Primeiramente, o significado do Big Bang. Na física propriamente dita (ao contrário das versões populares), não se trata de um evento, mas de um conceito: a ideia básica de que o universo parece se expandir e esfriar, portanto, em um passado muito remoto, era extremamente denso e quente. Essa ideia não é apenas um conto de fadas: ela possui respaldo em dados concretos, incluindo previsões sobre a existência e as propriedades da radiação cósmica de fundo, as proporções de vários isótopos primordiais e a distribuição estatística em larga escala da matéria, entre outros.
Em segundo lugar, embora tendamos a considerá-la uma regra da lógica, a causalidade não é um princípio fundamental. É perfeitamente possível construir modelos matemáticos de universos nos quais não existe uma relação de causa e efeito inequívoca: mesmo que dois eventos estejam relacionados, da perspectiva de um observador, um causaria o outro; da perspectiva de outro, seria o contrário; e do ponto de vista de um terceiro observador, não haveria relação alguma. Ora, acontece que (tanto quanto sabemos) o nosso universo é causal: isto é, se observarmos os acontecimentos de hoje, podemos descobrir, em princípio, como todos eles foram causados por acontecimentos de ontem.
Mas isso se refere a eventos que acontecem dentro do nosso universo. E isso me leva ao terceiro ponto. Se realmente acreditarmos nas previsões da relatividade geral sem reservas, e na conclusão de que houve uma “singularidade inicial”, um “início do tempo”, isso não é um evento dentro do nosso universo. É uma propriedade geométrica abstrata do universo, não algo que aconteceu “dentro dele”. Sendo assim, mesmo que o nosso universo seja causal, o universo como um todo, e suas propriedades geométricas, simplesmente são ; não há causa (pelo menos até onde sabemos).
Ou talvez… bem, como um exercício de imaginação, suponha que o universo seja uma simulação, com singularidade inicial e tudo. Então… a causa é o alienígena que escreveu o software da simulação, o alienígena que construiu o computador no qual ele roda, ou o alienígena que apertou o botão de iniciar. De qualquer forma, nunca saberíamos. Já que faríamos parte da simulação, não teríamos como ver o que está fora dela e observar os alienígenas que a executam.
Em outras palavras, se o nosso "universo no estilo Big Bang" tem uma causa, é uma causa que, por definição, jamais poderemos descobrir, visto que somos criaturas deste universo, e não criaturas que o observam de fora.
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