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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

TORRE DE BABEL - DEUS TEVE MEDO DA HUMANIDADE UNIDA OU DOS ARRANHA-CÉUS

 

Primeiro devemos lembrar que nunca existiu uma Torre de Babel.

Se uma torre de tijolos era capaz de ameaçar os céus, por que Deus não destruiu os aviões, os foguetes e as estações espaciais ? 

Essa é, provavelmente, uma das histórias mais curiosas e menos convincentes da Bíblia.

Segundo o texto de Génesis 11:1-9, toda a humanidade falava a mesma língua, vivia unida e decidiu construir uma cidade e uma torre cujo topo alcançasse os céus.

A reação do sujeito Deus foi muito preocupante: decidiu confundir as línguas dos seres humanos e espalhá-los pela Terra.

O que mais me chamou a atenção nem é a torre em si, mas a justificativa apresentada pelo próprio Deus:

“Agora, não haverá restrição para tudo o que planejarem fazer.”

Essa declaração levanta algumas perguntas interessantes e profundas.

Se Deus é omnipotente, por que se preocupar com uma torre construída por seres humanos? 

Como um projeto arquitetônico humano poderia representar uma ameaça para um ser infinito e todo-poderoso? 

Será que a humanidade unida e cooperando era um problema?

Outra questão que me intriga é a seguinte: como é que um Deus que criou o universo inteiro, bilhões de estrelas, galáxias e planetas, resolveu descer do céu justamente para confundir as línguas das pessoas? 

Quer dizer, com todo o cosmos para administrar, a sua grande preocupação naquele momento era fazer uns falarem chinês, outros português, francês, hebraico e por aí vai?

Mais curioso ainda é perceber que, ao longo da narrativa bíblica, Deus parece dedicar quase toda a sua atenção a uma pequena região do planeta e a um único povo durante séculos. 

Até um presidente de um país moderno possui mais assuntos internacionais para resolver do que o Deus do universo aparenta ter nas páginas da Bíblia.

Há também um detalhe que considero fascinante.

Se o objetivo era impedir que os homens alcançassem os céus, por que esse mesmo Deus não destruiu os aviões?

Hoje construímos arranha-céus com centenas de metros de altura, aviões comerciais voam a mais de 10 mil metros de altitude, foguetes atravessam a atmosfera terrestre e já colocámos seres humanos na Lua. Afinal, onde ficam os céus que uma torre de tijolos poderia alcançar há milhares de anos?

Por fim, existe uma grande ironia nessa história.

A humanidade estava unida, falava uma só língua e cooperava num grande projeto comum. Em vez de se orgulhar por essa unidade, sobretudo quando muitos religiosos afirmam que o objetivo de Deus sempre foi unir a humanidade, o sujeito decidiu destruir a comunicação humana e espalhar as pessoas pelo planeta.

O mais engraçado é que aquilo que hoje consideramos alguns dos maiores avanços civilizacionais, como a cooperação internacional, as línguas comuns utilizadas pela ciência, a partilha global do conhecimento e os projetos científicos desenvolvidos entre dezenas de países… 

É  precisamente aquilo que o sujo do Deus combateu em Babel.