueóloga baseou-se, em grande medida, no fato de não haver encontrado cerâmica cipriota no local, o que justificaria sua datação. As paredes da cidade foram datadas por ela como sendo pelo menos mil anos mais antigas do que a época de Josué. Kenyon confiou fortemente na ausência de cerâmica cipriota para sua datação, porém Garstang encontrou fragmentos desse tipo. As análises mais recentes de ativações de nêutrons mostraram que esse tipo de cerâmica era de produção local e não importado. Essa evidência ainda sugere que os oleiros em Jericó ou em torno conheciam esse tipo de cerâmica.
A questão envolvendo a extensão da conquista é complicada, pois, ao mesmo tempo que o texto de Josué diz que a “terra toda” fora conquistada, também diz que os israelitas não puderam conquistar toda a terra (Js 11:23; 13). As narrativas do livro de Juízes apresentam inúmeros conflitos entre os israelitas e seus vizinhos na terra. Em Juízes 11:26 encontramos um diálogo de Jefté com o rei de Amom no qual o leitor é informado de que os israelitas já estavam há 300 anos na terra; Jefté tem sido datado em 1100 AEC. Se assim for, os israelitas chegaram na terra em torno de 1400 AEC, data aproximada para a conquista de Jericó, e durante todo esse período houve conflito com os demais moradores da terra. Assim, a conquista da terra não deve ser vista como momentânea e completa, antes, foi uma conquista gradual que levou centenas de anos.
Dominação Egípcia
Egito controlava Canaã durante a Idade do Bronze Final (1550-1200 AEC) e tinha guarnições lá, não há menção de atividade israelita na esfera de influência do Egito, e por que não há referência no livro de Josué para a presença das forças egípcias.
Os egípcios começam sua saga de conquistas com Amósis, por volta de 1540 AEC, quando este expulsa os hicsos das terras egípcias. Pouco mais tarde, sob a liderança de Tutmósis III, aproximadamente 1490-1436 AEC, o Egito atinge o ápice de seu poder. Durante esse tempo, o seu império estendeu-se para o Norte até uma linha que ia aproximadamente do Eufrates até o afluente do Oriente, e para o Sul até a Quarta Catarata do Nilo, na Núbia.
Após esse período de conquistas militares, o controle egípcio sobre a região era indireto; os pequenos reis pagavam tributos ao faraó, e, ao que tudo indica, esses tributos eram pesados ao ponto de eles não poderem fortificar suas cidades. As cartas de Tell El-Amarna nos informam de que apenas três centros siro-palestinos eram sede dos governantes egípcios: Gaza, na costa meridional; Kumidi, na Beq’a libanesa; e Sumura, na costa setentrional. Ainda devemos observar que não mais do que 700 pessoas estavam responsáveis pela gestão desse “império”.
Assim, o Egito começa suas conquistas de forma avassaladora, mas isso não continua mais tarde. Em outras palavras, durante o período em que os israelitas buscam conquistar alguns territórios, o Egito não tinha uma presença forte em todos os locais. As cartas de Tell El-Amarna exibem queixas de reis que estariam sendo alvo de um grupo chamado ‘apiru. Há amplo debate sobre a identidade desse grupo: alguns eruditos veem uma relação semântica com a palavra hebreus, enquanto outros não.
Um trecho de uma carta reflete bem essa realidade: Carta 286: (1-4) Fala ao rei, meu senhor; assim ʿAbdi-Ḫeba, teu servo: aos pés do meu senhor, o rei, sete vezes e sete vezes caí. (5-8) O que fiz ao rei, meu senhor? Eles estão me difamando; estou sendo caluniado perante o rei, meu senhor: “ʿAbdi-Ḫeba abandonou o rei, seu senhor.” (9-15) Olha, quanto a mim, nem meu pai nem minha mãe me colocaram neste lugar. O braço forte do rei me colocou na casa de meu pai. Eu (de todas as pessoas) cometo um crime contra o rei, ‹meu› senhor? (16-24) Enquanto (enquanto) o rei, meu senhor, direi ao comissário do rei, meu senhor: “Por que você ama os ʿapîrue e odeia a cidade [governantes]?” Assim sou caluniado na presença do rei, meu senhor, porque estou dizendo: “Perdidas estão as terras do rei, meu senhor”, assim sou caluniado ao rei, meu senhor. [...] Os homens ʿapîru saquearam todas as terras do rei. Se existem tropas regulares neste ano, ainda haverá terras do rei, ‹meu› senhor. Mas se não há tropas regulares, as terras do rei, meu senhor, estão perdidas. (61-64) [Para o escriba do rei, meu senhor, assim ʿAbdi-Ḫeba, seu [servo]: “Apresente palavras eloquentes ao rei, meu senhor; [todas] as terras do rei, meu senhor, estão perdidas!” (SCHNIEDEWIND, 2015 et al., p. 1.108-1.110).
Parece realmente razoável que existam relações entre os hebreus e os ‘apiru, porém não se pode argumentar que todos os ‘apiru fossem hebreus.
Entrando no mérito da questão, os arqueólogos normalmente não escavam para provar nada da Bíblia, mas para encontrar a verdade sobre um sítio. Os arqueólogos que se deixam influenciar por convicções religiosas como Rodrigo Silva exemplo, normalmente partem de um princípio errado.
Na verdade, ninguém sabe bem quando os judeus chegaram (ou se chegaram) na Terra Prometida. Não há um registro histórico preciso que ateste esse evento. Normalmente a data mais comum entre os exegetas é aquela de 1.200 antes de Cristo, mas essa certeza não existe.



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