Cada povo, cada tribo, cada raça, cada clã, vai contar uma história sobre a origem das línguas de seu país, de sua região. Cada um, conforme a sua cultura, tem um mito próprio falando da origem das línguas, ou seja, dos idiomas. As lendas são várias, porém, vou contar apenas algumas para termos uma pequena noção do quão vasto é a história das origens das línguas.
O povo da América Central dizia que, depois de um grande dilúvio, um casal sobreviveu flutuando em uma casca de árvore, em algumas versões, em um galho grande ou um tronco de árvore. A história conta que, quando em terra seca, este casal teve vários filhos que eram incapazes de falar. Eles só aprenderam a falar quando uma pomba veio e deu-lhes línguas, ou seja, deu um idioma diferente para cada criança.
Não podendo se entender, quando crescidos, cada um foi morar em terras diferentes e distantes. Na América do Norte, a tribo dos iroquenses que viviam onde é hoje a cidade de Nova York, dizia que o Deus da Porta do Céu guiou sua tribo para que eles vivessem em diferentes lugares. Por conta disso, cada tribo falava uma língua diferente da outra.
E é perceptível que nós vemos aqui uma semelhança desse Deus Porta do Céu da tribo iroquense com o Deus da Torre de Babel. De onde a palavra Bab quer dizer Porta e El quer dizer Deus. Os gregos também têm o seu conto da origem de seu idioma.
Para os gregos, o Deus Hermes é o Deus da Palavra e também o Deus da Eloquência. O Deus Hermes levou para os gregos diferentes línguas. O historiador grego Heródoto relata em seus documentos que viu na antiga Mesopotâmia uma torre escalonada.
Ou seja, Heródoto viu um zigurate, que seria uma torre em degraus. E esse zigurate, ou torre escalonada que Heródoto viu, tinha oito níveis. E esta torre tinha por volta de 200 metros de altura.
E no topo tinha nessa torre um santuário sagrado dedicado a Bel. A palavra Bel quer dizer Deus, que vem do termo El. E ambas as palavras querem dizer Senhor, que para os gregos vai ser Zeus.
Na África Ocidental, a tribo Akawaki queria estar perto do Deus Nayankubum. Para isso, eles construíram uma torre ou templo que eles chamavam de Masayami. Mas a torre ou templo desabou e eles tiveram que fugir por conta disso.
E fugindo por causa do desabamento dessa torre ou templo, eles se espalharam e viveram cada um em uma localidade diferente, dando origem assim a várias línguas ou idiomas desde então. Ainda na África, a tribo Asani conta que havia somente um idioma. Mas, infelizmente, por conta de uma fome terrível, os homens tiveram que se espalhar para procurar alimento.
Vagando em várias direções, eles se assentaram onde cada um estava, fazendo surgir com isto novos idiomas. Na Polinésia, o povo das ilhas Rao conta que Deus com raiva puniu os construtores de uma torre ou templo. Destruindo esta construção, este Deus mudou o idioma dos homens, fazendo cada um falar uma língua diferente.
Nas ilhas Andaman, que fica na Baía de Bengala, na África do Sul, conta a lenda que o Deus Tuluga criou o primeiro casal, e ele modificou as línguas dos homens. Ele fez isso quando os muitos filhos deste casal tiveram que deixar sua casa por causa da grande quantidade de pessoas. Lendas chinesas contam que a divisão da língua fez com que o universo se desviasse pelo caminho, porque antes disso havia apenas uma língua original.
Na mitologia persa, o Deus Arimã, que seria uma entidade do mal, pulverizou a linguagem dos homens em 30 idiomas. Um dos contos sagrados do povo maia, em um livro chamado Popovú, está escrito que as línguas da tribo mudaram, a fala ficou diferente. Conta esta lenda que antes a língua era uma quando eles partiram da região de Tulan.
E no conto bíblico está escrito que Deus destrói a torre-templo de Babel e ainda confunde a língua dos homens. Não é estranho todos estes povos terem uma raiz histórica em comum, e são todos povos distantes, e eles contam basicamente o mesmo pano de fundo. É claro que os detalhes são muito diferentes, mas o pano de fundo é isso aí mesmo.
Quando se trata de origem da fala, sempre vai ser algum Deus que vai fazer com que os seres humanos, que antes falavam um único idioma, começam a falar vários idiomas. Não existem coincidências nos campos da história, arqueologia e etc. Como também não existem acasos.
Todas as histórias, lendas e mitos são dados por um processo lento e gradual, que são aprendidos e contados ao longo do tempo. Não se sabe ao certo quando surgiu a fala. Isso porque na época não existia a escrita.
Sendo assim, não era possível registrar o nascimento da comunicação oral. Por outro lado, isso indica que a nossa busca pela raiz histórica da linguagem sempre terá um ponto inicial em comum. Ao que parece, todos os relatos convergem da mesma raiz.
Este relato é o seguinte. Um Deus, seja lá qual for o nome deste Deus, fez os homens. Este Deus fez os homens falar línguas diferentes.
Uma coisa é certa de que a fala não é genética. A fala não é passada de uma geração para outra geração automaticamente. Ninguém nasce falando, ninguém aprende a falar sozinho.
A fala é uma habilidade adquirida e aprendida ao longo do tempo. É certo que há palavras que são comuns em grande parte dos idiomas falado por nós. Não são comuns em todos os idiomas.
Mas, na maioria dos idiomas, algumas palavras são entendidas de várias formas. E temos dois exemplos destas palavras, como a palavra não e a palavra mãe. Em quase todos os idiomas, estas palavras têm a mesma raiz fonética.
Indicando assim, que nos primórdios da humanidade, o ser humano falava um único idioma. O ser humano tinha somente um idioma em comum.

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