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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ALGUMAS CONTRADIÇÕES BÍBLICAS



A Bíblia está repleta de contradições. Ela começa até mesmo com dois relatos contraditórios da criação. Mas muitas dessas contradições podem ser difíceis de perceber, porque foram fundidas no que parece ser uma única história.

Por exemplo, dois relatos diferentes do Grande Dilúvio são fundidos em um só. Na versão mais antiga, Noé leva sete animais puros de cada espécie para que possa fazer sacrifícios quando chegar à costa. Na versão posterior, encomendada pelo Rei Ezequias, que não queria nenhuma menção a sacrifícios antes da construção do Templo de Jerusalém, apenas dois animais de cada espécie foram levados a bordo da arca e Noé não fez nenhum sacrifício.

Da mesma forma, duas versões diferentes da história de José sendo levado como escravo para o Egito foram fundidas. Na versão judaísta, Judá é o irmão que se opõe à decisão dos irmãos de jogar José no poço. Na versão israelita, é Ruben quem se opõe. Essas histórias também diferem quanto a quem leva José, os ismaelitas ou os midianitas.

Existem diferentes versões do milagre da água realizado por Moisés. Essas versões não foram unificadas, mas sim inseridas em pontos distintos da narrativa por redatores posteriores. Na versão israelita, Deus se agrada do que Moisés faz. Na versão judaísta, Deus se desagrada. (Moisés era um herói israelita.)

Existem três versões diferentes da história da unção de Saul como rei por Samuel, com três opiniões distintas sobre se isso foi bom ou ruim. Uma foi escrita por judeus pró monarquia, outra por israelitas pró monarquia e outra por israelitas antimonárquica. Da mesma forma, existem dois relatos de como Davi chegou a Saul. Em um, ele é um jovem pastor que entra para o exército apesar da pouca idade. No outro, ele é um músico na corte de Saul.

Existem também contradições abrangentes que podem ser difíceis de identificar devido à sua ampla escala. Por exemplo, um grupo de autores sustentava que Deus era conhecido como Javé desde os tempos de Lameque, um ancestral de Noé. Outro grupo sustentava que Deus não revelou esse nome antes da época de Moisés. Da mesma forma, um grupo de autores defendia que a conquista de Canaã foi absoluta, com vitória total sobre toda a terra. Outro grupo defendia que a conquista foi parcial, com algumas vitórias e algumas derrotas, e que nem todo o território foi conquistado.

Existem dezenas desses exemplos, não apenas na Bíblia Hebraica, mas também no Novo Testamento cristão, como duas genealogias diferentes de Jesus e dois relatos da morte de Judas, que ou cometeu suicídio ou caiu e sofreu uma lesão intestinal. E existem três relatos muito diferentes sobre o túmulo vazio e cinco relatos distintos sobre a quem Jesus apareceu após a crucificação.

Então, como devemos lidar com essas contradições? Bem, em primeiro lugar, devo dizer que não devemos tentar reconciliá-las. Ao fazer isso, criamos apenas mais uma explicação, agravando ainda mais o problema. Se quisermos compreender o texto, devemos primeiro reconhecer que existem contradições.

Também não devemos acreditar que, ao reconhecer essas contradições, de alguma forma "desmascaramos a Bíblia". A Bíblia é um texto antigo. Se você quiser dedicar tempo a estudá-la, por qualquer motivo, tentar "desmascará-la" é simplesmente perder seu próprio tempo. Você leria Homero para "desmascará-lo"? Você estudaria os escritos do antigo Egito para "desmascará-los"? Claro que não. O que é desmascarado é meramente a posição literalista da Bíblia que é separada do próprio texto e isso é extremamente fácil de fazer, e, portanto, não representa nenhuma conquista. Você não compreendeu a Bíblia demonstrando que os literalistas estão errados, assim como não compreendeu a astronomia demonstrando que os terraplanistas estão errados.


Não adianta conhecer essas contradições se não nos fizermos as perguntas interessantes:

Quem escreveu esses relatos divergentes? Onde e quando viveram? Quais eram suas crenças religiosas e políticas, seus aliados e opositores?

Por que divergiram nas perspectivas específicas que apresentaram? Por que um afirma que Ruben foi o herói e o outro diz que foi Judá, em vez de, digamos, Benjamim e Simeão? Por que um escritor considera Josué um herói nacional e outro sequer se dá ao trabalho de mencioná-lo?

Quem fundiu esses relatos contraditórios em um único texto e por quê?

Esse é o valor de estudar essas contradições chegar a uma melhor compreensão do texto, das pessoas que o produziram e das culturas em que viviam. Se tudo o que você faz ao se deparar com uma contradição é tentar explicá-la como se não existisse, ou então dizer “Ahá, os literalistas estão errados!”, você está prestando um desserviço ao texto e, francamente, não está aproveitando bem o seu tempo.


E tem mais !!!!

1. A Bíblia nos fala que toda a escritura foi inspirada por Deus (II Timóteo 3:16).

Mas em alguns trechos é negada a inspiração divina (I Coríntios 7:6;5:12) (II Coríntios 11:17).


2. Os Gigantes existiam antes da inundação (Gênesis 6:4).

Somente Noé, sua família, e os animais da Arca sobreviveram ? inundação (Gênesis 7:23).

Mesmo depois da Inundação os gigantes continuaram existindo (Números 13:33).


3. Deus diz para Noé que tudo o que se move e tem vida servirá de alimento para ele, e também toda a vegetação. Só não poderá comer da carne ainda com vida, ou seja, com sangue (Gênesis 9:3-4).

Deus diz que nem todos os animais podem ser consumidos (Deuteronômio 14:7-20).


4. Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras, até que Deus criou vários idiomas diferentes, fazendo com que ninguém entendesse um ao outro (Gênesis 11:1,6-9).

Anterior a isto, a Bíblia fala de diversas nações, cada um com sua própria língua (Gênesis 10:5).


5. Deus admitiu que Ele é a causa da surdez e da cegueira (Êxodo 4:11).

Contudo, Deus não aflige os homens por vontade própria (Lamentações 3:33).


6. Deus envia Moisés para o Egito resgatar os filhos de Israel (Êxodo 3:10. 4:19-23).

No caminho, Deus ameaçou Moisés de morte. (Êxodo 4:24-26). Não proveu de explicação.


7. Deus mata todos os animais dos egípcios com uma forte pestilência. Nenhum sobreviveu ? pestilência (Êxodo 9:3-6).

Deus mata todos os animais dos egípcios com uma chuva de granizo (Êxodo 9:19-21,25). (Mas eles já não haviam morrido com a pestilência?)


8. Deus não foi conhecido por Abraão, Isaac e Jacó pelo nome de Javé (Êxodo 6:2-3).

O nome do Senhor já era conhecido (Gênesis 4:26).


9. Deus proíbe que seja feito a escultura de qualquer ser (Êxodo 20:4).

Deus ordenou a fabricação de estátuas de ouro (Êxodo 25:18).


10. Proibição do assassinato (Êxodo 20:13).

Deus manda Moisés matar todos os homens de Madiã (Números 31:7).


11. Proibição do roubo (Êxodo 20:15).

Deus manda roubar os egípcios (Êxodo 3:21-22).


12. Proibição da mentira (Êxodo 20:16)

Deus permiti a mentira (I Reis 22:22)


13. Você tem que julgar o próximo com justiça (Leviticus 19:15).

Não julgue ninguém para não ser julgado (Mateus 7:1).


14. Deus jamais se arrepende (I Samuel 15:29).

Deus se arrepende (Gênese 6:6) (Êxodo 32:14) (I Samuel 15:11,35) (Jonas 3:10).


15. Deus não pode mentir (Números 23:19).

Deus deliberadamente enviou um “espírito” mentiroso (I Reis 22:20-30) (II Crônicas 18:19-22).

Deus faz pessoas acreditarem em mentiras (II Tessalonicenses 2:11-12).

O Senhor engana os profetas (Ezequiel 14:9).


16. Aarão morreu no monte Hor. Imediatamente depois disso, os israelitas foram para Salmona e Finon (Números 33:38).

Aarão morreu em Mosera. Depois disso, os isralelitas foram para Gadgad e Jetebata (Deuteronômio 10:6-7).

Deus diz a Moisés que Aarão morreu no monte Hor (Deuteronômio 32:50).


17. Nós temos que amar Deus (Deuteronômio 6:5) (Mateus 22:37).

Nós temos que temer Deus (Deuteronômio 6:13) (I Pedro 2:17).


18. Deus escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança (Deuteronômio 10:1-2,4).

Deus ditou e Moisés escreveu (Êxodo 34:27-28).


19. Josué queimou a cidade de Hai e reduziu-a a um monte de ruínas para sempre (Josué 8:28).

Hai ainda existe como uma cidade (Neemias 7:32).


20. Josué destruiu totalmente os habitantes de Dabir (Josué 10:38-39).

Os habitantes de Dabir ainda existem (Josué 15:15).


21. Saul destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 15:7-8,20).

David destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 27:8-9).

Finalmente os amalecitas são mortos (I Crônicas 4:42-43).


22. Isaí teve sete filhos além de seu mais jovem, David (I Samuel 16:10.11).

David foi o sétimo filho (I Crônicas 2:15).


23. Saul tentou consultar o Senhor (I Samuel 28:6).

Saul nunca fez tal coisa (I Crônicas 10:13-14).


24. Saul cometeu suicídio (I Samuel 31:4-6) (I Crônicas 10:4-5).

Saul foi morto por um amalecita (II Samuel 1:8-10).

Saul foi morto pelos filisteus (II Samuel 21:12).


25. Davi tomou 1.700 cavaleiros de Adadezer (II Samuel 8:4).

Davi tomou 7.000 cavaleiros de Adadezer (I Crônicas 18:4).


26. Davi matou aos arameus 700 parelhas de cavalos e 40.000 cavaleiros (II Samuel 10:18).

Davi matou aos arameus 7.000 cavalos e 40.000 empregados (I Crônicas 19:18).


27. Israel dispõe de 800.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 500.000 homens (II Samuel 24:9).

Israel dispõe de 1.100.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 470.000 homens (I Crônicas 21:5).


28. Satã provocou Davi a fazer um censo de Israel (I Crônicas 21:1).

Deus sugeriu Davi a fazer um censo de Israel (II Samuel 24:1).


29. Davi pagou 50 siclos de prata por gados e pelo terreno (II Samuel 24:24).

Davi pagou 600 siclos de ouro pelo mesmo terreno (I Crônicas 21:25).


30. Rei Josias foi morto em Magedo. Seus servos o levam morto para Jerusalém (II Reis 23:29-30).

Rei Josias foi ferido em Magedo e pediu para seus servos o levarem para Jerusalém, onde veio a falecer (II Reis 23:29-30).


31. Foram levados 5 homens dentre os mais íntimos do rei (II Reis 25:19-20).

Foram levados 7 homens dentre os mais íntimos do rei (Jeremias 52:25-26).


32. São citados os nomes de 10 pessoas que vieram com Zorobabel (Esdras 2:2)

São citados os nomes de 11 pessoas que vieram com Zorobabel (Neemias 7:7)


33. (Esdras 2:3 & Neemias 7:8) Estas passagens pretendem mostrar a quantidade de pessoas que voltaram do cativeiro babilônico. Compare o número para cada família: 14 deles discordam.


34. A terra vai durar para sempre (Salmos 104:5) (Eclesiastes 1:4).

A terra perecerá (II Pedro 3:10) (Hebreus 1:10-11).


35. Deus fala a respeito de sacrifícios com os filhos de Israel libertos do egito (Levítico 1:1-9).

Deus nega que houvesse dito algo sobre sacrifícios naquela ocasião (Jeremias 7:22).


36. O filho não deve ser castigado pelo erro do pai, ou vice-versa (Deuteronômio 24:16) (Ezequiel 18:20) (II Crônicas 25:4).

Deus vinga a crueldade dos pais nos filhos até a quarta geração (Êxodo 20:5) (Deuteronômio 5:9).

Todos os homens são culpados pelo pecado de Adão. A culpa passou de pai para filhos por diversas gerações (Romanos 5:12).


37. Jesus foi filho de José, que o foi de Jacob (Mateus 1:16).

Jesus foi filho de José, que o foi de Heli (Lucas 3:23).


38. O pai de Salathiel foi Jeconias (Mateus 1:12).

O pai de Salathiel foi Neri (Lucas 3:27)


39. Abiud é filho de Zorobabel (Mateus 1:13).

Resa é filho de Zorobabel (Lucas 3:27).

São citados os nomes de todos os filhos de Zorobabel, mas nem Resa e nem Abiud estão entre eles (I Crônicas 3:19-20).


40. Jorão era o pai de Ozias que era o pai de Joathão (Mateus 1:8-9).

Jorão era o pai de Occozias, do qual nasceu Joás, que gerou Amazias, que foi pai de Azarias que, finalmente, gerou Joathão (I Crônicas 3:11-12).


41. Josias era o pai de Jeconias (Mateus 1:11).

Josias era o avô de Jeconias (I Crônicas 3:15-16).


42. Zorobabel era filho de Salathiel (Mateus 1:12) (Lucas 3:27).

Zorobabel era filho de Fadaia. Salathiel era tio dele (I Crônicas 3:17-19).


43. Sale era filho de Cainan, neto de Arfaxad e bisneto de Sem (Lucas 3:35-36).

Sale era filho de Arfaxad e neto de Sem (Gênese 11:11-12).


44. Ninguém jamais viu a Deus (João 1:18, 6:46) (I João 4:12).

Jacob viu Deus cara a cara (Gênesis 32:30).

Moisés e os anciões de Israel viram Deus (Êxodo 24:9-11).

Deus falou com Moisés cara a cara (Êxodo 33:11) (Deuteronômio 34:10).

Ezequiel viu Deus em uma visão (Ezequiel 1:27-28).


45. Jesus curou um leproso depois de visitar a casa de Pedro e Simão (Marcos 1:29,40-42).

Jesus curou o leproso antes de visitar a casa de Pedro e Simão (Mateus 8:2-3,14).


46. O Diabo levou Jesus primeiro ao topo do templo e depois para um lugar alto para ver todos os reinos do mundo (Mateus 4:5-8).

O Diabo levou Jesus primeiro para o lugar alto e depois para o topo do templo (Lucas 4:5-9).


47. Quem crê no filho de Deus tem vida eterna (João 3:36).

Quem ama a Deus e ao seu próximo tem vida eterna (Lucas 10:25-28).

Quem guarda os 10 mandamentos tem vida eterna (Mateus 19:16-17).


48. O sermão conteve 9 beatitudes (Mateus 5:3-11).

O sermão conteve 4 beatitudes (Lucas 6:20-22).


49. Jesus adquiriu Mateus como discípulo depois de acalmar a tempestade (Mateus 8:26).

Jesus adquiriu Mateus (Levi) como discípulo antes de ter acalmado a tempestade (Marcos 2:14, 4:39)

Obs: O contexto identifica Levi como outro nome para Mateus. Compare [Mateus 9:9-17] com [Marcos 2:14-22] e com [Lucas 5:27-39].


50. O centurião se aproximou de Jesus e pediu ajuda para um criado doente (Mateus 8:5-7).

O centurião não se aproximou de Jesus. Ele enviou amigos e os anciões dos judeus (Lucas 7:2-3,6-7).


51. Jairo pediu a Jesus que ajudasse a sua filha, que estava morrendo (Lucas 8:41-42).

Ele pediu para que Jesus salvasse a filha dele que já havia morrido (Mateus 9:18).


52. Jesus disse aos seus discípulos que deveriam andar calçados com sandálias (Marcos 6:8).

Jesus lhes disse que não deveriam andar descalços (Mateus 10:10).


53. Deus confiou o julgamento a Jesus (João 5:22) (João 5:27,30 8:26) (II Coríntios 5:10) (Atos 10:42).

Jesus, porém, disse que não julga ninguém (João 8:15,12:47).

Os santos hão de julgar o mundo (I Coríntios 6:2).


54. A transfiguração de Jesus ocorreu 6 dias após a sua profecia (Mateus 17:1-2).

A transfiguração ocorreu 8 dias após (Lucas 9:28-29).


55. A mãe de Tiago e João pediu a Jesus para que eles se assentassem ao seu lado no reino (Mateus 20:20-21).

Tiago e João fizeram o pedido, ao invés de sua mãe (Marcos 10:35-37).


56. Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com dois homens cegos (Mateus 20:29-30).

Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com somente um homem cego (Marcos 10:46-47).


57. Dois dos discípulos levaram uma jumenta e um jumentinho para Jesus da aldeia de Bethfagé (Mateus 21:2-7).

Eles levaram somente um jumentinho (Marcos 11:2-7).


58. Jesus amaldiçoou a árvore de figo depois de ter deixado o templo (Mateus 21:17-19).

Ele amaldiçoou a árvore antes de ter entrado no templo (Marcos 11:14-15,20)


59. Um dia após Jesus ter amaldiçoado a figueira, os discípulos notaram que ela havia secado (Marcos 11:14-15,20)

A figueira secou imediatamente após a maldição ser posta (Mateus 21:19).


60. Jesus disse que Zacarias era filho de Baraquias (Mateus 23:35).

Zacarias era filho de Joiada (II Crônicas 24:20-22).


61. Jesus manda amarmos uns aos outros (João 13:34-35).

Você não pode ser um discípulo de Jesus a menos que já tenha aborrecido seus pais, seus irmãos, seus filhos ou sua esposa (Lucas 14:26).


62. Vestiram Jesus com um manto carmesim (Mateus 27:28).

Vestiram Jesus com um manto púrpura (Marcos 25:17) (João 19:2).


63. Após Pedro ter negado Jesus, o galo cantou pela segunda vez (Marcos 14:30,57-72).

O galo só cantou uma vez (Lucas 22:34,60-61) (Mateus 26:34,69-74)


A VERDADEIRA ORIGEM DOS HEBREUS

 


O livro "A Bíblia Não Tinha Razão" dos autores:  Finkelstein e Neil Asher Silberman, enfatiza que, apesar das pesquisas arqueológicas modernas e dos meticulosos registros egípcios do período de Ramessés II, há uma diferença óbvia de qualquer evidência sobre a migração de um povo semítico através da Península do Sinai, exceto os Hicsos. Ainda que os Hicsos sejam de alguma maneira uma boa coincidência, deixando Aváris (posteriormente renomeado 'Pi-Ramessés') como seu centro principal, no coração da região correspondente à 'Terra de Goshen' e de que posteriormente Manetão escreveu que finalmente os Hicsos fundaram o Templo de Jerusalém, isso gera outros problemas, já que os hicsos não foram escravos e sim governantes, foram expulsos em vez de perseguidos para trazê-los de volta. No entanto, o livro argumenta que a narrativa do êxodo talvez tenha evoluído a partir de vagas memórias da expulsão dos hicsos, revertido para incentivar a resistência ao domínio de Judá pelo Egito no século VII a. C.

◘Leiam a história completa dos Hicsos neste mesmo Blog, clique no link: https://adalbersantos.blogspot.com/2026/01/os-hicsos.html

Finkelstein e Silberman argumentam que em vez de que os israelitas, depois do Êxodo, tenham conquistado Canaã (como está sugerido no livro de Josué); de fato, a maioria deles já estava aí desde sempre; os Israelitas eram simplesmente cananeus que se desenvolveram em uma nova cultura. 

◘Leiam o artigo: "OS ISRAELITAS SÃO CANANEUS" neste mesmo Blog: https://adalbersantos.blogspot.com/2025/05/os-israelitas-sao-cananeus.html

Relatórios recentes sobre padrões de assentamentos prolongados nos centros israelitas não mostram sinais de invasões violentas ou ainda de infiltrações pacíficas, mas sim uma transformação demográfica até 1200 a. C. na qual aparecem aldeias em lugares previamente despovoados; estes assentamentos têm uma aparência similar aos campos beduínos atuais, sugerindo que os habitantes foram, em alguma ocasião, pastores nômades, levados à agricultura na Idade do Bronze tardia pelo colapso da 'cultura de cidade' canaanita.

Os autores tomam o assunto da descrição do livro de Josué onde os israelitas conquistam Canaã em poucos anos, muito menos que o tempo de vida de um indivíduo, em que são destruídas as cidades de Hazor, Ai e Jericó. Finkelstein e Silberman veem este relato como o resultado do efeito longínquo e difuso da memória popular sobre destruições causadas por outros eventos; a pesquisa arqueológica atual destes lugares mostra que sua destruição abrangeu um período de muitos séculos, quando Hasor foi destruída de 100 a 300 anos depois de Jericó, enquanto que Ai (cujo nome de fato significa 'montículo de ruínas') esteve completamente abandonada cerca de um milênio antes da destruição de Jericó e não foi reocupada até 200 anos depois.


ANACRONISMOS NA BÍBLIA



Anacronismos na Bíblia são inserções de eventos, objetos ou ideias que não existiam na época em que as histórias se passam, como o uso do termo "Faraó" em Gênesis ou a presença de camelos domesticados nas histórias patriarcais, que surgiram séculos depois, embora autores possam usar termos conhecidos para seus leitores. Exemplos incluem a presença de filisteus antes de sua migração e a interpretação de conceitos modernos (como "sangue de Jesus" como purificador biológico) em contextos antigos, o que exige cuidado na leitura para não impor valores atuais a contextos passados. 
Alguns críticos apontam anacronismos como indícios de que a Bíblia não é historicamente confiável e foi escrita muito tempo depois. 
Desenterrando a Bíblia e analisando o Livro de Gênesis e sua relação com as evidências arqueológicas para determinar o contexto no qual se estabeleceu sua narrativa. Diversos descobrimentos arqueológicos sobre a sociedade e a cultura no Oriente Próximo revelam para os autores uma série de anacronismos, os quais sugeririam que as narrativas foram escritas nos séculos, VII e V antes de Cristo.
Alguns críticos apontam anacronismos como indícios de que a Bíblia não é historicamente confiável e foi escrita muito tempo depois.

Exemplos comuns de Anacronismos:
◙ Editores posteriores inseriram termos modernos ou atualizações geográficas (como mudar "Laís" para "Dã") para maior clareza, como visto em Juízes 18:29.
◙ Faraó: O título "Faraó" não era usado para o Egito na época de Abraão, mas os autores bíblicos usaram a palavra disponível em sua língua para "governante do Egito".
◙ Camelos: Histórias patriarcais mencionam camelos domesticados, mas a domesticação e uso generalizado desses animais na região só ocorreu séculos mais tarde, conforme achados arqueológicos.
◙ Filisteus: A presença de filisteus nas narrativas patriarcais (como em Abraão) é considerada anacrônica, pois eles só apareceram na região após a invasão dos "Povos do Mar" (cerca de 1100 a.C.).
◙ Jericó: Evidências arqueológicas sugerem que a cidade de Jericó já estava abandonada ou em ruínas quando a conquista bíblica (segundo o cronograma bíblico) teria ocorrido. 
◙ O sistema organizado de sinagogas desenvolveu-se após o exílio babilônico e a destruição do Templo, embora apareça anteriormente em alguns textos.
◙ Ur dos Caldeus": Os caldeus não controlaram Ur até cerca de 1000 a.C., muito depois da época de Abraão.
◙ São mencionados com frequência os arameus, mas não existe nenhum texto deles até 1100 a. C. e só começaram a dominar as fronteiras setentrionais de Israel depois do século IX. Jacó interagindo com arameus antes de 900 a.C. é outro anacronismo, pois os arameus só se tornaram proeminentes localmente mais tarde.
◙ O texto descreve a origem do reino de Edom, mas registros assírios mostram que Edom só apareceu como Estado depois de que a zona foi conquistada pela Assíria. Antes dessa época, não tinha reis nem um Estado propriamente dito e a evidência arqueológica mostra que o território estava escassamente povoado.
◙ A história de José se refere a comerciantes que andavam em camelos e que levavam «goma arábica, bálsamo e mirra», um evento pouco provável para o primeiro milênio, mas muito comum nos séculos VIII a VII a. C., quando a hegemonia assíria possibilitou que este comércio florescesse.
◙ A Terra de Gósen tem um nome que provém de um grupo árabe que só chegou a dominar o Delta do Nilo nos séculos VI e V a.C.
◙ O Faraó egípcio está descrito como temeroso da invasão do leste, quando o território do Egito se havia estendido às partes do norte de Canaã, sendo o norte sua ameaça principal por conseguinte, até o século VII a. C.
◙ O livro comenta que isto concorda com a hipótese documental, na qual a crítica textual argumenta que a maioria dos primeiros cinco livros bíblicos foram escritos entre os séculos VIII e VI a. C. Ainda que os resultados arqueológicos e os registros assírios sugiram que o Reino de Israel era o maior dos dois, é o Reino de Judá ao que se outorga maior preeminência no livro de Gênesis, cujas narrativas se concentram em Abraão, Jerusalém, Judá (o Patriarca) e Hebrom, mais que nos personagens e lugares do Reino do Norte (Israel); A Bíblia desenterrada explica esta preeminência da tradição javista como uma tentativa de aproveitar-se da oportunidade brindada pela destruição de Israel em 720 a. C., para descrever aos israelitas como um só povo, com Judá havendo tido (sempre) a primazia.

Outros Anacronismos
Origens da agricultura e da música
Algumas gerações depois de Adão, lemos sobre a família de Lameque:
Em Gênesis 4:18-24, lemos: "Lameque tomou para si duas mulheres; o nome da primeira era Ada, e o da segunda, Zilá. Ada deu à luz Jabal; ele foi o primeiro dos que habitavam em tendas e cuidavam de rebanhos. O nome de seu irmão era Jubal; ele foi o primeiro de todos os que tocavam harpa e flauta. Zilá também deu à luz Tubal-Caim, que fundia metal e moldava todo tipo de ferramentas de bronze e ferro. A irmã de Tubal-Caim era Naamá."
♦ Isso é um completo absurdo. Flautas antigas feitas de osso de ave e marfim de mamute foram encontradas em uma caverna no sul da Alemanha e datadas de mais de 40.000 anos atrás. Existem várias outras descobertas semelhantes, quase tão antigas, e a incerteza na datação é de apenas alguns milhares de anos. Como Jubal era o tetraneto de Adão (Gênesis 4:17-21), e Adão viveu 75 gerações antes de Jesus, segundo Lucas 3, Jubal não poderia ter vivido há 40.000 anos. Mais provavelmente entre 6.000 e 8.000 anos atrás, considerando uma variação de até 80 anos por geração.
♦ Há também boas evidências arqueológicas de assentamentos e animais domesticados que remontam a cerca de 9000 a.C. e de metalurgia que remonta a cerca de 9500 a.C. Essas datas são muito antigas para que Jabal e Tubal-Caim sejam plausivelmente os verdadeiros criadores do acampamento, da agricultura e da metalurgia.

Os anacronismos são compreensíveis se o Gênesis for uma narrativa escrita por volta de 600 a.C., descrevendo a história mítica de Israel, mas não pode ser levado a sério como história narrativa.

O Êxodo do Egito 
Uma dificuldade séria para o registro bíblico é a falta de evidências arqueológicas que sustentem a existência de uma classe de escravos israelitas no Egito no segundo milênio a.C., ou mesmo em qualquer outra época.
Existem alguns relevos bem conhecidos de cerca de 1450 a.C. representando escravos com aparência semita, embora estes sejam identificados nas inscrições anexas como prisioneiros de guerra das campanhas do faraó no sul (Núbia) e no norte (Síria-Canaã), em vez de serem de famílias israelitas que viveram no Egito durante séculos.
O problema é que o nome Israel nunca é usado antes do final do século XIII a.C. Existem muitos documentos e inscrições onde ele poderia ter sido usado há inscrições dos Hicsos, inscrições egípcias e o extenso arquivo cuneiforme do século XIV de Tel el-Amarna, contendo cerca de 400 cartas que descrevem Canaã na época. Mas nada sobre Israel. Isso levou a maioria dos historiadores antigos a concluir que Israel não existia naquele período e só emergiu gradualmente como um grupo distinto durante o século XIII a.C.
Os lugares no Egito e na rota percorrida pelos israelitas refletem a geografia do primeiro milênio a.C. (quando o texto foi escrito), e não do segundo milênio a.C. (quando os eventos supostamente ocorreram). Vários lugares mencionados na rota do Êxodo foram identificados como desocupados na época da suposta peregrinação pelo deserto. Por exemplo, a ocupação mais antiga de Eziom-Geber data do século VIII a.C., mais de 500 anos depois da época em que o Êxodo teria ocorrido. Da mesma forma, os nomes Gósen, Pitom, Sucote, Ramessés e Cades-Barneia apontam para a geografia do primeiro milênio, e não do segundo.

A Conquista de Canaã
Uma omissão ainda mais grave no registro arqueológico é a ausência de evidências da invasão cananeia. A destruição de cidades e a substituição de uma cultura por outra são justamente os campos de estudo mais importantes da arqueologia. Mas, por mais flexíveis que sejamos com as datações, simplesmente não há evidências de uma invasão e conquista de Canaã. Em vez disso, as evidências arqueológicas mostram uma transição gradual de uma sociedade agrícola para cidades-reinos.
Historiadores cristãos conservadores, especialmente James Hoffmeier e Kenneth Kitchen, tentaram bravamente reunir as evidências para apoiar o relato bíblico do Êxodo, e por muito tempo encontrei conforto em seus livros. No entanto, eventualmente, o peso das evidências contra o relato do Êxodo me alertou sobre este assunto.
A explicação alternativa se encaixa muito melhor nas evidências disponíveis: a história inicial de Israel, descrita de Gênesis a Deuteronômio, reflete a geografia e a cultura de uma época muito posterior e foi construída para fornecer um mito fundador para Israel. É uma "história" contada de forma desajeitada para reforçar as reivindicações e exigências dos últimos reis de Judá. Isso explicaria o número incrivelmente grande de pessoas vagando pelo deserto, os nomes de lugares anacrônicos mencionados no relato do Êxodo, a falta de evidências arqueológicas de uma invasão israelita e a ausência de menção a Israel antes do final do século XIII a.C.
A história do Egito pode ainda conter algumas memórias culturais, mas estas foram embelezadas e exageradas a tal ponto que já não é possível recuperar quaisquer detalhes históricos essenciais que possam ter existido.

Babilônia
Não existiu Império Babilônico, mas existiu a cidade de Babel, as ruínas dos zigurates, templos e palácios mencionados no livro de Daniel. A grande Rua das Procissões, o Portão de Ishtar, os jardins suspensos da Babilônia. E leria as palavras de Nabucodonosor, conforme relatadas por Daniel:
“Não é esta a grande Babilônia que eu construí para residência real com a minha grande força e para a minha majestosa honra?” (Daniel 4:30)
No entanto, não mencionarei os problemas — que Dario, o Medo, não conquistou a Babilônia, mas sim Ciro, o Persa (Daniel 5:31; 6:28); que não há evidências arqueológicas ou históricas de um período de doença mental de Nabucodonosor (Daniel 4); que Belsazar nunca foi rei e não era parente de Nabucodonosor (Daniel 5:1-2). Esses detalhes complicariam a mensagem.

Problemas do Novo Testamento
Embora as partes posteriores do Antigo Testamento, e grande parte do Novo Testamento, sejam mais bem fundamentadas arqueologicamente, ainda existem algumas dificuldades.

O Evangelho de Lucas diz:
Naqueles dias, César Augusto decretou o recenseamento de todo o império para fins de impostos. Este foi o primeiro recenseamento, realizado quando Quirino era governador da Síria. (Lucas 2:1-2)
Sabe-se que Quirino foi governador da Síria em 6 d.C., muito tarde para o nascimento de Jesus. Várias explicações foram sugeridas: que Quirino era um administrador do censo, mas depois se tornou governador; ou que algum outro governador iniciou o censo, mas a compilação final dos dados só foi concluída durante o governo de Quirino; ou que Quirino serviu como governador em duas ocasiões distintas; e assim por diante. Mas nenhuma dessas hipóteses parece provável.
Outro problema com este censo é que não há evidências de que os governantes romanos exigissem que as pessoas se registrassem na cidade de suas terras ancestrais. Exigir uma migração tão massiva de pessoas para fins de contagem populacional parece extremamente improvável e é desconhecido em qualquer outro censo romano do qual tenhamos registros.

O Massacre de Bebês
O massacre de bebês em Belém também é desconhecido nos registros históricos fora da Bíblia. Isso é particularmente surpreendente, visto que temos um relato histórico da época escrito por Flávio Josefo, que, aliás, se esforçou bastante para registrar em detalhes os excessos de Herodes, o Grande, e vários outros massacres ocorridos na mesma época.
Cada problema isoladamente provavelmente pode ser explicado. Mas o acúmulo de anomalias no relato bíblico o torna cada vez mais suspeito.

Monoteísmo em toda a Bíblia
Como se observa na interpretação universalista da Bíblia, os compromissos teológicos muitas vezes levam a leituras anacrônicas das Escrituras. Os cristãos são monoteístas, mesmo que monoteístas trinitários. O problema é que o verdadeiro monoteísmo é raro na Bíblia. Quando surgiu sob influência persa por volta de 400 a.C., com Isaías 40-55, não perdurou por muito tempo.
A Bíblia é predominantemente henoteísta ( Êxodo 20:2-3 e 1 Coríntios 8:5 ). 
Monoteísmo significa "UM SÓ DEUS". Henoteísmo significa ser leal a um Deus que vive em meio a uma grande variedade de deuses. Henoteísmo significa que cada grupo étnico, ou mesmo cada subgrupo, presta lealdade ao seu próprio Deus supremo, sem negar que outros deuses existam como protetores celestiais de outros povos ( Juízes 11:24 ).
Os estudiosos Bruce Malina e Richard Rohrbaugh explicam que, nas Escrituras Hebraicas, a estrutura social da monarquia israelita servia como imagem teológica de Deus. Como essa monarquia se restringia a um único grupo étnico ou povo, a Bíblia apresenta o henoteísmo em vez do monoteísmo. Sendo assim, uma vez que se tratava de uma monarquia confinada a um único grupo étnico, a visão bíblica de Deus é predominantemente henoteísta, e não monoteísta. Uma vez que o homem que reinava em Israel era apenas um rei entre muitos reis, o Deus de Israel era visto como um Deus entre muitos deuses, mesmo sendo o supremo.

Igreja e Estado 
É quase infalível. Sempre que um cristão fundamentalista ocidental do século XXI fala sobre a história de Jesus sendo posto à prova quanto ao pagamento de impostos a César "Marcos 12:13-17 - Mateus 22:15-22 - Lucas 20:20-26", ela é distorcida e transformada em uma prescrição bíblica sobre como Igreja e Estado devem se relacionar. Para os ocidentais do século XXI, a religião, assim como os laços familiares, a política e a economia, é uma instituição social fundamental. Hoje, as pessoas discutem sobre a separação entre religião e política, um fenômeno que surgiu no século XVIII. Isso se infiltra na Bíblia por meio de anacronismos.
O camponês Jesus do Mediterrâneo do primeiro século desconhecia nossas perspectivas do século XXI. Igreja e Estado, e sua separação, seriam completamente estranhos para ele. A religião do Mediterrâneo antigo não possuía uma existência institucional separada no sentido moderno. A religião antiga era um sistema abrangente de significados que unificava os sistemas políticos e de parentesco em uma visão completa.
Para Jesus e todos os seus contemporâneos, a religião não era concebida como um sistema fechado, dotado de uma teoria prática específica e uma estrutura organizacional distinta. Em vez disso, a religião do primeiro século estava inserida e inextricavelmente ligada aos sistemas de parentesco (por exemplo, ancestralidade) e de pólis (por exemplo, templo, messias, teocracia). A religião antiga era, portanto, política (Templo; Império) ou doméstica (Lar).
Então, como Jesus poderia estar falando sobre manter Igreja e Estado separados ao questionar o pagamento de impostos ao Imperador? Tal distinção e prescrição futuras não fariam sentido para ele! Portanto, nossa familiaridade com essa história deve ser espúria e anacrônica!

Universalismo Bíblico 
Pergunte a qualquer cristão sobre Jesus e Paulo e provavelmente ouvirá que suas preocupações eram universais, ou seja, para toda a humanidade. Para nós, cristãos do século XXI, Jesus, Paulo e os Doze eram universalistas com preocupações globais. Esses homens buscavam evangelizar o mundo inteiro e converter todos ao cristianismo.
A Bíblia, e até mesmo os Evangelhos, pintam um quadro muito diferente. O Novo Testamento foi escrito por, para e sobre israelitas. O interesse e o foco do Jesus pré-pascal eram a renovação do Israel do primeiro século na teocracia israelita. Como os estudiosos do contexto explicaram, declarações como o preceito de Mateus 28:19, “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações…”, são de alto contexto. Os discípulos estão sendo ordenados a ir aos israelitas que vivem entre todos os povos, não aos não israelitas! Antes disso, na narrativa de Mateus, a missão se limitava apenas às terras dos israelitas bárbaros (Mateus 10:5).

Declarações da Ciência Bíblica
Livrarias cristãs estão repletas de livros sobre nutrição bíblica e vida saudável, assuntos que pertencem ao nosso mundo contemporâneo, dominado pela ciência. Essas livrarias também oferecem livros que afirmam que a Bíblia fornece a ciência correta no que diz respeito à idade da Terra e aos detalhes da origem humana. Muitos desses livros alegam que a Bíblia é um "texto cientificamente preciso".
Somos filhos de uma história imensamente complexa. No Ocidente do século XVIII, o foco se voltou para a natureza (ou seja, a homogeneidade) e a regularidade. Começamos a testar o mundo empírico ao nosso redor com a expectativa de obter resultados consistentes e quantificáveis. Essa foi a época da busca pela episteme, onde a razão pura se tornou a autoridade dos "Iluministas". A generalidade e a uniformidade da experiência humana foram enfatizadas nesses tempos pós Iluminismo. Sofremos com uma enorme ressaca dessa época.
A nossa cultura é a única que não consegue distinguir a verdade dos fatos. Embora todos os fatos sejam verdadeiros, nem todas as verdades são verdades factuais. A nossa é uma cultura que defende que as únicas verdades são aquelas comprovadas pela ciência. Influenciados por essas normas culturais, os fundamentalistas sentem a necessidade de provar a Bíblia com uma precisão científica rigorosa. Em vez de ser inerrante do ponto de vista da salvação, a Bíblia deve ser inerrante do ponto de vista cognitivo!
Não pensem que o fundamentalismo está excluído dos círculos católicos e evangélicos, que apenas “outros cristãos” podem ser fundamentalistas. O fundamentalismo católico/evangélico é muito real. Já ouvi pastores e padres discursando sobre como temos “provas científicas” de que realmente existiram os Três Reis Magos. Ou pregando sobre como os “milagres eucarísticos e da santa ceia” apresentam “provas científicas” sobre o ensinamento da Igreja acerca da Presença Real e do Sacerdócio. E não consigo contar quantas palestras já ouvi de católicos afirmando que o Sudário de Turim prova cientificamente a Ressurreição de Jesus. O sem pelagianismo não deveria ter desaparecido com o Segundo Concílio de Orange 529? Então!

Leis físicas que governam o universo nas Escrituras
Será que alguém pode realmente saber o que a Bíblia significa antes de entender o que ela significava (ou seja, o que significava para seus autores originais)? "De jeito nenhum!" deveria ser a resposta óbvia, e a Autoridade Pastoral da Igreja concorda ao explicar que o Sentido Literal das Escrituras vem em primeiro lugar.
Os leitores ocidentais da Bíblia enfrentam um grande problema ao ler os Evangelhos, pois os abordam com uma bagagem conceitual completamente alheia ao mundo antigo. Por exemplo, acreditamos em “leis da natureza” ou “leis físicas que governam o universo”. Portanto, quando observamos Jesus realizando feitos extraordinários e sobre-humanos nas histórias dos Evangelhos, sejam eles factuais ou ficcionais, declaramos esses atos como “milagres”. E definimos “milagre” como “uma violação das leis da natureza”.
Nossos ancestrais bíblicos na fé não viam a realidade como nós a vemos. Eles não reconheciam nada como "leis físicas que governam o universo". Portanto, não há nenhuma palavra na Bíblia que possa ser traduzida adequadamente como milagre. Assim como não se pode ter o conceito de "triângulo" sem antes conceber logicamente o de "ângulo", não se pode conceber "violar as leis da natureza" sem antes ter o conceito de "leis da natureza".
É por isso que a Bíblia Hebraica e o Novo Testamento Grego falam de maravilhas e prodígios, nunca de milagres. Lendo os Evangelhos com respeito, vemos que Jesus realizou “feitos poderosos” (dynameis) e, no Quarto Evangelho, “sinais” (semeia) e “obras” (ta erga). Mas nenhum texto do Novo Testamento afirma que ele infringiu quaisquer “leis físicas que governam o universo”.
John Pilch sabiamente disse: "Milagre é uma palavra interessante para o período pós Iluminismo". Assim como acontece com "sobrenatural", toda vez que alguém atribui um "milagre" ao mundo e aos personagens da Bíblia, está cometendo um anacronismo. Não há milagres na Bíblia. Tais violações das leis físicas que governam o universo eram desconhecidas no Mediterrâneo antigo.

O que devemos esperar da História e da Arqueologia?
Alguns apologistas bíblicos fazem questão de salientar que não se deve esperar que a Bíblia siga os padrões modernos da narrativa histórica. Concordo. Mas isso não dá aos autores bíblicos licença para inventar coisas como a origem dos instrumentos musicais ou o uso de camelos. Poderia justificar o uso de nomes de lugares posteriores na jornada do Êxodo, mas a maioria dos outros elementos mencionados neste capítulo não são simplesmente relatos imprecisos segundo os padrões modernos. Em vez disso, parecem fazer parte de uma história imaginada, criada por razões ideológicas.
Além disso, se permitirmos exageros e uma grande dose de imaginação histórica, a narrativa perde toda a sua força. Se não podemos acreditar que instrumentos musicais foram tocados pela primeira vez oito gerações depois de Adão (Gênesis 4:21), por que deveríamos acreditar nas maldições descritas no capítulo anterior? Se não podemos acreditar que Abraão veio de Ur dos Caldeus, por que deveríamos acreditar nas promessas que Deus fez a Abraão? As mensagens do evangelho do Novo Testamento dependem da confiabilidade e precisão dessas maldições e promessas, e uma vez que a historicidade do texto bíblico não pode ser presumida, a mensagem do evangelho também não pode ser crida.
É crucial não aplicar os valores, conceitos ou conhecimentos atuais a contextos históricos antigos para uma leitura mais precisa. E entender que a Bíblia foi escrita por humanos em contextos específicos, e que interpretações modernas podem ser anacrônicas (como ligar o "sangue de Jesus" a uma função biológica moderna, em vez de seu significado sacrificial). 

Anacronismos dificultam a compreensão das Escrituras
O anacronismo é uma praga generalizada que impede milhões de cristãos ocidentais de compreenderem a Bíblia ou Jesus. 
Anacronismo e leitura da Bíblia formam um casal infeliz, cujo filho é a ignorância.
Ao refletirmos sobre essas questões, chegamos à triste realidade da grande maioria dos estudos bíblicos católicos e evangélicos oferecidos em lares, paróquias, centros católicos, círculos de orações, consagrações, vigílias, catequeses, escolas dominicais e redes sociais & afins.
O anacronismo torna o estudo das Escrituras impossível.
Existem cinco grandes obstáculos, abusos que impedem o estudo das Escrituras, por mais que afirmemos o contrário. Esses cinco problemas são generalizados nos círculos católicos. São difíceis de perceber, muito menos de erradicar. São eles: anacronismo, etnocentrismo, fundamentalismo, ignorância genuína e estupidez sincera.



FARSA DAS MURALHAS DE JERICÓ

 


O relato bíblico alega que os Hebreus derrubaram a muralha de Jericó com sete sacerdotes tocando trombetas (chifres de carneiros) e levando também a Arca da Aliança, com sigo: 

"E sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca, e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. Josué 6:4"

"Então Josué, filho de Num, chamou os sacerdotes e disse-lhes: Levai a arca da aliança; e sete sacerdotes levem sete trombetas de chifres de carneiros, adiante da arca do Senhor. Josué 6:6"


E o povo iria, ajudando na sonoridade, gritando, para o barulho, abalar as estruturas do muro:

"E será que, tocando-se prolongadamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido da trombeta, todo o povo gritará com grande brado; e o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá por ele, cada um em frente. Josué 6:5"


Os guerreiros iam adiante, fazendo o pelotão de infantaria avançada:

"Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Josué 6:3"

"E disse ao povo: Passai e rodeai a cidade; e quem estiver armado, passe adiante da arca do Senhor. Josué 6:7"


Todo o povo, deveria fazer isso por seis dias consecutivos:

⁸ E assim foi que, como Josué dissera ao povo, os sete sacerdotes, levando as sete trombetas de chifres de carneiros diante do Senhor, passaram e tocaram as trombetas; e a arca da aliança do Senhor os seguia.

⁹ E os homens armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as trombetas; e a retaguarda seguia após a arca; andando e tocando as trombetas iam os sacerdotes.

¹⁰ Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis.

¹¹ E fez a arca do Senhor rodear a cidade, contornando-a uma vez; e entraram no arraial, e passaram a noite no arraial.  Josué 6:8-11


E enfim, cai a grande Jericó, com sua colossal muralha:

"E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade. Josué 6:16"

"Gritou, pois, o povo, tocando os sacerdotes as trombetas; e sucedeu que, ouvindo o povo o sonido da trombeta, gritou o povo com grande brado; e o muro caiu abaixo, e o povo subiu à cidade, cada um em frente de si, e tomaram a cidade. Josué 6:20"


Dados da Extraordinários Muralha

As muralhas de Jericó tinham cerca de 4 a 6 quilômetros de comprimento e uma altura de 9 a 12 metros, com  3,50 metros de espessura, isso é baseado em muralhas da época. 

As muralhas de Jericó eram um complexo sistema de fortificação, consistindo em um muro de contenção de pedra na base e, sobre ele, um muro de tijolos de barro, formando uma estrutura forte, com uma segunda muralha ainda mais alta protegendo a cidade interna, construída ao longo de milênios com pedra e tijolos, sendo um exemplo da engenharia defensiva antiga. 


Tamanho da População dos Hebreus

De acordo com a narrativa bíblica, o tamanho total da população de hebreus que participou da conquista de Jericó não é especificado, mas o livro de Josué menciona que cerca de 40.000 homens armados estavam prontos para a batalha e cruzaram o Rio Jordão em direção às planícies de Jericó. 

A Bíblia relata que a população total de israelitas, incluindo homens em idade de lutar, mulheres e crianças, era de aproximadamente 600.000 homens, o que pode chegar a um total de 2 a 3 milhões de pessoas, embora esse número seja objeto de debate entre historiadores e arqueólogos. No entanto, nem todos participaram diretamente do cerco de Jericó, que envolveu uma estratégia específica liderada por Josué, com a arca da aliança e sacerdotes à frente. 


Agora, vamos pensar um pouco...

Como sete sacerdotes, tocando sete berrantes cada um, e um amontoado de gente gritando, pode derrubar um muro como este?

Resposta: Pelo poder de Deus. O problema da religião é simplificar tudo, utilizando a frase "poder de Deus" ou "vontade de Deus"

Segundo a teologia cristã, o foco principal da história bíblica não é o número de pessoas, mas sim a intervenção divina que causou a queda das muralhas após o povo marchar ao redor da cidade por sete dias. 


Arqueologia

Desde o século XIX, Tell es-Sultan tem sido identificado como o local da antiga Jericó. Os estudiosos chegaram a essa conclusão com base em sua localização no Vale do Jordão e na presença de uma nascente natural, que a Bíblia afirmava estar próxima da cidade. 

A primeira equipe a escavar as ruínas da cidade foi liderada por Charles Warren, em 1868. Mas, após nada encontrarem além de terra e tijolos de barro, os pesquisadores desistiram. Quarenta anos mais tarde, novas escavações foram feitas em Jericó. 

Os arqueólogos alemães, guiados por Ernst Sellin e Carl Watzinger, desenterraram parte do muro e de casas da cidade entre os anos de 1907 e 1909. Nada acharam que pudessem considerar como resultado do ataque de Josué. 

Entre 1930 e 1936, John Garstang, da Universidade de Liverpool, após algumas semanas de escavações, surpreendeu o mundo. Ele encontrou tijolos de barro e os restos de uma muralha antiga que teriam sido destruídos por um terremoto que ajudou na conquista do local por Josué. Segundo ele, esses achados estavam relacionados com a conquista de Josué, o que provaria a historicidade da narrativa. Alan Millard destaca que Garstang teria encontrado dois muros, paralelos, com um espaço de 4,5 metros entre eles. A ideia era de que um dia houve construções assentadas sobre o topo desses muros, e um violento incêndio arrasou a cidade. Segundo Garstang, isso aconteceu por volta de 1400 AEC.

Alguns anos depois, Garstang solicitou à arqueóloga britânica Kathleen Kenyon que verificasse novamente os resultados de suas pesquisas. Em 1952, Kenyon iniciou sua jornada de escavações, que duraram até 1958.  Ela chegou a conclusões diferentes das de Garstang, que tinha datado seu achado por volta de 1400 AEC, enquanto Kenyon os datou por volta de 1550 AEC. Ela atribuiu a destruição de 1550 AEC à atividade egípcia, associada à expulsão dos hicsos e aos primórdios da hegemonia do Egito na região. Evento que confirma sua tese, pois a expulsão dos hicsos do Egito ocorreu por volta de 1550 a.C., marcando o fim do Segundo Período Intermediário e o início do Império Novo. 

Uma descoberta que foi posteriormente confirmada pela datação por radiocarbono realizada na década de 1990. Os israelitas, por outro lado, supostamente conquistaram a cidade centenas de anos depois. Mas a data da destruição de Jericó não foi a única coisa que as escavações de Kenyon confirmaram. Ela descobriu que um grande incêndio consumiu a cidade na época de sua destruição, em 1550 a.C., mas o que o causou? 

Após sua destruição, essa cidade foi desocupada por vários séculos e então reocupada brevemente durante a Idade do Bronze Final. A arqueóloga baseou-se, em grande medida, no fato de não haver encontrado cerâmica cipriota no local, o que justificaria sua datação.  As paredes da cidade foram datadas por ela como sendo pelo menos mil anos mais antigas do que a época de Josué. Kenyon confiou fortemente na ausência de cerâmica cipriota para sua datação, porém Garstang encontrou fragmentos desse tipo.  As análises mais recentes de ativações de nêutrons mostraram que esse tipo de cerâmica era de produção local e não importado. Essa evidência ainda sugere que os oleiros em Jericó ou em torno conheciam esse tipo de cerâmica.

A questão envolvendo a extensão da conquista é complicada, pois, ao mesmo tempo que o texto de Josué diz que a “terra toda” fora conquistada, também diz que os israelitas não puderam conquistar toda a terra (Js 11:23; 13). As narrativas do livro de Juízes apresentam inúmeros conflitos entre os israelitas e seus vizinhos na terra. Em Juízes 11:26 encontramos um diálogo de Jefté com o rei de Amom no qual o leitor é informado de que os israelitas já estavam há 300 anos na terra; Jefté tem sido datado em 1100 AEC. Se assim for, os israelitas chegaram na terra em torno de 1400 AEC, data aproximada para a conquista de Jericó, e durante todo esse período houve conflito com os demais moradores da terra.  Assim, a conquista da terra não deve ser vista como momentânea e completa, antes, foi uma conquista gradual que levou centenas de anos.


Dominação Egípcia

Egito controlava Canaã durante a Idade do Bronze Final (1550-1200 AEC) e tinha guarnições lá, não há menção de atividade israelita na esfera de influência do Egito, e por que não há referência no livro de Josué para a presença das forças egípcias. 

Os egípcios começam sua saga de conquistas com Amósis, por volta de 1540 AEC, quando este expulsa os hicsos das terras egípcias.  Pouco mais tarde, sob a liderança de Tutmósis III, aproximadamente 1490-1436 AEC, o Egito atinge o ápice de seu poder. Durante esse tempo, o seu império estendeu-se para o Norte até uma linha que ia aproximadamente do Eufrates até o afluente do Oriente, e para o Sul até a Quarta Catarata do Nilo, na Núbia.

Após esse período de conquistas militares, o controle egípcio sobre a região era indireto; os pequenos reis pagavam tributos ao faraó, e, ao que tudo indica, esses tributos eram pesados ao ponto de eles não poderem fortificar suas cidades. As cartas de Tell El-Amarna nos informam de que apenas três centros siro-palestinos eram sede dos governantes egípcios: Gaza, na costa meridional; Kumidi, na Beq’a libanesa; e Sumura, na costa setentrional. Ainda devemos observar que não mais do que 700 pessoas estavam responsáveis pela gestão desse “império”.

Assim, o Egito começa suas conquistas de forma avassaladora, mas isso não continua mais tarde.  Em outras palavras, durante o período em que os israelitas buscam conquistar alguns territórios, o Egito não tinha uma presença forte em todos os locais. As cartas de Tell El-Amarna exibem queixas de reis que estariam sendo alvo de um grupo chamado ‘apiru. Há amplo debate sobre a identidade desse grupo: alguns eruditos veem uma relação semântica   com   a   palavra hebreus, enquanto outros não. 

Um trecho de uma carta reflete bem essa realidade: Carta 286: (1-4) Fala ao rei, meu senhor; assim ʿAbdi-Ḫeba, teu servo: aos pés do meu senhor, o rei, sete vezes e sete vezes caí. (5-8) O que fiz ao rei, meu senhor? Eles estão me difamando; estou sendo caluniado perante o rei, meu senhor: “ʿAbdi-Ḫeba abandonou o rei, seu senhor.” (9-15) Olha, quanto a mim, nem meu pai nem minha mãe me colocaram neste lugar. O braço forte do rei me colocou na casa de meu pai. Eu (de todas as pessoas) cometo um crime contra o rei, ‹meu› senhor? (16-24) Enquanto (enquanto) o rei, meu senhor, direi ao comissário do rei, meu senhor: “Por que você ama os ʿapîrue e odeia a cidade [governantes]?”  Assim sou caluniado na presença do rei, meu senhor, porque estou dizendo: “Perdidas estão as terras do rei, meu senhor”, assim sou caluniado ao rei, meu senhor. [...] Os homens ʿapîru saquearam todas as terras do rei. Se existem tropas regulares neste ano, ainda haverá terras do rei, ‹meu› senhor. Mas se não há tropas regulares, as terras do rei, meu senhor, estão perdidas. (61-64) [Para o escriba do rei, meu senhor, assim ʿAbdi-Ḫeba, seu [servo]: “Apresente palavras eloquentes ao rei, meu senhor; [todas] as terras do rei, meu senhor, estão perdidas!” (SCHNIEDEWIND, 2015 et al., p. 1.108-1.110).

Parece realmente razoável que existam relações entre os hebreus e os ‘apiru, porém não se pode argumentar que todos os ‘apiru fossem hebreus.

Entrando no mérito da questão, os arqueólogos normalmente não escavam para provar nada da Bíblia, mas para encontrar a verdade sobre um sítio. Os arqueólogos que se deixam influenciar por convicções religiosas como Rodrigo Silva exemplo, normalmente partem de um princípio errado.

Na verdade, ninguém sabe bem quando os judeus chegaram (ou se chegaram) na Terra Prometida. Não há um registro histórico preciso que ateste esse evento. Normalmente a data mais comum entre os exegetas é aquela de 1.200 antes de Cristo, mas essa certeza não existe.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O DEUS DE ISRAEL TEM CHIFRES?

 


Este é o Deus original de Isra-El, o Deus semiótico Pai El com chifres de touro e tudo mais. Sua Bíblia afirma que Abraão não conhecia Yahweh, ele só conhecia El-Shaddai [ver Êxodo 6,2-4]. Então quem é El? ” A palavra ‘il é usada mais de 500 vezes nos textos de Ugarit. O uso mais óbvio da palavra é o nome do Deus patriarcal divino, que era o chefe do panteão. El tem um papel de pai (‘ab) do panteão e da humanidade. Ele está sentado diante do conselho divino (a família de El) como seu chefe [ver Salmo 82 & Deuteronômio 32,8]. Ele é retratado como sendo idoso e barbudo e é frequentemente chamado de “o sem idade” ou “pai dos anos”. Ele age como uma ajuda tanto para os Deuses menores quanto para a humanidade. Curiosamente, El também é visto como o criador em um texto hurriano-hittita descoberto na Anatólia. El senta-se no trono com sua consorte e esposa Athirat, ou a Asherah bíblica em hebraico, a “Progenitora dos Deuses”. Os atributos de El como um pai bondoso são expressos na frase “El bondoso, o Compassivo”. Outro epíteto importante associado a El é o de “Boi”, encontrado em quase todos os textos mitológicos ou épicos. ” – (Robinson, Jed. ” The God of the Patriarchs and the Ugaritic Texts: A Shared Religious and Cultural Identity”. Studia Antiqua 8, no. 1 (2010)). Veja a foto mencionando El como um homem velho, é uma tradução do Texto do ugarítico Ciclo de Baal. Ba’al era um filho de El no panteão cananeu. Baal, os “Baalim” e Asherah foram adorados pelos israelitas na Bíblia também no devido tempo [ver 2 Reis 17,16].

Texto da Doutora em Teologia, escritora, professora, linguista e teóloga, Angela Natel. Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Doutora em Teologia Exegese e interpretação da Bíblia) pela PUCPR. 

Link do Site: https://angelanatel.wordpress.com/2023/12/15/el-o-deus-de-israel/


El como "Touro El" (Shor El)

No panteão cananeu (especialmente nos textos de Ugarit), El era frequentemente chamado de Shor El (ou Thoru El), que significa literalmente "Touro El". Este título simbolizava sua força, supremacia como deus pai e poder gerador.

Em estatuetas e relevos da Idade do Bronze e do Ferro, El é comumente representado como um patriarca entronizado usando um tocado adornado com chifres de touro, que eram símbolos universais de autoridade divina e proteção no Antigo Oriente Próximo.

O culto ao "bezerro de ouro" (como o mencionado no Êxodo ou por Jeroboão I) é frequentemente interpretado por estudiosos como uma representação física de El (ou de sua fusão posterior com Yahweh), usando o touro como um pedestal ou símbolo de sua presença. 

Na Bíblia, Deus é comparado à força de um touro selvagem, especialmente em passagens que descrevem o poder e a libertação de Israel do Egito, como em Números 23:22 e 24:8, e na bênção de Moisés a José, onde seus filhos são vistos como chifres de touro selvagem, simbolizando sua força para lutar e subjugar inimigos, como em Deuteronômio 33:17. A imagem do touro selvagem (ou boi selvagem) representa uma força imponente, indomável e divina, usada para descrever tanto o poder de Deus quanto a força do povo de Israel. 


Referências Bíblicas ao "Touro Selvagem"

Números 23:22: Deus os tirou do Egito; ele tem a força de um boi selvagem (ou touro selvagem, dependendo da tradução).

Números 24:8: Deus o tirou do Egito; as suas forças são como as do boi selvagem; consumirá as nações, seus inimigos, e quebrará seus ossos, e com as suas setas os atravessará. 

Deuteronômio 33:17: Refere-se aos "chifres de um boi selvagem" como símbolos de majestade e poder para ferir nações.

Salmos 92:10: "Tu aumentaste o meu poder como o do boi selvagem". 


Essas metáforas refletem uma continuidade cultural onde o touro selvagem em hebraico, muitas vezes traduzido como auroque (boi selvagem ou primitivo ou unicórnio em versões antigas), representava a força indomável e a glória da divindade.

Teologias à parte, a questão é que, na época em que foi escrito o texto, é a questão da influência estrangeira na cultura hebraica desde os primórdios do nascimento da religião dos hebreus.

O estrangeirismo religioso revela que os hebreus, como todos os povos do planeta, fabricaram suas crenças, religião e teologia, a partir de povos que estavam ao seu redor e povos antigos, o que é muito comum na história antropológica de nosso planeta.

O problema é a forçação de barra que os religiosos fazem para manipular os textos, dizendo que Deus é uma entidade originária do povo hebreu, o que não é verdade,  cometendo desonestidade intelectual.