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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O IMPÉRIO ELAMITA




O significado etimológico mais aceito para Elam é "terras altas" ou "terras elevadas".

O nome deriva dos termos Sumério Nim e do Acádio Elamtu que significa "alto" ou "elevado".  Isso se deve ao fato de Elam situar-se no planalto iraniano, em uma altitude superior às planícies da Mesopotâmia.

Os próprios elamitas chamavam sua terra de Haltamti (ou Haltami), que acredita-se carregar o mesmo sentido de "país senhoril" ou "terras altas".

No contexto hebraico (Bíblia), o nome Eylam também é associado a conceitos como "eternidade", "escondido" ou, geograficamente, às "terras altas" ao oriente.

Então, de onde então veio o termo Lesta para Elão?

A associação com o "leste" é puramente geográfica. Para os povos da Mesopotâmia (como os sumérios e babilônios), os elamitas eram os vizinhos que viviam nas montanhas localizadas a leste.


O Termo Elam

Elam não é um termo iraniano e não tem relação com a concepção que os povos do planalto iraniano tinham de si mesmos. Eles eram anshanitas, marhashianos, shimashkianos, zabshalianos, sherihumianos, awanitas, etc. É evidente que Anshan desempenhou um papel de liderança nos assuntos políticos dos vários grupos do planalto que habitavam o sudoeste do Irã. Mas argumentar que Anshan é coincidente com Elam é não compreender a artificialidade e, de fato, a alienação de Elam como uma construção imposta de fora aos povos do planalto sudoeste da cordilheira de Zagros, da costa de Fars e da planície aluvial drenada pelo sistema fluvial Karun-Karkheh.

O Império Elamita (ou Civilização de Elam) teve uma duração extremamente longa, estendendo-se por mais de duas milênios e meio, com sua história principal ocorrendo aproximadamente entre 3200 a.C. e 539 a.C.

Sua trajetória é comumente dividida em quatro períodos principais, culminando com a absorção pelo Império Aquemênida (Persa):

►Período Protoelamita (c. 3200 – 2700 a.C.): Formação inicial da civilização com escrita própria.

►Período Elamita Antigo (c. 2700 – 1500 a.C.): Início da centralização em Susa.

►Período Elamita Médio (c. 1500 – 1100 a.C.): Época de maior poder e expansão, com a construção do zigurate de Choga Zanbil.

►Período Neoelamita (c. 1100 – 539 a.C.): Período marcado por conflitos com a Assíria e declínio final, terminando com a conquista persa. 

Embora tenham sofrido muitas invasões e interrupções, os elamitas mantiveram uma continuidade cultural notável, sobrevivendo como uma potência distinta no sudoeste do atual Irã por cerca de 2.500 a 2.700 anos


A Cidade de Susã

Em termos geográficos, Susiana representa basicamente a província iraniana de Khuzistão, ao redor do rio Karun. Na antiguidade, vários nomes eram usados ​​para descrever essa área. O geógrafo Ptolomeu foi o primeiro a chamar a região de Susiana , referindo-se à região em torno de Susa.

Outro geógrafo antigo, Estrabão, considerava Elam e Susiana como duas regiões geográficas diferentes. Ele se referia a Elam ("terra dos Elimaeus") como principalmente a área montanhosa do Khuzistão.

Algumas fontes antigas distinguem Elam como a área montanhosa do Khuzistão e Susiana como a área das terras baixas. No entanto, noutras fontes antigas, 'Elam' e 'Susiana' parecem ser equivalentes


A Cidade de Anshan 

Também conhecida como Ansã ou Anzan, foi uma das cidades mais importantes da antiguidade, servindo como capital e centro de poder tanto para a civilização Elamita quanto para os primórdios do Império Persa. Atualmente, as ruínas de Anshan correspondem ao sítio arqueológico de Tall-i Malyan (ou Tal-e Malyan), localizado na província de Fars, no sudoeste do Irã.

Situa-se nas terras altas das montanhas Zagros, no planalto de Marvdasht, aproximadamente 36 a 40 km a noroeste da cidade moderna de Shiraz.

Sua localização exata permaneceu desconhecida por séculos até ser confirmada em 1973, após a descoberta de tabletes de argila com inscrições cuneiformes elamitas durante escavações.

A cidade foi um elo vital entre as terras baixas da Mesopotâmia e o planalto iraniano por milênios.

Foi uma das capitais do Império Elamita. Os governantes do segundo milênio a.C. frequentemente usavam o título de "Rei de Anshan e Susa".

No século VII a.C., Anshan tornou-se o coração do crescente poder dos persas aquemênidas.

O fundador do Império Persa, Ciro II, referia-se a si mesmo em seus primeiros anos (como no famoso Cilindro de Ciro) como o "Rei de Anshan", título herdado de seus antepassados, incluindo seu pai Cambises I e seu avô Ciro I.

Foram encontrados selos administrativos, cerâmicas dos períodos Banesh e Kaftari, e edifícios monumentais que demonstram a complexidade da administração antiga e do comércio regional.


Domínio

A dominação elamita na Mesopotâmia: quando Susa controlou o vale do Tigre e Eufrates

O Império Elamita, centrado em Susa, foi uma das civilizações mais antigas do planalto iraniano, florescendo por volta do final do quarto milênio a.C. Embora sua história tenha sido por vezes eclipsada pelas potências mesopotâmicas como Suméria, Acádia e Babilônia, houve períodos em que os elamitas inverteram essa relação, impondo sua hegemonia sobre vastas regiões da Mesopotâmia.

Um dos momentos mais notáveis dessa inversão ocorreu durante o final do período da Terceira Dinastia de Ur (c. 2112–2004 a.C.). Após um período de tensão crescente, os elamitas lançaram uma série de incursões militares contra a Mesopotâmia. Por volta de 2004 a.C., sob o comando do rei Kindattu, da dinastia de Simashki, os elamitas invadiram e saquearam a cidade de Ur, o último grande bastião da Terceira Dinastia suméria. O rei Ibbi-Sim foi capturado e levado como prisioneiro para Susa, marcando simbolicamente a subjugação da Suméria.

Com a queda de Ur, os elamitas estabeleceram um sistema de dominação indireta sobre as cidades-estado mesopotâmicas. As principais urbes do vale do Tigre e Eufrates, como Uruk, Larsa e Nippur, passaram a atuar como vassalas, enviando tributos e reconhecendo a supremacia de Susa. Essa dominação foi menos uma ocupação militar contínua e mais um controle político e tributário, sustentado pela presença de guarnições, alianças com elites locais e pela intimidação bélica.

Durante esse período, os elamitas também realizaram uma impressionante transferência cultural e simbólica: levaram para Susa diversas estátuas, inscrições e objetos sagrados das cidades conquistadas. Entre esses artefatos estava a famosa estela de Naram-Sin, originalmente de Acádia, que foi realocada em Susa como troféu de conquista. Isso reforçava não apenas a autoridade política de Susa, mas também sua pretensão a um papel central na cultura mesopotâmica.

Apesar dessa supremacia, o domínio elamita não duraria muito. Por volta de meados do século XX a.C., novas forças emergentes, como a dinastia de Isin e posteriormente Larsa, começaram a desafiar e reverter o controle elamita. Eventualmente, a hegemonia de Susa sobre a Mesopotâmia foi desfeita, mas o episódio marcou profundamente a história regional e deixou registros significativos nos arquivos cuneiformes.


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