Seguidores

quarta-feira, 14 de maio de 2025

BANDEIRANTE FERNÃO DIAS PAES LEME

 


Fernão Dias (1608-1681) foi um célebre bandeirante paulista. Ficou conhecido como "O Caçador de Esmeraldas". Os bandeirantes tinham o objetivo de procurar riquezas minerais e encontrar mão de obra indígena.

No século XVI foram organizadas as primeiras expedições, que exploravam principalmente o litoral. No começo do século XVII, as bandeiras se embrenhavam pela mata em busca de mão de obra indígena, para trabalhar na plantação de cana de açúcar.

Fernão Dias Pais nasceu na vila de São Paulo de Piratininga, em 1608. Filho e neto dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente.

O povoado de São Paulo do começo do século XVII não passava de uma vila isolada do litoral e do progresso, pela Serra do Mar. Não era como o Nordeste açucareiro enriquecido pela exportação agrícola.

São Paulo produzia para seu próprio consumo e se destacava pelo comércio de mão de obra indígena com o Nordeste para o trabalho na indústria açucareira.

Em busca de índios, os paulistas se embreavam pela mata em expedições conhecidas como bandeiras. Porém, quando os holandeses invadiram e ocuparam o Nordeste, em 1642, monopolizaram o comércio de escravos africanos.

Em 1654, com a expulsão dos holandeses o açúcar brasileiro entrou em decadência, barrado pela concorrência dos holandeses que iniciaram o plantio da cana-de-açúcar nas Antilhas.

Em 1660 Fernão Dias casa-se com Maria Garcia Betim, descendente do índio Tibiriçá pelo lado materno e de um irmão de Pedro Alvares Cabral pelo lado paterno.

Fernão dias era considerado o mais rico dos paulistas, dono de muitos escravos e proprietário de vastas fazendas.

Em 1661, ao voltar de uma expedição, Fernão Dias não soube o que fazer com tanto índio, pois Pernambuco e Bahia não tiveram interesse. Os escravos africanos lhes bastavam.

O governo português preocupado com a crise do açúcar passou a financiar as bandeiras e a conceder títulos e privilégios aos bandeirantes como forma de estimulá-los na procura das grandes minas.

Fernão Dias foi um dos representantes mais importantes desse período. Empreendeu em 1674, uma formidável caravana, da qual fazia parte seus filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais e seu genro Manuel Borba Gato e muitos índios.

Atraídos pela lenda das esmeraldas de Sabarabuçu, que segundo Marcos Azevedo voltara do interior afirmando ter encontrado as preciosas pedras no início do século, mas recusou-se a indicar o local da mina.

Durante sete anos, de 1674 a 1681, Fernão Dias explorou uma extensa área do interior de Minas Gerais. Diversos integrantes da bandeira desistiram da jornada e retornaram para São Paulo.

O exato roteiro da bandeira de Fernão Dias permanece misterioso, mas é certo que depois do primeiro trecho ele seguiu rumo ao nordeste, até atingir a bacia do rio Jequitinhonha, no norte do atual estado de Minas Gerais.

Foi lá que finalmente as lindas pedras verdes que julgava serem as esmeraldas de Sabarabuçu. No local, Fernão Dias fundou mais um arraial que denominou Sumidouro, e ali permaneceu durante quatro anos.

Em 1681, Fernão Dias tomou o caminho de volta para São Paulo, mas morreu nas proximidades do rio das Velhas, sem saber que as pedras eram apenas turmalinas.

A bandeira de Fernão Dias abriu o caminho para a segunda e grande etapa dos bandeirantes e da conquista do ouro e do diamante.

Fernão Dias Pais morreu próximo ao rio das Velhas, Minas Gerais, no ano de 1681. Garcia Rodrigues Paes, seu filho mais velho, levou os restos mortais  para São Paulo, onde foram enterrados na Igreja de São Bento.



BANDEIRANTE ANTÔNIO RAPOSO TAVARES

 


Raposo Tavares (1598-1658) foi um bandeirante paulista, pioneiro da colonização do interior do Brasil. Foi juiz ordinário da Vila de São Paulo e Ouvidor de toda a capitania de São Vicente. Recebeu do rei D. João IV, o título de Mestre de Campo.

Raposo Tavares nasceu em São Miguel de Pinheiro, no distrito de Beja, Portugal. Filho de Fernão Vieira Tavares e Francisca Pinheiro da Costa Bravo.

Em 1618 Embarca para o Brasil em companhia de seu pai que iria representar D. Álvaro Pires de Castro, donatário da capitania de Itamaracá, São Vicente e Santo Amaro. Seu pai assumiu a Capitania de São Vicente, da qual fazia parte a Vila de São Paulo.

Em 1622 casa-se com Beatriz Furtado de Mendonça, filha do bandeirante Manuel Pires e juntos tiveram dois filhos. Ficou viúvo e só depois de dez anos casa-se com Lucrécia Leme Borges de Cerqueira, também solteira e mãe de oito filhos. Lucrécia era filha do bandeirante Fernão Dias Pais. Juntos tiveram uma filha.

Nessa época, capturar índios e vendê-los rendia um bom dinheiro. A partir de 1624 o comércio se intensificou, quando a Holanda invadiu a Bahia e dificultou a vinda de escravos africanos.Teve início as "Bandeiras" para capturar os indígenas.

Em 1629, Raposo Tavares seguiu para o sul, em direção a Guairá, uma região com várias aldeias catequizadas pelos jesuítas espanhóis. Pouco a pouco as aldeias e as missões vão sendo destruídas e os índios aprisionados.

Em maio de 1629, depois de dez meses, Raposo Tavares regressa a São Paulo. Em 1632 é nomeado juiz ordinário da Vila de São Paulo.

Bandeira contra os jesuítas do Tape

Raposo Tavares parte em uma nova bandeira, em 1636, contra os jesuítas de Tape. Ocupa as aldeias e em 1638 retorna para São Paulo. O capitão-mor de São Vicente o presenteia com uma carta de sesmarias, que o torna dono de uma grande extensão de terra.

A linha de Tordesilhas havia sido anulada, as regiões do oeste do Paraná, do sul de Mato Grosso e boa parte do Rio Grande do Sul, estavam incorporadas ao Brasil.

Em 1639, em lutas com os holandeses, Raposo Tavares e seus companheiros, são batidos nos combates marítimos e obrigados a uma retirada, partindo do Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte até a Bahia, no meio do território inimigo.

Em 1640 termina a dominação espanhola. Dom João IV sob ao trono e, em 1642 Raposo Tavares recebe o título de Mestre-de-Campo.

Em fins de 1648, no comando da “Bandeira dos Limites”, parte de São Paulo, vai em direção ao interior, em busca de minas de prata. Segue o curso dos rios Guaporé, Madeira e Amazonas, até chegar em 1651 em Gurupá, atual estado do Pará. 

Com apenas 58 homens e sem a prata sonhada. Retornou a São Paulo três anos depois, tendo percorrido mais de 12 mil quilômetros, velho, abatido, doente e sem a prata que tanto sonhou..

A bandeira realizou a primeira viagem de reconhecimento geográfico da América do Sul e assegurou a posse das terras dos atuais Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Antônio Raposo Tavares morreu no Estado de São Paulo, no ano de 1658.


terça-feira, 13 de maio de 2025

BANDEIRANTE BARTOLOMEU BUENO DA SILVA - FILHO

 


Bartolomeu Bueno da Silva (filho), o segundo Anhanguera, nasceu em Parnaíba, São Paulo, em 1672 e faleceu em 19 de setembro de 1740 na vila de Goiás, em Goiás.

Em 1701, atraído pelos descobrimentos de ouro na região de Minas Gerais, o segundo Anhanguera estabeleceu-se em Sabará e, mais tarde, em São João do Pará e em Pitangui, onde foi nomeado assistente do distrito. Os conflitos entre emboabas e mineradores de São Paulo e os levantes ocorridos em Pitangui, encabeçados por seu genro Domingos Rodrigues do Prado, levaram-no a voltar para a capitania de São Paulo e a se fixar em Parnaíba.

Em 1720 dirigiu uma representação a Dom João 5º, pedindo licença para voltar às terras de Goiás, onde seu pai encontrara amostras de ouro. Em troca, solicitava do soberano o direito de cobrar taxas sobre as passagens de rios.

Em 1722, sob seu comando, a bandeira seguiu para Goiás, juntamente com numerosa parentela do sertanista, que, durante quase três anos explorou os sertões goianos em busca da lendária serra dos Martírios.

Em 1725 conseguiu encontrar ouro no rio Vermelho, próximo à antiga capital de Goiás. Voltou à região no ano seguinte, quando, na qualidade de capitão-mor regente das minas, fundou o arraial de Santana, elevado em 1739 à categoria de vila como Vila Boa de Goiás, atualmente cidade de Goiás, conhecida como Goiás Velho. Além do referido cargo, Dom João 5º concedeu-lhe sesmarias e a cobrança de direitos sobre a passagem de rios que conduziam às minas goianas.

No entanto, a pretexto de que o Anhanguera havia sonegado as rendas reais, o direito de passagem lhe foi retirado em 1733. Na medida em que se organizava a administração estatal de Goiás, a autoridade do sertanista ia sendo limitada pelos delegados régios. Ao falecer, em 1740, Bartolomeu Bueno da Silva estava pobre e reduzido a um exercício de mando quase decorativo.

Na antiga capital de Goiás ainda existe a cruz do Anhanguera, por ele levantada em 1722, e que perpetua a memória do início da colonização do território goiano.


Fontes:

- Francisco de Assis Carvalho Franco, "Dicionários de bandeirantes e sertanistas do Brasil - séculos 16, 17 e 18".

- Enciclopédia Mirador Internacional.


BANDEIRANTE BARTOLOMEU BUENO DA SILVA - PAI

 


Bartolomeu Bueno da Silva (o Pai), o Anhanguera nascido circa 1634? (nascido e morto em datas incertas), também conhecido como Anhanguera, foi um bandeirante paulista, nascido em Santana de Parnaíba, no século XVII. Anhanguera fez parte das primeiras bandeiras que, movidas pelas dificuldades econômicas de São Paulo, partiam para desbravar o sertão.  Faz parte daqueles primeiros bandeirantes que, movidos pelas dificuldades econômicas, pelo tino sertanista e pelo espírito de aventura, partiram de São Paulo - aproveitando-se, inclusive, da localização geográfica da vila, que se assentava num centro de circulação fluvial e terrestre - para desbravar o interior do Brasil.

Desde os primeiros tempos da colonização foram constantes as arremetidas rumo ao sertão. Primeiro, numa espécie de bandeirismo defensivo, que visava garantir a expansão e a posse da terra, e que prepararia a expansão paulista do século 17, o grande século das bandeiras, aquele em que se iniciaria o bandeirismo ofensivo propriamente dito, cujo propósito era, em grande parte, o lucro imediato proporcionado pela caça ao índio. Da vila de São Paulo, especialmente, partiam as bandeiras de apresamento chefiadas por Antônio Raposo Tavares, Manuel Preto, André Fernandes, entre outros.

O apogeu do apresamento ocorreu entre 1628 e 1641, quando os paulistas resolveram arremeter contra as reduções jesuíticas espanholas, em volta das quais se agregavam centenas de indígenas sob proteção missionária.

As investidas sucederam-se desde que Manuel Pinto e Antônio Raposo Tavares iniciaram os ataques à região do Guairá (1628), destruindo as reduções, capturando os índios e expulsando os jesuítas para a margem ocidental do rio Paraná. Depois vieram muitos outros, incluindo Bartolomeu Bueno da Silva (pai).

Gradativamente, esses sertanistas passariam do bandeirismo de apresamento para o bandeirismo minerador, em busca de minas de ouro. É nessa época que se encontra a principal bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva. Em 1682, sua expedição partiu de São Paulo e atravessou o território do atual Estado de Goiás, seguindo até o rio Araguaia. Ao retornar desse rio, à procura do curso do rio Vermelho, encontrou uma aldeia indígena do povo Goiá. Diz a lenda que as índias estavam ricamente adornadas com chapas de ouro e, como se recusassem a indicar a procedência do metal, Bartolomeu Bueno da Silva pôs fogo a uma tigela contendo aguardente, afirmando que, se não informassem o local de onde retiravam o ouro, lançaria fogo em todos os rios e fontes. Admirados, os índios informaram o local e o apelidaram de Anhanguera (em tupi, añã'gwea), diabo velho.

Essa bandeira deu origem à lenda das minas da serra dos Martírios, buscada por vários sertanistas, e que, segundo fontes da época, "tinha por obra da natureza uma semelhança da coroa, lança e cravos da paixão de Jesus Cristo" esculpidos em ouro e cristais.

Ainda segundo a lenda, seu filho, Bartolomeu Bueno do Silva, à época ainda um menino, o acompanhava nessa bandeira.


Origem do nome - Lenda

Segundo uma lenda, em suas expedições, Bartolomeu Bueno descobriu que os indígenas escondiam uma grande quantidade de ouro, e para levar o metal consigo, utilizou de um truque: pegou uma pequena vasilha, encheu-a de cachaça, colocou fogo e ameaçou incendiar o rio, fezendo com que os nativos ficassem com medo, revelando-lhe o local onde havia ouro. Assim recebendo por eles, o título de Anhanguera, que significa "diabo velho" na língua tupi.[carece de fontes]

Algumas versões, no entanto, sugerem que o termo "Anhanguera" seja proveniente da aldeia dos Inhanguera, povo do Tocantins que teria sido escravizado por Bartolomeu Bueno.


Família

Bartolomeu Bueno da Silva era filho do bandeirante Francisco Bueno e de Filipa Vaz, ambos naturais da Capitania de São Vicente. Pelo lado paterno, era neto do judeu sevilhano Bartholomeu Bueno e da cabocla Maria Pires, pentaneta do cacique Piquerobi.


BANDEIRANTE AMADROR BUENO DA VEIGA

 


Amador Bueno da Veiga (1650-1719) foi um bandeirante e comandante paulista na Guerra dos Emboabas. Era bisneto de Amador Bueno da Ribeira (1584-1649), conhecido como “Aclamado” por ter protagonizado o malogrado projeto de coroação como rei paulista pela população pró castelhana, em 1641, curioso episódio pertencente ao contexto da Restauração portuguesa.

Era descendente de importantes bandeirantes, tais como Anhanguera (pai) e Bartolomeu Bueno, o Moço. É bisavô da ativista política e poetisa Bárbara Heliodora (1759-1819), uma importante personagem da Inconfidência Mineira.

Em 1704, Amador Bueno da Veiga propôs a abertura de um novo caminho de São Paulo às Minas, alegando que a rota era “incapaz de cavalgaduras e gados obrigando a uma viagem de três meses por matas estéreis de mantimentos silvestres." Pedia prazo de um ano e oferecia um caminho mais rápido e que permitisse a condução de gente, gado e carregamentos.

Esta foi a segunda tentativa fracassada de refazer o Caminho Novo (assim eram chamadas as estradas reais que davam acesso à região das Minas Gerais), já que o governador fluminense proibiu qualquer obra. A terceira proposta viria em 1705, por Félix de Gusmão, e também foi recusada.

Em 1709, no ano final dos conflitos entre paulistas e emboabas, realizou-se grande assembleia popular na qual os paulistas elegeram Amador Bueno da Veiga como “cabo-maior e defensor da pátria”. Pelo nascimento e fortuna, Amador era um dos mais notáveis cidadãos paulistanos. Como comandante chefe do exército paulista, marchou para o rio das Mortes, em Minas, para vingar a morte dos concidadãos pelos portugueses no episódio mais conhecido da Guerra dos Emboabas (1707-1709), no “Capão da Traição”.

Tal episódio ocorreu quando um grupo paulista escondido foi cercado pelas tropas emboabas e se rendeu sob a promessa de garantia de vida. Com as armas já entregues, Bento do Amaral Coutinho, comandante do exército emboaba, mandou assassinar o grupo, cerca de 300 paulistas. Os paulistas ainda tentaram um último grande ataque sob o comando de Amador, mas logo foram derrotados. Com a perda de um significativo território na região das Minas Gerais, vários paulistas começaram a procurar ouro em outros territórios e, logo, chegaram às descobertas auríferas do Centro-Oeste.

Ainda no ano de 1709, Amador recebeu a mercê de juiz de órfãos de São Paulo, pelo Marquês de Cascás, donatário da capitania de São Vicente. Chegou a tomar posse, mas não exerceu o seu ofício por desistência. Em 14 de novembro de 1709, aceitou o referido cargo de comandante do exército paulista e como recompensa obteve vastas terras, no território que é hoje Taubaté, em São Paulo.

Conforme as declarações de Antônio Luís Peleja (primeiro ouvidor de São Paulo), Amador conseguiu que lhe fossem atribuídos importantes cursos de rio com abundância de ouro, em Bento Rodrigues, Ouro Preto. Possuía, ainda, muitas roças de cultivo de trigo e uma significativa quantidade de índios e negros escravizados que lhe rendiam lucros e incontáveis arrobas de ouro: “até mantivera em casa, durante vários meses, um ourives para fundir e cunhar o ouro referido, ou para transformá-lo em joias e objetos preciosos. Segundo o jesuíta Antonil (1649-1716), Amador Bueno conseguiu, pelo menos, oito arrobas de ouro (aproximadamente 118kg) nas margens dos rios Ouro Preto e Ribeirão.

Após a Guerra dos Emboabas, Amador dedicou-se ao desbravamento dos sertões dos rios Mogi-Guassu e Pardo, em cujas margens faleceu em novembro de 1719, aos 59 anos.

No bairro da Penha, em São Paulo, leva seu nome a Avenida Amador Bueno da Veiga.


Referências:

MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra. Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.

TAUNAY, A. História geral das bandeiras paulistas. São Paulo, H. L. Canton, 1924-50.

VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil colonial (1500-1800). Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

CARVALHO, Franco. Bandeiras e bandeirantes de São Paulo. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1940


segunda-feira, 12 de maio de 2025

COLORISMO À BRASILEIRA

 


No Brasil temos um grave problema chamado Colorismo.

O colorismo é um sistema de classificação social que determina como as pessoas devem ser lidas socialmente de acordo com o tom da pele e outras características. Ele pode acontecer nas relações entre pessoas de todas as cores, dependendo muito da história local. Essa forma de discriminação é baseada na tonalidade da pele e em outros traços físicos. Ela afeta a vida dos indivíduos porque ajuda a perpetuar desigualdades, prejudica a autoestima e impede o acesso a oportunidades.

No Brasil, o colorismo é amplamente discutido nas redes sociais e nas discussões políticas acerca do lugar de pessoas negras de pele clara, ou “pardas”, na população brasileira. Apesar de serem parecidos, o racismo e o colorismo apresentam diferenças importantes de ser explicadas. Todavia, assim como o racismo, o colorismo afeta negativamente a autoestima, o acesso a oportunidades e a saúde mental das pessoas negras.

O negro brasileiro é a única raça que tem 6 nomenclaturas para se referir a sua cor de pele, isso é feito para justamente confundir o já confuso grupo dos pretos brasileiros e serve também para segregar o já desunido povo brasileiro descendente de africanos.

Não existe tantas diferenciações assim com outros grupos humanos.

O ganês, Nabby Clifford, considerado embaixador do reggae no Brasil, país onde reside desde 1983 fez um vídeo sobre o que ele havia percebido a respeito do uso das palavras negro e preto no vocabulário dos brasileiros. O vídeo, na época, alcançou 6 milhões de visualizações, e mais de 200 mil compartilhamentos. Nele, o cantor constatou que:


“Um país, o Brasil, usa palavras como lista negra, dia negro, magia negra, câmbio negro, vala negra, mercado negro, peste negra, buraco negro, ovelha negra, a fome negra, humor negro, seu passado negro, futuro negro (…). Pega o dicionário de língua portuguesa, está escrito: negro quer dizer infeliz, maldito. Brasileiro quando valoriza alguma coisa não fala negro, ele fala preto.”


Então, de acordo com a interpretação apresentada por Clifford, os brasileiros, quando querem emitir juízos negativos normalmente associam ao uso do termo negro, como nos exemplos citados acima, e quando o juízo é positivo convencionou-se o uso do termo preto, para ele, o brasileiro:


“Ele não come feijão negro, come feijão preto, o carro dele não é carro negro, o carro dele é carro preto, ele não toma café negro, toma café preto, a fome é negra, quando ganha na loteria, ganha uma nota preta. Se branco não é negativo, preto também não é negativo.”


Tal observação, inevitavelmente, esbarra na discussão a respeito do colorismo, que compreende “a maneira pela qual compreendemos a condição negra, inferiorizada e subjugada ao branco; mas também tem como solução a compreensão dessa mesma condição negra, desde que liberta de sua grade racista.”


Mameluco

Do Árabe; escravo, servo, criado, pajem, empregado.

Aqui no Brasil a palavra era esada  para descrever os filhos de portugueses e indígenas, que eram vistos como uma espécie de "mistura" ou "combinação" de diferentes grupos étnicos. E também era usada pela ideia de que esses indivíduos eram vistos como "servos" ou "dependentes" dos colonizadores portugueses.


Moreno

A palavra "moreno" vem do latim "Maurinus", que significa "de cor escura" ou "marrom". No entanto, no contexto da língua portuguesa, "moreno" é usado para descrever uma pessoa com pele escura ou morena, especialmente em relação à cor da pele.

A  palavra "moreno" tem origem relacionada à Mauritânia. A palavra "mouro" (que é a raiz de "moreno") era usada pelos europeus para se referir aos povos do Norte da África, incluindo a Mauritânia, e tinha a conotação de "pele escura" ou "africano". 


Esse nome, originou o nome Maurício

O nome próprio "Maurício" tem origem latina, derivado de "Mauritania" ou "Maurus", que significam "mouro" ou "da Mauritânia". A Mauritânia era uma região do Norte de África, que se referia a pessoas de pele escura ou berberes. Assim, "Maurício" era originalmente um nome que indicava a origem ou a aparência física de alguém. 

No Brasil, o termo "moreno" é comumente usado para descrever pessoas com pele morena ou escura, e pode ser usado de forma positiva ou neutra. No entanto, é importante notar que a classificação racial e étnica no Brasil é complexa e envolve muitos fatores, incluindo a cor da pele, a ascendência, a cultura e a identidade.


Mulato

A palavra "mulato" vem do árabe "Muwallad", que significa "pessoa de ascendência mista" ou "mestiço". No entanto, no contexto da língua portuguesa, "mulato" se refere a uma pessoa de ascendência mista, especialmente de africanos e europeus.


Preto

A palavra "preto" vem do latim "precttus" derivado de pressus, que significa "apertado, denso, comprimido, negro, escuro" e "niger", que significa "negro" ou "de cor escura".


Negro

A palavra "negro" tem origem etimológica no latim "niger", que significava "preto" ou "escuro".


Pardo

A palavra "pardo" é sinônimo de "escuro"  é uma mistura de marrom e cinza, sendo assim, uma pessoa de pele escura.

O IBGE sabiamente usa de malandragem social para não declarar o fato de que a maioria das pessoas que nascem no Brasil é negra, preta, escura, usando o termo Pardo para dizer que a maioria da população não é preta, temos uma gambiarra social, que malandramente é distorcido e apoiado pela grande mídia.






sábado, 10 de maio de 2025

OS PAÍSES NÓRDICOS SÃO COMUNISTAS?

 


Os países nórdicos: Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia, são frequentemente citados em discussões sobre socialismo, mas essa representação é uma interpretação significativamente equivocada de seus sistemas econômicos e sociais atuais. Esta extensa análise visa dissecar o modelo nórdico em profundidade, revelando sua essência capitalista, o uso sofisticado da receita tributária e as razões sutis por trás de sua rotulagem errônea comum como socialismo.

Repetidamente, os líderes das nações nórdicas declararam seu compromisso com o capitalismo e uma economia de livre mercado, distanciando-se do socialismo. Apesar dessas declarações claras, continua havendo uma tendência recorrente de indivíduos rotularem incorretamente esses países como exemplos de modelos socialistas. Essa rotulação errônea persistente ignora as posições econômicas explícitas que esses países adotaram, levando a uma compreensão distorcida de seus sistemas econômicos reais.

O melhor que você pode fazer é chamá-la de social-democracia baseada no capitalismo.


Mas o que é Social-Democracia?

A social-democracia é uma ideologia política que busca combinar os princípios da democracia com os objetivos da justiça social e da igualdade econômica.

A social-democracia defende a ideia de que a economia deve ser regulada pelo Estado para garantir a justiça social e a igualdade de oportunidades para todos. Isso pode incluir políticas como:

- Regulação da economia para proteger os trabalhadores e o meio ambiente

- Investimento em serviços públicos, como educação e saúde

- Redistribuição de renda e riqueza através de impostos e benefícios sociais

- Proteção dos direitos dos trabalhadores e promoção da negociação coletiva


A social-democracia também defende a democracia participativa e a inclusão de todos os cidadãos no processo político. Isso pode incluir políticas como:

- Fortalecimento da democracia representativa e participativa

- Proteção dos direitos humanos e das liberdades civis

- Promoção da igualdade de gênero, raça e orientação sexual


Diferenças com o Socialismo

A social-democracia é diferente do socialismo em alguns aspectos importantes. Enquanto o socialismo busca abolir a propriedade privada e estabelecer uma economia planificada, a social-democracia busca regular a economia e promover a justiça social dentro do sistema capitalista.

A social-democracia também é diferente do liberalismo, pois enfatiza a importância da intervenção estatal na economia e da proteção dos direitos sociais.

Não são só os Países Nórdicos como Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlânida que são Soiais-Democratas, a Alemanha, Canadá e Austrália também são, e não me admira de todos estes países serem lugares bons para se viver.

A questão é que social democracia é, em sua origem, uma variação do socialismo, surgida dentro do movimento operário ainda no século XIX. Hoje em dia, após mais de um século de evolução, essa corrente diverge do socialismo marxista, que busca substituir o sistema econômico capitalista (no qual os meios de produção estão nas mãos de indivíduos) pelo sistema econômico socialista (no qual os meios de produção são coletivizados).

A social democracia aceita o capitalismo, mas busca mitigar os efeitos desse sistema considerados adversos, por meio da política. Para isso, utiliza-se de intervenções econômicas e sociais e promove reformas parciais do sistema ao invés de substitui-lo por inteiro. Esse é um pensamento político atrelado à centro-esquerda e seus principais valores são a igualdade e a liberdade.

No campo político, a social democracia defende as liberdades civis, os direitos de propriedade e a democracia representativa, na qual os cidadãos escolhem os rumos do governo por meio de eleições regulares com partidos políticos que competem entre si.

No campo econômico, a social democracia encontrou nas teorias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) a combinação perfeita para aliar os interesses sociais à mitigação de aspectos considerados problemáticos do capitalismo, como crises periódicas e elevado desemprego. Dessa combinação surgiu o Estado de Bem-Estar Social.


CHEIKH ANTA DIOP - PROVA QUE O EGITO É NEGRO

 




Cheikh Anta Diop 1923-1986 foi um polímata senegalês formado em Física, Filosofia, Química, Linguística, Economia, Sociologia, História, Egiptologia, Antropologia, versado em diversas disciplinas como o racionalismo, a dialética, técnicas científicas modernas, arqueologia pré-histórica… Enfim, um homem que estudou as origens da raça humana, e a cultura africana pré-colonial. Ainda hoje ele é considerado como um dos maiores historiadores africanos do século XX. E foram estes conhecimentos que Diop utilizou para dar base à tese que iria defender mais tarde, que fala do Egito antigo, como uma civilização composta por pessoas negras.

Nascido no Senegal, Diop era proveniente de uma família aristocrática (rica) muçulmana Wolof (sendo educado em uma escola islâmica tradicional). Tais dados seriam úteis ao desenvolvimento de sua tese, e o jovem rapaz obteve o grau de bacharel, no Senegal, mudando-se depois para Paris, com intuito de realizar pós-graduação.

Na França o jovem senegalês irá defender uma tese revolucionária, que será rejeitada, pela universidade de Paris, mas, isso não vai deter Diop. Antes de prosseguir, frisa-se que Diop foi o primeiro egiptólogo africano. Certa vez ele afirmou ser “o único Preto Africano de sua geração, a ter recebido formação como um egiptólogo”, e “mais importante”, ele “aplicou esse conhecimento enciclopédico em suas pesquisas sobre a história Africana”.

Em 1954, Anta Diop defende uma tese de que o antigo Egito tinha sido povoado por pessoas negras. A publicação de suas ideias no livro – Unidas nègres et culture – fez dele um dos historiadores mais controversos do seu tempo.

Diop também era político, e a sociedade africana de sua época mostrava um ambiente de veemente busca pela restauração da identidade africana, que se alegava havia sido deformada pela escravidão e colonialismo. Inspirado por grandes nomes como Aimé Césaire, Diop engajou-se nesta luta, mas, sendo ele mesmo um literato, buscou reconstruir a identidade africana, do ponto de vista estritamente científico e sócio- histórico.

Cheik Anta Diop acreditava que a luta pelo renascimento cultural e político da África não teria sucesso sem que se reconhecesse o papel civilizador do continente, que data da antiga civilização egípcia.

Em 1947, Anta Diop iniciou suas investigações linguísticas, sobre o idioma wolof, que passaria a dominar de forma extensa. Em 1960, de volta ao Senegal, ele dirigiu o laboratório de radiocarbono do IFAN (Institut de l’Afriquefondamental Noire). Sem esquecer a imensa gratidão que entretinha por um antigo professor, Frédéric Joliot, que o acolheu em seu laboratório, no College de France. Neste quesito, ele iria desenvolver testes genético, vitais para comprovação de sua tese. O senegalês disse certa vez: “Na prática, é possível determinar diretamente, a cor da pele e, portanto, as filiações étnicas dos antigos egípcios, por análise microscópica, no laboratório”.

Depois disso, Diop publicou sua técnica e metodologia, um teste de dosagem de melanina, em diversas revistas acadêmicas. Ele usou esta mesma técnica, para determinar o teor de melanina das múmias egípcias.

Em 1974, Diop foi um dos cerca de 20 participantes, que estiveram na UNESCO, em um simpósio na cidade do Cairo, onde foi apresentada a sua teoria, para diversos especialistas em egiptologia. O simpósio conseguiu gerar um debate animado sobre o tema, ainda que, sem conseguir gerar consenso, sobre a validade de tais técnicas, em múmias sujeitas aos efeitos de embalsamamento e deterioração ao longo do tempo. Apesar do apoio de alguns especialistas, estas afirmações contundentes de Diop, acerca da população original do Delta do Nilo ser negra, e que tal condição permaneceu até o fim da independência do Egito, foram duramente criticadas por alguns participantes do simpósio. Em todo caso, o trabalho de Diop despertou questões importantes sobre o viés cultural inerente à pesquisa científica.

Diop mostrou de forma indelével e maciça, que os arqueólogos europeus, antes e depois da descolonização, tinham subestimado e continuam a subestimar a possibilidade de civilizações negras da antiguidade terem alcançado tremendo desenvolvimento, séculos antes que os europeus.

Descobertas do arqueólogo suíço Charles Bonnet lançaram luz sobre as teorias de Diop. Elas mostram estreitos laços culturais entre Núbia e o Egito Antigo. E ainda que, isso não implique, necessariamente, numa relação genética, entre estas nações, egiptólogos como F. Yurco notaram que os núbios eram etnicamente mais próximos dos egípcios, e compartilhavam a mesma cultura, no período pré-dinástico, além de usarem a mesma estrutura política. Estes dados são importantes para suas conclusões.

Pode-se dizer que, Cheik anta Diop sabia utilizar muito bem a arte da argumentação. Ele citou autores antigos. Para ilustrar sua teoria de que os antigos egípcios tinham o mesmos traços físicos dos modernos africanos negros (cor da pele, tipo de cabelo), citou, por exemplo, o historiador grego Heródoto. Este (o historiador grego) disse que os Colchians (Cólquida – atual Geórgia ) eram “pretos, com cabelos encaracolados”. Ele usou também sua interpretação de dados antropológicos (tais como o papel do matriarcado), que, somado a dados arqueológicos resultou na inevitável conclusão de que a cultura egípcia era uma cultura africana. Na linguística, ele mostrou, em particular, que o Wolof (falado na África Ocidental, Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali, República Dominicana, Mauritânia) está relacionada com o antigo idioma egípcio.

Mais tarde, as visões de Diop receberam apoio, e só eram tidas como controversas, possivelmente, por conta do então domínio do racismo científico (que é o uso de técnicas e hipóteses científicas e pseudo-científicas, para apoiar ou justificar a crença na inferioridade/superioridade racial).

Diop castigava estudiosos europeus que postulavam uma evolução separada de diversos tipos de etnias, e que negavam a origem africana do homo sapiens. Hoje sabemos que toda a humanidade é proveniente da África.

Estudiosos como Bruce Trigger condenaram os acadêmicos tendenciosos, ao declarar que os povos da região (incluso Egito) eram todos africanos. Portanto, evidencia-se aqui, a sua desaprovação aos homens responsáveis por dizer quais teses devem ser aprovadas ou rechaçadas nas universidades e revistas cientificas, até porque, os parâmetros utilizados para tal, eram marcados por uma confusão de raça, língua e cultura, e por um racismo que os acompanha. As conclusões de egiptólogos como Frank Yurco, são as de que os egípcios, núbios, etíopes, somalis, etc, eram uma população uniforme, localizada no vale do Nilo.

Sobre uma postagem que fizemos, em 29 de julho de 2015, com o título: “O Legado Roubado – Stolen Legacy (livro)”, temos um ponto interessante, na visão de Diop. Ele sustenta que os gregos aprenderam de uma civilização egípcia superior, e isso não quer dizer que a cultura grega é simplesmente uma derivada do Egito. Ao invés disso, ele vê os gregos como componentes de um “berço do norte”, distintamente crescendo fora de certas condições climáticas e culturais. Tal pensamento, portanto, não é o mesmo que o argumento do “Stolen Legacy”, livro de George James ou o “Black Athena ” de Martin Bernal.

Talvez você pergunte: por que saber tais coisas é importante? Porque o racismo ainda existe, e porque a África é o berço das ciências, mas, é considerada inferior, por versões erradas, propagadas desde as eras de escuridão do darwinismo social. Sugiro então, que você leia a postagem: “A Ciência Não é Branca”, do dia 18 de outubro de 2015, e também a: “Educação imaginativa e histórica – Eurocêntrica”, do dia 18 de agosto de 2015.

Sobre linguistica: Diop dedicou a maior parte de seus estudos para a análise das semelhanças estruturais entre as linguagens modernas africanas, o Wolof e o idioma egípcio antigo. Não abordaremos o assunto para não ficar demasiado cansativo, sugiro então, que você leia a matéria na íntegra, na fonte descrita ao final deste texto.

Sobre genética: as teorias de Anta Diop têm sido apoiadas por um número de estudiosos que mapeiam os genes humanos, por meio de técnicas modernas de análise de DNA. Diop identificou um fenótipo preto, que se estende desde a Índia, Austrália até a África, com semelhanças físicas em termos de pele escura, e uma série de outras características. E por que os traços físicos são importantes? Porque a raça é uma categoria relevante, e fenótipo ou aparência física é o que importa nas relações sociais históricas, explicou Diop. veja:

“Se falar apenas do genótipo, eu posso encontrar um negro que, ao nível de seus cromossomos, está mais perto de um sueco. Mas o que conta, na realidade, é o fenótipo. É a aparência física que conta. Ao longo da história, é o fenótipo que é levado em questão, e não devemos perder de vista este fato. O fenótipo é uma realidade, a aparência física é uma realidade. E este aspecto corresponde a algo que nos faz dizer que a Europa é povoada por pessoas brancas, a África é povoada por pessoas negras, e a Ásia por pessoas amarelas. São essas relações que têm desempenhado um papel na história ” (Cheik Anta Diop).

Quero frisar que, os egípcios da atualidade são uma mistura de povos, e Diop não ignorou essa mistura existente na história egípcia. Ele reconheceu que os antigos egípcios absorveram genes “estrangeiros”, em vários momentos da sua história (o Hyskos por exemplo), mas, considerou que essa mistura não alterou sua etnia essencial.

Sobre o termo raça, o controverso senegalês expressou dúvidas sobre seu conceito. Em um colóquio da UNESCO, em Atenas, em 1981, ele afirmou: “Eu não gosto de usar a noção de raça (que não existe) … Nós não devemos dar uma importância obsessiva a este termo”. Esta perspectiva era diferente de muitos dos escritores brancos contemporâneos. Ele disse: “Pedimos desculpa por voltar às noções de raça; o patrimônio cultural, a relação linguística, conexões históricas entre os povos, e assim por diante; não dou mais importância a estas questões do que eles realmente merecem, no século XX “. Portanto, que não venham à taxa-lo de racista, pois ele repudiava teorias racistas ou de supremacia, argumentando apenas, a favor de uma visão mais equilibrada da história africana.

Saiba mais sobre Cheikh Anta Diop.  Vale a pena!


Fontes:

Jornal Le Monde: https://www.lemonde.fr/afrique/article/2016/11/23/kemtiyu-le-retour-de-cheikh-anta-diop_5036256_3212.html

Wikipedia - A Enciclopédia Livre: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cheikh_Anta_Diop

Site oficial de Diop: http://www.cheikhantadiop.net/

Assista na íntegra a entrevista de Cheikh Anta Diop: https://youtu.be/XpqzEytY4Bc



sexta-feira, 9 de maio de 2025

COMO SURGIRAM OS IDIOMAS?

 




Descubra como surgiram os idiomas? Segundo Charles Darwin, a linguagem surgiu da imitação de sons naturais e de outros animais, associada a gestos e gritos instintivos. Outros cientistas sugerem que os primeiros sons verbais se originaram da tentativa de replicar sons corporais ou da necessidade de coordenar esforços em atividades coletivas, como carregar objetos pesados. 

Na minha humilde opinião, ambos estão certos, na verdade, não podemos confirmar como nasceu a linguagem. Em suma: a linguagem não nasceu de um único evento, mas de uma evolução multifacetada ao longo de milênios.

Muito antes do surgimento das palavras, nossos ancestrais já se comunicavam. Expressões faciais, gestos, sons guturais e até as pinturas rupestres são exemplos de formas pré-linguísticas de transmitir ideias. De fato, a linguagem humana nasce da necessidade de registrar, interagir, compartilhar.

O que diferencia profundamente a linguagem humana da comunicação animal é a capacidade de criar. Um exemplo bem clássico é as frases: 

“Of the King the Power Demanded the Best” - “Pedro abacaxi, acabou Yorkshire” - Siri anda lá na praia suvaco de frango shurianda indecantas nébias". Eu sei que tal frases não querem dizer nada com nada, não tem lé com cré, mas é assim mesmo.  Isso mostra a flexibilidade criativa da nossa fala algo único no reino animal.

Além disso, estas mesmas frases podem ter diferentes significados conforme a entonação, o contexto e a intenção. É essa complexidade que torna o estudo da linguagem tão fascinante e multifacetado.

Com as migrações humanas, guerras e trocas culturais, o Proto-Indo-Europeu se dividiu em diversos troncos linguísticos. Cada povo que surgia ou se deslocava moldava e transformava o idioma que carregava, criando novas línguas e dialetos ao longo do tempo.

Atualmente, existem cerca de 7 mil línguas faladas no mundo. No Brasil, por exemplo, são mais de 200, a maioria de origem indígena. O problema é que cerca de 94% da população mundial fala apenas 10% dessas línguas,  o que significa que a imensa maioria dos idiomas está nas mãos (ou bocas) de uma minoria.


Por que não falamos todos a mesma língua?

Apesar dessas tentativas, criar uma língua globalmente falada esbarra em desafios práticos e políticos. Para a maioria dos países, não faz sentido abandonar seus idiomas nativos em favor de um artificial. O acesso desigual à educação é outro obstáculo enorme. Em países como o Brasil, apenas 1% da população tem fluência em inglês — imagine então a dificuldade em difundir um idioma ainda mais marginal como o Esperanto.

Além disso, há uma beleza inegável na diversidade linguística. Cada língua carrega consigo uma forma única de ver o mundo, de contar histórias, de viver e sentir.


Línguas mortas, línguas artificiais e a busca pela unidade

Entre as línguas que deixaram de ser faladas por comunidades inteiras está o latim — exemplo clássico de uma língua morta. Ainda é estudado, usado em missas, obras literárias e até em feitiços de Harry Potter, mas não é língua materna de ninguém.

Tentativas de criar um idioma universal também já existiram. O caso mais notório é o Esperanto, inventado por Ludwik Zamenhof no século XIX. Com regras simples e vocabulário inspirado em diversas línguas europeias, o Esperanto hoje é falado por cerca de 10 milhões de pessoas em diferentes níveis de fluência. Existem ainda outras tentativas, como o Novial, o Ido e a Interlíngua — todas buscando uma comunicação internacional acessível.

Há também línguas criadas com propósitos artísticos, como o Klingon, da série Star Trek, ou o Nadsat, da obra Laranja Mecânica. Elas provam que a linguagem é também um campo de experimentação cultural.


quinta-feira, 8 de maio de 2025

ILUMINISMO E COMUNISMO

 


É claro que existem diferenças entre o Comunismo e o Iluminismo, pois são conceitos que surgiram em épocas diferentes em contextos diferentes.

O Iluminismo, que ocorreu nos séculos XVII e XVIII, foi um movimento intelectual que enfatizava a razão, a ciência e a liberdade individual. Os pensadores iluministas, como Rousseau, Voltaire e Kant, defendiam a ideia de que a humanidade poderia ser melhorada através da educação, da razão e da liberdade.

O Comunismo, por outro lado, é uma ideologia que surgiu no século XIX, com Karl Marx e Friedrich Engels. O Comunismo defende a ideia de que a propriedade privada e a exploração do trabalho são as causas da desigualdade social e que a solução é a abolição da propriedade privada e a criação de uma sociedade sem classes.

Embora haja algumas conexões entre o Iluminismo e o Comunismo, as duas ideologias têm diferenças significativas em termos de seus princípios e métodos.


Diferenças entre o Iluminismo e Comunismo

O Iluminismo, em sua maioria, defendia o liberalismo econômico e a liberdade de mercado, enquanto o comunismo busca a abolição da propriedade privada e o controle estatal da economia. 

O Iluminismo, em geral, não propôs um sistema político específico, enquanto o comunismo defende a criação de um Estado socialista e, posteriormente, uma sociedade comunista sem Estado. 

O Iluminismo, com sua ênfase na razão individual, pode ser visto como uma filosofia que se concentra no indivíduo, enquanto o comunismo enfatiza a importância da coletividade e da classe trabalhadora. 


Embora o Iluminismo e o Comunismo sejam ideologias diferentes, há algumas conexões entre elas:

1. Influência da Razão e da Ciência: O Iluminismo enfatizava a importância da razão e da ciência para melhorar a sociedade. O Comunismo também se baseia na ideia de que a sociedade pode ser transformada através da aplicação de princípios científicos e racionais.

2. Crítica à Autoridade: O Iluminismo criticava a autoridade absoluta e defendia a liberdade individual. O Comunismo também critica a autoridade e defende a ideia de que a sociedade deve ser organizada de forma mais igualitária e justa.

3. Igualdade e Justiça Social: O Iluminismo defendia a ideia de que todos os seres humanos são iguais e devem ter direitos iguais. O Comunismo também defende a igualdade e a justiça social, mas de forma mais radical, argumentando que a propriedade privada e a exploração do trabalho são as principais causas da desigualdade.


O Iluminismo, com suas ideias de razão, liberdade e igualdade, influenciou o pensamento social, político e econômico que deu origem ao socialismo, inclusive ao comunismo, mas o comunismo diverge em muitos aspectos do Iluminismo. 

O Iluminismo forneceu a base intelectual para as ideias comunistas sobre a possibilidade de construir uma sociedade melhor através da razão e do conhecimento, daí os motivos de vermos os 

esquerdistas controlando todo meio intelectual, como: escolas, faculdades e o corpo psicológico e filosófico. Como também a imprensa e o meio jornalístico, sua influência chegou até no meio do entretenimento, tais como: filmes, novelas, desenhos, séries, etc. Pensamento este, influenciando até o meio religioso e empresarial. 

No lado empresarial por exemplo, temos as pautas ESG surgida em 2004 por exemplo.

No lado religioso, temos as Igrejas Evangélicas inclusivas, que defendem a pauta da Teologia Gay ou Teologia Queer, temos também a forte adesão e aceitação dos religiosos homossexuais no Espiritismo, Umbanda, Quimbanda e Candomblé. 

Até a Igreja Católica reconhece a foça social da questão homossexual, pois o catolicismo teve por 13 anos apoio do Papa Francisco que defendia questões homossexuais, fazendo a ponte entre a Igreja e os Homossexuais.

No lado do entretenimento temos a adesão da cultura Woke nos cinemas, televisão e todo entretenimento.

O comunismo busca realizar os ideais iluministas de igualdade, liberdade e justiça social, mas através de um processo revolucionário e da abolição da propriedade privada. 

A crítica iluminista ao sistema feudal e ao absolutismo influenciou a crítica comunista ao capitalismo e à desigualdade social. 

Embora haja algumas diferenças entre o Iluminismo e o Comunismo, as duas ideologias têm conexões e semelhanças significativas em termos de seus princípios e métodos.


segunda-feira, 5 de maio de 2025

OS ISRAELITAS SÃO CANANEUS

 



Uma equipe interdisciplinar da Universidade Hebraica de Jerusalém extraiu e analisou o DNA dos restos mortais de 73 indivíduos enterrados entre os 1500 anos em que os cananeus viveram em cinco locais específicos espalhados pelo território de Israel e Jordânia.

"Os cananeus, embora vivessem em diferentes cidades-estados, eram cultural e geneticamente semelhantes", afirmou a especialista em DNA da Universidade Hebraica de Jerusalém, Liran Carmel. Durante a Idade do Bronze, o povo, hoje quase misterioso, foi vencido pelos israelitas.

Além disso, os pesquisadores compararam essas amostras com as de indivíduos modernos. Eles descobriram que muitos grupos árabes e judeus que atualmente vivem na região têm mais da metade do seu DNA em semelhança com o antigo povo cananeu.

 “Alguém poderia analisar 'cananeus' em oposição a indivíduos 'israelitas'. A Bíblia afirma que estes são grupos distintos e antagônicos, mas há razões para acreditar que eles estavam intimamente relacionados”, explicou a arqueóloga Mary Ellen Buck.

Análise de DNA, de corpos encontrados em vários locais, explica mais da metade da ancestralidade. Após examinar o DNA de 93 corpos recuperados em sítios arqueológicos ao redor do sul do Levante, a terra de Canaã na Bíblia, pesquisadores concluíram que as populações modernas da região são descendentes dos antigos cananeus. A maioria dos grupos judaicos modernos e os grupos de língua árabe da região apresentam pelo menos metade de sua ancestralidade como cananeus.

No estudo , publicado na Cell em maio de 2020, os pesquisadores explicam que usaram análises de DNA existentes de 20 indivíduos, de locais em Israel e no Líbano, e então adicionaram mais 73, pegando DNA dos ossos de indivíduos encontrados em Tel Megiddo, Tel Abel Beth Maacah e Tel Hazor (norte de Israel), Yehud (centro de Israel) e Baq'ah (centro da Jordânia). Ao primeiro eliminar indivíduos intimamente relacionados a outros indivíduos na amostra, então comparando as 62 amostras de DNA restantes com um conjunto de dados de 1.663 indivíduos modernos, eles foram capazes de estabelecer o elo genético com as populações modernas. Os grupos étnicos que ainda vivem onde Canaã dominou, ou daquela área antes de se mudarem para outro lugar, são em grande parte descendentes dos cananeus.

A cultura cananeia era dominante no Levante Meridional durante a Idade do Bronze (3.500-1.200 a.C.). Com o início da Idade do Ferro I, as cidades-estados cananeias desapareceram. Os israelitas se autoidentificaram como um grupo separado. Como especula Volkmar Fritz em Israelites and Canaanites , os israelitas podem ter formado arranjos de vida distintos, estabelecendo pequenas aldeias em terras periféricas não previamente povoadas e vivendo principalmente em casas de quatro cômodos. Por fim, os israelitas formaram os estados de Israel e Judá, enquanto outros estados bíblicos, Amon, Moabe, Aram-Damasco e cidades-estados fenícias, surgiram. Hoje, a região consiste em Israel, Líbano, Jordânia, Autoridade Palestina e sudoeste da Síria.

O estudo em Cell não apenas estabelece que os antigos israelitas eram descendentes dos cananeus, mas também estabelece que o povo cananeu nas diferentes cidades-estados do sul do Levante, e ao longo de um período de 1.500 anos, era um povo geneticamente coeso.


SHAHAR - IRMÃO GÊMEO DE HALIM

 

Kothar-wa-Khasis



Shahar "Amanhecer" é um deus da religião ugarítica e cananéia mencionado pela primeira vez em inscrições encontradas em Ugarit (hoje Ras Shamra, Síria).

William F. Albright identificou Shalim como o deus do crepúsculo e Shahar como o deus do amanhecer. 

Shahar e Salim são os filhos gêmeos de El. Como marcadores do amanhecer e do anoitecer, Shahar e Shalim também representavam a estrutura temporal do dia.

Os nomes Shahar e Shalim são masculinos, e parece que os deuses também são.


Hebraico

Sutton afirma recentemente que a palavra שחר é usada 43 vezes no Tanakh. Incluindo 23 como substantivo (amanhecer, amanhã, estrela da manhã), 6 como adjetivo (negro), 12 como verbo piʿel ("buscar, desejar") ou qal ("tornar-se negro" ou "ter a intenção de"). "Isso indica que, dentro da etimologia de שחר na Bíblia Hebraica, ele é usado principalmente como substantivo primário (às vezes) descritivo do deus ou deusa Shachar." 


Árabe

Em árabe, a palavra saḥar refere-se ao período que antecede o amanhecer e vem da mesma raiz semítica. Essa raiz também é visível em suḥūr, a refeição que os muçulmanos comem antes do amanhecer durante o Ramadã.


Etimologia

O hebraico šaḥar é um substantivo primário. O acádio šēru (m) II e a forma dialetal assíria šiāru (m), que significa 'manhã', argumentam contra uma derivação verbal, uma vez que a forma substantiva pirâs gera apenas substantivos primários. Além disso, o antigo árabe do sul śaḥar , que significa "amanhecer, alvorada", não sugere uma forma causativa. Variações encontradas em Qumran incluem o hebraico médio šaḥar (1QH4:6: kšḥr, 'como o amanhecer'; 11QPsa 26:11: estabelecimento do amanhecer [kwn hiphil]; 4Q487 36,1 lšḥr , incerto); o aramaico judaico šaḥarā , 'amanhecer da manhã, manhã cedo'; Moabita (feminino) šḥrt , compare mbqʽ hšḥrt , 'do amanhecer'; ugarítico šḥr , 'amanhecer, amanhecer', e šḥr par. qdm , 'vento leste'; šḥr ʽlmt , 'desta manhã até a eternidade'; bem como os deuses gêmeos šḥr wšlm , 'estrela da manhã e da tarde', e ʽm šḥr wšlm šmmh , 'para šḥr e šlm no céu'; árabe saḥar , 'tempo antes do amanhecer, manhã cedo, amanhecer'. O antigo deus árabe Saḥar , 'amanhecer, amanhecer', é representado em relevos com o símbolo da cabeça do dragão.


Teofóricos

A forma šaḥar também aparece como um nome divino em nomes pessoais, incluindo o ugarítico ìlšḥr " šḥr é (meu) deus"; o fenício ʽbdšḥr, šḥrbʽl, o hebraico אחישחר ("irmão de Shahar") e שחריה ("Yahweh é Shahar.") 


Fontes

Tanakh

"Traços" da divindade podem ser encontrados no cânon; HALOT 9524 nomeia Isaías 14:12, Salmo 139:9, Jó 3:9 e 41:10.


Isaías 14:12–15

Isaías 14: 12-15 foi a origem da crença de que Satanás era um anjo caído , que também poderia ser chamado de Lúcifer. Refere-se à ascensão e desaparecimento da estrela da manhã Vênus na frase "Ó Brilhante, filho do Amanhecer!" (Hebraico : הֵילֵל בֶּן־שָׁחַר , romanizado :  Hēlēl ben Shāḥar, lit.  'exaltado, filho de Shāḥar', traduzido como Lúcifer na Vulgata e preservado nas primeiras traduções inglesas da Bíblia.) 

Esta compreensão de Isaías 14:12–15 parece ser a interpretação mais aceita no Novo Testamento , bem como entre os primeiros cristãos , como Orígenes , Eusébio , Tertuliano e o Papa Gregório I.  Pode ser considerada uma "remitologização" cristã de Isaías 14 , já que o versículo originalmente usou a religião cananeia para construir sua imagem da arrogância de um governante histórico, "o rei da Babilônia" em Isaías 14:4. 


O papel de Vênus como estrela da manhã foi assumido por ʿAṯtar , neste caso referido como "filho de Shāḥar". A referência a Shāḥar permanece enigmática para os estudiosos, que têm uma ampla gama de teorias sobre a estrutura mitológica e fontes para a passagem em Isaías. 


Ugarit

KTU 1,23

A concepção e o nascimento de Šaḥar-w-Šalim encontram-se aqui. A história cabe perfeitamente em uma única tábua.

Há uma breve invocação dos deuses. Um mt w šr  junta-se e parece colher uvas com um "cajado de viuvez". Pardee abre espaço para sugestões de outros sobre imagens de circuncisão.

Há outra invocação. Duas mulheres, aparentemente adoradoras humanas, seduzem El. Ele as seduz, após um ritual de caça no qual assa um pássaro que atirou no ar. Com o tempo, elas dão à luz Šaḥar-w-Šalim, a quem a deusa amamenta. Famintas, elas devoram as aves do céu e os peixes do mar.


RS 24.244 (KTU 2 1.100) Liturgia ugarítica contra répteis venenosos

"Mensagem para Šaḥru-wa-Šalimu 

Ela chama novamente sua mãe Šapšu :

Mãe Šapšu, leve uma mensagem

para Šaḥru-wa-Šalimu nos céus:20

Meu encantamento para picada de serpente,

para o veneno da serpente escamosa:

Destrua, ó encantador,

dela expulsa o veneno.

Então ele amarra a serpente,

alimenta a serpente escamosa,

puxa uma cadeira e senta-se."


O VERDADEIRO NOME DE JERUSALÉM



O nome Jerusalém não significa exatamente Cidade de Paz como se ensina nos currais religiosos, é muito mais profundo que isso.

Shalim - Šalām - Shalem, é o verdadeiro nome de Jerusalém, em latim romanizado é ŠLM [Obs: todo o S que tiver um acento (Š) lê-se com som de X ou Ch]. Shalim - Šalām - Shalem é o nome de um deus da religião Cananeia, mencionado em inscrições encontradas em Ugarit (hoje Ras Shamra, Síria). William F. Albright identificou Shalim como o deus do crepúsculo e Shahar como o deus do amanhecer. No Dicionário de Divindades e Demônios na Bíblia, Vênus é representada por Shalim como a Estrela da Tarde e Shahar como a Estrela da Manhã. Seu nome deriva da raiz semítica triconsonantal Š-LM ("inteiro, seguro, sólido, paz").

Um mito ugarítico conhecido como "Os Deuses Graciosos e Mais Belos" descreve Shalim e seu irmão Shahar como descendentes de El, por meio de duas mulheres que ele conhece na praia. Ambos são amamentados pela "Senhora", provavelmente Asherah, e têm apetites tão grandes quanto "(um) lábio voltado para a terra e (um) lábio voltado para o céu". Em outros textos ugaríticos, os dois são associados à deusa do sol. 

Outra inscrição é uma frase repetida três vezes em um texto para mitológico: "Deixe-me invocar os deuses graciosos, os deuses vorazes de ym ". Ym na maioria das línguas semíticas significa "dia", e Shalim e Shahar, divindades gêmeas do crepúsculo e do amanhecer, foram concebidos como seu começo e fim, ou seja, o Alpha e o Ômega.

Shalim também é mencionado separadamente nas listas de deuses ugaríticos e formas de seu nome também aparecem em nomes pessoais, talvez como um nome divino ou epíteto. 

O deus Shalim pode ter sido associado ao crepúsculo e à estrela da tarde nos sentidos etimológicos de uma "conclusão" do dia, "pôr do sol" e "paz".

O nome Shalim é o cognato original do nome Sumeriano Utu (deus do sol) que os acadianos chamavam esse deus de Shamash (deus do sol), é do nome Shamash que vem o nome Shalim e posteriormente Yerushalam ou Jerusalém. 

O nome Shalom vem do nome do deus cananeu Shalim, deus do crepúsculo, deus do amanhecer, deus do primeiro raio de sol deus do começo do dia, o deus trazendo a paz e a luz.

Os nomes Utu em Sumério, Shamash em Acádio e Shalim em Ugarítico ou Cananeu quer dizer luz, e a luz traz conhecimento, e o conhecimento traz a paz, daí o nome Jerusalém ser a cidade da Paz, de onde vem o nome Shalom que é um deus ugarítico da Luz (Sol) e Paz. Lembrando que antes, o nome Jerusalém ou Rušalimum ou Urušalimum que aparece nos achados do Antigo Egito é a primeira referência a Jerusalém. Os gregos adicionaram o prefixo Hiero ("sagrada") e chamaram de Hierosolyma. Para os Árabes, Jerusalém é Al-Quds ("A Sagrada"). Foi chamada de Jebus (Yevus) pelos jebusitas. "Tzion" inicialmente se referiu a parte da cidade, mas depois passou a significar a cidade como um todo. Durante o reinado de David, ficou conhecida como Yir David (a cidade de Davi). Que vem do prefixo Yeru derivado de Yireh, de onde Yeru-Shalem quer dizer cidade de Paz. 

O nome "Yerushalayim" é composto por "Yeru" e "Shalem". "Yeru" é uma derivação de "Yerushalayim",  que é o nome da cidade em hebraico. "Shalem" significa "completo" ou "perfeito". Portanto, a cidade é muitas vezes interpretada como "cidade da paz" ou "cidade daquele que é perfeito". 


Povos Cananeus

No passado, os Cananeus foram os Filisteus, Amoritas (Amorreus), Heveus (Hititas), Sidônios, Gigarseu (Gargares ou Albaneses) Arqueus (Fenícios) Sin ou Sineus, Zemareus, Hamateus, Arvadeu, Jebuseus que foram um dos moradores de Jerusalém.

Gênesis, 10:15–19: "Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e Hete, e ao jebuseu, o amorreu, o girgaseu, o heveu, o arqueu, o sineu, o arvadeu, o zemareu e o hamateu. Depois se espalharam as famílias dos cananeus. Foi o termo dos cananeus desde Sidom, em direção a Gerar, até Gaza; e daí em direção a Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa."

E por fim, os Hebreus, pois os Hebreus também pertenciam ao povo Cananaeu.

Nos dias atuais os Cananeus são os: Palestinos, Libaneses, Sírios, Jordanianos, Iraquianos, Drusos e os Judeus.