Os filósofos e intelectuais da Grécia Antiga reagiram ao radicalismo de Diágoras de Melos que foi apelidado como o Ateu. Embora o ambiente intelectual da época tolerasse o ceticismo abstrato, a conduta pública e provocativa de Diágoras cruzou os limites da aceitação política e religiosa da pólis, pois assim como Sócrates, Diágoras chutou o pau da barraca, e foi visceral contra o sistema religioso vigente na época e também contra a crença nos Deuses.
Assim como nos dias de hoje, naquele período, intelectuais ligados ao teatro e à crítica social viam o ateísmo militante como uma ameaça à ordem pública e uma excentricidade perigosa.
Os pensadores contemporâneos de Diágoras preferiram manter uma postura de cautela e distanciamento público para evitar represálias políticas semelhantes.
Protágoras de Abdera 490-415
Adotava um agnosticismo seguro (afirmando não saber se os deuses existiam ou não), Diágoras negava ativamente a interferência divina no mundo real. Ele usava ironias práticas, como queimar uma estátua de Hércules para cozinhar lentilhas.
Demócrito de Abdera 460-370 os Atomistas
Embora relatos tardios e anedóticos tentassem ligar erroneamente Diágoras a Demócrito como seu mestre ou escravo, a filosofia atomista preferiu explicar os deuses através de fenômenos físicos e naturais, evitando o confronto direto e o deboche promovido por Diágoras.
Aristófanes 447-386
Em sua peça As Nuvens, o dramaturgo usou a fama de Diágoras para satirizar os filósofos e sofistas. Na obra, Sócrates é ironicamente associado a Diágoras para sugerir que as novas investigações da natureza corrompiam a juventude e destruíam a fé nos deuses tradicionais.
Na comédia As Rãs, Aristófanes faz nova menção implícita ao debate sobre a impiedade (asebeia). Diágoras não era visto apenas como um dissidente teórico, mas como um elemento subversivo que ridicularizava rituais sagrados, como os Mistérios de Elêusis.
Platão ou Arístocles 428-347 e Aristóteles de Estagira 384-322
Criticavam duramente o ateísmo absoluto. Para Platão, a negação dos deuses destruía os fundamentos morais da sociedade. Os filósofos clássicos viam figuras como Diágoras não como mentes puramente lógicas, mas como indivíduos perigosos para a ordem social.
Epicuro de Samos 341-270 e os Atomistas
Embora não negassem a existência dos deuses, os epicuristas afirmavam que as divindades eram indiferentes aos assuntos humanos. Eles usavam os questionamentos de Diágoras sobre a falta de punição divina aos homens maus para fundamentar que os deuses não interferem no nosso mundo.
Cícero de Arpino 106-43 a.C.
No seu livro De Natura Deorum, o pensador romano utilizou as famosas anedotas de Diágoras (como a crítica aos sobreviventes de naufrágios) de forma neutra. Ele usava os argumentos de Diágoras para expor as fraquezas das superstições religiosas da época, sem necessariamente concordar com o ateísmo total.
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