A ideia central em muitas religiões monoteístas (Cristianismo, Islamismo, Judaísmo) é que Deus nunca nasceu, Ele é eterno, existindo antes do tempo e do espaço, sendo a causa primeira de tudo o que existe, não tendo começo nem fim, e estando além das limitações humanas como nascer, morrer ou ser criado. Textos sagrados descrevem Deus como "Eu Sou", o Alfa e o Ômega, que não foi gerado nem criou-se a si mesmo, mas sempre existiu.
Mas e se eu te dissesse que a ideia da eternidade de Deus não é original e exclusiva do Cristianismo, Islamismo e Judaísmo? Povos muito mais antigos (mais antigos mesmo) já tinham seus Deuses ou Deus como uma divindade verdadeira e eterna.
Nammu
A Deusa Nammu é a própria criação em si, ela personifica a eternidade, o que a torna a figura materna suprema nos mitos da Mesopotâmia antiga. Ela também é conhecida pelo nome Engur.
Nammu era a deusa primordial suméria do mar primordial, considerada a "Mãe de Tudo", que deu à luz espontaneamente o cosmos, incluindo o céu (An) e a terra (Ki), e os primeiros deuses, representando as águas férteis e vivificantes (Apsu) sob a terra, e também ajudou a criar a humanidade com seu filho, Enki.
Seu nome está ligado à palavra suméria para água, simbolizando a vida, a fertilidade e o potencial ilimitado e eterno do cosmos.
Embora ela fosse uma Deusa que sempre existiu, nunca nasceu ou surgiu, somente existe, seu papel diminuiu à medida que Enki e, posteriormente, Marduk assumiram responsabilidades de criação mais proeminentes, embora ela tenha permanecido importante o suficiente para que Ur-Nammu se nomeasse em sua homenagem.
Em essência, Nammu é a entidade ancestral e atemporal da qual tudo, incluindo deuses e humanos, se origina, uma verdadeira "Deusa Mãe" do princípio.
Ninhursag
Ninhursag, a Deusa Mãe sumeriana, é fundamental no nascimento da humanidade, atuando como parteira e criadora, moldando humanos de argila misturada com a carne de um deus sacrificado, em um processo descrito no mito da criação, para aliviar os deuses do trabalho pesado, simbolizando fertilidade, maternidade e a própria vida. Ela também é conhecida por diversos nomes como Ninmah, Mami e Nintu (Senhora do Nascimento) e tem representações icônicas como o útero (Ômega) com uma faca de corte de cordão umbilical. Seu nome foi mudado de Ninmah para Ninhursag por seu filho Ninurta.
Ela criou a humanidade após a invenção da enxada por Enki, que “descobriu” a necessidade de seres para o trabalho agrícola. Frequentemente representada pelo símbolo grego ômega com uma faca, simbolizando o útero e o corte do cordão umbilical.
Ninhursag não nasceu, sempre existiu, ela é a Mãe original, criadora da humanidade, sendo uma Deusa eternal, ela não tem começo de tempo, não tem início de vida e nem começo de existência. Ela não tem início de dias, ela é a Mãe eterna e longeva da humanidade.
É retratada como uma criadora primordial, que molda a vida a partir do barro e da água, e é central nos mitos sumérios sobre as origens da vida e o mundo natural, simbolizando o cuidado e a própria terra.
Tiamat
Na mitologia babilônica, Tiamat não teve um "nascimento" no sentido convencional, pois era uma das duas divindades primordiais que existiam no início de tudo, antes mesmo de os deuses mais jovens serem criados.
Sendo assim, Tiamat era uma deidade eterna, sempre existindo, sem uma origem ou nascimento, pois, sendo uma Deusa primordial, ela somente existe, ela é a própria personificação da existência eterna. Tiamat personificava o mar salgado e o caos (origem) primordial.
Isso a torna uma das primeiras entidades eternas nos mitos de criação babilônicos (o Enuma Elish ), mãe dos primeiros deuses e, posteriormente, uma encarnação monstruosa do caos que lutou contra seus próprios filhos, sendo finalmente morta pelo deus Marduk, que usou seu corpo para formar os céus e a terra. Ela simboliza o oceano caótico e indomável e é uma figura importante na mitologia mesopotâmica antiga, aparecendo também na fantasia moderna como uma poderosa deusa dragão.
Seu nome vem da palavra acádia para "mar" (tiamtum ou tamtum). Ela sempre existiu, isso quer dizer que ela somente personifica tanto a criação (como o mar primordial) quanto o caos (como o oponente monstruoso).
O Senhor Vishnu, como o Deus Supremo eterno no Hinduísmo, é considerado não nascido, não criado, ele é simplesmente eterno, existindo além do ciclo de nascimento e morte, a fonte de toda a criação. O próprio Vishnu não tem um nascimento tradicional. Ele aparece em diferentes formas (avatares), como Krishna ou Rama, para manter a ordem cósmica, e esses avatares nascem de pais humanos, sendo o nascimento de Krishna a partir de Devaki um exemplo famoso em que Vishnu se manifestou brevemente antes de se tornar um bebê.
O Senhor Vishnu é a suprema consciência divina (Param Brahman) e não está sujeito ao nascimento ou à morte; Ele é a causa de todas as causas, sendo por si só, eterno, sempre existindo pela eternidade. Mas quando o equilíbrio cósmico é ameaçado, Vishnu desce à Terra em várias formas (avatares) para defender o dharma (retidão).
No caso de Krishna (um avatar de Vishnu), Ele apareceu a Devaki e Vasudeva em Sua forma de Vishnu com quatro braços antes de se transformar em um bebê, cumprindo uma bênção para eles. Vishnu, como Maha Vishnu, é a fonte da qual os universos emergem, expandindo-se a partir de Seu sopro, e Ele é responsável por sua preservação.
Assim, Vishnu não nasce como os mortais; em vez disso, Ele aparece ou se manifesta no mundo, muitas vezes nascendo como um avatar para cumprir propósitos divinos, pois ele sempre existiu, ele é a própria eternidade em si mesmo.
Shiva
Shiva não "nasceu" no sentido humano, pois é considerado Swayambhu, é uma divindade sem começo nem fim, uma energia cósmica que transcende o tempo e o espaço, por isso não tem um nascimento, simplesmente existe desde sempre. A palavra Swayambhu: Significa que ele se manifestou por conta própria, não vindo de pais.
Shiva é considerado Swayambhu (autoexistente, sem criador) e eterno, existindo antes e depois da criação do universo, sendo conhecido como Aadi (o começo) e Ananth (o fim). Embora algumas tradições o vejam como originado da raiva de Vishnu ou nascido do pensamento de Brahma, mas a crença comum é que ele sempre foi e sempre é, além de ser uma energia infinita, sem um nascimento mortal ou data de morte, sendo o "Destruidor" e transformador na Trindade Hindu.
Shiva teve várias encarnações na Terra, como o Avatar Piplaad, nascido de um sábio, mas estas são manifestações, não seu nascimento original.
Em essência, Shiva é a própria realidade eterna, existindo como o princípio e o fim, além da necessidade de ter nascido.
Shang Ti ou Shang Di é a divindade suprema na antiga religião chinesa, a natureza de Shang Ti é vista como transcendente, eterna e criadora, o que implica que essa entidade não teve um começo, ou nascimento, e existe perpetuamente. Shang Ti não nasceu, sempre existiu, ele é a representação da própria eternidade contida em sua existência eternal.
Shang-Ti (ou Shangdi), significa "Senhor Supremo", particularmente reverenciado pela elite governante da Dinastia Shang (c. 1600–1046 a.C.) ele era o Deus do destino, das colheitas e das batalhas, mas era considerado distante demais para ser adorado diretamente pelo povo. Não era uma figura histórica, mas um conceito poderoso, que evoluiu do culto aos ancestrais para a figura de um ser divino supremo, sendo eventualmente associado a Tian (Céu) durante a Dinastia Zhou e, posteriormente, adotado por missionários cristãos como um nome para Deus. Contudo, todas as dinastias que vieram depois da Dinastia Shang. O tinham como o ser não somente primordial, mas eterno, sempre existindo, dando a alusão também da eternidade da Dinastia Shang. A família real Shang o considerava seu ancestral divino, o que lhes permitia atuar como intermediários para o povo. Ele determinava o sucesso das colheitas, a vitória na guerra e o destino do reino.
Ele não possuía um culto direto devido à sua natureza suprema e distante, com a adoração fluindo através de seus ancestrais reais. Em essência, Shang-Ti era um conceito teológico fundamental que representava um poder divino supremo e eterno no pensamento chinês antigo, e não um indivíduo histórico.
Kök Tengri
É o Deus dos antigos Turcos e Mongóis Tengri é o Deus do Céu, seu nome completo é Kök Tengri, que quer dizer Céu Azul. Ele é a divindade suprema do céu na antiga religião xamânica e animista dos povos Kök Tengri
É o Deus dos antigos Turcos e Mongóis Tengri é o Deus do Céu, seu nome completo é Kök Tengri, que quer dizer Céu Azul. Ele é a divindade suprema do céu na antiga religião xamânica e animista dos povos Turcos e Mongóis, sendo o deus principal do Tengrismo, que adora os Tengris (deuses do céu) e a Mãe Terra (Umay Ana). Ele controla o firmamento, é visto como o criador do cosmos, e os governantes turcos eram considerados seus representantes na Terra, recebendo títulos como "filhos de Tengri". A crença em Kök Tengri, ou Gök Tanrı, envolve adoração de ancestrais, xamanismo e rituais dedicados ao céu, montanhas e rios, com sacrifícios de animais e oferendas de leite e chá.
Kök Tengri é o chefe do panteão, frequentemente associado ao "Tian" chinês e ao conceito indo-europeu de Dyeus, o deus do céu, governa o céu e, em algumas tradições, é pai do Sol (Koyash) e da Lua (Ay Tanrı).
Em diversas tradições, Tengri é considerado "autocriado" (Möngke Tngri). Ele é frequentemente identificado com o próprio céu azul infinito, incognoscível e atemporal, e é a fonte de toda a existência. Sendo portanto, eterno, sempre existindo, sendo o próprio tempo, ele é o começo e o fim de tudo, sua eternidade não tem começo e nem fim de dias, anos ou eras. A eternidade é encarnada no próprio Kök Tengri, sendo esta divindade tão antiga, que o próprio tempo se encarrega de ser ele mesmo em sua essência, assim como o céu é infinito, Kök Tengri é portanto o próprio céu, eterno, atemporal e existindo desde sempre.
Um importante mito da criação turco descreve Tengri na forma de um ganso branco puro voando sobre uma imensidão de água (representando o tempo). Incitado por Ak Ana ("Mãe Branca"), ele iniciou o processo de criação para superar sua solidão. Esse ganso em questão continua sendo o próprio Tengri, que, além de ser eterno, pode se manifestar de várias formas e maneiras para os mortais que habitam em suas posses, pois tudo que está debaixo dos céus pertence a Tengri, e este pode se manifestar em qualquer objeto, animal ou humano, pois tudo na terra está abaixo do alto céu azul, sendo o próprio Deus.
Embora o próprio deus não nasça, pois ele próprio nunca nasceu e nunca morreu, governantes históricos (Chágans) como Genghis Khan e Bilge Kaghan alegavam ser "nascidos de Tengri" ou ter um "destino dado por Tengri". Isso estabelecia seu direito divino de governar como seus representantes na Terra.
Sendo o deus principal do Tengrismo, que adora os Tengris (deuses do céu) e a Mãe Terra (Umay Ana). Ele controla o firmamento, é visto como o criador do cosmos, e os governantes turcos eram considerados seus representantes na Terra, recebendo títulos como "filhos de Tengri". A crença em Kök Tengri, ou Gök Tanrı, envolve adoração de ancestrais, xamanismo e rituais dedicados ao céu, montanhas e rios, com sacrifícios de animais e oferendas de leite e chá.
Kök Tengri é o chefe do panteão, frequentemente associado ao "Tian" chinês e ao conceito indo-europeu de Dyeus, o deus do céu, governa o céu e, em algumas tradições, é pai do Sol (Koyash) e da Lua (Ay Tanrı).
Em diversas tradições, Tengri é considerado "autocriado" (Möngke Tngri). Ele é frequentemente identificado com o próprio céu azul infinito, incognoscível e atemporal, e é a fonte de toda a existência. Sendo portanto, eterno, sempre existindo, sendo o próprio tempo, ele é o começo e o fim de tudo, sua eternidade não tem começo e nem fim de dias, anos ou eras. A eternidade é encarnada no próprio Kök Tengri, sendo esta divindade tão antiga, que o próprio tempo se encarrega de ser ele mesmo em sua essência, assim como o céu é infinito, Kök Tengri é portanto o próprio céu, eterno, atemporal e existindo desde sempre.
Um importante mito da criação turco descreve Tengri na forma de um ganso branco puro voando sobre uma imensidão de água (representando o tempo). Incitado por Ak Ana ("Mãe Branca"), ele iniciou o processo de criação para superar sua solidão. Esse ganso em questão continua sendo o próprio Tengri, que, além de ser eterno, pode se manifestar de várias formas e maneiras para os mortais que habitam em suas posses, pois tudo que está debaixo dos céus pertence a Tengri, e este pode se manifestar em qualquer objeto, animal ou humano, pois tudo na terra está abaixo do alto céu azul, sendo o próprio Deus.
Embora o próprio deus não nasça, pois ele próprio nunca nasceu e nunca morreu, governantes históricos (Chágans) como Genghis Khan e Bilge Kaghan alegavam ser "nascidos de Tengri" ou ter um "destino dado por Tengri". Isso estabelecia seu direito divino de governar como seus representantes na Terra.
Todas estas divindades são muito mais velhas do que o Deus bíblico, muito antes de existir o povo Cananeu (pois os Hebreus são Cananeus), as religiões destas nações, são milhares de anos mais velhas que a própria existência do povo canaanita hebraica.
