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domingo, 7 de junho de 2026

A FARSA DO PARAÍSO ISLÂMICO E AS 72 VIRGENS



A promessa de 72 virgens no Paraíso não está escrita diretamente no Alcorão. A crença deriva de interpretações de certos Hadiths (ditos e tradições do profeta Maomé). 

Realmente, o livro sagrado do Islã, o Alcorão, descreve o Paraíso (Jannah) como um jardim repleto de rios, frutos e paz espiritual. Ele menciona a presença de companheiros celestiais puros, chamados de Húris (ou Hoor). No entanto, o Alcorão nunca especifica uma quantidade e usa termos que denotam pureza e beleza, sem o foco puramente sexual frequentemente propagado.


Jannah

É o conceito islâmico para o Paraíso ou Céu, traduzido literalmente como "Jardim". É a morada eterna de paz, felicidade e recompensa reservada aos justos e fiéis, descrita no Alcorão como um lugar de rios correntes, sombra fresca, palácios e contentamento infinito.

Na escatologia islâmica, Jannah é a recompensa final para aqueles que viveram uma vida de fé, paciência e boas ações, onde não existem dor, tristeza, velhice ou ódio.

É descrita como tendo jardins exuberantes, rios de água pura, leite, mel e vinho não inebriante. Os confortos e prazeres superam qualquer imaginação humana.

Embora os prazeres físicos sejam extensivamente descritos, a maior bênção para os crentes em Jannah é a proximidade e a contemplação de Deus (Alá), além da paz interior absoluta.


As Húris

O Alcorão menciona recompensas chamadas Húris ou Houris, traduzidas como "donzelas puras" ou "companheiras de grandes olhos". Elas são descritas como seres celestiais puros criados para os justos, não sendo descritas como mulheres humanas terrenas.


A Origem do Número

O número específico de 72 virgens não é encontrado no Alcorão. Ele vem de tradições (Hadith) consideradas autênticas (Sahih), especialmente uma narrada por Al-Tirmidhi, que descreve os luxos e as recompensas reservadas ao menor grau dos mártires ou crentes no Paraíso (Jannah).


Hadiths

Os Hadiths (ou hádices) são o conjunto de ditos, ações, aprovações e comportamentos atribuídos ao Profeta Muhammad. Eles servem como uma das principais fontes de orientação espiritual, moral e jurídica no Islã, complementando diretamente o Alcorão. Enquanto o Alcorão é considerado a palavra literal de Deus, os Hadiths registram a aplicação prática dessas leis no dia a dia da primeira comunidade muçulmana (a chamada Sunnah).

A menção ao número 72 aparece nos Hadiths, que são coleções de ditos e tradições atribuídos ao Profeta Maomé, registrados séculos após a sua morte. 

♦Hadith de Al-Tirmidhi: Uma das narrações mais citadas (considerada de autenticidade fraca ou isolada por vários teólogos) menciona que o menor prêmio para os habitantes do Paraíso incluiria 72 esposas celestiais.

♦Simbolismo: Para muitos historiadores e estudiosos da língua árabe, o número 72 não deve ser interpretado literalmente. Na cultura árabe antiga, esse número era usado como uma metáfora para expressar uma quantidade imensa, infinita ou abundante de bênçãos.


Húri

As Húris não são descritas apenas como mulheres humanas. A tradução literal do termo refere-se a seres com "olhos grandes e contrastantes".

♦Gênero: A palavra Houri é gramaticalmente feminina em árabe, mas a tradição islâmica aponta que o paraíso oferecerá companhias celestiais adequadas para o desejo de cada crente, havendo debates acadêmicos de que isso também se aplica a companheiros masculinos celestiais.

♦Para homens e mulheres: A maioria dos clérigos islâmicos contemporâneos defende que essas recompensas e companhias celestiais de extrema beleza e pureza estarão disponíveis para todos os crentes justos, sejam homens ou mulheres.

♦Interpretação metafórica: Muitas correntes do Islã interpretam essas descrições físicas de forma puramente alegórica, representando um estado de felicidade, paz espiritual e satisfação plena que ultrapassa a compreensão humana terrena.


Interpretações

Muitos estudiosos e teólogos islâmicos debatem esses textos. Enquanto visões mais literais apontam para recompensas sensuais e recompensas físicas, muitos muçulmanos e autoridades religiosas consideram essa descrição uma metáfora alegórica para a paz, beleza suprema e a generosidade de Alá, e não um harém literal no céu.


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