O primeiro conquistador do mundo não foi Sargão, e sim, Etana de Kish c. 2800–2700 a.C.. Após o Dilúvio, várias cidades-estados e suas dinastias de reis ascenderam temporariamente ao poder. O primeiro rei a unificar as cidades-estados separadas foi Etana, governante de Kish 2800 a.C. (data hipotética). Posteriormente, Kish, Erech, Ur e Lagash disputaram a supremacia por centenas de anos, tornando a Suméria vulnerável a conquistadores externos, primeiro os Elamitas c. 2530–2450 a.C. (data hipotética) e, posteriormente, os Acádios, liderados por seu rei Sargão (reinou de 2334 a 2279 a.C. {data hipotética}).
A forma dos governantes Sumérios unir as cidades estados, estabeleceu uma forma de governo que influenciou toda a civilização do Oriente Médio. Inclusive os Acádios, liderados por Sargão, dentre os demais líderes subsequentes.
Quem foi Etana de Kish?
Etana foi o décimo terceiro rei da primeira dinastia de Kish, de acordo com a Lista de Reis Sumérios. Seu nome quer dizer "aquele que ascende" ou "o que sobe". Essa etimologia é diretamente associada ao seu mito mais famoso, no qual ele voa até o céu montado em uma águia para buscar a "planta do nascimento". Etana é frequentemente citado como o primeiro a unificar as terras após o Dilúvio.
Ele é listado como o sucessor de Arwium, filho de Mashda, como rei de Kish. A lista também chama Etana de "o pastor, que ascendeu ao céu e consolidou todos os países estrangeiros" e afirma que ele governou por 1.500 anos (algumas cópias indicam 635) antes de ser sucedido por seu filho Balih, que teria governado por 400 anos. Os reis da primeira parte da Lista de Reis Sumérios geralmente não são considerados históricos, exceto quando são mencionados em documentos contemporâneos do período dinástico inicial. Etana é um deles.
Realidade x Mito
Embora mencionado na Lista de Reis Sumérios, é difícil separar o homem histórico da lenda. No entanto, selos cilíndricos da época de Sargão da Acádia 2334–2279 a.C. (datas hipotéticas) já retratavam o mito de Etana, indicando sua antiguidade.
Historiadores estimam que ele existiu e teria governado por volta de 2800–2700 a.C.. Ele é descrito como o rei que "estabilizou as terras", unificando as cidades-estados sob um único governo central em Kish pela primeira vez. Etana é visto por muitos estudiosos como uma memória de um governante real cujos feitos foram mitificados ao longo dos milênios.
O próprio Sargão, o Grande que fundou o Império Acádio, fez questão de se chamar "Rei de Kish" para conectar seu novo império à linhagem sagrada e antiga de Etana. O Rei de Kish era frequentemente chamado para mediar disputas de fronteira entre outras cidades-estados, como Lagash e Umma, funcionando como uma autoridade suprema, e foi justamente o que Etana fez.
Figuras como Etana e Gilgamesh vivem centenas de anos na lista. Para os historiadores, eles representam chefes tribais reais cujas histórias foram "aumentadas" para criar uma identidade nacional.
Os selos cilíndricos do período Acádio são a principal fonte visual que temos para o Mito de Etana, já que as versões escritas completas surgiram um pouco depois.
Foram encontradas impressões de selos cilíndricos, que datam de centenas de anos antes dos registros mais antigos da Lista de Reis, mostrando um homem montado nas costas de uma águia. Essas representações visuais indicam que a história de Etana já era parte da tradição oral e religiosa muito cedo.
Embora Etana tenha sido um rei de Kish (período Sumério), foram os artistas do Império Acádio que imortalizaram sua lenda em pedras preciosas com um detalhamento impressionante.
Os reis acádios (como Sargão e Naram-Sin) usavam a figura de Etana para legitimar seu poder. Ao carregar selos com o "primeiro rei que estabilizou as terras", os oficiais acádios conectavam a nova administração imperial às tradições mais antigas e sagradas da Mesopotâmia.
Fragmentos da "Epopeia de Etana" foram encontrados em escavações, datando desde o período Acadiano até o período Neoassírio, narrando sua busca por um herdeiro e seu voo ao céu. Embora a narrativa seja mítica, ela reflete a memória de um governante real de Kish.
O Prestígio do Título "Rei de Kish"
O título de "Rei de Kish" (Lugal Kish) tornou-se o mais cobiçado da Mesopotâmia, mesmo por reis que não governavam a cidade física de Kish. O motivo era simbólico:
Como Kish foi supostamente a primeira cidade a deter a realeza após o Dilúvio, o título passou a significar "Rei do Mundo" ou "Rei de Toda a Suméria e Acade".
Ao longo da longa história da Suméria e de Uri (mais tarde Acádia), o título de 'Rei de Kish' foi um dos mais cobiçados entre os governantes das várias cidades-estados. O primeiro governante reconhecido como 'rei' na tradição suméria foi Etana, como mencionado no Mito de Etana. A introdução descreve como a realeza foi transmitida do trono de Na (Deus do Céu) para ser concedida a um ser humano pela primeira vez.
Na tradição mesopotâmica, o título de "Rei de Kish" era altamente valorizado, e Etana é frequentemente descrito como um dos primeiros a estabelecer firmemente a realeza.
Mito de Etana
Uma lenda babilônica conta que Etana estava desesperado para ter um filho, até que um dia ajudou a salvar uma águia da fome, que então o levou para o céu em busca da planta do nascimento. Isso resultou no nascimento de seu filho, Balih.
Na versão detalhada da lenda, há uma árvore com um ninho de águia no topo e uma serpente na base. Tanto a serpente quanto a águia prometeram a Utu (o deus sol) que se comportariam bem uma com a outra e compartilham comida com seus filhos.
Mas um dia, a águia devora os filhotes da serpente. A serpente retorna e chora. Utu ordena que a serpente se esconda dentro do estômago de um touro morto. A águia desce para devorar o touro. A serpente captura a águia e a atira em um poço para morrer de fome e sede. Utu envia um homem, Etana, para ajudar a águia. Etana salva a águia, mas também pede à ave que encontre a planta do nascimento, para que possa gerar um filho. A águia leva Etana até o céu do deus Anu , mas Etana fica com medo no ar e retorna à terra. Ele faz outra tentativa e encontra a planta do nascimento, possibilitando-lhe ter Balih.
Até agora, foram encontradas versões em três línguas. A versão babilônica antiga vem de Susa e Tell Harmal , a versão assíria média vem de Assur e a versão padrão é de Nínive.
Lisa de Reis Sumérios que Unificaram as Cidades-Estados
A unificação da Suméria não foi um evento único, mas um processo cíclico liderado por diferentes monarcas que uniram as cidades-estados. Os principais unificadores foram Etana de Kish (lendário), Eannatum de Lagash, Lugalzagesi de Uruk, Sargão da Acádia (que unificou sumérios e acádios) e, mais tarde, Ur-Namu.
►Etana de Kish (c. 2800 a.C.): Considerado pela Lista de Reis Sumérios como o primeiro a unificar as cidades-estados.
►Enmebaragesi de Kish: Conquistou Elam e demonstrou domínio, consolidando poder antes de Gilgamesh.
►Eannatum de Lagash (c. 2500 a.C.): Criou um dos primeiros impérios mesopotâmicos, conquistando Uruk, Kish e partes de Elam.
►Lugalzagesi de Uruk (c. 2330 a.C.): Conquistou as cidades sumérias e unificou a região antes da chegada dos acádios.
►Sargão da Acádia (c. 2334–2279 a.C.): Conquistou a Suméria e a uniu com a Acádia, criando o primeiro império multinacional, pondo fim à independência das cidades-estados sumérias.
►Utu-Hengal (c. 2119–2112 a.C.): Rei de Uruk que liderou a revolta contra os Gutis (invasores que causaram o colapso acadiano), restaurando a independência e iniciando o processo de reunificação suméria.
►Ur-Namu (c. 2112–2095 a.C.): Fundador da Terceira Dinastia de Ur, unificou novamente a região após o domínio Gutiano, iniciando o "Renascimento Sumério".
►Shulgi de Ur (c. 2094–2047 a.C.): Filho de Ur-Namu, consolidou o império e a cultura suméria.
A Lista de Reis Sumérios registra também outras tentativas de controle, como a de Kubaba, a única mulher listada, que consolidou Kish.
OBS: Todas as datas são hipotéticas!

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