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sábado, 19 de setembro de 2026

O NOME ORIGINAL DA ÍNIDA



A República da Índia também é conhecida por vários nomes, cada um dos quais é historicamente significativo para seu povo.

Meluhha ou Me-luḫ-ḫaKI
Sumérios
O nome usado pelos antigos sumérios para se referir à região da Índia, especificamente à Civilização do Vale do Indo.
Em textos cuneiformes, o termo era grafado como 𒈨𒈛𒄩𒆠 (Me-luḫ-ḫa KI), onde o sufixo "KI" servia como um indicador de "lugar" ou "terra".
Os textos sumérios referem-se repetidamente a três importantes centros com os quais comercializavam: Magan, Dilmun e Meluhha.
♦Magan: A localização suméria de Magan é agora aceita como sendo a área que atualmente abrange os Emirados Árabes Unidos e Omã.
♦Dilmun: Dilmun era uma civilização do Golfo Pérsico que comercializava com civilizações mesopotâmicas. O consenso acadêmico atual é que Dilmun abrangia o Bahrein, a Ilha de Failaka e a costa adjacente da Arábia Oriental no Golfo Pérsico 
Historiadores e linguistas sugerem que a palavra pode ter raízes dravídicas (uma família linguística do sul da Índia), possivelmente derivada de mel akam, que significa "terra alta" ou "morada elevada". Outra vertente liga o nome à palavra sânscrita Mleccha, usada posteriormente para designar estrangeiros.
♦Meluhha: Nos tabletes de argila da Mesopotâmia, Meluhha é descrita como uma terra distante e próspera localizada a leste. Os sumérios importavam de lá matérias-primas valiosas como marfim, ouro, madeira exótica e contas de cornalina.
Vários selos do Vale do Indo com escrita Harappiana foram encontrados na Mesopotâmia, particularmente em Ur , Babilônia e Quis 

Gudea de Lagash
Gudea, governador da cidade de Lagash numa das suas inscrições, mencionou a sua vitória sobre os territórios de Magan, Meluhha, Elam e Amurru. Antes disso, ele referiu-se aos Meluhhans que vieram à Suméria para vender pó de ouro, cornalina, etc..
Nos cilindros de Gudea ele menciona o seguinte: "Espalharei pelo mundo o respeito pelo meu Templo, sob meu nome todo o universo se reunirá nele, e Magan e Meluhha descerão de suas montanhas para participar" (cilindro A, IX). No cilindro B, XIV, ele menciona sua aquisição de "blocos de lápis-lazúli e cornalina brilhante de Meluhha".

Reino Acádio
De acordo com alguns relatos do rei acádio Rimush , ele lutou contra as tropas de Meluhha, na área de Elam.
"Rimuš, o rei do mundo, em batalha contra Abalgamash , rei de Paraḫšum , saiu vitorioso. E Zahara, Elam, Gupin e Meluḫḫa, dentro de Paraḫšum, reuniram-se para a batalha, mas ele (Rimush) saiu vitorioso e matou 16.212 homens e fez 4.216 prisioneiros. Além disso, capturou Ehmahsini, rei de Elam, e todos os nobres de Elam. Além disso, capturou Sidaga'u, o general de Paraḫšum, e Sargapi, general de Zahara, entre as cidades de Awan e Susa , junto ao "Rio do Meio". Além disso, um túmulo foi erguido sobre eles no local da cidade. Além disso, os alicerces de Paraḫšum, da terra de Elam, ele arrancou, e assim Rimuš, rei do mundo, governa Elam, (como) o deus Enlil havia mostrado..."
—  Inscrição de Rimush

Assírios
Em uma inscrição, Sargão da Acádia (2334–2279 a.C.) mencionou navios vindos de Meluhha, Magan e Dilmun. Seu neto Naram-Sin (2254–2218 a.C.), ao listar os reis rebeldes sob seu domínio, mencionou " (..)ibra , homem de Melukha". Em uma inscrição, Gudea de Lagash (c.  século XXI a.C.) mencionou os meluhhans que vieram à Suméria para vender pó de ouro, cornalina , etc. Nos cilindros de Gudea , Gudea menciona que:
"Espalharei pelo mundo o respeito pelo meu Templo, sob o meu nome todo o universo se reunirá nele, e Magan e Meluhha descerão de suas montanhas para participar."
—  Inscrição do cilindro A, IX:19 
No cilindro B , XIV, ele menciona sua aquisição de "blocos de lápis-lazúli e cornalina brilhante de Meluhha".
Meluhha também é mencionada em lendas mitológicas como Enki e Ninhursag :
"Que a terra estrangeira de Meluhha carregue navios repletos de cornalina preciosa e desejável, madeira mes perfeita e madeira aba. "
— Enki e Ninhursag
Não há menções conhecidas de Meluhha depois de 1760 a.C. 

Terceira Dinastia de Ur
Numa das suas inscrições, Ibbi-Sin Rei da  Terceira Dinastia de Ur (Suméria e da Acádia), menciona que recebeu como tributo de Marhasi um cão vermelho Meluhha.
"Ibbi-Sîn, o deus de seu país, o poderoso rei, rei de Ur e rei dos quatro quadrantes do mundo, seu 'cão' Meluḫḫa malhado, trazido por eles de Marḫaši como tributo, uma réplica dele ele moldou e dedicou a ele por sua vida (Nanna)."

Colônia Comercial de Meluhhan na Suméria
No final do período sumério, há numerosas menções em inscrições de um assentamento de Meluhha no sul da Suméria, perto da cidade-estado de Girsu. A maioria das referências parece datar do Império Acádio e especialmente do período Ur III. A localização do assentamento foi provisoriamente identificada com a cidade de Gu'abba. As referências a "grandes barcos" em Gu'abba sugerem que ela pode ter funcionado como uma colônia comercial que inicialmente teve contato direto com Meluhha.
Parece que o comércio direto com Meluhha diminuiu durante o período Ur III e foi substituído pelo comércio com Dilmun , possivelmente correspondendo ao fim dos sistemas urbanos no Vale do Indo por volta dessa época.

Bhārat ou Bhāratavarṣa
O nome da Índia em várias línguas Indianas, é derivado principalmente do nome da tribo védica dos Bharatas, mencionada no Rigveda como um dos principais reinos do Aryavarta. Também é dito que é derivado do nome do filho de Dushyanta, Bharata do Mahabharata, ou do filho de Jain Tīrthaṅkara Rishabhanatha, Bharata.
O nome quer  "aquilo que é mantido" ou "aquele que nutre". No sânscrito védico antigo, era frequentemente usado como um epíteto para Agni (o deus do fogo), referindo-se ao fogo sagrado que precisava ser constantemente mantido e alimentado pelas pessoas.
Bhāratavarṣa é um termo que pode ser um adjetivo ou nome próprio para designar a nação por meio do sufixo Varṣa (que significa "terra" ou "região"). Bhāratavarṣa significa, portanto, "a terra dos descendentes de Bharata" ou "o reino de Bharata".
De acordo com textos sagrados como o Vishnu Purana, esse território era delimitado geograficamente como a região que ficava "ao norte do oceano [Índico] e ao sul das montanhas nevadas [Himalaia]".
No início, o nome Bhārat referia-se apenas à parte ocidental do Vale Gangético, mas posteriormente foi aplicado de forma mais ampla ao Subcontinente Indiano e à região da Grande Índia, assim como o nome "Índia". Hoje refere-se à contemporânea República da Índia ali localizada.

Āryāvarta
Āryāvarta (do sânscrito आर्यावर्त, "Terra dos Nobres" ou "Terra dos Ários") é um termo geográfico e cultural de textos hindus antigos (como os Dharmashastras, Sutras e Manusmriti) para designar a região norte do subcontinente indiano. O conceito não se referia a um país político moderno ou a uma fronteira estática, mas sim a um ecossistema cultural e geográfico moldado pelo idioma sânscrito, pela ritualística védica e pelo dharma.
A extensão territorial de Aryavarta expandiu-se consideravelmente ao longo dos séculos, acompanhando a própria difusão da influência bramânica e das migrações indo-arianas.
♦Período Védico Inicial (Baudhayana Dharmasutra): Originalmente, estava limitado à fértil região do Doab, o território situado estritamente entre os rios Ganges e Yamuna. Fora dessas fronteiras, as terras eram consideradas "impuras".
♦Período Védico Tardio (Patanjali Mahabhashya): A definição expandiu-se para abranger a Planície Indo-Gangética. Limitava-se ao norte pelo Himalaia, ao sul pelas montanhas Vindhya, ao oeste onde o rio Sarasvati desaparecia (deserto de Thar) e a leste pela Floresta Negra (Kalakavana).
♦Era Clássica (Manusmriti): Teve sua maior expansão textual, passando a ser descrita como toda a terra entre o Himalaia e os Vindhyas que se estendia do mar oriental (Baía de Bengal) ao mar ocidental (Mar Arábico).

Aryavarta vs. Bhārata - Índia
Historicamente, Aryavarta não é sinônimo de toda a Índia. Enquanto Bhārata (ou Bharatavarsha) descrevia uma noção geográfica muito mais ampla de todo o subcontinente indiano (do Himalaia até o oceano ao sul), Aryavarta focava predominantemente na metade norte, onde a ortodoxia ritualística védica e a estrutura social de castas mantinham-se mais rígidas. Regiões ao sul da cordilheira de Vindhya ou muito ao leste muitas vezes ficavam de fora desse escopo tradicional.

Significado Cultural e Renascimento Moderno
Mais do que um mapa, Aryavarta representava uma maneira de viver baseada no Dharma. Quem viajava para além de seus limites frequentemente precisava passar por rituais de purificação ao retornar.
No século XIX e início do século XX, o nome ganhou uma nova vida política e mística. Movimentos de reforma hindus, como o Arya Samaj fundado por Swami Dayananda Saraswati, e intelectuais da Sociedade Teosófica (como Madame Blavatsky) reavivaram o termo. Eles usavam a ideia de "Aryavarta" como um símbolo de uma Idade de Ouro espiritual para inspirar o orgulho nacionalista e a resistência cultural contra o colonialismo britânico.

Sindhu ou Índia
A palavra Sindhu significa "grande rio", "correnteza" ou "oceano". Sindhu é o nome em sânscrito do rio Indo e a raiz histórica da palavra Índia.
Nos textos védicos antigos, como o Rig Veda, o rio Indo era chamado de Sindhu. A região noroeste da Índia também era conhecida como Sapta Sindhu (a terra dos sete rios). 
O nome "Índia" é originalmente derivado do nome do rio Sindhu (Rio Indo) e tem sido usado em grego desde Heródoto (século V a.C). O termo apareceu no inglês antigo no início do século IX e ressurgiu no inglês moderno no século XVII.
O termo 'Hindu' foi a adaptação Persa Antiga de "Sindhu" ou Rio Indo. Os antigos persas tinham dificuldade em pronunciar o som "s" e o transformavam em "h". Assim, Sindhu virou Hindu ou Hindus para descrever a região ao redor do rio.
Os gregos antigos retiraram o "h" inicial de Hindu e adaptaram o termo para Indu, Indas e, finalmente, Indika (que deu origem a India em inglês e Índia em português).
Portanto, a palavra "Índia" é uma evolução linguística de "Sindhu". Além disso, o termo também deu origem às palavras Indo (o rio), Hindu (o povo/religião) e Hindi (o idioma).

Hindūstān
O termo 'Hindu' foi a adaptação Persa Antiga de "Sindhu" ou Rio Indo. "Hindustão" ainda é comum entre os estudiosos do Urdu.
A etimologia da palavra Hindūstān tem origem no persa antigo e resulta da junção de dois elementos principais: o nome de um rio e um sufixo geográfico.
♦Hindu: Este termo deriva diretamente do sânscrito Sindhu, que é o nome original do rio Indo (localizado no atual Paquistão). Quando os antigos persas (que falavam o idioma avéstico) tentavam pronunciar Sindhu, o som do "S" inicial transformava-se naturalmente em "H", resultando na palavra Hindu. Portanto, inicialmente, "hindu" não se referia a uma religião, mas sim a qualquer pessoa ou elemento pertencente à região geográfica ao redor do rio Indo.
♦Stān: É um sufixo de origem indo-iraniana (partilhado pelo persa e pelo próprio sânscrito na forma -sthāna) que significa "lugar de", "país" ou "terra de". É o mesmo sufixo encontrado em nomes de países modernos como Paquistão, Afeganistão e Cazaquistão.

Quando esses dois elementos foram unidos pelos falantes de persa, a palavra passou a significar literalmente "A terra do rio Indo" ou "A terra dos povos além do Indo". Ao longo dos séculos, à medida que os impérios de língua persa (como o Sultanato de Déli e o Império Mogol) se expandiram, o significado de Hindūstān também se ampliou geográfica e culturalmente, passando a designar todo o subcontinente indiano e, eventualmente, os seus habitantes em geral.
Sendo assim, Hindūstān é o nome em língua persa para a Índia, referindo-se historicamente ao subcontinente indiano. A palavra é uma junção de Hindū (termo persa derivado do rio Indo) com o sufixo -stān (que significa "terra" ou "país"), traduzindo-se literalmente como "a terra dos hindus".
Historicamente, os persas, árabes e o Império Mogol utilizavam o termo para designar toda a região geográfica da Índia.
Cultural e geograficamente, descreve comumente a vasta planície do norte da Índia (entre o rio Sutle e a cidade de Varanasi), onde o idioma hindustâni (base do hindi e do urdu) é predominantemente falado.
Desde a Partição da Índia em 1947, o termo continua em uso popular e literário dentro e fora do país como um nome histórico e afetivo para a República da Índia.

Jambudvīpa
O nome quer dizer "A Ilha da Jambu ou A Terra das Árvores de Jambu" (a ameixa-roxa indiana ou jambolão). É um conceito profundo e multifacetado que transita entre a geografia histórica da Ásia Meridional e a cosmologia sagrada de três grandes religiões nascidas na Índia: o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo.
Era a forma como os antigos descreviam a posição geográfica do subcontinente no mundo conhecido. O imperador Ashoka no século III a.C., usava este termo em suas inscrições para se referir ao seu reino.
Era usado em escrituras antigas como um nome para a Índia antes que o termo Bhārat se tornasse difundido. Pode ser uma referência indireta à Índia Insular. Em Myanmar, era chamada de "Zabudipa". O derivado Jambu Dwipa era o termo histórico para a Índia em muitos países do Sudeste Asiático antes da introdução da palavra inglesa "India". Este nome alternativo ainda é usado ocasionalmente na Tailândia , Malásia , Java e Bali para descrever o subcontinente indiano. No entanto, também pode se referir a todo o continente asiático. Foi usado pelo imperador Maurya Ashoka no século III a.C., em suas inscrições para denotar seu reino.

Nābhivarṣa
O nome quer dizer "Terra de Nabhi", é um nome antigo e histórico para a Índia antes de ser conhecida como Bhāratavarṣa. O nome está profundamente enraizado nas tradições hindu e jainista. 
O termo deriva do rei Nabhi , um monarca lendário (Chakravartin). Na genealogia das escrituras, ele era filho do rei Agnīdhra, neto de Priyavrata e marido de Merudevī.
A transição para o nome Bhāratavarṣa vem do filho e sucessor do Rei Nabhi, que é seu filho chamado de Rishabhanatha que também é chamado de Arihant Rishabha, reverenciado assim como como o primeiro Tirthankara do Jainismo. 
O filho de Rishabhanatha foi Bharata, neto do Rei Nabhi. 
De acordo com textos de ambas as tradições, o subcontinente foi renomeado Bhāratavarṣa em homenagem a Bharata quando ele ascendeu ao trono.

Tianzhu ou Tenjiku
Era o nome utilizado por antigos estudiosos e crônicas da China e do Leste Asiático para designar a Índia, representando uma variação fonética histórica também ligada à palavra Sindhu.

Hodu
É o nome em hebraico bíblico para a Índia, aparecendo explicitamente no Livho de Ester no Antigo Testamento.


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