O Enûma Eliš é o mito de criação babilônico. Foi descoberto por Austen Henry Layard em 1849 (em forma fragmentada) nas ruínas da Biblioteca de Assurbanípal em Nínive (Mossul, Iraque), e publicado por George Smith em 1876.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
ENUMA ELISH É MAIS VELHO DO QUE A CRIAÇÃO BÍBLICA
PERSEGUIÇÃO ROMANA AOS CRISTÃOS
A perseguição romana aos cristãos começou no reinado do imperador Nero em 64 d.C. e continuou por cerca de 250 anos até o reconhecimento do cristianismo por Constantino em 313. Os romanos rejeitaram os cristãos como sendo um povo desagradável, que acreditava apenas em Deus e que não se rendia à idolatria e à adoração ao imperador. Os imperadores consideravam o cristianismo ilegal e o oprimiram severamente com o pretexto de unificar o império e fazê-lo prosperar sob a proteção dos deuses.
As perseguições romanas aos cristãos prosseguiram por vários motivos e métodos, dependendo dos governantes e das situações da época, e as dez maiores perseguições lideradas pelos imperadores são representativas. Nero culpou os cristãos pelo grande incêndio de Roma que ocorreu no ano 64 e os perseguiu severamente. Isso continuou até a sua morte em 68 d.C. Ele jogou os cristãos em anfiteatros para serem despedaçados por animais selvagens ou os amarrou ao feno e os queimou como “tochas humanas” para iluminar o ar livre. Mas naquela época, a perseguição era limitada à cidade de Roma, e não a todo o Império Romano.
A Causa e o Motivo da Perseguição Romana aos Cristãos
No começo da época apostólica, o cristianismo foi perseguido pelos judeus que não reconheciam Jesus como Cristo. Mais tarde, quando o cristianismo se espalhou não apenas em Jerusalém, mas também para a Ásia Menor e Roma, ele foi oprimido pelo Império Romano. Naquela época, o Império Romano implementou uma política de tolerância moderada para as políticas e religiões de seus estados subordinados, ou seja, os povos conquistados, para a estabilidade do império. No entanto, o cristianismo era uma exceção, porque eles consideravam que os cristãos prejudicariam a estabilidade do império.
Os cristãos adoravam apenas o seu único Deus e não participavam de rituais sociais ou cerimônias religiosas da época. Eles nem mesmo se misturavam com os pagãos no templo ou no teatro. Isso era considerado como prejudicial à estabilidade e à união do império. Em particular, a recusa dos cristãos em adorar os deuses romanos era considerada como uma ameaça à paz e prosperidade que os “deuses trouxeram” ao império.
Além disso, os cristãos se recusavam a adorar o imperador, porque não podiam adorar ninguém além de Deus. Para os romanos, a adoração ao imperador era o meio mais poderoso para unificar o império e o padrão de lealdade ao império. O governo romano considerou a atitude dos cristãos como desleal e rebelde contra o imperador e o império, e assim, o cristianismo foi perseguido como uma religião ilegal.
Domiciano foi o próximo imperador que perseguiu o cristianismo depois de Nero. Domiciano se declarou como o deus vivo e forçou o povo a adorá-lo. Quando os cristãos se recusaram a seguir isso, ele os perseguiu com a acusação de que “todos os deuses estavam zangados porque os cristãos não obedeciam ao culto de adoração ao imperador”. Ele confiscou suas propriedades e os deixou lutar com feras selvagens. Nesse tempo, o apóstolo João foi exilado na ilha de Patmos e escreveu o livro do Apocalipse após receber uma revelação. Os cristãos fugiram de Roma, buscando pela liberdade da fé, ou foram para o subsolo; e foi a partir daí que o culto começou a ser guardado nos túmulos subterrâneos, as catacumbas, para escaparem da perseguição.
Diocleciano foi o imperador que perseguiu mais severamente os cristãos em todo o Império Romano. Diocleciano emitiu um édito em 303, condenando os cristãos, que não prestaram homenagem à estátua do imperador, como traidores e confiscou suas propriedades. Ele proibiu as reuniões cristãs, destruiu todos os edifícios da igreja e ordenou a queima de livros cristãos e Bíblias. Se eles não obedecessem à ordem de sacrificar aos deuses pagãos, ele cruelmente os torturou e matou. Durante esse período, os cristãos foram demitidos do governo e do exército, sendo privados de seus direitos sociais. Todos os sacerdotes foram exilados ou executados.
A Perseguição de Nero (64-68)
Perseguiu os cristãos apontando-os como responsáveis pelo grande incêndio de Roma.
Executou os cristãos como alimento para feras selvagens ou como tochas para iluminar locais de festas ao ar livre.
A maior parte das perseguições aconteceu dentro da cidade de Roma.
A Perseguição de Domiciano (90-96)
Oprimiu os cristãos sob a acusação de que todos os deuses estavam zangados por causa deles.
Atacou as religiões não-romanas e até mesmo aqueles que simpatizam com elas, sob a acusação de traição.
Exilou o apóstolo João para a Ilha de Patmos.
Os cristãos ofereceram culto a Deus em tumbas subterrâneas (catacumbas) para escaparem da perseguição.
A Perseguição de Trajano (98-117)
Perseguiu os cristãos, definindo-os como criminosos por se recusarem à adoração ao imperador.
Inácio, o bispo da igreja em Antioquia, foi martirizado.
A Perseguição de Adriano (117-138)
Levantou estátuas do imperador e de vários deuses e forçou a adorá-las. Executou aqueles que se recusaram.
Puniu inclusive os que protegiam os cristãos.
A Perseguição de Marco Aurélio (161-180)
Perseguiu os cristãos, culpando-os por todos os desastres naturais, como a peste, a fome e a seca.
Deu os cadáveres dos cristãos como alimento para cães famintos.
A Perseguição de Sétimo Severo (202-211)
Forçou os cristãos a adorarem o deus sol e proibiu a conversão ao cristianismo.
Proclamou um decreto declarando que a conversão ao cristianismo é legalmente punível com a morte.
A Perseguição de Maximino (235-236)
Perseguiu os cristãos, dizendo que apoiaram o ex-imperador que foi assassinado.
Executou os cleros cristãos.
A Perseguição de Décio (249-251)
Emitiu um édito para espalhar a perseguição por todo o Império Romano.
Ordenou a todos os cidadãos a adorar os deuses romanos, e aqueles que desobedeceram foram executados por se recusarem a obedecer ao édito.
Conciliou os cristãos para se tornarem apóstatas, a fim de erradicar o cristianismo.
Foi nesse período que houve mais mártires e apóstatas.
A Perseguição de Valeriano (259-260)
Proibiu reuniões de cristãos e confiscou suas terras e propriedades.
Executou os cleros e os exilou.
A Perseguição de Diocleciano (303-311)
A pior perseguição que privou os cristãos de todos os seus direitos.
Declarou os quatro decretos contra o cristianismo.
Forçou os soldados cristãos a abandonarem sua fé e os executou se desobedecessem.
Destruiu edifícios da igreja, queimou a Bíblia, proibiu o culto e expulsou os cristãos de cargos públicos.
Dessa maneira, embora o Império Romano tenha perseguido o cristianismo por muito tempo, ele não conseguiu quebrar a fé dos cristãos. Os cristãos pregaram o evangelho sem medo ou hesitação, mesmo tendo sido queimados na fogueira, comidos por animais selvagens nos anfiteatros, e mortos por torturas terríveis. Sua fé era como uma árvore de mirra, que emite uma fragrância mais bela quando é cortada e raspada. Apesar da perseguição severa, o número de cristãos aumentou e o evangelho se espalhou mais vigorosamente por todo o Império Romano e por toda a costa do mar Mediterrâneo.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
DEUSES ETERNOS ALÉM DO DEUS DA BÍBLIA
A ideia central em muitas religiões monoteístas (Cristianismo, Islamismo, Judaísmo) é que Deus nunca nasceu, Ele é eterno, existindo antes do tempo e do espaço, sendo a causa primeira de tudo o que existe, não tendo começo nem fim, e estando além das limitações humanas como nascer, morrer ou ser criado. Textos sagrados descrevem Deus como "Eu Sou", o Alfa e o Ômega, que não foi gerado nem criou-se a si mesmo, mas sempre existiu.
Mas e se eu te dissesse que a ideia da eternidade de Deus não é original e exclusiva do Cristianismo, Islamismo e Judaísmo? Povos muito mais antigos (mais antigos mesmo) já tinham seus Deuses ou Deus como uma divindade verdadeira e eterna.
Nammu
A Deusa Nammu é a própria criação em si, ela personifica a eternidade, o que a torna a figura materna suprema nos mitos da Mesopotâmia antiga. Ela também é conhecida pelo nome Engur.
Nammu era a deusa primordial suméria do mar primordial, considerada a "Mãe de Tudo", que deu à luz espontaneamente o cosmos, incluindo o céu (An) e a terra (Ki), e os primeiros deuses, representando as águas férteis e vivificantes (Apsu) sob a terra, e também ajudou a criar a humanidade com seu filho, Enki.
Seu nome está ligado à palavra suméria para água, simbolizando a vida, a fertilidade e o potencial ilimitado e eterno do cosmos.
Embora ela fosse uma Deusa que sempre existiu, nunca nasceu ou surgiu, somente existe, seu papel diminuiu à medida que Enki e, posteriormente, Marduk assumiram responsabilidades de criação mais proeminentes, embora ela tenha permanecido importante o suficiente para que Ur-Nammu se nomeasse em sua homenagem.
Em essência, Nammu é a entidade ancestral e atemporal da qual tudo, incluindo deuses e humanos, se origina, uma verdadeira "Deusa Mãe" do princípio.
Ninhursag
Ninhursag, a Deusa Mãe sumeriana, é fundamental no nascimento da humanidade, atuando como parteira e criadora, moldando humanos de argila misturada com a carne de um deus sacrificado, em um processo descrito no mito da criação, para aliviar os deuses do trabalho pesado, simbolizando fertilidade, maternidade e a própria vida. Ela também é conhecida por diversos nomes como Ninmah, Mami e Nintu (Senhora do Nascimento) e tem representações icônicas como o útero (Ômega) com uma faca de corte de cordão umbilical. Seu nome foi mudado de Ninmah para Ninhursag por seu filho Ninurta.
Ela criou a humanidade após a invenção da enxada por Enki, que “descobriu” a necessidade de seres para o trabalho agrícola. Frequentemente representada pelo símbolo grego ômega com uma faca, simbolizando o útero e o corte do cordão umbilical.
Ninhursag não nasceu, sempre existiu, ela é a Mãe original, criadora da humanidade, sendo uma Deusa eternal, ela não tem começo de tempo, não tem início de vida e nem começo de existência. Ela não tem início de dias, ela é a Mãe eterna e longeva da humanidade.
É retratada como uma criadora primordial, que molda a vida a partir do barro e da água, e é central nos mitos sumérios sobre as origens da vida e o mundo natural, simbolizando o cuidado e a própria terra.
Tiamat
Na mitologia babilônica, Tiamat não teve um "nascimento" no sentido convencional, pois era uma das duas divindades primordiais que existiam no início de tudo, antes mesmo de os deuses mais jovens serem criados.
Sendo assim, Tiamat era uma deidade eterna, sempre existindo, sem uma origem ou nascimento, pois, sendo uma Deusa primordial, ela somente existe, ela é a própria personificação da existência eterna. Tiamat personificava o mar salgado e o caos (origem) primordial.
Isso a torna uma das primeiras entidades eternas nos mitos de criação babilônicos (o Enuma Elish ), mãe dos primeiros deuses e, posteriormente, uma encarnação monstruosa do caos que lutou contra seus próprios filhos, sendo finalmente morta pelo deus Marduk, que usou seu corpo para formar os céus e a terra. Ela simboliza o oceano caótico e indomável e é uma figura importante na mitologia mesopotâmica antiga, aparecendo também na fantasia moderna como uma poderosa deusa dragão.
Seu nome vem da palavra acádia para "mar" (tiamtum ou tamtum). Ela sempre existiu, isso quer dizer que ela somente personifica tanto a criação (como o mar primordial) quanto o caos (como o oponente monstruoso).
O Senhor Vishnu, como o Deus Supremo eterno no Hinduísmo, é considerado não nascido, não criado, ele é simplesmente eterno, existindo além do ciclo de nascimento e morte, a fonte de toda a criação. O próprio Vishnu não tem um nascimento tradicional. Ele aparece em diferentes formas (avatares), como Krishna ou Rama, para manter a ordem cósmica, e esses avatares nascem de pais humanos, sendo o nascimento de Krishna a partir de Devaki um exemplo famoso em que Vishnu se manifestou brevemente antes de se tornar um bebê.
O Senhor Vishnu é a suprema consciência divina (Param Brahman) e não está sujeito ao nascimento ou à morte; Ele é a causa de todas as causas, sendo por si só, eterno, sempre existindo pela eternidade. Mas quando o equilíbrio cósmico é ameaçado, Vishnu desce à Terra em várias formas (avatares) para defender o dharma (retidão).
No caso de Krishna (um avatar de Vishnu), Ele apareceu a Devaki e Vasudeva em Sua forma de Vishnu com quatro braços antes de se transformar em um bebê, cumprindo uma bênção para eles. Vishnu, como Maha Vishnu, é a fonte da qual os universos emergem, expandindo-se a partir de Seu sopro, e Ele é responsável por sua preservação.
Assim, Vishnu não nasce como os mortais; em vez disso, Ele aparece ou se manifesta no mundo, muitas vezes nascendo como um avatar para cumprir propósitos divinos, pois ele sempre existiu, ele é a própria eternidade em si mesmo.
Shiva
Shiva não "nasceu" no sentido humano, pois é considerado Swayambhu, é uma divindade sem começo nem fim, uma energia cósmica que transcende o tempo e o espaço, por isso não tem um nascimento, simplesmente existe desde sempre. A palavra Swayambhu: Significa que ele se manifestou por conta própria, não vindo de pais.
Shiva é considerado Swayambhu (autoexistente, sem criador) e eterno, existindo antes e depois da criação do universo, sendo conhecido como Aadi (o começo) e Ananth (o fim). Embora algumas tradições o vejam como originado da raiva de Vishnu ou nascido do pensamento de Brahma, mas a crença comum é que ele sempre foi e sempre é, além de ser uma energia infinita, sem um nascimento mortal ou data de morte, sendo o "Destruidor" e transformador na Trindade Hindu.
Shiva teve várias encarnações na Terra, como o Avatar Piplaad, nascido de um sábio, mas estas são manifestações, não seu nascimento original.
Em essência, Shiva é a própria realidade eterna, existindo como o princípio e o fim, além da necessidade de ter nascido.
Shang Ti ou Shang Di é a divindade suprema na antiga religião chinesa, a natureza de Shang Ti é vista como transcendente, eterna e criadora, o que implica que essa entidade não teve um começo, ou nascimento, e existe perpetuamente. Shang Ti não nasceu, sempre existiu, ele é a representação da própria eternidade contida em sua existência eternal.
Shang-Ti (ou Shangdi), significa "Senhor Supremo", particularmente reverenciado pela elite governante da Dinastia Shang (c. 1600–1046 a.C.) ele era o Deus do destino, das colheitas e das batalhas, mas era considerado distante demais para ser adorado diretamente pelo povo. Não era uma figura histórica, mas um conceito poderoso, que evoluiu do culto aos ancestrais para a figura de um ser divino supremo, sendo eventualmente associado a Tian (Céu) durante a Dinastia Zhou e, posteriormente, adotado por missionários cristãos como um nome para Deus. Contudo, todas as dinastias que vieram depois da Dinastia Shang. O tinham como o ser não somente primordial, mas eterno, sempre existindo, dando a alusão também da eternidade da Dinastia Shang. A família real Shang o considerava seu ancestral divino, o que lhes permitia atuar como intermediários para o povo. Ele determinava o sucesso das colheitas, a vitória na guerra e o destino do reino.
Ele não possuía um culto direto devido à sua natureza suprema e distante, com a adoração fluindo através de seus ancestrais reais. Em essência, Shang-Ti era um conceito teológico fundamental que representava um poder divino supremo e eterno no pensamento chinês antigo, e não um indivíduo histórico.
Kök Tengri
É o Deus dos antigos Turcos e Mongóis Tengri é o Deus do Céu, seu nome completo é Kök Tengri, que quer dizer Céu Azul. Ele é a divindade suprema do céu na antiga religião xamânica e animista dos povos Kök Tengri
É o Deus dos antigos Turcos e Mongóis Tengri é o Deus do Céu, seu nome completo é Kök Tengri, que quer dizer Céu Azul. Ele é a divindade suprema do céu na antiga religião xamânica e animista dos povos Turcos e Mongóis, sendo o deus principal do Tengrismo, que adora os Tengris (deuses do céu) e a Mãe Terra (Umay Ana). Ele controla o firmamento, é visto como o criador do cosmos, e os governantes turcos eram considerados seus representantes na Terra, recebendo títulos como "filhos de Tengri". A crença em Kök Tengri, ou Gök Tanrı, envolve adoração de ancestrais, xamanismo e rituais dedicados ao céu, montanhas e rios, com sacrifícios de animais e oferendas de leite e chá.
Kök Tengri é o chefe do panteão, frequentemente associado ao "Tian" chinês e ao conceito indo-europeu de Dyeus, o deus do céu, governa o céu e, em algumas tradições, é pai do Sol (Koyash) e da Lua (Ay Tanrı).
Em diversas tradições, Tengri é considerado "autocriado" (Möngke Tngri). Ele é frequentemente identificado com o próprio céu azul infinito, incognoscível e atemporal, e é a fonte de toda a existência. Sendo portanto, eterno, sempre existindo, sendo o próprio tempo, ele é o começo e o fim de tudo, sua eternidade não tem começo e nem fim de dias, anos ou eras. A eternidade é encarnada no próprio Kök Tengri, sendo esta divindade tão antiga, que o próprio tempo se encarrega de ser ele mesmo em sua essência, assim como o céu é infinito, Kök Tengri é portanto o próprio céu, eterno, atemporal e existindo desde sempre.
Um importante mito da criação turco descreve Tengri na forma de um ganso branco puro voando sobre uma imensidão de água (representando o tempo). Incitado por Ak Ana ("Mãe Branca"), ele iniciou o processo de criação para superar sua solidão. Esse ganso em questão continua sendo o próprio Tengri, que, além de ser eterno, pode se manifestar de várias formas e maneiras para os mortais que habitam em suas posses, pois tudo que está debaixo dos céus pertence a Tengri, e este pode se manifestar em qualquer objeto, animal ou humano, pois tudo na terra está abaixo do alto céu azul, sendo o próprio Deus.
Embora o próprio deus não nasça, pois ele próprio nunca nasceu e nunca morreu, governantes históricos (Chágans) como Genghis Khan e Bilge Kaghan alegavam ser "nascidos de Tengri" ou ter um "destino dado por Tengri". Isso estabelecia seu direito divino de governar como seus representantes na Terra.
Sendo o deus principal do Tengrismo, que adora os Tengris (deuses do céu) e a Mãe Terra (Umay Ana). Ele controla o firmamento, é visto como o criador do cosmos, e os governantes turcos eram considerados seus representantes na Terra, recebendo títulos como "filhos de Tengri". A crença em Kök Tengri, ou Gök Tanrı, envolve adoração de ancestrais, xamanismo e rituais dedicados ao céu, montanhas e rios, com sacrifícios de animais e oferendas de leite e chá.
Kök Tengri é o chefe do panteão, frequentemente associado ao "Tian" chinês e ao conceito indo-europeu de Dyeus, o deus do céu, governa o céu e, em algumas tradições, é pai do Sol (Koyash) e da Lua (Ay Tanrı).
Em diversas tradições, Tengri é considerado "autocriado" (Möngke Tngri). Ele é frequentemente identificado com o próprio céu azul infinito, incognoscível e atemporal, e é a fonte de toda a existência. Sendo portanto, eterno, sempre existindo, sendo o próprio tempo, ele é o começo e o fim de tudo, sua eternidade não tem começo e nem fim de dias, anos ou eras. A eternidade é encarnada no próprio Kök Tengri, sendo esta divindade tão antiga, que o próprio tempo se encarrega de ser ele mesmo em sua essência, assim como o céu é infinito, Kök Tengri é portanto o próprio céu, eterno, atemporal e existindo desde sempre.
Um importante mito da criação turco descreve Tengri na forma de um ganso branco puro voando sobre uma imensidão de água (representando o tempo). Incitado por Ak Ana ("Mãe Branca"), ele iniciou o processo de criação para superar sua solidão. Esse ganso em questão continua sendo o próprio Tengri, que, além de ser eterno, pode se manifestar de várias formas e maneiras para os mortais que habitam em suas posses, pois tudo que está debaixo dos céus pertence a Tengri, e este pode se manifestar em qualquer objeto, animal ou humano, pois tudo na terra está abaixo do alto céu azul, sendo o próprio Deus.
Embora o próprio deus não nasça, pois ele próprio nunca nasceu e nunca morreu, governantes históricos (Chágans) como Genghis Khan e Bilge Kaghan alegavam ser "nascidos de Tengri" ou ter um "destino dado por Tengri". Isso estabelecia seu direito divino de governar como seus representantes na Terra.
Todas estas divindades são muito mais velhas do que o Deus bíblico, muito antes de existir o povo Cananeu (pois os Hebreus são Cananeus), as religiões destas nações, são milhares de anos mais velhas que a própria existência do povo canaanita hebraica.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
A XVIII DINASITIA DO KEMET - EGITO
A XVIII dinastia egípcia foi criada após a expulsão dos Hicsos, povos de origem asiática, e que comandaram o Egito por quase duzentos anos e é talvez a mais bem conhecida dinastia do Antigo Egito.
Tradicionalmente diz-se que a XVIII dinastia egípcia reinou entre 1550 ou 1557 a.C. e 1295 a.C., totalizando 255 ou 262 anos de duração/ foi a era em que o antigo Egito atingiu o auge de seu poder.
A Décima Oitava Dinastia é única entre as dinastias egípcias nativas por ter tido duas rainhas reinantes que governaram como faraós: Hatshepsut e Neferneferuaten, geralmente identificada como Nefertiti.
A Décima Oitava Dinastia é renomada por suas realizações artísticas, incluindo a construção de templos monumentais como os de Luxor e Karnak, bem como o desenvolvimento do Período de Amarna sob o reinado de Akhenaton.
Os faraós da Décima Oitava Dinastia, particularmente Tutmés I, Tutmés III e Amenófis II, conduziram ambiciosas campanhas militares que expandiram as fronteiras do Egito ao máximo. Tutmés III, frequentemente chamado de "Napoleão do Antigo Egito", é especialmente renomado por suas numerosas e bem-sucedidas campanhas militares na Síria, Núbia e no Levante, que colocaram vastos territórios sob o controle egípcio.
A Décima Oitava Dinastia testemunhou conquistas culturais e arquitetônicas notáveis. Faraós como Hatshepsut, Akhenaton e Tutancâmon deixaram uma marca significativa na história egípcia. Hatshepsut, uma das faraós mais famosas, iniciou projetos de construção ambiciosos, incluindo a construção de seu templo mortuário em Deir el-Bahari. Akhenaton, conhecido por suas reformas religiosas e pelo estabelecimento de um culto monoteísta centrado no deus sol Aton, construiu uma nova capital chamada Akhetaton (atual Amarna). Tutancâmon, embora seu reinado tenha sido relativamente curto, é famoso pela descoberta de seu túmulo intacto no Vale dos Reis, que proporcionou um vislumbre extraordinário da riqueza e do requinte artístico da época.
A Décima Oitava Dinastia testemunhou desenvolvimentos religiosos significativos, particularmente durante o reinado de Akhenaton, que tentou mudar o foco religioso do Egito do panteão tradicional de deuses para o culto a Áton, o disco solar. Esse período de convulsão religiosa, conhecido como Período de Amarna, teve um profundo impacto na arte, arquitetura e sociedade egípcias.
A Décima Oitava Dinastia começou a declinar em seus últimos anos devido a conflitos internos, instabilidade política e ameaças externas. O reinado de Amenófis IV (Akhenaton) e seus sucessores testemunhou desafios às práticas religiosas tradicionais e um enfraquecimento da autoridade central. A dinastia acabou cedendo lugar à Décima Nona Dinastia após o reinado de Horemheb, que restaurou a estabilidade no Egito.
De modo geral, a Décima Oitava Dinastia do Egito representa um período de imenso poder, florescimento cultural e conquistas militares, deixando um legado duradouro na história e civilização egípcias.
A ordem dos governadores do Egito da XVII Dinastia. Há muitas divergências quanto as datas. É importante notar que a ordem cronológica dos faraós é um tema em constante evolução e, portanto, deve ser tratada com certa cautela. À medida que novas pesquisas são realizadas, a ordem pode estar sujeita a alterações, o que é um princípio fundamental que se aplica a todas as dinastias egípcias.
Amósis I, (Nebpehti-re[1]) – 1550-1525 a.C.
Amenófis I, (Djeserka-re) – 1525-1504 a.C.
Tutemés I, (Akhperenre) – 1504-1492 a.C.
Tutemés II, (Akhperenre) – 1492-1479 a.C.
Hatexepsute, (Maatka-re) – 1479-1457 a.C.
Tutemés III, (Menkheperu-re) – 1457-1425 a.C.
Amenófis II, (Akheper-re) – 1425-1400 a.C.
Tutemés IV, (Menkhperu-re) – 1400-1390 a.C.
Amenófis III, (Nebmaat-re) – 1390-1352 a.C.
Aquenáton, (Neferkheperu-re-waenre) – 1352-1338 a.C.
Semencaré, (Ankhkeperu-re) – 1338-1336 a.C.
Tutancâmon, (Nebkheperu-re) – 1336-1327 a.C.
Aí, (Kheperkheperu-re) – 1327-1323 a.C.
Horemebe (Djeserkheperu-re) – 1323-1295 a.C.
O auge do Egito Antigo, como um todo, ocorreu durante o período conhecido como Novo Império (aproximadamente entre 1550 a.C. e 1070 a.C.). Esta fase é frequentemente chamada de "Era de Ouro" da civilização egípcia devido ao seu extremo poder militar, prosperidade econômica e esplendor cultural.
DESTINO MANIFESTO
O termo Destino Manifesto (Manifest Destiny) foi criado em 1845 pelo jornalista John Louis O'Sullivan, refletindo a crença de que os EUA estavam destinados por Deus a se expandir por toda a América do Norte, do Atlântico ao Pacífico, levando democracia e sua civilização, um conceito que justificou a expansão territorial dos EUA no século XIX, como a anexação do Texas e a Guerra com o México.
O jornalista John Louis O'Sullivan promovia visões de supremacia racial e noções de superioridade anglo-saxã (raça branca), que eram precursoras de ideologias racistas e, em alguns casos, da eugenia. Em seu "Destino Manifesto" de 1845, ele defendia a expansão territorial dos EUA como uma missão divina para espalhar a democracia e a civilização. A sua ideologia de expansão estava intrinsecamente ligada à crença na superioridade da "raça anglo-saxã" (raça branca) sobre outras raças, como a mexicana e a nativa americana. Ele chegou a escrever que a "raça mexicana deve ser perdida, no vigor superior da raça anglo-saxã, ou deve perecer completamente".
As crenças de O'Sullivan eram profundamente arraigadas no racismo e na hierarquia racial, justificando a conquista territorial com base em uma suposta superioridade racial e cultural. Embora não fosse um eugenista no sentido científico ou formal, suas ideias de superioridade racial contribuíram para o clima intelectual que, mais tarde, alimentaria o movimento eugênico nos EUA e em outros lugares.
O Destino Manifesto é uma ideologia de política de direita americana, eles também fazem o uso da religião, pois dizem que eles têm a "missão, dever, obrigação e responsabilidade" de levar a palavra de Deus e a civilização para os povos atrasados. Mas o que vemos é o ideal europeu de raça pura e o racismo sendo disseminado mais uma vez, em detrimento dos outros povos e culturas.
Infelizmente, temos o Darwinismo Social americanizado servindo de molde para a subcultura esdrúxula da tal "raça superior" para justificar o colonialismo, racismo e a escravidão. A subjugação dos povos pelo racismo é um processo sistêmico e histórico de dominação que utiliza a crença em uma hierarquia de raças para justificar a exploração, exclusão e opressão de grupos racializados, garantindo privilégios para o grupo dominante. Esse processo vai além de atitudes individuais e se manifesta em estruturas sociais, instituições e relações cotidianas.
Início
O ideal da supremacia branca para escravizar os outros povos era velho, desde 1500. Os motivos para isso são vários, como:
• A Descoberta do Continente Americano
• As Grandes Navegações
• Renascimento Europeu
• Escravidão do Povo Africano
• Escravidão e depois Assassinato dos Índios
Os Europeus diziam que eles tinham o dever divino de espalhar o cristianismo para as outras nações. Uma vez vindos aqui no continente, eles fizeram valer seus ideais.
Compra do Gigantesco Estado da Louisiana
Quando os americanos conseguiram sua independência da Inglaterra em 1776, o ideal racista europeu estava mais que enraizado nas treze colônias americanas. No ano de 1803, ou 27 anos depois da independência da Inglaterra, eles compraram o Estado da Louisiana da França, que estava sob o poder de Napoleão Bonaparte, por 15 milhões de dólares, em valores corrigidos, seriam cerca de 400 milhões de dólares.
A compra, negociada por Thomas Jefferson, mais do que dobrou o território dos EUA, expandindo-o para o oeste até as Montanhas Rochosas e garantindo o controle estratégico do Rio Mississippi. O nome Louisiana era em homenagem ao Rei Luiz XIV da França.
Após a compra do Estado da Louisiana, os EUA partem em direção ao oeste, com os ideais supremacistas brancos de orientação política de direita e conservadora, os americanos partem para conquista e expansão.
Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe, proclamada pelo presidente James Monroe em 1823, foi uma política externa dos EUA que estabeleceu o lema "América para os americanos", declarando que o continente americano estava fechado para futuras colonizações europeias e que os EUA não interfeririam nos assuntos europeus, mas alertavam que qualquer tentativa de recolonização seria vista como um ato hostil. Inicialmente defensiva, a doutrina foi reinterpretada ao longo do tempo, servindo de base para o expansionismo e intervenções dos EUA na América Latina, especialmente a partir do Corolário Roosevelt (1904).
A doutrina surgiu após as guerras de independência na América Latina, onde potências europeias (como Espanha, França e Grã-Bretanha) tentavam restabelecer influência. Os EUA, recém-independentes, buscavam proteger suas fronteiras e consolidar sua esfera de influência, aliando-se ideologicamente às novas nações.
Da Doutrina Monroe de 1823, temos a seguir, o Destino Manifesto, justificando o expansionismo territorial e a hegemonia dos EUA, de onde temos o famoso "Corolário Roosevelt."
Corolário Roosevelt
Foi um adendo à Doutrina Monroe, formalizado pelo presidente Theodore Roosevelt em 1904, que autorizava os Estados Unidos a intervir militarmente na América Latina como "polícia internacional" para garantir que nações da região cumprissem suas obrigações com credores estrangeiros e mantivessem a ordem interna, justificando intervenções em países como Cuba, Nicarágua e Haiti para proteger interesses americanos e evitar a intervenção europeia, associado à política do Big Stick (Grande Porrete).
Big Stick
O "Big Stick" (Grande Porrete) foi a política externa dos EUA, sob Theodore Roosevelt (1901-1909), baseada no provérbio "fale manso e carregue um grande porrete", usando diplomacia cordial com a ameaça implícita de força militar (o "porrete") para garantir os interesses americanos, especialmente na América Latina, resultando em intervenções no Panamá (Canal), Cuba (Emenda Platt) e Nicarágua, consolidando a hegemonia dos EUA no hemisfério.
Esta política mansa agressiva visava negociações pacíficas, mas com o poderio militar (Marinha) pronto para intervir, se necessário, estabeleceu os EUA como potência hegemônica e "polícia" regional, intervindo para corrigir "irregularidades crônicas" e protegia o comércio e investimentos dos EUA.
Donald Trump
Donald Trump fez referência ao conceito de "Destino Manifesto" em seu discurso de posse como o 47º presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2025. A citação gerou controvérsia, pois o termo remete a uma ideologia histórica e expansionista dos EUA.
Em seu discurso, Trump declarou: "Vamos perseguir o nosso destino manifesto até as estrelas, lançando astronautas americanos para fincar as estrelas e listras (da bandeira americana) no planeta Marte".
Historicamente, a ideologia é criticada por legitimar invasões, ofensivas militares e o extermínio de populações nativas.
Ao usar o termo, Trump o atualizou para um contexto de exploração espacial (Marte), mas também fez outras menções que sugerem uma política externa mais assertiva e potencialmente expansionista, como a possibilidade de renomear o Golfo do México para "Golfo da América" ou assumir o controle do Canal do Panamá. Analistas e críticos interpretaram a fala de Trump como um sinal de que sua administração adotará uma postura de busca por maior domínio global e de reafirmação do excepcionalismo americano, tanto na Terra quanto no espaço.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
RACISMO ESTRUTURAL
Racismo estrutural é um sistema em que a discriminação racial está embutida na organização da sociedade, nas instituições, leis, políticas e cultura, favorecendo o grupo branco e desfavorecendo negros e indígenas, não como atos isolados, mas como o funcionamento "normal" da estrutura social, perpetuando desigualdades históricas, como acesso à educação, saúde, trabalho e justiça.
Para ser mais exato, o racismo estrutural está impregnado nas instituições governamentais, nas empresas privadas, no sistema judiciário, no entretenimento, programas de rádio e televisão, nas religiões de matriz cristã (católicas e evangélicas afins), na polícia e todo escopo cultural brasileiro.
Ou seja, racismo estrutural é quando o preconceito e a discriminação racial estão consolidados na organização da sociedade, privilegiando determinada raça ou etnia em detrimento de outra.
O simples fato de o Brasil ser um país racista não assumido dificulta a discussão sobre este assunto tão latente. Brasileiro vê racismo, mas não se considera racista.
O termo “racismo institucional” foi usado pela primeira vez no livro Black power: Politics of liberation in America, de Charles V. Hamilton e Kwame Ture, publicado em 1967.
Já sob essa perspectiva, que, segundo o autor, foi um importante avanço teórico para o estudo das relações sociais, o racismo não se resume a comportamentos individuais.
Seria, portanto, o resultado do funcionamento das instituições – tanto públicas (o legislativo, o judiciário, o ministério público, reitorias de universidades etc.) quanto privadas (diretorias de empresas e organizações).
A origem da desigualdade racial, sob esse olhar, não seria uma simples consequência da ação isolada de indivíduos ou grupos racistas.
As instituições estariam dominadas por grupos sociais que utilizam seus mecanismos para impor e manter seus interesses políticos e econômicos. O racismo seria uma forma de dominação.
Na visão de Silvio Almeida, porém, todo racismo é estrutural.
Como escreve em seu livro, “o racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo ‘normal’ com que se constituem as relações políticas, econômicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo estrutural.”
Comportamentos individuais e processos institucionais têm, dessa forma, origem em uma sociedade em que “racismo é a regra e não exceção”.
Mas por que o mito de que não existe racismo no Brasil persiste?
Persiste por conta de uma parte da elite que não quer admitir que pessoas pretas ainda sofrem os resultados da escravidão, ainda nos dias atuais.
A ideia de que o Brasil não é um país racista por não ter leis de segregação como as americanas ou por causa de sua história de miscigenação é incorreta, mas persistente. O sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) é creditado como o primeiro autor a popularizar a ideia de que o país seria uma “harmonia racial”, mas a teoria é hoje encarada primordialmente como um mito.
O próprio Jair Bolsonaro, em diversas ocasiões, negou a existência de racismo no país, chegando a dizer que "aqui no Brasil não existe isso de racismo". 29/06/2018. Ele já foi condenado a pagar indenização por falas racistas.
O ex-vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que não existe racismo no Brasil. "Lamentável, né? Lamentável isso aí. Isso é lamentável. Em princípio, é segurança totalmente despreparada para a atividade que ele tem que fazer [...] Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil. Isso não existe aqui", afirmou Mourão. Brasília 20/11/2020
Sérgio Camargo (bolsonarista fanático), que presidiu a Fundação Cultural Palmares entre 2019 e 2022, fez diversas declarações polêmicas negando ou minimizando a existência de racismo no Brasil.
O racismo começa quando não admitimos sua existência, isto é uma herança que vem desde o século XVI e persiste até hoje.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
RACISMO NO TRABALHO
O racismo empresarial é forte nos dias atuais. O pensamento de que profissionais negros não são tão capazes de gerir equipes, por exemplo, como outros profissionais, ainda é uma questão presente.
Em uma entrevista ao Roda Viva, Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, afirmou que não dá para contratar profissionais negros para trabalhar no banco, pois o nível de exigência da empresa é alto. Contratando esses profissionais, o nível da empresa irá baixar.
Quando esses profissionais são contratados, eles não são considerados da mesma forma que profissionais brancos. Uma pesquisa realizada pela Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial aponta que profissionais negros ocupam apenas 6,3% dos cargos de gerência em 23 grandes empresas nacionais e multinacionais.
No entanto, nos cargos de aprendizes, estagiários e trainee, encontra-se uma maioria negra. De acordo com o IBGE, negros ganham 39,2% menos que brancos no trabalho. Profissionais negros enfrentam muitas dificuldades para crescer em empresas.
Além dessa diferenciação, quando um negro possui o mesmo cargo que um colega branco, ele ganha menos. A diferença salarial entre negros e brancos é de 48%. Para as mulheres negras, pode chegar a uma diferença de até 70% para o mesmo cargo e função.
O racismo não é sobre se esforçar ou se dedicar menos, é sobre direitos negados e portas fechadas. Para mudar esse cenário, as empresas precisam adotar medidas combativas.
Tudo isso está ligado ao racismo estrutural. Entender o racismo estrutural é essencial para ver as raízes das desigualdades em nossa sociedade. Esse conceito mostra um sistema que perpetua discriminação e exclusão. É crucial saber como ele se manifesta no trabalho. O racismo estrutural é um sistema que exclui grupos minoritários, especialmente negros. Ele vem da história de injustiças, como a escravidão. Essas práticas ainda afetam a sociedade, criando disparidades raciais.
O racismo estrutural afeta as empresas de várias maneiras. Ele impacta a cultura da empresa e como os colaboradores se sentem. É crucial entender como esses efeitos se manifestam em desafios reais para as empresas. As empresas com culturas fechadas têm dificuldade para atrair e manter talentos.
Pessoas negras no Brasil enfrentam uma realidade de maior vulnerabilidade e sub-representação no mercado de trabalho, concentrando-se em subempregos, informalidade e trabalhos de baixa remuneração, com salários significativamente menores que os de pessoas brancas, apesar de avanços pontuais na educação; essa situação acentua desigualdades sociais e restringe a ascensão profissional, sendo as mulheres negras as mais afetadas. Rendimentos médios de negros são inferiores aos de brancos, mesmo com níveis de escolaridade semelhantes, havendo uma diferença abissal em todas as posições.
A concentração em subempregos perpetua a desigualdade, afetando o acesso à educação, moradia e segurança, gerando um ciclo de vulnerabilidade social para a população negra.
Trabalhadores negros e negras ocupam cargos piores, recebem salários menores, têm mais dificuldade para conseguir empregos e estão em trabalhos precarizados, conhecidos como subempregos.
A discriminação racial acontece primeiramente na maior dificuldade de inserção
dos negros no mercado de trabalho. A taxa de desemprego dos negros é sistematicamente superior à dos demais trabalhadores.
A escravidão deixou um legado de exclusão, que ainda impacta a inserção e valorização da população negra no mercado de trabalho.
EUGENIA MODERNA
A busca pela “raça pura” não é só coisa de nazista: foi uma aparência mundial. E o seu fantasma ainda ronda a sociedade.
Algo cheirava mal na Inglaterra da rainha Vitória. Após três surtos de cólera e um episódio de calor intenso no verão de 1858, batizado de Grande Fedor (em guardas, mesmo), despejar todo o cocô de Londres no Rio Tâmisa não parecia mais uma boa ideia.
Saneamento básico e saúde pública foram tão planejados no fim do século 19 quanto a corrupção em Brasília é hoje. A Revolução Industrial criou uma pobreza inédita, diferente do camponês que plantava por subsistência. Os operários da indústria têxtil e da construção naval se empilhavam em cortiços, sem acesso à água tratada. Frequentavam bares e bordéis, eram desnutridos, alcoólatras e tinham filhos – muitos filhos.
Francis Galton, rico herdeiro de uma família tradicional, viu na periferia de Londres um problema darwinista. Ao pé da letra: ele era primo de Charles Darwin, e havia lido (ou melhor, devorado) a Origem das Espécies logo após o lançamento, em 1859.
O que Darwin afirmou, grosso modo, foi o seguinte: filhotes de uma ninhada nascem com diferenças sutis. Os que são mais aptos – graças aos dentes refinados, tímpanos aguçados ou músculos de contração mais rápidos – fornecem mais água, alimento e sexo. Assim, eles têm mais filhotes, e seus traços hereditários vantajosos prevalecem na população. Evolução por seleção natural.
Darwin não menciona o ser humano uma única vez no livro; mesmo assim, acendeu uma lâmpada na cabeça de Galton. Ele não só notou que a sobrevivência dos bem adaptados se aplicava ao Homo sapiens como concluiu que só havia um jeito de salvar a “raça europeia”: acelerar artificialmente, (por decreto, até) a atuação da seleção natural.
Para Galton, era necessário estimular o coito entre humanos que uma elite econômica via como vira-latas e incentivar os humanos de raça, com pedigree. Empreender um aperfeiçoamento autodirigido, para o bem do próprio povo. Em 1883, Galton deu à estratégia um nome: eugenia. Vem do grego: eu significa “bom”, gene significa “linhagem”, “raça”, “parentesco”.
“Estamos muito necessitados de uma palavra breve para a ciência de melhorar a estirpe”, afirmou Galton. “Para dar às raças ou linhagens de sangue mais adequado uma chance melhor de prevalecer depressa sobre as menos adequadas.”
Para Galton, a tendência à miséria, ao vício e à doença era tão hereditária quanto à altura ou ao cor dos cabelos. Se os filhos dos inaptos já iam morrer pela mão cruel da seleção natural, era melhor que não nascessem: “O que a natureza faz às cegas (…) o homem pode fazer com previdência, rapidez e segurança”.
Ele se tornou uma máquina de coleta de dados. Tirava as medidas corporais de famílias inteiras em busca de uma explicação para a aparência da hereditariedade (lembre-se: a genética de Mendel ainda estava escondida na gaveta). Em 1877, numa espécie de Minority Report do século 19, ele esquadrinhou os rostos de condenados tentando tentar um tipo de crime a cada fisionomia. Galton queria transformar a humanidade em uma imensa planilha de Excel. E deletar as colunas incômodas.
Essas ideias foram recebidas como vanguarda da ciência. No início do século 20, Londres sediaria o primeiro congresso internacional de eugenia. A Inglaterra não chegou a colocar em prática as ideias de Galton. Dezenas de outras nações, porém, as abraçaram. A mais dedicada delas, nas primeiras décadas, não foi a Alemanha – e sim os EUA.
Em 1907, o Estado de Indiana introduziu a primeira lei de esterilização compulsória do mundo. Entre 1907 e a década de 1960, mais de 64 milhões de americanos considerados “inaptos” foram evolutivamente castrados com anuência das autoridades. Eram alcoólatras, esquizofrênicos, epiléticos, criminosos, prostitutas… Essa modalidade de eugenia era chamada de negativa. Um relatório sobre o resultado da prática na Califórnia – recordista de esterilização entre os 32 Estados que a adotaram – serviu de inspiração para os oficiais nazistas que implantaram a prática do outro lado do Atlântico.
Também havia a eugenia positiva: educação a reprodução dos aptos. Tornaram-se comuns as Feiras da Família Fitter (“feiras de famílias mais aptas”, em português), em que casais com genes realizados bons eram sorteados em pódios e ganhavam medalhas.
Um dos símbolos da eugenia americana foi Charles Davenport, mandachuva do Eugenics Record Office (ERO) – o centro de pesquisa em Cold Spring Harbor, Nova York, que encabeçou os esforços de higienização genética. Ele era contra casamentos inter-raciais (comentaremos a relação da eugenia com o racismo nos próximos parágrafos) e via a entrada de imigrantes do sul da Europa e da Ásia como um risco à boa estirpe americana.
Davenport, de bobo, não tinha nada. Aplicando a lógica de transmissão de características hereditárias descobertas por Mendel em seus experimentos com ervilhas, acordos corretamente que a doença de Huntington era um traço dominante, e o albinismo, recessivo. O problema é que ele extrapolou a lógica: começou a inventar genes para tudo – até uma das famílias de construtores de barcos. Não havia espaço para o óbvio: que um filho tende a seguir o ofício do pai. Tudo era herdado.
No porto de Ellis Island, também em Nova York, imigrantes recém-chegados da Itália, da Grécia e dos países do bloco comunista foram submetidos a testes de QI. “O propósito de aplicar a escala de medição mental em Ellis Island é filtrar os imigrantes que podem (…) se tornar um fardo para o Estado ou produzir prole que vai exigir vagas em prisões ou asilos”, afirmou em 1915 o médico Howard Knox. Xingamentos como “idiota” e “imbecil” eram termos técnicos, aplicados na classificação de pessoas em relatórios oficiais.
Embora hoje eugenia esteja associada ao racismo no imaginário popular, Galton e Davenport não tinham nada a ver com os escravocratas retrógrados do sul dos EUA, associados à Ku Klux Klan. Foi um tipo de racismo diferente que escolheu o bonde da eugenia. Se fosse possível isolar (e eliminar) os indesejáveis dentre os membros de uma raça, por que não seria possível hierarquizar como raças próprias? Pior: por que não fazer isso à maneira Excel, comparando narizes, testas e o volume de cérebros e crânios de negros, brancos e índios?
No livro A Falsa Medida do Homem, publicado em 1980, o biólogo Stephen Jay Gould, de Harvard, cita o caso de Robert Bean – um médico que em 1906 publicou um longo artigo comparando as medidas de várias partes dos cérebros de negros e brancos. Uma das áreas comprovadas foi o corpo caloso – que conecta o hemisfério direito ao esquerdo. O corpo caloso é dividido em dois trechos, o joelho e o esplênio, e Bean percebeu algo, em sua opinião, fantástico: o joelho e o esplênio de negros eram muito menores que os dos brancos [veja o gráfico à esquerda].
Era racista demais para ser verdade. Tanto que Franklin Mall, orientador de Bean na Universidade Johns Hopkins, suspeitou. Ele refez o estudo – dessa vez, medindo 106 cérebros sem saber, de antemão, a etnia dos indivíduos a que pertenceram. Resultado? Seus gráficos saíram neutros. O desejo de comprovar teses pré-concebidas era tão grande que os pesquisadores manipulavam os próprios dados deliberadamente.
No Brasil, eugenia e racismo andaram de mãos dadas – o ranço aparece disfarçado até hoje: “Meu neto é um cara bonito, viu? Branqueamento da raça”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão em outubro de 2018.
Quem concordou foi Renato Kehl – o farmacêutico que, lá na década de 1920, liderou os esforços de limpeza genética no Brasil: “A nacionalidade brasileira só embranquecerá à custa de muito sabão de coco ariano”. Kehl se tornou o bode expiatório dos livros didáticos, mas não trabalhou sozinho: muito sujeito que hoje é nome de rua participou.
“Vital Brazil foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo, assim como Arnaldo Vieirade Carvalho – o da Avenida Dr. Arnaldo, em São Paulo, fundador da Faculdade de Medicina da USP”, diz a historiadora Pietra Diwan, autora do livro Raça Pura. Monteiro Lobato e Roquette-Pinto, também.
Ou seja: a eugenia foi uma invenção inglesa, aperfeiçoada nos EUA e divulgada por todo o Ocidente no entreguerras. O Holocausto foi apenas a sua manifestação mais conhecida, mas todas as atrocidades ordenadas por Hitler (e rechaçadas pelos Aliados após a 2ª Guerra Mundial) tiveram precursores entre os próprios Aliados. A descoberta dos campos de concentração desencadeou um surto de peso na consciência que culminou com a publicação, em 1950, de um documento da Unesco intitulado A Questão da Raça . A ciência pedia desculpas, e a palavra eugenia virava tabu.
A mesma genética que justificou a eugenia hoje dá armas para combatê-la. Para começar a conversa, a maioria esmagadora de nossas características é determinada por itens de genes, que interagem entre si e com o ambiente numa dança bioquímica complicada. Se na década de 1920 parecia óbvio que há um gene para famílias construtoras de barcos, hoje a única certeza é que não há muitas certezas.
“Os geneticistas não veem preto e branco, mas tons de cinza”, explica o geneticista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). Muotri lida diariamente com esses tons: seu laboratório busca tratamentos para formas graves de autismo – enquanto representa a parte mais leve do espectrom que o autismo é só parte de sua personalidade, e não uma doença.
“Isso acontece em outros casos – como o dos surdos nos EUA”, diz Muotri. "Alguns se recusam a ser rotulados como deficientes, e preferem passar a vida sem auxílio médico. Outros surdos optam por tratamentos para voltar a ouvir. É preciso respeitar a opinião de cada um."
A ideia de raça, por sua vez, simplesmente não tem validade biológica. Um estu Ido da Universidade Stanford analisou 1.056 indivíduos de 52 grupos étnicos distantes entre si geograficamente. A ideia era verificar se uma quantidade razoável de genes poderia ser encontrada na população de um lugar, mas não de outro – o que evidenciaria a existência de raças.
Algo entre 93% e 95% da variação genética foi verificado entre indivíduos do mesmo grupo. As diferenças entre grupos foram irrisórias – entre 3% e 5%. 47% dos genes desenvolvidos apareciam em populações dos cinco continentes. Moral da história: a diversidade humana é um degradante sutil; é impossível dividir-la em caixinhas. A ideia de raça é apenas uma forma de dar ares científicos ao preconceito.
DNA é algo mais revelador que um prontuário médico. Logo, será possível julgar alguém com base nele com a mesma naturalidade com que os imigrantes foram julgados por QI em Ellis Island.
"No futuro, todos teremos nosso genoma sequenciado. É decisivo", diz Muotri. "Por um lado, essa informação vai nos ajudar a prevenir e tratar doenças com mais eficiência [como já se faz com o gene BRCA1, associado ao câncer de mama]. Por outro lado, seu uso pelos planos de saúde deve ser controlado. Cobrar mensalidades de acordo com a susceptibilidade a doenças não só é possível como já acontece, quando se cobra mais caro de um idoso que de um jovem."
Artigo da Revista Super Interessante
https://super.abril.com.br/ciencia/a-longa-historia-da-eugenia/









