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segunda-feira, 12 de maio de 2025

COLORISMO À BRASILEIRA

 


No Brasil temos um grave problema chamado Colorismo.

O colorismo é um sistema de classificação social que determina como as pessoas devem ser lidas socialmente de acordo com o tom da pele e outras características. Ele pode acontecer nas relações entre pessoas de todas as cores, dependendo muito da história local. Essa forma de discriminação é baseada na tonalidade da pele e em outros traços físicos. Ela afeta a vida dos indivíduos porque ajuda a perpetuar desigualdades, prejudica a autoestima e impede o acesso a oportunidades.

No Brasil, o colorismo é amplamente discutido nas redes sociais e nas discussões políticas acerca do lugar de pessoas negras de pele clara, ou “pardas”, na população brasileira. Apesar de serem parecidos, o racismo e o colorismo apresentam diferenças importantes de ser explicadas. Todavia, assim como o racismo, o colorismo afeta negativamente a autoestima, o acesso a oportunidades e a saúde mental das pessoas negras.

O negro brasileiro é a única raça que tem 6 nomenclaturas para se referir a sua cor de pele, isso é feito para justamente confundir o já confuso grupo dos pretos brasileiros e serve também para segregar o já desunido povo brasileiro descendente de africanos.

Não existe tantas diferenciações assim com outros grupos humanos.

O ganês, Nabby Clifford, considerado embaixador do reggae no Brasil, país onde reside desde 1983 fez um vídeo sobre o que ele havia percebido a respeito do uso das palavras negro e preto no vocabulário dos brasileiros. O vídeo, na época, alcançou 6 milhões de visualizações, e mais de 200 mil compartilhamentos. Nele, o cantor constatou que:


“Um país, o Brasil, usa palavras como lista negra, dia negro, magia negra, câmbio negro, vala negra, mercado negro, peste negra, buraco negro, ovelha negra, a fome negra, humor negro, seu passado negro, futuro negro (…). Pega o dicionário de língua portuguesa, está escrito: negro quer dizer infeliz, maldito. Brasileiro quando valoriza alguma coisa não fala negro, ele fala preto.”


Então, de acordo com a interpretação apresentada por Clifford, os brasileiros, quando querem emitir juízos negativos normalmente associam ao uso do termo negro, como nos exemplos citados acima, e quando o juízo é positivo convencionou-se o uso do termo preto, para ele, o brasileiro:


“Ele não come feijão negro, come feijão preto, o carro dele não é carro negro, o carro dele é carro preto, ele não toma café negro, toma café preto, a fome é negra, quando ganha na loteria, ganha uma nota preta. Se branco não é negativo, preto também não é negativo.”


Tal observação, inevitavelmente, esbarra na discussão a respeito do colorismo, que compreende “a maneira pela qual compreendemos a condição negra, inferiorizada e subjugada ao branco; mas também tem como solução a compreensão dessa mesma condição negra, desde que liberta de sua grade racista.”


Mameluco

Do Árabe; escravo, servo, criado, pajem, empregado.

Aqui no Brasil a palavra era esada  para descrever os filhos de portugueses e indígenas, que eram vistos como uma espécie de "mistura" ou "combinação" de diferentes grupos étnicos. E também era usada pela ideia de que esses indivíduos eram vistos como "servos" ou "dependentes" dos colonizadores portugueses.


Moreno

A palavra "moreno" vem do latim "Maurinus", que significa "de cor escura" ou "marrom". No entanto, no contexto da língua portuguesa, "moreno" é usado para descrever uma pessoa com pele escura ou morena, especialmente em relação à cor da pele.

A  palavra "moreno" tem origem relacionada à Mauritânia. A palavra "mouro" (que é a raiz de "moreno") era usada pelos europeus para se referir aos povos do Norte da África, incluindo a Mauritânia, e tinha a conotação de "pele escura" ou "africano". 


Esse nome, originou o nome Maurício

O nome próprio "Maurício" tem origem latina, derivado de "Mauritania" ou "Maurus", que significam "mouro" ou "da Mauritânia". A Mauritânia era uma região do Norte de África, que se referia a pessoas de pele escura ou berberes. Assim, "Maurício" era originalmente um nome que indicava a origem ou a aparência física de alguém. 

No Brasil, o termo "moreno" é comumente usado para descrever pessoas com pele morena ou escura, e pode ser usado de forma positiva ou neutra. No entanto, é importante notar que a classificação racial e étnica no Brasil é complexa e envolve muitos fatores, incluindo a cor da pele, a ascendência, a cultura e a identidade.


Mulato

A palavra "mulato" vem do árabe "Muwallad", que significa "pessoa de ascendência mista" ou "mestiço". No entanto, no contexto da língua portuguesa, "mulato" se refere a uma pessoa de ascendência mista, especialmente de africanos e europeus.


Preto

A palavra "preto" vem do latim "precttus" derivado de pressus, que significa "apertado, denso, comprimido, negro, escuro" e "niger", que significa "negro" ou "de cor escura".


Negro

A palavra "negro" tem origem etimológica no latim "niger", que significava "preto" ou "escuro".


Pardo

A palavra "pardo" é sinônimo de "escuro"  é uma mistura de marrom e cinza, sendo assim, uma pessoa de pele escura.

O IBGE sabiamente usa de malandragem social para não declarar o fato de que a maioria das pessoas que nascem no Brasil é negra, preta, escura, usando o termo Pardo para dizer que a maioria da população não é preta, temos uma gambiarra social, que malandramente é distorcido e apoiado pela grande mídia.






sábado, 10 de maio de 2025

OS PAÍSES NÓRDICOS SÃO COMUNISTAS?

 


Os países nórdicos: Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia, são frequentemente citados em discussões sobre socialismo, mas essa representação é uma interpretação significativamente equivocada de seus sistemas econômicos e sociais atuais. Esta extensa análise visa dissecar o modelo nórdico em profundidade, revelando sua essência capitalista, o uso sofisticado da receita tributária e as razões sutis por trás de sua rotulagem errônea comum como socialismo.

Repetidamente, os líderes das nações nórdicas declararam seu compromisso com o capitalismo e uma economia de livre mercado, distanciando-se do socialismo. Apesar dessas declarações claras, continua havendo uma tendência recorrente de indivíduos rotularem incorretamente esses países como exemplos de modelos socialistas. Essa rotulação errônea persistente ignora as posições econômicas explícitas que esses países adotaram, levando a uma compreensão distorcida de seus sistemas econômicos reais.

O melhor que você pode fazer é chamá-la de social-democracia baseada no capitalismo.


Mas o que é Social-Democracia?

A social-democracia é uma ideologia política que busca combinar os princípios da democracia com os objetivos da justiça social e da igualdade econômica.

A social-democracia defende a ideia de que a economia deve ser regulada pelo Estado para garantir a justiça social e a igualdade de oportunidades para todos. Isso pode incluir políticas como:

- Regulação da economia para proteger os trabalhadores e o meio ambiente

- Investimento em serviços públicos, como educação e saúde

- Redistribuição de renda e riqueza através de impostos e benefícios sociais

- Proteção dos direitos dos trabalhadores e promoção da negociação coletiva


A social-democracia também defende a democracia participativa e a inclusão de todos os cidadãos no processo político. Isso pode incluir políticas como:

- Fortalecimento da democracia representativa e participativa

- Proteção dos direitos humanos e das liberdades civis

- Promoção da igualdade de gênero, raça e orientação sexual


Diferenças com o Socialismo

A social-democracia é diferente do socialismo em alguns aspectos importantes. Enquanto o socialismo busca abolir a propriedade privada e estabelecer uma economia planificada, a social-democracia busca regular a economia e promover a justiça social dentro do sistema capitalista.

A social-democracia também é diferente do liberalismo, pois enfatiza a importância da intervenção estatal na economia e da proteção dos direitos sociais.

Não são só os Países Nórdicos como Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlânida que são Soiais-Democratas, a Alemanha, Canadá e Austrália também são, e não me admira de todos estes países serem lugares bons para se viver.

A questão é que social democracia é, em sua origem, uma variação do socialismo, surgida dentro do movimento operário ainda no século XIX. Hoje em dia, após mais de um século de evolução, essa corrente diverge do socialismo marxista, que busca substituir o sistema econômico capitalista (no qual os meios de produção estão nas mãos de indivíduos) pelo sistema econômico socialista (no qual os meios de produção são coletivizados).

A social democracia aceita o capitalismo, mas busca mitigar os efeitos desse sistema considerados adversos, por meio da política. Para isso, utiliza-se de intervenções econômicas e sociais e promove reformas parciais do sistema ao invés de substitui-lo por inteiro. Esse é um pensamento político atrelado à centro-esquerda e seus principais valores são a igualdade e a liberdade.

No campo político, a social democracia defende as liberdades civis, os direitos de propriedade e a democracia representativa, na qual os cidadãos escolhem os rumos do governo por meio de eleições regulares com partidos políticos que competem entre si.

No campo econômico, a social democracia encontrou nas teorias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) a combinação perfeita para aliar os interesses sociais à mitigação de aspectos considerados problemáticos do capitalismo, como crises periódicas e elevado desemprego. Dessa combinação surgiu o Estado de Bem-Estar Social.


CHEIKH ANTA DIOP - PROVA QUE O EGITO É NEGRO

 




Cheikh Anta Diop 1923-1986 foi um polímata senegalês formado em Física, Filosofia, Química, Linguística, Economia, Sociologia, História, Egiptologia, Antropologia, versado em diversas disciplinas como o racionalismo, a dialética, técnicas científicas modernas, arqueologia pré-histórica… Enfim, um homem que estudou as origens da raça humana, e a cultura africana pré-colonial. Ainda hoje ele é considerado como um dos maiores historiadores africanos do século XX. E foram estes conhecimentos que Diop utilizou para dar base à tese que iria defender mais tarde, que fala do Egito antigo, como uma civilização composta por pessoas negras.

Nascido no Senegal, Diop era proveniente de uma família aristocrática (rica) muçulmana Wolof (sendo educado em uma escola islâmica tradicional). Tais dados seriam úteis ao desenvolvimento de sua tese, e o jovem rapaz obteve o grau de bacharel, no Senegal, mudando-se depois para Paris, com intuito de realizar pós-graduação.

Na França o jovem senegalês irá defender uma tese revolucionária, que será rejeitada, pela universidade de Paris, mas, isso não vai deter Diop. Antes de prosseguir, frisa-se que Diop foi o primeiro egiptólogo africano. Certa vez ele afirmou ser “o único Preto Africano de sua geração, a ter recebido formação como um egiptólogo”, e “mais importante”, ele “aplicou esse conhecimento enciclopédico em suas pesquisas sobre a história Africana”.

Em 1954, Anta Diop defende uma tese de que o antigo Egito tinha sido povoado por pessoas negras. A publicação de suas ideias no livro – Unidas nègres et culture – fez dele um dos historiadores mais controversos do seu tempo.

Diop também era político, e a sociedade africana de sua época mostrava um ambiente de veemente busca pela restauração da identidade africana, que se alegava havia sido deformada pela escravidão e colonialismo. Inspirado por grandes nomes como Aimé Césaire, Diop engajou-se nesta luta, mas, sendo ele mesmo um literato, buscou reconstruir a identidade africana, do ponto de vista estritamente científico e sócio- histórico.

Cheik Anta Diop acreditava que a luta pelo renascimento cultural e político da África não teria sucesso sem que se reconhecesse o papel civilizador do continente, que data da antiga civilização egípcia.

Em 1947, Anta Diop iniciou suas investigações linguísticas, sobre o idioma wolof, que passaria a dominar de forma extensa. Em 1960, de volta ao Senegal, ele dirigiu o laboratório de radiocarbono do IFAN (Institut de l’Afriquefondamental Noire). Sem esquecer a imensa gratidão que entretinha por um antigo professor, Frédéric Joliot, que o acolheu em seu laboratório, no College de France. Neste quesito, ele iria desenvolver testes genético, vitais para comprovação de sua tese. O senegalês disse certa vez: “Na prática, é possível determinar diretamente, a cor da pele e, portanto, as filiações étnicas dos antigos egípcios, por análise microscópica, no laboratório”.

Depois disso, Diop publicou sua técnica e metodologia, um teste de dosagem de melanina, em diversas revistas acadêmicas. Ele usou esta mesma técnica, para determinar o teor de melanina das múmias egípcias.

Em 1974, Diop foi um dos cerca de 20 participantes, que estiveram na UNESCO, em um simpósio na cidade do Cairo, onde foi apresentada a sua teoria, para diversos especialistas em egiptologia. O simpósio conseguiu gerar um debate animado sobre o tema, ainda que, sem conseguir gerar consenso, sobre a validade de tais técnicas, em múmias sujeitas aos efeitos de embalsamamento e deterioração ao longo do tempo. Apesar do apoio de alguns especialistas, estas afirmações contundentes de Diop, acerca da população original do Delta do Nilo ser negra, e que tal condição permaneceu até o fim da independência do Egito, foram duramente criticadas por alguns participantes do simpósio. Em todo caso, o trabalho de Diop despertou questões importantes sobre o viés cultural inerente à pesquisa científica.

Diop mostrou de forma indelével e maciça, que os arqueólogos europeus, antes e depois da descolonização, tinham subestimado e continuam a subestimar a possibilidade de civilizações negras da antiguidade terem alcançado tremendo desenvolvimento, séculos antes que os europeus.

Descobertas do arqueólogo suíço Charles Bonnet lançaram luz sobre as teorias de Diop. Elas mostram estreitos laços culturais entre Núbia e o Egito Antigo. E ainda que, isso não implique, necessariamente, numa relação genética, entre estas nações, egiptólogos como F. Yurco notaram que os núbios eram etnicamente mais próximos dos egípcios, e compartilhavam a mesma cultura, no período pré-dinástico, além de usarem a mesma estrutura política. Estes dados são importantes para suas conclusões.

Pode-se dizer que, Cheik anta Diop sabia utilizar muito bem a arte da argumentação. Ele citou autores antigos. Para ilustrar sua teoria de que os antigos egípcios tinham o mesmos traços físicos dos modernos africanos negros (cor da pele, tipo de cabelo), citou, por exemplo, o historiador grego Heródoto. Este (o historiador grego) disse que os Colchians (Cólquida – atual Geórgia ) eram “pretos, com cabelos encaracolados”. Ele usou também sua interpretação de dados antropológicos (tais como o papel do matriarcado), que, somado a dados arqueológicos resultou na inevitável conclusão de que a cultura egípcia era uma cultura africana. Na linguística, ele mostrou, em particular, que o Wolof (falado na África Ocidental, Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali, República Dominicana, Mauritânia) está relacionada com o antigo idioma egípcio.

Mais tarde, as visões de Diop receberam apoio, e só eram tidas como controversas, possivelmente, por conta do então domínio do racismo científico (que é o uso de técnicas e hipóteses científicas e pseudo-científicas, para apoiar ou justificar a crença na inferioridade/superioridade racial).

Diop castigava estudiosos europeus que postulavam uma evolução separada de diversos tipos de etnias, e que negavam a origem africana do homo sapiens. Hoje sabemos que toda a humanidade é proveniente da África.

Estudiosos como Bruce Trigger condenaram os acadêmicos tendenciosos, ao declarar que os povos da região (incluso Egito) eram todos africanos. Portanto, evidencia-se aqui, a sua desaprovação aos homens responsáveis por dizer quais teses devem ser aprovadas ou rechaçadas nas universidades e revistas cientificas, até porque, os parâmetros utilizados para tal, eram marcados por uma confusão de raça, língua e cultura, e por um racismo que os acompanha. As conclusões de egiptólogos como Frank Yurco, são as de que os egípcios, núbios, etíopes, somalis, etc, eram uma população uniforme, localizada no vale do Nilo.

Sobre uma postagem que fizemos, em 29 de julho de 2015, com o título: “O Legado Roubado – Stolen Legacy (livro)”, temos um ponto interessante, na visão de Diop. Ele sustenta que os gregos aprenderam de uma civilização egípcia superior, e isso não quer dizer que a cultura grega é simplesmente uma derivada do Egito. Ao invés disso, ele vê os gregos como componentes de um “berço do norte”, distintamente crescendo fora de certas condições climáticas e culturais. Tal pensamento, portanto, não é o mesmo que o argumento do “Stolen Legacy”, livro de George James ou o “Black Athena ” de Martin Bernal.

Talvez você pergunte: por que saber tais coisas é importante? Porque o racismo ainda existe, e porque a África é o berço das ciências, mas, é considerada inferior, por versões erradas, propagadas desde as eras de escuridão do darwinismo social. Sugiro então, que você leia a postagem: “A Ciência Não é Branca”, do dia 18 de outubro de 2015, e também a: “Educação imaginativa e histórica – Eurocêntrica”, do dia 18 de agosto de 2015.

Sobre linguistica: Diop dedicou a maior parte de seus estudos para a análise das semelhanças estruturais entre as linguagens modernas africanas, o Wolof e o idioma egípcio antigo. Não abordaremos o assunto para não ficar demasiado cansativo, sugiro então, que você leia a matéria na íntegra, na fonte descrita ao final deste texto.

Sobre genética: as teorias de Anta Diop têm sido apoiadas por um número de estudiosos que mapeiam os genes humanos, por meio de técnicas modernas de análise de DNA. Diop identificou um fenótipo preto, que se estende desde a Índia, Austrália até a África, com semelhanças físicas em termos de pele escura, e uma série de outras características. E por que os traços físicos são importantes? Porque a raça é uma categoria relevante, e fenótipo ou aparência física é o que importa nas relações sociais históricas, explicou Diop. veja:

“Se falar apenas do genótipo, eu posso encontrar um negro que, ao nível de seus cromossomos, está mais perto de um sueco. Mas o que conta, na realidade, é o fenótipo. É a aparência física que conta. Ao longo da história, é o fenótipo que é levado em questão, e não devemos perder de vista este fato. O fenótipo é uma realidade, a aparência física é uma realidade. E este aspecto corresponde a algo que nos faz dizer que a Europa é povoada por pessoas brancas, a África é povoada por pessoas negras, e a Ásia por pessoas amarelas. São essas relações que têm desempenhado um papel na história ” (Cheik Anta Diop).

Quero frisar que, os egípcios da atualidade são uma mistura de povos, e Diop não ignorou essa mistura existente na história egípcia. Ele reconheceu que os antigos egípcios absorveram genes “estrangeiros”, em vários momentos da sua história (o Hyskos por exemplo), mas, considerou que essa mistura não alterou sua etnia essencial.

Sobre o termo raça, o controverso senegalês expressou dúvidas sobre seu conceito. Em um colóquio da UNESCO, em Atenas, em 1981, ele afirmou: “Eu não gosto de usar a noção de raça (que não existe) … Nós não devemos dar uma importância obsessiva a este termo”. Esta perspectiva era diferente de muitos dos escritores brancos contemporâneos. Ele disse: “Pedimos desculpa por voltar às noções de raça; o patrimônio cultural, a relação linguística, conexões históricas entre os povos, e assim por diante; não dou mais importância a estas questões do que eles realmente merecem, no século XX “. Portanto, que não venham à taxa-lo de racista, pois ele repudiava teorias racistas ou de supremacia, argumentando apenas, a favor de uma visão mais equilibrada da história africana.

Saiba mais sobre Cheikh Anta Diop.  Vale a pena!


Fontes:

Jornal Le Monde: https://www.lemonde.fr/afrique/article/2016/11/23/kemtiyu-le-retour-de-cheikh-anta-diop_5036256_3212.html

Wikipedia - A Enciclopédia Livre: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cheikh_Anta_Diop

Site oficial de Diop: http://www.cheikhantadiop.net/

Assista na íntegra a entrevista de Cheikh Anta Diop: https://youtu.be/XpqzEytY4Bc



sexta-feira, 9 de maio de 2025

COMO SURGIRAM OS IDIOMAS?

 




Descubra como surgiram os idiomas? Segundo Charles Darwin, a linguagem surgiu da imitação de sons naturais e de outros animais, associada a gestos e gritos instintivos. Outros cientistas sugerem que os primeiros sons verbais se originaram da tentativa de replicar sons corporais ou da necessidade de coordenar esforços em atividades coletivas, como carregar objetos pesados. 

Na minha humilde opinião, ambos estão certos, na verdade, não podemos confirmar como nasceu a linguagem. Em suma: a linguagem não nasceu de um único evento, mas de uma evolução multifacetada ao longo de milênios.

Muito antes do surgimento das palavras, nossos ancestrais já se comunicavam. Expressões faciais, gestos, sons guturais e até as pinturas rupestres são exemplos de formas pré-linguísticas de transmitir ideias. De fato, a linguagem humana nasce da necessidade de registrar, interagir, compartilhar.

O que diferencia profundamente a linguagem humana da comunicação animal é a capacidade de criar. Um exemplo bem clássico é as frases: 

“Of the King the Power Demanded the Best” - “Pedro abacaxi, acabou Yorkshire” - Siri anda lá na praia suvaco de frango shurianda indecantas nébias". Eu sei que tal frases não querem dizer nada com nada, não tem lé com cré, mas é assim mesmo.  Isso mostra a flexibilidade criativa da nossa fala algo único no reino animal.

Além disso, estas mesmas frases podem ter diferentes significados conforme a entonação, o contexto e a intenção. É essa complexidade que torna o estudo da linguagem tão fascinante e multifacetado.

Com as migrações humanas, guerras e trocas culturais, o Proto-Indo-Europeu se dividiu em diversos troncos linguísticos. Cada povo que surgia ou se deslocava moldava e transformava o idioma que carregava, criando novas línguas e dialetos ao longo do tempo.

Atualmente, existem cerca de 7 mil línguas faladas no mundo. No Brasil, por exemplo, são mais de 200, a maioria de origem indígena. O problema é que cerca de 94% da população mundial fala apenas 10% dessas línguas,  o que significa que a imensa maioria dos idiomas está nas mãos (ou bocas) de uma minoria.


Por que não falamos todos a mesma língua?

Apesar dessas tentativas, criar uma língua globalmente falada esbarra em desafios práticos e políticos. Para a maioria dos países, não faz sentido abandonar seus idiomas nativos em favor de um artificial. O acesso desigual à educação é outro obstáculo enorme. Em países como o Brasil, apenas 1% da população tem fluência em inglês — imagine então a dificuldade em difundir um idioma ainda mais marginal como o Esperanto.

Além disso, há uma beleza inegável na diversidade linguística. Cada língua carrega consigo uma forma única de ver o mundo, de contar histórias, de viver e sentir.


Línguas mortas, línguas artificiais e a busca pela unidade

Entre as línguas que deixaram de ser faladas por comunidades inteiras está o latim — exemplo clássico de uma língua morta. Ainda é estudado, usado em missas, obras literárias e até em feitiços de Harry Potter, mas não é língua materna de ninguém.

Tentativas de criar um idioma universal também já existiram. O caso mais notório é o Esperanto, inventado por Ludwik Zamenhof no século XIX. Com regras simples e vocabulário inspirado em diversas línguas europeias, o Esperanto hoje é falado por cerca de 10 milhões de pessoas em diferentes níveis de fluência. Existem ainda outras tentativas, como o Novial, o Ido e a Interlíngua — todas buscando uma comunicação internacional acessível.

Há também línguas criadas com propósitos artísticos, como o Klingon, da série Star Trek, ou o Nadsat, da obra Laranja Mecânica. Elas provam que a linguagem é também um campo de experimentação cultural.


quinta-feira, 8 de maio de 2025

ILUMINISMO E COMUNISMO

 


É claro que existem diferenças entre o Comunismo e o Iluminismo, pois são conceitos que surgiram em épocas diferentes em contextos diferentes.

O Iluminismo, que ocorreu nos séculos XVII e XVIII, foi um movimento intelectual que enfatizava a razão, a ciência e a liberdade individual. Os pensadores iluministas, como Rousseau, Voltaire e Kant, defendiam a ideia de que a humanidade poderia ser melhorada através da educação, da razão e da liberdade.

O Comunismo, por outro lado, é uma ideologia que surgiu no século XIX, com Karl Marx e Friedrich Engels. O Comunismo defende a ideia de que a propriedade privada e a exploração do trabalho são as causas da desigualdade social e que a solução é a abolição da propriedade privada e a criação de uma sociedade sem classes.

Embora haja algumas conexões entre o Iluminismo e o Comunismo, as duas ideologias têm diferenças significativas em termos de seus princípios e métodos.


Diferenças entre o Iluminismo e Comunismo

O Iluminismo, em sua maioria, defendia o liberalismo econômico e a liberdade de mercado, enquanto o comunismo busca a abolição da propriedade privada e o controle estatal da economia. 

O Iluminismo, em geral, não propôs um sistema político específico, enquanto o comunismo defende a criação de um Estado socialista e, posteriormente, uma sociedade comunista sem Estado. 

O Iluminismo, com sua ênfase na razão individual, pode ser visto como uma filosofia que se concentra no indivíduo, enquanto o comunismo enfatiza a importância da coletividade e da classe trabalhadora. 


Embora o Iluminismo e o Comunismo sejam ideologias diferentes, há algumas conexões entre elas:

1. Influência da Razão e da Ciência: O Iluminismo enfatizava a importância da razão e da ciência para melhorar a sociedade. O Comunismo também se baseia na ideia de que a sociedade pode ser transformada através da aplicação de princípios científicos e racionais.

2. Crítica à Autoridade: O Iluminismo criticava a autoridade absoluta e defendia a liberdade individual. O Comunismo também critica a autoridade e defende a ideia de que a sociedade deve ser organizada de forma mais igualitária e justa.

3. Igualdade e Justiça Social: O Iluminismo defendia a ideia de que todos os seres humanos são iguais e devem ter direitos iguais. O Comunismo também defende a igualdade e a justiça social, mas de forma mais radical, argumentando que a propriedade privada e a exploração do trabalho são as principais causas da desigualdade.


O Iluminismo, com suas ideias de razão, liberdade e igualdade, influenciou o pensamento social, político e econômico que deu origem ao socialismo, inclusive ao comunismo, mas o comunismo diverge em muitos aspectos do Iluminismo. 

O Iluminismo forneceu a base intelectual para as ideias comunistas sobre a possibilidade de construir uma sociedade melhor através da razão e do conhecimento, daí os motivos de vermos os 

esquerdistas controlando todo meio intelectual, como: escolas, faculdades e o corpo psicológico e filosófico. Como também a imprensa e o meio jornalístico, sua influência chegou até no meio do entretenimento, tais como: filmes, novelas, desenhos, séries, etc. Pensamento este, influenciando até o meio religioso e empresarial. 

No lado empresarial por exemplo, temos as pautas ESG surgida em 2004 por exemplo.

No lado religioso, temos as Igrejas Evangélicas inclusivas, que defendem a pauta da Teologia Gay ou Teologia Queer, temos também a forte adesão e aceitação dos religiosos homossexuais no Espiritismo, Umbanda, Quimbanda e Candomblé. 

Até a Igreja Católica reconhece a foça social da questão homossexual, pois o catolicismo teve por 13 anos apoio do Papa Francisco que defendia questões homossexuais, fazendo a ponte entre a Igreja e os Homossexuais.

No lado do entretenimento temos a adesão da cultura Woke nos cinemas, televisão e todo entretenimento.

O comunismo busca realizar os ideais iluministas de igualdade, liberdade e justiça social, mas através de um processo revolucionário e da abolição da propriedade privada. 

A crítica iluminista ao sistema feudal e ao absolutismo influenciou a crítica comunista ao capitalismo e à desigualdade social. 

Embora haja algumas diferenças entre o Iluminismo e o Comunismo, as duas ideologias têm conexões e semelhanças significativas em termos de seus princípios e métodos.


segunda-feira, 5 de maio de 2025

OS ISRAELITAS SÃO CANANEUS

 



Uma equipe interdisciplinar da Universidade Hebraica de Jerusalém extraiu e analisou o DNA dos restos mortais de 73 indivíduos enterrados entre os 1500 anos em que os cananeus viveram em cinco locais específicos espalhados pelo território de Israel e Jordânia.

"Os cananeus, embora vivessem em diferentes cidades-estados, eram cultural e geneticamente semelhantes", afirmou a especialista em DNA da Universidade Hebraica de Jerusalém, Liran Carmel. Durante a Idade do Bronze, o povo, hoje quase misterioso, foi vencido pelos israelitas.

Além disso, os pesquisadores compararam essas amostras com as de indivíduos modernos. Eles descobriram que muitos grupos árabes e judeus que atualmente vivem na região têm mais da metade do seu DNA em semelhança com o antigo povo cananeu.

 “Alguém poderia analisar 'cananeus' em oposição a indivíduos 'israelitas'. A Bíblia afirma que estes são grupos distintos e antagônicos, mas há razões para acreditar que eles estavam intimamente relacionados”, explicou a arqueóloga Mary Ellen Buck.

Análise de DNA, de corpos encontrados em vários locais, explica mais da metade da ancestralidade. Após examinar o DNA de 93 corpos recuperados em sítios arqueológicos ao redor do sul do Levante, a terra de Canaã na Bíblia, pesquisadores concluíram que as populações modernas da região são descendentes dos antigos cananeus. A maioria dos grupos judaicos modernos e os grupos de língua árabe da região apresentam pelo menos metade de sua ancestralidade como cananeus.

No estudo , publicado na Cell em maio de 2020, os pesquisadores explicam que usaram análises de DNA existentes de 20 indivíduos, de locais em Israel e no Líbano, e então adicionaram mais 73, pegando DNA dos ossos de indivíduos encontrados em Tel Megiddo, Tel Abel Beth Maacah e Tel Hazor (norte de Israel), Yehud (centro de Israel) e Baq'ah (centro da Jordânia). Ao primeiro eliminar indivíduos intimamente relacionados a outros indivíduos na amostra, então comparando as 62 amostras de DNA restantes com um conjunto de dados de 1.663 indivíduos modernos, eles foram capazes de estabelecer o elo genético com as populações modernas. Os grupos étnicos que ainda vivem onde Canaã dominou, ou daquela área antes de se mudarem para outro lugar, são em grande parte descendentes dos cananeus.

A cultura cananeia era dominante no Levante Meridional durante a Idade do Bronze (3.500-1.200 a.C.). Com o início da Idade do Ferro I, as cidades-estados cananeias desapareceram. Os israelitas se autoidentificaram como um grupo separado. Como especula Volkmar Fritz em Israelites and Canaanites , os israelitas podem ter formado arranjos de vida distintos, estabelecendo pequenas aldeias em terras periféricas não previamente povoadas e vivendo principalmente em casas de quatro cômodos. Por fim, os israelitas formaram os estados de Israel e Judá, enquanto outros estados bíblicos, Amon, Moabe, Aram-Damasco e cidades-estados fenícias, surgiram. Hoje, a região consiste em Israel, Líbano, Jordânia, Autoridade Palestina e sudoeste da Síria.

O estudo em Cell não apenas estabelece que os antigos israelitas eram descendentes dos cananeus, mas também estabelece que o povo cananeu nas diferentes cidades-estados do sul do Levante, e ao longo de um período de 1.500 anos, era um povo geneticamente coeso.


SHAHAR - IRMÃO GÊMEO DE HALIM

 

Kothar-wa-Khasis



Shahar "Amanhecer" é um deus da religião ugarítica e cananéia mencionado pela primeira vez em inscrições encontradas em Ugarit (hoje Ras Shamra, Síria).

William F. Albright identificou Shalim como o deus do crepúsculo e Shahar como o deus do amanhecer. 

Shahar e Salim são os filhos gêmeos de El. Como marcadores do amanhecer e do anoitecer, Shahar e Shalim também representavam a estrutura temporal do dia.

Os nomes Shahar e Shalim são masculinos, e parece que os deuses também são.


Hebraico

Sutton afirma recentemente que a palavra שחר é usada 43 vezes no Tanakh. Incluindo 23 como substantivo (amanhecer, amanhã, estrela da manhã), 6 como adjetivo (negro), 12 como verbo piʿel ("buscar, desejar") ou qal ("tornar-se negro" ou "ter a intenção de"). "Isso indica que, dentro da etimologia de שחר na Bíblia Hebraica, ele é usado principalmente como substantivo primário (às vezes) descritivo do deus ou deusa Shachar." 


Árabe

Em árabe, a palavra saḥar refere-se ao período que antecede o amanhecer e vem da mesma raiz semítica. Essa raiz também é visível em suḥūr, a refeição que os muçulmanos comem antes do amanhecer durante o Ramadã.


Etimologia

O hebraico šaḥar é um substantivo primário. O acádio šēru (m) II e a forma dialetal assíria šiāru (m), que significa 'manhã', argumentam contra uma derivação verbal, uma vez que a forma substantiva pirâs gera apenas substantivos primários. Além disso, o antigo árabe do sul śaḥar , que significa "amanhecer, alvorada", não sugere uma forma causativa. Variações encontradas em Qumran incluem o hebraico médio šaḥar (1QH4:6: kšḥr, 'como o amanhecer'; 11QPsa 26:11: estabelecimento do amanhecer [kwn hiphil]; 4Q487 36,1 lšḥr , incerto); o aramaico judaico šaḥarā , 'amanhecer da manhã, manhã cedo'; Moabita (feminino) šḥrt , compare mbqʽ hšḥrt , 'do amanhecer'; ugarítico šḥr , 'amanhecer, amanhecer', e šḥr par. qdm , 'vento leste'; šḥr ʽlmt , 'desta manhã até a eternidade'; bem como os deuses gêmeos šḥr wšlm , 'estrela da manhã e da tarde', e ʽm šḥr wšlm šmmh , 'para šḥr e šlm no céu'; árabe saḥar , 'tempo antes do amanhecer, manhã cedo, amanhecer'. O antigo deus árabe Saḥar , 'amanhecer, amanhecer', é representado em relevos com o símbolo da cabeça do dragão.


Teofóricos

A forma šaḥar também aparece como um nome divino em nomes pessoais, incluindo o ugarítico ìlšḥr " šḥr é (meu) deus"; o fenício ʽbdšḥr, šḥrbʽl, o hebraico אחישחר ("irmão de Shahar") e שחריה ("Yahweh é Shahar.") 


Fontes

Tanakh

"Traços" da divindade podem ser encontrados no cânon; HALOT 9524 nomeia Isaías 14:12, Salmo 139:9, Jó 3:9 e 41:10.


Isaías 14:12–15

Isaías 14: 12-15 foi a origem da crença de que Satanás era um anjo caído , que também poderia ser chamado de Lúcifer. Refere-se à ascensão e desaparecimento da estrela da manhã Vênus na frase "Ó Brilhante, filho do Amanhecer!" (Hebraico : הֵילֵל בֶּן־שָׁחַר , romanizado :  Hēlēl ben Shāḥar, lit.  'exaltado, filho de Shāḥar', traduzido como Lúcifer na Vulgata e preservado nas primeiras traduções inglesas da Bíblia.) 

Esta compreensão de Isaías 14:12–15 parece ser a interpretação mais aceita no Novo Testamento , bem como entre os primeiros cristãos , como Orígenes , Eusébio , Tertuliano e o Papa Gregório I.  Pode ser considerada uma "remitologização" cristã de Isaías 14 , já que o versículo originalmente usou a religião cananeia para construir sua imagem da arrogância de um governante histórico, "o rei da Babilônia" em Isaías 14:4. 


O papel de Vênus como estrela da manhã foi assumido por ʿAṯtar , neste caso referido como "filho de Shāḥar". A referência a Shāḥar permanece enigmática para os estudiosos, que têm uma ampla gama de teorias sobre a estrutura mitológica e fontes para a passagem em Isaías. 


Ugarit

KTU 1,23

A concepção e o nascimento de Šaḥar-w-Šalim encontram-se aqui. A história cabe perfeitamente em uma única tábua.

Há uma breve invocação dos deuses. Um mt w šr  junta-se e parece colher uvas com um "cajado de viuvez". Pardee abre espaço para sugestões de outros sobre imagens de circuncisão.

Há outra invocação. Duas mulheres, aparentemente adoradoras humanas, seduzem El. Ele as seduz, após um ritual de caça no qual assa um pássaro que atirou no ar. Com o tempo, elas dão à luz Šaḥar-w-Šalim, a quem a deusa amamenta. Famintas, elas devoram as aves do céu e os peixes do mar.


RS 24.244 (KTU 2 1.100) Liturgia ugarítica contra répteis venenosos

"Mensagem para Šaḥru-wa-Šalimu 

Ela chama novamente sua mãe Šapšu :

Mãe Šapšu, leve uma mensagem

para Šaḥru-wa-Šalimu nos céus:20

Meu encantamento para picada de serpente,

para o veneno da serpente escamosa:

Destrua, ó encantador,

dela expulsa o veneno.

Então ele amarra a serpente,

alimenta a serpente escamosa,

puxa uma cadeira e senta-se."


O VERDADEIRO NOME DE JERUSALÉM



O nome Jerusalém não significa exatamente Cidade de Paz como se ensina nos currais religiosos, é muito mais profundo que isso.

Shalim - Šalām - Shalem, é o verdadeiro nome de Jerusalém, em latim romanizado é ŠLM [Obs: todo o S que tiver um acento (Š) lê-se com som de X ou Ch]. Shalim - Šalām - Shalem é o nome de um deus da religião Cananeia, mencionado em inscrições encontradas em Ugarit (hoje Ras Shamra, Síria). William F. Albright identificou Shalim como o deus do crepúsculo e Shahar como o deus do amanhecer. No Dicionário de Divindades e Demônios na Bíblia, Vênus é representada por Shalim como a Estrela da Tarde e Shahar como a Estrela da Manhã. Seu nome deriva da raiz semítica triconsonantal Š-LM ("inteiro, seguro, sólido, paz").

Um mito ugarítico conhecido como "Os Deuses Graciosos e Mais Belos" descreve Shalim e seu irmão Shahar como descendentes de El, por meio de duas mulheres que ele conhece na praia. Ambos são amamentados pela "Senhora", provavelmente Asherah, e têm apetites tão grandes quanto "(um) lábio voltado para a terra e (um) lábio voltado para o céu". Em outros textos ugaríticos, os dois são associados à deusa do sol. 

Outra inscrição é uma frase repetida três vezes em um texto para mitológico: "Deixe-me invocar os deuses graciosos, os deuses vorazes de ym ". Ym na maioria das línguas semíticas significa "dia", e Shalim e Shahar, divindades gêmeas do crepúsculo e do amanhecer, foram concebidos como seu começo e fim, ou seja, o Alpha e o Ômega.

Shalim também é mencionado separadamente nas listas de deuses ugaríticos e formas de seu nome também aparecem em nomes pessoais, talvez como um nome divino ou epíteto. 

O deus Shalim pode ter sido associado ao crepúsculo e à estrela da tarde nos sentidos etimológicos de uma "conclusão" do dia, "pôr do sol" e "paz".

O nome Shalim é o cognato original do nome Sumeriano Utu (deus do sol) que os acadianos chamavam esse deus de Shamash (deus do sol), é do nome Shamash que vem o nome Shalim e posteriormente Yerushalam ou Jerusalém. 

O nome Shalom vem do nome do deus cananeu Shalim, deus do crepúsculo, deus do amanhecer, deus do primeiro raio de sol deus do começo do dia, o deus trazendo a paz e a luz.

Os nomes Utu em Sumério, Shamash em Acádio e Shalim em Ugarítico ou Cananeu quer dizer luz, e a luz traz conhecimento, e o conhecimento traz a paz, daí o nome Jerusalém ser a cidade da Paz, de onde vem o nome Shalom que é um deus ugarítico da Luz (Sol) e Paz. Lembrando que antes, o nome Jerusalém ou Rušalimum ou Urušalimum que aparece nos achados do Antigo Egito é a primeira referência a Jerusalém. Os gregos adicionaram o prefixo Hiero ("sagrada") e chamaram de Hierosolyma. Para os Árabes, Jerusalém é Al-Quds ("A Sagrada"). Foi chamada de Jebus (Yevus) pelos jebusitas. "Tzion" inicialmente se referiu a parte da cidade, mas depois passou a significar a cidade como um todo. Durante o reinado de David, ficou conhecida como Yir David (a cidade de Davi). Que vem do prefixo Yeru derivado de Yireh, de onde Yeru-Shalem quer dizer cidade de Paz. 

O nome "Yerushalayim" é composto por "Yeru" e "Shalem". "Yeru" é uma derivação de "Yerushalayim",  que é o nome da cidade em hebraico. "Shalem" significa "completo" ou "perfeito". Portanto, a cidade é muitas vezes interpretada como "cidade da paz" ou "cidade daquele que é perfeito". 


Povos Cananeus

No passado, os Cananeus foram os Filisteus, Amoritas (Amorreus), Heveus (Hititas), Sidônios, Gigarseu (Gargares ou Albaneses) Arqueus (Fenícios) Sin ou Sineus, Zemareus, Hamateus, Arvadeu, Jebuseus que foram um dos moradores de Jerusalém.

Gênesis, 10:15–19: "Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e Hete, e ao jebuseu, o amorreu, o girgaseu, o heveu, o arqueu, o sineu, o arvadeu, o zemareu e o hamateu. Depois se espalharam as famílias dos cananeus. Foi o termo dos cananeus desde Sidom, em direção a Gerar, até Gaza; e daí em direção a Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa."

E por fim, os Hebreus, pois os Hebreus também pertenciam ao povo Cananaeu.

Nos dias atuais os Cananeus são os: Palestinos, Libaneses, Sírios, Jordanianos, Iraquianos, Drusos e os Judeus.


domingo, 4 de maio de 2025

OTAN - ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DO ATLÂNTICO NORTE 1949

 


A Organização do Tratado do Atlântico Norte. A história da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) começa imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, o Reino Unido e a França assinaram o Tratado de Dunquerque e os Estados Unidos estabeleceram a Doutrina Truman , a primeira para se defender contra um potencial ataque alemão e a segunda para conter a expansão soviética. O Tratado de Dunquerque foi expandido em 1948 com o Tratado de Bruxelas para adicionar os três países do Benelux ( Bélgica , Holanda e Luxemburgo ) e os comprometeu com a defesa coletiva contra um ataque armado por cinquenta anos. A Doutrina Truman se expandiu no mesmo ano, com o apoio sendo prometido para se opor às rebeliões comunistas na Grécia e na Tchecoslováquia , bem como às demandas soviéticas da Turquia. Em 1949, o pacto defensivo da OTAN foi assinado por doze países em ambos os lados do Atlântico Norte - os cinco signatários de Bruxelas, Estados Unidos, Canadá, Itália, Portugal, Noruega, Dinamarca e Islândia.  A Grécia e a Turquia aderiram em 1952, a Alemanha Ocidental em 1955, a Espanha em 1982, a República Checa , a Hungria e a Polónia em 1999, a Bulgária , a Estónia , a Letónia , a Lituânia , a Roménia , a Eslováquia e a Eslovénia em 2004, a Albânia e a Croácia em 2009, o Montenegro em 2017, a Macedónia do Norte em 2020, a Finlândia em 2023 e a Suécia em 2024.

A estrutura da OTAN evoluiu ao longo da Guerra Fria e suas consequências. A primeira sede estava localizada em 13, Belgrave Square , Londres (1948-51), antes de se mudar para um espaço mais adequado em Paris em abril de 1952. Uma estrutura militar integrada para a OTAN foi estabelecida pela primeira vez em 1950, quando ficou claro que a OTAN precisaria melhorar suas defesas a longo prazo contra um potencial ataque soviético. Em abril de 1951, o Comando Aliado Europa e sua sede (SHAPE) foram estabelecidos; mais tarde, quatro sedes subordinadas foram adicionadas na Europa do Norte e Central, na Região Sul e no Mediterrâneo. 

Da década de 1950 a 2003, os Comandantes Estratégicos eram o Comandante Supremo Aliado da Europa (SACEUR) e o Comandante Supremo Aliado do Atlântico (SACLANT).

A OTAN tem as suas raízes na Carta do Atlântico , um acordo de 1941 entre os Estados Unidos e o Reino Unido. A Carta estabeleceu um quadro para a cooperação internacional sem expansão territorial após a Segunda Guerra Mundial. 

O Tratado de Bruxelas foi um tratado de defesa mútua contra a ameaça soviética no início da Guerra Fria. Foi assinado em 17 de março de 1948 pela Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Reino Unido e foi o precursor da OTAN. A ameaça soviética tornou-se imediata com o Bloqueio de Berlim em 1948, levando à criação de uma organização multinacional de defesa, a Organização de Defesa da Western Union , em setembro de 1948. No entanto, as partes eram muito fracas militarmente para conter as Forças Armadas Soviéticas. Além disso, o golpe de estado comunista da Tchecoslováquia de 1948 derrubou um governo democrático, e o Ministro das Relações Exteriores britânico Ernest Bevin reiterou que a melhor maneira de evitar outra Tchecoslováquia era desenvolver uma estratégia militar ocidental conjunta. Ele obteve uma audiência receptiva nos Estados Unidos, especialmente com a ansiedade americana em relação à Itália e ao Partido Comunista Italiano.


LIGA DAS NAÇÕES 1920

 



A Liga das Nações foi uma organização internacional, com sede em Genebra, Suíça , criada após a Primeira Guerra Mundial para servir de fórum para a resolução de disputas internacionais. Embora proposta inicialmente pelo presidente Woodrow Wilson como parte de seu Plano dos Catorze Pontos para uma paz equitativa na Europa, os Estados Unidos nunca se tornaram membros.

Falando perante o Congresso dos EUA em 8 de janeiro de 1918, o presidente Woodrow Wilson enumerou o último de seus Quatorze Pontos , que clamava por uma "associação geral de nações... formada sob pactos específicos com o propósito de oferecer garantias mútuas de independência política e integridade territorial a grandes e pequenos Estados". Muitos dos pontos anteriores de Wilson exigiriam regulamentação ou execução. Ao clamar pela formação de uma "associação geral de nações", Wilson expressou as opiniões de muitos diplomatas e intelectuais de ambos os lados do Atlântico, em tempos de guerra, que acreditavam na necessidade de um novo tipo de organização internacional permanente, dedicada a fomentar a cooperação internacional, prover segurança para seus membros e garantir uma paz duradoura. Com a população europeia exaurida por quatro anos de guerra total e com muitos nos Estados Unidos otimistas de que uma nova organização seria capaz de resolver as disputas internacionais que levaram à guerra em 1914, a articulação de Wilson de uma Liga das Nações tornou-se extremamente popular. No entanto, sua criação provou ser excepcionalmente difícil, e Wilson deixou o cargo sem nunca ter convencido os Estados Unidos a aderir a ela.

A ideia da Liga baseava-se na ampla repulsa internacional contra a destruição sem precedentes da Primeira Guerra Mundial e na compreensão contemporânea de suas origens. Isso se refletiu em todos os Quatorze Pontos de Wilson, que se baseavam em teorias de segurança coletiva e organização internacional debatidas entre acadêmicos, juristas, socialistas e utopistas antes e durante a guerra. Após adotar muitas dessas ideias, Wilson assumiu a causa com fervor evangélico, despertando o entusiasmo popular pela organização ao viajar para a Conferência de Paz de Paris em janeiro de 1919, tornando-se o primeiro presidente a viajar ao exterior em caráter oficial.

Wilson usou sua tremenda influência para anexar o Pacto da Liga, sua carta, ao Tratado de Versalhes. Uma Liga eficaz, ele acreditava, mitigaria quaisquer desigualdades nos termos de paz. Ele e os outros membros dos "Três Grandes", Georges Clemenceau da França e David Lloyd George do Reino Unido, redigiram o Pacto como Parte I do Tratado de Versalhes. Os principais órgãos da Liga eram uma Assembleia de todos os membros, um Conselho composto por cinco membros permanentes e quatro membros rotativos e uma Corte Internacional de Justiça. Mais importante para Wilson, a Liga garantiria a integridade territorial e a independência política dos estados-membros, autorizaria a Liga a tomar "qualquer ação... para salvaguardar a paz", estabeleceria procedimentos para arbitragem e criaria os mecanismos para sanções econômicas e militares.

A luta para ratificar o Tratado de Versalhes e o Pacto no Congresso dos EUA ajudou a definir a divisão política mais importante sobre o papel dos Estados Unidos no mundo em uma geração. Um Wilson triunfante retornou aos Estados Unidos em fevereiro de 1919 para submeter o Tratado e o Pacto ao Congresso para sua aprovação e ratificação. Infelizmente para o presidente, embora o apoio popular à Liga ainda fosse forte, a oposição dentro do Congresso e na imprensa já havia começado a crescer antes mesmo de sua partida para Paris. Liderando o desafio estava o líder da maioria no Senado e presidente do Comitê de Relações Exteriores, Henry Cabot Lodge.

Motivado pelas preocupações republicanas de que a Liga comprometeria os Estados Unidos com uma organização dispendiosa que reduziria a capacidade dos Estados Unidos de defender seus próprios interesses, Lodge liderou a oposição à adesão à Liga. Enquanto Wilson e os apoiadores da Liga viam mérito em um organismo internacional que trabalharia pela paz e segurança coletiva de seus membros, Lodge e seus apoiadores temiam as consequências do envolvimento na política intrincada da Europa, agora ainda mais complexa devido ao acordo de paz de 1919. Eles aderiram a uma visão de que os Estados Unidos retornariam à sua tradicional aversão a compromissos fora do Hemisfério Ocidental. A antipatia pessoal de Wilson e Lodge um pelo outro envenenou qualquer esperança de um acordo e, em março de 1920, o Tratado e o Pacto foram derrotados por 49 votos a 35 no Senado. Nove meses depois, Warren Harding foi eleito presidente com uma plataforma de oposição à Liga.

Os Estados Unidos nunca aderiram à Liga. A maioria dos historiadores sustenta que a Liga operou com muito menos eficácia sem a participação dos EUA do que teria funcionado de outra forma. No entanto, mesmo rejeitando a adesão, os presidentes republicanos da época e seus arquitetos de política externa concordaram com muitos de seus objetivos. Na medida em que o Congresso permitiu, os governos Harding, Coolidge e Hoover associaram os Estados Unidos aos esforços da Liga em diversas questões. A constante suspeita no Congresso, no entanto, de que a cooperação constante dos EUA com a Liga levaria à adesão de fato impediu um relacionamento próximo entre Washington e Genebra. Além disso, a crescente desilusão com o Tratado de Versalhes diminuiu o apoio à Liga nos Estados Unidos e na comunidade internacional. A insistência de Wilson em que o Pacto fosse vinculado ao Tratado foi um erro; com o tempo, o Tratado foi desacreditado por ser inexequível, míope ou muito extremo em suas disposições, e a falha da Liga em aplicá-lo ou revisá-lo apenas reforçou a oposição do Congresso dos EUA à colaboração com a Liga em quaisquer circunstâncias. Entretanto, a chegada da Segunda Guerra Mundial demonstrou mais uma vez a necessidade de uma organização internacional eficaz para mediar disputas, e o público dos Estados Unidos e o governo Roosevelt apoiaram e se tornaram membros fundadores das novas Nações Unidas .


PACTO DE VARSÓVIA 1955

 


O Pacto de Varsóvia foi um tratado de defesa coletiva estabelecido pela União Soviética e outros sete estados satélites soviéticos na Europa Central e Oriental.

Formalmente conhecido como Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua. 

O Pacto de Varsóvia representava o que era chamado de bloco oriental, enquanto a OTAN e seus países-membros representavam o bloco ocidental.

A OTAN e o Pacto de Varsóvia eram ideologicamente opostos e, com o tempo, construíram suas próprias defesas, iniciando uma corrida armamentista que durou toda a Guerra Fria.

O Pacto de Varsóvia foi declarado extinto em 25 de fevereiro de 1991, e o presidente da Tchecoslováquia, Václav Havel, declarou formalmente o fim do Pacto em 1º de julho de 1991. A política de abertura (Glasnost) e reestruturação (Perestroika) de Gorbachev, juntamente com outras iniciativas, abriu caminho para revoltas populares. O Muro de Berlim caiu em novembro de 1989 e os governos comunistas na Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, Romênia e Bulgária começaram a cair.

A dissolução do Pacto de Varsóvia foi logo seguida pela dissolução da União Soviética em dezembro de 1991.  

Nesse tratado, todos os estados comunistas deveriam ser aliados e lutar juntos se um deles fosse atacado. Em teoria, todos os países da organização eram iguais, os países menores eram controlados pela União Soviética. Os países do Pacto de Varsóvia eram Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária e Albânia. No entanto, a Albânia se retirou em 1968 após a invasão da Tchecoslováquia, e a Romênia a seguiu.

Foi estabelecido em 1955 em Varsóvia, Polônia, em resposta à adesão da Alemanha Ocidental à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

O Pacto durou até o fim da Guerra Fria, quando alguns membros se retiraram em 1991, após o colapso do bloco oriental e mudanças políticas na União Soviética. 

Todos os países do Pacto de Varsóvia e três que faziam parte da União Soviética aderiram à OTAN.

TRATADO DE VERSALHES 1919

 


O Tratado de Versalhes foi um documento de paz assinado no final da Primeira Guerra Mundial pelas Potências aliadas e associadas e pela Alemanha no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes, França, em 28 de junho de 1919; entrou em vigor em 10 de janeiro de 1920.

A conferência foi convocada para estabelecer os termos da paz após a Primeira Guerra Mundial. Embora quase trinta nações tenham participado, os representantes do Reino Unido, França, Estados Unidos e Itália ficaram conhecidos como os "Quatro Grandes". Os "Quatro Grandes" dominaram os procedimentos que levaram à formulação do Tratado de Versalhes, um tratado que pôs fim à Primeira Guerra Mundial.

O Tratado de Versalhes articulou os compromissos alcançados na conferência. Incluía a formação planejada da Liga das Nações , que serviria tanto como um fórum internacional quanto como um acordo internacional de segurança coletiva. O presidente dos EUA, Woodrow Wilson, era um forte defensor da Liga, pois acreditava que ela evitaria guerras futuras.

As negociações na Conferência de Paz de Paris foram complicadas. Reino Unido, França e Itália lutaram juntos como Potências Aliadas durante a Primeira Guerra Mundial. Os Estados Unidos entraram na guerra em abril de 1917 como Potência Associada. Embora lutassem ao lado dos Aliados, os Estados Unidos não eram obrigados a honrar os acordos pré-existentes entre as Potências Aliadas. Esses acordos focavam na redistribuição de territórios no pós-guerra. O presidente americano Woodrow Wilson se opôs veementemente a muitos desses acordos, incluindo as demandas italianas sobre o Adriático. Isso frequentemente gerava desentendimentos significativos entre os "Quatro Grandes".

As negociações do tratado também foram enfraquecidas pela ausência de outras nações importantes. A Rússia lutou como um dos Aliados até dezembro de 1917, quando seu novo governo bolchevique se retirou da guerra. A decisão bolchevique de repudiar as dívidas financeiras pendentes da Rússia com os Aliados e de publicar os textos dos acordos secretos entre os Aliados referentes ao período pós-guerra irritou os Aliados. As Potências Aliadas recusaram-se a reconhecer o novo governo bolchevique e, portanto, não convidaram seus representantes para a Conferência de Paz. Os Aliados também excluíram as Potências Centrais derrotadas (Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária).

De acordo com os desejos franceses e britânicos, o Tratado de Versalhes submeteu a Alemanha a rigorosas medidas punitivas. O Tratado exigia que o novo governo alemão entregasse aproximadamente 10% de seu território pré-guerra na Europa e todas as suas possessões ultramarinas. Colocou a cidade portuária de Danzig (atual Gdansk) e o Sarre, rico em carvão, sob a administração da Liga das Nações e permitiu à França explorar os recursos econômicos do Sarre até 1935. Limitou o tamanho do Exército e da Marinha alemães e permitiu o julgamento do Kaiser Guilherme II e de vários outros oficiais alemães de alto escalão como criminosos de guerra. Nos termos do Artigo 231 do Tratado, os alemães aceitaram a responsabilidade pela guerra e a obrigação de pagar reparações financeiras aos Aliados. A Comissão Interaliada determinou o valor e apresentou suas conclusões em 1921. O valor determinado foi de 132 bilhões de marcos-ouro, ou 32 bilhões de dólares americanos, além do pagamento inicial de 5 bilhões de dólares exigido pelo Tratado. Os alemães passaram a se ressentir das duras condições impostas pelo Tratado de Versalhes.

Embora o Tratado de Versalhes não tenha satisfeito todas as partes envolvidas, quando o presidente Woodrow Wilson retornou aos Estados Unidos em julho de 1919, a opinião pública americana era majoritariamente favorável à ratificação do Tratado, incluindo o Pacto da Liga das Nações. No entanto, apesar de 32 legislaturas estaduais terem aprovado resoluções favoráveis ​​ao Tratado, o Senado americano se opôs veementemente a ele.

A oposição no Senado citou o Artigo 10 do Tratado, que tratava da segurança coletiva e da Liga das Nações. Os oponentes argumentaram que esse artigo cedeu os poderes de guerra do governo dos EUA ao Conselho da Liga. A oposição veio de dois grupos: os "Irreconciliáveis", que se recusaram a ingressar na Liga das Nações em qualquer circunstância, e os "Reservistas", liderados pelo presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Henry Cabot Lodge, que queriam emendas antes de ratificarem o Tratado. Embora a tentativa do presidente Lodge de aprovar emendas ao Tratado tenha fracassado em setembro, ele conseguiu anexar 14 "reservas" a ele em novembro. Em uma votação final em 19 de março de 1920, o Tratado de Versalhes ficou aquém da ratificação por sete votos. Consequentemente, o governo dos EUA assinou o Tratado de Berlim em 25 de agosto de 1921. Esse tratado de paz separado com a Alemanha estipulava que os Estados Unidos desfrutariam de todos os “direitos, privilégios, indenizações, reparações ou vantagens” conferidos a eles pelo Tratado de Versalhes, mas omitiu qualquer menção à Liga das Nações, à qual os Estados Unidos nunca aderiram.


CONGRESSO DE VIENA 1814 - 1815

 


Após a derrota de Napoleão, a Europa ficou profundamente desorganizada após quase um quarto de século de revolução e guerra, as Grandes Potências da Europa (Grã-Bretanha, Prússia, Rússia e Áustria) começaram a planejar o mundo do pós-guerra. Para criar um equilíbrio de poder na Europa e evitar mais conflitos, eles desenvolveram o que ficou conhecido como Concerto da Europa, começando com o Congresso de Viena.

O Congresso de Viena dissolveu o mundo napoleônico e tentou restaurar as monarquias que Napoleão havia derrubado, o Congresso foi a primeira ocasião na história em que, em escala continental, representantes nacionais se reuniram para formular tratados em vez de depender principalmente de mensagens entre as diversas capitais. O Concerto da Europa, apesar de mudanças posteriores e colapsos diplomáticos algumas décadas depois, formou a estrutura básica da política internacional europeia até a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914.


O Congresso de Viena dissolveu o mundo napoleônico e tentou restaurar as monarquias que Napoleão havia derrubado, inaugurando uma era de reação. Sob a liderança de Metternich, primeiro-ministro da Áustria (1809-1848), e Lord Castlereagh, ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha (1812-1822), o Congresso estabeleceu um sistema para preservar a paz. Sob o Concerto da Europa, as principais potências europeias — Grã-Bretanha, Rússia, Prússia, Áustria e (após 1818) França — comprometeram-se a reunir-se regularmente para resolver divergências. O objetivo não era simplesmente restaurar antigas fronteiras, mas redimensionar as principais potências para que pudessem se equilibrar e permanecer em paz. Os líderes eram conservadores, pouco afeitos ao republicanismo ou à revolução, ambos ameaçadores para o status quo na Europa. Este plano foi o primeiro do gênero na história europeia e parecia prometer uma maneira de administrar coletivamente os assuntos europeus e promover a paz.

O Congresso resolveu a crise polaco-saxónica em Viena e a questão da independência grega em Laibach. Realizaram-se três grandes congressos europeus. O Congresso de Aix-la-Chapelle (1818) pôs fim à ocupação da França. Os outros foram insignificantes, pois cada nação percebeu que os Congressos não lhes eram vantajosos, visto que as disputas eram resolvidas com um grau de eficácia cada vez menor.

O Congresso foi a primeira ocasião na história em que, em escala continental, representantes nacionais se reuniram para formular tratados, em vez de depender principalmente de mensagens entre as diversas capitais. O acordo do Congresso de Viena, apesar das mudanças posteriores, formou a estrutura da política internacional europeia até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.


Ordem Conservadora

A Ordem Conservadora é um termo aplicado à história política europeia após a derrota de Napoleão em 1815. De 1815 a 1830, um programa consciente de estadistas conservadores, incluindo Metternich e Castlereagh, foi colocado em prática para conter a revolução e as forças revolucionárias restaurando antigas ordens, particularmente as aristocracias governantes anteriores.

Grã-Bretanha, Prússia, Rússia e Áustria renovaram seu compromisso de impedir qualquer restauração do poder bonapartista e concordaram em se reunir regularmente em conferências para discutir seus interesses comuns. Esse período inclui a Santa Aliança, um acordo militar. O Concerto da Europa foi a estrutura política que surgiu da Quádrupla Aliança em novembro de 1815.

O objetivo dos conservadores no Congresso, liderados pelo Príncipe Klemens von Metternich da Áustria, era restabelecer a paz e a estabilidade na Europa. Para isso, um novo equilíbrio de poder precisava ser estabelecido. Metternich e os outros quatro estados representados buscaram fazer isso restaurando antigas famílias governantes e criando zonas de proteção entre as grandes potências. Para conter os ainda poderosos franceses, a Casa de Orange-Nassau foi colocada no trono dos Países Baixos, que anteriormente compreendiam a República Holandesa e os Países Baixos Austríacos (Bélgica). A sudeste da França, o Piemonte (oficialmente parte do reino da Sardenha) foi ampliado. A dinastia Bourbon foi restaurada na França e na Espanha, bem como o retorno de outros governantes legítimos aos estados italianos. E para conter o Império Russo, a Polônia foi dividida entre Áustria, Prússia e Rússia.


Concerto da Europa

O Concerto da Europa, também conhecido como Sistema de Congressos ou Sistema de Viena, em homenagem ao Congresso de Viena, foi um sistema de resolução de disputas adotado pelas principais potências conservadoras da Europa para manter seu poder, opor-se a movimentos revolucionários, enfraquecer as forças do nacionalismo e manter o equilíbrio de poder. Surgiu a partir do Congresso de Viena. Operou na Europa desde o fim das Guerras Napoleônicas (1815) até o início da década de 1820.

O Concerto da Europa foi fundado pelas potências da Áustria, Prússia, Império Russo e Reino Unido, que eram membros da Quádrupla Aliança que derrotou Napoleão e seu Primeiro Império Francês. Com o tempo, a França foi estabelecida como o quinto membro do Concerto. Inicialmente, as principais personalidades do sistema eram o Secretário de Relações Exteriores britânico, Lord Castlereagh, o Chanceler austríaco Klemens von Metternich e o Czar Alexandre I da Rússia. Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, da França, foi o grande responsável por rapidamente recolocar o país em seu lugar ao lado das outras grandes potências na diplomacia internacional.

O Concerto da Europa não tinha regras escritas nem instituições permanentes, mas, em tempos de crise, qualquer um dos países-membros podia propor uma conferência. As reuniões das Grandes Potências durante esse período incluíram: Aix-la-Chapelle (1818), Carlsbad (1819), Troppau (1820), Laibach (1821), Verona (1822), Londres (1832) e Berlim (1878).


A Divisão

Sob a liderança dos quatro grandes vencedores da França: Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia, os países europeus se reúnem em Viena para determinar o destino dos territórios que foram destruídos pelas conquistas napoleônicas e reconstruir uma ordem europeia.

Dois princípios dominam as negociações: a preservação do equilíbrio político entre as potências e a restauração das antigas dinastias, expulsas pela onda revolucionária.

As decisões tomadas em Viena redesenham o mapa político da Europa.

A Prússia se expande para incluir parte do Grão-Ducado de Varsóvia, a Pomerânia Sueca, mais da metade da Saxônia e, acima de tudo, a maior parte da Renânia. Com essas aquisições, a Prússia obtém definitivamente o status de grande potência europeia.

A Rússia assegura a tomada da Finlândia. Recebe a tutela sobre a maior parte da Polônia e retira a Bessarábia do Império Otomano. O Czar, assim, continua sua marcha em direção a Constantinopla.

A Áustria, por sua vez, recupera o Tirol e recebe o reino da Lombardia Vêneta, bem como a Dalmácia. Essas últimas expansões territoriais conferem ao Império Habsburgo um engajamento meridional e mediterrâneo.

O Reino Unido não possui reivindicações territoriais no continente europeu. Mais preocupado em desenvolver seu império colonial e garantir a segurança de suas rotas comerciais, obtém um certo número de ilhas, como a ilhota de Helgoland, no Mar do Norte, além de Malta e as ilhas Jônicas, no Mediterrâneo.

A Suécia vê confirmada a anexação da Noruega às custas da Dinamarca, que, em compensação, recebe os ducados de Holstein e Lauenburg.

A França, uma potência derrotada, recupera aproximadamente suas fronteiras de 1792. Para conter suas ambições territoriais, dois estados-tampão são reforçados em suas fronteiras: no norte, o reino dos Países Baixos, que inclui a Bélgica, é criado, enquanto no sul, o reino do Piemonte-Sardenha recupera Saboia, o condado de Nice, e se expande para incluir a região de Gênova.

Finalmente, as decisões tomadas no Congresso de Viena deixam a península Itálica, assim como a Alemanha, dividida, apesar da criação da Confederação Germânica.

A nova ordem europeia, elaborada em Viena, marca a vingança do Antigo Regime contra os ideais de liberdade resultantes da Revolução Francesa e não atende às aspirações nacionais que crescem na Europa.

Muitos povos ficaram profundamente decepcionados: os poloneses, cujo país foi novamente apagado do mapa, os belgas e noruegueses, submetidos ao domínio estrangeiro, os patriotas italianos e alemães, que aspiram a alguma forma de unidade nacional.

Nos Bálcãs, o enfraquecimento do Império Otomano sustenta o desejo de independência entre os povos cristãos: sérvios, gregos, búlgaros, romenos.

À medida que as quatro maiores potências europeias (Grã-Bretanha, Prússia, Rússia e Áustria), que se opunham ao Império Francês nas Guerras Napoleônicas, viam o poder de Napoleão entrar em colapso em 1814, começaram a planejar o mundo do pós-guerra. O Tratado de Chaumont, de março de 1814, reafirmou decisões que seriam ratificadas pelo mais importante Congresso de Viena, de 1814-15. O Congresso de Viena foi o primeiro de uma série de reuniões internacionais que ficaram conhecidas como o Concerto da Europa, uma tentativa de forjar um equilíbrio pacífico de poder na Europa. Serviu de modelo para organizações posteriores, como a Liga das Nações, em 1919, e as Nações Unidas, em 1945. Essas reuniões incluíram o estabelecimento de uma Alemanha confederada, a divisão dos protetorados franceses e suas anexações em estados independentes, a restauração dos reis Bourbon da Espanha, a expansão dos Países Baixos para incluir o que, em 1830, se tornou a Bélgica moderna, e a continuação dos subsídios britânicos aos seus aliados. O Tratado de Chaumont uniu as potências para derrotar Napoleão e tornou-se a pedra angular do Concerto da Europa, que moldou o equilíbrio de poder para as duas décadas seguintes. O princípio básico do equilíbrio de poder europeu é que nenhuma potência europeia deve ter o direito de alcançar a hegemonia sobre uma parte substancial do continente, e que isso é melhor contido por um pequeno número de alianças em constante mudança disputando o poder.