Seguidores

quinta-feira, 4 de junho de 2026

A FARSA DO ARREBATAMENTO II


 

O arrebatamento não é uma doutrina cristã. Ele nem existia na cultura religiosa ou na teologia hebraica; não existia.

Primeiro, o cristianismo, na época, era uma dissensão do judaísmo. O cristianismo vai começar a ter suas origens com Constantino, o Grande e Papa Silvestre I. Embora o  Papa Silvestre I não compareceu pessoalmente ao Concílio de Niceia em 325 d.C. Devido à sua idade avançada, ele foi representado por dois legados: os presbíteros Vito e Vicente, além do bispo Ósio de Córdoba. Embora ausente, o Papa aprovou e confirmou as decisões do concílio.

A ideia de um arrebatamento da igreja surgiu muitos séculos depois dos apóstolos e não faz parte da Tradição da Igreja.


Textos

1 Tessalonicenses 4:16-17: É o texto mais direto. Paulo usa o verbo grego harpazo (arrebatado, levado à força). Ele afirma que os vivos serão "arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares".


1 Coríntios 15:51-52: Trata da transformação física que ocorre no mesmo instante. Ele afirma que "nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos"


João 14:1-3 (Jesus e João): Registrado pelo apóstolo João, Jesus promete voltar para "vos levar para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também".


Estes textos foram escritos para consolar os crentes que choravam pelos parentes mortos. Tem também a questão da crença iminente, de que os apóstolos viviam na expectativa de que Jesus poderia voltar a qualquer momento.

A palavra latina raptura (de onde vem "arrebatamento") é a tradução direta do termo grego harpazo usado por Paulo.

Temos um outro probleminha ai, que é a datação histórica do tal arrebatamento, até o ano de 1830 ninguém falava sobre o arrebatamento da Igreja como é tão conhecido nos dias de hoje. 

Isso foi feito por John Nelson Darby que nasceu no ano de 1800 e morreu no ano de 1882 ele se inspirou nos ensinos de um padre Jesuíta espanhol chamado Francisco Ribeira que nasceu no ano de 1537 e morreu no ano de 1591, nenhum reformador acreditava em um arrebatamento coletivo da igreja. 

A a ideia geral de que os cristãos vivos seriam "arrebatados" (elevados aos céus) no fim do mundo para se encontrar com Cristo sempre fez parte da teologia medieval, mas depende de como você define "arrebatamento". Se você está se referindo ao arrebatamento secreto e pré-tribulacionista (a ideia de que a Igreja será retirada do mundo de forma invisível antes de um período de sete anos de tribulação), você está correto: essa teologia de fato não existia na Idade Média. Ela só foi desenvolvida e popularizada a partir da década de 1830 pelo teólogo britânico John Nelson Darby.

Não havia a ideia de um "desaparecimento secreto" ou de duas etapas na volta de Jesus. Na arte medieval (como em afrescos e iluminuras do Juízo Final), os salvos aparecem sendo elevados visivelmente pelos anjos para encontrar Cristo, enquanto o mundo é julgado.


Padre Jesuíta Francisco Ribeira

Foi o padre Francisco Ribeira 1537-1591, padre jesuíta espanhol quem lançou as bases teológicas para o que hoje conhecemos como a doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista. Ele não inventou o arrebatamento moderno diretamente, mas criou o sistema de interpretação bíblica chamado Futurismo, essencial para que essa crença surgisse séculos depois.

Durante a Reforma Protestante, os reformadores utilizavam uma linha de interpretação chamada Historicismo. Eles afirmavam que as profecias de Daniel e do Apocalipse estavam se cumprindo ao longo da história humana e identificavam formalmente o Papado e a Igreja Católica como o Anticristo. 

Para combater essa narrativa desgastante para Roma, a Igreja Católica iniciou a Contrarreforma. A Ordem dos Jesuítas assumiu o papel de criar novas interpretações proféticas para desviar a culpa do Papa.

Em 1590, Francisco Ribera publicou um tratado de 500 páginas sobre o Apocalipse. Suas propostas centrais mudaram o entendimento escatológico da época. Ribera propôs que quase todo o livro do Apocalipse não se aplicava ao passado ou ao presente, mas sim a um futuro distante.

Ele argumentou que o Anticristo não seria uma dinastia ou cargo religioso (como o Papado), mas sim um único homem judeu literal que governaria o mundo por 3 anos e meio no fim dos tempos. Ao empurrar todos os eventos catastróficos e a figura do Anticristo para os momentos finais da história, ele tirou o foco crítico que estava sobre a Igreja de sua época.

Ribera estabeleceu que a última "semana" da profecia das 70 semanas de Daniel ocorreria inteiramente no futuro, separada das outras 69. Séculos mais tarde, na década de 1830, o teólogo anglo-irlandês John Nelson Darby pegou essa mesma estrutura futurista jesuíta (a separação da última semana) e adicionou um novo elemento: a ideia de que a Igreja cristã seria retirada da Terra secretamente (o Arrebatamento) antes que essa última semana de tribulação começasse. Dessa forma, embora os evangélicos modernos que pregam o arrebatamento secreto rejeitem a teologia católica tradicional, o esqueleto profético que utilizam baseia-se diretamente nos estudos criados por Francisco Ribera para defender o Vaticano no século XVI.


Invencionice Gospel

♦John Nelson Darby - 1830: Foi o criador do Dispensacionalismo, o sistema teológico que separou o destino da Igreja do destino de Israel. Foi ele quem propôs que a Igreja precisava ser retirada da Terra (no arrebatamento secreto) antes que a Grande Tribulação começasse.

♦Cyrus Scofield - 1909: Popularizou essa ideia ao incluí-la nas notas de rodapé de sua famosa Bíblia de Referência Scofield, que moldou o pensamento de grande parte do evangelicalismo moderno.


Nenhum comentário:

Postar um comentário