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sábado, 5 de setembro de 2026

O DILÚVIO NAS MITOLOGIAS DOS POVOS



Todos os povos da Terra contam uma história sobre um dilúvio que ocorreu em suas regiões. E o mais interessante de tudo é que o mito do dilúvio ocorreu no início dessas civilizações. Os povos sumérios, asiáticos, assírios, armênios, egípcios, persas, gregos, etc., pregam também o mito do dilúvio. É claro, cada um de uma forma diferente, mas sempre é o dilúvio.


Nessas histórias, basicamente semelhantes, sempre são mencionadas chuvas torrenciais, uma divindade que decide limpar a Terra porque a humanidade ficou corrupta ou imperfeita, e essas divindades escolhem um homem bom para a salvar e para este dar continuidade à raça humana. A primeira vez que é contada a história do dilúvio é na mitologia sumeriana. É óbvio que a história do dilúvio é muito antiga, até mais antiga do que os próprios sumerianos.


Mas registrado, ou seja, escrito, os negros da antiga Suméria é o primeiro povo a contar uma história sobre um dilúvio em sua mitologia. O mito sumeriano de Gilgamesh conta os feitos do rei da cidade de Uruk, que é Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventura em busca de sua imortalidade. E nessa busca ele encontra as duas únicas pessoas que são imortais, que é Utnapishtim e sua esposa.


Estes dois únicos seres humanos imortais contam a Gilgamesh como eles conquistaram tal sorte. Na tradição suméria, o ser humano foi dizimado por incomodar seus deuses. Segundo este mito, o deus Ea, por meio de um sonho, apareceu a Utnapishtim e revelou a este as pretensões dos deuses de exterminar os seres humanos através de um dilúvio.


O deus Ea pede a Utnapishtim que renuncie aos seus bens materiais e conserve seu coração puro. Utnapishtim então reúne sua família e constrói uma embarcação que lhe foi ordenada pelo deus Ea. E estes ficam por sete dias debaixo do dilúvio que consomem os seres humanos.


Eis aqui um trecho da tal história. Abri aspas. Eu percebi que havia grande silêncio.


Não havia um só ser humano vivo além de nós no barco. Ao barro, ao lodo, haviam retornado. A água se estendia plana como um telhado.


Então eu da janela chorei, pois as águas haviam encoberto o mundo todo. Em vão procurei por terra. Somente consegui descobrir uma montanha, que é o Monte Níger, onde caímos e ficamos por sete dias retidos.


Resolvi soltar uma pomba que voou para longe, e não encontrando local para repouso, retornou. Então soltei um corvo e este voou para longe. Encontrou alimento e não retornou.


Fecha aspas. A segunda história mais antiga do planeta que relata por escrito a história do dilúvio é o povo da Acadia. Os acadianos conquistaram os sumérios.


Sendo assim, depois dos sumérios, o conto da antiga Acadia é o segundo conto do dilúvio mais antigo que se conhece. No dilúvio acadiano é contado o épico de Atrahásis. Atrahásis não é exatamente um nome, mas sim um título.


Portanto, Atrahásis significa grande sábio, ou seja, filósofo em acádio. Segundo o conto acadiano, o Deus que ordenou o dilúvio é o Deus Enlil. O Deus Enlil, então, decidiu destruir toda a vida na terra por causa de um motivo inusitado.


Este motivo é que a humanidade estava fazendo muito, mas muito barulho e não deixava este Deus dormir. Foi um outro Deus chamado Enki que avisou Atrahásis, ou seja, o sábio do futuro desastre que iria vir. E ordenou que Atrahásis construísse uma arca.


E Atrahásis e sua família são salvos do dilúvio. A terceira vez que o dilúvio é mencionado nas escrituras, ou seja, registrado através da escrita, é na Bíblia Sagrada. E segundo a Bíblia, todo mundo conhece a lenda de Noé. 


Todos conhecem a história de Noé. Na América do Norte também temos o mito do dilúvio. Por exemplo, na tribo Lakota, segundo esta tribo, um espírito resolve tocar músicas e atrai a chuva.


E com o tempo, as águas vão aumentando até causar um dilúvio que afoga todos os seres vivos, menos um corvo. E depois, o espírito reconstrói os humanos usando areia colorida. E na mitologia Asteca, das quatro vezes que o mundo acabou, uma dessas vezes foi por causa do dilúvio.


No Brasil, tem-se o mito dos Tupinambás. Segundo consta a lenda, um incêndio universal cria todas as montanhas e vales do nosso planeta. Então, um dilúvio vem para apagar o fogo e torná-la habitável.


Depois do dilúvio, chega um segundo dilúvio, mas os humanos se salvam subindo em árvores. Segundo a mitologia chinena, nós temos o dilúvio da tribo Mapuche. Nas tradições do povo Mapuche, que fica no Chile, existe a lenda sobre uma inundação que aconteceu.


E esta lenda se refere à história das serpentes, chamadas Tenten Vilo e Kaikai Vilo. O dilúvio também é contado na Austrália. Os aborígenes deste local transmitem sua história do dilúvio em forma de conto para crianças.


Segundo a tribo dos Gunai da Austrália, um sapo gigante bebe toda a água do mundo. Enquanto este sapo está com a água na boca, os outros animais fazem cócegas na sua barriga, fazendo ele rir. E com isso, ele despeja todo o líquido no planeta, causando o dilúvio.


Na Índia, os hindus também têm a sua versão diluviana. Segundo as escrituras véticas, conta a história de um rei chamado Svayambuva Manu, que foi avisado sobre o dilúvio por uma encarnação do deus Vishnu, ou Matsaya Avatar. Este deus arrastou o barco do rei Svayambuva Manu e o salvou da destruição.


Este aviso veio através de um peixe que foi poupado da morte. Este peixe avisava o rei Svayambuva Manu sobre um dilúvio de grandes proporções que iria destruir toda a raça humana. Svayambuva Manu então construiu uma nave, ou seja, um barco ou uma arca e arrastou até o ponto mais alto.


E foi assim que ele se salvou da grande inundação. Dessa forma, ele fez um sacrifício aos deuses, usando azeite e nata azida sobre as águas. E desta água emergiu uma mulher conhecida pelo nome de Filha de Manu, com a qual se uniu e deu início à nova geração da raça humana.


Os gregos também contam a mitologia do dilúvio. Segundo a mitologia grega, o dilúvio se deu pelo deus Poseidon, que por ordem de Zeus, havia decidido por o fim a existência humana. Isto porque o rei Licaão e seus descendentes faziam sacrifícios humanos, matando as pessoas que visitavam o seu reino para oferecer em banquete.


Eles cometiam o canibalismo e Zeus, portanto, transforma Licaão e alguns de seus descendentes em lobisomens. Enojado com tais sacrilégios praticados por esta família, Zeus decide dar cabo da raça humana através de um dilúvio. E fala para o seu irmão do meio, Poseidon, enviar o dilúvio.


Segundo a visão de Zeus, a raça humana ficou assim tão sábia para o mal por causa de Prometeu, que havia roubado o fogo dos deuses e dado aos homens. Deucalão e sua esposa Pyrrha foram os únicos sobreviventes do dilúvio. Prometeu disse a seu filho Deucalão que construísse uma arca e nela introduzisse um casal de cada animal.


E assim estes sobreviveram. Ao terminar o dilúvio, a arca de Deucalão pousou sobre o monte Barnazo, onde estava o oráculo de Têmis. Deucalão e Pyrrha entram no templo de Têmis e o oráculo diz para o casal para que eles voltassem a povoar a terra.


E desta forma, o oráculo diz para o casal, abre aspas, voltem aos ossos de suas mães. Deucalão e sua mulher entendem que o oráculo se referia às rochas. E desta forma, as pedras tocadas ou jogadas por Deucalão, aí depende da versão da mitologia, se converteram em homens.


E as pedras tocadas ou jogadas por Pyrrha se transformavam em ninfas. As ninfas eram deusas menores, porque ainda não se havia criado a mulher. Na ilha de Páscoa também é contada a história do dilúvio.


Segundo o povo da ilha de Páscoa, o dilúvio se deu por todo o planeta. E seus ancestrais chegaram à ilha escapando da inundação do mítico continente ou ilha chamado Iva. Na mitologia maia, o dilúvio se deu por conta do deus Urakan.


Segundo consta o Popovu, o livro que reúne relatos históricos e mitológicos do grupo étnico maia da tribo Kish, os deuses, após terminarem a criação do mundo, decidiram criar seres capazes de lhes exaltar e servir. E são criados, portanto, os primeiros seres humanos, todos moldados em barro. Porém, estes seres de barro não eram resistentes ao clima e à chuva, e logo se desfizeram em lama.


Então os deuses criaram o segundo tipo de seres humanos, a partir da madeira. E nessa segunda humanidade, ao contrário da primeira, prosperou rapidamente e se multiplicou em muitos povos e cidades. Mas estes seres feitos de madeira não agradaram aos deuses.


Eles eram secos, não temiam aos deuses e não tinham sangue. Se tornaram arrogantes e não praticavam sacrifícios aos seus criadores. Então os deuses decidem exterminar esta segunda humanidade através de um dilúvio.


Ao contrário da maioria dos outros relatos do dilúvio, nenhum indivíduo foi poupado. Depois da catástrofe, a matéria-prima utilizada para moldar os novos seres humanos foi o milho. E foram criados quatro casais, que são considerados os oito primeiros índios da tribo Kish.


E eles deram origem às três famílias fundadoras, onde hoje é a Guatemala. Segundo a tribo Azteca, no manuscrito denominado Código de Borgia, a história do mundo é dividido em idades, das quais, na última era ou idade, terminou com um grande dilúvio produzido pela deusa Chalchitlicui. Na mitologia dos Incas, Viracocha destruiu os gigantes com uma grande inundação e duas pessoas repovoaram a terra, que foram Manco Capac e Mama Oco, e mais dois irmãos que sobreviveram.


Temos também o dilúvio do povo Uro, próximo ao lago Titicaca. Este povo crê em uma lenda que diz que, depois do dilúvio universal, foi no lago Titicaca onde se viram os primeiros raios de sol. Os chineses, claro, vão ter também uma história sobre o dilúvio.


O grande herói da história chinesa é Yu. Yu é o domador das águas. Foi ele quem conseguiu que esta se retirasse para Ornar, logrando assim que as terras ficassem aptas para o cultivo, contribuindo para o agradecimento da população.


Dos distintos relatos do dilúvio, temos também o de Fang He, ocasionado pelo crescimento dos rios ao redor. Mas a tradição mais extensa é a que tem a Nu Wa. Nu Wa é o protagonista desta história.


Segundo consta a lenda, Nu Wa se salvou junto com sua mulher e seus três filhos de um dilúvio. Nu Wa e seus filhos, como também sua mulher, construíram uma embarcação e colocaram nesta embarcação um casal de cada espécie de animal que habitava a terra. E é tão importante esta história para o povo chinês, que a palavra nave em chinês é Nu Wa.


E o fonema, ou seja, o som da palavra Nu Wa, é bem parecido com o fonema ou o som da palavra Noé. Temos também o mito do desaparecimento da Atlântida e também o mito do desaparecimento da Ilha de Mu. Tanto a Atlântida quanto a Ilha de Mu se desfizeram por causa de um dilúvio.


O mito do dilúvio é praticamente universal. Todas as culturas vão falar sobre um dilúvio. Exceto os povos contam que houve em algum momento na terra um transbordamento de água a tal ponto que inundou várias regiões e fez desaparecer várias civilizações.


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