Primeiro temos que desmitificar uma coisa, a de que Fílon de Alexandria era historiador, ele não era historiador, ele era filósofo. Uma vez compreendido isto, podemos prosseguir.
Ao contrário de historiadores como Flávio Josefo, a imensa maioria dos escritos de Filon focava na interpretação filosófica e alegórica das escrituras judaicas (a Torá). Ele procurava unir a teologia judaica com a filosofia grega (como o platonismo e o estoicismo). Ele não tinha o objetivo de registrar notícias diárias ou movimentos locais da Judeia.
Nenhum Escrito Sobre Jesus
Filon de Alexandria nunca mencionou Jesus Cristo ou qualquer evento do Novo Testamento em suas obras. Embora ele tenha vivido exatamente na mesma época (cerca de 20 a.C. a 50 d.C.), existem razões históricas claros para esse silêncio, isso é bastante curioso, pois se Jesus fosse tão famoso como dizem os Evangelhos e a cultura religiosa cristã, Fílon deveria no mínimo ter escrito uma nota de rodapé em um guardanapo de pão velho, mas nem isso existe.
Separação Geográfica e Cultural
Os apologetas de Cristo, podem dizer que Filon não escrever nada sobre Jesus, porque Filon nasceu, viveu e trabalhou em Alexandria, no Egito. Embora fizesse parte da elite judaica e tenha visitado Jerusalém poucas vezes para fins religiosos, ele estava totalmente focado nos problemas políticos e intelectuais de sua própria comunidade local. Os eventos em torno de Jesus ocorreram nas distantes províncias da Galileia e da Judeia.
Mas isso não impediria um escritor tão sábio (filósofo) de ter conhecimento sobre Jesus e seus Apóstolos e Discípulos. Mas não temos nada escrito por Filon sobre nenhum deles, nem uma nota de rodapé de papel de botequim.
Pilatos
O filósofo judeu (e não historiador) Filon de Alexandria fez duras críticas e descrições negativas sobre o governador romano Pôncio Pilatos. Enquanto os textos dos Evangelhos bíblicos costumam retratar Pilatos como um líder hesitante ou que tentou ser justo, os escritos históricos de Fílon revelam uma realidade muito diferente. Em sua obra A Embaixada a Gaio "Legatio ad Gaium", Fílon cita uma carta enviada pelo rei Herodes Agripa I ao imperador Calígula. Nesse texto, ele relata detalhadamente o comportamento de Pilatos na Judeia.
De acordo com os relatos sobreviventes de Fílon de Alexandria, Pilatos era caracterizado por:
•Prática frequente de execuções violentas sem qualquer julgamento ou processo legal prévio.
•Envolvimento constante em subornos, roubos e saques contra os cidadãos locais.
•Descrito como um homem inflexível, agressivo e obstinado, que se recusava a ceder.
•Atitudes intencionais para provocar e ofender as sensibilidades e leis religiosas do povo judeu.
Um dos episódios mais emblemáticos narrados por Fílon foi quando Pilatos mandou instalar escudos dourados com inscrições pagãs dentro do palácio de Herodes, em Jerusalém, o que gerou uma enorme crise diplomática e revolta popular na região devido ao desrespeito às leis sagradas locais.
Mas mesmo assim, não temos nada escrito sobre Jesus, os Apóstolos ou algum discípulo.

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