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terça-feira, 7 de abril de 2026

BIBLIOTECA DE NAG HAMMADI


 

Os manuscritos de Nag Hammadi, também conhecidos como a Biblioteca de Nag Hammadi, são uma coleção de 13 códices de papiro encadernados em couro que revolucionaram nossa compreensão do cristianismo primitivo e do Gnosticismo.

Foram encontrados em dezembro de 1945 por um camponês egípcio chamado Mohammed Ali Samman, róximo à cidade de Nag Hammadi, no Alto Egito, dentro de uma jarra de barro selada e enterrada ao pé de uma falésia.

Estima-se que os manuscritos físicos foram produzidos em meados do século IV d.C. (aprox. 350 d.C.), embora os textos originais que eles traduzem possam datar dos séculos II ou III.

Estão escritos em copta (o estágio final da língua egípcia, usando o alfabeto grego), sendo provavelmente traduções de originais em grego.

A coleção compreende 52 textos em sua maioria gnósticos, incluindo escritos que antes eram conhecidos apenas por menções de seus detratores (os "caçadores de heresias" da Igreja primitiva). 

Textos famosos como o Evangelho de Tomé (que contém 114 ditos atribuídos a Jesus), o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade.

Incluem diálogos filosóficos, apocalipses e até uma tradução/adaptação parcial de A República de Platão.

Contém três trabalhos pertencentes ao Corpus Hermeticum. 

Acredita-se (mas não há certeza) que os manuscritos foram enterrados por monges do mosteiro de São Pacômio por volta do ano 367 d.C.. Isso provavelmente ocorreu após o bispo Atanásio de Alexandria emitir uma carta pascal definindo o cânone estrito do Novo Testamento e ordenando a destruição de livros considerados "heréticos" ou "apócrifos".

Diferente dos Manuscritos do Mar Morto (que focam no judaísmo do Segundo Templo), a Biblioteca de Nag Hammadi fornece acesso direto às vozes do cristianismo gnóstico, permitindo aos historiadores reavaliar a diversidade de crenças nos primeiros séculos da era cristã.


Por que Estes Textos foram Excluídos?

Datação Tardia: Muitos foram escritos no século II d.C. ou depois, muito tempo após a morte dos apóstolos, tornando sua autenticidade duvidosa.

Conteúdo Gnóstico: A maioria apresentava ensinamentos gnósticos, que enfatizavam um conhecimento secreto e a salvação pela compreensão interior, em contraste com a fé baseada na morte e ressurreição de Cristo.

Contradições Teológicas: Relatos sobre a vida e a natureza de Jesus frequentemente contradiziam os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Falta de Aceitação Geral: Não eram considerados inspirados por Deus pela maioria das comunidades cristãs primitivas. 

Quando o imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo no ano 312, ele quis usar este ato como uma forma de unificar seus fragmentados domínios territoriais.

Por isso, buscou-se padronizar as doutrinas cristãs e criar um cânone a partir das escrituras do Novo Testamento. Assim, as escrituras apócrifas foram separadas e até mesmo suprimidas. A grande maioria simplesmente deixou de ser reproduzida.

Ao fim do século 4, os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João foram aceitos amplamente como parte integral dos 27 textos que constituem o Novo Testamento, que, junto com o Velho Testamento, formam o cânone das escrituras cristãs sagradas.

O evangelho de Mateus enfatiza a descendência nobre de Jesus e a remonta até Abraão. Acredita-se que o primeiro evangelho tenha sido o de Marcos, escrito entre os anos 65 e 75 D.C.

Os evangelhos de Lucas e Mateus se basearam neste texto. O evangelho de Lucas foi escrito para convertidos não judeus e rastreia a genealogia de Jesus até Adão, fazendo dele uma figura universal.


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