Embora tradicionalmente atribuído a João, o Apóstolo, difere significativamente dos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas) em teologia e narrativa, levando alguns estudiosos a argumentar que se trata de um retrato teológico "superior" em vez de um retrato estritamente histórico .
A Designação "Segundo João"
O Evangelho de João é considerado por muitos estudiosos modernos como uma obra pseudoepígrafa.(escrito anonimamente em nome de outra pessoa) composto por volta de 90-110 d.C. O evangelho era originalmente anônimo.
A designação "segundo João" (em grego: Kata Ioannen), foi adicionada no século II. O texto identifica sua fonte como o "discípulo a quem Jesus amava", embora muitos estudiosos sugiram que essa figura, ou uma comunidade posterior, tenha sido a fonte, e não o próprio apóstolo João.
Texto Pseudoepígrafo
Técnicamente, o Evangelho de João é considerado anônimo, o texto canônico nunca afirma "Eu, João, escrevi isto", muitos estudiosos preferem chamá-lo de anônimo em vez de uma falsificação direta.
O texto é uma forma de falsificação antiga, concebido para se parecer com um relato de testemunha ocular (por exemplo, João 1:14, 19:35) para lhe conferir autoridade, uma prática comum na época.
O Evangelho de João difere drasticamente de Mateus, Marcos e Lucas (os Evangelhos Sinóticos) em vários pontos:
Divindade Explícita: João é o único evangelho que afirma abertamente a pré-existência e divindade de Jesus desde o prólogo ("O Verbo era Deus").
Eventos Exclusivos: Milagres como o vinho em Caná e a ressurreição de Lázaro aparecem apenas em João.
Cronologia: João coloca a purificação do Templo no início do ministério de Jesus, enquanto os sinóticos a colocam no final
O Problema com o "Eu Sou"
No Livro de João, Jesus repetidas vezes diz "Eu Sou"
Eu Sou o Pão da Vida: João 6:35, 48, 51
Eu Sou a Luz do Mundo: João 8:12; 9:5
Eu Sou a Porta das Ovelhas: João 10:7, 9
Eu Sou o Bom Pastor: João 10:11, 14
Eu Sou a Ressurreição e Vida: João 11:25
Eu Sou o Caminho, Verdade e Vida: João 14:6
Antes que Abraão existisse, Eu Sou João 8:58
Qual o Problema disso? O problema disso é que estes ditos não são originários do povo da Judéia. Isto são frases conhecidas por filósofos Neoplatônicos. A filosofia neoplatônica, com o seu desenvolvimento principal ocorrendo nas décadas de 230-250 d.C., sendo portanto um acréscimo tardio, e bem tardio.
Neoplatonismo
O Neoplatonismo tem raízes nos pensamentos e ensinamentos dos filósofos Amônio Sacas e Plotino. Baseia-se no monismo (tudo emana do "Uno" ou Deus supremo), misturando platonismo com influências místicas e helenísticas.
Algumas frases ditas que foram colocados no Evangelho de João;
♠"Eu sou uma emanação do Uno (Deus)": Para Plotino, a alma humana não é uma substância separada, mas uma emanação da "Alma do Mundo", que por sua vez emana do "Uno" ou "Deus supremo", o princípio de tudo.
♠"Eu sou alma e minha essência é divina": O neoplatonismo ensina que a alma humana participa da natureza divina e, através da meditação e espiritualidade, pode se aproximar do Uno.
♠"Eu sou o resultado de uma hierarquia de luz": Eles concebiam a realidade como uma emanação em camadas: o Uno, o Nous (intelecto/razão) e a Alma do Mundo. A alma humana se eleva ao retornar à razão e à contemplação divina.
♠"Eu sou um ser em processo de retorno (epistrophé)": O objetivo do homem é desapegar-se do mundo material (o ponto mais distante e "escuro" da emanação) e ascender de volta à unidade divina.
O Neoplatinismo tinha várias correntes de Pensamentos
►Escola de Alexandria (Precursora e Início)
Fundador: Amônio Sacas (século II-III d.C.), considerado o "pai" do neoplatonismo.
Características: Mistura de platonismo, neopitagorismo e misticismo.
Representantes: Plotino (que depois fundou sua própria escola), Orígenes (o pagão) e Longino.
►Escola Romana (O Núcleo Sistematizador)
Fundador: Plotino (204–270 d.C.), o pensador mais proeminente que organizou o sistema do "Uno", intelecto e alma, descrito em suas Enéadas.
Representante Principal: Porfírio (discípulo de Plotino), responsável por organizar as obras do mestre e introduzir forte interesse na lógica aristotélica.
►Escola Siríaca ou Síria (Neoplatonismo Místico)
Fundador: Jâmblico (aprox. 245–325 d.C.), discípulo de Porfírio.
Características: Introduziu um caráter mais teúrgico (mágico/religioso) ao neoplatonismo, aumentando o número de intermediários entre o "Uno" e o mundo material.
►Escola de Atenas (O Neoplatonismo Tardo-Antigo)
Fundador: Plutarco de Atenas (não confundir com Plutarco de Queroneia).
Representantes principais: Proclo (412–485 d.C.), considerado o maior sistematizador do neoplatonismo final, Damáscio e Simplício.
Fim: A escola foi oficialmente fechada pelo imperador Justiniano em 529 d.C..
Outros Representantes e Escolas Influentes
►Hipácia de Alexandria: Filósofa e matemática renomada que lecionou em Alexandria.
►Neoplatonismo Cristão/Patrística: Embora não seja uma "escola" neoplatônica pura, Santo Agostinho de Hipona absorveu profundamente o pensamento neoplatônico (especialmente Plotino) antes e durante sua conversão.
Resumo das Nuances
►Plotino: Foco na elevação da alma (contemplação).
►Porfírio: Foco na lógica e interpretação.
►Jâmblico: Foco na teurgia (rituais de elevação).
►Proclo: Foco na sistematização teológica.

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