Aserá ou Asherah foi amplamente adorada como consorte de Javé no antigo Israel, incluindo os recintos do Templo de Salomão em Jerusalém.
Relatos bíblicos e registros arqueológicos mostram a presença de um poste sagrado de Asherah dentro do próprio templo. A arqueóloga Kathleen Kenyon também descobriu centenas de estatuetas femininas quebradas próximas ao Templo de Jerusalém, indicando que objetos de adoração à deusa foram ali depositados quando reformas religiosas determinaram sua destruição.
Textos Bíblicos
O livro de 2 Reis 21:7 relata explicitamente que o rei Manassés de Judá colocou uma imagem esculpida de Aserá dentro do próprio templo de Jerusalém.
•2 Reis 21:7 - Também pôs uma imagem de escultura, do bosque que tinha feito, na casa de que o Senhor dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre.
O livro de 2 Reis 23:7 menciona que mulheres viviam e trabalhavam nas dependências do Templo de Salomão tecendo mantos e véus rituais destinados ao culto de Aserá.
•2 Reis 23:7 - Também derrubou as casas dos sodomitas que estavam na casa do Senhor, em que as mulheres teciam casinhas para o ídolo do bosque.
Inscrições de Kuntillet Ajrûd e Khirbet el-Qom
Datadas do século VIII a.C., que são pedaços de cerâmica e paredes de tumbas que contêm bênçãos escritas invocando "Javé e sua Aserá" (em hebraico: Yahweh ve Ascheratah), indicando que a deusa era vista como a companheira do Deus de Israel.
Estatuetas de Fertilidade
Centenas de estatuetas femininas de argila associadas a Aserá foram encontradas em escavações arqueológicas por toda a região da Judeia, inclusive nas proximidades da área do templo, indicando forte devoção popular.
Reforma do Rei Josias
O culto conjunto durou até o final do século VII a.C., quando o rei Josias promoveu uma purificação religiosa, retirando a estátua (ou poste sagrado) de Aserá de dentro do templo para destruí-la.
Apagamento
Com a transição para o monoteísmo estrito e a centralização do culto (especialmente sob o reinado do Rei Josias), a religião israelita foi reformada. Aserá foi marginalizada, e nos textos bíblicos posteriores seu nome passou a ser frequentemente ocultado ou traduzido como simples "bosques" ou "postes-ídolos".
Originalmente, Javé absorveu os atributos do deus cananeu El, que era casado com Aserá. À medida que o reino de Judá passou por crises políticas e pelo exílio babilônico, os escribas e profetas reescreveram a história de Israel para focar exclusivamente no culto masculino e monoteísta a Javé, transformando a antiga deusa nacional em um símbolo de idolatria proibida
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