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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

CIDADES SUMERIANAS

 


Na minha última pesquisa que fiz as bibliotecas; Adelpha Figueredo (Bairro do Pari), Biblioteca Cassiano Ricardo e Hans Christian Andersen (Tatuapé), Biblioteca Mário de Andrade (Anhangabaú) e Biblioteca Centro Cultural (Vergueiro), encontrei um total de 112 cidades por toda região da antiga Suméria.

Fiz as pesquisas, dividindo a região por; Baixa Mesopotâmia e Alta Mesopotâmia.


© Baixa Mesopotâmia: A Baixa Mesopotâmia é a região sul da Mesopotâmia, atual Iraque, caracterizada por terras férteis irrigadas pelos rios Tigre e Eufrates, onde floresceram as civilizações da Suméria e Babilônia, desenvolvendo agricultura de irrigação, comércio e cidades-estados, com uma sociedade hierárquica e uma religião politeísta, sendo um berço fundamental das primeiras civilizações orientais. Também habitada por outros povos como Acádios, Amoritas, Assírios e Caldeus, que deixaram sua marca cultural e política. 

Obs: Na listagem não coloquei a cidade da Acádia, isso por causa da forte conexão que esta cidade tem com o povo semita Acádio. Contudo, a cidade da Acádia foi fundada pelos Sumérios, e quem morava na Acádia, era acadiano. O povo semita que morava na Acádia conquistou as outras cidades, isso acontecia o tempo todo. Mas isso é coisa para outra matéria.


© Alta Mesopotâmia: A Alta Mesopotâmia ou Mesopotâmia Superior é a região montanhosa e de planaltos ao norte do Iraque, Síria e Turquia, caracterizada por terras menos férteis em comparação com o sul (Baixa Mesopotâmia), mas com vales férteis, sendo o lar dos assírios e berço de cidades como Assur e Nínive, e fundamental para o controle das nascentes dos rios Tigre e Eufrates. 

É uma área de planaltos ondulados, com colinas de calcário e ricos vales, cortados por rios como o Khabur. Faz a conexão com as montanhas Zagros e Eufrates, de onde nascem os grandes rios. Sua posição estratégica a tornava crucial para o controle das águas e rotas comerciais, sendo um "celeiro" na parte síria. 


Por ser muitas cidades, procurei com diligência, colocar somente 19 cidades, as principais, as mais conhecidas pelos estudantes de história e arqueologia.


AKSHAK

Akshak (ou Aquesaque) foi uma importante cidade da antiga Suméria, localizada na fronteira norte da Acádia, na região da Mesopotâmia (atual Iraque). 

Abaixo estão os fatos principais sobre a cidade:

Localização: Situava-se próxima ao Rio Tigre, onde este se aproxima mais do Rio Eufrates. Embora sua localização exata seja incerta, historiadores a associam frequentemente à cidade babilônica de Upi (Opis, em grego), possivelmente perto do Rio Diala.

Importância Histórica: Akshak foi uma das cidades que deteve a hegemonia sobre a Suméria durante o Período Dinástico Inicial III. Segundo a Lista de Reis Sumérios, seis reis de Akshak governaram a região por cerca de 99 anos antes da soberania passar para a cidade de Quis.

Conflitos: A cidade esteve envolvida em guerras frequentes com outras cidades-estado, como Lagash e Uruk. O rei Eanatum de Lagash afirmou ter derrotado o rei Zuzu de Akshak por volta de 2450 a.C..

Governantes conhecidos: Entre os reis listados estão Unzi, Undalulu, Urur, Puzur-Nira, Isu-Il e Shu-Sin. 

A cidade desapareceu dos registros históricos proeminentes após a ascensão do Império Acadiano de Sargão, o Grande, que unificou a região.


BABEL

A etimologia de Babel é complexa, vindo do acadiano Bāb-ilim ("Porta de Deus"), mas popularmente interpretada na Bíblia através do hebraico bālal ("confundir"), devido à história da Torre de Babel onde Deus confundiu as línguas humanas, transformando a palavra em sinônimo de confusão, desordem e multiplicidade de línguas. 

Origens e Significados:

Acadiano (Original): Bāb-ilim, significando "Porta de Deus" ou "Portão de Deus", referindo-se à cidade da Babilônia.

Hebraico (Popular): A história bíblica (Gênesis 11) faz um jogo de palavras com o verbo hebraico bālal (בָּלַל), que significa "misturar" ou "confundir". 

Evolução do Significado:

A narrativa bíblica atribui o nome "Babel" à confusão de línguas causada por Deus, resultando em caos, desordem, algazarra e diversas vozes/línguas.

Assim, a palavra transcendeu o nome da cidade para se tornar um termo genérico para qualquer situação de grande confusão linguística ou tumulto. 

Em resumo, Babel tem uma origem que significa "Porta de Deus", mas sua fama e o significado popular derivam da associação hebraica com o ato de "confundir" línguas, conforme descrito na Bíblia. 


BAD TIBIRA

Bad-tibira (em sumério: 𒂦𒁾𒉄𒆠, bad₃-tibira ki) foi uma antiga e proeminente cidade-estado suméria, hoje um sítio arqueológico conhecido como Tell al-Madineh (ou Tell Madineh/Tell al-Mada'in) no sul do Iraque. O nome da cidade pode ser traduzido como "Muro dos Trabalhadores de Cobre" ou "Fortaleza dos Ferreiros", refletindo sua importância como um centro de metalurgia na antiguidade. 

Pontos Chave

Mítica e Antediluviana: A cidade é notavelmente listada na "Lista de Reis Sumérios" como a segunda cidade a "exercer a realeza" em Sumer antes do Grande Dilúvio, seguindo Eridu.

Reis Lendários: De acordo com a lista, três reis míticos governaram Bad-tibira por vastos períodos de tempo antes que a realeza passasse para a cidade de Larag. Um desses reis foi Dumuzid, o Pastor (Tammuz em acádio), uma figura central na mitologia suméria.

Centro Religioso: O principal deus da cidade era Dumuzid, o deus da fertilidade e do pastoreio, consorte da deusa Inanna/Ishtar. O templo da cidade, o E-mush-kalamma, é mencionado no poema épico "A Descida de Inanna ao Submundo".

Importância Histórica: Embora mais conhecida por seu papel mitológico, Bad-tibira teve importância histórica real, com reis de cidades como Larsa e Isin reconstruindo seus muros e templos em períodos posteriores. O controle da cidade frequentemente oscilava entre essas potências rivais.

Arqueologia: O local moderno, Tell al-Madineh, está situado na província de Dhi Qar, no Iraque, entre as cidades de Ash Shatrah e Tell as-Senkereh. Fragmentos de tijolos vitrificados no local atestam que a cidade sofreu uma terrível destruição por fogo por volta de 1500 a.C.


BORSIPA

Borsippa (sumério: Bad-si-a-ab-ba; acadiano: Barsip), conhecida hoje como Birs Nimrud, foi uma influente cidade da antiga Suméria e Babilônia, situada cerca de 18 km a sudoeste da Babilônia, na província de Babil, no atual Iraque. 

Os principais aspectos históricos e arqueológicos de 2026 incluem:

O Zigurate de Birs Nimrud: É um dos vestígios mais impressionantes da Mesopotâmia. Frequentemente confundido por viajantes antigos com a Torre de Babel, este zigurate era na verdade o "E-ur-imimin-an-ki" ("Templo das sete diretrizes do céu e da terra"), dedicado ao deus Nabu.

Significância Religiosa: Borsippa era considerada a "cidade irmã" da Babilônia. Enquanto a Babilônia era o centro político e morada de Marduque, Borsippa era o centro religioso dedicado a seu filho, Nabu, o deus da escrita e da sabedoria. Durante as celebrações do Ano Novo (Akitu), a estátua de Nabu era levada em procissão da Babilônia até o seu templo em Borsippa, o Ezida.

Educação e Literatura: A cidade era um centro renomado de aprendizado. Muitas bibliotecas de tabletes de argila foram encontradas em suas ruínas, contendo textos astronômicos, médicos e literários que foram fundamentais para o conhecimento moderno sobre a cultura babilônica.

Visitação em 2026: O local permanece um destino arqueológico chave no Iraque, sendo rotineiramente visitado por turistas que exploram o complexo da Babilônia devido à sua proximidade e ao estado de preservação de suas ruínas. 

A cidade manteve sua importância até o período helenístico, declinando gradualmente após a conquista islâmica da região.


DER

Der (em sumério: uruBAD.ANki) foi uma cidade-estado da antiga Suméria situada no atual sítio arqueológico de Tell Aqar, próximo a al-Badra, na província de Wasit, Iraque. Localizava-se a leste do Rio Tigre, na zona de fronteira entre a Suméria e o Elão. 

História e Relevância

Período de Ocupação: A cidade foi habitada desde o Período Dinástico Precoce até os tempos neoassírios.

Papel Político: Durante o reinado de Shulgi (Terceira Dinastia de Ur), Der é mencionada como tendo seu templo restaurado no 11º ano e sendo destruída no 21º ano de seu governo. Posteriormente, foi alvo de campanhas militares de reis de Larsa e da Babilônia.

Relação com Elão: Devido à sua localização estratégica, Der serviu frequentemente como um ponto de conflito ou diplomacia entre as potências da Mesopotâmia e o vizinho Elão. 

Religião e Divindades

Cidade de Anu: Assim como Uruk, Der detinha o título de "Cidade de Anu", o deus sumério do céu e pai dos deuses.

Divindade Patrona: O deus principal local era Ishtaran, cujo templo se chamava Edimgalkalama. No primeiro milênio a.C., Ishtaran passou a ser referido como Anu rabû ("Grande Anu").

Iconografia: Ishtaran era frequentemente representado na Terra pelo deus-serpente Nirah. 

Arqueologia

Embora Tell Aqar seja identificado como o local de Der, o sítio nunca foi extensivamente escavado devido aos danos significativos causados por inundações ao longo dos séculos. A confirmação do nome do local veio de objetos encontrados nas proximidades, como um kudurru (pedra de fronteira) descoberto em Sippar. 


ERIDU

Eridu foi uma das cidades sumérias mais antigas e importantes, considerada pelos antigos mesopotâmicos a primeira cidade do mundo, fundada pelos deuses e lar do deus da sabedoria, Enki. Localizada no sul do Iraque, era um centro religioso, com um templo dedicado a Enki (E-Abzu), e figura nos mitos sumérios, como a "Gênese de Eridu", associada ao conceito de paraíso. Arqueologicamente, é um tell com múltiplas camadas de assentamentos desde o 6º milênio a.C., um dos sítios urbanos mais antigos conhecidos. 

Principais características e importância:

Fundação Mítica: Acreditava-se que foi fundada por divindades, recebendo a realeza diretamente do céu.

Centro Religioso: Seu templo a Enki, o E-Abzu, era o coração espiritual da cidade, e Eridu era um local sagrado.

Primeira Cidade: A Lista de Reis Sumérios a descreve como a primeira cidade, um modelo de "era de ouro" e paraíso terrestre, influenciando a narrativa bíblica do Éden.

Arqueologia: Escavações revelaram estruturas de até 7 metros de altura, com templos e zigurates construídos sobrepostos ao longo de milênios, mostrando uma transição de comunidades agrícolas para uma cidade.

Períodos: Ativa desde o Período Ubaid (c. 5400 a.C.), foi um centro importante até ser superada por outras cidades, sendo gradualmente abandonada por volta do século VII a.C., possivelmente por mudanças ambientais. 

Em resumo: Eridu é fundamental para entender as origens da civilização suméria e mesopotâmica, representando tanto uma realidade arqueológica de assentamento antigo quanto um mito de criação e um centro de culto essencial. 


ESHINUNA

Eshnunna (em sumério: 𒄑𒉣𒈾𒆠, Ešnunna; atual Tell Asmar, Iraque) foi uma antiga cidade-estado na região do Vale do Rio Diala, na Mesopotâmia central. Embora estivesse localizada a nordeste da Suméria propriamente dita, a cidade pertencia firmemente à esfera cultural suméria e, mais tarde, acádia e babilônica. 

História e Significado

Períodos de Ocupação: Eshnunna foi habitada desde o período de Jemdet Nasr (c. 3000 a.C.) até sua eventual conquista pelo rei babilônico Hamurabi por volta de 1761 a.C., após a qual entrou em declínio.

Independência e Reino: Após o colapso da Terceira Dinastia de Ur, Eshnunna tornou-se um reino independente e poderoso por conta própria, controlando rotas de comércio valiosas que ligavam a Mesopotâmia ao Elão e outras regiões.

Centro de Comércio: Sua localização estratégica fez dela uma ponte vital para o comércio de bens como cobre, estanho, pedras preciosas e até mesmo artigos exóticos como copal de Zanzibar e contas do Vale do Indo. 

Cultura e Religião

Divindade Patrona: O deus principal da cidade era Tishpak (ou Tišpak), uma divindade associada à guerra e, por vezes, a cobras míticas. Outros deuses importantes incluíam Sin, Adad e Inanna.

Artefatos Notáveis: Escavações na década de 1930 revelaram o Tesouro de Tell Asmar (Tell Asmar Hoard), uma coleção de doze estátuas votivas sumérias em gesso e calcário, com olhos grandes e incrustados, que representavam adoradores em oração perpétua no templo. 

Obras Legais

As "Leis de Eshnunna": A cidade é mais famosa por um conjunto de aproximadamente 60 leis cuneiformes, conhecidas como as "Leis de Eshnunna". Datadas do século XVIII a.C. (ou possivelmente do final do século XIX a.C.), essas leis antecedem o famoso Código de Hamurabi e fornecem detalhes valiosos sobre a organização social, econômica e jurídica da antiga Mesopotâmia, abordando temas como roubo, lesões corporais e responsabilidades econômicas. 

Arqueologia

O sítio arqueológico, hoje chamado Tell Asmar, foi escavado extensivamente pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, liderado por Henri Frankfort, nas décadas de 1930. As escavações revelaram palácios, templos (como o Templo de Inanna) e até mesmo exemplos primitivos de engenharia de esgoto e banheiros em residências privadas.


GIRSU

Girsu (atual Tell Telloh, Iraque) foi uma cidade-estado suméria crucial, centro religioso do reino de Lagash, dedicada ao deus Ningirsu, famosa por templos como o E-ninnu, descobertas de estátuas de Gudea e milhares de tabuinhas cuneiformes, revelando inovações sumérias como escrita, irrigação e urbanismo, sendo fundamental para entender a civilização suméria. 

Principais Características:

Centro Religioso: Era o polo sagrado de Lagash, com templos importantes para Ningirsu (E-ninnu) e sua esposa Bau.

Descobertas Arqueológicas: Escavações desde o século XIX revelaram monumentos, como o antigo templo e o que pode ser a ponte de tijolos mais antiga do mundo, além de estátuas de Gudea.

Tabuinhas Cuneiformes: Milhares de tabuinhas encontradas detalham a vida econômica, legal e religiosa, sendo cruciais para o conhecimento da Suméria.

Importância Cultural: As estátuas de Gudea causaram sensação mundial e a cidade é vital para o estudo da formação das primeiras cidades-estados sumérias.

Períodos: Existiu desde o Período Ubaid (c. 5000 a.C.) até cerca de 200 d.C., florescendo no Período Dinástico Arcaico (c. 2900-2335 a.C.). 

Localização:

Situava-se a aproximadamente 25 km a noroeste de Lagash, no sul do Iraque moderno, na província de Dhi Qar, no local conhecido como Tell Telloh (ou Tello). 

Projeto Atual:

O Projeto Girsu, do Museu Britânico, continua as escavações e esforços de conservação, usando abordagens interdisciplinares para reanalisar a história de Girsu. 


ISIN

Isin foi uma importante cidade-estado da antiga Mesopotâmia que assumiu o protagonismo político na região após a queda da Terceira Dinastia de Ur (Ur III), por volta de 2004 a.C.. 

Principais Características de Isin

Fundação da Dinastia: A primeira dinastia de Isin foi fundada por Ishbi-Erra, um antigo oficial de Ur que se tornou independente e expulsou os elamitas da região.

Continuidade Cultural: Seus reis se viam como sucessores legítimos da herança suméria. Embora fossem falantes de acádio, mantiveram o sumério como língua oficial na administração, literatura e rituais religiosos.

Legado Jurídico: O rei Lipit-Ishtar (c. 1934–1924 a.C.) é famoso por promulgar um código de leis escrito em sumério que precedeu o Código de Hamurábi.

Período Isin-Larsa: A história de Isin é frequentemente agrupada com a de sua rival, Larsa, no chamado Período de Isin-Larsa (c. 2025–1763 a.C.), marcado por disputas territoriais e de recursos hídricos.

Centro Religioso: Isin era o centro de culto da deusa Gula (ou Ninisinna), a divindade da cura. 

Declínio

A hegemonia de Isin terminou quando a cidade foi conquistada por Rim-Sin I de Larsa, por volta de 1793 a.C., sendo posteriormente absorvida pelo Império Babilônico sob o comando de Hamurábi.


KISH

Kish foi uma cidade-estado suméria proeminente na antiga Mesopotâmia, perto da moderna Tell al-Uhaymir, no Iraque, famosa por ser considerada a primeira capital dos sumérios e a primeira cidade fundada após o Dilúvio em suas lendas, com reis que se autodenominavam "reis do mundo inteiro". Foi um centro político, econômico e religioso importante no Período Dinástico Arcaico, rivalizando com outras cidades como Uruk e Ur, e mais tarde foi conquistada por Sargon da Acádia, que a usou como base para seu império, antes de se tornar um centro cultural e de aprendizado por séculos. 

Principais Pontos sobre Kish:

Localização: Próximo a Tell al-Uhaymir, no atual Iraque, a cerca de 80 km ao sul de Bagdá.

Importância Histórica: Ocupada desde o período Ubaid (cerca de 5300-4300 a.C.), tornou-se uma das maiores potências da região no Período Dinástico Arcaico (c. 2900-2300 a.C.).

Lendas e Realeza: A Lista Real Suméria a descreve como a primeira cidade com reis após o Dilúvio, com monarcas como Gishor e a rainha Kubaba, e seus governantes adotavam o título de "Rei de Kish" para simbolizar poder.

Rivalidades: Há registros de rivalidades com Uruk, como na epopeia de Gilgamesh e Aga, e Kish teve um papel crucial na ascensão de Sargon da Acádia, que a tomou e a usou como ponto de partida para o primeiro império mundial.

Legado Arqueológico: Escavações revelaram zigurates, palácios reais e vestígios de uma rica cultura, embora sua identidade exata tenha sido um mistério por muito tempo. 

Kish na Cultura Suméria:

Centro de Poder: Era um centro de prestígio, e o título "Rei de Kish" era buscado por outros reis para legitimar seu domínio.

Influência Semítica: A cidade mostrava fortes elementos semíticos orientais, com um dialeto próprio, o Kishita, sugerindo uma interação complexa com os sumérios e acádios.

Declínio: Após o Império Acadiano, Kish continuou a ser importante, mas foi gradualmente ofuscada por Babilônia, sendo totalmente abandonada por volta do século VI d.C.


LAGASH

Lagash (ou Lagaš) foi uma das mais antigas e importantes cidades-estado da civilização suméria, no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), conhecida por suas descobertas arqueológicas como a "taberna" de 5 mil anos e seus templos, sendo um centro urbano crucial do mundo antigo, com registros que datam do Período Ubaid (c. 5200-3500 a.C.) até a Idade do Bronze, e hoje suas ruínas são o sítio arqueológico de Tell al-Hiba. 

Principais Características e História:

Localização: Situava-se no noroeste dos rios Tigre e Eufrates, uma região fértil para a agricultura suméria.

Cidade-Estado: Era uma das principais cidades-estado da Suméria, junto com Uruk, Ur e Nippur, formando uma rede urbana complexa.

Períodos de Ocupação: Fundada no Período Ubaid, foi habitada até a era Parta (247 a.C. - 224 d.C.), mas seu auge foi na Mesopotâmia Primitiva e Idade do Bronze.

Centros Urbanos: Lagash era composta por vários centros, incluindo a própria Lagash (Tell al-Hiba), Girsu (Tello) e Niĝin (Tell Zurghul).

Governo: Seus governantes se chamavam "reis" (lugal) e a cidade foi parte de impérios como o de Ur.

Religião e Cultura: Possuía templos importantes, como o Eninnu, e é famosa por monumentos como a Estela dos Abutres e o Vaso de Prata de Entemena, que celebram vitórias militares.

Descobertas Recentes: Escavações recentes revelaram uma "taberna" de 5 mil anos com bancos, fornos e vestígios de comida e cerveja, indicando um local de refeições para pessoas comuns. 

Importância:

Lagash foi fundamental para entender a vida urbana, a organização social e a cultura religiosa da Suméria, sendo um dos primeiros centros urbanos do mundo e uma das cidades mais antigas da história. 


LARSA

Larsa (em sumério: UD.UNUG) foi uma importante cidade-estado da antiga Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia (atual província de Dhi Qar, Iraque), perto da cidade de Uruk.Serviu como um importante centro religioso e político por quase 5.000 anos, atingindo seu auge no início do segundo milênio a.C. 

Principais fases históricas

Significado religioso: Larsa era o principal centro de culto do deus sol Utu (em acádio: Shamash). Seu templo, E-babbar ("Casa Brilhante"), era um ponto central da vida espiritual mesopotâmica.

Período Isin-Larsa (c. 2025–1763 a.C.): Após o colapso da Terceira Dinastia de Ur, Larsa tornou-se uma potência dominante. A cidade conquistou a independência da cidade rival de Isin sob o reinado de Gungunum (c. 1932–1906 a.C.), que se apoderou da cidade sagrada de Ur e desviou canais de água vitais para enfraquecer Isin.

Auge e Queda: Larsa atingiu seu poder máximo sob o reinado de Rim-Sin I (r. 1822–1763 a.C.), o monarca com o reinado mais longo da história da Mesopotâmia. Ele conquistou Isin em 1794 a.C., mas acabou sendo derrotado e capturado por Hamurabi da Babilônia em 1763 a.C., marcando a ascensão do Primeiro Império Babilônico. 

Contribuições Econômicas e Culturais

Centro Comercial: Larsa aproveitou sua localização próxima ao Golfo Pérsico para controlar rotas comerciais lucrativas, trocando lã e prata por marfim, peles e óleos do Vale do Indo e de Dilmun (Bahrein).

Matemática: A cidade é uma famosa fonte de tabuletas matemáticas cuneiformes, principalmente a tabuleta Plimpton 322 , que demonstra uma compreensão avançada de ternas pitagóricas e trigonometria há quase 4.000 anos.

Infraestrutura: Estudos arqueológicos revelaram uma enorme muralha da cidade com 5 quilômetros de extensão, uma sofisticada rede de canais internos e um porto ligado aos rios Tigre e Eufrates. 

Sítio Arqueológico

As ruínas de Larsa, hoje conhecidas como Tell as-Senkereh , cobrem aproximadamente 200 hectares. Escavações científicas, lideradas principalmente por equipes francesas desde 1933, revelaram templos, um palácio de Nur-Adad e arquivos que detalham os complexos sistemas jurídicos e econômicos da cidade. 


ME TURAN

Me-Turan (também conhecida como Mê-Turnat) foi uma antiga cidade da Mesopotâmia localizada no vale do rio Diala, no atual Iraque. O local arqueológico compreende os montículos modernos de Tell Haddad e Tell al-Sib. 

Principais características históricas e arqueológicas:

Cronologia: Foi ocupada desde o período Isin-Larsa (início do 2º milênio a.C.) até o período Neoassírio (século VII a.C.).

Significância Política: No período Paleobabilônico, Me-Turan serviu como um centro administrativo regional sob o controle do reino de Eshnunna, antes de ser conquistada pela Babilônia.

Descobertas Literárias: Escavações realizadas entre 1978 e 1984 revelaram cerca de 1.000 tabletes de argila. Entre eles, foram encontrados fragmentos importantes de literatura suméria, incluindo versões do Epopeia de Gilgamesh (Gilgamesh e o Touro do Céu) e textos das Leis de Eshnunna.

Religião e Cultura: No período Neoassírio, a cidade abrigava um grande templo chamado E-šahulla, dedicado ao deus Nergal, reconstruído pelo rei Assurbanípal. Tabletes encontrados em residências sugerem um ambiente intelectual e acadêmico, com textos médicos e rituais de proteção contra doenças.

Estado Atual: O local foi escavado como parte de um projeto de salvamento antes da construção da Barragem de Hamrin, e grande parte da área foi inundada após a conclusão dos trabalhos em 1984. 

Nota: Não confundir com o termo geográfico "Turan", que se refere a uma região histórica da Ásia Central na mitologia e história iraniana. 


NIPPUR

Nippur é um dos sítios arqueológicos mais importantes da antiga Mesopotâmia, localizado a cerca de 5 a 8 quilômetros ao norte da cidade moderna de Afak (ou Afaq), na província de Al-Qadisiyah, Iraque. 

Destaques Históricos e Geográficos:

Localização: Situada aproximadamente 160 km a sudeste de Bagdá e 100 km a sudeste da antiga Babilônia. Hoje, os restos da cidade formam um complexo de colinas conhecidas localmente como Nuffar.

Significado Religioso: Diferente de outras cidades sumérias, Nippur não era uma capital política, mas sim o centro religioso supremo da Suméria e Acádia. Era a sede do culto a Enlil, o deus soberano do cosmos, cujo templo era chamado de E-kur.

Antiguidade: O assentamento no local remonta ao período Ubaid (c. 5.000 a.C.) e permaneceu habitado por mais de 6.000 anos, até cerca de 800 d.C..

Importância Cultural: Escavações revelaram milhares de tabuletas de argila com escrita cuneiforme, incluindo o mapa de cidade mais antigo conhecido e textos literários fundamentais, como versões da história do dilúvio. 

Atualmente, o sítio de Nippur está na lista indicativa para se tornar um Patrimônio Mundial da UNESCO.


SHURUPAK

Shuruppak (modern Tell Fara, Iraq) foi uma importante cidade-estado suméria, famosa na mitologia como o local do Grande Dilúvio, de onde o herói Ziusudra (o equivalente sumério de Noé) sobreviveu, e como a fonte das "Instruções de Shuruppak", um texto de sabedoria atribuído a seu rei. Era dedicada à deusa Ninlil (Sud), deus do ar e dos grãos, e foi um centro administrativo e econômico, com rica documentação arqueológica encontrada em suas escavações. 

Principais Aspectos:

Localização: Sul do Iraque, a cerca de 55 km ao sul de Nippur, às margens do Eufrates.

Significado Mitológico: Cenário do Dilúvio (similar ao de Gilgamesh e da Bíblia), com Ziusudra sendo o sobrevivente instruído pelos deuses a construir uma arca, conforme narrado nas Instruções.

Literatura: Casa das "Instruções de Shuruppak", um dos mais antigos textos de sabedoria conhecidos, contendo conselhos morais e práticos.

Arqueologia: Escavações revelaram documentos administrativos, incluindo registros de trabalhadores, animais e terras, destacando sua importância econômica.

Período Fara: O Período Dinástico Arcaico IIIa também é conhecido como Período Fara, em referência a Shuruppak. 

Em resumo, Shuruppak é fundamental para entender tanto a história administrativa quanto a rica mitologia e literatura da antiga Mesopotâmia suméria, especialmente sua versão do mito do dilúvio universal. 


SIPPAR

Sippar (em sumério: Zimbir, que significa "cidade dos pássaros") foi uma antiga e importante cidade-estado da Mesopotâmia, localizada na margem leste do Rio Eufrates, no atual Iraque (sítio de Tell Abu Habbah). A cidade foi um centro religioso e cultural significativo em diferentes períodos, incluindo o sumério e, posteriormente, o babilônico e neo-babilônico. 

Importância e Contexto Histórico

Centro de Culto Principal: Sippar era o principal centro de culto do deus Sol, conhecido como Utu em sumério e Shamash em acádio. O templo principal da cidade, dedicado a esta divindade, era chamado E-babbara ("Casa Brilhante").

Deus da Justiça: Shamash era também o deus da justiça. A famosa estela com o Código de Hamurabi foi provavelmente erguida em Sippar, onde o rei Hamurabi é mostrado recebendo a autoridade de Shamash no topo do monumento.

Registros Antigos: A "Lista de Reis Sumérios" menciona um governante de Sippar, En-men-dur-ana, como um dos reis antediluvianos lendários, que supostamente reinou por 21.000 anos. Contos mitológicos sugerem que registros do mundo antes do Dilúvio foram enterrados em Sippar.

Centro de Arquivos: Milhares de tábuas de argila cuneiformes, abrangendo textos legais, administrativos e literários, foram recuperadas no local, fornecendo uma visão inestimável da vida e da lei na antiga Mesopotâmia, especialmente durante os períodos babilônico antigo e neo-babilônico.

Mapeamento Antigo: O artefato conhecido como o "Mapa do Mundo Babilônico" (Imago Mundi), a representação cartográfica mais antiga conhecida do mundo, foi descoberto em Sippar e data do século VI a.C.. 

Localização

Sippar estava localizada a aproximadamente 60 km ao norte da Babilônia e 30 km a sudoeste de Bagdá moderna, na província de Babil, no Iraque. Era uma cidade-gêmea, emparelhada com Sippar-Amnanum (atual Tell ed-Der), situada na margem oposta do Eufrates.


UMMA

Umma (em sumério: 𒄑𒆵𒆠, ummaki) foi uma importante cidade-estado da antiga Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia (atual província de Dhi Qar, no Iraque). Identificada arqueologicamente como Tell Jokha, a cidade floresceu principalmente no 3º milênio a.C.. 

Contexto Histórico e Conflitos

Umma é historicamente célebre por sua rivalidade milenar com a vizinha Lagash. 

Guerra de Fronteira: As duas cidades disputaram durante gerações a posse de Gu-Edin, uma região agrícola extremamente fértil entre seus territórios.

Primeira Guerra Registrada: Este conflito é considerado por historiadores como a primeira guerra detalhadamente documentada da humanidade, imortalizada na Estela dos Abutres, que celebra a vitória de Eannatum de Lagash sobre Umma por volta de 2450 a.C..

Ascensão de Lugalzagesi: Por volta de 2350 a.C., o rei Lugalzagesi de Umma conseguiu subjugar Lagash e unificar quase todas as cidades sumérias, tornando-se o último grande monarca sumério antes da conquista pelo Império Acádio de Sargão, o Grande. 

Religião e Administração

Divindade Patrona: O deus principal de Umma era Shara, deus da guerra e patrono da cidade.

Economia e Burocracia: Sob a Terceira Dinastia de Ur (Ur III), Umma tornou-se um vital centro administrativo provincial. Milhares de tábuas de argila cuneiformes recuperadas no site revelam um sofisticado sistema burocrático focado na gestão de agricultura, mão de obra e economia dos templos.

Calendário: O calendário de Umma utilizado no reinado de Shulgi serviu de base para o posterior calendário babilônico. 

Arqueologia Atual

O sítio arqueológico de Tell Jokha abrange uma área de aproximadamente 400 hectares. Recentemente, escavações realizadas pelo Instituto Arqueológico e Histórico Eslovaco (SAHI) em cooperação com o Iraque focaram no Templo de Shara. Infelizmente, o local sofreu danos significativos devido a saques intensos, especialmente após a invasão do Iraque em 2003. 


UR

A etimologia de Ur, a antiga cidade-estado suméria localizada no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), tem origens no sumério antigo e no acádio, com variações em seu significado. 

Aqui estão os pontos principais da etimologia e significado de Ur:

Nome Sumério Original: A cidade era conhecida em sumério como Urim ou Urim5ki.

"Habitação/Cidade": Deriva do termo sumério ur ou uru, que significa "cidade", "vila" ou "assentamento". Outra interpretação, baseada em Unugki, sugere "a morada de Nanna" (deus da lua).

"Luz": Frequentemente associada à palavra hebraica/semítica ʾÛr, que significa "luz" ou "fogo", possivelmente relacionada ao culto do deus da lua (Nanna/Sin) que lá se realizava.

"Ur dos Caldeus" (Bíblia): A expressão hebraica Ur Kasdim (אוּר כַּשְׂדִּים) é usada na Bíblia para referir-se à cidade de origem do patriarca Abraão.

Confusão com Uruk: Embora compartilhem raízes, Ur (Urim) é distinta da cidade de Uruk (Unug), sendo Ur uma cidade mais ao sul, perto da foz do Eufrates. 

Contexto Histórico:

Ur foi uma das cidades-estado mais importantes da antiga Suméria, atingindo seu auge por volta de 2.000 a.C. com a Terceira Dinastia de Ur (o Império Neossumério), marcada pelo grande zigurate dedicado ao deus Nanna. 


URUK

A etimologia de Uruk remonta às línguas da antiga Mesopotâmia, evoluindo do sumério para o acadiano e influenciando línguas posteriores. Aqui estão os pontos principais sobre a origem do nome: Origem Suméria (Unug): O nome original em sumério era Unug (escrito cuneiforme: 𒀕 ou UNUG\({}^{k}i\)). Acredita-se que este termo significasse "moradia", "sítio", "local" ou "assento", referindo-se comumente à morada terrena de uma divindade.Evolução para o Acadiano (Uruk): O nome foi adaptado para a língua acadiana (semítica) como Uruk.Significado e "Falsa Etimologia": Embora o termo acadiano "Uruk" soe semelhante a uru (palavra suméria para "cidade"), estudiosos indicam que Unug (sumério) e Uru (cidade) são raízes diferentes. No entanto, é possível que uma "etimologia popular" antiga tenha associado Unug a Uru, transformando-o em Uruk.Derivações Bíblicas e Modernas:Erech (Ereque): A cidade é referida na Bíblia (Gênesis 10:10) como Erech, uma adaptação do nome sumério/acadiano.Warka: O nome moderno do sítio arqueológico, no Iraque, é Warka, derivado diretamente da pronúncia antiga.Iraque: Acredita-se que o nome do moderno país, Iraque (Al-Iraq), seja uma derivação do nome da antiga cidade de Uruk. Em resumo, Uruk é a versão acadiana do sumério Unug, significando "moradia" ou "assento" (sagrado), e é um dos nomes de cidades mais antigos e influentes da história da civilização. 



MONTE ZAGROS



É o nome de uma cordilheira, sendo a maior cordilheira de montanhas do Irã e Iraque

A etimologia do nome Zagros (a maior cadeia de montanhas do Irã) é incerta, mas as teorias mais aceitas ligam-na a raízes Indo-Europeias e a povos antigos que habitavam a região. O termo parece ser uma helenização (versão grega) de um nome local mais antigo. 

Aqui estão as principais vertentes etimológicas:

░ Relacionado aos Sagartianos: A teoria mais aceita sugere que "Zagros" deriva do nome de uma tribo iraniana antiga chamada Sagartianos (ou Zagarthians), que habitavam a região. Acredita-se que o termo persa antigo Asagarta evoluiu para a forma grega Zagrios.

░ Significado Avestano ("Grande Montanha"): Outra teoria aponta para uma raiz na língua Avestana, onde Za-G'R pode ser interpretado como "grande montanha".

░ Origem Grega (Rugoso/Tempestuoso): Alguns estudiosos sugerem que o termo deriva de Zagrios, uma palavra grega usada para descrever a região, possivelmente relacionada a um termo indo-europeu que significa "áspero" ou "rochoso", condizente com o terreno das montanhas.

░ Nomes Históricos: Historicamente, a cadeia também foi conhecida como Esproch ou Esproz (Avestano) e Kor ou Kur (Sumério). 

O nome "Zagros" entrou no uso persa moderno (Farsi) tardiamente, popularizado no final do período Qajar através da tradução de obras europeias. 


A cordilheira dos Montes Zagros, localizada no atual Irã e Iraque, foi o lar e a fronteira de diversos povos antigos, muitos dos quais eram nômades ou pastores que habitavam as encostas, alternando entre as terras altas e baixas (vale da Mesopotâmia). 

Os principais povos que habitaram ou dominaram a região dos Zagros na antiguidade incluíam:

░ Elamitas: Estabeleceram-se no sudoeste do Irã e parte dos Zagros, com Susa como uma de suas principais cidades, sendo uma das civilizações mais antigas da região.

░ Cossaios - Kassites: Povo que viveu na região central de Zagros e, em um determinado momento, conquistou o sul da Mesopotâmia (Babilônia).

░ Guti (Gutianos): Povo nômade das montanhas, conhecido por invadir e influenciar a Mesopotâmia.

░ Lullubi: Um grupo tribal que habitava as terras altas dos Zagros, frequentemente em conflito com os impérios mesopotâmicos.

░ Turukku - Turukkeans - Tukri - Hurritas - Turcos: Povo que habitava as encostas norte da cordilheira.

░ Medos: Povo indo-europeu que se estabeleceu na região da Média, no planalto noroeste do Irã, próximo aos Zagros, desempenhando papel crucial na história persa.

░ Mardos - Amardos ou Amardianos: Povo que vivia nas montanhas Zagros. 


População que Mora Hoje na Região 

░  Lurs - Os Lurs são uma tribo iraniana que habita principalmente os Zagros Central, Ocidental e Meridional. As cidades inibidas por Lurs incluem Khorramabad, Borujerd, Malayer, Izeh , Shahr-e Kord, Yasuj. Os Lurs falam Luri e abrangem muitas províncias do Irã, incluindo Lorestan, Khuzestan, Chaharmahal e Bakthiari, Ilam, Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, e Hamedan.

░  Bakhtiari Lurs - Os Bakhtiaris são uma tribo Lur do Irã , que habita principalmente as regiões Central e Meridional dos Montes Zagros. Entre as principais cidades habitadas pelos Bakhtiaris estão Masjed Soleyman , Izeh e Shahr-e Kord. Um número significativo de Bakhtiaris ainda pratica o pastoreio nômade.

░  Curdos - Os curdos são os habitantes indígenas das cordilheiras Zagros Taurus, no noroeste e no leste, que se estendem pelo sudeste da Turquia, noroeste do Irã, norte do Iraque e norte da Síria. A alta altitude das montanhas Zagros produz uma série de pontos de estrangulamento e vales perfeitos para a agricultura e o desenvolvimento humano. Elas também têm defendido os curdos em tempos de guerra, atuando como uma barreira natural.

░  Qashqai - O povo Qashqai é uma confederação tribal do Irã, predominantemente de origem turca. Populações significativas podem ser encontradas no centro e sul dos Montes Zagros, especialmente ao redor da cidade de Shiraz , na província de Fars.


Características dos Povos de Zagros

Muitos desses grupos eram pastores nômades (como os antepassados dos atuais Qashqai e Bakhtiari) que migravam sazonalmente, buscando pastagens nas terras altas no verão e descendo para as planícies no inverno. Eles são considerados parte das primeiras sociedades agrícolas/pastoris da região, com sítios arqueológicos importantes como Chogha Golan e Ganj Dareh, datados de cerca de 10.000 a.C. (as datas são hipotéticas). 

Além deles, povos mesopotâmicos como assírios e amoritas também ocupavam as áreas ocidentais e de fronteira. 


Monte Zagros em Números

↨ Largura 200 a 300 Km

↨ Altura 4548

↨ Comprimento 1600 Km

↨ Material de Rocha feito de Ardósia, Calcário e Xisto



A EUGENIA NO BRASIL APOIADA PELA IMPRENSA

 


O racismo não teria promovido tantas pessoas no país e no mundo, não fosse o apoio das grandes mídias para levá-lo às massas, afinal como escreveu Jessé Souza "a mídia não produz conhecimento. Ela apenas distribui...".

Com essa distribuição ela conecta as crenças científicas ou ideologias políticas das elites que detém o seu controle com as pessoas mais comuns. Se você tem o controle dos grandes veículos, você domina a narrativa que chega nas casas da maior parte dos brasileiros. Por isso, todos os ditadores tentam silenciar, controlar, censurar ou ocupar a mídia em seus governos.

A discussão sobre o controle das narrativas na imprensa ganhou um novo recorte nos últimos anos, com o pensamento bipartidário que inundou o país, as pessoas passaram a apontar veículos e (principalmente) jornais como militantes de esquerda ou de direita. Com as atenções externas para a dicotomia política, as pessoas deixam passar despercebidas, que uma das maiores tradições dos veículos jornalísticos brasileiros é a defesa e a prática da superioridade numérica branca. Segundo levantamentos do Manchetômetro , atualmente, 96% dos colunistas da Folha são brancos, O Globo tem 91% e o Estadão alcança 99%.

Eu gostaria de acreditar na ocasionalidade desses números, criados pela disparidade da existência de jornalistas negros, não fosse o fato da própria Associação Brasileira de Imprensa e de jornais como O Globo e o Estado de São Paulo (Estadão), foram oficialmente compostos para o projeto racista do movimento eugenista no Brasil, com agradecimentos oficiais no próprio Boletim da Eugenia, na 3ª Edição de 1929 – logo no início da Comissão Central Brasileira de Eugenia.

Apesar das sociedades racistas produzirem publicações próprias, como o Boletim da Eugenia, elas sempre foram as vozes potentes ouvidas por grande parte da sociedade e envolveram nos círculos mais influentes do país – seja na universidade ou na política.

Um dos jornais mais importantes da época, O Jornal do Comércio publicou na edição 46 de 1930 a transcrição da palestra do médico e professor Leonídio Ribeiro, em que ele começa defendendo “uma das maiores conquistas da humanidade seria a de suprimir da superfície da Terra todos os homens incapazes e doentes que na vida das sociedades representam os elementos negativos”

As frequentes publicações de intelectuais que defendiam as teses de classificação racial, importadas pela elite brasileira de Francis Galton, foram lembradas por Renato Kehl, maior divulgador da eugenia brasileira em seu boletim. Para ele, elas eram provas de que existiam na sociedade um interesse na organização desse pensamento. Kehl, entendeu que para seu desejo de implantar a eugenia fosse concluído no país, ele precisaria do maior apoio que pudesse ter da imprensa. Aliás, foi exactamente após o Jornal do Comércio publicar os resultados da sua conferência sobre aquela autodeclarada ciência bio-social que o Doutor conquistou um dos seus maiores aliados, Monteiro Lobato.

A década de 30, parece-me, o período mais intenso de defesa do racismo em nosso país. Pesquisando em bibliotecas digitais e acervos você encontrará consideráveis ​​artigos sobre a higiene da raça ou raça nacional nessa época. Em 1936, O Globo repercutiu, por exemplo, uma discussão sobre a Esterilização que Renato Kehl levantava como solução para impedir a degeneração da “raça brasileira”.

O pai da eugenia era figura recorrente neste jornal que também noticiou o lançamento do seu livro, Tipos Vulgares, em uma nota com vários elogios: “Verificamos que ele escreve com claro e perfeitamente adaptado… Estimulando-nos o espírito de tolerância, o Senhor Renato Kehl nos arma as faculdades de análise.”

Ao passar dos anos as declarações públicas de ideais eugenistas foram se arrefecendo, o que não significa que o racismo diminuiu, apenas se vestiu de novos termos e eufemismos para salvar do país a imagem de uma nação monstruosa, como a revelada na Alemanha. Os termos como “Preservação da Raça” caíram em desuso, porém, a defesa da eugenia se manteve entre as elites médicas do país, o que ganhou repercussão da mídia. O próprio Renato kehl passou a atuar no jornal a Gazeta”, durante mais de 20 anos.

Em 1954 o Estado de São Paulo divulgou o concurso de eugenia, intitulado “Prêmio Imperatriz Leopoldina” promovido pela Academia de Medicina de São Paulo.

Esses concursos duraram um bom tempo, através dos estereótipos de beleza promovidos por diversas instituições, o Diário de Notícias do RJ também divulgou o 21° Concurso de Eugenia Oral para crianças, que aconteceu em 1968

A imprensa apoiou amplamente a propaganda de preconceitos e estereótipos culturais criados por eugenistas e outros nomes do racismo brasileiro por todo o século passado. Foi essa atuação que ajudou a silenciar e apagar a memória popular de nomes de jornalistas negros que fizeram nossa história. Agora é fácil simular uma guerra política de dois lados, evitando que a população mais pobre perceba que são apenas duas faces da mesma moeda, o que produz a exclusão da população negra nos espaços massivos de debate.


Texto de Ale Santos - autor e pesquisador brasileiro

Site Vice: https://www.vice.com/pt/article/o-apoio-da-imprensa-brasileira-no-projeto-eugenista-das-elites-brasileiras/

OS ESTADOS UNIDOS E A APRIMORAMENTO DA EUGENIA

 


Em 1907, o Estado de Indiana introduziu a primeira lei de esterilização compulsória do mundo. Entre 1907 e a década de 1960, mais de 64 milhões de americanos considerados “inaptos” foram evolutivamente castrados com anuência das autoridades. Eram alcoólatras, esquizofrênicos, epiléticos, criminosos, prostitutas… Essa modalidade de eugenia era chamada de negativa. Um relatório sobre o resultado da prática na Califórnia – recordista de esterilização entre os 32 Estados que a adotaram – serviu de inspiração para os oficiais nazistas que implantaram a prática do outro lado do Atlântico.

Também havia a eugenia positiva: educação a reprodução dos aptos. Tornaram-se comuns as Feiras da Família Fitter (“feiras de famílias mais aptas”, em português), em que casais com genes realizados bons eram sorteados em pódios e ganhavam medalhas.

Um dos símbolos da eugenia americana foi Charles Davenport, mandachuva do Eugenics Record Office (ERO) – o centro de pesquisa em Cold Spring Harbor, Nova York, que encabeçou os esforços de higienização genética. Ele era contra casamentos inter-raciais (comentaremos a relação da eugenia com o racismo nos próximos parágrafos) e via a entrada de imigrantes do sul da Europa e da Ásia como um risco à boa estirpe americana.

Davenport, de bobo, não tinha nada. Aplicando a lógica de transmissão de características hereditárias descobertas por Mendel em seus experimentos com ervilhas, acordos corretamente que a doença de Huntington era um traço dominante, e o albinismo, recessivo. O problema é que ele extrapolou a lógica: começou a inventar genes para tudo – até uma das famílias de construtores de barcos. Não havia espaço para o óbvio: que um filho tende a seguir o ofício do pai. Tudo era herdado.

No porto de Ellis Island, também em Nova York, imigrantes recém-chegados da Itália, da Grécia e dos países do bloco comunista foram submetidos a testes de QI. “O propósito de aplicar a escala de medição mental em Ellis Island é filtrar os imigrantes que podem (…) se tornar um fardo para o Estado ou produzir prole que vai exigir vagas em prisões ou asilos”, afirmou em 1915 o médico Howard Knox. Xingamentos como “idiota” e “imbecil” eram termos técnicos, aplicados na classificação de pessoas em relatórios oficiais.

No livro A Falsa Medida do Homem, publicado em 1980, o biólogo Stephen Jay Gould, de Harvard, cita o caso de Robert Bean – um médico que em 1906 publicou um longo artigo comparando as medidas de várias partes dos cérebros de negros e brancos. Uma das áreas comprovadas foi o corpo caloso – que conecta o hemisfério direito ao esquerdo. O corpo caloso é dividido em dois trechos, o joelho e o esplênio, e Bean percebeu algo, em sua opinião, fantástico: o joelho e o esplênio de negros eram muito menores que os dos brancos.

Era racista demais para ser verdade. Tanto que Franklin Mall, orientador de Bean na Universidade Johns Hopkins, suspeitou. Ele refez o estudo – dessa vez, medindo 106 cérebros sem saber, de antemão, a etnia dos indivíduos a que pertenceram. Resultado? Seus gráficos saíram neutros. O desejo de comprovar teses pré-concebidas era tão grande que os pesquisadores manipulavam os próprios dados deliberadamente.

No Brasil, eugenia e racismo andaram de mãos dadas – o ranço aparece disfarçado até hoje: “Meu neto é um cara bonito, viu? Branqueamento da raça”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão em outubro de 2018.

Quem concordou foi Renato Kehl – ​​o farmacêutico que, lá na década de 1920, liderou os esforços de limpeza genética no Brasil: “A nacionalidade brasileira só embranquecerá à custa de muito sabão de coco ariano”. Kehl se tornou o bode expiatório dos livros didáticos, mas não trabalhou sozinho: muito sujeito que hoje é nome de rua participou.

“Vital Brazil foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo, assim como Arnaldo Vieirade Carvalho – o da Avenida Dr. Arnaldo, em São Paulo, fundador da Faculdade de Medicina da USP”, diz a historiadora Pietra Diwan, autora do livro Raça Pura. Monteiro Lobato e Roquette-Pinto, também.

Ou seja: a eugenia foi uma invenção inglesa, aperfeiçoada nos EUA e divulgada por todo o Ocidente no entreguerras. O Holocausto foi apenas a sua manifestação mais conhecida, mas todas as atrocidades ordenadas por Hitler (e rechaçadas pelos Aliados após a 2ª Guerra Mundial) tiveram precursores entre os próprios Aliados. A descoberta dos campos de concentração desencadeou um surto de peso na consciência que culminou com a publicação, em 1950, de um documento da Unesco intitulado A Questão da Raça . A ciência pedia desculpas, e a palavra eugenia virava tabu.


FRANCIS GALTON - O CRIADOR DA EUGENIA

 


Algo cheirava mal na Inglaterra da rainha Vitória. Após três surtos de cólera e um episódio de calor intenso no verão de 1858, batizado de Grande Fedor (em guardas, mesmo), despejar todo o cocô de Londres no Rio Tâmisa não parecia mais uma boa ideia.

Saneamento básico e saúde pública foram tão planejados no fim do século 19 quanto a corrupção em Brasília é hoje. A Revolução Industrial criou uma pobreza inédita, diferente do camponês que plantava por subsistência. Os operários da indústria têxtil e da construção naval se empilhavam em cortiços, sem acesso à água tratada. Frequentavam bares e bordéis, eram desnutridos, alcoólatras e tinham filhos – muitos filhos.

Francis Galton, rico herdeiro de uma família tradicional, viu na periferia de Londres um problema darwinista. Ao pé da letra: ele era primo de Charles Darwin, e havia lido (ou melhor, devorado) a Origem das Espécies logo após o lançamento, em 1859.

O que Darwin afirmou, grosso modo, foi o seguinte: filhotes de uma ninhada nascem com diferenças sutis. Os que são mais aptos – graças aos dentes refinados, tímpanos aguçados ou músculos de contração mais rápidos – fornecem mais água, alimento e sexo. Assim, eles têm mais filhotes, e seus traços hereditários vantajosos prevalecem na população. Evolução por seleção natural. Galton pôs a humanidade numa planilha de Excel. Queria deletar as colunas incômodas.

Darwin não menciona o ser humano uma única vez no livro; mesmo assim, acendeu uma lâmpada na cabeça de Galton. Ele não só notou que a sobrevivência dos bem adaptados se aplicava ao Homo sapiens como concluiu que só havia um jeito de salvar a “raça europeia”: acelerar artificialmente, (por decreto, até) a atuação da seleção natural.

Para Galton, era necessário estimular o coito entre humanos que uma elite econômica via como vira-latas e incentivar os humanos de raça, com pedigree. Empreender um aperfeiçoamento autodirigido, para o bem do próprio povo. Em 1883, Galton deu à estratégia um nome: eugenia. Vem do grego: eu significa “bom”, gene significa “linhagem”, “raça”, “parentesco”.

“Estamos muito necessitados de uma palavra breve para a ciência de melhorar a estirpe”, afirmou Galton. “Para dar às raças ou linhagens de sangue mais adequado uma chance melhor de prevalecer depressa sobre as menos adequadas.”

Para Galton, a tendência à miséria, ao vício e à doença era tão hereditária quanto à altura ou ao cor dos cabelos. Se os filhos dos inaptos já iam morrer pela mão cruel da seleção natural, era melhor que não nascessem: “O que a natureza faz às cegas, o homem pode fazer com previdência, rapidez e segurança”.

Os termos: “Idiota” e “imbecil” não eram xingamentos: eram categorias científicas.

Ele se tornou uma máquina de coleta de dados. Tirava as medidas corporais de famílias inteiras em busca de uma explicação para a aparência da hereditariedade (lembre-se: a genética de Mendel ainda estava escondida na gaveta). Em 1877, numa espécie de Minority Report do século 19, ele esquadrinhou os rostos de condenados tentando tentar um tipo de crime a cada fisionomia. Galton queria transformar a humanidade em uma imensa planilha de Excel. E deletar as colunas incômodas.

Essas ideias foram recebidas como vanguarda da ciência. No início do século 20, Londres sediaria o primeiro congresso internacional de eugenia. A Inglaterra não chegou a colocar em prática as ideias de Galton. Dezenas de outras nações, porém, as abraçaram. A mais dedicada delas, nas primeiras décadas, não foi a Alemanha – e sim os EUA.


A IDEOLOGIA NEOCOLONIAL DO RACISMO

 


Vamos falar do racismo político dos países do chamado Primeiro Mundo (capitalismo central) contra os países dependentes que fizeram parte do antigo sistema colonial, que não foi desmontado até hoje. Uma das particularidades é que são, em sua totalidade, países que têm populações não brancas.

À medida que se aguçava a luta entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética, os norte-americanos concentraram suas atividades de dominação nas áreas incluídas em seu leque de influências. Com o pretexto de combater a subversão, estabeleceram governos subalternos externamente e ditatoriais internamente. Como norma, as ditaduras militares. Com isso consolidaram sua dominação neocolonial. Mas, por uma série de circunstâncias, na América Latina, Ásia, Oriente Médio e África houve movimentos que conseguiram se afastar de sua órbita. Por coincidência, movimentos de países que haviam participado da aventura colonial como dominados. Em outras palavras: surgiram principalmente em territórios onde houve o tráfico negreiro, a escravidão ou outras formas de trabalho compulsório típicas do sistema colonial. Grande parte de suas populações, ou melhor, de sua composição demográfica, é esmagadoramente não branca.

Com a crise estrutural do sistema capitalista, na fase de imperialismo tecnocrático, houve a necessidade de uma reciclagem no processo e nas táticas de dominação. De um lado, para consolidar o seu domínio econômico e, de outro, como manifestação de racismo.

A primeira manifestação mais aguda deste comportamento foi a operação que os Estados Unidos organizaram contra a Líbia em 1981. Foi preparada uma operação de terrorismo de Estado para assassinar seu líder. Depois de várias operações de agressão militar, nas quais foram abatidos dois aviões líbios (em território líbio), constatou-se que um dos filhos de Kadafi havia sido assassinado. Isto porém não sensibilizou a opinião pública mundial. A mídia criou para consumo internacional a imagem de que Kadafi era o líder do terrorismo internacional, o que os fatos desmentiam.

Depois veio a invasão da ilha de Granada. A pretexto de obedecer os apelos de uma entidade fantasma, os norte-americanos ocuparam a ilha, assassinaram seu presidente e centenas de seus habitantes. A opinião internacional não se mobilizou nem denunciou o crime, possivelmente por se tratar de uma país de negros.

Registramos também a invasão do Panamá, com o pretexto de combater o narcotráfico. Em 1989 a 82ª Divisão Aerotransportadora dos Estados Unidos invadiu seu território, prendeu o presidente Noriega, sequestrou-o e levou-o para ser condenado pelos tribunais norte-americanos. A intervenção norte-americana destruiu a economia do país, tentou extinguir o Exército e colocou um de seus representantes como chefe do Estado. Mas a opinião pública não se emocionou. Pelo contrário. Toda a imprensa mundial teceu elogios ao ato. O Panamá é também um país de negros, mestiços e índios.

Por fim, os casos mais recentes: a Guerra do Golfo contra o Iraque, a invasão da Somália, a tentativa (que persiste) de ocupar o Haiti e os massacres de Ruanda passam como acontecimentos sem relevância. As razões apresentadas são de “ação humanitária”, “restauração da democracia”, “combate ao narcotráfico”, pois não cola mais o “perigo comunista”.

É uma reciclagem hipócrita do antigo sistema colonial, que se reestrutura no neocolonialismo tecnocrático, racista. Para justificá-lo utilizam não só a sociobiologia, da engenharia genética e das hipóteses que procuram demonstrar a existência de raças inferiores, mas também canhões, aviões e tanques de guerra.

Vamos entrar numa época em que as ordenações sociais serão radicalmente reformuladas. Nesse processo as atuais nações atrasadas, dependentes e espoliadas, vindas do antigo sistema colonial, assumirão um papel novo, resgatando o passado de dominação. E o realinhamento social também será étnico, pois as raças não brancas habitam por herança desse sistemas as regiões espoliadas. Esse é o desafio do milênio que se avizinha e que não será outro senão a realidade do socialismo em dimensão planetária.


 *Notas

 LINTON, R. Estudio del hombre. México, Fondo de Cultura Económica, 1942, p. 69.

 DAVES, Alain. “A ideologia do racismo”, in A igreja e o racismo. Rio de Janeiro, Vozes, 1982, p. 18-19.

 BENEDICT, Ruth, Raza: ciência y política. México, Fondo de Cultura Econômica, 1941, p. 26.

 Citado por Aimé Césaire in Discurso sobre o colonialismo. Lisboa, Sá da Costa, 1974.

 Aceitando a teoria de de L. Levy Bruhl como cientista, o escritor Jamil Halmansur Hadad assim procura caracterizar o homem brasileiro: “(…) o caráter primitivo do (brasileiro) aparece às vezes com outros nomes, porém ao primitivismo podem ser reconduzidos muitos dos sestos e taras nacionalmente citadas (…) Acabamos por verificar no Brasil e pelos tempos afora um dos traços da mentalidade primitiva classicamente apontados em Levy Bruhl: a dificuldade de acreditar no invisível. O próprio Deus se viabiliza como as almas dos familiares: daí a difusão extrema do espiritismo, principalmente prestigiadas as sessões de materialidade (…) O mesmo conceito poderia ter sido formulado por um Anchieta entre os nossos selvagens. Daí que desde os primórdios da nacionalidade, os elementos religiosos passaram a hibridar-se poderosamente de estratos profanos. E não só com índios antropófagos como com brasileiros urbanos e civilizados (…) Aponta Levy Bruhl no primitivo: a ausência em princípio de qualquer sentido de ligação causal profunda. Aí a gênese de todo o nosso tremendo repositório de superstições e milagres: as salas cobertas de ex-votos: peitos de cera, pernas, pescoços e olhos, às vezes sangrando, outras com tumores (…) Manifestações de primitivismo no predomínio do exterior sobre a essência: o sestro do fogo de artifício do aparato, do farol (…) O que impressiona fundamentalmente a Ewbank são os nossos fogos de artifício. Rojões e busca-pés num esplendor ígneo de fazer o norte-americano babar (…) Imaginemos que, se se disser que somos realmente o país do farol, isto corresponderá a uma validade das mais estranhamente arraigadas da nossa psique mais íntima e mais tradicional. Preponderância do acessório em relação ao substancial. E do exterior em detrimento do profundo. Da cortiça em detrimento da medula. Amor portanto ao esplendor efêmero da fascinação inteiramente rápida, ofuscante mas transitória. E que marca todas as vicissitudes de nossa vida nacional” (Hadad, Jamil Halmansur: “Ewbank e a sua descoberta do Brasil”, in Anhembi, no ano VII, n. 78, maio de 1957, p. 496-504.)

 MARX, K. e ENGELS, F. Le manifest communiste Paris, Alfred Costes, 1935, p. 62. Evidentemente quando Marx e Engels usam o termo “bárbaro” não há nenhum julgamento de valor na expressão. Referem-se a uma fase de periodização da civilização, segundo o marxismo. É uma fase pré-capitalista, que Engels dividiu em três períodos: barbárie inferior, que se inicia com a introdução da cerâmica; fase média, que começa com a domesticação de animais e no Oeste da Europa com o cultivo de hortaliças por meio da irrigação e pelo emprego do tijolo (secado ao sol) e da pedra nas construções; e a fase superior, que se inicia coma a fundição do minério de ferro e passa à civilização com a invenção da escrita alfabética e seu emprego nos registros literários. Nada tem a ver, portanto, com a conotação pejorativa que as nações capitalistas colonizadoras davam àqueles povos que eram por ela colonizados. Era uma classificação objetiva baseada na etapa do desenvolvimento cultural. Uma das etapas pré-capitalistas da evolução da humanidade.


RACISMO EUROPEU

 


Além deste racismo, há aquele que está se disseminando de forma crescente e cada vez mais agressiva. Em todo o chamado Primeiro Mundo (capitalismo imperialista central) ele vem se afirmando, quer por legislações que tornam indesejáveis no seu território membros de determinadas etnias, quer pela incorporação por parte de partidos políticos que endossam essa ideologia e, finalmente, pelo comportamento irracional de grande parte da população desses países. Na Inglaterra, na França, na Áustria, e especialmente na Alemanha, o racismo vem aumentando assustadoramente, especialmente neste último país, onde se manifesta através do neonazismo, cuja violência tem feito desaparecer centenas de vidas e cujos métodos de ação são idênticos aos de Hitler.

“Auschwitz Total, Hitler Superditador, Antiturcos à Prova: alguns títulos de jogos neonazistas”.

Esses países começam a proteger-se dos “genes maus”, representados pelas populações não brancas em geral, que procuram “invadir” o recinto intocável das nações brancas. Esta ideologia racista cresce juntamente com a ideia da unificação da Europa. Há movimentos de extrema-direita por toda parte, como a Frente Nacional da França e os republicanos e neonazistas da Alemanha. Nos países nórdicos, como a Noruega, há parlamentares de extrema-direita ostensivamente racistas. Segundo Harlen Désir, para alguém eleger-se basta dizer: “Chega de árabes, jamaicanos e turcos!” Na França, segundo ele, parte da população não aceita a fusão e a formação de uma nação plurinacional e sem barreiras. Esta resistência é sentida principalmente nas regiões fronteiriças, onde o discurso de Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional, tem forte penetração.

Na Alemanha e na Suécia estão virando moda videogames distribuídos pela extrema-direita britânica, com os sugestivos nomes Jogar em Reblinka ou Quando o Gás Tiver Terminado o Trabalho Você Terá Ganho (18). O jogador consegue pontos matando judeus, turcos, homossexuais e ecologistas ao som de Deutshland über Alles (Alemanha acima de tudo), estrofe glorificada por Hitler e depois da guerra suprimida do hino nacional alemão.

Os ataques racistas se multiplicam e a ultradireita ganha terreno. Os governos da Comunidade Europeia mantêm leis discriminatórias contra os imigrantes dos países não europeus, apesar de lá se encontrarem há mais de 15 anos. Não é de estranhar que os jovens transformem o videogame em propaganda racista, pois não é apenas na Alemanha e na Suécia que a juventude assim se diverte. Na Áustria o fato se repete: Auschwitz Total… Hitler Super ditador… Antiturcos à Prova… Segundo Sandra Lacut, da France Press, de Viena: “as escolas da Áustria e de outros países europeus foram invadidas por uma série de jogos de computador racistas e neonazistas, nos quais as crianças ‘dirigem’ campos de extermínio de judeus ou ‘compram’ gás para matar os imigrantes turcos. Um estudo realizado pelo Ministério de Educação revela que na cidade austríaca de Lintz, onde Hitler passou parte de sua juventude, 39% dos jovens sabem que existem esses jogos neonazistas e 22% já os jogaram. Em Salzburgo, um em cada cinco jovens que tem um computador já viu publicidade neonazista em sua tela. Os videogames trivializam o Holocausto (assassinato em massa de judeus, ciganos, homossexuais, comunistas e dissidentes durante o nazismo) e incitam o ódio contra os judeus e turcos. O jogo Administrador de Campo de Concentração consiste em dirigir o campo de Treblinka (Polônia) e conseguir bastante dinheiro – por exemplo, arrancando os dentes de ouro dos judeus mortos – para adquirir o gás necessário para aniquilar os turcos. Outro, chamado Prova Ariana, coloca perguntas que revelam ao jogador seu grau de pureza racial. Aquele que for apenas ‘meio ariano’ pode se desforrar ‘matando comunistas’. De acordo com o grau de ‘impureza do sangue’, o jogador pode ser varredor ou limpador de privadas. E o ‘judeu’ é automaticamente atirado na câmara de gás”. O que à primeira vista parece ser apenas um detalhe vem demonstrar até que nível a propaganda neonazista está se aproveitando da nova tecnologia e da comunicação avançada nos mesmos moldes de Hitler. Segundo El País, os alemães e os belgas, de acordo com pesquisas feitas pela Comunidade Europeia, são os cidadãos europeus que mais admitem os seus sentimentos racistas. Mas é na França e na Grã-Bretanha que a xenofobia e a violência racial se mostram mais intensas. Nos últimos quatro anos (a pesquisa vai até 1990) houve 20 assassinatos motivados por racismo na França. As vítimas eram norte africanos de nacionalidade ou de origem.

Seis jovens cabeças raspadas (skin-heads) mataram a pontapés um tunisiano pai de quatro filhos. O policial que os deteve contou que aquilo que mais o chocou foi o fato de eles terem a sensação de nada terem praticado de condenável. Outros três jovens mataram a tiros um jovem harki (francês de origem argelina) “para se divertir”. Cerca de 76% das pessoas entrevistadas depois do assassinato dos três norte africanos declararam: “O comportamento deles pode justificar as reações racistas”.

Em 1989 ocorreram, em Londres, em média seis incidentes racistas por dia. O Instituto de Estudos da Polícia estimou em sete mil os casos conhecidos de racismo no país, mas sugeriu que a cifra poderia ser dez vezes superior. Isto porque as vítimas temiam denunciar as agressões “por falta de confiança na polícia”. Uma mãe asiática suportou que seus filhos fossem esfaqueados e apedrejados – “Pensei que fosse um comportamento normal em relação aos estrangeiros” – e não procurou ajuda.

Na Itália, os ataques a estrangeiros estão adquirindo uma sequência e um furor inesperados, acalentados por uma crescente onda de imigrantes clandestinos. Na Espanha, a fúria contra marroquinos, portugueses e africanos é uma reação social em alta, mas a discriminação elege como presa também uma minoria espanhola: os ciganos. Estes últimos são hoje na Espanha cerca de meio milhão de pessoas e, como no caso dos negros nos Estados Unidos, sua dança e sua música são muito apreciadas.

Longe de melhorar, as coisas pioraram, assinala o volumoso estudo de oito capítulos elaborado e aprovado pela Comissão de Investigação do Racismo e Xenofobia criado pelo Parlamento Europeu, presidido pelo eurodeputado Glyn Ford. Nem a Comunidade Europeia, nem os governos dos seus Estados membros tomaram medidas para corrigir a situação alarmante, já denunciada em 1986. O mito da Europa como terra de asilo caiu por terra.

A Alemanha é o país onde os sentimentos racistas são mais claramente expressos. Em 1989 (e daí para cá este sentimento aumentou), cerca de 75% dos alemães ocidentais achavam que havia estrangeiros demais no país e 93% eram favoráveis a reduzir o número de trabalhadores imigrantes. Cerca de 60% da população da ex-Alemanha Ocidental admitem ter sentimentos antissemitas. As pesquisas revelam, também, que um quinto dos alemães tem ódio racial contra africanos e asiáticos e opiniões muito negativas sobre os turcos.

O DETERMINISMO GENÉTICO DO RACISMO




É exatamente em continuação a essa biologização da história e da sociedade que, na década de 1970, surge uma nova ciência: a sociobiologia, sistematizada por Edward Wilson, da Universidade de Harvard, e assim definida:

“uma ideologia biológica que, empenhada em provar que todo comportamento humano é determinado geneticamente, como nos animais, deu uma roupagem moderna ao velho darwinismo social. A partir daí a bibliografia só faz aumentar a lista iniciada com o Macaco nu e a História natural da monogamia, do adultério e do divórcio, da antropóloga norte-americana Helen Fischer, para quem há uma lei natural, inscrita em nossos genes, que molda o relacionamento efetivo e o acasalamento entre os seres da espécie humana. Outro livro deste gênero é Personas sexuais, de Camile Paglia, que considera os papéis sexuais, o machismo e a feminilidade decorrentes apenas de nossa natureza biológica e não, também, das relações culturais, históricas, estabelecidas entre homens e mulheres; relações condicionadas pela peculiaridades das épocas e dos lugares onde ocorreram”.

“Como o velho racismo, a sociobiologia procura explicações biológicas para fenômenos sociais”.

Poderíamos citar mais de uma centena de obras da nova sociobiologia, mas o que se viu dá para perceber o renascimento do racismo via genética. O preocupante é que essas ideias não se exprimem apenas através de livros, mas de uma prática universitária na direção da dominação ideológica do conhecimento. Neste sentido estava prevista, na Universidade de Maryland, a realização da conferência intitulada “Fatores Genéticos no Crime: Descobertas, Usos e Implicações”, cujo prospecto referia-se ao “aparente fracasso do enfoque social para o crime” e sugeria a realização de pesquisas genéticas para o desenvolvimento de métodos capazes de identificar – e tratar quimicamente – criminosos em potencial. A Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, por sua vez, publicou em novembro de 1992 o relatório Compreender e prevenir a violência, sugerindo a realização de mais pesquisas desse tipo e na mesma direção, com investigações sobre marcadores bioquímicos e tratamento com drogas para comportamentos violentos e antissociais, embora admitindo a escassez de evidências substantivas para uma propensão ao crime de per si. Como se pode ver é a volta disfarçada aos métodos eugênicos dos cientistas do III Reich. Analisando tal situação, escreveu Patrick Bateson:

“as diferenças existentes entre as pessoas são muitas vezes pensadas como adaptações, como produtos da evolução darwiniana e, portanto, como atribuíveis a diferenças genéticas. Para o não biólogo, ‘diferença genética’ é sinônimo de inevitabilidade – o problema começa aí. Às pessoas claramente exploradas ou oprimidas é dito que devem aceitar essa situação porque nada podem fazer para alterar os seus genes. Esse tipo de idéias, que penso não serem geralmente partilhadas pelos cientistas que parecem dar-lhes credibilidade, é agora parte de nossa vida política. Por essa razão, e talvez injustamente, o determinismo genético tornou-se o grande tema de muitas discussões públicas sobre sociobiologia. A ênfase no egoísmo e na luta pela existência na evolução biológica teve um efeito de confirmação insidiosa na opinião pública (Bateson, 1989). A competição foi encarada como motor da atividade humana. A experiência nas universidades e nas artes é avaliada pelos mesmo parâmetros que supostamente resultam tão bem no campo do esporte ou na feira. Os indivíduos prosperam competindo e vencendo. Esta visão da natureza humana, popular entre os políticos de direita, foi justificada pelo recurso à biologia, e os próprios biólogos foram, por sua vez, algo influenciados pelo movimento de opinião pública. Nenhum de nós sabe tudo, e a nossa tendência para as generalizações tolas está sujeita à rápida correção por outros cuja experiência tenha sido diferente. Tal como as coisas estão, o apelo à biologia feito pela Nova Direita não se dirige tanto ao corpo coerente de ideias científicas como a um mito confuso. Pensa-se na biologia como tratando da competição – e isso significa luta. O conceito darwiniano da sobrevivência diferencial nutre-se da crença na importância do individualismo.

Discutindo o lado ético da aplicação da sociobiologia, ou da biologia em particular, escreveu Hilton Japiassu: "aliás, nos dias de hoje, parece inegável o impacto social na biologia sobre a vida de cada um de nós. Ela não constitui apenas uma pesquisa sem freios da verdade, isenta de toda e qualquer crítica política ou moral. Já foi o tempo em que se podia declarar, como H. R. Oppenheimer, um dos responsáveis pela construção das primeiras bombas atômicas, que: ‘nosso trabalho mudou as condições da vida humana; mas a utilização feita dessas mudanças é uma questão dos governos, não dos cientistas’. Ora, a palavra-de-ordem ‘a verdade pelo amor à verdade; torna-se hoje insustentável. Porque a ciência não é mais, e tampouco pode ser, considerada um domínio da exclusiva competência dos cientistas. Os trabalhos dos microbiologistas, por exemplo, que decodificaram as moléculas de ADN. Dão-nos a esperança de um controle genético de numerosos males surgidos no nascimento. Mas essas pesquisas já foram utilizadas, como testemunham os cientistas americanos Zimmerman, Radinsky, Rothemberg e Mayers, pelo governo dos Estados Unidos, para cultivar micróbios violentos destinados à guerra bacteriológica: ‘Essa pesquisa conduz a uma produção genética capaz de gerar subpopulações variadas, que poderão ser utilizadas pelos que detêm o controle tecnológico. Essas subpopulações poderão compreender soldados combativos, robôs resistentes para executar as tarefas físicas peníveis, ou filósofos reis aos quais seriam transmitidos poderes hereditários”” (Autocritique de la science, Seuil, 1975).

Estamos nas fronteiras do Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, quando um dos seus personagens define felicidade: “E esse, acrescentou sentenciosamente o Diretor, é o segredo da felicidade e da virtude – gostar daquilo que se tem de fazer. Este é o propósito de tudo: fazer as pessoas amarem o destino social do qual não podem escapar”. Estaríamos plenamente na era do determinismo genético.

O mundo apresentado por Huxley pode ser o objetivo desses cientistas. Mas a biologia genética, via engenharia genética, tem objetivos ainda mais seletivos e ideologicamente racistas. Sobre a visão de radicalismo epistemológico dessa postura científica, escreveu Hilton Japiassu: “os gigantescos progressos da biologia e da engenharia genética já tornaram possível uma outra forma de neo eugenismo, desta feita bastante mais sofisticado. Diria que um neo eugenismo fundado nas ciências biogenéticas já se anuncia, sem que possamos predizer de modo seguro quais serão as grandes opções para o futuro. O fato é que, nesse domínio, já existem sofisticados métodos permitindo a detecção dos ‘maus genes’, vale dizer, dos genes que, direta ou indiretamente, são responsáveis por certas doenças. Como nos lembra P. Tuiller, ‘quaisquer que sejam os limites atuais da ciência médica em matéria de diagnóstico e de terapêutica, criou-se uma situação nova; doravante é possível concebermos em longo prazo um gigantesco empreendimento de purificação do capital genético da humanidade (ou de certas populações). O que levanta numerosas questões ao mesmo tempo técnicas e éticas’”. (Les passions du savoir, Fayard, 1988, p. 154).

Em outras palavras, os detentores dessa sofisticada tecnologia podem programar, por exemplo, a cor da humanidade ou de alguns grupos ou populações (de acordo com os seus critérios de valor étnicos) considerados de “maus genes”. Se considerarmos a ideologia de quem monopoliza essa tecnologia, os negros e os não brancos serão o objetivo desse projeto e tentarão projetar um mundo branco e de robôs. 


A QUESTÃO RACIAL DESDE A DERROTA DO NAZISMO ATÉ O APARECIMENTO DA GUERRA FRIA

 


Derrotado o nazismo, o pensamento de direita e especialmente o racismo entraram em recesso, e no âmbito das ciências biológicas e sociais houve toda uma rearticulação contra tais ideias. Foi o momento dos grandes pronunciamentos dos antropólogos e dos sociólogos, que repuseram a questão racial em termos científicos. Em 1950 divulgou-se uma declaração redigida na casa da Unesco por oito dos maiores nomes da antropologia e da sociologia mundiais, entre eles: Juan Comas, do México; Levi Strauss, da França; Morris Ginberg, da Inglaterra; A. Montagu (relator), dos Estados Unidos, e L. A. Costa Pinto, do Brasil. Nas suas conclusões diziam:

a) Os antropólogos só podem estabelecer classificação racial sobre características puramente físicas e fisiológicas.

b) No estado atual dos nossos conhecimentos, não foi ainda provada a validade da tese segundo a qual os grupos humanos diferem uns dos outros pelos traços psicologicamente inatos, quer se trate da inteligência ou do temperamento. As pesquisas científicas revelam que o nível de aptidões mentais é quase o mesmo em todos os grupos étnicos.

c) Os estudos históricos e sociológicos corroboram a opinião segundo a qual as diferenças genéticas não têm importância na determinação das diferenças sociais e culturais existentes entre diferentes grupos da espécie Homo sapiens, e as mudanças sociais e culturais no seio de diferentes grupos foram, no conjunto, independentes das modificações na sua constituição hereditária. Vimos produzirem-se transformações sociais consideráveis que não coincidem de maneira alguma com as alterações de tipo racial.

d) Nada prova que a mestiçagem, por si própria, produza maus resultados no plano biológico. No plano social, os resultados, bons ou maus, que alcançou são devido a fatores de ordem social.

e) Todo indivíduo normal é capaz de participar da vida em comum, compreender a natureza dos deveres recíprocos e respeitar as obrigações e os compromissos mútuos. As diferenças biológicas que existem entre os membros de diversos grupos étnicos não afetam de maneira nenhuma a organização política ou social, a vida moral ou as relações sociais.

Enfim, as pesquisas biológicas vêm escorar a ética da fraternidade universal; pois o homem é, por tendência inata, levado à cooperação e, se este instinto não encontra em que se satisfazer, indivíduos e nações padecem igualmente por isso. O homem é por natureza um ser social, que só chega ao pleno desenvolvimento de sua personalidade por trocas com os seus semelhantes. Toda recusa de reconhecer este laço social entre os homens é causa de desintegração. É neste sentido que todo homem é o guardião de seu irmão. Cada ser humano é apenas uma parcela da humanidade, a qual está indissoluvelmente ligado.

Depois desse documento saiu a Declaração de 1951, assinada por um grupo de antropólogos e geneticistas, que ampliava mais analiticamente o texto do primeiro, com as mesmas conclusões. Outro documento da Unesco, e nos parece que o último, redigido em Moscou, ainda é mais enfático na condenação ao racismo.

No Brasil a reação não é diferente. Em 1935 surge o Manifesto dos intelectuais contra o preconceito racial, em que se enfatiza o racismo como anticientífico:

“O movimento contra o preconceito racial visa apenas a combater as influências estranhas que nos querem arrastar para o turbilhão dos racismos truculentos, como também contribuir para todos os meios para o estudo dos problemas surgidos na própria formação étnica, tendo sempre em mira promover maior harmonia e mais fraternal cordialidade entre os elementos que vão caldeando na etnia brasileira”.

Assinam o documento, entre outros, Roquete Pinto, Maurício de Medeiros, Artur Ramos, Gilberto Freyre, Hermes Lima, Leônidas de Rezende e Joaquim Pimenta. Em seguida podemos citar o Manifesto contra o racismo, da Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnologia, que foi aprovado por aclamação no dia 3 de setembro de 1942. O documento terminava nos seguintes termos: “queremos oferecer a todo o mundo civilizado a nossa magnífica filosofia no tratamento das raças como o maior protesto científico e humano e a maior arma espiritual contra as ameaças sombrias da concepção nazista da vida, este estado patológico de espírito que pretende envolver a humanidade numa espessa e irrespirável atmosfera de luto”.

Era a volta, também no Brasil, de uma ciência social que repudiava os postulados nazistas no julgamento das raças e a sua função e papel no processo civilizatório.

Já haviam se realizado, nessa ocasião, dois congressos afro-brasileiros: o primeiro em Recife, em 1934, por iniciativa de Gilberto Freyre; e o segundo em Salvador, por iniciativa de Edson Carneiro, em 1937. Nos anais de ambos podemos ver a preocupação de muitos congressistas em relação ao problema racial e o seu dilema no Brasil. Dos anais do primeiro podemos destacar as comunicações de Mário de Andrade, Alfredo Brandão, Gilberto Freyre, Adhemar Vidal, Jovelino M. de Camargo Jr, Mário Melo, Rui Coutinho, Rodrigues de Carvalho e outros. Nesses autores nota-se a preocupação de descartar a inferiorização do negro, via fatores biológicos (inatos), e ressaltar a escravidão como causa de nosso atraso. No segundo congresso vemos a preocupação de Edson Carneiro, Artur Ramos, Donald Pierson, Aydano do Couto Ferraz, Alfredo Brandão e Jorge Amado, cada um a seu modo procurando encaminhar o tema no mesmo sentido.

No terceiro congresso, realizado em 1982, as intervenções de Décio Freitas, Raimundo de Souza Dantas, Clóvis Moura, Gilberto Freyre e outros vão na direção de reabilitar o processo miscigenatório e destacar a participação social do negro em nossa história, posição contrária à dos eugenistas da década de 1930, que consideravam este fenômeno um fator de degenerescência da sociedade brasileira. A postura democrática em relação ao problema racial, que teve nos antropólogos e sociólogos da Unesco a expressão mais lúcida, começa em determinado momento, a ser contestada (12).

No plano político internacional, por outro lado, saía-se da política de colaboração dos quatro grandes vencedores da Segunda Guerra Mundial – Inglaterra, França, União Soviética e Estados Unidos – para o confronto da Guerra Fria. Assistia-se, ao mesmo tempo, os movimentos de libertação da África, dentro do processo de descolonização que se dinamizava. Nesse contexto político iniciam-se os ataques às conclusões dos cientistas da Unesco.

O mais relevante sintoma desse protesto e o que mais repercussão alcançou foi o de Arthur Jensen, professor de psicologia educacional da Universidade de Bekerley. Ele combate as conclusões da declaração da Unesco de 1951 e a de 1964. Afirma textualmente:

“O fato de que diferentes grupos raciais neste país tenham origem geográficas largamente diferenciadas e tenham tido histórias largamente diferentes, o que os submeteu a diferentes pressões seletivas econômicas e sociais, faz com que seja altamente provável que seus acervos genéticos difiram em algumas características comportamentais geneticamente condicionadas, inclusive inteligência ou capacidade de raciocínio abstrato. Quase todo o sistema anatômico, fisiológico e bioquímico investigado apresenta diferenças raciais. Por que seria o cérebro uma exceção?”

Já o professor de psicologia da Universidade de Londres e entusiasta de Jensen, H. J. Eysenck, baseando-se em testes de QI de jovens negros americanos, conclui pela existência de diferenças que, dentro da estrutura social atual (julgamentos de valor), significam inferioridade. Este cruzamento de resultados de testes com resultados de pesquisas de geneticistas é uma forma deliberada de confundir os fatos e chegar-se a uma conclusão preestabelecida. Por outro lado, todos sabem que as técnicas de medir a inteligência pelo nível do QI são cada vez mais contestadas.

A antropóloga Ruth Benedict, antes dos professores citados, já punha em dúvida essas técnicas, especialmente quando aplicadas sem os diferenciais culturais e sociais. Cita o exemplo de uma comparação feita entre brancos do Mississipi, Kentucky e Arcansas com negros de Nova Iorque, Illinois e Ohio. O QI dos brancos do Sul é inferior ao QI dos negros do Norte. Os resultados foram os seguintes:

Brancos Negros

Mississipi 41,25 Nova Iorque 45,02

Kentucky 41,50 Illinois 47,35

Arkansas 41,55 Ohio 49,50

Fonte: BENEDICT, Ruth. Raza: ciencia y política. México, Fondo de Cultura Econômica, p. 97.


Contra esses dados, H. J. Eysenck conclui um de seus livros dizendo:

“(…) O reconhecimento da natureza biológica do homem e o reconhecimento da desigualdade geneticamente determinada, associados inevitavelmente ao seu desenvolvimento, são um começo absolutamente necessário a qualquer tentativa de utilizar os métodos da ciência e a razão, num esforço destinado a nos salvar dos perigos (sic) efetivamente reais com que nos defrontamos”.


AS QUESTÕES RACISTAS SÃO POLÍTICOS E RELIGIOSOS - MENOS CIENTÍFICOS

 


Tudo isto era respaldado por uma intelectualidade que se apresentava como tutora do conhecimento, do saber e, ao mesmo tempo, assessora dos mentores metropolitanos.

Como vemos, a chamada “questão racial” não pode ser compreendida se a interpretarmos como uma questão meramente científica, cuja solução será encontrada pelos antropólogos entre as quatro paredes de um laboratório ou nas salas de congressos de especialistas. Pelo contrário. Devemos partir de uma posição crítica radical, através da reformulação política, da modificação dos pólos de poder, especialmente das áreas do chamado Terceiro Mundo. É uma situação que ficará sempre inconclusa se não a analisarmos como um dos componentes de um aparelho de dominação econômica, política e cultural.

No caso da América Latina, o racismo, como ideologia do colonialismo, penetrou fundo no pensamento da elite intelectual colonizada. Todo o arsenal “científico” que vinha da Europa sobre a questão racial era aqui repetido sem ser filtrado, não porque fosse a “última palavra da ciência”, mas porque já vinha com o julgamento das metrópoles. No lado oposto expressava-se uma visão democrática e não racista do problema; esta corrente progressista era desacreditada pela intelligentsia colonizada. O cientista russo Tchernichevsky, por exemplo, escreveu que “os escravistas eram pessoas da raça branca, os cativos eram negros; por isso a defesa da escravidão nos tratados científicos tomou a forma da teoria da diferença radical entre as diferentes raças humanas”. E Jean Finot, em seu livro O preconceito racial, declarou: “as raças como categorias irredutíveis existem somente como ficções nos nossos cérebros”. E mais: “as diferenças culturais existem e foram assinaladas neste livro, porém somente são produtos transitórios, como resultado de circunstâncias externas, e desaparecerão do mesmo modo”.

No entanto, essas conclusões antirracistas eram consideradas heresias científicas. Sílvio Romero, depois de citar o antropólogo alemão Lapouge, endossando-lhe a tese da superioridade do alemão em relação ao francês, escreve sobre o pensamento de Finot: “Fugir das tolices do russo que se assina Finot, e cujo nome antigo é João Finkelhaus, literato de segunda ordem, ignorantíssimo em antropologia e ciência em geral” (8).

Mas não era somente Sílvio Romero quem endossava o racismo no Brasil da época. E convém esclarecer que estávamos em pleno processo abolicionista e os escravistas e senhores de escravo tinham, como um dos suportes que legitimava a escravidão, a inferioridade biológica e cultural do africano. Euclides da Cunha, outro importante representante de nossa cultura dominante, repetia o mesmo pensamento racista. Sua posição em relação ao mestiço e ao negro não deixa dúvidas. Estuda o negro afirmando que “a raça dominada (negra) teve aqui dirimidas, pela situação social, as facilidades de desenvolvimento. Organização potente afeita à humanidade extrema, sem as rebeldias do índio, o negro teve, sobre os ombros, toda a pressão da vida colonial” (9).

Para ele, o negro é a “besta de carga”, o “filho das paisagens adustas e bárbaras”; Palmares é “grosseira odisseia” e por isto a ação dos bandeirantes destruindo-o foi um benefício à nossa civilização; são “vencidos e infelizes”; o escravo negro é “humilde”, mesmo sendo “temeroso”, “aguilhoado à terra”; são “foragidos”, a raça é “humilhada e sucumbida”. Para ele a desigualdade racial era um fato provado “ante as conclusões do evolucionismo”. O negro, como vemos, era o componente de uma raça inferior. O índio, por seu lado, não tinha capacidade de “se afeiçoar às mais simples concepções do mundo”. E, quanto ao mestiço desses cruzamentos, no seu “parênteses irritante” não há lugar para ele, é um desequilibrado, de um desequilíbrio incurável, pois “não há terapêutica para este embate de tendências antagonistas” (10).

A ideologia do colonialismo era, e ainda é, alimentada por toda uma literatura racista que nos vinha, ou nos vem, das metrópoles colonizadoras, para nos inferiorizar através da nossa própria autoanálise.


 O racismo brasileiro quer um país “eugênico”

Passada a fase da abolição, com sua conclusão negativa para a população negra, e concluído o golpe militar republicano, com a persistência das oligarquias agrárias, o racismo brasileiro procura novas roupagens “científicas”. Na Europa o racismo entra em ascensão e transforma-se em força agressiva, agressividade que terá a sua conclusão na vitória do nazismo na Alemanha. No Brasil há uma recomposição ideológica do mesmo sentido. Essa tendência racista elitista de nossa intelectualidade tradicional se revigora.

Na época da ascensão do nazismo e do fascismo, houve aqui no Brasil um trabalho ideológico racista feito pela nossa intelectualidade. Essa divulgação e essa prática concentraram-se na Liga da Higiene Mental, que congregou grandes nomes da ciência. Jurandir Freire Costa, autor do livro História da psiquiatria no Brasil, afirmou que o programa dessa entidade tinha como objetivo a intolerância e o obscurantismo. Fundada em 1923 e dedicada à prevenção de doenças mentais, longe de estabelecer uma abordagem científica de doença mental, adotava e enfatizava posições nitidamente ideológicas, elaborando propostas no sentido da adoção apaixonada e integral do arianismo, da superioridade racial, justamente as que prevaleceram na Alemanha nazista. Seus membros mais conspícuos passaram a defender na área profissional, e publicamente, a esterilização e a segregação perpétua de todos os indivíduos considerados loucos ou desequilibrados, segundo os critérios de sua avaliação; daí passaram a pregar o mesmo destino para as pessoas de “raça inferior”, ainda segundo os padrões que adotavam e que definiam como tais os não brancos puros.

 “Já se quis uma reforma “eugênica” dos salários: maiores para os brancos, menores para os negros”.

A pregação da Liga concentrou seus fogos particularmente na imigração: o Brasil deveria, nesse campo, adotar rigorosos critérios seletivos, em que se inseria a condenação à entrada de negros e asiáticos em nosso país – “rebotalho de raças inferiores” –, alegando que “já nos bastavam os nordestinos, os híbridos e os planaltinos miscigenados com negros”. Xavier de Oliveira, um dos membros da Liga, partidário do que entendia por eugenia, manifestava sua satisfação pela decadência incontestável e pela “extinção não muito remota” dos índios da Amazônia. A condenação ao fim próximo alcançava, também, os mestiços, cuja proibição de entrada no Brasil era encomendada pela Liga em 1928. Outra de suas reivindicações: a reforma eugênica dos salários, privilegiando os brancos. 

Reivindicava também concessão de benefícios econômicos e financeiros às famílias que procriassem indivíduos “superiores”. A mais audaciosa foi a criação de Tribunais de Eugenia, que decidiriam sobre a esterilização e o confinamento de membros das raças inferiores. Em 1934 a revista Arquivos Brasileiros de Higiene Mental, editada pela Liga, publicava a lei alemã de esterilização dos “doentes transmissores de taras”, com entusiástica introdução ao seu texto. “O mundo culto”, dizia a publicação, “tomava conhecimento da nova e grande lei alemã de esterilização dos degenerados”. A citada lei, de 14 de julho de 1933, era assinada por Hitler, além de Frick e Gurther, ministros do Interior e da Justiça, respectivamente.

Outro artigo esclarecedor dos Arquivos foi aquele no qual o seu autor procurava demonstrar que a Inquisição operara a partir de uma “filosofia eugênica”, pois as suas torturas e seus sacrifícios “tiveram uma consequência benéfica para a raça”. Em 1934, conta ainda Jurandir Freire Costa, a Liga associava-se à polícia em ações “sempre caracterizadas pela truculência”; a polícia fornecia, confidencialmente, nomes e endereços de alcoólatras, que eram, então, procurados pelos psiquiatras da Liga e internados em hospitais e centros ditos de saúde mental; ali eram submetidos a tratamentos de acordo com os métodos da Liga, que funcionou, ostensivamente, durante três décadas. Nela pontificavam médicos de renome, particularmente psiquiatras: representavam a ciência oficial, isto é, a ciência das classes dominantes, numa época em que o nazismo já se manifestava e apresentava a raça alemã como “raça eleita”.

Entre esses nomes famosos, figuravam Renato Kehl, presidente da Sociedade de Eugenia em 1929; Alberto Farani, presidente da Seção de Estudos de Cirurgia e Sistema Nervoso da Liga de Higiene Mental e chefe do serviço dos ambulatórios de Profilaxia Mental do Hospital Rivadávia Correia; Xavier de Oliveira, docente de Clínica Psiquiátrica da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro e médico do Hospital Nacional de Psicopatas.

À época da Liga de Higiene Mental, a década de 1920 e a primeira metade da década de 1930, surgiram e se ampliaram consideravelmente em nosso país, no campo quase virgem das ciências sociais, as teses de Oliveira Vianna, com uma obra toda ela de cunho racista, elitista e neocolonialista. 

Assim como aconteceu na época de Sílvio Romero, a produção cultural dominante espelhava a alienação social e, consequentemente, cultural a qual estava submetida. A obra de Oliveira Vianna, em particular, é um marco significativo de como a intelectualidade brasileira deixa-se vergar ideologicamente e refletia em sua produção uma rejeição à sua própria condição de ser humano e social. Esta atitude representava, e atualmente ainda representa, uma negação e/ou fuga de nosso ser étnico, cultural e político, expressa através de uma produção estimulada pelo neocolonialismo; em outras palavras, o imperialismo tecnocrático.