De acordo com o relato do Livro de Daniel na Bíblia (capítulo 4), o governante da Babilônia sofreu uma perda temporária de sua sanidade. Ele foi acometido por uma condição mental severa que os psicólogos e historiadores modernos identificam como Boantropia.
É um distúrbio psicológico raro no qual o paciente retém sua forma humana, mas acredita piamente que é um boi ou uma vaca. Seriam nos dias atuais os Therions do Comunismo de Esquerda.
O Texto Bíblico
O texto bíblico narra que suas unhas cresceram como garras e seus cabelos ficaram espessos como penas. No entanto, isso é descrito como consequência do abandono extremo e da exposição prolongada ao tempo por sete anos, e não por uma mutação genética ou metamorfose física real. Sob o efeito desse delírio, o rei passou a viver ao ar livre, a comer grama como o gado e negligenciou totalmente sua higiene pessoal.
O Fato Real
Mas analisando o relato de forma literal, o Rei Nabucodonosor II não se transformou fisicamente em um animal.
Se analisarmos o registro histórico puro das tabuletas babilônicas, não há registros oficiais de que ele tenha agido como animal.
Documentos da época retratam Nabucodonosor II apenas como um monarca brilhante, construtor de grandes templos e palácios. Crônicas reais dificilmente registrariam a loucura ou o vexame de seu próprio governante absoluto.
Em primeiro lugar, não devemos esperar encontrar fontes sobre esse evento. Afinal, os reis da antiguidade não tinham o hábito de registrar fracassos ou fraquezas embaraçosas como essa. Além disso, a maioria dos eventos antigos nunca foi registrada ou não sobreviveu ao passar do tempo.
Em particular, os registros da vida de Nabucodonosor tornam-se muito escassos na segunda metade de seu reinado. O estudioso do Antigo Testamento, Paul Ferguson, escreve: “Registros históricos meticulosos estão disponíveis até aproximadamente o décimo primeiro ano do reinado de Nabucodonosor, após o qual as crônicas praticamente silenciam”. Além disso, o interesse religioso de Nabucodonosor também começa a diminuir durante a segunda metade de seu reinado.
Dito isto, há evidências extrabíblicas relativamente recentes da insanidade de Nabucodonosor. Em 1975, o assiriólogo A.K. Grayson publicou esta tabuleta cuneiforme babilônica do Museu Britânico. O texto é fragmentário e os estudiosos debatem seu significado. No entanto, o texto diz o seguinte (citado no artigo do arqueólogo Siegfried H. Horn,
“Nova luz sobre a loucura de Nabucodonosor”
[Nebu]Chadnezzar considerado
Sua vida não parecia ter valor algum para [ele, ……]
E o babilônio dá maus conselhos a Evil-Merodach […]
Então ele dá uma ordem completamente diferente, mas [...]
Ele não dá ouvidos à palavra que sai de seus lábios, o cortejo – – -]
Ele não demonstra amor ao filho e à filha [...]
… família e clã não existem [...]
Sua atenção não estava voltada para promover o bem-estar de Esagil [e da Babilônia]
Ele ora ao senhor dos senhores, ele levanta [as mãos (em súplica) (...)]
Ele chora amargamente para Marduk, os grandes deuses […]
Suas orações vão até [……]
Ao comentar essa inscrição, Paul Ferguson escreve: “Por alguma razão não especificada, o rei fica extremamente desorientado. Suas ordens são contraditórias e ele sequer atende ao chamado de seu nome. Ele não demonstra preocupação com o filho ou a filha e deixa de cuidar dos locais de culto. Até mesmo sua própria vida não tem valor para ele. O texto termina com o rei indo até o portão sagrado e chorando amargamente diante dos grandes deuses. O texto é muito pequeno e fragmentário para afirmar dogmaticamente que se trata da versão babilônica do relato em Daniel 4. Contudo, indica que é preciso muita cautela antes de descartar o relato da loucura do rei como mera lenda.”
Para que fique claro, este manuscrito não prova a loucura de Nabucodonosor.

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