A Lei de Moisés não foi criada ou redigida inteiramente por Moisés, mas sim desenvolvida ao longo de séculos. Embora a tradição religiosa atribua os cinco primeiros livros da Bíblia (a Torá ou Pentateuco) a ele, os estudos históricos e a própria teologia revelam uma realidade bem diferente.
Os cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), que compõem a Torá, não foram escritos por Moisés. Eles foram compilados ao longo de vários séculos por diferentes grupos de escribas e sacerdotes das tradições Javista, Eloísta, Deuteronomista e Sacerdotal).
♦Fonte Javista: Focada em narrativas e tradições do Reino do Sul (Judá).
♦Eloísta: Originária do Reino do Norte (Israel)
♦Deuteronomista: Centralizada na reforma religiosa do rei Josias, século VII a.C.
♦Sacerdotal: Escrita durante ou após o Exílio na Babilônia para organizar as leis e os rituais do templo.
Moisés não escreveu o nada, por três motivos:
♦Sua própria morte: O livro de Deuteronômio (capítulo 34) narra detalhadamente a morte e o sepultamento de Moisés. Ele não poderia ter escrito sobre o próprio fim.
♦Leis anacrônicas: Há menções a camelos domesticados e reis em Israel, coisas que não existiam na época em que Moisés teria vivido.
♦Estilos diferentes: O texto muda drasticamente de vocabulário, tom e estilo de um capítulo para o outro
*fora o fato de ele jamais ter existido.
Muitas das leis, especialmente as detalhadas em Levítico e Deuteronômio, refletem costumes e contextos sociais e políticos de Israel bem posteriores à época em que Moisés teria vivido.
O texto bíblico (no livro de Neemias, capítulo 8) relata que o escriba e sacerdote Esdras leu e explicou publicamente a Lei ao povo após o retorno do exílio na Babilônia, por volta de 445 a.C., momento em que muitos historiadores acreditam que a Torá ganhou o formato estrutural que conhecemos hoje.
A historiografia moderna entende a Lei como o resultado de uma longa evolução literária e religiosa do povo de Israel.
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