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terça-feira, 21 de abril de 2026

VEDAS

 


Veda significa "conhecimento" ou "saber". Os Vedas são os textos sagrados mais antigos do Hinduísmo.

Tradicionalmente considerados de revelação divina (śruti), foram transmitidos oralmente por sábios (rishis) antes de serem escritos.

Os Vedas foram compostos oralmente entre 1500 a.C. e 900 a.C. e transmitidos dessa forma por séculos antes de serem registrados por escrito, o que ocorreu predominantemente após 500 a.C.. A datação precisa é difícil, com perspectivas tradicionais sugerindo origens ainda mais antigas, mas o consenso acadêmico situa a composição inicial no noroeste da Índia, por volta de 1500 a.C..

A tradição oral manteve a integridade do texto, com a compilação final ocorrendo durante o período védico. Acredita-se que os hinos do RigVeda, o mais antigo, foram compostos por volta de 1500-1200 a.C.. Os quatro Vedas (Rigveda, Samaveda, Yajurveda, e Atharvaveda) foram finalizados e compilados entre 1500-900 a.C..

A escrita na Índia começou a ser usada mais amplamente para esses textos após 500 a.C., embora manuscritos mais antigos de folhas de palmeira tenham se perdido.

Os Vedas são os quatro textos sagrados fundamentais do hinduísmo, considerados as escrituras mais antigas da Índia (aprox. 1500 a.C.) e a base da sabedoria védica, que engloba conhecimento material e espiritual. Compostos em sânscrito arcaico, dividem-se em Rigveda (hinos), Samaveda (cantos), Yajurveda (rituais) e Atharvaveda (conhecimento diverso).


As Quatro Coletâneas - Samhitas

Cada Veda se subdivide em Samhitas (hinos), Aranyakas (rituais), Brahmanas (comentários) e Upanishads (filosofia mística).

São cruciais para a unificação das crenças hindus, influenciando rituais de passagem (como casamentos) e a filosofia de vida até hoje.

▲Rig Veda: O mais antigo e importante, contém 1.028 hinos dedicados a divindades.

▲Sama Veda: Hinos do Rig Veda organizados para serem cantados.

▲Yajur Veda: Orientações e mantras para rituais e sacrifícios (yagnas).

▲Atharva Veda: Conhecimento prático, incluindo filosofia, medicina (origem do Ayurveda) e ritos domésticos.


Embora os originais sejam extensos e complexos, existem diversas traduções, sendo recomendado iniciar por estudos introdutórios ou resumos das Upanishads.

Originalmente transmitidos de forma oral e classificados como Shruti ("o que é ouvido" ou revelação divina), esses textos começaram a serem escritos pelo sábio Veda Vyasa. O papel de Veda Vyasa (cujo nome significa literalmente "o compilador dos Vedas") não foi o de autor individual, mas sim o de um organizador.

TALMUD

 


O Talmude, do hebraico Talmūd, que significa "estudo" ou "aprendizado", é um dos textos centrais do judaísmo rabínico e funciona como uma vasta compilação de leis, tradições, éticas e costumes judaicos. Ele é essencialmente o registro das discussões e debates de rabinos ao longo de séculos sobre como interpretar e aplicar a Torá (a Lei Escrita) no dia a dia.


O Talmude é composto por dois componentes principais:

◘Mishná: É o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica, editado foi editada por volta de 200 d.C.,

◘Guemará: Consiste em comentários e debates detalhados sobre a Mishná, explorando suas aplicações e ramificações, foi finalizada na Babilônia por volta de 500-600 d.C..


Existem duas versões principais do Talmude, diferenciadas pelo local onde a Guemará foi compilada:

◘Talmude Babilônico (Talmud Bavli): Compilado na Babilônia até o século VI. É o mais abrangente e a versão padrão usada hoje no estudo judaico.

◘Talmude de Jerusalém (Talmud Yerushalmi): Compilado na Terra de Israel por volta do século IV.


Talmud Babilônico

O Talmude Babilônico em hebraico: Talmud Bavli é a obra central do judaísmo rabínico e a principal fonte da Halachá (lei religiosa judaica). Compilado por volta do ano 500 d.C. nas academias da Babilônia, ele é muito mais extenso e influente do que a outra versão existente, o Talmude de Jerusalém.

Escrito predominantemente em aramaico babilônico judaico, com partes em hebraico, focado em leis, funciona como uma "enciclopédia" que aborda economia, política, medicina e relações sociais. Em casos de divergência com o Talmude de Jerusalém, o Babilônico quase sempre prevalece como a palavra final na prática religiosa.


Talmud de Jerusalém

O Talmud de Jerusalém ou Yerushalmi é uma das duas grandes obras centrais do pensamento judaico rabínico, composta por comentários e discussões sobre a lei oral judaica (a Mixná). Compilado na Terra de Israel entre o final do século IV e o início do século V d.C., ele é cerca de um século mais antigo e consideravelmente mais curto que o mais conhecido Talmude Babilônico.

Diferente da versão babilônica, foi escrito principalmente em aramaico palestino ocidental (ou galileu). Sua compilação ocorreu em centros de estudo como Tiberíades e Cesareia.

Apresenta um estilo mais direto e menos "lapidado" que o babilônico, o que leva muitos estudiosos a crerem que sua edição nunca foi formalmente concluída devido às perseguições sofridas pelos judeus na região na época.

Embora ambos analisem a mesma Mixná, o Talmude Babilônico (concluído por volta do século VI) tornou-se a autoridade normativa suprema no judaísmo devido à sua maior profundidade analítica e estabilidade política da comunidade na Babilônia na época.


Escritores do Talmud

O Talmude não foi escrito por uma única pessoa, mas sim por centenas de rabinos e sábios ao longo de séculos, compilando discussões orais (a Mishná e a Guemará). Eles são geralmente conhecidos como Tanaim (período da Mishná) e Amoraim (período da Guemará).


Aqui estão alguns dos nomes dos Escritores do Talmud

Rabi Yehudah haNasi (Judá, o Príncipe): Compilador principal da Mishná (por volta de 200-220 d.C.).

Rav Ashi: Líder babilônio responsável pela compilação do Talmud Babilônico (352–427 d.C.).

Rabi Akiva: Um dos mais importantes sábios Tanaim, cujos ensinamentos estruturaram grande parte da lei oral.

Rabi Meir: Conhecido por suas discussões legais e contos.

Rabi Shimon bar Yochai: Famoso por seus ensinamentos misticos e legais.

Hillel e Shammai: Líderes de duas escolas de pensamento opostas (Casa de Hillel e Casa de Shammai) cujos debates formam a base de grande parte da Mishná.

Rav e Shmuel: Dois dos principais Amoraim babilônios que iniciaram o estudo da Guemará.

Rabi Yochanan: Compilador do Talmud de Jerusalém (Palestino).

Abaye e Rava: Dois sábios Amoraim cujos debates são centrais no Talmud Babilônico.

 

Importância e Conteúdo

◘Fonte de Lei (Halachá): É a base para a legislação religiosa judaica moderna.

◘Estilo Dialético: Ao contrário de um código de leis seco, o Talmude preserva as divergências de opinião entre os sábios, apresentando o processo de raciocínio e não apenas a conclusão final.

◘Temas Diversos: Além de leis religiosas, o texto aborda filosofia, medicina, folclore, agricultura e anedotas morais (conhecidas como Agadá)


Divisõs e Tratados

O Talmude não é dividido pelo número de "livros" físicos convencionais, mas sim organizado em 63 tratados. Existem no Talmud 517 capítulos ordenados em 63 Tratados. Os nomes dos Tratados são oriundos da época talmúdica e refletem o seu conteúdo. Os títulos dos capítulos, por sua vez, contêm as palavras iniciais que abrem o capítulo.


Principais Características

Consiste em um total de 24 livros na tradição judaica (em contraste com os 39 do Antigo Testamento protestante, que divide alguns livros de forma diferente).

Escrito quase inteiramente em hebraico bíblico, com algumas pequenas partes em aramaico (encontradas principalmente em Daniel e Esdras).


O Talmud é dividido em seis seções gerais, chamadas Sedarim "Ordens"

•Zera'im ("Sementes"), que lida principalmente com as leis agrícolas, mas também com as leis de bênçãos e orações (contém 11 tratados).

•Mo'ed ("Festividades"), que trata das leis do Shabat e das festas judaicas (contém 12 tratados).

•Nashim ("Mulheres"), que trata de casamento e divórcio (contém 7 tratados).

•Nezikin (“Danos”), que trata do direito civil e criminal, bem como da ética (contém 10 tratados).

•Kodashim ("[Coisas] Sagradas"), lidando com leis sobre os sacrifícios, o Templo Sagrado e as leis alimentares (contém 11 tratados).

•Taharot ("Purezas"), que trata das leis da pureza ritual (contém 12 tratados).


ZEND AVESTA

 


O Zend-Avesta ou simplesmente Avesta é a coleção de textos sagrados do zoroastrismo, uma das religiões monoteístas mais antigas do mundo, originária da antiga Pérsia.

 Zend-Avesta significa "comentário sobre o Avesta".
♠Zend ou Zand refere-se à interpretação ou comentário dos textos originais, significa "saber" ou "conhecer" (a mesma que deu origem a "gnose" no grego e "conhecer" no português).
No período sassânida, consolidou-se como zand, referindo-se especificamente a "comentário", "exposição" ou "explicação" dos textos sagrados.
♠Avesta vem do persa médio Abestāg ou Apistāk, que representa o conhecimento recebido ou os textos sagrados em si. vesta refere-se ao texto sagrado, enquanto o Zend (ou Zand) refere-se à interpretação ou comentário do Avesta em persa médio.

O Avesta, livro sagrado do Zoroastrismo, foi composto ao longo de um longo período de vários séculos, com a maior parte de seu material antigo datando aproximadamente de 1500 a.C. a 900 a.C.. Durante a maior parte de sua história, o Avesta foi transmitido oralmente.

Estrutura
Os textos foram compostos em avéstico, uma língua iraniana antiga.
A estrutura atual do Avesta, utilizada na liturgia, consiste nas seguintes partes principais:
•Yasna: A espinha dorsal da liturgia. É uma coleção de 72 capítulos que contém hinos e orações recitados pelos sacerdotes.
•Gathas: Os 17 hinos mais importantes, compostos pelo próprio Zoroastro (Zaratustra), estão inseridos dentro do Yasna (capítulos 28 a 34, 43 a 46, 47 a 50, 51 e 53).
•Yashts: Uma coleção de 21 hinos dedicados à adoração de divindades específicas e seres divinos (como Mithra, Anahita, etc.).
•Vendidad (ou Videvdad): O "Código contra os Demônios". É composto por 22 capítulos (Fargards) que tratam de leis eclesiásticas, rituais de purificação e lendas sobre a criação.
•Visperad: Um conjunto de textos litúrgicos menores, que são extensões do Yasna.
•Khordeh Avesta (Pequeno Avesta): Uma compilação de orações diárias para uso de leigos e sacerdotes, incluindo os Sirozas (hinos aos dias do mês) e os Nyaishes (orações).

Antigo e Novo Avesta
Avesta Antigo (Gathas): Os Gathas (cantos de Zoroastro/Zaratustra) são as partes mais antigas e datam provavelmente de 1500 a.C. a 1000 a.C..
Avesta Jovem: Partes mais novas, incluindo textos litúrgicos, foram compostas ao longo dos séculos seguintes, até por volta de 400 a.C..
Registro Escrito: A forma escrita do Avesta, como a conhecemos, começou muito mais tarde, durante a era Sassânida (224 a 651 d.C.), quando foi criado um alfabeto específico para o idioma avéstico.
O termo "Zend" (ou Zand) refere-se, tecnicamente, não ao texto original, mas aos comentários e traduções em Pálavi (persa médio) que foram adicionados posteriormente para explicar o significado do Avesta original.

AL CORÃO

 




A palavra Alcorão do árabe al-Qur'ān significa "ler" ou, mais precisamente, "recitar".

Segundo a tradição islâmica, o Alcorão não foi "escrito" por um homem, mas sim revelado por  Alah ao Profeta Maomé (Muhammad) através do anjo Gabriel ao longo de 23 anos (a partir de 610 d.C.). Maomé recitava as revelações, que foram memorizadas e anotadas por seus companheiros em materiais como folhas de palmeira e pedras entre 610 a 632 d.C.

Após a morte de Maomé (632 d.C.), o primeiro califa, Abu Bakr, ordenou a compilação das revelações em um único volume (Mushaf) para preservar o texto.

Abu Bakr (c. 573–634) foi o primeiro califa do Islã (632-634), sucessor direto do Profeta Maomé e seu conselheiro mais próximo. Ele foi sogro de Maomé (pai de Aisha) e um dos primeiros convertidos ao islamismo. Ele ficou conhecido pelo título Al-Siddiq ("O Veraz" ou "O Testemunhador da Verdade").

O terceiro califa, Uthman ibn Affan, organizou a uniformização do texto consonantal (644–656 d.C.) para garantir a consistência das recitações à medida que o império crescia.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

MAHABHARATA

 



Mahā महा: Significa "grande", "vasto" ou "supremo". É um prefixo comum em sânscrito para indicar algo de proporções excepcionais.
Bhārata भारत: Provém da raiz bhr- (भृ), que significa "carregar", "manter", "suportar" ou "sustentar".
Bhā (भा): Significa "luz", "brilho" ou "conhecimento".
Rata (रत): Significa "dedicado", "engajado" ou "absorto".
Interpretação: Sob esta ótica, Bhārata significa "aquele que busca a luz" ou "aquele que é devoto do conhecimento".

Obra
O Mahabharata ou Maabárata é o maior poema épico da história da humanidade, sendo um dos textos fundamentais do hinduísmo e da cultura indiana. Com cerca de 200.000 versos, ele é aproximadamente quatro vezes maior que a Bíblia e sete vezes maior que a Ilíada e a Odisseia juntas.
Narra a guerra de sucessão entre dois grupos de primos: os Pandavas (cinco irmãos que representam o lado luminoso e a justiça) e os Kauravas (cem irmãos que representam o lado sombrio e a ambição).
A obra explora dilemas morais profundos sobre o dever (dharma), a justiça e o destino, culminando na gigantesca Guerra de Kurukshetra.
O Bhagavad Gita: Este é o episódio mais famoso da obra, contido no Livro Seis. Consiste em um diálogo filosófico entre o guerreiro Arjuna e o deus Krishna (agindo como seu cocheiro) momentos antes da batalha começar.
Tradicionalmente atribuído ao sábio Vyasa, o texto está dividido em 18 livros (parvas), abrangendo desde as origens da dinastia Bharata até a ascensão dos heróis ao céu.

Livros
O Mahabharata é composto por 18 livros, chamados de Parvas. Cada um narra uma fase específica da saga, desde o nascimento dos heróis até o fim de suas vidas na Terra.
01 Adi Parva (Livro do Início): As origens da família real, o nascimento dos Pandavas e Kauravas e a rivalidade infantil.
02 Sabha Parva (Livro da Assembleia): O famoso jogo de dados onde os Pandavas perdem seu reino e são exilados.
03 Vana Parva (Livro da Floresta): Os 12 anos que os Pandavas passam vivendo na floresta.
04 Virata Parva (Livro de Virata): O 13º ano de exílio, vivido em segredo e disfarce na corte do Rei Virata.
05 Udyoga Parva (Livro do Esforço): Os preparativos para a guerra e as tentativas fracassadas de paz lideradas por Krishna.
06 Bhishma Parva (Livro de Bhishma): O início da grande batalha e a queda do comandante Bhishma. Contém o Bhagavad Gita.
07 Drona Parva (Livro de Drona): Drona assume o comando; é o livro das táticas militares e grandes perdas.
08 Karna Parva (Livro de Karna): O duelo épico entre os dois maiores arqueiros, Arjuna e Karna.
09 Shalya Parva (Livro de Shalya): O último dia da guerra e o duelo final de clavas entre Bhima e Duryodhana.
10 Sauptika Parva (Livro dos Guerreiros Adormecidos): O terrível massacre noturno cometido pelos sobreviventes Kauravas contra o acampamento Pandava.
11 Stri Parva (Livro das Mulheres): O lamento das rainhas e mães pelos mortos no campo de batalha.
12 Shanti Parva (Livro da Paz): O coroamento de Yudhishthira e longas instruções filosóficas sobre governança e ética.
13 Anushasana Parva (Livro da Instrução): A continuação dos ensinamentos morais e as instruções finais de Bhishma antes de morrer.
14 Ashvamedhika Parva (Livro do Sacrifício do Cavalo): Um grande ritual para consolidar a soberania dos Pandavas sobre a Índia.
15 Ashramavasika Parva (Livro da Eremida): A retirada dos anciãos (como Dhritarashtra e Gandhari) para a floresta.
16 Mausala Parva (Livro das Clavas): A destruição da linhagem de Krishna (os Yadavas) e a partida de Krishna.
17 Mahaprasthanika Parva (Livro da Grande Partida): A renúncia dos Pandavas ao trono e sua jornada final rumo ao Himalaia.
18 Svargarohana Parva (Livro da Ascensão ao Céu): O teste final de Yudhishthira e a entrada dos heróis no reino espiritual.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

A ERA DE OURO DO MUNDO ÁRABE

 


O mundo Árabe é conhecido pela profusão e disseminação do saber e do conhecimento. Para tanto, eles são conhecidos por suas grandes universidades, claro que eles não são os criadores das primeiras universidades, mas com certeza, são os grandes influenciadores delas.

As primeiras universidades que temos notícias vem da Suméria, quando as E-Dubas ou Casas das Tabuletas, desde daquele período já eram centros universitários riquíssimos em pesquisas e pela disseminação do saber e do conhecimento, temos depois as grandes universidades Persas e Chinesas e, para resumir a história, temos os grandes centros universitários do mundo Árabe.


As Universidades do Mundo Árabe

As primeiras universidades do mundo árabe, muitas vezes chamadas de Madrasas, surgiram séculos antes das europeias como centros de estudos superiores. Para se ter uma ideia do atraso do ensino europeu, a Universidade de Bolonha que é a primeira universidade da Europa, só aparece no ano de 1088, inicialmente focada no estudo do Direito. Isso nos dá 229 anos de diferença da primeira universidade do mundo Árabe que aparece no ano de 859.

►Universidade Al-Quaraouiyine (Al-Karaouine) - Fez, Marrocos (859 d.C.): A mais notável, a primeira universidade do mundo Árabe, fundada por Fatima al-Fihri. Ela é considerada pela UNESCO e pelo Guinness World Records a universidade mais antiga em funcionamento contínuo do mundo.

►Universidade Ez-Zitouna - Túnis, Tunísia (c. 737 d.C.): Reconhecida como uma das mais antigas, fundada como madrasa e evoluindo para universidade, sendo um farol de conhecimento no norte da África.

►Universidade Al-Azhar - Cairo, Egito (970-972 d.C.): Criada inicialmente como um centro para estudos teológicos e jurídicos islâmicos, expandindo-se para se tornar uma universidade de abrangência mundial.


Dinastia Omíada 661-750 d.C. 

A duração da Dinastia Omíada durou 89 anos. Foi a primeira grande dinastia do califado islâmico, estabelecida por Moauia I com capital em Damasco. Transformaram o califado em um império hereditário, expandindo o território desde a Península Ibérica até o Paquistão. Conhecidos pela centralização política e importantes construções, foram derrubados pelos Abássidas em 750, mas continuaram na Península Ibérica (Córdova) até 1031.

Após a primeira "Fitna" (guerra civil), Moauia I, governador da Síria, assumiu o poder em 661, transferindo a capital de Kufa para Damasco. Sob o comando de califas como Valid I, a dinastia alcançou sua extensão máxima, conquistando o norte da África, partes do Império Bizantino e a Península Ibérica (a partir de 711).

Abdelmalique (685-705) centralizou o governo, arabizou a administração e criou a moeda oficial. A arquitetura destacou-se com a Grande Mesquita de Damasco e a Cúpula da Rocha em Jerusalém.


Discriminação

Essa dinastia fazia uma clara distinção entre árabes e não árabes, estruturando seu império com base na supremacia árabe, o que gerou grandes tensões sociais e políticas. Durante este período, o califado funcionou mais como um império árabe do que como uma comunidade universal de muçulmanos.

♣Mawali (Convertidos não árabes): Muçulmanos não árabes (chamados de mawali, como persas, berberes e outros) eram frequentemente tratados como cidadãos de segunda classe, mesmo após a conversão ao Islã. Eles enfrentavam discriminação social, exclusão de cargos administrativos elevados e, em alguns casos, continuavam a pagar impostos exigidos de não muçulmanos (jizya). Para se integrar plenamente à sociedade omíada, não bastava converter-se; era necessário adotar o idioma árabe e ser adotado em uma linhagem tribal árabe como cliente (mawla).

♣Queda: A aristocracia árabe detinha o poder político, militar e a maior parte da riqueza, enquanto os povos conquistados formavam a base tributária. 

Esse sistema discriminatório criou descontentamento generalizado entre os muçulmanos não árabes, que acabaram apoiando a Revolução Abássida, que derrubou os Omíadas em 750 d.C. com a promessa de igualdade entre todos os muçulmanos.

Embora a política geral fosse discriminatória, alguns califas, como Omar II (Umar ibn al-Aziz), tentaram reformar o sistema, isentando os mawali da jizya e promovendo maior igualdade, mas essas políticas foram revertidas por seus sucessores.

A dinastia enfrentou revoltas internas (como xiitas e berberes) e a crescente oposição dos Abássidas, resultando na Batalha do Rio Zab em 750, onde foram derrotados.

Um sobrevivente omíada, Abderramão I, fugiu para a Península Ibérica, estabelecendo um emirado independente em 756, que mais tarde se tornou o Califado de Córdova. 


Dinastia Abássida 750-1258

A duração da Dinastia Abássida durou 508 anos. Foi a terceira dinastia islâmica, fundada pelos descendentes de Abbas, tio de Maomé. Com capital em Bagdá, o império viveu a "Era de Ouro do Islã", marcada por avanços científicos, culturais e econômicos, prometendo um governo mais inclusivo para não árabes (como os persas) e xiitas Chegou ao fim após o declínio político e a invasão mongol.

O califa Al-Mansur transferiu a capital de Damasco para Bagdá, construindo uma cidade estratégica que se tornou um grande centro intelectual e comercial. Durante o auge, particularmente sob Harun al-Rashid, houve grande prosperidade cultural, avanços na medicina, matemática e astronomia, e tradução de textos clássicos.

A dinastia foi uma civilização árabe com forte influência persa na administração, valorizando a ciência e o comércio. O período é frequentemente lembrado como o auge da civilização islâmica medieval em termos de desenvolvimento intelectual e esplendor urbano.


Patronos da Cultura e a Era de Ouro do Islã

A Dinastia Abássida é amplamente reconhecida como a "Era de Ouro do Islã", um período em que os califas agiram como grandes mecenas — patrocinadores e incentivadores — da cultura, ciência, arte e literatura. Ao estabelecerem Bagdá como sua capital, transformaram a cidade em um centro mundial de conhecimento, onde o saber persa, grego, indiano e árabe se misturaram. 

Califas como Harun al-Rashid e Al-Ma'mun incentivaram fortemente os estudos de astronomia, matemática, medicina e poesia, conferindo status e recursos a estudiosos. Adotaram e espalharam a tecnologia chinesa de fabricação de papel, o que tornou os livros mais acessíveis e estimulou a produção literária e científica.

O apoio financeiro estatal permitiu progressos monumentais em áreas como astronomia, medicina, matemática e química. Bagdá atraiu intelectuais de todo o império, criando um ambiente de troca cultural sem precedentes.

A introdução da fabricação de papel (técnica aprendida com os chineses) sob o domínio abássida revolucionou a cultura, tornando os livros mais acessíveis e impulsionando a alfabetização e a produção literária. Diferente de dinastias anteriores, os Abássidas promoveram uma sociedade inclusiva, onde persas, judeus e cristãos ocupavam cargos importantes e contribuíam ativamente para o florescimento intelectual da corte.


Califas que se Destacaram como Mecenas

►Al-Mansur: O fundador de Bagdá, que iniciou o movimento de valorização das ciências.

►Harun al-Rashid: Imortalizado em As Mil e Uma Noites, seu reinado marcou o auge do luxo e do patrocínio às artes e ciências.

►Al-Mamun: O maior entusiasta da Casa da Sabedoria, que transformou a tradução de textos gregos em uma missão de estado.


Cidade de Bagdá

A cidade de Bagdá foi fundada em 30 de julho de 762 d.C. pelo califa Al-Mansur (segundo califa abássida), da dinastia Abássida. A nova capital foi construída às margens do rio Tigre com um design circular estratégico, tornando-se um grande centro intelectual, comercial e cultural, conhecido como a "Cidade da Paz". 

Objetivo, criar uma nova sede para o Califado Abássida, substituindo a antiga capital, referida como Madinat al-Salam ("Cidade da Paz"). Bagdá prosperou rapidamente, tornando-se um dos maiores centros urbanos do mundo, com foco na ciência e sabedoria, especialmente com a criação da Casa da Sabedoria (Bayt al-Hikma).

Ao transferirem a capital para Bagdá, os califas abássidas transformaram a cidade no maior centro intelectual do mundo, financiando estudiosos, tradutores e artistas de diversas origens.


Bayt al-Hikma a Casa da Sabedoria

A Casa da Sabedoria (Bayt al-Hikma) atingiu o seu apogeu sob o governo de Al-Ma'mun. Embora tenha sido fundada por seu pai, Harun al-Rashid, foi Al-Ma'mun quem a transformou de uma biblioteca privada em um centro formal de pesquisa científica e tradução que mudaria o curso da história.

Al-Ma'mun enviou emissários a lugares distantes, como o Império Bizantino, para coletar manuscritos gregos raros. Ele pagava aos tradutores o peso das obras traduzidas em ouro, incentivando a conversão de textos de Aristóteles, Ptolomeu e Hipócrates para o árabe.

A "Visão" de Aristóteles: Diz a lenda que Al-Ma'mun decidiu investir tanto em filosofia após um sonho em que conversava com Aristóteles. O filósofo teria lhe dito que a razão humana e a revelação divina não eram contraditórias.

Foi dentro da Casa da Sabedoria e sob o patrocínio de Al-Ma'mun que tivemos alguns dos grandiosos pensadores do mundo árabe.


Reunião de Sábios

A Casa da Sabedoria reuniu as mentes mais brilhantes da época, vindas de diferentes origens (árabes, persas, cristãos e judeus), trabalhando juntas sob o patrocínio dos califas.

►Al-Khwarizmi: O pai da Álgebra. Ele escreveu o Kitab al-Jabr, que deu nome à disciplina, e introduziu o sistema de numeração decimal e o conceito do zero no mundo islâmico.

►Os Irmãos Banu Musa (Jafar, Ahmad e al-Hasan): Três irmãos especializados em engenharia e astronomia. Ficaram famosos pelo "Livro de Dispositivos Engenhosos", que descrevia cerca de 100 máquinas e autômatos (robôs primitivos).

►Hunayn ibn Ishaq: O maior tradutor da instituição. Médico cristão que traduziu quase todo o cânone de Galeno e Hipócrates do grego para o árabe, padronizando a terminologia médica.

►Al-Kindi: Conhecido como "O Filósofo dos Árabes". Foi o primeiro a tentar reconciliar a filosofia grega (Aristóteles e Platão) com a teologia islâmica.

►Al-Battani: Astrônomo que refinou as medições de Ptolomeu e calculou a duração do ano solar com uma precisão incrível para o século IX.

►Thabit ibn Qurra: Matemático e astrônomo que trabalhou com geometria não euclidiana e traduziu obras fundamentais de Arquimedes e Apolônio.

►Qusta ibn Luqa: Tradutor e cientista que traduziu obras gregas de matemática e medicina.

►Al-Hajjaj ibn Yusuf ibn Matar: Um dos primeiros tradutores dos Elementos de Euclides.


A Queda e o Fim da Era de Ouro do Mundo Árabe

O fim da Era de Ouro do Mundo Árabe foi causada por uma combinação de invasões externas catastróficas, instabilidade política interna e uma mudança no pensamento intelectual.

O golpe mais simbólico e devastador foi a invasão estrangeira que destruiu os principais centros de conhecimento da época.

♣Invasão Mongol (1258): O cerco e a queda de Bagdá pelas tropas de Hulagu Khan são frequentemente citados como o marco final dessa era. A destruição da Casa da Sabedoria e das bibliotecas públicas resultou na perda de inúmeros manuscritos científicos e filosóficos.

♣As Cruzadas: As guerras religiosas no Levante desestabilizaram as rotas comerciais e desviaram recursos que antes eram investidos em ciência e cultura para o esforço de guerra.

♣Guerra de Reconquista: Na Península Ibérica, a queda de centros como Córdoba e, por fim, Granada (1492) para os reinos cristãos marcou o fim do florescimento cultural islâmico no Ocidente.


Al-Ghazali e a Luta Contra a Filosofia

Al-Ghazali via a filosofia de inspiração grega como uma ameaça à teologia islâmica, particularmente em temas sobre a essência de Deus e a criação. Al-Ghazali foi contra certos filósofos, especialmente Avicena e Al-Farabi, porque acreditava que a dependência excessiva da filosofia grega (aristotélica) levava à heresia e contradizia dogmas essenciais do Islã. Em sua obra A Incoerência dos Filósofos, ele argumentou que a metafísica deles não tinha base racional sólida e rejeitou a ideia de causalidade necessária, defendendo que tudo ocorre por vontade divina.

Ele argumentou que, embora a lógica e a matemática fossem úteis, os filósofos falhavam quando tentavam aplicar a razão humana a questões metafísicas que exigiam revelação (revelação igual acontece no mundo evangélico).

Al-Ghazali rejeitou a ideia de que causas materiais produzem efeitos necessários (ex: fogo queima). Para ele, as conexões são criadas diretamente por Deus, e não por uma necessidade lógica.


Tahāfut al-Falāsifa - A Incoerência dos Filósofos

Em sua obra-prima, "A Incoerência dos Filósofos" Tahāfut al-Falāsifa de 1095 que é um marco na teologia islâmica, ele ataca a filosofia grega ensinada na cultura árabe. 

O livro em si, não é um manifesto "anticiência", mas um ataque ao que ele via como a arrogância dos filósofos em tentar provar Deus e a criação apenas pela razão, sem a revelação, a revelação aqui, é a mesma revelação que acontece no mundo evangélico.

Al-Ghazali, junto com sua obra Tahāfut al-Falāsifa - A Incoerência dos Filósofos foram mais um dos fatores que incentivaram a queda da Era de Ouro do mundo Árabe. 


O Califado Abássida, que unificava o império, começou a perder força muito antes de sua queda total, gerando a Fragmentação Política e Crise Econômica.

Perda de Controle Territorial: Governantes locais em regiões como o Egito e o Norte da África começaram a declarar independência, fragmentando o poder central.

Decadência das Instituições: Conflitos internos entre facções religiosas e políticas enfraqueceram a estabilidade necessária para o progresso intelectual.

Peste Negra: No século XIV, a peste bubônica devastou a população do Oriente Médio, dificultando qualquer tentativa de recuperação econômica e social após as invasões mongóis.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

PROBLEMAS COM O LIVRO DE LUCAS

 


O Evangelho de Lucas é datado entre 80 d.C. e 90 d.C.: Esta é a datação mais aceita pela crítica, muito tempo depois dos acontecimentos, e argumentam que ele depende fortemente de fontes anteriores, como o Evangelho de Marcos.

Muitos alegam que o Evangelho foi escrito antes de 63-64 d.C., tese defendida por estudiosos mais conservadores, como os citados pela Bíblia Shedd. Essa teoria baseia-se no fato de que o livro de Atos dos Apóstolos (também escrito por Lucas) termina abruptamente sem mencionar a morte de Paulo (ocorrida por volta de 64-67 d.C.), sugerindo que Lucas escreveu o Evangelho um pouco antes de Atos.

O livro foi dedicado a um homem chamado Teófilo, cujo nome significa "amigo de Deus".

▼Lucas 1:1-4 "Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram,

² Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra,

³ Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio;

⁴ Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado."

▼Atos 1:1 "Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar".

O Evangelho de Lucas é geralmente reconhecido pelos estudiosos como parte de uma obra em dois volumes: Lucas e Atos, escrita por um autor erudito de língua grega, tradicionalmente identificado como Lucas, um médico e companheiro de Paulo.

A alegação de que o Evangelho de Lucas é uma "falsificação" é tema de debate contínuo entre estudiosos críticos e tradicionalistas, frequentemente centrado em questões de autoria, precisão histórica e a natureza da biografia antiga.

Assim como os quatro Evangelhos canônicos, o Evangelho de Lucas é tecnicamente anônimo; o autor não se identifica explicitamente no texto. O título "Segundo Lucas" foi adicionado posteriormente, provavelmente no século II, para distingui-lo de outras narrativas.


PROBLEMAS COM O EVANGELHO DE MATHEUS

 


O Evangelho de Mateus foi provavelmente escrito entre os anos 70 e 90 d.C., com a maioria dos estudiosos modernos situando sua composição por volta de 80-85 d.C.. Para muitos, o Evangelho de Mateus não é uma "falsificação", mas uma biografia antiga escrita décadas após a morte de Jesus (provavelmente entre 80-90 d.C.) por um autor (possivelmente um escriba judeu-cristão) que sintetizou as tradições e ensinamentos atribuídos ao apóstolo Mateus.

O Evangelho de Mateus depende fortemente do Evangelho de Marcos (usando cerca de 90% de seu conteúdo) e de uma fonte de ensinamentos chamada "Q". Questiona-se por que um apóstolo e testemunha ocular precisaria copiar o relato de Marcos, que não era um dos Doze.

Os manuscritos mais antigos não trazem o nome do autor no texto; o título "Segundo Mateus" foi adicionado posteriormente para distinguir os evangelhos quando começaram a circular juntos.

A tradição antiga (como a de Papias de Hierápolis) afirma que Mateus escreveu originalmente em hebraico ou aramaico. Contudo, o texto que temos hoje foi escrito diretamente em um grego fluido e não parece ser uma tradução.

O Evangelho de Mateus tem um propósito teológico muito claro: provar aos judeus que Jesus é o Messias prometido. O autor cita o Antigo Testamento constantemente (mais de 60 vezes) para mostrar que a vida de Jesus "cumpriu" as escrituras judaicas. 

O livro é profundamente judaico em seu tom e estrutura, organizado em cinco grandes discursos para espelhar os cinco livros da Torá de Moisés.

Assim como em Lucas, há discrepâncias históricas, como as genealogias de Jesus em Mateus e Lucas, que não coincidem.

O Evangelho de Mateus é mais uma composição anônima. O texto não identifica explicitamente seu autor e acredita-se amplamente que tenha sido escrito por um cristão de língua grega no final do primeiro século, provavelmente com base em fontes anteriores, como o Evangelho de Marcos e uma fonte hipotética conhecida como "Q". As histórias foram criadas para cumprir profecias, em vez de serem relatos de testemunhas oculares.


PROBLEMAS COM O EVANGELHO DE JOÃO

 


Embora tradicionalmente atribuído a João, o Apóstolo, difere significativamente dos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas) em teologia e narrativa, levando alguns estudiosos a argumentar que se trata de um retrato teológico "superior" em vez de um retrato estritamente histórico .

 

A Designação "Segundo João"

O Evangelho de João é considerado por muitos estudiosos modernos como uma obra pseudoepígrafa.(escrito anonimamente em nome de outra pessoa) composto por volta de 90-110 d.C. O evangelho era originalmente anônimo. 

A designação "segundo João" (em grego: Kata Ioannen), foi adicionada no século II. O texto identifica sua fonte como o "discípulo a quem Jesus amava", embora muitos estudiosos sugiram que essa figura, ou uma comunidade posterior, tenha sido a fonte, e não o próprio apóstolo João.


Texto Pseudoepígrafo

Técnicamente, o Evangelho de João é considerado anônimo, o texto canônico nunca afirma "Eu, João, escrevi isto", muitos estudiosos preferem chamá-lo de anônimo em vez de uma falsificação direta.

O texto é uma forma de falsificação antiga, concebido para se parecer com um relato de testemunha ocular (por exemplo, João 1:14, 19:35) para lhe conferir autoridade, uma prática comum na época.


O Evangelho de João difere drasticamente de Mateus, Marcos e Lucas (os Evangelhos Sinóticos) em vários pontos:

Divindade Explícita: João é o único evangelho que afirma abertamente a pré-existência e divindade de Jesus desde o prólogo ("O Verbo era Deus").

Eventos Exclusivos: Milagres como o vinho em Caná e a ressurreição de Lázaro aparecem apenas em João.

Cronologia: João coloca a purificação do Templo no início do ministério de Jesus, enquanto os sinóticos a colocam no final 


O Problema com o "Eu Sou"

No Livro de João, Jesus repetidas vezes diz "Eu Sou"

Eu Sou o Pão da Vida: João 6:35, 48, 51

Eu Sou a Luz do Mundo: João 8:12; 9:5

Eu Sou a Porta das Ovelhas: João 10:7, 9

Eu Sou o Bom Pastor: João 10:11, 14

Eu Sou a Ressurreição e Vida: João 11:25

Eu Sou o Caminho, Verdade e Vida: João 14:6

Antes que Abraão existisse, Eu Sou João 8:58

Qual o Problema disso? O problema disso é que estes ditos não são originários do povo da Judéia. Isto são frases conhecidas por filósofos Neoplatônicos. A filosofia neoplatônica,  com o seu desenvolvimento principal ocorrendo nas décadas de 230-250 d.C., sendo portanto um acréscimo tardio, e bem tardio.


Neoplatonismo

O Neoplatonismo tem raízes nos pensamentos e ensinamentos dos filósofos Amônio Sacas e Plotino. Baseia-se no monismo (tudo emana do "Uno" ou Deus supremo), misturando platonismo com influências místicas e helenísticas.

Algumas frases ditas que foram colocados no Evangelho de João;

♠"Eu sou uma emanação do Uno (Deus)": Para Plotino, a alma humana não é uma substância separada, mas uma emanação da "Alma do Mundo", que por sua vez emana do "Uno" ou "Deus supremo", o princípio de tudo.

♠"Eu sou alma e minha essência é divina": O neoplatonismo ensina que a alma humana participa da natureza divina e, através da meditação e espiritualidade, pode se aproximar do Uno.

♠"Eu sou o resultado de uma hierarquia de luz": Eles concebiam a realidade como uma emanação em camadas: o Uno, o Nous (intelecto/razão) e a Alma do Mundo. A alma humana se eleva ao retornar à razão e à contemplação divina.

♠"Eu sou um ser em processo de retorno (epistrophé)": O objetivo do homem é desapegar-se do mundo material (o ponto mais distante e "escuro" da emanação) e ascender de volta à unidade divina.


O Neoplatinismo tinha várias correntes de Pensamentos

►Escola de Alexandria (Precursora e Início)

Fundador: Amônio Sacas (século II-III d.C.), considerado o "pai" do neoplatonismo.

Características: Mistura de platonismo, neopitagorismo e misticismo.

Representantes: Plotino (que depois fundou sua própria escola), Orígenes (o pagão) e Longino. 

►Escola Romana (O Núcleo Sistematizador)

Fundador: Plotino (204–270 d.C.), o pensador mais proeminente que organizou o sistema do "Uno", intelecto e alma, descrito em suas Enéadas.

Representante Principal: Porfírio (discípulo de Plotino), responsável por organizar as obras do mestre e introduzir forte interesse na lógica aristotélica. 

►Escola Siríaca ou Síria (Neoplatonismo Místico)

Fundador: Jâmblico (aprox. 245–325 d.C.), discípulo de Porfírio.

Características: Introduziu um caráter mais teúrgico (mágico/religioso) ao neoplatonismo, aumentando o número de intermediários entre o "Uno" e o mundo material. 

►Escola de Atenas (O Neoplatonismo Tardo-Antigo)

Fundador: Plutarco de Atenas (não confundir com Plutarco de Queroneia).

Representantes principais: Proclo (412–485 d.C.), considerado o maior sistematizador do neoplatonismo final, Damáscio e Simplício.

Fim: A escola foi oficialmente fechada pelo imperador Justiniano em 529 d.C.. 


Outros Representantes e Escolas Influentes

►Hipácia de Alexandria: Filósofa e matemática renomada que lecionou em Alexandria.

►Neoplatonismo Cristão/Patrística: Embora não seja uma "escola" neoplatônica pura, Santo Agostinho de Hipona absorveu profundamente o pensamento neoplatônico (especialmente Plotino) antes e durante sua conversão. 


Resumo das Nuances

►Plotino: Foco na elevação da alma (contemplação).

►Porfírio: Foco na lógica e interpretação.

►Jâmblico: Foco na teurgia (rituais de elevação).

►Proclo: Foco na sistematização teológica.


sábado, 11 de abril de 2026

PROBLEMAS COM O EVANGELHO DE MARCOS

 



Dizem que os Evangelhos foram escritos pelos Apóstolos de Jesus Cristo, o problema é que, dos quatro Apóstolos, só Mateus e João foram Apóstolos, Lucas e Marcos não foram Apóstolos. E tem mais, todos os quatro Evangelhos são anônimos, eles não foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, ninguém sabe quem de fato os escreveu. 

O nome dos pseudos escritores, só foram colocados mais de um século depois dos escritos. 


Irineu de Lyon

O Patriarca Católico chamado Irineu 130-202, bispo de Lyon na França, foi quem afirmou (sem provas) em 180 que os quatro evangelhos foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João e, portanto, tais evangelhos desde então, levam seus nomes.

Foi um processo puramente teológico e tradicional, não teve pesquisa e apuração. Irineu de Lyon disse que estes quatro evangelhos levam os nomes destes escritores por três motivos: 

1- O mundo tem Quatro Cantos

2 - Por conta da Tradição que já remontava mais de 150 anos após a morte de Jesus

3 - Por conta da Teologia Católica


Vários tipos de Cristianismos

O Cristianismo ou Catolicismo sofria de ataques dos grupos religiosos rivais. Embora fossem todos cristãos, por assim dizer, cada um tinha um método, uma maneira, um jeito diferente de acreditar. Era um grupo ramificado, assim como é nos dias atuais. O cristianismo nunca foi uma religião única, original, exclusiva, singular e distinta, muito pelo contrário, sempre foi um vespeiro multifacetado, sempre foi um barril de pólvora espalhado e ramificado.

Nesse período cristianismo não era uma instituição unificada, mas sim um conjunto diverso de comunidades espalhadas pelo Império Romano, frequentemente referidas como "seitas" ou movimentos teológicos. A distinção entre "ortodoxia" (o que viria a ser a Igreja Católica/Ortodoxa) e "heresia" ainda estava em formação. 


Cristianismo Gnóstico

Nessa época, o que chamamos de cristianismo era na verdade uma miríade variada de um monte de seitas gnósticas das mais diversas doutrinas.

Esses grupos competiam pela interpretação correta das palavras de Jesus e dos apóstolos, o que levou a Igreja Proto-Ortodoxa a definir seus dogmas e o cânon bíblico. Entre estes estavam:

•Valentinianos (Valentim): A forma mais influente de gnosticismo, quase assumindo a liderança na Igreja de Roma.

•Basilidianos (Basílides de Alexandria): Enfatizavam um conhecimento complexo sobre as hierarquias celestiais.

•Setianos: Acreditavam descender de Sete, filho de Adão.

•Marcionismo ou Seguidores de Marcião:  Movimento fundado por Marcião de Sinope por volta de 144 d.C. Ele rejeitava totalmente o Antigo Testamento, argumentando que o Deus do AT era um ser de justiça rigorosa, diferente do Deus de amor pregado por Jesus.

Criou o primeiro "cânon" bíblico, composto apenas por uma versão editada do Evangelho de Lucas e dez cartas de Paulo.

•Montanismo: Movimento iniciado por Montano na Frígia por volta de 170 d.C. Defendia uma nova revelação profética através do Espírito Santo, enfatizando o ascetismo rigoroso, o jejum e a expectativa iminente do fim do mundo.

•Cristianismo Judaico (Ebionitas e Nazarenos)

Seguintes de Jesus que mantinham a observância da Lei Judaica (Torah), incluindo a circuncisão e regras alimentares.

•Ebionitas: Consideravam Jesus um profeta humano, negando sua divindade pré-existente e usando apenas uma versão do Evangelho de Mateus.

•Nazarenos: Semelhantes aos ebionitas, mas aceitavam o nascimento virginal de Jesus.

Encratitas: Defendiam o ascetismo radical, incluindo a abstinência de carne, vinho e casamento. Tatiano, discípulo de Justino Mártir, tornou-se um líder encratita após escrever o •Diatessaron (uma harmonia dos quatro evangelhos). 


Por conta destes variados grupos religiosos, a Igreja Católica procurou se diferenciar dos demais rivais e logo fez uma versão oficial do que deveria ser crido como regra de fé, e temos o dogma oficial como temos hoje. 


Títulos

Os Títulos oficiais dos quatro livros são o que é hoje, depois de muitas brigas. Mas não são verdadeiros.

Jesus morreu por volta dos anos 30, o escrito de Marcos só foi escrito por volta dos anos 70 e colocado o nome deste escrito de Evangelho de Marcos só no ano 180, isso são mais de 150 anos de diferença! Isso usando o calendário católico, que é o calendário que usamos.


Geografia do Livro de Marcos

Segundo a Tradição da Igreja Católica, Marcos era um conhecedor nato da região da Palestina, na prática, isso não é verdade.

Em Marcos 7:31, lemos: "E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galileia, pelo meio das terras de Decápolis".

Agora no mapa, notamos que a região de Sidom fica ao Norte e a região da Galileia fica ao Sul. Um erro crasso para quem é especialista da região. 

E tem mais; no episódio que ocorreu os espíritos imundos nos porcos, temos a cidade de Gerasa ou Província dos Gadarenos ou Gerasenos, os porcos caem em um despenhadeiro, vamos ao texto;

Marcos 5:12,13: "E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar".

Temos um probleminha aqui, Gerasa ou Província dos Gadarenos ou Gerasenos, fica mais de 50 Km do Litoral.

Está bem claro que Marcos não escreveu o livro que leva seu nome. 

No Livro de Lucas, ao invés de Gerasa, ele coloca o evento sendo acontecido em Gadara, uma cidade um pouco mais perto do lago da Galiléia, mas esta cidade fica ao Norte, ainda na região de Decápolis.


Cópias

Mateus e Lucas copiaram Marcos, não é uma questão de opinião ou achismo, é fato, é a realidade. 

Mais de 80% do Livro de "Marcos" estão nos textos de Mateus e mais de 50% do Livro de "Marcos" estão nos textos de Lucas, se isso não for cópia, não sei o que é.

Na versão grega, estas duplicações são mais óbvias.

Uma dúvida: Se Mateus foi mesmo Apóstolo de Jesus, então, ele foi testemunha ocular dos eventos que estão em seu "livro", então por que ele copiou Marcos? Alguma coisa errada não está certa.

O DIABO NAS DIFERENTES 5 PRINCIPAIS RELIGIÕES

 


Oposto da luz e metáfora para o Mal, Satanás faz parte do imaginário de diversas culturas ao redor do mundo que o veem de maneiras diferentes. O Diabo faz parte do imaginário de diversas sociedades há muito tempo. É uma figura universal. Está presente, de formas variadas, no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoismo.

O Diabo faz parte do imaginário de diversas sociedades há muito tempo. “É uma figura universal. Está presente, de formas variadas, no catolicismo, no judaísmo, no islamismo, no hinduísmo, no budismo e no taoismo”, confirma Mateus Soares de Azevedo, mestre em História das Religiões pela USP (Universidade de São Paulo).

Ele aparece como uma oposição a Deus, a definição do mal, uma criatura terrível que corrompe o homem e transforma tudo em chamas. Segundo o Doutor em História Social pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) Germano Miguel Favaro Esteves, o dualismo é uma das marcas do entendimento dessa entidade.

“Nas religiões ocidentais, Deus e o Diabo figuram em oposição quase absoluta, não obstante os mitos de muitas sociedades os coloquem em íntima conjunção, sendo que a existência do Bem pressupõe diretamente a existência do Mal”, explica.


Cristianismo

Como dito, o imaginário ocidental é frequentemente afetado por concepções cristãs. O conceito de Satanás, no cristianismo, daria origem à personificação do mal. Ele é o adversário de Deus, descrito no Novo Testamento como o governante dos demônios e o Deus desta Era.

Além disso, conta com diversas antíteses que complementam o pensamento de oposição a Deus, como representante de tudo que o outro não significa. Perversidade, destruição, morte, trevas, — ou seja, a antítese de tudo que há na luz.


Judaísmo

No judaísmo, diferentemente do cristianismo, não há uma figura do Diabo. Satan significa literalmente inibidor, alguém que impede algo de acontecer.

O judaísmo ortodoxo vê Satanás como uma metáfora para o ato de inclinar-se para o mal. Isso está de acordo com os ensinamentos talmúdicos da religião. Em Gênesis 6: 5 e 8:21, é dito que “a imaginação do coração do homem [é] o mal”, e desta frase extrai-se o conceito de yetzer hará, que representa essa noção de disposição congênita para fazer o mal, o que viola a vontade de Deus.


Islamismo

No Alcorão, o Diabo é Iblis. Ele não seria o inimigo de Alá porque é apenas uma de suas criações, não tendo a capacidade de opor à superioridade do deus. Também chamado de Shaitan, o Satanás consideraria os humanos como seus maiores inimigos.

Ele, no entanto, não tem poderes. Sua influência na humanidade está no fato de que este tenta, de toda forma, fazer com que as pessoas não obedeçam a Alá, usando de tentações.

O inimigo singular de Shaitan é a humanidade. Ele pretende desencorajar os humanos de obedecer a Deus. Assim, a humanidade é advertida para lutar contra as perversidades de Shaitan e as tentações que o demônio coloca nelas. Colaborando apenas com ideias, tudo que acontece depois é por escolha humana.


Budismo

No Budismo, há Mara. Sendo o contrário de Buda, que significa iluminação, essa figura representa a ilusão. Segundo o monge Nyanaponika Thera, ele é a “personificação das forças antagônicas à iluminação”

Ele foi responsável por tentar o príncipe Sidarta, Gautama Buddha, ao “oferecer-lhe lindas mulheres” que, nas lendas, normalmente são suas filhas. Ele também é conhecido por tirar os homens do caminho espiritual, estimulando a valorização das coisas mundanas.


Hinduísmo

Nessa religião, não existe nenhuma representação direta do Diabo. Em contraste ao cristianismo, o hinduísmo apenas reconhece que pessoas podem fazer coisas ruins. Isso aconteceria quando elas estivessem submetidas a entidades chamadas de asuras.

O mais próximo do Satanás seria Rahu que, na mitologia indiana, foi derrotado por Vishnu, um dos deuses principais do hinduísmo. Além disso, é um planeta maléfico natural responsável pelos eclipses.


A HERANÇA DA ESCRAVIDÃO E O NEGRO NO MERCADO DE TRABALHO

 


Documentos sobre escravidão e pós-abolição retratam as dificuldades dos negros para entrar no mercado de trabalho. Projeto de pesquisa coleta dados históricos em fazendas para saber como ocorreu a consolidação do trabalho durante o período da escravidão e pós-abolição no Brasil.

A escravidão, o baixo crescimento demográfico e alta taxa de mortalidade infantil contribuíram negativamente para a entrada do negro no mercado de trabalho rural, no período pós-abolição. Esses dados são preliminares e constam no projeto de pesquisa Quando o interior conta, que analisa documentos encontrados em sete propriedades rurais e núcleos coloniais, no Estado de São Paulo e na parte fluminense do Vale do Paraíba, no Rio de Janeiro, do final do século 19 até meados do século 20. A iniciativa é coordenada pelos professores Bruno Gabriel Witzel de Souza, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP), e Thales Augusto Zamberlan Pereira, da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EESP). “Temos algumas evidências de que existiam fazendas que usavam o trabalhador imigrante e o trabalhador nacional, que potencialmente era um ex-escravizado. Não foi simplesmente um grupo que entrou e outro que saiu, como aprendemos anteriormente”, comenta Thales Augusto.


O pesquisador da FGV-EESP destaca que os dados obtidos com as documentações encontradas são fragmentados. Segundo ele, para montar o quebra-cabeça da real situação de pessoas brancas e negras na sociedade brasileira, no final da escravidão e no pós-abolição, os dados sobre mortalidade infantil no período são uma boa métrica para mostrar as reais condições de vida da população no período. “As taxas de mortalidade, especialmente a infantil, das crianças negras eram absurdamente maiores que as das crianças brancas. Estamos vendo um reflexo do passado, e a pergunta que fazemos é se isso ocorreu pela falta de oportunidade, ou fatores estruturais, por exemplo”, diz o pesquisador.

Para Bruno Gabriel, a função do estudo é verificar diferentes hipóteses que conhecemos sobre a escravidão e o pós-abolição, mas que ainda não foram confirmadas por meio de testes. “Isso vai mudar, naturalmente, as perspectivas que temos sobre a escravidão e o pós-escravidão. Queremos saber, por exemplo, o nível de produtividade de descendentes de italianos e de descendentes de escravizados. Sabemos que a dinâmica do mercado de trabalho era muito mais complexa do que pensávamos anteriormente”, salienta o pesquisador.

Dois grandes empecilhos da escravidão para o desenvolvimento dos negros foram a barreira da entrada no mercado de trabalho e o aspecto demográfico, pois as famílias negras eram pequenas. “Os negros tinham uma desvantagem histórica por conta da escravidão, e as famílias italianas eram formadas, em média, por seis a sete pessoas e suas crianças, a partir dos 5 ou 7 anos, começavam a ser empregadas nos cafezais. Já as famílias negras eram formadas por três pessoas, em média, e esse era um ponto importante na época”, comenta Bruno. O projeto de pesquisa tem como objetivo de resgatar, preservar e disponibilizar, gratuitamente e on-line, antigos documentos das propriedades. Além disso, a iniciativa busca coletar microdados para estudo da história econômica e social. O objetivo é saber como foi o passado paulista e como ocorreu a consolidação do mercado de trabalho rural livre durante o século 19, período que abrange a escravidão e o pós-abolição, e como ele se desenvolveu ao longo do século 20 , nas décadas de 1950 a 1970.

Financiado pelo programa Modem Endangered Archives, da Biblioteca da Universidade da Califórnia,em Los Angeles (Ucla), nos EUA, que promove a recuperação de arquivos em risco ao redor do mundo, Quando o interior conta é baseado em um projeto anterior de 2019, durante o pós-doutorado de Bruno Gabriel na FEA-USP, com a criação de um arquivo físico e digital da Fazenda Ibicaba, localizada no município de Cordeirópolis, em São Paulo. “Criamos um arquivo físico e digitalizamos todo o material daquela propriedade, que foi a primeira a usar trabalhadores europeus de forma sistemática”, diz o pesquisador. O material da Fazenda Ibicaba já está disponível para consulta neste link.


De acordo com Bruno, a importância desse projeto é estudar a escravidão, a imigração e o pós-abolição a partir do que for encontrado sobre o indivíduo e não somente em relação ao município. Por isso, reforça a necessidade de mais propriedades colocarem à disposição seus documentos para expandir o entendimento sobre o mercado de trabalho durante esse período. “A gente, geralmente, pensa em um passado longínquo, do século 19, ou do começo do século 20, mas livros de 1950, 1960 e 1970, daqui a duas gerações serão muito importantes. E mais adiante os pesquisadores terão todo esse material já pronto para fazer a pesquisa. Será muito bacana!”, destaca o pesquisador. Os pesquisadores do projeto convidam proprietários rurais e pessoas que conheçam esse tipo de documentação no interior do Brasil a contatá-los. O interesse não está apenas em grandes acervos. Como relata Bruno: “Mesmo um único livro contábil, de meados do século 20, adiciona uma peça importante a esse quebra-cabeça”, conclui Bruno Gabriel.


Fonte: Jornal da Usp https://jornal.usp.br/diversidade/documentos-sobre-escravidao-e-pos-abolicao-retratam-as-dificuldades-dos-negros-para-entrar-no-mercado-de-trabalho/