Existe uma romantização da origem da Assembleia de Deus. Quando se pergunta para algum assembleiano como foi a origem da Assembleia de Deus, eles vão contar de uma forma pueril, de uma forma romantizada, como surgiu o seu segmento religioso. E é muito bonito.
Fizeram até um filme, escreveram livros sobre os dois missionários suecos que vieram aqui no Brasil e de uma forma desbravadora fundaram a Assembleia de Deus. E é fato, Gunnar Wingren e Daniel Berg realmente fundaram aqui no Brasil a Assembleia de Deus. Mas o processo não foi da forma como eles falam.
Não foi uma coisa pueril, romântica, honrada, como contam os adeptos da Assembleia de Deus. A origem real da Assembleia de Deus é cheia de entraves, traições, mentiras, enganações, divisões, facções e etc. E isso é muito comum entre as igrejas evangélicas, porque quase todas as igrejas evangélicas, sejam elas pentecostais ou neopentecostais, nasceram de uma divisão.
Nasceram com brigas, discussões, dedo no olho, arranca-rabo, voadora e etc. É muito comum. E no caso da Assembleia de Deus, não foi diferente.
A divisão, que é óbvio, foi um tanto desonesta, é apenas mais um caso dos muitos casos das origens dessas igrejas evangélicas. A origem da Assembleia de Deus é cheia de erros. E os fundadores Gunnar Wingren e Daniel Berg tinham mais intenção de pregar aos batistas do que aos incrédulos.
Ou seja, o que eles fizeram é o velho truque conhecido que é pescar no aquário alheio. O rastro de divisões e mágoas dentro da Assembleia de Deus foi feita por onde passava. Antes de mais nada, eu sei que muitos assembleianos ou simpatizantes da Assembleia de Deus vão comentar, xingar, falar que isso não é verdade, que é uma invenção, que eu tenho que me converter, que eu estou com o diabo no corpo e etc.
Eu vou citar aqui as fontes. A primeira fonte é a origem da Assembleia de Deus no Brasil, autor Gilberto Stefano. E a segunda fonte é de Francisco José Barbosa, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
E a última fonte é a do historiador Antônio de Almeida. Ele registra essa história na Igreja Batista do Belém. Então, é verdade.
Eis a história real da fundação da Assembleia de Deus aqui no Brasil. Tudo começa no dia 19 de novembro de 1910, quando desembarcam no Brasil dois pastores, no caso pastores batistas, que eram Gunnar Wingren e Daniel Berg. Esses dois congregavam na Igreja Batista dos Estados Unidos.
Mas devido ao fato de se unirem ao movimento pretecostal realizado na Rua Zusa 312, em Los Angeles, eles foram excluídos das igrejas batistas. Ou seja, ocorreu lá o evento da Rua Zusa. Tem um vídeo que eu fiz sobre isso, o link está aí para vocês.
Foi uma sessão espírita, não foi nada de Deus, não foi movimento religioso, cristão como se pensa. Mas o link está aí, quem quiser pode acessar. Ocorrido este evento na Rua Zusa, com o tempo este evento ficou muito conhecido nos Estados Unidos, não só lá como em outros países.
Gunnar Wingren e Daniel Berg, ambos batistas, souberam, óbvio, do evento ocorrido na Rua Zusa e eles começaram a aderir ao movimento pretecostal. Por conta disso, eles foram expulsos da Igreja Batista. Isso mesmo, eles foram excluídos, expurgados, expulsos, porque eles desobedeceram aos seus superiores.
A Igreja Batista era pretecostal, mas essa Igreja Batista que os suecos Gunnar Wingren e Daniel Berg eram membros, ainda aguardava algumas doutrinas anglicanas. E Gunnar Wingren e Daniel Berg, depois de expulsos da Batista, foram então acolhidos pelo pastor maçom Charles Fox Farton. Charles Fox Farton, claro, vocês sabem, ele era maçom, um dos líderes da Kuklux Klan, maçom convicto e homossexual.
Depois eles se desentendem com Charles Fox Farton e vão ter outro pastor como líder. É assim o sistema religioso evangélico. Não tem uma lealdade, fidelidade, é muito comum.
Pois bem, ao chegarem ao Brasil, Gunnar Wingren e Daniel Berg foram apresentados ao pastor Eurico Nelson. Eurico Nelson era o pastor da Igreja Batista do Belém do Pará. Eles foram apresentados para o pastor Eurico Nelson porque eles eram batistas e Eurico Nelson era da Igreja Batista, então tudo em casa.
E foi feito então o pedido que os religiosos fazem quando você muda de igreja, que é a tal da carta, no caso uma carta de transferência, que tem que ser assinado por um pastor, toda aquela burocracia. E o pastor Eurico Nelson pediu a Gunnar Wingren e Daniel Berg a tal carta de transferência e eles não tinham. Por que eles não tinham? Eles não tinham esta carta de transferência porque eles foram expulsos da Igreja Batista de lá dos Estados Unidos.
Qual foi a estratégia de Gunnar Wingren e Daniel Berg? Mentir. Eles mentiram para Eurico Nelson que eles não eram membros excluídos da Igreja Batista americana. O erro já começa aí, já começa com mentiras.
Mentiras aceitas, infelizmente, eles foram morar então no porão dessa Igreja Batista cujo pastor era Eurico Nelson. E eles ficaram no porão até conseguirem se estabelecer e depois arrumarem dinheiro, emprego, até conseguirem alugar uma casa. Nesse inteirinho o tempo passa e o então pastor Eurico Nelson precisa viajar para o sudeste do país porque haveria uma convenção batista e foi neste tempo que os dois pastores suecos agiram.
Sem a presença do pastor titular e ajudado por um moderador da Igreja chamado José Plácido da Costa, Gunnar Wingren e Daniel Berg conseguiram a filiação na Igreja Batista, mesmo sem as cartas de transferência. Já é o segundo erro ou segundo pecado. O primeiro pecado foi a mentira e o segundo é a manipulação e agir pelas costas e isso é chamado de conluio.
Gunnar Wingren e Daniel Berg começam então a induzir alguns membros da Igreja Batista a ficarem depois do culto para assistir as suas reuniões. No caso seria as sessões espíritas que os evangélicos chamam de cultos pentecostais. É claro que essas reuniões depois do culto eram feitas sem o conhecimento da Igreja e eram feitas, claro, no porão onde eles estavam instalados.
Com o tempo, o grupo de pessoas que ficavam depois do culto começou a aumentar. Em esses cultos pentecostais, que na verdade eram sessões espíritas, havia muito barulho, as pessoas entravam em êxtases, que eram o tal de entrarem em mistério, falavam em línguas estranhas, que são as línguas hinokianas e alguns começaram a dizer que tinham recebido dos dois pastores o que eles chamavam de batismo com fogo, que é o tal do pentecostes. E esse culto escondido, feito nas escuras, pelas costas, um dia teve que ser descoberto porque toda mentira que se preze, não importa o tempo, um dia ela vem à tona.
Aconteceu que um irmão da igreja, o evangelista Raimundo Nobre, descobriu o caso e logo ele comunicou a toda a igreja. Depois disso foi feita uma reunião para apurar o caso e nessa reunião os dois pastores, a saber Gurnar Vingar e Daniel Berg e mais 11 membros da igreja, foram excluídos e isso com o pastor titular fora do estado, porque ele estava no sul em uma conferência batista. Esse caso aconteceu no ano de 1910.
Gurnar Vingar e Daniel Berg continuaram a realizar o seu trabalho de proselitismo entre os membros da igreja e ficou aquela rinha porque com a chegada de Gurnar Vingar e Daniel Berg, a divisão na igreja batista de Belém do Pará foi muito forte. Eles causaram o que é chamado de facção. O próprio Gurnar Vingar afirma em seu diário que eles faziam isso, abre aspas, por onde íamos buscávamos nas igrejas e nas casas dos batistas infundirem o novo batismo, fecha aspas.
Esse tal novo batismo que Gurnar Vingar fala em seu diário, é o tal do batismo com fogo, era o novo culto pentecostal como se conhece hoje, que sabemos que é espiritismo gospel e esses cultos pentecostais, vocês sabem, eram a tal das vigílias avivadas, campanhas nos lares, cultos matinais que é a tal da consagração, orar no monte e etc. E nesses cultos sempre se aprendia a falar as tais línguas estranhas, pular, rodar, correr, gritar e etc. Nesses cultos também foram introduzidos a heresia pentecostal do Chequinar, aí então é fundada a Assembleia de Deus do Belém do Pará.
Passa-se o tempo e vem outra divisão, outra rachadura na Assembleia de Deus. Devido a divergências teológicas, brigas, doutrinárias, desentendimentos, discórdias e etc. surge a Assembleia de Deus de Madureira.
Paulo Leivas Macalão funda o Ministério Madureira. Tudo bem que Paulo Leivas Macalão foi o maior compositor de hinos da harpa cristã no Brasil. Mas não nos esqueçamos, Paulo Leivas Macalão era um maçom importante na comunidade evangélica brasileira.
Paulo Leivas Macalão foi consagrado a pastor pelas mãos do próprio Gunnar Wingren e pelo também sueco Levi Petrus. Essa consagração aconteceu no dia 17 de agosto de 1930. Agora eu lhes faço uma pergunta, é de Deus o surgimento de uma instituição que nasça por meio de divisão, brigas, separação, segmentação e outra coisa? É de Deus facções religiosas? É de Deus ter brigas, desentendimentos e todo tipo de desagregação? Segundo consta nos evangelhos, qualquer coisa que nasça com brigas, discussões, confusões, litígios, disputas, querelas, discórdias etc.
não pode ser de Deus. Em segundo livro de Atos não vemos nenhum surgimento de religião, não vemos nenhuma doutrina ou usos e costumes. O próprio Cristo não fundou nenhum segmento religioso.
Ainda mais o segmento religioso que nós sabemos são surgidos através de discussões, brigas, confusões, litígios, disputas, querelas, discordâncias, discórdias, choques, desavenças, rixas, atritos e etc. E a Assembleia de Deus aqui no Brasil foi a primeira das muitas que surgiram desta forma.

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