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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

CIDADES SUMERIANAS

 


Na minha última pesquisa que fiz as bibliotecas; Adelpha Figueredo (Bairro do Pari), Biblioteca Cassiano Ricardo e Hans Christian Andersen (Tatuapé), Biblioteca Mário de Andrade (Anhangabaú) e Biblioteca Centro Cultural (Vergueiro), encontrei um total de 112 cidades por toda região da antiga Suméria.

Fiz as pesquisas, dividindo a região por; Baixa Mesopotâmia e Alta Mesopotâmia.


© Baixa Mesopotâmia: A Baixa Mesopotâmia é a região sul da Mesopotâmia, atual Iraque, caracterizada por terras férteis irrigadas pelos rios Tigre e Eufrates, onde floresceram as civilizações da Suméria e Babilônia, desenvolvendo agricultura de irrigação, comércio e cidades-estados, com uma sociedade hierárquica e uma religião politeísta, sendo um berço fundamental das primeiras civilizações orientais. Também habitada por outros povos como Acádios, Amoritas, Assírios e Caldeus, que deixaram sua marca cultural e política. 

Obs: Na listagem não coloquei a cidade da Acádia, isso por causa da forte conexão que esta cidade tem com o povo semita Acádio. Contudo, a cidade da Acádia foi fundada pelos Sumérios, e quem morava na Acádia, era acadiano. O povo semita que morava na Acádia conquistou as outras cidades, isso acontecia o tempo todo. Mas isso é coisa para outra matéria.


© Alta Mesopotâmia: A Alta Mesopotâmia ou Mesopotâmia Superior é a região montanhosa e de planaltos ao norte do Iraque, Síria e Turquia, caracterizada por terras menos férteis em comparação com o sul (Baixa Mesopotâmia), mas com vales férteis, sendo o lar dos assírios e berço de cidades como Assur e Nínive, e fundamental para o controle das nascentes dos rios Tigre e Eufrates. 

É uma área de planaltos ondulados, com colinas de calcário e ricos vales, cortados por rios como o Khabur. Faz a conexão com as montanhas Zagros e Eufrates, de onde nascem os grandes rios. Sua posição estratégica a tornava crucial para o controle das águas e rotas comerciais, sendo um "celeiro" na parte síria. 


Por ser muitas cidades, procurei com diligência, colocar somente 19 cidades, as principais, as mais conhecidas pelos estudantes de história e arqueologia.


AKSHAK

Akshak (ou Aquesaque) foi uma importante cidade da antiga Suméria, localizada na fronteira norte da Acádia, na região da Mesopotâmia (atual Iraque). 

Abaixo estão os fatos principais sobre a cidade:

Localização: Situava-se próxima ao Rio Tigre, onde este se aproxima mais do Rio Eufrates. Embora sua localização exata seja incerta, historiadores a associam frequentemente à cidade babilônica de Upi (Opis, em grego), possivelmente perto do Rio Diala.

Importância Histórica: Akshak foi uma das cidades que deteve a hegemonia sobre a Suméria durante o Período Dinástico Inicial III. Segundo a Lista de Reis Sumérios, seis reis de Akshak governaram a região por cerca de 99 anos antes da soberania passar para a cidade de Quis.

Conflitos: A cidade esteve envolvida em guerras frequentes com outras cidades-estado, como Lagash e Uruk. O rei Eanatum de Lagash afirmou ter derrotado o rei Zuzu de Akshak por volta de 2450 a.C..

Governantes conhecidos: Entre os reis listados estão Unzi, Undalulu, Urur, Puzur-Nira, Isu-Il e Shu-Sin. 

A cidade desapareceu dos registros históricos proeminentes após a ascensão do Império Acadiano de Sargão, o Grande, que unificou a região.


BABEL

A etimologia de Babel é complexa, vindo do acadiano Bāb-ilim ("Porta de Deus"), mas popularmente interpretada na Bíblia através do hebraico bālal ("confundir"), devido à história da Torre de Babel onde Deus confundiu as línguas humanas, transformando a palavra em sinônimo de confusão, desordem e multiplicidade de línguas. 

Origens e Significados:

Acadiano (Original): Bāb-ilim, significando "Porta de Deus" ou "Portão de Deus", referindo-se à cidade da Babilônia.

Hebraico (Popular): A história bíblica (Gênesis 11) faz um jogo de palavras com o verbo hebraico bālal (בָּלַל), que significa "misturar" ou "confundir". 

Evolução do Significado:

A narrativa bíblica atribui o nome "Babel" à confusão de línguas causada por Deus, resultando em caos, desordem, algazarra e diversas vozes/línguas.

Assim, a palavra transcendeu o nome da cidade para se tornar um termo genérico para qualquer situação de grande confusão linguística ou tumulto. 

Em resumo, Babel tem uma origem que significa "Porta de Deus", mas sua fama e o significado popular derivam da associação hebraica com o ato de "confundir" línguas, conforme descrito na Bíblia. 


BAD TIBIRA

Bad-tibira (em sumério: 𒂦𒁾𒉄𒆠, bad₃-tibira ki) foi uma antiga e proeminente cidade-estado suméria, hoje um sítio arqueológico conhecido como Tell al-Madineh (ou Tell Madineh/Tell al-Mada'in) no sul do Iraque. O nome da cidade pode ser traduzido como "Muro dos Trabalhadores de Cobre" ou "Fortaleza dos Ferreiros", refletindo sua importância como um centro de metalurgia na antiguidade. 

Pontos Chave

Mítica e Antediluviana: A cidade é notavelmente listada na "Lista de Reis Sumérios" como a segunda cidade a "exercer a realeza" em Sumer antes do Grande Dilúvio, seguindo Eridu.

Reis Lendários: De acordo com a lista, três reis míticos governaram Bad-tibira por vastos períodos de tempo antes que a realeza passasse para a cidade de Larag. Um desses reis foi Dumuzid, o Pastor (Tammuz em acádio), uma figura central na mitologia suméria.

Centro Religioso: O principal deus da cidade era Dumuzid, o deus da fertilidade e do pastoreio, consorte da deusa Inanna/Ishtar. O templo da cidade, o E-mush-kalamma, é mencionado no poema épico "A Descida de Inanna ao Submundo".

Importância Histórica: Embora mais conhecida por seu papel mitológico, Bad-tibira teve importância histórica real, com reis de cidades como Larsa e Isin reconstruindo seus muros e templos em períodos posteriores. O controle da cidade frequentemente oscilava entre essas potências rivais.

Arqueologia: O local moderno, Tell al-Madineh, está situado na província de Dhi Qar, no Iraque, entre as cidades de Ash Shatrah e Tell as-Senkereh. Fragmentos de tijolos vitrificados no local atestam que a cidade sofreu uma terrível destruição por fogo por volta de 1500 a.C.


BORSIPA

Borsippa (sumério: Bad-si-a-ab-ba; acadiano: Barsip), conhecida hoje como Birs Nimrud, foi uma influente cidade da antiga Suméria e Babilônia, situada cerca de 18 km a sudoeste da Babilônia, na província de Babil, no atual Iraque. 

Os principais aspectos históricos e arqueológicos de 2026 incluem:

O Zigurate de Birs Nimrud: É um dos vestígios mais impressionantes da Mesopotâmia. Frequentemente confundido por viajantes antigos com a Torre de Babel, este zigurate era na verdade o "E-ur-imimin-an-ki" ("Templo das sete diretrizes do céu e da terra"), dedicado ao deus Nabu.

Significância Religiosa: Borsippa era considerada a "cidade irmã" da Babilônia. Enquanto a Babilônia era o centro político e morada de Marduque, Borsippa era o centro religioso dedicado a seu filho, Nabu, o deus da escrita e da sabedoria. Durante as celebrações do Ano Novo (Akitu), a estátua de Nabu era levada em procissão da Babilônia até o seu templo em Borsippa, o Ezida.

Educação e Literatura: A cidade era um centro renomado de aprendizado. Muitas bibliotecas de tabletes de argila foram encontradas em suas ruínas, contendo textos astronômicos, médicos e literários que foram fundamentais para o conhecimento moderno sobre a cultura babilônica.

Visitação em 2026: O local permanece um destino arqueológico chave no Iraque, sendo rotineiramente visitado por turistas que exploram o complexo da Babilônia devido à sua proximidade e ao estado de preservação de suas ruínas. 

A cidade manteve sua importância até o período helenístico, declinando gradualmente após a conquista islâmica da região.


DER

Der (em sumério: uruBAD.ANki) foi uma cidade-estado da antiga Suméria situada no atual sítio arqueológico de Tell Aqar, próximo a al-Badra, na província de Wasit, Iraque. Localizava-se a leste do Rio Tigre, na zona de fronteira entre a Suméria e o Elão. 

História e Relevância

Período de Ocupação: A cidade foi habitada desde o Período Dinástico Precoce até os tempos neoassírios.

Papel Político: Durante o reinado de Shulgi (Terceira Dinastia de Ur), Der é mencionada como tendo seu templo restaurado no 11º ano e sendo destruída no 21º ano de seu governo. Posteriormente, foi alvo de campanhas militares de reis de Larsa e da Babilônia.

Relação com Elão: Devido à sua localização estratégica, Der serviu frequentemente como um ponto de conflito ou diplomacia entre as potências da Mesopotâmia e o vizinho Elão. 

Religião e Divindades

Cidade de Anu: Assim como Uruk, Der detinha o título de "Cidade de Anu", o deus sumério do céu e pai dos deuses.

Divindade Patrona: O deus principal local era Ishtaran, cujo templo se chamava Edimgalkalama. No primeiro milênio a.C., Ishtaran passou a ser referido como Anu rabû ("Grande Anu").

Iconografia: Ishtaran era frequentemente representado na Terra pelo deus-serpente Nirah. 

Arqueologia

Embora Tell Aqar seja identificado como o local de Der, o sítio nunca foi extensivamente escavado devido aos danos significativos causados por inundações ao longo dos séculos. A confirmação do nome do local veio de objetos encontrados nas proximidades, como um kudurru (pedra de fronteira) descoberto em Sippar. 


ERIDU

Eridu foi uma das cidades sumérias mais antigas e importantes, considerada pelos antigos mesopotâmicos a primeira cidade do mundo, fundada pelos deuses e lar do deus da sabedoria, Enki. Localizada no sul do Iraque, era um centro religioso, com um templo dedicado a Enki (E-Abzu), e figura nos mitos sumérios, como a "Gênese de Eridu", associada ao conceito de paraíso. Arqueologicamente, é um tell com múltiplas camadas de assentamentos desde o 6º milênio a.C., um dos sítios urbanos mais antigos conhecidos. 

Principais características e importância:

Fundação Mítica: Acreditava-se que foi fundada por divindades, recebendo a realeza diretamente do céu.

Centro Religioso: Seu templo a Enki, o E-Abzu, era o coração espiritual da cidade, e Eridu era um local sagrado.

Primeira Cidade: A Lista de Reis Sumérios a descreve como a primeira cidade, um modelo de "era de ouro" e paraíso terrestre, influenciando a narrativa bíblica do Éden.

Arqueologia: Escavações revelaram estruturas de até 7 metros de altura, com templos e zigurates construídos sobrepostos ao longo de milênios, mostrando uma transição de comunidades agrícolas para uma cidade.

Períodos: Ativa desde o Período Ubaid (c. 5400 a.C.), foi um centro importante até ser superada por outras cidades, sendo gradualmente abandonada por volta do século VII a.C., possivelmente por mudanças ambientais. 

Em resumo: Eridu é fundamental para entender as origens da civilização suméria e mesopotâmica, representando tanto uma realidade arqueológica de assentamento antigo quanto um mito de criação e um centro de culto essencial. 


ESHINUNA

Eshnunna (em sumério: 𒄑𒉣𒈾𒆠, Ešnunna; atual Tell Asmar, Iraque) foi uma antiga cidade-estado na região do Vale do Rio Diala, na Mesopotâmia central. Embora estivesse localizada a nordeste da Suméria propriamente dita, a cidade pertencia firmemente à esfera cultural suméria e, mais tarde, acádia e babilônica. 

História e Significado

Períodos de Ocupação: Eshnunna foi habitada desde o período de Jemdet Nasr (c. 3000 a.C.) até sua eventual conquista pelo rei babilônico Hamurabi por volta de 1761 a.C., após a qual entrou em declínio.

Independência e Reino: Após o colapso da Terceira Dinastia de Ur, Eshnunna tornou-se um reino independente e poderoso por conta própria, controlando rotas de comércio valiosas que ligavam a Mesopotâmia ao Elão e outras regiões.

Centro de Comércio: Sua localização estratégica fez dela uma ponte vital para o comércio de bens como cobre, estanho, pedras preciosas e até mesmo artigos exóticos como copal de Zanzibar e contas do Vale do Indo. 

Cultura e Religião

Divindade Patrona: O deus principal da cidade era Tishpak (ou Tišpak), uma divindade associada à guerra e, por vezes, a cobras míticas. Outros deuses importantes incluíam Sin, Adad e Inanna.

Artefatos Notáveis: Escavações na década de 1930 revelaram o Tesouro de Tell Asmar (Tell Asmar Hoard), uma coleção de doze estátuas votivas sumérias em gesso e calcário, com olhos grandes e incrustados, que representavam adoradores em oração perpétua no templo. 

Obras Legais

As "Leis de Eshnunna": A cidade é mais famosa por um conjunto de aproximadamente 60 leis cuneiformes, conhecidas como as "Leis de Eshnunna". Datadas do século XVIII a.C. (ou possivelmente do final do século XIX a.C.), essas leis antecedem o famoso Código de Hamurabi e fornecem detalhes valiosos sobre a organização social, econômica e jurídica da antiga Mesopotâmia, abordando temas como roubo, lesões corporais e responsabilidades econômicas. 

Arqueologia

O sítio arqueológico, hoje chamado Tell Asmar, foi escavado extensivamente pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, liderado por Henri Frankfort, nas décadas de 1930. As escavações revelaram palácios, templos (como o Templo de Inanna) e até mesmo exemplos primitivos de engenharia de esgoto e banheiros em residências privadas.


GIRSU

Girsu (atual Tell Telloh, Iraque) foi uma cidade-estado suméria crucial, centro religioso do reino de Lagash, dedicada ao deus Ningirsu, famosa por templos como o E-ninnu, descobertas de estátuas de Gudea e milhares de tabuinhas cuneiformes, revelando inovações sumérias como escrita, irrigação e urbanismo, sendo fundamental para entender a civilização suméria. 

Principais Características:

Centro Religioso: Era o polo sagrado de Lagash, com templos importantes para Ningirsu (E-ninnu) e sua esposa Bau.

Descobertas Arqueológicas: Escavações desde o século XIX revelaram monumentos, como o antigo templo e o que pode ser a ponte de tijolos mais antiga do mundo, além de estátuas de Gudea.

Tabuinhas Cuneiformes: Milhares de tabuinhas encontradas detalham a vida econômica, legal e religiosa, sendo cruciais para o conhecimento da Suméria.

Importância Cultural: As estátuas de Gudea causaram sensação mundial e a cidade é vital para o estudo da formação das primeiras cidades-estados sumérias.

Períodos: Existiu desde o Período Ubaid (c. 5000 a.C.) até cerca de 200 d.C., florescendo no Período Dinástico Arcaico (c. 2900-2335 a.C.). 

Localização:

Situava-se a aproximadamente 25 km a noroeste de Lagash, no sul do Iraque moderno, na província de Dhi Qar, no local conhecido como Tell Telloh (ou Tello). 

Projeto Atual:

O Projeto Girsu, do Museu Britânico, continua as escavações e esforços de conservação, usando abordagens interdisciplinares para reanalisar a história de Girsu. 


ISIN

Isin foi uma importante cidade-estado da antiga Mesopotâmia que assumiu o protagonismo político na região após a queda da Terceira Dinastia de Ur (Ur III), por volta de 2004 a.C.. 

Principais Características de Isin

Fundação da Dinastia: A primeira dinastia de Isin foi fundada por Ishbi-Erra, um antigo oficial de Ur que se tornou independente e expulsou os elamitas da região.

Continuidade Cultural: Seus reis se viam como sucessores legítimos da herança suméria. Embora fossem falantes de acádio, mantiveram o sumério como língua oficial na administração, literatura e rituais religiosos.

Legado Jurídico: O rei Lipit-Ishtar (c. 1934–1924 a.C.) é famoso por promulgar um código de leis escrito em sumério que precedeu o Código de Hamurábi.

Período Isin-Larsa: A história de Isin é frequentemente agrupada com a de sua rival, Larsa, no chamado Período de Isin-Larsa (c. 2025–1763 a.C.), marcado por disputas territoriais e de recursos hídricos.

Centro Religioso: Isin era o centro de culto da deusa Gula (ou Ninisinna), a divindade da cura. 

Declínio

A hegemonia de Isin terminou quando a cidade foi conquistada por Rim-Sin I de Larsa, por volta de 1793 a.C., sendo posteriormente absorvida pelo Império Babilônico sob o comando de Hamurábi.


KISH

Kish foi uma cidade-estado suméria proeminente na antiga Mesopotâmia, perto da moderna Tell al-Uhaymir, no Iraque, famosa por ser considerada a primeira capital dos sumérios e a primeira cidade fundada após o Dilúvio em suas lendas, com reis que se autodenominavam "reis do mundo inteiro". Foi um centro político, econômico e religioso importante no Período Dinástico Arcaico, rivalizando com outras cidades como Uruk e Ur, e mais tarde foi conquistada por Sargon da Acádia, que a usou como base para seu império, antes de se tornar um centro cultural e de aprendizado por séculos. 

Principais Pontos sobre Kish:

Localização: Próximo a Tell al-Uhaymir, no atual Iraque, a cerca de 80 km ao sul de Bagdá.

Importância Histórica: Ocupada desde o período Ubaid (cerca de 5300-4300 a.C.), tornou-se uma das maiores potências da região no Período Dinástico Arcaico (c. 2900-2300 a.C.).

Lendas e Realeza: A Lista Real Suméria a descreve como a primeira cidade com reis após o Dilúvio, com monarcas como Gishor e a rainha Kubaba, e seus governantes adotavam o título de "Rei de Kish" para simbolizar poder.

Rivalidades: Há registros de rivalidades com Uruk, como na epopeia de Gilgamesh e Aga, e Kish teve um papel crucial na ascensão de Sargon da Acádia, que a tomou e a usou como ponto de partida para o primeiro império mundial.

Legado Arqueológico: Escavações revelaram zigurates, palácios reais e vestígios de uma rica cultura, embora sua identidade exata tenha sido um mistério por muito tempo. 

Kish na Cultura Suméria:

Centro de Poder: Era um centro de prestígio, e o título "Rei de Kish" era buscado por outros reis para legitimar seu domínio.

Influência Semítica: A cidade mostrava fortes elementos semíticos orientais, com um dialeto próprio, o Kishita, sugerindo uma interação complexa com os sumérios e acádios.

Declínio: Após o Império Acadiano, Kish continuou a ser importante, mas foi gradualmente ofuscada por Babilônia, sendo totalmente abandonada por volta do século VI d.C.


LAGASH

Lagash (ou Lagaš) foi uma das mais antigas e importantes cidades-estado da civilização suméria, no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), conhecida por suas descobertas arqueológicas como a "taberna" de 5 mil anos e seus templos, sendo um centro urbano crucial do mundo antigo, com registros que datam do Período Ubaid (c. 5200-3500 a.C.) até a Idade do Bronze, e hoje suas ruínas são o sítio arqueológico de Tell al-Hiba. 

Principais Características e História:

Localização: Situava-se no noroeste dos rios Tigre e Eufrates, uma região fértil para a agricultura suméria.

Cidade-Estado: Era uma das principais cidades-estado da Suméria, junto com Uruk, Ur e Nippur, formando uma rede urbana complexa.

Períodos de Ocupação: Fundada no Período Ubaid, foi habitada até a era Parta (247 a.C. - 224 d.C.), mas seu auge foi na Mesopotâmia Primitiva e Idade do Bronze.

Centros Urbanos: Lagash era composta por vários centros, incluindo a própria Lagash (Tell al-Hiba), Girsu (Tello) e Niĝin (Tell Zurghul).

Governo: Seus governantes se chamavam "reis" (lugal) e a cidade foi parte de impérios como o de Ur.

Religião e Cultura: Possuía templos importantes, como o Eninnu, e é famosa por monumentos como a Estela dos Abutres e o Vaso de Prata de Entemena, que celebram vitórias militares.

Descobertas Recentes: Escavações recentes revelaram uma "taberna" de 5 mil anos com bancos, fornos e vestígios de comida e cerveja, indicando um local de refeições para pessoas comuns. 

Importância:

Lagash foi fundamental para entender a vida urbana, a organização social e a cultura religiosa da Suméria, sendo um dos primeiros centros urbanos do mundo e uma das cidades mais antigas da história. 


LARSA

Larsa (em sumério: UD.UNUG) foi uma importante cidade-estado da antiga Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia (atual província de Dhi Qar, Iraque), perto da cidade de Uruk.Serviu como um importante centro religioso e político por quase 5.000 anos, atingindo seu auge no início do segundo milênio a.C. 

Principais fases históricas

Significado religioso: Larsa era o principal centro de culto do deus sol Utu (em acádio: Shamash). Seu templo, E-babbar ("Casa Brilhante"), era um ponto central da vida espiritual mesopotâmica.

Período Isin-Larsa (c. 2025–1763 a.C.): Após o colapso da Terceira Dinastia de Ur, Larsa tornou-se uma potência dominante. A cidade conquistou a independência da cidade rival de Isin sob o reinado de Gungunum (c. 1932–1906 a.C.), que se apoderou da cidade sagrada de Ur e desviou canais de água vitais para enfraquecer Isin.

Auge e Queda: Larsa atingiu seu poder máximo sob o reinado de Rim-Sin I (r. 1822–1763 a.C.), o monarca com o reinado mais longo da história da Mesopotâmia. Ele conquistou Isin em 1794 a.C., mas acabou sendo derrotado e capturado por Hamurabi da Babilônia em 1763 a.C., marcando a ascensão do Primeiro Império Babilônico. 

Contribuições Econômicas e Culturais

Centro Comercial: Larsa aproveitou sua localização próxima ao Golfo Pérsico para controlar rotas comerciais lucrativas, trocando lã e prata por marfim, peles e óleos do Vale do Indo e de Dilmun (Bahrein).

Matemática: A cidade é uma famosa fonte de tabuletas matemáticas cuneiformes, principalmente a tabuleta Plimpton 322 , que demonstra uma compreensão avançada de ternas pitagóricas e trigonometria há quase 4.000 anos.

Infraestrutura: Estudos arqueológicos revelaram uma enorme muralha da cidade com 5 quilômetros de extensão, uma sofisticada rede de canais internos e um porto ligado aos rios Tigre e Eufrates. 

Sítio Arqueológico

As ruínas de Larsa, hoje conhecidas como Tell as-Senkereh , cobrem aproximadamente 200 hectares. Escavações científicas, lideradas principalmente por equipes francesas desde 1933, revelaram templos, um palácio de Nur-Adad e arquivos que detalham os complexos sistemas jurídicos e econômicos da cidade. 


ME TURAN

Me-Turan (também conhecida como Mê-Turnat) foi uma antiga cidade da Mesopotâmia localizada no vale do rio Diala, no atual Iraque. O local arqueológico compreende os montículos modernos de Tell Haddad e Tell al-Sib. 

Principais características históricas e arqueológicas:

Cronologia: Foi ocupada desde o período Isin-Larsa (início do 2º milênio a.C.) até o período Neoassírio (século VII a.C.).

Significância Política: No período Paleobabilônico, Me-Turan serviu como um centro administrativo regional sob o controle do reino de Eshnunna, antes de ser conquistada pela Babilônia.

Descobertas Literárias: Escavações realizadas entre 1978 e 1984 revelaram cerca de 1.000 tabletes de argila. Entre eles, foram encontrados fragmentos importantes de literatura suméria, incluindo versões do Epopeia de Gilgamesh (Gilgamesh e o Touro do Céu) e textos das Leis de Eshnunna.

Religião e Cultura: No período Neoassírio, a cidade abrigava um grande templo chamado E-šahulla, dedicado ao deus Nergal, reconstruído pelo rei Assurbanípal. Tabletes encontrados em residências sugerem um ambiente intelectual e acadêmico, com textos médicos e rituais de proteção contra doenças.

Estado Atual: O local foi escavado como parte de um projeto de salvamento antes da construção da Barragem de Hamrin, e grande parte da área foi inundada após a conclusão dos trabalhos em 1984. 

Nota: Não confundir com o termo geográfico "Turan", que se refere a uma região histórica da Ásia Central na mitologia e história iraniana. 


NIPPUR

Nippur é um dos sítios arqueológicos mais importantes da antiga Mesopotâmia, localizado a cerca de 5 a 8 quilômetros ao norte da cidade moderna de Afak (ou Afaq), na província de Al-Qadisiyah, Iraque. 

Destaques Históricos e Geográficos:

Localização: Situada aproximadamente 160 km a sudeste de Bagdá e 100 km a sudeste da antiga Babilônia. Hoje, os restos da cidade formam um complexo de colinas conhecidas localmente como Nuffar.

Significado Religioso: Diferente de outras cidades sumérias, Nippur não era uma capital política, mas sim o centro religioso supremo da Suméria e Acádia. Era a sede do culto a Enlil, o deus soberano do cosmos, cujo templo era chamado de E-kur.

Antiguidade: O assentamento no local remonta ao período Ubaid (c. 5.000 a.C.) e permaneceu habitado por mais de 6.000 anos, até cerca de 800 d.C..

Importância Cultural: Escavações revelaram milhares de tabuletas de argila com escrita cuneiforme, incluindo o mapa de cidade mais antigo conhecido e textos literários fundamentais, como versões da história do dilúvio. 

Atualmente, o sítio de Nippur está na lista indicativa para se tornar um Patrimônio Mundial da UNESCO.


SHURUPAK

Shuruppak (modern Tell Fara, Iraq) foi uma importante cidade-estado suméria, famosa na mitologia como o local do Grande Dilúvio, de onde o herói Ziusudra (o equivalente sumério de Noé) sobreviveu, e como a fonte das "Instruções de Shuruppak", um texto de sabedoria atribuído a seu rei. Era dedicada à deusa Ninlil (Sud), deus do ar e dos grãos, e foi um centro administrativo e econômico, com rica documentação arqueológica encontrada em suas escavações. 

Principais Aspectos:

Localização: Sul do Iraque, a cerca de 55 km ao sul de Nippur, às margens do Eufrates.

Significado Mitológico: Cenário do Dilúvio (similar ao de Gilgamesh e da Bíblia), com Ziusudra sendo o sobrevivente instruído pelos deuses a construir uma arca, conforme narrado nas Instruções.

Literatura: Casa das "Instruções de Shuruppak", um dos mais antigos textos de sabedoria conhecidos, contendo conselhos morais e práticos.

Arqueologia: Escavações revelaram documentos administrativos, incluindo registros de trabalhadores, animais e terras, destacando sua importância econômica.

Período Fara: O Período Dinástico Arcaico IIIa também é conhecido como Período Fara, em referência a Shuruppak. 

Em resumo, Shuruppak é fundamental para entender tanto a história administrativa quanto a rica mitologia e literatura da antiga Mesopotâmia suméria, especialmente sua versão do mito do dilúvio universal. 


SIPPAR

Sippar (em sumério: Zimbir, que significa "cidade dos pássaros") foi uma antiga e importante cidade-estado da Mesopotâmia, localizada na margem leste do Rio Eufrates, no atual Iraque (sítio de Tell Abu Habbah). A cidade foi um centro religioso e cultural significativo em diferentes períodos, incluindo o sumério e, posteriormente, o babilônico e neo-babilônico. 

Importância e Contexto Histórico

Centro de Culto Principal: Sippar era o principal centro de culto do deus Sol, conhecido como Utu em sumério e Shamash em acádio. O templo principal da cidade, dedicado a esta divindade, era chamado E-babbara ("Casa Brilhante").

Deus da Justiça: Shamash era também o deus da justiça. A famosa estela com o Código de Hamurabi foi provavelmente erguida em Sippar, onde o rei Hamurabi é mostrado recebendo a autoridade de Shamash no topo do monumento.

Registros Antigos: A "Lista de Reis Sumérios" menciona um governante de Sippar, En-men-dur-ana, como um dos reis antediluvianos lendários, que supostamente reinou por 21.000 anos. Contos mitológicos sugerem que registros do mundo antes do Dilúvio foram enterrados em Sippar.

Centro de Arquivos: Milhares de tábuas de argila cuneiformes, abrangendo textos legais, administrativos e literários, foram recuperadas no local, fornecendo uma visão inestimável da vida e da lei na antiga Mesopotâmia, especialmente durante os períodos babilônico antigo e neo-babilônico.

Mapeamento Antigo: O artefato conhecido como o "Mapa do Mundo Babilônico" (Imago Mundi), a representação cartográfica mais antiga conhecida do mundo, foi descoberto em Sippar e data do século VI a.C.. 

Localização

Sippar estava localizada a aproximadamente 60 km ao norte da Babilônia e 30 km a sudoeste de Bagdá moderna, na província de Babil, no Iraque. Era uma cidade-gêmea, emparelhada com Sippar-Amnanum (atual Tell ed-Der), situada na margem oposta do Eufrates.


UMMA

Umma (em sumério: 𒄑𒆵𒆠, ummaki) foi uma importante cidade-estado da antiga Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia (atual província de Dhi Qar, no Iraque). Identificada arqueologicamente como Tell Jokha, a cidade floresceu principalmente no 3º milênio a.C.. 

Contexto Histórico e Conflitos

Umma é historicamente célebre por sua rivalidade milenar com a vizinha Lagash. 

Guerra de Fronteira: As duas cidades disputaram durante gerações a posse de Gu-Edin, uma região agrícola extremamente fértil entre seus territórios.

Primeira Guerra Registrada: Este conflito é considerado por historiadores como a primeira guerra detalhadamente documentada da humanidade, imortalizada na Estela dos Abutres, que celebra a vitória de Eannatum de Lagash sobre Umma por volta de 2450 a.C..

Ascensão de Lugalzagesi: Por volta de 2350 a.C., o rei Lugalzagesi de Umma conseguiu subjugar Lagash e unificar quase todas as cidades sumérias, tornando-se o último grande monarca sumério antes da conquista pelo Império Acádio de Sargão, o Grande. 

Religião e Administração

Divindade Patrona: O deus principal de Umma era Shara, deus da guerra e patrono da cidade.

Economia e Burocracia: Sob a Terceira Dinastia de Ur (Ur III), Umma tornou-se um vital centro administrativo provincial. Milhares de tábuas de argila cuneiformes recuperadas no site revelam um sofisticado sistema burocrático focado na gestão de agricultura, mão de obra e economia dos templos.

Calendário: O calendário de Umma utilizado no reinado de Shulgi serviu de base para o posterior calendário babilônico. 

Arqueologia Atual

O sítio arqueológico de Tell Jokha abrange uma área de aproximadamente 400 hectares. Recentemente, escavações realizadas pelo Instituto Arqueológico e Histórico Eslovaco (SAHI) em cooperação com o Iraque focaram no Templo de Shara. Infelizmente, o local sofreu danos significativos devido a saques intensos, especialmente após a invasão do Iraque em 2003. 


UR

A etimologia de Ur, a antiga cidade-estado suméria localizada no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), tem origens no sumério antigo e no acádio, com variações em seu significado. 

Aqui estão os pontos principais da etimologia e significado de Ur:

Nome Sumério Original: A cidade era conhecida em sumério como Urim ou Urim5ki.

"Habitação/Cidade": Deriva do termo sumério ur ou uru, que significa "cidade", "vila" ou "assentamento". Outra interpretação, baseada em Unugki, sugere "a morada de Nanna" (deus da lua).

"Luz": Frequentemente associada à palavra hebraica/semítica ʾÛr, que significa "luz" ou "fogo", possivelmente relacionada ao culto do deus da lua (Nanna/Sin) que lá se realizava.

"Ur dos Caldeus" (Bíblia): A expressão hebraica Ur Kasdim (אוּר כַּשְׂדִּים) é usada na Bíblia para referir-se à cidade de origem do patriarca Abraão.

Confusão com Uruk: Embora compartilhem raízes, Ur (Urim) é distinta da cidade de Uruk (Unug), sendo Ur uma cidade mais ao sul, perto da foz do Eufrates. 

Contexto Histórico:

Ur foi uma das cidades-estado mais importantes da antiga Suméria, atingindo seu auge por volta de 2.000 a.C. com a Terceira Dinastia de Ur (o Império Neossumério), marcada pelo grande zigurate dedicado ao deus Nanna. 


URUK

A etimologia de Uruk remonta às línguas da antiga Mesopotâmia, evoluindo do sumério para o acadiano e influenciando línguas posteriores. Aqui estão os pontos principais sobre a origem do nome: Origem Suméria (Unug): O nome original em sumério era Unug (escrito cuneiforme: 𒀕 ou UNUG\({}^{k}i\)). Acredita-se que este termo significasse "moradia", "sítio", "local" ou "assento", referindo-se comumente à morada terrena de uma divindade.Evolução para o Acadiano (Uruk): O nome foi adaptado para a língua acadiana (semítica) como Uruk.Significado e "Falsa Etimologia": Embora o termo acadiano "Uruk" soe semelhante a uru (palavra suméria para "cidade"), estudiosos indicam que Unug (sumério) e Uru (cidade) são raízes diferentes. No entanto, é possível que uma "etimologia popular" antiga tenha associado Unug a Uru, transformando-o em Uruk.Derivações Bíblicas e Modernas:Erech (Ereque): A cidade é referida na Bíblia (Gênesis 10:10) como Erech, uma adaptação do nome sumério/acadiano.Warka: O nome moderno do sítio arqueológico, no Iraque, é Warka, derivado diretamente da pronúncia antiga.Iraque: Acredita-se que o nome do moderno país, Iraque (Al-Iraq), seja uma derivação do nome da antiga cidade de Uruk. Em resumo, Uruk é a versão acadiana do sumério Unug, significando "moradia" ou "assento" (sagrado), e é um dos nomes de cidades mais antigos e influentes da história da civilização. 



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