Infante Dom Henrique de Avis 1394-1460 foi mais importante figura do início da era das descobertas. Infante é um título de nobreza, que está abaixo de príncipe. Este título é atribuído a todos os filhos legítimos do rei ou rainha de monarquias como as de Portugal ou da Espanha, que não são herdeiros direto da coroa, mas indiretos herdeiros, caso o Príncipe Regente renuncia ou abdica de sua coroa ou ocorra alguma fatalidade contra o Príncipe Regente. Infantes, quando soberanos, são tutelares de conceder títulos de nobreza aos herdeiros direto, ou seja, sendo irmão ou tio paterno do/da regente da coroa na menor idade, diante da ausência do Rei Soberano ou Imperador; se a monarquia for hereditária, seu herdeiro indireto será nobre com tutela real ou imperial, passando de Infante ou Infanta, à Príncipe ou Princesa real, sendo estes tratados como Alteza Real (SAR) ou Grão Realeza Imperial (GRI).
Ele era visionário, aventureiro, empreendedor. Tudo isto foi o quinto filho de João I e de Filipa de Lencastre. Com ele começou a grandiosa era dos Descobrimentos. Mas ao contrário do que se diz, as caravelas do infante não partiram de Sagres à conquista do mundo.
O desejo de expansão do comércio e do cristianismo conduziu o Infante D. Henrique ao sonho aparentemente impossível de chegar a terras desconhecidas e misteriosas, de existência vaga em informações imprecisas. Depois da feliz expedição a Ceuta em 1415, projeto em que se envolvera com afinco, mais confiante e determinado ficara na vontade em iniciar as empresas marítimas.
Em 1414, convenceu seu pai a montar a campanha para a conquista de Ceuta no norte de África junto ao estreito de Gibraltar.
A cidade foi conquistada em agosto de 1415, assegurando ao reino de Portugal o controle das rotas marítimas de comércio entre o Atlântico e o Levante. Na ocasião foi armado cavaleiro e recebeu os títulos de Senhor da Covilhã e duque de Viseu. Foi também administrador da Ordem de Cristo.
Após a conquista de Ceuta, retirou-se para Lagos, onde dirigiu expedições ao Atlântico. Rodeou-se de sábios e navegadores portugueses, maiorquinos, genoveses e venezianos.
Durante a sua vida foram redescobertas as ilhas do Atlântico, já conhecidas em mapas do século XIV: os arquipélagos da Madeira e dos Açores. O povoamento e exploração das ilhas ficou a seu cargo, a conquista de Ceuta foi motivada pelo interesse econômico, como o acesso a fontes de fornecimento de escravos negros no norte da África. Quando os portugueses chegaram a Ceuta, no início do século XV, iniciaram a captura e escravização dos africanos das redondezas, com a justificativa de que eram prisioneiros de guerra e muçulmanos, considerados inimigos da fé católica europeia, embora fosse desde sempre um negócio lucrativo, a captura de escravos não era, ao menos no começo, a essência da empreitada.
Por sua iniciativa, na primeira metade do século XV navegadores portugueses começaram a explorar a costa ocidental de África e a aventurarem-se nas águas “ferventes” do Atlântico, povoadas de monstros inimagináveis. As viagens eram arriscadas, os homens tinham medo, mas o infante cognominado “o Navegador” nunca pensou em desistir. Por doze anos manda ao mar navios para descobrir o que estava além do Bojador e, em 1434, Gil Eanes consegue a façanha de dobrar o cabo. A partir daqui, a geografia do mundo mudou.
Para vencer correntes e marés, investe em formação, conhecimento e experiência. Decide criar em terras do Algarve uma escola. Porém, ao contrário do que se pensa e diz, não foi em Sagres que juntou os mais avançados especialistas em matéria de navegação. Na época, a fortaleza onde acabaria por morrer aos 66 anos, nem sequer existia: apenas as falésias escarpadas onde nenhum barco conseguiria atracar e o promontório de S. Vicente, conhecido na Antiguidade como Promontorium Sacrum. Tudo o resto era deserto. Ali, estava-se no extremo sudoeste da Europa, no fim do mundo.
Era muito perto, a cerca de vinte quilómetros, que ficava o local que considerou apropriado para tal empresa. A vila de Lagos, a povoação que foi capital do reino dos Algarves, tinha uma baía larga, ideal para navegar e, para além da sua proximidade com a costa de Marrocos, tinha gente habituada a pescarias difíceis em mar alto. Ali fundou uma escola náutica, onde cartógrafos, astrónomos e navegadores recrutados em diversos países, desenvolviam novas técnicas, desenhavam cartas náuticas e projetavam barcos mais velozes.
Escola e campanhas são pagas do seu bolso, grande parte era coberta com dinheiros e rendas que recebia da Ordem de Cristo, de que era governador. Porém, a partir de determinada altura, começa a arrecadar o «quinto», ou seja, vinte por cento das mercadorias que chegavam a Lagos, onde também teve lugar o primeiro mercado de escravos negros capturados em África. A expansão começava então a ser um bom e lucrativo negócio.Da vila de Lagos partiram as caravelas que nasceram do sonho de um homem místico, de ar austero, com as suas vestes negras e chapéu de abas largas, a acreditar que é ele que está representado nos painéis de Nuno Gonçalves. A era dos Descobrimentos, que tantos protagonistas teve, começou com D. Henrique, o infante que ficamos a conhecer melhor nesta visita guiada com o historiador João Paulo Oliveira e Costa.
Durante a sua vida foram redescobertos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Foi feita a sua colonização e exploração económica.
A passagem do cabo Bojador, em 1434 por Gil Eanes, foi outro acontecimento importante.
Foi um dos principais organizadores da conquista de Tânger em 1437, que se revelou fracasso enorme, já que o seu irmão mais novo, D. Fernando (o Infante Santo) ficou refém em Marrocos, até à sua morte em 1443, como garantia da devolução de Ceuta que nunca veio a acontecer. A sua reputação militar sofreu um revés e os seus últimos anos de vida foram dedicados à política e à exploração.
Ainda durante a sua vida chegou-se ao arquipélago de Cabo Verde, em 1455 por Cadamosto.
O Infante morreu solteiro, sem alguma vez ter tido mulher ou filhos. Deixou como seu principal herdeiro o seu sobrinho (e filho adoptivo), em bens, cargos e títulos, o segundo filho de seu irmão o rei D. Duarte já falecido, o Infante D. Fernando, duque de Beja, e que a partir dessa altura passa a ser Duque de Viseu tal como ele e a dirigir os Descobrimentos portugueses para o Reino de Portugal tal como o seu tio.
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