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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ADÃO E OS MITOS DA ANTIGA MESOPOTÂMIA

 


Em 1981, o Dr. Niels-Erik Andreasen, escreveu um artigo, chamado de: Adam and Adapa: two anthropological characters. No seu trabalho, o Dr. Andreasen estabeleceu relações e paralelos entre o mito adâmico e o mito babilônico de Adapa. Nosso foco tem como objetivo reforçar a tese de Andreasen sobre a existência desses paralelos míticos, encontrados: no 1º ao 3º capítulo do livro do Gênesis com os diversos mitos que encontramos na Antiga Mesopotâmia, que além de ser o berço da civilização teve forte influência nos autores bíblicos. Os mitos que iremos abordar na nossa pesquisa são: o Mito de Gilgamesh, o Mito de Adapa e o Enuma Elish. Estes três mitos tiveram influência no que tange a Criação do mundo e do homem visto na Bíblia. Isso quer dizer que os povos da Mesopotâmia estiveram ao longo de milhares de anos em contato com os Hebreus, antes como depois do “Cativeiro da Babilônia” (587-527 a. C), tendo como consequência o nascimento do judaísmo monoteísta rabínico.

O texto escrito pelo Dr. Niels-Erik Andreasen, em 1981 estabeleceu paralelos entre: Adapa e Adão, apesar de que muitos teólogos não aceitam tais relações, por questões religiosas. Porém, são inegáveis as semelhanças entre estes dois personagens. Neste caso, iremos considerar que tanto, Adão como Adapa sejam tratados como personagens mitológicos, pois até o presente momento, não foi encontrado nenhuma prova arqueológica ou histórica vinda de fonte neutra, que demonstrem terem existido. Também iremos estudar as semelhanças, no local que Adão vivia (Jardim do Éden), o papel da serpente nesse local e a sua auxiliadora (Eva) com os mitos da Mesopotâmia.

Sabemos que o Gênesis teve uma forte influência externa vinda dos babilônios no que diz respeito à Criação do Mundo e do ser humano. Havendo assim, paralelos com outros registros mitológicos. No que tange a pesquisa, serão analisadas as fontes secundárias e assim, iremos tentar demonstrar a ocorrência de influências: mitológicas, nas palavras hebraicas, que aparecem no Gênesis, dos capítulos: 01 ao 03 que são sem dúvida, fontes mais antigas, que os relatos bíblicos.

 

O RELATO DO MITO DE ADAPA

Os textos que relata a respeito de Adapa foram descobertos pelos arqueólogos no final do século XIX, em Tell-el-Amarna, a capital do Império Egípcio na Era de Akhenatón (1352-1335 a. C). Ali foram descobertas inscrições cuneiformes das chamadas: “Cartas de Amarna” que guardam o relato mitológico de Adapa.

De acordo com McCall (1994) esse mito foi escrito em tabletes de argila contendo: 120 linhas datadas, entre: 15º e 14º século a. C, porém há referências mais antigas deste mito, em Nínive no início do segundo milênio a. C. Segundo a tradução feita por McCall (1994), Adapa era um sábio sacerdote de Ea (Enki – sumério), na cidade de Eridu. O mito alega que todos os dias, Adapa comparecia aos ritos religiosos. Ele assava pão e colocava mesas votivas apresentadas como ofertas aos deuses. Ele era pescador do templo, saia em seu barco com o objetivo de capturar peixes e ofertá-los, no templo dedicado a Ea (McCALL, 1994).

Certo dia, quando Adapa estava pescando, o Vento Sul passou e o derrubou do barco, jogando-o nas águas do rio. Então, tomado pela raiva, Adapa resolveu “quebrar a asa do Vento Sul” e por sete dias, o Vento Sul não soprou nos campos. Anu, o deus do céu queria saber por que não estava ventando e foi informado pelos seus conselheiros, que Adapa havia quebrado a asa do “Vento Sul”.

Anu exigiu que Adapa se apresentasse a ele para explicar o ocorrido. Nesta parte do texto, Andreasen (1981) esclarece que Ea, o deus de Eridu, apareceu a Adapa para lhe dar dois conselhos. 1º Ao aparecer na presença de Anu (An em sumério) deve-se usar uma roupa de luto para tentar obter simpatia dos guardiões do portão do céu: Tammuz e Gizzida que guardam a entrada da casa de Anu. E 2º seriam oferecidos o pão e a água da morte, dos quais ele não deveria comer e nem beber (McCALL, 1994). Quando Adapa visitou Anu e explicou o que aconteceu, tendo apoio dos dois guardiões que falam a seu favor, os empregados de Anu: “Trouxeram a ele o pão da vida (eterna), mas ele não comeu. Trouxeram a ele a água da vida (eterna), mas ele não bebeu” (McCALL, 1994, p. 66).

No Mito, Adapa rejeitou os alimentos e as bebidas reservadas aos deuses, que davam a vida eterna. Sua rejeição tem a ver com a obediência ao deus Ea. Por isso Adapa é lembrado por ser um dos sete sábios ou Apkallu, que significa: “sábio” (ANDREASEN, 1981).


ANÁLISE DO LIVRO DO GÊNESIS

Segundo os teólogos, Storniolo e Balancin (1991) no livro do Gênesis há narrativas da Criação que: “pertencem a épocas diferentes e refletem situações e problemas diferentes” (STORNIOLO e BALANCIN, 1991, p 12). Para Storniolo e Balancin (1991) o Gênesis é um relato mítico e figurativo de uma época.

Segundo Storniolo e Balancin (1991), o livro do Gênesis observado em: 1,1 e 2,4 teria surgido antes de: 587-527 a. C ou “Cativeiro da Babilônia”. Com o fim da guerra judaico-babilônica, a cidade e o Templo de Jerusalém foram destruídos, os Hebreus foram escravizados e levados para viver na Babilônia. Isso mexeu com a psique daquelas pessoas (SALMOS 137) e muitos Hebreus passaram a adorar os deuses babilônicos (Marduk, Enki e outros). Como tentativa de manter viva a sua cultura e religião, alguns Hebreus passaram a escrever seus livros sagrados: o Torá e o Talmude.

O Torá e o Talmude receberam influência das culturas persa e babilônica. A observação do sábado como um dia sagrado é uma herança dos sumérios, que viveram no 3º milênio a. C. Segundo Caramelo (2006), da Universidade de Lisboa, os Mesopotâmicos ao organizarem a vida urbana e o tempo, precisaram criar calendários civis e religiosos, com o objetivo de manter uma ordem social.

O calendário, como forma de organizar o tempo e a existência humana, tinha que ser explicado. Na verdade, os mesopotâmios acreditavam que todas as realizações primordiais, que haviam permitido ao homem fundar o mundo tal como o conheciam, tinham sido criadas pelos deuses e concedidas à humanidade (CARAMELO, 2006, p 01).

Os Sumerianos perceberam que existem quatro fases lunares. E, cada fase lunar teria a duração de sete dias e no último dia da semana ocorre a transição das fases lunares. Então, o último dia da semana, o sábado, que para os Sumerianos não era um dia tão sacro. O contato cultural e religioso entre os Hebreus e os Sumerianos possibilitou influências herdadas do costume de santificação do sábado.

Storniolo e Balancin (1991) afirmam que a Criação divina teria durado sete dias. O Enuma Elish também sugere que a Criação dos deuses teria durado uma semana. No relato do Gênesis, o ápice da criação é o Homem e a Mulher (Gn 01: 27), criados no sexto dia. No sétimo dia, “Deus” descansou (referência direta ao sábado sendo sagrado e adotado pelos Hebreus).

O esquema da criação numa sequência de seis dias denota uma preocupação com a ordem. Esta é conseguida através de separações e distinções, ordenando a realidade caótica da Terra, que estava “sem forma e vazia” (STORNIOLO E BALANCIN, 1991, p 14).

Somente no 2º e 3º capítulo de Gênesis aparecem: Adão, Eva, o Jardim e a Serpente. Muitos teólogos acreditam que essas passagens sejam figurativas ou ilustrativas. Para Storniolo e Balancin (1991) não devemos tomar o livro do Gênesis como literal, esse livro não é científico, é apenas um relato lendário sobre as origens do Mundo e do Homem. “Lembremos, porém, que essa narrativa também não está interessada no problema científico das origens, mas visa responder a certas preocupações do tempo em que ela nasceu” (STORNIOLO e BALANCIN, 1991, p 15).


A DATAÇÃO DOS MITOS: ADÂMICO E DE ADAPA

De acordo com Scheindlin (2003) a inscrição hebraica mais antiga registrada é datada por volta de 950 a. C, que é o Calendário de Gezer. No momento, não há nada hebraico mais antigo que esse Calendário. Segundo Armstrong (2012), o livro do Gênesis assim, como o Pentateuco, teria sido escrito por diferentes pessoas em diferentes períodos históricos sendo datado entre: 800-600 a. C.

No que se refere ao Enuma Elish e ao Mito de Gilgamesh, há uma certeza de que foram escritos no início do 2º milênio a. C (KRAMER, 1969), obviamente sendo mais antigos que o relato de Gênesis. O Enuma Elish consiste em sete tabletes de argila, que narra a Criação do Mundo. McCall (1994) sugere que o mito de Adapa foi encontrado, em Tell-El-Amarna no Egito, sendo datado em: 1400-1300 a. C.

Muitos teólogos, como Pontes (2010), acreditam que o 1º Capítulo de Gênesis tem paralelos com o livro sagrado Mesopotâmico, o Enuma Elish, sendo ele a base de sua dissertação. Comparando esses dois livros, notamos que eles possuem elementos comuns, como por exemplo: 1º a ocorrência do caos (a escuridão ou as trevas cobriam o abismo), 2º a água existindo antes da criação e 3º o vento (o sopro ou o movimento de “Deus” sob as águas) (PONTES, 2010). Essas similaridades descritas acima são muito comuns no mundo Hebraico e Mesopotâmico.


ADÃO EVA O JARDIM DO ÉDEN E A SERPENTE

ADÃO

Segundo a Bíblia, El (“Deus”) criou Adão a partir do barro ou do “pó da Terra”. Na Antiga Mesopotâmia e no Egito Antigo, o barro era uma força criadora. Com o barro fazia-se: tabuletas, cerâmicas, utensílios caseiros, tijolos para construção de casas e monumentos, cerâmicas ritualísticas para oferendas aos deuses. De acordo com Bottéro (2011), os mesopotâmicos acreditavam que após a morte o cadáver tornava-se pó devido ao processo de decomposição. Quando “Deus” soube que Adão havia comido do fruto proibido censurou-o dizendo: “[…] por que tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3: 19). No Mito de Gilgamesh, percebemos que Gilgamesh ficou enlutado por causa da morte de seu amigo Enkidu: “Quero gritar, para que todos ouçam! O amigo que me era tão caro tornou-se pó; Enkidu, o meu amigo, tornou-se como argila” (MELLA, s/d, p 61). Tanto no Gênesis como no Mito de Gilgamesh o ser humano é criado do barro e se torna pó após sua morte.

Podemos notar que, no mito de Adão e na Epopeia de Gilgamesh, há alguma similaridade. Tanto Adão como Enkidu são a “imagem e semelhança” dos deuses. Isso sugere que antes da queda esses dois personagens teriam adquirido qualidades divinas que se perderam no decorrer de suas estórias mitológicas.

No mito, Adão teve dois filhos: Caim e Abel. Isso é uma alegoria que serve para representar o mundo urbano (Caim) em contraste com o mundo rural (Abel). Segundo a pesquisa realizada pelos mestres: Pedro Sahium, Vera Regiane Brescovici Nunes e Washington Maciel da Silva (2016) Caim e Abel e seu assassinato estaria no campo do simbolismo ao invés de ser tratado como um fato histórico.

No que tange as semelhanças, entre: Adapa e Adão, Andreasen (1981) sugere que se substituirmos: o “p” pelo “m” – temos “Adama” (que significa: “Solo ou Terra” a origem de Adão). Se tirarmos a letra “a” de “Adama”, fica: Adam, que em hebraico que significa: “Homem” (Adão, em português) (ANDREASEN, 1981, p 181).

Andreasen (1981) em seu texto criou jogos de palavras apresentadas de forma rica e ampla, dificultando refutação devido às comparações dos objetos tratados, como por exemplo: obedecer a deus: Ea ou El; não comer determinada comida; perder a vida eterna se comer uma determinada comida; vestir roupas adequadas: luto no caso de Adapa enquanto Adão e Eva usaram roupas de pele, feitas por El (Gn 3: 21):

Tanto Adam quanto Adapa foram aparentemente testados com comida (e bebida, no caso de Adapa); e, segundo alguns intérpretes, ambos falharam no teste, daí o paralelo entre os dois relatos (ANDREASEN, 1981, p 182).

Pelo que sabemos do Mito de Adapa, quando ele apareceu na frente de Anu foi-lhe oferecido: “o pão e a água da vida” ele obedeceu às recomendações do seu deus Ea, e não comeu e nem bebeu nada, e com isso perdeu a vida eterna. No caso de Adão aconteceu o mesmo. A sua auxiliar (Eva) foi tentada pela Serpente, que lhe ofereceu a comida (fruto), Adão e Eva comeram da comida e desobedeceram às recomendações de El e assim, ambos perderam a vida eterna (ANDREASEN, 1981). No Mito de Adapa a comida foi oferecida pelo deus Anu, enquanto, no Mito de Adão, a comida foi oferecida inicialmente pela Serpente. Os dois casos tiveram como consequência a perda imediata da imortalidade. De qualquer forma, Andreasen, concluiu:

Both were subject to a test involving food and both received two sets of advice; namely, “do not eat” (God and Ea) and “eat” (Serpent and Anu). One, Adapa, obeyed and passed his test; the other, Adam, disobeyed and failed. But even this situation is complicated by a further consideration; namely, the relationship between obedience/disobedience and immortality (ANDREASEN, 1981, p 185).

1.4.2 EVA

Eva surge em Gênesis 02: 22. No mito adâmico, os clérigos medievais taxaram Eva como a mulher responsável por Adam (Adão) ter perdido sua imortalidade e a sua inocência (MACEDO, 1999). É justamente, isso que o Mito de Gilgamesh, exemplifica. Inicialmente, os deuses criam Enkidu, do barro, como um valoroso guerreiro, que falava, comia e vivia junto com os animais nas florestas. Ele destruía armadilhas dos caçadores.

Ele era inocente a respeito do homem e nada conhecia do cultivo da terra. Enkidu comia grama nas colinas junto com as gazelas e rondava os poços de água com os animais da floresta; junto com os rebanhos de animais de caça, ele se alegrava com a água (ANÔNIMO, 2001, p 62).

Os caçadores foram para Uruk e reclamaram com Gilgamesh, que Enkidu estava atrapalhando a caça. E Gilgamesh, colocou uma mulher do Templo de Ishtar “desnuda” chamada: Shamhat para seduzi-lo e fazer sexo com ele. E, durante seis dias e seis noites eles fizeram sexo. Quando terminaram, Enkidu tentou voltar a sua antiga rotina, entre os animais da floresta. Mas, os animais começaram a fugir dele. Moral da estória, Enkidu culpou a mulher por ter perdido sua inocência (MELLA, s/d).

[…] depois de satisfeito, porém, ele voltou para os animais selvagens. Mas agora, ao vê-lo, as gazelas punham-se em disparada; as criaturas agrestes fugiam quando elas se aproximavam. Enkidu queria segui-las, mas seu corpo parecia estar preso por uma corda, seus joelhos fraquejaram quando tentava correr, ele perdera sua rapidez e agilidade. E todas as criaturas da selva fugiram; Enkidu perdera sua força, pois agora tinha o conhecimento dentro de si, e os pensamentos do homem ocupavam seu coração. Então ele voltou e sentou-se ao pé da mulher, e escutou com atenção o que ela lhe disse: “És sábio, Enkidu, e agora te tornaste semelhante a um deus. Por que queres ficar correndo à solta nas colinas com as feras do mato? Vem comigo. Vem e te levarei à Uruk das poderosas muralhas, ao abençoado templo de Ishtar e Anu, do amor e do céu; lá vive Gilgamesh, que é forte, e como um touro selvagem domina e governa os homens (ANONIMO, 2001, p 63-64).

No texto, Enkidu ao ter contato sexual com Shamhat perdeu suas características, e a moça lhe disse: “que agora estava semelhante aos deuses” é a mesma descrição, que encontramos em Gênesis 03: 22, quando o casal: Adão e Eva comem do fruto proibido.

Isso quer dizer que graças à mulher, Enkidu ao perder sua identidade, da mesma forma que aconteceu com Adam (Adão). No mito grego, a 1ª mulher humana criada pelos deuses foi Pandora. Ela era bela, como Afrodite, inteligente e curiosa. Diz à lenda que Pandora, e sua “intensa curiosidade”, mexeu numa caixa que Epimeteu guardava e ao abri-la liberou as mazelas, doenças e a maldade, que se se alastram pelo mundo afora (BULFINCH, 2001). Resumindo, na Antiguidade, as mulheres eram consideradas cidadãs de segunda classe, sem direitos iguais aos homens e, além disso, eram acusadas religiosamente, de trazer o mal para a sociedade.

Na sociedade da Antiga Mesopotâmia e da região de Canaã, as mulheres tinham certas proibições, como: não sair à rua desacompanhada, ficar confinadas numa seção reservada às mulheres, no Templo. Caso a mulher esteja menstruada era proibida por lei ir ao Templo para fazer seu sacrifício (Levítico 15: 19-24). Existia certa obrigatoriedade do uso do véu (até hoje é seguida). Havia convenções sociais que impunham mais deveres do que direitos para as mulheres.

 

O JARDIM DO ÉDEN

Segundo consta, em Gênesis 02: 10; El (“Deus”) criou um Jardim e pôs o Homem para “guardá-lo”. A localização desse Jardim está descrita na Bíblia, havia um rio que nascia no Éden e que irrigava o Jardim, e se dividia em quatro partes: Tigre, Eufrates, Pisom e Giom. Bem… Os rios Tigre e Eufrates se localizam na Antiga Mesopotâmia (hoje, Iraque). Os rios: Pisom e Giom ainda não foram descobertos, caso existissem provavelmente, teriam seus cursos d’água alterados, pois de tempos em tempos mudam-se rapidamente a trajetória dos rios.

No século III a. C os judeus gregos, elaboraram a bíblia grega, chamada de: Septuaginta. Gênesis é uma palavra grega que significa: Começo. A palavra: “Jardim” no hebraico é: Gan. Essa mesma palavra em grego significa:  pa-rá-dei-sos ou “Paraíso”. Já o nome: “Éden” não é de origem hebraica e sim sumeriana, sua etimologia vem da palavra: “Edin” ou “Edinu”, que significa: “campo ou planície”. A palavra: Edinu assemelha-se com Eridu, cidade em que Adapa vivia. Essa cidade se localizava numa planície aluvial.

Sabendo as origens das palavras: Jardim do Éden, podemos concluir seu significado que é: “Paraíso da Planície”. Para os romanos, o local em que os mortos iam era uma espécie de paraíso, chamado de: “Campos Elísios” – o “Campo” pode ser associado, também uma planície. Enkidu amigo de Gilgamesh era chamado de “pantera da planície”. E finalmente, Clifford (1994) e alguns pesquisadores comparam Enkidu e a mulher que ele teve relação (Shamhat) como sendo a inspiração para a criação de: Adão (‘adam) e Eva (ḥavah).

Segundo Kriwaczek (2018) afirmou que Edin seja um nome sumério que deriva de: Gu-Edin, que significa: “borda da estepe” (KRIWACZEK, 2018). Kriwaczek (2018) afirma que o Éden da Bíblia, seria uma referência a Gu-Edin (um local paradisíaco). Segundo consta, as cidades de Lagash e Umma, que ficavam a 30 km de distância uma da outra, estiveram em guerra por 100 anos. Outras fontes falam em 150 anos de conflito. O motivo dessa disputa era controle de: Gu-Edin. Descrita como uma região muito rica em recursos naturais: “ali havia pastagens para rebanhos e manadas, além de caça abundante para cultivar: javalis, cervos, gazelas, órixes, avestruz, jumentos selvagens, bois selvagens” (KRIWACZEK, 2018, p 116). O controle desse território era de extrema importância para as duas cidades, com o objetivo de expandir seus domínios, aumentando a criação de gado e a produção de cereais. O solo daquela região era extremamente fértil. Quando, o rei de Lagash venceu Umma encomendou-se a criação algo que mostrasse toda a campanha militar. Foi criado então: Estela dos Abutres, sendo datada do início da III Dinastia Suméria, em torno de: 2.600-2.350 a C.

Na maioria das Mitologias existe uma árvore associada à vida eterna ou à morte. No “Paraíso”, El (“Deus”) criou todo tipo de árvores de bons frutos para comer. Tendo ali: a Árvore da Vida. “Deus” colocou essa árvore no seu Jardim, que o Homem iria guardá-lo (Gênesis 02: 15). A mulher só aparece em: Gênesis 02: 23-25. Resumindo, o Jardim pertencia á El (“Deus”) e não ao homem. No mito de Gilgamesh, a Árvore da Vida está associada ao jardim dos deuses e é guardada por uma mulher (Siduri-Sabitu):

Perante Gilgamesh se estendiam agora os esplêndidos “Jardins dos deuses”, os frutos eram como rubi, pendiam magníficos cachos de uva, uma outra árvore era coberta de lápis-lazúli […] Gilgamesh foi orientado a […] “Procurar Siduri-Sabitu, a sábia senhora da Montanha Celeste, ela está sentada sobre um trono no jardim dos deuses, junto o Oceano e a custódia a Árvore da Vida (MELLA, s/d, p 62).

Mitos recentes, como dos nórdicos (Vikings) têm em sua mitologia uma árvore associada à vida. Segundo eles, essa árvore liga: o mundo dos Homens ao mundo dos mortos e ao mundo dos Deuses, chamada de Yggdrasil. Essa árvore era considerada pelos nórdicos uma “árvore sagrada”. Segundo Davidson (2004) essa árvore seria destruída no Ragnarok (Fim do Mundo Viking). Para os nórdicos, essa árvore está localizada no centro do Universo (e não ao centro do jardim) (DAVIDSON, 2004).

O Yggdrasil era sem dúvida uma Árvore guardiã, e quando o fim do mundo se aproxima ela tremia e balançava. Seu destino, como o de todas as árvores sagradas derrubadas na Germânia e pelos missionários cristãos, estava inseparavelmente ligado aos deuses que ela cuidava e protegia (DAVIDSON, 2004, p. 162).

 

A SERPENTE

De acordo com o Enuma Elish, o deus Marduk depois de matar Tiamat (deusa serpente) criou o mundo: “as tuas armas jamais perderão o seu poder, ele esmagará o inimigo”. (Enuma Elish 4ª tábua 16ª linha). A Mitologia dos Cananeus (povos rivais dos Hebreus) afirmava que: Baal (filho de El) matou o dragão de sete cabeças, chamado de: “Lotan”. Depois, Baal usando o corpo de Lotan criou o mundo (ARMSTRONG, 2008). Por causa de rivalidades: políticas, econômicas, culturais e religiosas entre os Hebreus e os Cananeus, o deus, Baal foi demonizado, na Bíblia.

Na Mitologia Grega, Apolo, filho de Zeus (deus supremo do panteão grego), mata a serpente Píton (BULFINCH, 2001). Após a morte de Píton, Apolo cria o mundo. Na mitologia Viking, no Ragnarok (dia do Fim do Mundo), Thor, filho de Odin (rei dos deuses nórdicos), mata a serpente do mundo, Jormungand (na luta ambos acabam morrendo). Na mitologia asteca, Quetzalcoatl, mata um monstro marinho (Cipactli) e depois cria o mundo. Diante destes exemplos acima, a Bíblia descreve um combate entre: El (“Deus”) com uma serpente marinha, o Leviatã:

Naquele dia o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o Leviatã, serpente veloz, e o Leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar (Isaías 27: 01).

Nos mitos: Cananeus, Hebraicos, Vikings, Gregos e Mesopotâmicos, vemos que existe uma luta (conflito) entre um deus-guerreiro do sexo masculino (El-sabaoth – Senhor dos exércitos, Marduk, Baal, Apolo e Thor), contra uma serpente marinha (Leviatã, Lotan, Cipactli, Jormungand e Tiamat).

No Mito de Gilgamesh e no Mito de Adão, a serpente engana ambos. De acordo com Gilgamesh, ficou sabendo da existência de uma “planta” ou um “fruto” que dava a imortalidade e “eterna juventude”. Mas essa “planta” que se parecia com uma ameixa, estava no fundo do mar (MELLA, s/d). Então, Gilgamesh amarrou duas pedras em suas pernas e foi até o fundo do mar e conseguiu pegar a tal “planta” ou “fruto”. Porém, chegando perto de seu reino, ocorreu o inesperado:

Entretanto, após trinta léguas, ao tomar banho em uma pequena lagoa fria ao final da tarde, uma cobra fareja a planta de odor doce e a rouba. Então Gilgamesh se senta e chora. Ele finalmente percebe que a imortalidade não é para ele: deve desistir (McCALL, 1994, p. 49).

Resumindo, a serpente foi a responsável por Adão e Eva caírem em tentação no Paraíso (e que ambos perdessem sua imortalidade ou a eterna juventude). E Gilgamesh não conseguiu alcançar seu objetivo: a imortalidade. Vemos aqui paralelos entre os mitos. E que a serpente estaria associada ao caos e a desordem.

Em contrapartida, comparando as diversas culturas da Antiguidade, percebemos que as serpentes têm uma dupla função. Ela traz bênçãos e maldições. No Antigo Egito, o emblema real dos faraós era a coroa tendo na fronte uma Naja (serpente), ao mesmo tempo, havia uma serpente (Apófis, associado ao caos) que lutava todos os dias com Rá, o deus supremo do Egito Antigo (BAINES, MÁLEK, 1996). Em algumas culturas, a serpente poderia ser associada à magia e a medicina. Na Mesopotâmia Ea (Enki babilônia) era associada à sabedoria e medicina, e seu símbolo era de um cajado com uma serpente entrelaçada nele (que existe até hoje).

Um dos guardiões da Porta do Céu da casa de Anu é Gizzida. Segundo Cunningham, Black, Robson e Zolyomi (2006) Gizzida (ou Ningishzida) era como um deus com habilidade de andar e falar tendo um corpo de serpente e cabeça humana. Segundo Jakobsen, Gizzida era o proprietário de uma “boa árvore”.

Na Bíblia, a serpente apareceria muito tempo depois da criação do Homem e da Mulher, em Gn 03: 02. Sendo descrita como a “criatura mais cautelosa” que El (“Deus”) havia criado. É importante comentarmos aqui, que a Serpente do Gênesis não tem ligação nenhuma com Satanás/Lúcifer. Não existem provas: textuais, arqueológicas e históricas para associar “demônios” à serpente. A concepção de uma única figura maligna, como: Satanás, não existia antes do “Cativeiro da Babilônia” (587-537 a. C).

Atualmente Satanás estaria associado a uma serpente devido o Livro do Apocalipse que foi escrito entre, os anos: 90-110 d. C. Ou seja, muitos anos após o Gênesis ter sido escrito. Durante os anos de 700-600 a. C, os sacerdotes e demais população hebreia, acreditavam que El (“Deus”) poderia fazer tanto o bem como o mal.

CONCLUSÃO

A proposta desta pesquisa consistia em comparar personagens mitológicos com personagens bíblicos e com isso, conseguimos obter êxito, pois o livro de Gênesis do capítulo 01 ao 03 estaria cercado de elementos mitológicos comuns entre as diversas sociedades do Mundo Antigo. Adão, a Serpente e o Jardim do Éden foram produtos importados de uma superpotência religiosa e cultural, que chamamos de: Mesopotâmia. Não há como negar que sua herança serviu de trampolim para que anos mais tarde, os Hebreus compilassem suas ideias no que chamamos de: Gênesis.

Mercadores, embaixadores e povos nômades ao se deslocarem da Mesopotâmia indo em direção ao Egito Antigo, eram obrigados a passar pelo corredor sírio-palestino, (onde hoje é Israel), dessa forma, o povo local (Hebreus e Cananeus), obtiveram contatos culturais-religiosos, com diversos povos do Oriente Médio. Este contato foi fundamental para o desenvolvimento dos mitos que vemos em Gênesis. Podemos até supor que os Hebreus “pegaram emprestado” alguns mitos, personagens e poemas para criar um enredo que contasse a origem de seu povo, criando assim sua própria estória. Isso ficou claro quando notamos paralelos entre: Adapa e Adão, entre a luta de deuses guerreiros e as serpentes marinhas, a existência do Jardim dos deuses no mundo da Mesopotâmia e dos povos do corredor sírio-palestino e, finalmente, a serpente, um animal que para algumas culturas, pode trazer bênçãos e para outras maldições. O povo da Antiguidade tinha o desejo e a vontade, de haver uma promessa divina (através de um deus guerreiro), que iria eliminar: o caos, na Terra.

 


REFERÊNCIAS

ANÔNIMO. A Epopeia de Gilgamesh. São Paulo: Martins Fontes, 2011. (Tradução de Carlos Daudt de Oliveira).

ANÔNIMO. Enuma Elish. (Tradução L. W. King), 1902.

ARMSTRONG, Karen. Uma História de Deus. São Paulo: Cia das Letras, 2012.

BAINES, John e MÁLEK, Jaromír. O Mundo Egípcio: Deuses, Templos e Faraós. Volume II. In: Religião, Lisboa: Del Prato, 1996, p 209-220.

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History Channel. Confronto dos Deuses América Latina: Quetzalcoatl. Diretor: Diego Alvarez. Produtor: Sebastian Vinelli. Produtor executivo: Aldo Ballesteros. Narrador: Ali Rondón. Por History Channel Latin America LLC: Executive VP and General Manager: Eduardo Ruiz. NTSC. Linguagem: português. Dublado. México. 2011. 47 minutos: 24 segundos.

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https://en.wikipedia.org/wiki/Abba-El_I (acessado em 13/04/2019).

APÊNDICE – REFERÊNCIAS DE NOTA DE RODAPÉ

Tammuz segundo o Mito Mesopotâmico era o Deus “pastor”. Deus da agricultura, e amante de Isthar. No Calendário Judaico, há o nome de Tammuz, correspondente aos meses da colheita (junho/Julho).

Os babilônios chamavam o sábado de: sappattu ou sabbattu. Esse dia é comemorado o culto a Lua, que ocorre uma vez por mês. A Astronomia dos Mesopotâmicos descobriu que a semana tem sete dias, sendo interpretado como “sinal divino”. Os Hebreus, por sua vez, tomaram para si esse dia comemorativo.

No período Paleobabilônico, a dinastia Yamhad: Abba-El I havia feito um pacto com seu irmão, Yarim-Lim I jurando lealdade e se quebrassem a aliança seriam amaldiçoados. Isso teria inspirado o mito.

Adão e Adapa foram aparentemente testados com alimentos (e beba, no caso de Adapa); e, de acordo com alguns intérpretes, ambos falharam no teste, daí o paralelo entre os dois (ANDREASEN, 1981).

No caso, os autores do Gênesis chamam seu deus de: El-Elyon (que significa: Deus o altíssimo). El é uma palavra de origem Cananéia que significa tanto, Senhor ou Deus. (ARMSTRONG, 2012).

Ambos foram submetidos a um teste envolvendo alimentos e ambos receberam dois conjuntos de conselhos, ou seja, “não comer” (Deus e Ea) e “comer” (Serpente e Anu). Um, Adapa, obedeceu e passou no teste; o outro, Adam, desobedeceu e falhou. Mas mesmo essa situação é complicada por uma consideração adicional; ou seja, o relacionamento entre obediência/desobediência e imortalidade.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/pilar-decifrado-historia-guerra-fronteira-antiga.phtml

https://en.wikipedia.org/wiki/Gu-Edin

https://en.wikipedia.org/wiki/Ningishzida

Professor de História do Colégio Estadual John Kennedy, Graduado em História pela UNI-BH (Centro Universitários de BH), Especialista em Educação em Sociologia pela Faculdade Noroeste de Minas Gerais. Especialista em História pela Faculdade 


A DESCOBERTA DA ASSÍRIA

 


Paul-Émile Botta pesquisador francês (1802-1870) e Claudius Rich pesquisador inglês (1787–1820) descobriram a cidade de Nínive.

Em 1842, Botta começou a cavar em Nínive no norte da Mesopotâmia, mas a falta de grandes descobertas levou-o a desviar sua atenção para o sítio de Khorsabad (Dur Sharrukin). Ali ele descobriu o palácio de Sargão II (721–705 a.C.), construído por volta de 710 a.C.

As paredes de tijolos de barro do palácio tinham sido forradas com placas de alabastro finamente esculpidas em relevo representando os triunfos do rei. Além disso, alguns dos portões do palácio eram guardados por gigantescos colossos de pedra. Em 1846, Botta enviou muitos desses enormes monumentos para a França.

Um ano antes de os relevos de Khorsabad entrarem no Museu do Louvre, em Paris, o inglês Austen Henry Layard (1817–1894) começou a cavar no sítio de Nimrud (antigo Kalhu).

Em grande parte financiado pelo Museu Britânico, ele descobriu os restos de muitos palácios dos séculos 9 e 8 a.C. construídos por reis ao longo dos 150 anos em que Nimrud foi a capital da Assíria.

Entre 1845 e 1847, Layard, com a ajuda de um assistente, Hormuzd Rassam e centenas de trabalhadores, revelou o imenso palácio de tijolos de barro de Ashurnasirpal II (r. 883–859 aC), a primeira dessas estruturas decorada com relevos de parede de pedra.

Ele também escavou outros edifícios reais e templos em Nimrud. Em Nínive, Layard revelou uma grande parte daquele que talvez seja o maior palácio assírio construído por Senaqueribe (r. 704–681 aC), onde descobriu mais de três quilômetros de lajes esculpidas. Depois de uma pausa em Londres, Layard retomou as escavações em 1849, deixando a Mesopotâmia de vez em 1851.

A maioria dos achados de Layard foi enviada ao Museu Britânico, mas vários dos relevos chegaram a outras instituições. Alguns foram adquiridos por missionários americanos que trabalhavam no Iraque, que viram as placas esculpidas como evidência da história bíblica. Outras esculturas entraram em coleções particulares, como a do industrial J. P. Morgan (seis das quais estão agora no MET).

O próprio Layard enviou alguns relevos para a casa de campo de seu primo em Canford Manor, em Dorsetshire, Inglaterra. Lá eles foram instalados na “Sacada Nineveh”, que tinha portas de ferro fundido com colossos de touro de cabeça humana, vitrais compostos de padrões desenhados de pinturas encontradas em Nimrud e um teto pintado com textos cuneiformes.

A coleção de vinte e seis esculturas assírias exibidas nas paredes foi superada na época apenas pela coleção de relevos assírios do Museu Britânico. Em 1919, dezoito das esculturas foram vendidas e, finalmente, chegaram à coleção de John D. Rockefeller Jr., que as doou ao MET em 1932.

Depois que Layard partiu para Londres em 1851, Rassam continuou a cavar em Nínive. Em 1853, ele descobriu o palácio de Assurbanipal (r. 668–627 a.C.), que forneceu ao Museu Britânico algumas das melhores placas esculpidas.

Enquanto isso, os franceses trabalhavam em Khorsabad, sob o comando de Victor Place (1818-1875) até 1855. Depois dessa data, no entanto, apesar do aumento do trabalho arqueológico na região, não foram descobertos mais grandes palácios com relevos esculpidos. Embora o mundo da Assíria continue a ser revelado por meio de descobertas espetaculares (por exemplo, a descoberta de túmulos reais em Nimrud por arqueólogos iraquianos em 1988-89), nenhuma delas pode igualar as dramáticas e românticas descobertas da geração anterior.


CIDADES SUMERIANAS

 


Na minha última pesquisa que fiz as bibliotecas; Adelpha Figueredo (Bairro do Pari), Biblioteca Cassiano Ricardo e Hans Christian Andersen (Tatuapé), Biblioteca Mário de Andrade (Anhangabaú) e Biblioteca Centro Cultural (Vergueiro), encontrei um total de 112 cidades por toda região da antiga Suméria.

Fiz as pesquisas, dividindo a região por; Baixa Mesopotâmia e Alta Mesopotâmia.


© Baixa Mesopotâmia: A Baixa Mesopotâmia é a região sul da Mesopotâmia, atual Iraque, caracterizada por terras férteis irrigadas pelos rios Tigre e Eufrates, onde floresceram as civilizações da Suméria e Babilônia, desenvolvendo agricultura de irrigação, comércio e cidades-estados, com uma sociedade hierárquica e uma religião politeísta, sendo um berço fundamental das primeiras civilizações orientais. Também habitada por outros povos como Acádios, Amoritas, Assírios e Caldeus, que deixaram sua marca cultural e política. 

Obs: Na listagem não coloquei a cidade da Acádia, isso por causa da forte conexão que esta cidade tem com o povo semita Acádio. Contudo, a cidade da Acádia foi fundada pelos Sumérios, e quem morava na Acádia, era acadiano. O povo semita que morava na Acádia conquistou as outras cidades, isso acontecia o tempo todo. Mas isso é coisa para outra matéria.


© Alta Mesopotâmia: A Alta Mesopotâmia ou Mesopotâmia Superior é a região montanhosa e de planaltos ao norte do Iraque, Síria e Turquia, caracterizada por terras menos férteis em comparação com o sul (Baixa Mesopotâmia), mas com vales férteis, sendo o lar dos assírios e berço de cidades como Assur e Nínive, e fundamental para o controle das nascentes dos rios Tigre e Eufrates. 

É uma área de planaltos ondulados, com colinas de calcário e ricos vales, cortados por rios como o Khabur. Faz a conexão com as montanhas Zagros e Eufrates, de onde nascem os grandes rios. Sua posição estratégica a tornava crucial para o controle das águas e rotas comerciais, sendo um "celeiro" na parte síria. 


Por ser muitas cidades, procurei com diligência, colocar somente 19 cidades, as principais, as mais conhecidas pelos estudantes de história e arqueologia.


AKSHAK

Akshak (ou Aquesaque) foi uma importante cidade da antiga Suméria, localizada na fronteira norte da Acádia, na região da Mesopotâmia (atual Iraque). 

Abaixo estão os fatos principais sobre a cidade:

Localização: Situava-se próxima ao Rio Tigre, onde este se aproxima mais do Rio Eufrates. Embora sua localização exata seja incerta, historiadores a associam frequentemente à cidade babilônica de Upi (Opis, em grego), possivelmente perto do Rio Diala.

Importância Histórica: Akshak foi uma das cidades que deteve a hegemonia sobre a Suméria durante o Período Dinástico Inicial III. Segundo a Lista de Reis Sumérios, seis reis de Akshak governaram a região por cerca de 99 anos antes da soberania passar para a cidade de Quis.

Conflitos: A cidade esteve envolvida em guerras frequentes com outras cidades-estado, como Lagash e Uruk. O rei Eanatum de Lagash afirmou ter derrotado o rei Zuzu de Akshak por volta de 2450 a.C..

Governantes conhecidos: Entre os reis listados estão Unzi, Undalulu, Urur, Puzur-Nira, Isu-Il e Shu-Sin. 

A cidade desapareceu dos registros históricos proeminentes após a ascensão do Império Acadiano de Sargão, o Grande, que unificou a região.


BABEL

A etimologia de Babel é complexa, vindo do acadiano Bāb-ilim ("Porta de Deus"), mas popularmente interpretada na Bíblia através do hebraico bālal ("confundir"), devido à história da Torre de Babel onde Deus confundiu as línguas humanas, transformando a palavra em sinônimo de confusão, desordem e multiplicidade de línguas. 

Origens e Significados:

Acadiano (Original): Bāb-ilim, significando "Porta de Deus" ou "Portão de Deus", referindo-se à cidade da Babilônia.

Hebraico (Popular): A história bíblica (Gênesis 11) faz um jogo de palavras com o verbo hebraico bālal (בָּלַל), que significa "misturar" ou "confundir". 

Evolução do Significado:

A narrativa bíblica atribui o nome "Babel" à confusão de línguas causada por Deus, resultando em caos, desordem, algazarra e diversas vozes/línguas.

Assim, a palavra transcendeu o nome da cidade para se tornar um termo genérico para qualquer situação de grande confusão linguística ou tumulto. 

Em resumo, Babel tem uma origem que significa "Porta de Deus", mas sua fama e o significado popular derivam da associação hebraica com o ato de "confundir" línguas, conforme descrito na Bíblia. 


BAD TIBIRA

Bad-tibira (em sumério: 𒂦𒁾𒉄𒆠, bad₃-tibira ki) foi uma antiga e proeminente cidade-estado suméria, hoje um sítio arqueológico conhecido como Tell al-Madineh (ou Tell Madineh/Tell al-Mada'in) no sul do Iraque. O nome da cidade pode ser traduzido como "Muro dos Trabalhadores de Cobre" ou "Fortaleza dos Ferreiros", refletindo sua importância como um centro de metalurgia na antiguidade. 

Pontos Chave

Mítica e Antediluviana: A cidade é notavelmente listada na "Lista de Reis Sumérios" como a segunda cidade a "exercer a realeza" em Sumer antes do Grande Dilúvio, seguindo Eridu.

Reis Lendários: De acordo com a lista, três reis míticos governaram Bad-tibira por vastos períodos de tempo antes que a realeza passasse para a cidade de Larag. Um desses reis foi Dumuzid, o Pastor (Tammuz em acádio), uma figura central na mitologia suméria.

Centro Religioso: O principal deus da cidade era Dumuzid, o deus da fertilidade e do pastoreio, consorte da deusa Inanna/Ishtar. O templo da cidade, o E-mush-kalamma, é mencionado no poema épico "A Descida de Inanna ao Submundo".

Importância Histórica: Embora mais conhecida por seu papel mitológico, Bad-tibira teve importância histórica real, com reis de cidades como Larsa e Isin reconstruindo seus muros e templos em períodos posteriores. O controle da cidade frequentemente oscilava entre essas potências rivais.

Arqueologia: O local moderno, Tell al-Madineh, está situado na província de Dhi Qar, no Iraque, entre as cidades de Ash Shatrah e Tell as-Senkereh. Fragmentos de tijolos vitrificados no local atestam que a cidade sofreu uma terrível destruição por fogo por volta de 1500 a.C.


BORSIPA

Borsippa (sumério: Bad-si-a-ab-ba; acadiano: Barsip), conhecida hoje como Birs Nimrud, foi uma influente cidade da antiga Suméria e Babilônia, situada cerca de 18 km a sudoeste da Babilônia, na província de Babil, no atual Iraque. 

Os principais aspectos históricos e arqueológicos de 2026 incluem:

O Zigurate de Birs Nimrud: É um dos vestígios mais impressionantes da Mesopotâmia. Frequentemente confundido por viajantes antigos com a Torre de Babel, este zigurate era na verdade o "E-ur-imimin-an-ki" ("Templo das sete diretrizes do céu e da terra"), dedicado ao deus Nabu.

Significância Religiosa: Borsippa era considerada a "cidade irmã" da Babilônia. Enquanto a Babilônia era o centro político e morada de Marduque, Borsippa era o centro religioso dedicado a seu filho, Nabu, o deus da escrita e da sabedoria. Durante as celebrações do Ano Novo (Akitu), a estátua de Nabu era levada em procissão da Babilônia até o seu templo em Borsippa, o Ezida.

Educação e Literatura: A cidade era um centro renomado de aprendizado. Muitas bibliotecas de tabletes de argila foram encontradas em suas ruínas, contendo textos astronômicos, médicos e literários que foram fundamentais para o conhecimento moderno sobre a cultura babilônica.

Visitação em 2026: O local permanece um destino arqueológico chave no Iraque, sendo rotineiramente visitado por turistas que exploram o complexo da Babilônia devido à sua proximidade e ao estado de preservação de suas ruínas. 

A cidade manteve sua importância até o período helenístico, declinando gradualmente após a conquista islâmica da região.


DER

Der (em sumério: uruBAD.ANki) foi uma cidade-estado da antiga Suméria situada no atual sítio arqueológico de Tell Aqar, próximo a al-Badra, na província de Wasit, Iraque. Localizava-se a leste do Rio Tigre, na zona de fronteira entre a Suméria e o Elão. 

História e Relevância

Período de Ocupação: A cidade foi habitada desde o Período Dinástico Precoce até os tempos neoassírios.

Papel Político: Durante o reinado de Shulgi (Terceira Dinastia de Ur), Der é mencionada como tendo seu templo restaurado no 11º ano e sendo destruída no 21º ano de seu governo. Posteriormente, foi alvo de campanhas militares de reis de Larsa e da Babilônia.

Relação com Elão: Devido à sua localização estratégica, Der serviu frequentemente como um ponto de conflito ou diplomacia entre as potências da Mesopotâmia e o vizinho Elão. 

Religião e Divindades

Cidade de Anu: Assim como Uruk, Der detinha o título de "Cidade de Anu", o deus sumério do céu e pai dos deuses.

Divindade Patrona: O deus principal local era Ishtaran, cujo templo se chamava Edimgalkalama. No primeiro milênio a.C., Ishtaran passou a ser referido como Anu rabû ("Grande Anu").

Iconografia: Ishtaran era frequentemente representado na Terra pelo deus-serpente Nirah. 

Arqueologia

Embora Tell Aqar seja identificado como o local de Der, o sítio nunca foi extensivamente escavado devido aos danos significativos causados por inundações ao longo dos séculos. A confirmação do nome do local veio de objetos encontrados nas proximidades, como um kudurru (pedra de fronteira) descoberto em Sippar. 


ERIDU

Eridu foi uma das cidades sumérias mais antigas e importantes, considerada pelos antigos mesopotâmicos a primeira cidade do mundo, fundada pelos deuses e lar do deus da sabedoria, Enki. Localizada no sul do Iraque, era um centro religioso, com um templo dedicado a Enki (E-Abzu), e figura nos mitos sumérios, como a "Gênese de Eridu", associada ao conceito de paraíso. Arqueologicamente, é um tell com múltiplas camadas de assentamentos desde o 6º milênio a.C., um dos sítios urbanos mais antigos conhecidos. 

Principais características e importância:

Fundação Mítica: Acreditava-se que foi fundada por divindades, recebendo a realeza diretamente do céu.

Centro Religioso: Seu templo a Enki, o E-Abzu, era o coração espiritual da cidade, e Eridu era um local sagrado.

Primeira Cidade: A Lista de Reis Sumérios a descreve como a primeira cidade, um modelo de "era de ouro" e paraíso terrestre, influenciando a narrativa bíblica do Éden.

Arqueologia: Escavações revelaram estruturas de até 7 metros de altura, com templos e zigurates construídos sobrepostos ao longo de milênios, mostrando uma transição de comunidades agrícolas para uma cidade.

Períodos: Ativa desde o Período Ubaid (c. 5400 a.C.), foi um centro importante até ser superada por outras cidades, sendo gradualmente abandonada por volta do século VII a.C., possivelmente por mudanças ambientais. 

Em resumo: Eridu é fundamental para entender as origens da civilização suméria e mesopotâmica, representando tanto uma realidade arqueológica de assentamento antigo quanto um mito de criação e um centro de culto essencial. 


ESHINUNA

Eshnunna (em sumério: 𒄑𒉣𒈾𒆠, Ešnunna; atual Tell Asmar, Iraque) foi uma antiga cidade-estado na região do Vale do Rio Diala, na Mesopotâmia central. Embora estivesse localizada a nordeste da Suméria propriamente dita, a cidade pertencia firmemente à esfera cultural suméria e, mais tarde, acádia e babilônica. 

História e Significado

Períodos de Ocupação: Eshnunna foi habitada desde o período de Jemdet Nasr (c. 3000 a.C.) até sua eventual conquista pelo rei babilônico Hamurabi por volta de 1761 a.C., após a qual entrou em declínio.

Independência e Reino: Após o colapso da Terceira Dinastia de Ur, Eshnunna tornou-se um reino independente e poderoso por conta própria, controlando rotas de comércio valiosas que ligavam a Mesopotâmia ao Elão e outras regiões.

Centro de Comércio: Sua localização estratégica fez dela uma ponte vital para o comércio de bens como cobre, estanho, pedras preciosas e até mesmo artigos exóticos como copal de Zanzibar e contas do Vale do Indo. 

Cultura e Religião

Divindade Patrona: O deus principal da cidade era Tishpak (ou Tišpak), uma divindade associada à guerra e, por vezes, a cobras míticas. Outros deuses importantes incluíam Sin, Adad e Inanna.

Artefatos Notáveis: Escavações na década de 1930 revelaram o Tesouro de Tell Asmar (Tell Asmar Hoard), uma coleção de doze estátuas votivas sumérias em gesso e calcário, com olhos grandes e incrustados, que representavam adoradores em oração perpétua no templo. 

Obras Legais

As "Leis de Eshnunna": A cidade é mais famosa por um conjunto de aproximadamente 60 leis cuneiformes, conhecidas como as "Leis de Eshnunna". Datadas do século XVIII a.C. (ou possivelmente do final do século XIX a.C.), essas leis antecedem o famoso Código de Hamurabi e fornecem detalhes valiosos sobre a organização social, econômica e jurídica da antiga Mesopotâmia, abordando temas como roubo, lesões corporais e responsabilidades econômicas. 

Arqueologia

O sítio arqueológico, hoje chamado Tell Asmar, foi escavado extensivamente pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, liderado por Henri Frankfort, nas décadas de 1930. As escavações revelaram palácios, templos (como o Templo de Inanna) e até mesmo exemplos primitivos de engenharia de esgoto e banheiros em residências privadas.


GIRSU

Girsu (atual Tell Telloh, Iraque) foi uma cidade-estado suméria crucial, centro religioso do reino de Lagash, dedicada ao deus Ningirsu, famosa por templos como o E-ninnu, descobertas de estátuas de Gudea e milhares de tabuinhas cuneiformes, revelando inovações sumérias como escrita, irrigação e urbanismo, sendo fundamental para entender a civilização suméria. 

Principais Características:

Centro Religioso: Era o polo sagrado de Lagash, com templos importantes para Ningirsu (E-ninnu) e sua esposa Bau.

Descobertas Arqueológicas: Escavações desde o século XIX revelaram monumentos, como o antigo templo e o que pode ser a ponte de tijolos mais antiga do mundo, além de estátuas de Gudea.

Tabuinhas Cuneiformes: Milhares de tabuinhas encontradas detalham a vida econômica, legal e religiosa, sendo cruciais para o conhecimento da Suméria.

Importância Cultural: As estátuas de Gudea causaram sensação mundial e a cidade é vital para o estudo da formação das primeiras cidades-estados sumérias.

Períodos: Existiu desde o Período Ubaid (c. 5000 a.C.) até cerca de 200 d.C., florescendo no Período Dinástico Arcaico (c. 2900-2335 a.C.). 

Localização:

Situava-se a aproximadamente 25 km a noroeste de Lagash, no sul do Iraque moderno, na província de Dhi Qar, no local conhecido como Tell Telloh (ou Tello). 

Projeto Atual:

O Projeto Girsu, do Museu Britânico, continua as escavações e esforços de conservação, usando abordagens interdisciplinares para reanalisar a história de Girsu. 


ISIN

Isin foi uma importante cidade-estado da antiga Mesopotâmia que assumiu o protagonismo político na região após a queda da Terceira Dinastia de Ur (Ur III), por volta de 2004 a.C.. 

Principais Características de Isin

Fundação da Dinastia: A primeira dinastia de Isin foi fundada por Ishbi-Erra, um antigo oficial de Ur que se tornou independente e expulsou os elamitas da região.

Continuidade Cultural: Seus reis se viam como sucessores legítimos da herança suméria. Embora fossem falantes de acádio, mantiveram o sumério como língua oficial na administração, literatura e rituais religiosos.

Legado Jurídico: O rei Lipit-Ishtar (c. 1934–1924 a.C.) é famoso por promulgar um código de leis escrito em sumério que precedeu o Código de Hamurábi.

Período Isin-Larsa: A história de Isin é frequentemente agrupada com a de sua rival, Larsa, no chamado Período de Isin-Larsa (c. 2025–1763 a.C.), marcado por disputas territoriais e de recursos hídricos.

Centro Religioso: Isin era o centro de culto da deusa Gula (ou Ninisinna), a divindade da cura. 

Declínio

A hegemonia de Isin terminou quando a cidade foi conquistada por Rim-Sin I de Larsa, por volta de 1793 a.C., sendo posteriormente absorvida pelo Império Babilônico sob o comando de Hamurábi.


KISH

Kish foi uma cidade-estado suméria proeminente na antiga Mesopotâmia, perto da moderna Tell al-Uhaymir, no Iraque, famosa por ser considerada a primeira capital dos sumérios e a primeira cidade fundada após o Dilúvio em suas lendas, com reis que se autodenominavam "reis do mundo inteiro". Foi um centro político, econômico e religioso importante no Período Dinástico Arcaico, rivalizando com outras cidades como Uruk e Ur, e mais tarde foi conquistada por Sargon da Acádia, que a usou como base para seu império, antes de se tornar um centro cultural e de aprendizado por séculos. 

Principais Pontos sobre Kish:

Localização: Próximo a Tell al-Uhaymir, no atual Iraque, a cerca de 80 km ao sul de Bagdá.

Importância Histórica: Ocupada desde o período Ubaid (cerca de 5300-4300 a.C.), tornou-se uma das maiores potências da região no Período Dinástico Arcaico (c. 2900-2300 a.C.).

Lendas e Realeza: A Lista Real Suméria a descreve como a primeira cidade com reis após o Dilúvio, com monarcas como Gishor e a rainha Kubaba, e seus governantes adotavam o título de "Rei de Kish" para simbolizar poder.

Rivalidades: Há registros de rivalidades com Uruk, como na epopeia de Gilgamesh e Aga, e Kish teve um papel crucial na ascensão de Sargon da Acádia, que a tomou e a usou como ponto de partida para o primeiro império mundial.

Legado Arqueológico: Escavações revelaram zigurates, palácios reais e vestígios de uma rica cultura, embora sua identidade exata tenha sido um mistério por muito tempo. 

Kish na Cultura Suméria:

Centro de Poder: Era um centro de prestígio, e o título "Rei de Kish" era buscado por outros reis para legitimar seu domínio.

Influência Semítica: A cidade mostrava fortes elementos semíticos orientais, com um dialeto próprio, o Kishita, sugerindo uma interação complexa com os sumérios e acádios.

Declínio: Após o Império Acadiano, Kish continuou a ser importante, mas foi gradualmente ofuscada por Babilônia, sendo totalmente abandonada por volta do século VI d.C.


LAGASH

Lagash (ou Lagaš) foi uma das mais antigas e importantes cidades-estado da civilização suméria, no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), conhecida por suas descobertas arqueológicas como a "taberna" de 5 mil anos e seus templos, sendo um centro urbano crucial do mundo antigo, com registros que datam do Período Ubaid (c. 5200-3500 a.C.) até a Idade do Bronze, e hoje suas ruínas são o sítio arqueológico de Tell al-Hiba. 

Principais Características e História:

Localização: Situava-se no noroeste dos rios Tigre e Eufrates, uma região fértil para a agricultura suméria.

Cidade-Estado: Era uma das principais cidades-estado da Suméria, junto com Uruk, Ur e Nippur, formando uma rede urbana complexa.

Períodos de Ocupação: Fundada no Período Ubaid, foi habitada até a era Parta (247 a.C. - 224 d.C.), mas seu auge foi na Mesopotâmia Primitiva e Idade do Bronze.

Centros Urbanos: Lagash era composta por vários centros, incluindo a própria Lagash (Tell al-Hiba), Girsu (Tello) e Niĝin (Tell Zurghul).

Governo: Seus governantes se chamavam "reis" (lugal) e a cidade foi parte de impérios como o de Ur.

Religião e Cultura: Possuía templos importantes, como o Eninnu, e é famosa por monumentos como a Estela dos Abutres e o Vaso de Prata de Entemena, que celebram vitórias militares.

Descobertas Recentes: Escavações recentes revelaram uma "taberna" de 5 mil anos com bancos, fornos e vestígios de comida e cerveja, indicando um local de refeições para pessoas comuns. 

Importância:

Lagash foi fundamental para entender a vida urbana, a organização social e a cultura religiosa da Suméria, sendo um dos primeiros centros urbanos do mundo e uma das cidades mais antigas da história. 


LARSA

Larsa (em sumério: UD.UNUG) foi uma importante cidade-estado da antiga Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia (atual província de Dhi Qar, Iraque), perto da cidade de Uruk.Serviu como um importante centro religioso e político por quase 5.000 anos, atingindo seu auge no início do segundo milênio a.C. 

Principais fases históricas

Significado religioso: Larsa era o principal centro de culto do deus sol Utu (em acádio: Shamash). Seu templo, E-babbar ("Casa Brilhante"), era um ponto central da vida espiritual mesopotâmica.

Período Isin-Larsa (c. 2025–1763 a.C.): Após o colapso da Terceira Dinastia de Ur, Larsa tornou-se uma potência dominante. A cidade conquistou a independência da cidade rival de Isin sob o reinado de Gungunum (c. 1932–1906 a.C.), que se apoderou da cidade sagrada de Ur e desviou canais de água vitais para enfraquecer Isin.

Auge e Queda: Larsa atingiu seu poder máximo sob o reinado de Rim-Sin I (r. 1822–1763 a.C.), o monarca com o reinado mais longo da história da Mesopotâmia. Ele conquistou Isin em 1794 a.C., mas acabou sendo derrotado e capturado por Hamurabi da Babilônia em 1763 a.C., marcando a ascensão do Primeiro Império Babilônico. 

Contribuições Econômicas e Culturais

Centro Comercial: Larsa aproveitou sua localização próxima ao Golfo Pérsico para controlar rotas comerciais lucrativas, trocando lã e prata por marfim, peles e óleos do Vale do Indo e de Dilmun (Bahrein).

Matemática: A cidade é uma famosa fonte de tabuletas matemáticas cuneiformes, principalmente a tabuleta Plimpton 322 , que demonstra uma compreensão avançada de ternas pitagóricas e trigonometria há quase 4.000 anos.

Infraestrutura: Estudos arqueológicos revelaram uma enorme muralha da cidade com 5 quilômetros de extensão, uma sofisticada rede de canais internos e um porto ligado aos rios Tigre e Eufrates. 

Sítio Arqueológico

As ruínas de Larsa, hoje conhecidas como Tell as-Senkereh , cobrem aproximadamente 200 hectares. Escavações científicas, lideradas principalmente por equipes francesas desde 1933, revelaram templos, um palácio de Nur-Adad e arquivos que detalham os complexos sistemas jurídicos e econômicos da cidade. 


ME TURAN

Me-Turan (também conhecida como Mê-Turnat) foi uma antiga cidade da Mesopotâmia localizada no vale do rio Diala, no atual Iraque. O local arqueológico compreende os montículos modernos de Tell Haddad e Tell al-Sib. 

Principais características históricas e arqueológicas:

Cronologia: Foi ocupada desde o período Isin-Larsa (início do 2º milênio a.C.) até o período Neoassírio (século VII a.C.).

Significância Política: No período Paleobabilônico, Me-Turan serviu como um centro administrativo regional sob o controle do reino de Eshnunna, antes de ser conquistada pela Babilônia.

Descobertas Literárias: Escavações realizadas entre 1978 e 1984 revelaram cerca de 1.000 tabletes de argila. Entre eles, foram encontrados fragmentos importantes de literatura suméria, incluindo versões do Epopeia de Gilgamesh (Gilgamesh e o Touro do Céu) e textos das Leis de Eshnunna.

Religião e Cultura: No período Neoassírio, a cidade abrigava um grande templo chamado E-šahulla, dedicado ao deus Nergal, reconstruído pelo rei Assurbanípal. Tabletes encontrados em residências sugerem um ambiente intelectual e acadêmico, com textos médicos e rituais de proteção contra doenças.

Estado Atual: O local foi escavado como parte de um projeto de salvamento antes da construção da Barragem de Hamrin, e grande parte da área foi inundada após a conclusão dos trabalhos em 1984. 

Nota: Não confundir com o termo geográfico "Turan", que se refere a uma região histórica da Ásia Central na mitologia e história iraniana. 


NIPPUR

Nippur é um dos sítios arqueológicos mais importantes da antiga Mesopotâmia, localizado a cerca de 5 a 8 quilômetros ao norte da cidade moderna de Afak (ou Afaq), na província de Al-Qadisiyah, Iraque. 

Destaques Históricos e Geográficos:

Localização: Situada aproximadamente 160 km a sudeste de Bagdá e 100 km a sudeste da antiga Babilônia. Hoje, os restos da cidade formam um complexo de colinas conhecidas localmente como Nuffar.

Significado Religioso: Diferente de outras cidades sumérias, Nippur não era uma capital política, mas sim o centro religioso supremo da Suméria e Acádia. Era a sede do culto a Enlil, o deus soberano do cosmos, cujo templo era chamado de E-kur.

Antiguidade: O assentamento no local remonta ao período Ubaid (c. 5.000 a.C.) e permaneceu habitado por mais de 6.000 anos, até cerca de 800 d.C..

Importância Cultural: Escavações revelaram milhares de tabuletas de argila com escrita cuneiforme, incluindo o mapa de cidade mais antigo conhecido e textos literários fundamentais, como versões da história do dilúvio. 

Atualmente, o sítio de Nippur está na lista indicativa para se tornar um Patrimônio Mundial da UNESCO.


SHURUPAK

Shuruppak (modern Tell Fara, Iraq) foi uma importante cidade-estado suméria, famosa na mitologia como o local do Grande Dilúvio, de onde o herói Ziusudra (o equivalente sumério de Noé) sobreviveu, e como a fonte das "Instruções de Shuruppak", um texto de sabedoria atribuído a seu rei. Era dedicada à deusa Ninlil (Sud), deus do ar e dos grãos, e foi um centro administrativo e econômico, com rica documentação arqueológica encontrada em suas escavações. 

Principais Aspectos:

Localização: Sul do Iraque, a cerca de 55 km ao sul de Nippur, às margens do Eufrates.

Significado Mitológico: Cenário do Dilúvio (similar ao de Gilgamesh e da Bíblia), com Ziusudra sendo o sobrevivente instruído pelos deuses a construir uma arca, conforme narrado nas Instruções.

Literatura: Casa das "Instruções de Shuruppak", um dos mais antigos textos de sabedoria conhecidos, contendo conselhos morais e práticos.

Arqueologia: Escavações revelaram documentos administrativos, incluindo registros de trabalhadores, animais e terras, destacando sua importância econômica.

Período Fara: O Período Dinástico Arcaico IIIa também é conhecido como Período Fara, em referência a Shuruppak. 

Em resumo, Shuruppak é fundamental para entender tanto a história administrativa quanto a rica mitologia e literatura da antiga Mesopotâmia suméria, especialmente sua versão do mito do dilúvio universal. 


SIPPAR

Sippar (em sumério: Zimbir, que significa "cidade dos pássaros") foi uma antiga e importante cidade-estado da Mesopotâmia, localizada na margem leste do Rio Eufrates, no atual Iraque (sítio de Tell Abu Habbah). A cidade foi um centro religioso e cultural significativo em diferentes períodos, incluindo o sumério e, posteriormente, o babilônico e neo-babilônico. 

Importância e Contexto Histórico

Centro de Culto Principal: Sippar era o principal centro de culto do deus Sol, conhecido como Utu em sumério e Shamash em acádio. O templo principal da cidade, dedicado a esta divindade, era chamado E-babbara ("Casa Brilhante").

Deus da Justiça: Shamash era também o deus da justiça. A famosa estela com o Código de Hamurabi foi provavelmente erguida em Sippar, onde o rei Hamurabi é mostrado recebendo a autoridade de Shamash no topo do monumento.

Registros Antigos: A "Lista de Reis Sumérios" menciona um governante de Sippar, En-men-dur-ana, como um dos reis antediluvianos lendários, que supostamente reinou por 21.000 anos. Contos mitológicos sugerem que registros do mundo antes do Dilúvio foram enterrados em Sippar.

Centro de Arquivos: Milhares de tábuas de argila cuneiformes, abrangendo textos legais, administrativos e literários, foram recuperadas no local, fornecendo uma visão inestimável da vida e da lei na antiga Mesopotâmia, especialmente durante os períodos babilônico antigo e neo-babilônico.

Mapeamento Antigo: O artefato conhecido como o "Mapa do Mundo Babilônico" (Imago Mundi), a representação cartográfica mais antiga conhecida do mundo, foi descoberto em Sippar e data do século VI a.C.. 

Localização

Sippar estava localizada a aproximadamente 60 km ao norte da Babilônia e 30 km a sudoeste de Bagdá moderna, na província de Babil, no Iraque. Era uma cidade-gêmea, emparelhada com Sippar-Amnanum (atual Tell ed-Der), situada na margem oposta do Eufrates.


UMMA

Umma (em sumério: 𒄑𒆵𒆠, ummaki) foi uma importante cidade-estado da antiga Suméria, localizada no sul da Mesopotâmia (atual província de Dhi Qar, no Iraque). Identificada arqueologicamente como Tell Jokha, a cidade floresceu principalmente no 3º milênio a.C.. 

Contexto Histórico e Conflitos

Umma é historicamente célebre por sua rivalidade milenar com a vizinha Lagash. 

Guerra de Fronteira: As duas cidades disputaram durante gerações a posse de Gu-Edin, uma região agrícola extremamente fértil entre seus territórios.

Primeira Guerra Registrada: Este conflito é considerado por historiadores como a primeira guerra detalhadamente documentada da humanidade, imortalizada na Estela dos Abutres, que celebra a vitória de Eannatum de Lagash sobre Umma por volta de 2450 a.C..

Ascensão de Lugalzagesi: Por volta de 2350 a.C., o rei Lugalzagesi de Umma conseguiu subjugar Lagash e unificar quase todas as cidades sumérias, tornando-se o último grande monarca sumério antes da conquista pelo Império Acádio de Sargão, o Grande. 

Religião e Administração

Divindade Patrona: O deus principal de Umma era Shara, deus da guerra e patrono da cidade.

Economia e Burocracia: Sob a Terceira Dinastia de Ur (Ur III), Umma tornou-se um vital centro administrativo provincial. Milhares de tábuas de argila cuneiformes recuperadas no site revelam um sofisticado sistema burocrático focado na gestão de agricultura, mão de obra e economia dos templos.

Calendário: O calendário de Umma utilizado no reinado de Shulgi serviu de base para o posterior calendário babilônico. 

Arqueologia Atual

O sítio arqueológico de Tell Jokha abrange uma área de aproximadamente 400 hectares. Recentemente, escavações realizadas pelo Instituto Arqueológico e Histórico Eslovaco (SAHI) em cooperação com o Iraque focaram no Templo de Shara. Infelizmente, o local sofreu danos significativos devido a saques intensos, especialmente após a invasão do Iraque em 2003. 


UR

A etimologia de Ur, a antiga cidade-estado suméria localizada no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), tem origens no sumério antigo e no acádio, com variações em seu significado. 

Aqui estão os pontos principais da etimologia e significado de Ur:

Nome Sumério Original: A cidade era conhecida em sumério como Urim ou Urim5ki.

"Habitação/Cidade": Deriva do termo sumério ur ou uru, que significa "cidade", "vila" ou "assentamento". Outra interpretação, baseada em Unugki, sugere "a morada de Nanna" (deus da lua).

"Luz": Frequentemente associada à palavra hebraica/semítica ʾÛr, que significa "luz" ou "fogo", possivelmente relacionada ao culto do deus da lua (Nanna/Sin) que lá se realizava.

"Ur dos Caldeus" (Bíblia): A expressão hebraica Ur Kasdim (אוּר כַּשְׂדִּים) é usada na Bíblia para referir-se à cidade de origem do patriarca Abraão.

Confusão com Uruk: Embora compartilhem raízes, Ur (Urim) é distinta da cidade de Uruk (Unug), sendo Ur uma cidade mais ao sul, perto da foz do Eufrates. 

Contexto Histórico:

Ur foi uma das cidades-estado mais importantes da antiga Suméria, atingindo seu auge por volta de 2.000 a.C. com a Terceira Dinastia de Ur (o Império Neossumério), marcada pelo grande zigurate dedicado ao deus Nanna. 


URUK

A etimologia de Uruk remonta às línguas da antiga Mesopotâmia, evoluindo do sumério para o acadiano e influenciando línguas posteriores. Aqui estão os pontos principais sobre a origem do nome: Origem Suméria (Unug): O nome original em sumério era Unug (escrito cuneiforme: 𒀕 ou UNUG\({}^{k}i\)). Acredita-se que este termo significasse "moradia", "sítio", "local" ou "assento", referindo-se comumente à morada terrena de uma divindade.Evolução para o Acadiano (Uruk): O nome foi adaptado para a língua acadiana (semítica) como Uruk.Significado e "Falsa Etimologia": Embora o termo acadiano "Uruk" soe semelhante a uru (palavra suméria para "cidade"), estudiosos indicam que Unug (sumério) e Uru (cidade) são raízes diferentes. No entanto, é possível que uma "etimologia popular" antiga tenha associado Unug a Uru, transformando-o em Uruk.Derivações Bíblicas e Modernas:Erech (Ereque): A cidade é referida na Bíblia (Gênesis 10:10) como Erech, uma adaptação do nome sumério/acadiano.Warka: O nome moderno do sítio arqueológico, no Iraque, é Warka, derivado diretamente da pronúncia antiga.Iraque: Acredita-se que o nome do moderno país, Iraque (Al-Iraq), seja uma derivação do nome da antiga cidade de Uruk. Em resumo, Uruk é a versão acadiana do sumério Unug, significando "moradia" ou "assento" (sagrado), e é um dos nomes de cidades mais antigos e influentes da história da civilização. 



MONTE ZAGROS



É o nome de uma cordilheira, sendo a maior cordilheira de montanhas do Irã e Iraque

A etimologia do nome Zagros (a maior cadeia de montanhas do Irã) é incerta, mas as teorias mais aceitas ligam-na a raízes Indo-Europeias e a povos antigos que habitavam a região. O termo parece ser uma helenização (versão grega) de um nome local mais antigo. 

Aqui estão as principais vertentes etimológicas:

░ Relacionado aos Sagartianos: A teoria mais aceita sugere que "Zagros" deriva do nome de uma tribo iraniana antiga chamada Sagartianos (ou Zagarthians), que habitavam a região. Acredita-se que o termo persa antigo Asagarta evoluiu para a forma grega Zagrios.

░ Significado Avestano ("Grande Montanha"): Outra teoria aponta para uma raiz na língua Avestana, onde Za-G'R pode ser interpretado como "grande montanha".

░ Origem Grega (Rugoso/Tempestuoso): Alguns estudiosos sugerem que o termo deriva de Zagrios, uma palavra grega usada para descrever a região, possivelmente relacionada a um termo indo-europeu que significa "áspero" ou "rochoso", condizente com o terreno das montanhas.

░ Nomes Históricos: Historicamente, a cadeia também foi conhecida como Esproch ou Esproz (Avestano) e Kor ou Kur (Sumério). 

O nome "Zagros" entrou no uso persa moderno (Farsi) tardiamente, popularizado no final do período Qajar através da tradução de obras europeias. 


A cordilheira dos Montes Zagros, localizada no atual Irã e Iraque, foi o lar e a fronteira de diversos povos antigos, muitos dos quais eram nômades ou pastores que habitavam as encostas, alternando entre as terras altas e baixas (vale da Mesopotâmia). 

Os principais povos que habitaram ou dominaram a região dos Zagros na antiguidade incluíam:

░ Elamitas: Estabeleceram-se no sudoeste do Irã e parte dos Zagros, com Susa como uma de suas principais cidades, sendo uma das civilizações mais antigas da região.

░ Cossaios - Kassites: Povo que viveu na região central de Zagros e, em um determinado momento, conquistou o sul da Mesopotâmia (Babilônia).

░ Guti (Gutianos): Povo nômade das montanhas, conhecido por invadir e influenciar a Mesopotâmia.

░ Lullubi: Um grupo tribal que habitava as terras altas dos Zagros, frequentemente em conflito com os impérios mesopotâmicos.

░ Turukku - Turukkeans - Tukri - Hurritas - Turcos: Povo que habitava as encostas norte da cordilheira.

░ Medos: Povo indo-europeu que se estabeleceu na região da Média, no planalto noroeste do Irã, próximo aos Zagros, desempenhando papel crucial na história persa.

░ Mardos - Amardos ou Amardianos: Povo que vivia nas montanhas Zagros. 


População que Mora Hoje na Região 

░  Lurs - Os Lurs são uma tribo iraniana que habita principalmente os Zagros Central, Ocidental e Meridional. As cidades inibidas por Lurs incluem Khorramabad, Borujerd, Malayer, Izeh , Shahr-e Kord, Yasuj. Os Lurs falam Luri e abrangem muitas províncias do Irã, incluindo Lorestan, Khuzestan, Chaharmahal e Bakthiari, Ilam, Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, e Hamedan.

░  Bakhtiari Lurs - Os Bakhtiaris são uma tribo Lur do Irã , que habita principalmente as regiões Central e Meridional dos Montes Zagros. Entre as principais cidades habitadas pelos Bakhtiaris estão Masjed Soleyman , Izeh e Shahr-e Kord. Um número significativo de Bakhtiaris ainda pratica o pastoreio nômade.

░  Curdos - Os curdos são os habitantes indígenas das cordilheiras Zagros Taurus, no noroeste e no leste, que se estendem pelo sudeste da Turquia, noroeste do Irã, norte do Iraque e norte da Síria. A alta altitude das montanhas Zagros produz uma série de pontos de estrangulamento e vales perfeitos para a agricultura e o desenvolvimento humano. Elas também têm defendido os curdos em tempos de guerra, atuando como uma barreira natural.

░  Qashqai - O povo Qashqai é uma confederação tribal do Irã, predominantemente de origem turca. Populações significativas podem ser encontradas no centro e sul dos Montes Zagros, especialmente ao redor da cidade de Shiraz , na província de Fars.


Características dos Povos de Zagros

Muitos desses grupos eram pastores nômades (como os antepassados dos atuais Qashqai e Bakhtiari) que migravam sazonalmente, buscando pastagens nas terras altas no verão e descendo para as planícies no inverno. Eles são considerados parte das primeiras sociedades agrícolas/pastoris da região, com sítios arqueológicos importantes como Chogha Golan e Ganj Dareh, datados de cerca de 10.000 a.C. (as datas são hipotéticas). 

Além deles, povos mesopotâmicos como assírios e amoritas também ocupavam as áreas ocidentais e de fronteira. 


Monte Zagros em Números

↨ Largura 200 a 300 Km

↨ Altura 4548

↨ Comprimento 1600 Km

↨ Material de Rocha feito de Ardósia, Calcário e Xisto