A história hídrica de São Paulo é fascinante e contraditória; a cidade que hoje sofre com o trânsito e o concreto foi, no passado, completamente moldada por águas.
Região Centro
Região do Glicério e Baixada do Glicério ─ Centro / Liberdade / Cambuci: Localizada às margens do antigo rio Tamanduateí, historicamente uma área baixa, alagadiça e sujeita a cheias constantes.
Bom Retiro: Antigo Campo de Guaré, região plana e pantanosa cortada por braços de água do Rio Tietê e córregos da região central.
Luz: Conhecido no início do século XVII como o antigo Campo de Guaré, a região central era uma área de pântanos e alagadiços às margens do Rio Tamanduateí antes de ser aterrada e urbanizada.
Parque Dom Pedro II: Esta área central era essencialmente a várzea do Rio Tamanduateí. Antes do aterramento e da canalização que deram lugar a avenidas e viadutos, o local era um enorme brejo urbano que acumulava as águas que desciam das colinas históricas do centro.
Região da Várzea do Rio Pinheiros ─ Zona Oeste e Sul
Zona Oeste
Antigamente, o Rio Pinheiros era extremamente sinuoso e cercado por quilômetros de brejos intransitáveis. A intervenção urbana e o projeto de bairros-jardins alteraram drasticamente a paisagem.
Os Jardins ─ Jardim Europa, Jardim América e Jardim Paulista: Hoje uma das áreas mais nobres e caras da cidade, no passado era um brejo inóspito e lamacento, repleto de caminhos pantanosos usados por lavadeiras e pescadores que iam em direção ao Rio Pinheiros.
Antes da canalização e do surgimento dos prédios comerciais espelhados, essa região era conhecida por moradores antigos como o "pântano" ou o "brejo" do Itaim. O solo macio e o lençol freático alto dão muito trabalho à engenharia civil até hoje durante escavações de subsolos.
Baixo Pinheiros: A antiga várzea do Rio Pinheiros, caracterizada por solos encharcados que exigiram grandes obras de retificação do rio no século XX.
Barra Funda e Água Branca: Na Zona Oeste, esses bairros operários e industriais cresceram sobre as terras baixas e encharcadas do Tietê. A famosa enchente histórica de 1966 "apagou" a Barra Funda sob as águas, provando a fragilidade do solo de várzea
Zona Sul
Brooklin: A margem leste do Rio Pinheiros era historicamente uma grande várzea pantanosa ocupada por chácaras e fazendas, como a Fazenda Casa Grande, antes de se transformar em um polo empresarial e residencial.
Moema, Itaim Bibi e Vila Olímpia: Também eram regiões de brejos e várzeas pantanosas que passaram por grandes obras de aterro e retificação ao longo do século XX.
Jabaquara: Embora seja uma região mais alta na Zona Sul, o termo de origem indígena significa "toca da fuga" ou "mata dos quilombos", mas historicamente a região era cercada por extensos vales úmidos e matas densas com nascentes que dificultavam o acesso.
Região da Várzea do Rio Tietê ─ Zonas Norte e Leste
O Rio Tietê possuía uma planície de inundação gigantesca (as famosas várzeas). Bairros inteiros foram construídos sobre o antigo leito sinuoso do rio.
Zona Norte
Jaçanã: Região cujo nome e formação original estão fortemente associados à presença de áreas pantanosas e lagos habitados por aves como a jaçanã.
Parque Edu Chaves e Vila Sabrina: Localizado próximo ao Rio Cabuçu de Cima, o bairro era originalmente uma região pantanosa de vegetação rasteira, trilhas de boiadeiros e pastagens sujeitas a alagamentos.
Casa Verde e Santana: As partes mais baixas desses tradicionais bairros da Zona Norte faziam parte das planícies úmidas do Tietê. A Casa Verde começou a se desenvolver a partir de sítios em terrenos de várzea baixa.
Pirituba: O nome deste bairro da Zona Noroeste vem do tupi e significa exatamente "ajuntamento de piçarras" ou "vegetação de brejo" (uma alusão às plantas de áreas pantanosas que cobriam os córregos locais).
Zona Leste
Mooca Baixa: Trecho de várzea junto ao Rio Tamanduateí, tradicionalmente conhecido por sofrer com inundações históricas.
Jardim Pantanal: Situado nas proximidades do Rio Tietê, é uma área de várzea historicamente marcada por enchentes recorrentes e características de solo alagadiço.
Pari, Canindé e Brás: Áreas do centro expandido cortadas pelo Tietê e pelo Tamanduateí. Eram regiões de mangues fluviais e terrenos lodosos que frequentemente voltavam a ficar submersos nas grandes cheias da cidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário