Biainili (em cuneiforme Urartiano: 𒆳بي𒀀𒄿نيلي) era o endônimo e auto-designação do Reino de Urartu, uma antiga civilização da Idade do Ferro centrada na região do Lago Van, no Planalto Armênio. Enquanto os vizinhos assírios usavam o exônimo Urartu (que deu origem ao bíblico Ararat), os próprios governantes e habitantes chamavam sua terra de Biainili ou Biaini. Não sabemos o significado do nome Biainili, provavelmente significava "A Terra do Povo Bia".
A a primeira capital foi a cidade de Arzashkun e, posteriormente, Tushpa (atual Van), além de importantes fortalezas como Erebuni (onde hoje fica Erevã, na Armênia).
Idioma
O povo de Biainili (nome nativo do antigo Reino de Urartu) falava o idioma urartiano, também chamado de Urartita ou Vaniano (nome do Lago Van).
O urartiano pertencia à família das línguas hurro-urartianas. Ele não tinha nenhum parentesco com o idioma armênio atual, nem com as línguas indo-europeias ou semíticas que existiam na região. Era uma "ilha linguística" isolada no antigo Oriente Próximo.
O idioma era registrado principalmente através de uma versão adaptada da escrita cuneiforme neoassíria. Os reis de Urartu deixaram centenas de inscrições cuneiformes esculpidas em rochas, estelas de pedra e objetos de bronze para registrar suas campanhas militares e obras públicas.
Confederação de Tribos
O povo Biainili é a crônica de uma confederação de tribos montanhesas que se unificou para resistir à agressão imperialista e acabou se tornando uma das maiores superpotências da Idade do Ferro no Antigo Oriente Próximo.
Antes de se tornar um reino centralizado, a região do Planalto Armênio era habitada por tribos fragmentadas, mencionadas nos registros assírios desde o século XIII a.C. como os povos de Uruatri e Nairi.
Diante das frequentes e violentas incursões do Império Assírio, que buscava cavalos, metais e escravos, essas tribos gradualmente se uniram em uma confederação defensiva.
O primeiro rei unificador mencionado foi Aramu. Contudo, foi o rei Sarduri I quem consolidou o reino por volta de 832 a.C., transferindo a capital para Tushpa (atual Van, na Turquia) e fundando a dinastia real de Biainili.
A Era de Ouro e Expansão Imperial - Séc. VIII a.C. (800 a.C. até o ano 701 a.C.)
Aproveitando um período de temporária fraqueza interna da Assíria, Biainili iniciou uma expansão territorial agressiva sob uma sucessão de reis guerreiros e construtores:
♦Ishpuini e Menua c. 820–785 a.C.: Conquistaram a cidade sagrada de Musasir e estabeleceram o culto ao deus Haldi como o motor ideológico do império. Menua construiu canais de irrigação maciços (alguns usados até hoje) que transformaram o planalto em uma potência agrícola. Sob sua co-regência, o termo oficial nas inscrições nativas mudou definitivamente para Biainili.
♦Argishti I c. 785–763 a.C.: Levou o império ao seu ápice militar. Ele expandiu as fronteiras até o sul do Cáucaso e fundou a fortaleza de Erebuni em 782 a.C., que originou a atual cidade de Yerevan, capital da Armênia. Biainili controlava rotas comerciais vitais, estrangulando o acesso assírio aos metais da Anatólia.
Equilíbrio Entre os Reinos
O rei assírio Sargão II lançou sua famosa "Oitava Campanha" em 714 a.C., invadindo Biainili. Os assírios derrotaram o rei Rusa I, saquearam o riquíssimo templo de Haldi em Musasir e destruíram pomares e plantações. Desonrado, Rusa I cometeu suicídio.
Apesar do golpe devastador, Biainili não colapsou imediatamente. O rei Rusa II (c. 685–645 a.C.) promoveu um renascimento cultural e arquitetônico, erguendo novas e impenetráveis fortalezas e selando a paz com os assírios.
Declínio e Colapso - Séc. VII – VI a.C. (701 a.C. até 501 a.C.)
O fim de Biainili foi provocado por uma combinação de pressões internas e novas ondas de invasores:
Décadas de guerras constantes contra a Assíria esgotaram os recursos do reino.
O território passou a ser fustigado por incursões violentas de cavaleiros nômades, os cimérios e citas.
Fragilizado, o reino sucumbiu gradualmente. A capital e suas fortalezas principais (como Teishebaini) foram queimadas e destruídas. A independência política de Biainili chegou ao fim entre 590 a.C. e meados do século VI a.C., caindo sob o domínio dos Medos e, posteriormente, do Império Aquemênida (Persa).
O urartiano deixou de ser escrito e falado após a queda do reino, por volta do século VI a.C., sendo gradualmente substituído pelo armênio na região.
Legado do Nome
O termo Biainili (que provavelmente significava "a terra do povo Bia") não desapareceu completamente da história. Linguistas e historiadores apontam que a palavra evoluiu foneticamente ao longo dos séculos na transição para a língua armênia, dando origem direta ao nome do Lago Van e da cidade de Van, o coração geográfico daquela civilização.


Nenhum comentário:
Postar um comentário