A teologia cristã, enquanto disciplina estruturada, reflexão sistemática e base doutrinária, nasceu e consolidou-se com a Patrística.
Patrística
A Patrística é o período de estudo e produção intelectual dos "Padres da Igreja" (ou Pais da Igreja), que ocorreu aproximadamente entre os séculos I e VIII d.C.. Embora o pensamento cristão tenha começado com os apóstolos, foi com a Patrística que ele se transformou em uma teologia organizada.
A patrística não é a base fundamental que permitiu ao cristianismo se transformar de um movimento iniciante em uma religião organizada e intelectualmente estruturada
Filosofia Grega
A Patrística utilizou conceitos da filosofia grega (como o neoplatonismo) para explicar e racionalizar a fé cristã, criando uma síntese entre a revelação bíblica e a razão. Isso quer dizer que a Filosofia Grega moldou toda Teologia Cristã, sendo assim, todo o conceito dogmático cristão, provém da filosofia grega.
Tanto o Antigo Testamento e, principalmente o Novo Testamento, são conceitos gregos.
Concílios e Definições
Foi durante este período, especialmente nos grandes concílios ecumênicos (Nicéia, Constantinopla, etc.), que se definiram doutrinas centrais como a Trindade e a Cristologia (natureza divina e humana de Cristo).
Nascimento da Tradição Religiosa Cristã
Os Padres da Igreja estabeleceram as bases da interpretação bíblica (exegese) e consolidaram a tradição cristã, indo além do Novo Testamento, mas baseando-se nele.
Foi nesse período que se definiram os livros que comporiam a Bíblia e se estabeleceram os grandes credos (como o de Niceia), que são a base da teologia cristã até hoje.
Credos Ecumênicos
A redação do Credo Niceno-Constantinopolitano, que resume os pontos inegociáveis da fé cristã e é recitado até hoje por católicos, ortodoxos e protestantes.
Santíssima Trindade
Foi a maior definição do período. Contra o arianismo (que dizia que Jesus era uma criatura), os padres afirmaram que Deus é uma única substância (ousia) em três pessoas (hypostasis): Pai, Filho e Espírito Santo, todos consubstanciais.
Defendido contra: O Arianismo (que dizia que o Filho era uma criatura e não Deus).
Cristologia - As Duas Naturezas de Cristo
No Concílio de Calcedônia 451, definiu-se que as duas naturezasde que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
União Hipostática: A união das naturezas divina e humana em uma única pessoa.
Defendido contra: O Monofisismo (que dizia que Cristo tinha apenas a natureza divina) e o Nestorianismo (que separava as duas naturezas excessivamente).
Dogma Mariano - Theotokos
No Concílio de Éfeso 431, defendeu-se que Maria é Mãe de Deus Theotokos e não apenas mãe do homem Jesus. Isso serviu para reafirmar a divindade de Cristo desde a concepção.
Doutrina do Pecado Original e da Graça
Defendida principalmente por Agostinho de Hipona contra o pelagianismo. Estabeleceu que a humanidade nasce com a mancha do pecado de Adão e que a salvação é impossível sem a iniciativa da graça divina.
Defendido contra: O Pelagianismo (que pregava que o homem podia alcançar a salvação apenas pelo esforço próprio e pelo livre-arbítrio).
Presença Real na Eucaristia
Desde os padres apostólicos (como Inácio de Antioquia), defendeu-se que o pão e o vinho são verdadeiramente o corpo e o sangue de Cristo, e não meros símbolos.
Criação "Ex Nihilo"
A afirmação de que Deus criou o universo do nada, combatendo a ideia pagã de que a matéria era eterna ou que Deus teria usado uma "matéria pré-existente".
Cânon das Escrituras
Os Pais da Igreja definiram quais livros eram inspirados e deveriam compor a Bíblia. Autores como Irineu de Lyon e Atanásio de Alexandria foram cruciais para estabelecer os quatro Evangelhos e as cartas paulinas como autoridade máxima.
Defendido contra: O Marcionismo (que rejeitava o Antigo Testamento) e o Gnosticismo (que usava evangelhos apócrifos).
Sucessão Apostólica
A ideia de que a autoridade dos bispos deriva de uma linha ininterrupta que remonta aos Apóstolos. Isso garantia que a doutrina ensinada era a "verdadeira" tradição recebida de Cristo.
Defendido por: Irineu de Lyon e Cipriano de Cartago.
Sacramentos e Eclesiologia
A definição da Igreja como o "Corpo de Cristo" e o estabelecimento da importância do Batismo e da Eucaristia como meios reais de comunhão com o divino, e não apenas símbolos.

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