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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A XVIII DINASITIA DO KEMET - EGITO

 


A XVIII dinastia egípcia foi criada após a expulsão dos Hicsos, povos de origem asiática, e que comandaram o Egito por quase duzentos anos e é talvez a mais bem conhecida dinastia do Antigo Egito.

Tradicionalmente diz-se que a XVIII dinastia egípcia reinou entre 1550 ou 1557 a.C. e 1295 a.C., totalizando 255 ou 262 anos de duração/ foi a era em que o antigo Egito atingiu o auge de seu poder.

A Décima Oitava Dinastia é única entre as dinastias egípcias nativas por ter tido duas rainhas reinantes que governaram como faraós: Hatshepsut e Neferneferuaten, geralmente identificada como Nefertiti.

A Décima Oitava Dinastia é renomada por suas realizações artísticas, incluindo a construção de templos monumentais como os de Luxor e Karnak, bem como o desenvolvimento do Período de Amarna sob o reinado de Akhenaton.

Os faraós da Décima Oitava Dinastia, particularmente Tutmés I, Tutmés III e Amenófis II, conduziram ambiciosas campanhas militares que expandiram as fronteiras do Egito ao máximo. Tutmés III, frequentemente chamado de "Napoleão do Antigo Egito", é especialmente renomado por suas numerosas e bem-sucedidas campanhas militares na Síria, Núbia e no Levante, que colocaram vastos territórios sob o controle egípcio.

A Décima Oitava Dinastia testemunhou conquistas culturais e arquitetônicas notáveis. Faraós como Hatshepsut, Akhenaton e Tutancâmon deixaram uma marca significativa na história egípcia. Hatshepsut, uma das faraós mais famosas, iniciou projetos de construção ambiciosos, incluindo a construção de seu templo mortuário em Deir el-Bahari. Akhenaton, conhecido por suas reformas religiosas e pelo estabelecimento de um culto monoteísta centrado no deus sol Aton, construiu uma nova capital chamada Akhetaton (atual Amarna). Tutancâmon, embora seu reinado tenha sido relativamente curto, é famoso pela descoberta de seu túmulo intacto no Vale dos Reis, que proporcionou um vislumbre extraordinário da riqueza e do requinte artístico da época.

A Décima Oitava Dinastia testemunhou desenvolvimentos religiosos significativos, particularmente durante o reinado de Akhenaton, que tentou mudar o foco religioso do Egito do panteão tradicional de deuses para o culto a Áton, o disco solar. Esse período de convulsão religiosa, conhecido como Período de Amarna, teve um profundo impacto na arte, arquitetura e sociedade egípcias.

A Décima Oitava Dinastia começou a declinar em seus últimos anos devido a conflitos internos, instabilidade política e ameaças externas. O reinado de Amenófis IV (Akhenaton) e seus sucessores testemunhou desafios às práticas religiosas tradicionais e um enfraquecimento da autoridade central. A dinastia acabou cedendo lugar à Décima Nona Dinastia após o reinado de Horemheb, que restaurou a estabilidade no Egito.

De modo geral, a Décima Oitava Dinastia do Egito representa um período de imenso poder, florescimento cultural e conquistas militares, deixando um legado duradouro na história e civilização egípcias.

A ordem dos governadores do Egito da XVII Dinastia. Há muitas divergências quanto as datas. É importante notar que a ordem cronológica dos faraós é um tema em constante evolução e, portanto, deve ser tratada com certa cautela. À medida que novas pesquisas são realizadas, a ordem pode estar sujeita a alterações, o que é um princípio fundamental que se aplica a todas as dinastias egípcias.


Amósis I, (Nebpehti-re[1]) – 1550-1525 a.C.

Amenófis I, (Djeserka-re) – 1525-1504 a.C.

Tutemés I, (Akhperenre) – 1504-1492 a.C.

Tutemés II, (Akhperenre) – 1492-1479 a.C.

Hatexepsute, (Maatka-re) – 1479-1457 a.C.

Tutemés III, (Menkheperu-re) – 1457-1425 a.C.

Amenófis II, (Akheper-re) – 1425-1400 a.C.

Tutemés IV, (Menkhperu-re) – 1400-1390 a.C.

Amenófis III, (Nebmaat-re) – 1390-1352 a.C.

Aquenáton, (Neferkheperu-re-waenre) – 1352-1338 a.C.

Semencaré, (Ankhkeperu-re) – 1338-1336 a.C.

Tutancâmon, (Nebkheperu-re) – 1336-1327 a.C.

Aí, (Kheperkheperu-re) – 1327-1323 a.C.

Horemebe (Djeserkheperu-re) – 1323-1295 a.C.


O auge do Egito Antigo, como um todo, ocorreu durante o período conhecido como Novo Império (aproximadamente entre 1550 a.C. e 1070 a.C.). Esta fase é frequentemente chamada de "Era de Ouro" da civilização egípcia devido ao seu extremo poder militar, prosperidade econômica e esplendor cultural.


DESTINO MANIFESTO

 


O termo Destino Manifesto (Manifest Destiny) foi criado em 1845 pelo jornalista John Louis O'Sullivan, refletindo a crença de que os EUA estavam destinados por Deus a se expandir por toda a América do Norte, do Atlântico ao Pacífico, levando democracia e sua civilização, um conceito que justificou a expansão territorial dos EUA no século XIX, como a anexação do Texas e a Guerra com o México.  

O jornalista  John Louis O'Sullivan promovia visões de supremacia racial e noções de superioridade anglo-saxã (raça branca), que eram precursoras de ideologias racistas e, em alguns casos, da eugenia. Em seu "Destino Manifesto" de 1845, ele defendia a expansão territorial dos EUA como uma missão divina para espalhar a democracia e a civilização. A sua ideologia de expansão estava intrinsecamente ligada à crença na superioridade da "raça anglo-saxã" (raça branca) sobre outras raças, como a mexicana e a nativa americana. Ele chegou a escrever que a "raça mexicana deve ser perdida, no vigor superior da raça anglo-saxã, ou deve perecer completamente".

As crenças de O'Sullivan eram profundamente arraigadas no racismo e na hierarquia racial, justificando a conquista territorial com base em uma suposta superioridade racial e cultural. Embora não fosse um eugenista no sentido científico ou formal, suas ideias de superioridade racial contribuíram para o clima intelectual que, mais tarde, alimentaria o movimento eugênico nos EUA e em outros lugares.

O Destino Manifesto é uma ideologia de política de direita americana, eles também fazem o uso da religião, pois dizem que eles têm a "missão, dever, obrigação e responsabilidade" de levar a palavra de Deus e a civilização para os povos atrasados. Mas o que vemos é o ideal europeu de raça pura e o racismo sendo disseminado mais uma vez, em detrimento dos outros povos e culturas.

Infelizmente, temos o Darwinismo Social americanizado servindo de molde para a subcultura esdrúxula da tal "raça superior" para justificar o colonialismo, racismo e a escravidão. A subjugação dos povos pelo racismo é um processo sistêmico e histórico de dominação que utiliza a crença em uma hierarquia de raças para justificar a exploração, exclusão e opressão de grupos racializados, garantindo privilégios para o grupo dominante. Esse processo vai além de atitudes individuais e se manifesta em estruturas sociais, instituições e relações cotidianas. 


Início

O ideal da supremacia branca para escravizar os outros povos era velho, desde 1500. Os motivos para isso são vários, como:

• A Descoberta do Continente Americano

• As Grandes Navegações

• Renascimento Europeu

• Escravidão do Povo Africano

• Escravidão e depois Assassinato dos Índios

Os Europeus diziam que eles tinham o dever divino de espalhar o cristianismo para as outras nações. Uma vez vindos aqui no continente, eles fizeram valer seus ideais.


Compra do Gigantesco Estado da Louisiana

Quando os americanos conseguiram sua independência da Inglaterra em 1776, o ideal racista europeu estava mais que enraizado nas treze colônias americanas. No ano de 1803, ou 27 anos depois da independência da Inglaterra, eles compraram o Estado da Louisiana da França, que estava sob o poder de Napoleão Bonaparte, por 15 milhões de dólares, em valores corrigidos, seriam cerca de 400 milhões de dólares.

A compra, negociada por Thomas Jefferson, mais do que dobrou o território dos EUA, expandindo-o para o oeste até as Montanhas Rochosas e garantindo o controle estratégico do Rio Mississippi. O nome Louisiana era em homenagem ao Rei Luiz XIV da França.

Após a compra do Estado da Louisiana, os EUA partem em direção ao oeste, com os ideais supremacistas brancos de orientação política de direita e conservadora, os americanos partem para conquista e expansão.


Doutrina Monroe

A Doutrina Monroe, proclamada pelo presidente James Monroe em 1823, foi uma política externa dos EUA que estabeleceu o lema "América para os americanos", declarando que o continente americano estava fechado para futuras colonizações europeias e que os EUA não interfeririam nos assuntos europeus, mas alertavam que qualquer tentativa de recolonização seria vista como um ato hostil. Inicialmente defensiva, a doutrina foi reinterpretada ao longo do tempo, servindo de base para o expansionismo e intervenções dos EUA na América Latina, especialmente a partir do Corolário Roosevelt (1904). 

A doutrina surgiu após as guerras de independência na América Latina, onde potências europeias (como Espanha, França e Grã-Bretanha) tentavam restabelecer influência. Os EUA, recém-independentes, buscavam proteger suas fronteiras e consolidar sua esfera de influência, aliando-se ideologicamente às novas nações. 

Da Doutrina Monroe de 1823, temos a seguir, o Destino Manifesto, justificando o expansionismo territorial e a hegemonia dos EUA, de onde temos o famoso "Corolário Roosevelt."


Corolário Roosevelt 

Foi um adendo à Doutrina Monroe, formalizado pelo presidente Theodore Roosevelt em 1904, que autorizava os Estados Unidos a intervir militarmente na América Latina como "polícia internacional" para garantir que nações da região cumprissem suas obrigações com credores estrangeiros e mantivessem a ordem interna, justificando intervenções em países como Cuba, Nicarágua e Haiti para proteger interesses americanos e evitar a intervenção europeia, associado à política do Big Stick (Grande Porrete).


Big Stick

O "Big Stick" (Grande Porrete) foi a política externa dos EUA, sob Theodore Roosevelt (1901-1909), baseada no provérbio "fale manso e carregue um grande porrete", usando diplomacia cordial com a ameaça implícita de força militar (o "porrete") para garantir os interesses americanos, especialmente na América Latina, resultando em intervenções no Panamá (Canal), Cuba (Emenda Platt) e Nicarágua, consolidando a hegemonia dos EUA no hemisfério. 

Esta política mansa agressiva visava negociações pacíficas, mas com o poderio militar (Marinha) pronto para intervir, se necessário, estabeleceu os EUA como potência hegemônica e "polícia" regional, intervindo para corrigir "irregularidades crônicas" e protegia o comércio e investimentos dos EUA.


Donald Trump

Donald Trump fez referência ao conceito de "Destino Manifesto" em seu discurso de posse como o 47º presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2025. A citação gerou controvérsia, pois o termo remete a uma ideologia histórica e expansionista dos EUA. 

Em seu discurso, Trump declarou: "Vamos perseguir o nosso destino manifesto até as estrelas, lançando astronautas americanos para fincar as estrelas e listras (da bandeira americana) no planeta Marte".

Historicamente, a ideologia é criticada por legitimar invasões, ofensivas militares e o extermínio de populações nativas. 

Ao usar o termo, Trump o atualizou para um contexto de exploração espacial (Marte), mas também fez outras menções que sugerem uma política externa mais assertiva e potencialmente expansionista, como a possibilidade de renomear o Golfo do México para "Golfo da América" ou assumir o controle do Canal do Panamá. Analistas e críticos interpretaram a fala de Trump como um sinal de que sua administração adotará uma postura de busca por maior domínio global e de reafirmação do excepcionalismo americano, tanto na Terra quanto no espaço. 



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

RACISMO ESTRUTURAL

 


Racismo estrutural é um sistema em que a discriminação racial está embutida na organização da sociedade, nas instituições, leis, políticas e cultura, favorecendo o grupo branco e desfavorecendo negros e indígenas, não como atos isolados, mas como o funcionamento "normal" da estrutura social, perpetuando desigualdades históricas, como acesso à educação, saúde, trabalho e justiça. 

Para ser mais exato, o racismo estrutural está impregnado nas instituições governamentais, nas empresas privadas, no sistema judiciário, no entretenimento, programas de rádio e televisão, nas religiões de matriz cristã (católicas e evangélicas afins), na polícia e todo escopo cultural brasileiro.

Ou seja, racismo estrutural é quando o preconceito e a discriminação racial estão consolidados na organização da sociedade, privilegiando determinada raça ou etnia em detrimento de outra.

O simples fato de o Brasil ser um país racista não assumido dificulta a discussão sobre este assunto tão latente. Brasileiro vê racismo, mas não se considera racista.

O termo “racismo institucional” foi usado pela primeira vez no livro Black power: Politics of liberation in America, de Charles V. Hamilton e Kwame Ture, publicado em 1967.

Já sob essa perspectiva, que, segundo o autor, foi um importante avanço teórico para o estudo das relações sociais, o racismo não se resume a comportamentos individuais. 

Seria, portanto, o resultado do funcionamento das instituições – tanto públicas (o legislativo, o judiciário, o ministério público, reitorias de universidades etc.) quanto privadas (diretorias de empresas e organizações).

A origem da desigualdade racial, sob esse olhar, não seria uma simples consequência da ação isolada de indivíduos ou grupos racistas.

As instituições estariam dominadas por grupos sociais que utilizam seus mecanismos para impor e manter seus interesses políticos e econômicos. O racismo seria uma forma de dominação.

Na visão de Silvio Almeida, porém, todo racismo é estrutural. 

Como escreve em seu livro, “o racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo ‘normal’ com que se constituem as relações políticas, econômicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo estrutural.”

Comportamentos individuais e processos institucionais têm, dessa forma, origem em uma sociedade em que “racismo é a regra e não exceção”.


Mas por que o mito de que não existe racismo no Brasil persiste?

Persiste por conta de uma parte da elite que não quer admitir que pessoas pretas ainda sofrem os resultados da escravidão, ainda nos dias atuais. 

A ideia de que o Brasil não é um país racista por não ter leis de segregação como as americanas ou por causa de sua história de miscigenação é incorreta, mas persistente. O sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) é creditado como o primeiro autor a popularizar a ideia de que o país seria uma “harmonia racial”, mas a teoria é hoje encarada primordialmente como um mito.

O próprio Jair Bolsonaro, em diversas ocasiões, negou a existência de racismo no país, chegando a dizer que "aqui no Brasil não existe isso de racismo". 29/06/2018. Ele já foi condenado a pagar indenização por falas racistas.

O ex-vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que não existe racismo no Brasil. "Lamentável, né? Lamentável isso aí. Isso é lamentável. Em princípio, é segurança totalmente despreparada para a atividade que ele tem que fazer [...] Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil. Isso não existe aqui", afirmou Mourão. Brasília 20/11/2020 

Sérgio Camargo (bolsonarista fanático), que presidiu a Fundação Cultural Palmares entre 2019 e 2022, fez diversas declarações polêmicas negando ou minimizando a existência de racismo no Brasil. 

O racismo começa quando não admitimos sua existência, isto é uma herança que vem desde o século XVI e persiste até hoje. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

RACISMO NO TRABALHO

 


O racismo empresarial é forte nos dias atuais. O pensamento de que profissionais negros não são tão capazes de gerir equipes, por exemplo, como outros profissionais, ainda é uma questão presente. 

Em uma entrevista ao Roda Viva, Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, afirmou que não dá para contratar profissionais negros para trabalhar no banco, pois o nível de exigência da empresa é alto. Contratando esses profissionais, o nível da empresa irá baixar.

Quando esses profissionais são contratados, eles não são considerados da mesma forma que profissionais brancos. Uma pesquisa realizada pela Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial aponta que profissionais negros ocupam apenas 6,3% dos cargos de gerência em 23 grandes empresas nacionais e multinacionais.

No entanto, nos cargos de aprendizes, estagiários e trainee, encontra-se uma maioria negra. De acordo com o IBGE, negros ganham 39,2% menos que brancos no trabalho. Profissionais negros enfrentam muitas dificuldades para crescer em empresas.

Além dessa diferenciação, quando um negro possui o mesmo cargo que um colega branco, ele ganha menos. A diferença salarial entre negros e brancos é de 48%. Para as mulheres negras, pode chegar a uma diferença de até 70% para o mesmo cargo e função.

O racismo não é sobre se esforçar ou se dedicar menos, é sobre direitos negados e portas fechadas. Para mudar esse cenário, as empresas precisam adotar medidas combativas. 

Tudo isso está ligado ao racismo estrutural. Entender o racismo estrutural é essencial para ver as raízes das desigualdades em nossa sociedade. Esse conceito mostra um sistema que perpetua discriminação e exclusão. É crucial saber como ele se manifesta no trabalho. O racismo estrutural é um sistema que exclui grupos minoritários, especialmente negros. Ele vem da história de injustiças, como a escravidão. Essas práticas ainda afetam a sociedade, criando disparidades raciais.

O racismo estrutural afeta as empresas de várias maneiras. Ele impacta a cultura da empresa e como os colaboradores se sentem. É crucial entender como esses efeitos se manifestam em desafios reais para as empresas. As empresas com culturas fechadas têm dificuldade para atrair e manter talentos. 

Pessoas negras no Brasil enfrentam uma realidade de maior vulnerabilidade e sub-representação no mercado de trabalho, concentrando-se em subempregos, informalidade e trabalhos de baixa remuneração, com salários significativamente menores que os de pessoas brancas, apesar de avanços pontuais na educação; essa situação acentua desigualdades sociais e restringe a ascensão profissional, sendo as mulheres negras as mais afetadas. Rendimentos médios de negros são inferiores aos de brancos, mesmo com níveis de escolaridade semelhantes, havendo uma diferença abissal em todas as posições. 

A concentração em subempregos perpetua a desigualdade, afetando o acesso à educação, moradia e segurança, gerando um ciclo de vulnerabilidade social para a população negra. 

Trabalhadores negros e negras ocupam cargos piores, recebem salários menores, têm mais dificuldade para conseguir empregos e estão em trabalhos precarizados, conhecidos como subempregos.

A discriminação racial acontece primeiramente na maior dificuldade de inserção

dos negros no mercado de trabalho. A taxa de desemprego dos negros é sistematicamente superior à dos demais trabalhadores.

A escravidão deixou um legado de exclusão, que ainda impacta a inserção e valorização da população negra no mercado de trabalho.



EUGENIA MODERNA



A busca pela “raça pura” não é só coisa de nazista: foi uma aparência mundial. E o seu fantasma ainda ronda a sociedade.

Algo cheirava mal na Inglaterra da rainha Vitória. Após três surtos de cólera e um episódio de calor intenso no verão de 1858, batizado de Grande Fedor (em guardas, mesmo), despejar todo o cocô de Londres no Rio Tâmisa não parecia mais uma boa ideia.

Saneamento básico e saúde pública foram tão planejados no fim do século 19 quanto a corrupção em Brasília é hoje. A Revolução Industrial criou uma pobreza inédita, diferente do camponês que plantava por subsistência. Os operários da indústria têxtil e da construção naval se empilhavam em cortiços, sem acesso à água tratada. Frequentavam bares e bordéis, eram desnutridos, alcoólatras e tinham filhos – muitos filhos.

Francis Galton, rico herdeiro de uma família tradicional, viu na periferia de Londres um problema darwinista. Ao pé da letra: ele era primo de Charles Darwin, e havia lido (ou melhor, devorado) a Origem das Espécies logo após o lançamento, em 1859.

O que Darwin afirmou, grosso modo, foi o seguinte: filhotes de uma ninhada nascem com diferenças sutis. Os que são mais aptos – graças aos dentes refinados, tímpanos aguçados ou músculos de contração mais rápidos – fornecem mais água, alimento e sexo. Assim, eles têm mais filhotes, e seus traços hereditários vantajosos prevalecem na população. Evolução por seleção natural.

Darwin não menciona o ser humano uma única vez no livro; mesmo assim, acendeu uma lâmpada na cabeça de Galton. Ele não só notou que a sobrevivência dos bem adaptados se aplicava ao Homo sapiens como concluiu que só havia um jeito de salvar a “raça europeia”: acelerar artificialmente, (por decreto, até) a atuação da seleção natural.

Para Galton, era necessário estimular o coito entre humanos que uma elite econômica via como vira-latas e incentivar os humanos de raça, com pedigree. Empreender um aperfeiçoamento autodirigido, para o bem do próprio povo. Em 1883, Galton deu à estratégia um nome: eugenia. Vem do grego: eu significa “bom”, gene significa “linhagem”, “raça”, “parentesco”.

“Estamos muito necessitados de uma palavra breve para a ciência de melhorar a estirpe”, afirmou Galton. “Para dar às raças ou linhagens de sangue mais adequado uma chance melhor de prevalecer depressa sobre as menos adequadas.”

Para Galton, a tendência à miséria, ao vício e à doença era tão hereditária quanto à altura ou ao cor dos cabelos. Se os filhos dos inaptos já iam morrer pela mão cruel da seleção natural, era melhor que não nascessem: “O que a natureza faz às cegas (…) o homem pode fazer com previdência, rapidez e segurança”.

Ele se tornou uma máquina de coleta de dados. Tirava as medidas corporais de famílias inteiras em busca de uma explicação para a aparência da hereditariedade (lembre-se: a genética de Mendel ainda estava escondida na gaveta). Em 1877, numa espécie de Minority Report do século 19, ele esquadrinhou os rostos de condenados tentando tentar um tipo de crime a cada fisionomia. Galton queria transformar a humanidade em uma imensa planilha de Excel. E deletar as colunas incômodas.

Essas ideias foram recebidas como vanguarda da ciência. No início do século 20, Londres sediaria o primeiro congresso internacional de eugenia. A Inglaterra não chegou a colocar em prática as ideias de Galton. Dezenas de outras nações, porém, as abraçaram. A mais dedicada delas, nas primeiras décadas, não foi a Alemanha – e sim os EUA.

Em 1907, o Estado de Indiana introduziu a primeira lei de esterilização compulsória do mundo. Entre 1907 e a década de 1960, mais de 64 milhões de americanos considerados “inaptos” foram evolutivamente castrados com anuência das autoridades. Eram alcoólatras, esquizofrênicos, epiléticos, criminosos, prostitutas… Essa modalidade de eugenia era chamada de negativa. Um relatório sobre o resultado da prática na Califórnia – recordista de esterilização entre os 32 Estados que a adotaram – serviu de inspiração para os oficiais nazistas que implantaram a prática do outro lado do Atlântico.

Também havia a eugenia positiva: educação a reprodução dos aptos. Tornaram-se comuns as Feiras da Família Fitter (“feiras de famílias mais aptas”, em português), em que casais com genes realizados bons eram sorteados em pódios e ganhavam medalhas.

Um dos símbolos da eugenia americana foi Charles Davenport, mandachuva do Eugenics Record Office (ERO) – o centro de pesquisa em Cold Spring Harbor, Nova York, que encabeçou os esforços de higienização genética. Ele era contra casamentos inter-raciais (comentaremos a relação da eugenia com o racismo nos próximos parágrafos) e via a entrada de imigrantes do sul da Europa e da Ásia como um risco à boa estirpe americana.

Davenport, de bobo, não tinha nada. Aplicando a lógica de transmissão de características hereditárias descobertas por Mendel em seus experimentos com ervilhas, acordos corretamente que a doença de Huntington era um traço dominante, e o albinismo, recessivo. O problema é que ele extrapolou a lógica: começou a inventar genes para tudo – até uma das famílias de construtores de barcos. Não havia espaço para o óbvio: que um filho tende a seguir o ofício do pai. Tudo era herdado.

No porto de Ellis Island, também em Nova York, imigrantes recém-chegados da Itália, da Grécia e dos países do bloco comunista foram submetidos a testes de QI. “O propósito de aplicar a escala de medição mental em Ellis Island é filtrar os imigrantes que podem (…) se tornar um fardo para o Estado ou produzir prole que vai exigir vagas em prisões ou asilos”, afirmou em 1915 o médico Howard Knox. Xingamentos como “idiota” e “imbecil” eram termos técnicos, aplicados na classificação de pessoas em relatórios oficiais.

Embora hoje eugenia esteja associada ao racismo no imaginário popular, Galton e Davenport não tinham nada a ver com os escravocratas retrógrados do sul dos EUA, associados à Ku Klux Klan. Foi um tipo de racismo diferente que escolheu o bonde da eugenia. Se fosse possível isolar (e eliminar) os indesejáveis ​​dentre os membros de uma raça, por que não seria possível hierarquizar como raças próprias? Pior: por que não fazer isso à maneira Excel, comparando narizes, testas e o volume de cérebros e crânios de negros, brancos e índios?

No livro A Falsa Medida do Homem, publicado em 1980, o biólogo Stephen Jay Gould, de Harvard, cita o caso de Robert Bean – um médico que em 1906 publicou um longo artigo comparando as medidas de várias partes dos cérebros de negros e brancos. Uma das áreas comprovadas foi o corpo caloso – que conecta o hemisfério direito ao esquerdo. O corpo caloso é dividido em dois trechos, o joelho e o esplênio, e Bean percebeu algo, em sua opinião, fantástico: o joelho e o esplênio de negros eram muito menores que os dos brancos [veja o gráfico à esquerda].

Era racista demais para ser verdade. Tanto que Franklin Mall, orientador de Bean na Universidade Johns Hopkins, suspeitou. Ele refez o estudo – dessa vez, medindo 106 cérebros sem saber, de antemão, a etnia dos indivíduos a que pertenceram. Resultado? Seus gráficos saíram neutros. O desejo de comprovar teses pré-concebidas era tão grande que os pesquisadores manipulavam os próprios dados deliberadamente.

No Brasil, eugenia e racismo andaram de mãos dadas – o ranço aparece disfarçado até hoje: “Meu neto é um cara bonito, viu? Branqueamento da raça”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão em outubro de 2018.

Quem concordou foi Renato Kehl – ​​o farmacêutico que, lá na década de 1920, liderou os esforços de limpeza genética no Brasil: “A nacionalidade brasileira só embranquecerá à custa de muito sabão de coco ariano”. Kehl se tornou o bode expiatório dos livros didáticos, mas não trabalhou sozinho: muito sujeito que hoje é nome de rua participou.

“Vital Brazil foi membro da Sociedade Eugênica de São Paulo, assim como Arnaldo Vieirade Carvalho – o da Avenida Dr. Arnaldo, em São Paulo, fundador da Faculdade de Medicina da USP”, diz a historiadora Pietra Diwan, autora do livro Raça Pura. Monteiro Lobato e Roquette-Pinto, também.

Ou seja: a eugenia foi uma invenção inglesa, aperfeiçoada nos EUA e divulgada por todo o Ocidente no entreguerras. O Holocausto foi apenas a sua manifestação mais conhecida, mas todas as atrocidades ordenadas por Hitler (e rechaçadas pelos Aliados após a 2ª Guerra Mundial) tiveram precursores entre os próprios Aliados. A descoberta dos campos de concentração desencadeou um surto de peso na consciência que culminou com a publicação, em 1950, de um documento da Unesco intitulado A Questão da Raça . A ciência pedia desculpas, e a palavra eugenia virava tabu.

A mesma genética que justificou a eugenia hoje dá armas para combatê-la. Para começar a conversa, a maioria esmagadora de nossas características é determinada por itens de genes, que interagem entre si e com o ambiente numa dança bioquímica complicada. Se na década de 1920 parecia óbvio que há um gene para famílias construtoras de barcos, hoje a única certeza é que não há muitas certezas.

“Os geneticistas não veem preto e branco, mas tons de cinza”, explica o geneticista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). Muotri lida diariamente com esses tons: seu laboratório busca tratamentos para formas graves de autismo – enquanto representa a parte mais leve do espectrom que o autismo é só parte de sua personalidade, e não uma doença.

“Isso acontece em outros casos – como o dos surdos nos EUA”, diz Muotri. "Alguns se recusam a ser rotulados como deficientes, e preferem passar a vida sem auxílio médico. Outros surdos optam por tratamentos para voltar a ouvir. É preciso respeitar a opinião de cada um."

A ideia de raça, por sua vez, simplesmente não tem validade biológica. Um estu Ido da Universidade Stanford analisou 1.056 indivíduos de 52 grupos étnicos distantes entre si geograficamente. A ideia era verificar se uma quantidade razoável de genes poderia ser encontrada na população de um lugar, mas não de outro – o que evidenciaria a existência de raças.

Algo entre 93% e 95% da variação genética foi verificado entre indivíduos do mesmo grupo. As diferenças entre grupos foram irrisórias – entre 3% e 5%. 47% dos genes desenvolvidos apareciam em populações dos cinco continentes. Moral da história: a diversidade humana é um degradante sutil; é impossível dividir-la em caixinhas. A ideia de raça é apenas uma forma de dar ares científicos ao preconceito.

DNA é algo mais revelador que um prontuário médico. Logo, será possível julgar alguém com base nele com a mesma naturalidade com que os imigrantes foram julgados por QI em Ellis Island.

"No futuro, todos teremos nosso genoma sequenciado. É decisivo", diz Muotri. "Por um lado, essa informação vai nos ajudar a prevenir e tratar doenças com mais eficiência [como já se faz com o gene BRCA1, associado ao câncer de mama]. Por outro lado, seu uso pelos planos de saúde deve ser controlado. Cobrar mensalidades de acordo com a susceptibilidade a doenças não só é possível como já acontece, quando se cobra mais caro de um idoso que de um jovem."


Artigo da Revista Super Interessante

https://super.abril.com.br/ciencia/a-longa-historia-da-eugenia/


EUGENIA - A CIÊNCIA A SERVIÇO DO RACISMO

 


Carl Von Linée 1707 - 1778), Suécia, foi um botânico, zoólogo e médico sueco e um dos fundadores da Academia Real das Ciências da Suécia. É ainda o cientista da área das ciências naturais mais famoso da Suécia e a sua figura esteve presente nas notas suecas de 100 coroas entre 1985 e 2016.

Em sua obra "Systema Naturae" publicada em 1735, ele lançou as bases para a taxonomia moderna. O problema disso é que ele aplica a mesma classificação de seu livro para os seres humanos, classificando-os por raça, cor, etnia, etc. Isso agravou mais o racismo estrutural mundial, deixando a raça branca como superior e as outras raças inferiores. Estas divisões eram:

• Homo Europaeus Albescens - Homem Europeu • Branqueado ou Branco

Homo Americanus Rubescens - Homem Americano Avermelhado

• Homo Asiaticus Fuscus - Homem Asiático Fosco, Amarronzado

• Homo Africanus Niger - Homem Africano Negro

Todos estes povos foram classificados não somente por sua cor e origem, mas sobretudo, por suas aptidões morais, seguindo a ótica eugenista europeia. 

A raça branca, por exemplo, Carl Von Linée classificou como sendo um povo: amoroso, sanguíneo, robusto, cabelos bonitos e variados, indo do loiro ao ruivo, olhos azuis, verdes e castanhos abundantes, grupo alfa, perspicaz, inventivo, inteligente e criativo.

Já a raça dos Africanos era negra, escura, fleumática (emocionalmente frio), laxa (sem vigor), cabelos negros e enrolados (pixaim, duro, crespo), nariz chato, lábios volumosos (beição). As mulheres, ele dizia que eram sem pudores? (vai saber o que ele quis dizer) mamas (seios) abundantes (exagerados), dizia também que elas eram atrasadas em relação às outras sub-raças.


Johan Friedrich Blumenbach 1752 - 1840 foi um antropólogo e zoólogo alemão, que também classificou o ser humano em raças.

Ele é considerado o pai da antropologia, classificou a humanidade em cinco variedades humanas baseadas em crânios: Caucasiana (branca), Mongólica (amarela), Etíope (negra), Americana (vermelha) e Malaia (parda/parda), considerando a caucasiana o tipo "original" e as outras "degenerações" ambientais, embora também notasse a transição gradual e a unidade da espécie humana, uma ideia que influenciou o conceito moderno de raça, como vemos nos dias atuais.


As 5 Variedades de Blumenbach

Caucasiana (Branca): Europeus, Oriente Médio e Sul da Ásia, considerada por ele o tipo mais belo e original.

Mongólica (Amarela): Asiáticos orientais.

Etíope (Negra): Africanos subsaarianos.

Americana (Vermelha): Nativos americanos.

Malaia (Parda): Povos do Sudeste Asiático e Ilhas do Pacífico. 


Para Johan Friedrich Blumenbach a raça caucasiana era a única raça que se aproximava do ideal de beleza, desde os tempos antigos (tempos bíblicos), pois se aproximaria de Adão e Eva. Para ele, a forma de um crânio supostamente originário da região do Cáucaso, é o modelo de perfeição, pois se aproxima do ideal da beleza branca.

Foi ele quem cunhou a expressão "Caucasiano". 

O livro de Johann Friedrich Blumenbach sobre as variedades humanas intitula-se, em português, "Sobre as Variedades Naturais do Gênero Humano". 

O título original em latim é De Generis Humani Varietate Nativa, publicado pela primeira vez em 1775 como sua dissertação inaugural, e subsequentemente em edições expandidas, notavelmente em 1795. 

Nesta obra, Blumenbach utilizou a pesquisa craniana para dividir a humanidade em cinco "raças" (variedades): caucasiana (branca), mongol (amarela), malaia (parda), etíope (negra) e americana (vermelha). Ele foi o primeiro a usar o termo "caucasiano" para se referir aos europeus. Embora seu trabalho tenha sido influente na fundação da antropologia física, suas classificações de raças são hoje consideradas pseudociência e construções sociais sem base biológica válida.


Samuel George Morton 1799-1851 médico americano, eugenista de visão política de direita, escreve o livro Crania Americana, lançado no ano de 1839.

Morton, um médico da Filadélfia e um dos maiores craniologistas de sua época, baseou seu trabalho na medição do volume de aproximadamente mil crânios humanos. Ele usou esses dados para argumentar que as diferentes "raças" (ou espécies, na sua visão poligênica) poderiam ser classificadas em uma escala de inteligência, com base no tamanho do cérebro supostamente indicado pelo volume craniano.

O livro Crania Americana de Samuel George Morton, publicado em 1839, é uma obra histórica notória por ser um dos pilares do racismo científico e da craniometria, que buscava justificar a superioridade racial branca mediante supostas evidências biológicas.

O livro apresenta uma "visão comparativa dos crânios de várias nações aborígenes da América do Norte e do Sul", ilustrada por 78 placas de litografia, e é precedido por um ensaio sobre as variedades da espécie humana.

Morton concluiu que a estrutura mental dos nativos americanos era diferente da do homem branco e que eles não poderiam se integrar na sociedade industrial moderna. Crânios africanos, por sua vez, recebiam pouca atenção e eram retratados como pequenos, uma afirmação que servia aos interesses dos proprietários de escravos da época.

Embora a tiragem original tenha sido de apenas 500 cópias, o livro teve grande influência nos Estados Unidos e na Europa, fornecendo uma suposta "base científica" para o racismo e a desigualdade racial.

A metodologia e as conclusões de Morton foram posteriormente refutadas pela ciência moderna, que demonstrou que seus estudos foram falhos e tendenciosos, com dados seletivos para apoiar preconceitos existentes. A coleção craniana de Morton, hoje no Penn Museum, é um lembrete tangível desse período e da relação da antropologia com a supremacia branca e o colonialismo. Pamela Geller, em seu livro Becoming Object, usa uma abordagem bio-histórica para examinar o trabalho de Morton e seu legado sociopolítico, destacando como ele ajudou a racionalizar a morte e a coleta de indivíduos marginalizados.


Arthur de Gobineau ou Conde de Gobineau 1816-1882 é um dos pais do Racismo Científico e fortemente apoiador da supremacia da raça branca.

Em sua obra mais influente, Ensayo sobre a Desigualdade das Raças Humanas (1853-1855), ele dividiu a humanidade em três raças (branca, amarela e negra), alegando que a raça branca (especialmente a "ariana") seria biologicamente superior às outras.

Gobineau popularizou o termo "ariano" para descrever um grupo racial superior cujos traços seriam preservados apenas pela aristocracia e por povos germânicos. Ele defendia que a mistura entre raças (miscigenação) levava inevitavelmente à degeneração das civilizações e à perda da vitalidade dos genes superiores.  Acreditava que o destino das nações não dependia de fatores políticos ou religiosos, mas sim da composição racial de sua população.

Gobineau serviu como diplomata no Brasil entre 1869 e 1870, tornando-se amigo próximo de Dom Pedro II. Suas impressões sobre o país foram extremamente negativas; ele previu a extinção do povo brasileiro devido à intensa miscigenação, que via como um processo de degradação genética irreversível.

Foi por meio de Gobineau que o Brasil republicano começou a investir no branqueamento do povo brasileiro. A elite brasileira da época começou a colocar o racismo eugenista em política pública para valer, e vemos os efeitos disso até hoje.

A imigração europeia para eliminar o elemento negro do Brasil começou desde então, e todo o branco estrangeiro e até os asiáticos, quando vinham ao Brasil, tinham incentivos fiscais, facilitações para obter terras e propriedades, como também todo um conjunto de benesses governamentais e sociais, em detrimento da raça preta, jogada na lata do lixo, deixada à própria sorte e largada a esmo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

A CRIAÇÃO DA RAÇA BRANCA

 


A criação das raças humanas começa com os europeus do século XV, na era do Renascimento e das Grandes Navegações, justamente quando começa a escravidão sistemática: social, religiosa e estrutura do povo africano negro. Nesse momento, os europeus começaram a se identificar como raça branca, da maneira como conhecemos hoje. 

Antes disso, todos os europeus sem exceção, não se identificavam como povo branco ou como raça branca, este conceito não existia na sociedade europeia ocidental. 

Eles se definiam como Cristãos (Anglicanos, Protestantes ou Católicos), súditos de reis ou reinos, godos, anglos, saxões, francos, lombardos, burgúndios, nobres, plebeus, etc., mas não se identificavam como povo branco ou povo de pele branca ou povo de raça branca, este conceito era totalmente inexistente.

Pelo lado sociológico, os europeus, em tese, não nasceram brancos, eles se tornaram brancos para justificar a escravidão de africanos e a colonização de povos não europeus, como os índios, aborígenes, chineses, japoneses, etc.

Quem diz isso é a pesquisadora Neil Evantin em seu livro "A História das Pessoas Brancas". E no mesmo livro, a escritora Neil Ebantin diz que "Raça é uma ideia e não um fato." e ela está totalmente correta nesta afirmação.

Bom, se nasceu o conceito de raça branca, obviamente que iria nascer o conceito de raça negra. 

O nascimento da categoria do negro como raça se tornou sinônimo de escravo, escravizado, subraça ou raça inferior. 

Mas isso nem sempre foi assim. A palavra negro nasceu por conta do rio Niger, um rio muito importante no continente africano. Sendo o principal curso de água da África Ocidental e o terceiro mais longo do continente africano, superado apenas pelo Nilo e pelo Congo. Com aproximadamente 4.180 km de extensão, ele é vital para a economia e subsistência de milhões de pessoas na região.

Ele nasce nas montanhas de Futa Jallon, na Guiné, a apenas 240 km do Oceano Atlântico e deságua no Golfo da Guiné através de um vasto delta na Nigéria.

O nome do rio Niger é uma expressão Tuaregue que quer dizer Rio dos Rios, já a palavra negro vem do latim niger, que significa "preto" ou "escuro", e os exploradores europeus associaram essa palavra ao rio africano (Níger) e aos povos de pele escura que lá viviam.

A nomenclatura Negro ou Niger foi usada pela primeira vez pelos romanos para se referir aos povos que viviam às margens do rio Níger. E eles chamaram estes povos de Nigris, ou seja, da cor da noite, de acordo com a raiz indoeuropeia desta palavra, a palavra negro era apenas uma palavra para descrever a característica de uma cor como a cor da noite. 

Quando se dizia ou se usava a palavra Negro, Niger ou Nigris, não se pensava em racismo, raça, racismo, desigualdade pela cor da pele, segregação racial, preconceito racial, discriminação de cor de pele, intolerância racial e qualquer coisa que o valha. Isto começou a surgir de fato no ano de 1444, com o escritor Eanes de Zurara, um português que escreveu uma crônica em seu livro "Descobrimento da Guiné". É a partir de Zurara que, pela primeira vez neste período, há uma fusão fatal de cor, condição e destino, ou seja, ele diz em suas crônicas que os africanos capturados eram negros e a terra dos negros era fonte legítima de escravizados.  

Do adjetivo pele escura, ele cria o substantivo, o negro. E do substantivo, ele cria a categoria social, o escravo negro. Sem isso, não haveria privilégio branco, mas como eu escrevi acima, a categoria branco foi inventada.

Porque não existe branco antes do encontro colonial. A categoria só faz sentido quando há um outro ser racializado. Precisou haver o preto para ver o branco e o branco para ver o preto. O branco só existe ao lado do preto. 

Não existe a raça branca antes da colonização, isso é invenção europeia, o primeiro registro do termo pessoas brancas como raça aparece no ano de 1613, na peça "Os Triunfos da Verdade" do dramaturgo Thomas Middleton, bem no auge da escravidão africana e do renascimento europeu. 

Juntando os principais expoentes da cultura humana, para fazer valer toda a construção da existência da raça branca, foi feita a integração da Religião, Arte e Ciência. 

No caso da Religião, temos o Catolicismo Romano 

Religiões Protestantes: Igreja Anglicana, Anabatista ou Batista, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Igreja Presbiteriana, Testemunhas de Jeová, Igreja Puritana, Igreja Luterana, Igreja Calvinista, etc. Sem contar com a Teologia e Mitologia que surgiram no processo.

Nas Artes: Pintura, Escultura, Teatro, Música, Desenho, Livros e todo entretenimento de massa.

Na Ciência: Filosofia, Geografia, Sociologia, Psicologia, Psicanálise, Medicina, Antropologia.

A esse processo sistemático de nascimento das raças branca e preta como povos e nações, foi criado um termo técnico, chamado de Eugenia.

Isso cria dois mundos, dois sistemas estruturais basilares, impossíveis de se quebrar, que é o Privilégio do Branco (seja este rico ou pobre) e o Desprivilégio do Negro. O Privilégio Branco é um conjunto sistemático de vários benefícios estruturais que congratula socialmente todos os indivíduos identificados como brancos. 

E quem diz isso não sou eu, e sim a pesquisadora e escritora americana Peggy McIntosh 1934 que descreve em seu livro, lançado em 1988, "White privilege and male privilege: A personal account of coming to see correspondences through work in women's studies. Working paper No. 189. Wellesley, Massachusetts: Wellesley Center for Research on Women." (Privilégio branco e privilégio masculino: um relato pessoal de como chegou a perceber as correspondências por meio do trabalho em estudos feministas. Documento de trabalho nº 189. Wellesley, Massachusetts: Centro de Pesquisa sobre Mulheres de Wellesley).

Nesta citação em seu livro, ela diz:"O privilégio branco é um pacote invisível de ativos não merecidos com os quais posso contar todos os dias"

Ser um pobre branco, não é o mesmo que ser um pobre negro. 


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

DESERTO DE NEFUD

 


Uma fascinante descoberta arqueológica na Arábia Saudita trouxe à luz arte rupestre de cerca de 12.000 anos, com esculturas detalhadas de camelos e gazelas, feitas por antigos habitantes do deserto de Nefud. A equipe liderada por Maria Guagnin, do Instituto Max Planck de Geoantropologia, na Alemanha, destacou não apenas a habilidade técnica dos escultores, mas também o impacto profundo desse achado na compreensão da história humana na Península Arábica.

A identificação dessas figuras esculpidas evidencia que populações estabelecidas já ocupavam o deserto de Nefud há milênios, desafiando ideias anteriores sobre a inabitabilidade da região. O grau de sofisticação artística e as técnicas empregadas sugerem uma capacidade avançada de adaptação social e tecnológica.

Esse contexto arqueológico contribui para repensar as rotas migratórias e a evolução cultural no Oriente Médio. Evidências ambientais apontam que a região podia ser mais úmida no passado, favorecendo a presença de vida e cultura humana permanente.

Desvendar os segredos históricos do deserto de Nefud tem exigido trabalho intenso sob condições extremamente áridas e difíceis. A topografia desafiadora e o isolamento tornam tanto a logística das escavações quanto a realização de pesquisas detalhadas complexas para as equipes científicas.

Para superar esses desafios, os pesquisadores vêm adotando métodos inovadores. Destacam-se, por exemplo:

Uso de drones para mapeamento aéreo e localização de sítios arqueológicos;

Aplicação de fotogrametria para registrar e preservar digitalmente as esculturas;

Emprego de técnicas modernas de datação por luminescência, que confirmam a antiguidade das obras.

As gravuras descobertas vão além dos camelos e gazelas, incluindo representações de espécies extintas como o auroque, um tipo de bovino que não existe mais. Ao analisar essas figuras, os pesquisadores obtêm insights valiosos sobre a fauna local e suas relações com os antigos habitantes.

Essas esculturas revelam que os artistas do passado tinham amplo conhecimento sobre a vida animal do deserto, refletindo o papel fundamental dos animais na sobrevivência e cultura dessas sociedades arcaicas.

A arte rupestre da Arábia Saudita oferece uma janela única para investigar as sociedades pré-históricas e suas estratégias culturais e de sobrevivência. Sua análise permite explorar práticas religiosas, sociais e econômicas desenvolvidas por nossos ancestrais.


O destaque internacional dessas descobertas impulsiona iniciativas de preservação patrimonial e fomenta novas pesquisas, ressaltando a relevância contínua da arqueologia para a compreensão da trajetória humana no Oriente Médio e além.


A VERDADEIRA REALIDADE DO VELHO OESTE

 



Quando pensamos no passado americano, nossa imaginação recria quase instantaneamente os cenários clássicos de Hollywood, com ruas largas, caubóis destemidos e duelos ao meio-dia. No entanto, a realidade histórica das cidades do Velho Oeste era muito mais crua e bem menos romântica do que os filmes sugerem. Esses locais eram, na verdade, ambientes caóticos, fedorentos e perigosos, onde a vida valia muito pouco e a lei nem sempre estava presente para proteger os cidadãos.

A construção desse mito cinematográfico esconde uma rotina de sobrevivência extrema. As cidades do Velho Oeste não eram palcos de heroísmo constante, mas sim assentamentos improvisados onde doenças podiam matar muito mais rápido do que qualquer arma de fogo. Eram lugares repletos de pessoas que sonhavam com fortuna e liberdade, dispostas a enfrentar condições sanitárias precárias e uma violência brutal que passava longe da honra dos duelos organizados que vemos nas telas.

Diferente das metrópoles planejadas, as cidades naquela fronteira não nasciam de estudos urbanísticos, mas sim de explosões de oportunidade geradas pela descoberta de recursos como ouro, prata ou petróleo. Esses locais eram chamados de “boomtowns”. Um exemplo clássico dessa dinâmica foi Virginia City, em Nevada. Após a descoberta de minérios na região em 1859, o local passou de algumas cabanas improvisadas para uma metrópole com 25.000 habitantes em menos de uma década.

Contudo, a mesma velocidade que trazia o progresso também decretava o fim desses lugares. Assim que as minas se esgotavam, a população partia, deixando para trás estruturas vazias. Estima-se que hoje existam mais de 3.800 cidades fantasmas espalhadas pela região. No auge, esses locais não tinham ruas planejadas, escolas ou tribunais; eram amontoados de tendas e barracões onde a ordem só chegava se a cidade conseguisse sobreviver tempo suficiente.


A sujeira e o verdadeiro cheiro do Oeste

Hollywood costuma retratar a rua principal como um local limpo e pronto para a ação, mas na vida real ela era praticamente intransitável. Durante o verão, a poeira formava nuvens sufocantes, enquanto no inverno a lama chegava a engolir as botas até o joelho. O tráfego constante de cavalos e carroças deixava um rastro de sujeira difícil de controlar. Em grandes centros da época, como Dodge City, acumulavam-se centenas de toneladas de esterco de cavalo por ano.

Essa falta de saneamento básico transformava as cidades do Velho Oeste em focos de atração para ratos e moscas. Embora moradores reclamassem em jornais locais, como o Dodge City Times, a sujeira era parte integrante do cotidiano. O cheiro predominante nessas ruas não era de uísque ou tabaco, mas sim uma mistura forte de poeira, suor, lama e detritos animais.


A lei do mais forte e o mito do xerife

A figura do xerife incorruptível é outra invenção que não correspondia à realidade da maioria desses assentamentos. No início, muitas cidades sequer possuíam polícia e a justiça ficava a cargo de vigilantes, grupos de cidadãos armados que puniam crimes com enforcamentos públicos e julgamentos sumários. Mesmo quando havia um representante da lei, muitos eram tão corruptos quanto os criminosos, estando muitas vezes a serviço dos donos de estabelecimentos locais.


Além disso, os famosos duelos ao meio-dia eram raríssimos. A violência real era traiçoeira, ocorrendo geralmente através de emboscadas, tiros pelas costas ou brigas de bar. Um estudo do historiador Robert Dykstra apontou que, embora a taxa de homicídios em locais como Abilene fosse alta, a violência era apenas mais visível e espetacular do que em grandes cidades do leste, como Nova York.


Saloons, doenças e o perigo constante

O coração social de qualquer uma das cidades do Velho Oeste era o Saloon. Muito mais do que um bar, esse estabelecimento funcionava como hotel, restaurante, casa de jogos e até ponto de correio. O escritor Oscar Wilde, ao visitar a região em 1882, descreveu esses locais como palcos da ganância humana. A rotina fora dali envolvia trabalho exaustivo em minas ou ferrovias, enquanto as mulheres, com poucas opções profissionais, muitas vezes acabavam trabalhando nesses ambientes hostis.

O perigo, porém, não vinha apenas das armas. A falta de água potável e o lixo nas ruas facilitavam epidemias de cólera, varíola e tuberculose. Em Deadwood, os cemitérios cresciam mais rápido do que a própria cidade. O risco de incêndio também era iminente, já que as construções de madeira podiam ser consumidas em poucas horas por uma vela mal apagada. Ainda assim, a esperança de enriquecer ou recomeçar a vida mantinha o fluxo de pessoas que buscavam, acima de tudo, a liberdade de um lugar sem sistemas rígidos de controle.

E pensar que em pleno século XXI, temos cidades e bairros aqui no Brasil que são até piores que o Velho Oeste americano. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

GOLPES DE ESTADOS E OS EUA

 


O envolvimento dos Estados Unidos em mudanças de regime tem implicado tanto ações abertas quanto dissimuladas com o objetivo de alterar, substituir ou preservar governos estrangeiros. Na segunda metade do século XIX, o governo dos Estados Unidos iniciou ações para mudança de regime, principalmente na América Latina e no sudoeste do Pacífico, e incluiu as guerras mexicano-americanas, hispano-americanas e filipino-americanas. No início do século XX, os Estados Unidos desenvolveram ou instalaram governos amigos em muitos países ao redor do mundo, incluindo os vizinhos Panamá, Honduras, Nicarágua, México, Haiti e República Dominicana.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos ajudaram a derrubar muitos regimes fantoches da Alemanha nazista ou do Japão Imperial. Exemplos incluem regimes nas Filipinas, na Coreia, na parte oriental da China e em grande parte da Europa. As forças dos Estados Unidos também foram fundamentais para acabar com o domínio de Adolf Hitler sobre a Alemanha e de Benito Mussolini sobre a Itália.

Na sequência da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos lutou com a União Soviética pela liderança e influência global no contexto da Guerra Fria. Ampliou o escopo geográfico de suas ações para além de sua área tradicional de operações, a América Central e o Caribe. Operações significativas incluíram o golpe de Estado no Irã em 1953, organizado pelos Estados Unidos e Reino Unido, a invasão da Baía dos Porcos em 1961 contra Cuba e o apoio à derrubada de Sukarno pelo general do Exército Suharto na Indonésia. Além disso, os Estados Unidos interferiram nas eleições nacionais de muitos países, inclusive no Japão nas décadas de 1950 e 1960, para manter seu partido preferencial, o Partido Liberal Democrata de centro-direita, no poder usando fundos secretos; nas Filipinas para orquestrar a campanha presidencial de Ramon Magsaysay em 1953 e no Líbano para ajudar os partidos cristãos nas eleições de 1957 usando aplicações secretas de dinheiro. Os estadunidenses executaram pelo menos 81 intervenções conhecidas e encobertas em eleições estrangeiras durante o período de 1946 a 2000.

Também após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos ratificaram em 1945 a Carta das Nações Unidas, o mais importante documento de direito internacional, que legalmente vinculava o governo estadunidense às provisões da Carta, incluindo o Artigo 2, que proíbe a ameaça ou uso de força nas relações internacionais, exceto em circunstâncias muito limitadas. Portanto, qualquer reivindicação legal apresentada para justificar a mudança de regime por uma potência estrangeira implica um encargo particularmente pesado.

Após a dissolução da União Soviética, os Estados Unidos lideraram ou apoiaram guerras para determinar a governança de vários países. Os objetivos declarados dos Estados Unidos nesses conflitos incluem lutar na Guerra ao Terror como na Guerra do Afeganistão de 2001, ou remover regimes ditatoriais e hostis como na Guerra do Iraque de 2003 e na intervenção militar na Líbia em 2011.


Intervenções do século XIX

1887–1889: Samoa

A crise samoana foi um confronto entre os Estados Unidos, a Alemanha e a Grã-Bretanha de 1887 a 1889, com as potências apoiando os pretendentes rivais ao trono das Ilhas Samoa durante a Primeira Guerra Civil Samoana. A Segunda Guerra Civil Samoana se seguiu em 1898, envolvendo os Estados Unidos (que apoiaram o rei em exercício) e a Alemanha, resultando, por meio da Convenção Tripartite de 1899, na divisão das Ilhas Samoa em Samoa Americana e Samoa Alemã.


1893-1917: império e expansionismo estadunidense

Década de 1890

1893: Reino do Havaí

Elementos antimonárquicos, principalmente estadunidenses, no Havaí, provocaram a derrubada do Reino do Havaí. Em 17 de janeiro de 1893, a monarca nativa, a rainha Lili'uokalani, foi deposta. O Havaí foi inicialmente reconstituído como uma república independente, mas o objetivo final da ação era a anexação das ilhas aos Estados Unidos, o que foi finalmente realizado em 1898.


1898: Cuba e Porto Rico

Como parte da Guerra Hispano-Americana, os Estados Unidos invadiram e ocuparam Cuba e Porto Rico em 1898. Cuba foi ocupada pelos Estados Unidos de 1898 a 1902 sob o comando do governador militar Leonard Wood, e novamente de 1906 a 1909, em 1912 e de 1917 a 1922; regido pelos termos da Emenda Platt até 1934.

A Campanha de Porto Rico foi uma operação militar e terrestre militar estadunidense na ilha de Porto Rico durante a Guerra Hispano-Americana. A Marinha dos Estados Unidos atacou a capital colonial do arquipélago, San Juan. Embora os danos infligidos à cidade fossem mínimos, os estadunidenses conseguiram estabelecer um bloqueio ao porto da cidade, a baía de San Juan. A ofensiva terrestre começou em 25 de julho com 1.300 soldados de infantaria. Todas as ações militares em Porto Rico foram suspensas em 13 de agosto, depois que o presidente dos Estados Unidos William McKinley e o embaixador francês Jules Cambon, em nome do governo espanhol, assinaram um armistício pelo qual a Espanha renunciou à soberania sobre os territórios de Porto Rico, Cuba, Filipinas e Guam.


1899: Filipinas

A Guerra Filipino-Americana foi parte de uma série de conflitos da luta filipina pela independência contra a ocupação dos Estados Unidos. Os combates irromperam entre as forças revolucionárias filipinas e as forças estadunidenses em 4 de fevereiro de 1899 e rapidamente intensificaram-se na Batalha de Manila em 1899. Em 2 de junho de 1899, a Primeira República Filipina declarou oficialmente a guerra contra os Estados Unidos. A guerra terminou oficialmente em 4 de julho de 1902.Essa intervenção dos Estados Unidos tinha como objetivo impedir uma mudança de regime e manter o controle estadunidense sobre as Filipinas.


Década de 1900

1903: Panamá

Em 1903, os Estados Unidos ajudaram na secessão do Panamá da República da Colômbia. A secessão foi projetada por uma facção panamenha apoiada pela Companhia do Canal do Panamá, uma corporação franco-estadunidense cujo objetivo era a construção de uma hidrovia através do istmo do Panamá, conectando assim os oceanos Atlântico e Pacífico. Em 1903, os Estados Unidos assinaram o Tratado Hay-Herrán com a Colômbia, concedendo aos Estados Unidos o uso do istmo do Panamá em troca de compensação financeira em meio à Guerra dos Mil Dias. O Canal do Panamá já estava em construção e a Zona do Canal do Panamá foi criada e colocada sob soberania dos Estados Unidos. Os Estados Unidos não transfeririam a zona ao Panamá até 2000.


1900 a 1920: Honduras

No que ficou conhecido como as "Guerras das Bananas", entre o fim da Guerra Hispano-Americana em 1898 e o início da Política da Boa Vizinhança em 1934, os Estados Unidos organizaram muitas invasões e intervenções militares na América Central e no Caribe. O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, que na maioria das vezes combateu nessas guerras, desenvolveu um manual chamado The Strategy and Tactics of Small Wars em 1921 com base em suas experiências. Na ocasião, a Marinha forneceu apoio naval e tropas do exército também foram usadas. A United Fruit Company e a Standard Fruit Company dominavam o importante setor exportador de bananas de Honduras e seus latifúndios e ferrovias associadas. Os Estados Unidos encenaram invasões e incursões de tropas em 1903 (apoiando um golpe de Manuel Bonilla), 1907 (apoiando Bonilla contra um golpe apoiado pela Nicarágua), 1911 e 1912 (defendendo o regime de Miguel R. Davila de uma revolta), 1919 (manutenção da paz durante uma guerra civil e instalação do governo interino de Francisco Bográn), 1920 (defendendo o regime Bográn de uma greve geral), 1924 (defendendo o regime de Rafael López Gutiérrez de uma revolta) e 1925 (defendendo o governo eleito de Miguel Paz Barahona) para defender os interesses estadunidenses. O escritor O. Henry cunhou o termo "república das bananas" em 1904 para descrever Honduras.


Década de 1910

1912–1933: Nicarágua

O governo dos Estados Unidos invadiu a Nicarágua em 1912, após intermitentes desembarques militares e bombardeios navais estadunidenses nas décadas anteriores. Os Estados Unidos estavam fornecendo apoio político às forças lideradas pelos conservadores que se rebelavam contra o presidente José Santos Zelaya, um liberal. Os motivos dos Estados Unidos incluíram o desacordo com o proposto Canal da Nicarágua, uma vez que os estadunidenses controlavam a Zona do Canal do Panamá - que incluía o Canal do Panamá - e as tentativas do presidente Zelaya de regular o acesso de estrangeiros aos recursos naturais da Nicarágua. Em 17 de novembro de 1909, dois estadunidenses foram executados por ordem de Zelaya depois que os dois homens confessaram ter colocado uma mina no rio San Juan com a intenção de explodir o Diamante. Os Estados Unidos justificaram a intervenção alegando proteger vidas e propriedades estadunidenses. Zelaya renunciou mais tarde naquele ano. Os Estados Unidos ocuparam o país quase continuamente de 1912 a 1933.


1915–1934: Haiti

 Os Estados Unidos ocuparam o Haiti de 1915 a 1934. Os bancos estadunidenses emprestaram dinheiro ao Haiti e solicitaram a intervenção do governo dos Estados Unidos. Os Estados Unidos instalaram um novo governo em 1917 e ditaram os termos de uma nova constituição haitiana em 1917, que instituiu mudanças que incluíam o fim da proibição anterior da propriedade de terras por não haitianos. Os Cacos eram originalmente milícias armadas de pessoas anteriormente escravizadas que se rebelaram e assumiram o controle de áreas montanhosas após a Revolução Haitiana em 1804. Tais grupos travaram uma guerra de guerrilha contra a ocupação estadunidense no que ficou conhecido como "Guerras Cacos".


1916–1924: República Dominicana

Os fuzileiros navais estadunidenses invadiram a República Dominicana e a ocuparam de 1916 a 1924, e isso foi precedido por intervenções militares estadunidenses em 1903, 1904 e 1914. A Marinha dos Estados Unidos instalou seu pessoal em todas as posições-chave no governo e controlou o exército e a polícia dominicana. Dentro de alguns dias, o presidente constitucional, Juan Isidro Jimenes, renunciou.


Primeira Guerra Mundial e período entreguerras

1918: Rússia

Depois que o novo governo bolchevique se retirou da Primeira Guerra Mundial, os militares estadunidenses e as forças aliadas invadiram a Rússia em 1918. Aproximadamente 250.000 soldados invasores, incluindo tropas da Europa, dos Estados Unidos e do Império do Japão invadiram a Rússia para ajudar o Exército Branco contra o Exército Vermelho do novo governo soviético na Guerra Civil Russa. Os invasores lançaram uma invasão no norte da Rússia a partir de Arkhangelsk e uma invasão na Sibéria a partir de Vladivostok. As forças invasoras incluíam 13.000 tropas estadunidenses cuja missão após o fim da Primeira Guerra Mundial incluía a derrubada do novo governo soviético e a restauração do regime czarista anterior. Os Estados Unidos e outras forças ocidentais não tiveram êxito nesse objetivo e se retiraram em 1920, mas os militares japoneses continuaram a ocupar partes da Sibéria até 1922 e a metade norte de Sacalina até 1925.


1941: Panamá

O governo dos Estados Unidos usou seus contatos na Guarda Nacional do Panamá, que os estadunidenses haviam treinado anteriormente, para orquestrar um golpe contra o governo panamenho em outubro de 1941. Os Estados Unidos haviam solicitado que o governo do Panamá lhe permitisse construir mais de 130 novas instalações militares dentro e fora da Zona do Canal do Panamá, mas o governo do Panamá recusou esta requisição ao preço proposto pelos estadunidenses. O presidente Arnulfo Arias fugiu do país e Ricardo Adolfo de la Guardia, o líder golpista e amigo do governo estadunidense, tornou-se presidente.


Guerra Fria

Década de 1940

1945–1950: Coreia do Sul

Quando o Império do Japão se rendeu em agosto de 1945, foram formados em toda parte da Coreia comitês sob a liderança de Lyuh Woon-Hyung para coordenar a transição para a independência coreana. Em 28 de agosto de 1945, esses comitês formaram um governo nacional temporário na Coreia, nomeando-o República Popular da Coreia algumas semanas depois. Em 8 de setembro de 1945, o governo dos Estados Unidos desembarcou forças na Coreia e depois estabeleceu o Governo Militar do Exército dos Estados Unidos na Coreia (USAMGK) para governar a Coreia ao sul do paralelo 38 norte. O USAMGK constituiu a administração governante com governadores japoneses e muitos outros oficiais japoneses que fizeram parte do brutal governo colonial do Império Japonês e com os coreanos que haviam colaborado com este, o que tornou o governo impopular e gerou resistência. O USAMGK se recusou a reconhecer o governo da República Popular da Coreia - que havia sido formado para autogovernar o país - e o Governo Provisório da República da Coreia, que esteve baseado na China durante a Segunda Guerra Mundial e havia lutado contra os japoneses e, em seguida, o USAMGK por decreto militar baniu o governo da República Popular da Coreia. Em outubro de 1948, o USAMGK enviou unidades para atacar os coreanos que buscavam a independência da Coreia e realizou várias atrocidades em massa, incluindo a morte de centenas de civis coreanos na ilha de Jeju que eram suspeitos de apoiar aqueles favoráveis a independência.

Em 1952, os Joint Chiefs of Staff instruíram o general Mark W. Clark a formular um plano para derrubar o presidente sul-coreano Syngman Rhee temendo que a crise política que surgiu a partir de sua conduta autoritária colocasse em risco os objetivos militares. A Operação Everready, como o plano foi nomeado, foi arquivada assim que Rhee cedeu à pressão estadunidense e libertou os líderes da oposição presos. O plano foi revivido para apreciação em 1953, quando receou-se que Rhee não aceitaria o Acordo de Armistício Coreano.


1946–1949: China

O governo dos Estados Unidos forneceu ajuda militar, logística e de outros tipos para o exército do Partido Nacionalista Chinês (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, na Guerra Civil Chinesa contra as forças do Partido Comunista Chinês. Os Estados Unidos transportaram muitas tropas do KMT da China central para a Manchúria. Aproximadamente 50.000 soldados estadunidenses foram enviados para proteger locais estratégicos em Hupeh e Shandong. Os Estados Unidos treinaram e equiparam as tropas do KMT e transportaram tropas coreanas e até mesmo tropas japonesas inimigas de volta para ajudar as forças do KMT a ocupar as zonas chinesas e a conter áreas controladas pelos comunistas. O presidente Harry Truman explicou que: "Ficou perfeitamente claro para nós que, se disséssemos aos japoneses que depusessem suas armas imediatamente e marchassem para o litoral, o país inteiro seria tomado pelos comunistas. Portanto, tivemos que dar o passo incomum de usar o inimigo como guarnição até que pudéssemos transportar as tropas nacionalistas chinesas para o sul da China e enviar fuzileiros navais para proteger os portos marítimos". Dentro de menos de dois anos após a Guerra Sino-Japonesa, o KMT recebeu US $ 4.43 bilhões dos Estados Unidos - a maioria dos quais era ajuda militar.


1946–1949: Grécia

Os militares britânicos, juntamente com as forças gregas governistas, lutaram pelo controle do país na Guerra Civil Grega contra o Exército Democrático da Grécia. O Exército Democrático da Grécia era composto principalmente de partisans comunistas que, como parte do Exército Popular de Libertação da Grécia no verão de 1944, haviam libertado quase todo o país da ocupação militar do Terceiro Reich. No início de 1947, o governo britânico não podia mais arcar com o enorme custo de financiar a guerra contra a Exército Democrático da Grécia, e de acordo com o Acordo de Percentuais de outubro de 1944 entre Winston Churchill e Joseph Stalin, a Grécia continuaria a fazer parte da esfera de influência ocidental. Consequentemente, os britânicos solicitaram que o governo dos Estados Unidos interviesse e os estadunidenses repassaram ao país equipamento militar, assessores militares e armas. Com o aumento da ajuda militar dos Estados Unidos, em setembro de 1949, o governo grego acabou vencendo.


1947 – década de 1970: Itália

Em 1947, a Democracia Cristã (DC), apoiada pelos Estados Unidos e liderada por Alcide De Gasperi, estava perdendo popularidade, e o Partido Comunista da Itália (PCI) estava crescendo particularmente rápido devido a seus esforços de organização apoiando meeiros na Sicília, Toscana e Umbria, movimentos que também foram reforçados pelas reformas de Fausto Gullo, o ministro comunista da agricultura. A DC projetou a expulsão de todos os ministros de esquerda do gabinete em 31 de maio. O PCI não teria uma posição nacional no governo novamente por vinte anos. De Gasperi fez isso sob pressão do secretário de Estado dos Estados Unidos, George Marshall, que o informou que o anticomunismo era uma condição prévia para receber ajuda estadunidense, e do embaixador James Clement Dunn, que havia pedido diretamente a Gasperi para dissolver o parlamento e remover o PCI

A Agência Central de Inteligência (CIA) reconheceu doar US $ 1 milhão para os partidos centristas italianos para as eleições de 1948. A CIA também publicou cartas forjadas para desacreditar os líderes do Partido Comunista Italiano (PCI). As agências estadunidenses realizaram uma campanha de escrever dez milhões de cartas, fizeram numerosas transmissões de rádio de ondas curtas e financiaram a publicação de livros e artigos, os quais advertiram os italianos do que se acreditavam serem as consequências de uma vitória comunista. A revista Time apoiou a campanha para as audiências domésticas estadunidenses, apresentando o líder do Partido da Democracia Cristã e primeiro-ministro Alcide De Gasperi em sua capa e em sua matéria principal em 19 de abril de 1948. Enquanto isso, os Estados Unidos secretamente convenceram o Partido Trabalhista Britânico a pressionar os social-democratas a encerrar seu apoio ao PCI e promover uma divisão no Partido Socialista Italiano.

A CIA em última análise, gastou pelo menos US $ 65 milhões ajudando eleger políticos italianos,incluindo "todos os democratas cristãos que já ganharam uma eleição nacional na Itália."


1949: Síria

O governo democraticamente eleito de Shukri al-Quwatli foi deposto por uma junta liderada pelo chefe do Estado-Maior do Exército sírio na época, Husni al-Za'im, que se tornou presidente da Síria em 11 de abril de 1949. A natureza exata do envolvimento dos Estados Unidos nesse golpe ainda é altamente controversa.


Década de 1950

1952: Egito

O Projeto FF (o "FF" que significa "Fat Fucker") foi um programa da CIA projetado inicialmente para modernizar o Reino do Egito sob Farouk I, aproximando o Egito para o campo anti-soviético. No entanto, a falta de vontade do rei em consentir levou Kermit Roosevelt Jr. a apoiar os esforços para substituir o regime inteiramente. Ao ouvir rumores do descontentamento dentro do exército egípcio, Roosevelt encontrou-se com os líderes nacionalistas e anticomunistas do Movimento dos Oficiais Livres, mais notavelmente o futuro presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, e informou-os do apoio estadunidense ao seu iminente golpe de Estado. Em 23 de julho de 1952, o Movimento dos Oficiais Livres derrubou a monarquia e estabeleceu a República do Egito.


1953: Irã

O golpe de Estado no Irã em 1953 (conhecido no Irã como o "golpe de 28 Mordad") foi a deposição do governo democraticamente eleito do primeiro-ministro iraniano Mohammad Mosaddegh em 19 de agosto de 1953, orquestrada pelas agências de inteligência do Reino Unido (sob o nome "Operação Boot") e dos Estados Unidos (sob o nome "TPAJAX Project"). O golpe constatou a transição de Mohammad Reza Pahlavi de um monarca constitucional para um autoritário que dependia fortemente do apoio do governo dos Estados Unidos para manter o poder até sua própria deposição em fevereiro de 1979.


1954: Guatemala

Em uma operação da CIA de codinome "Operação PBSUCCESS", o governo dos Estados Unidos executou um golpe de Estado que depôs o governo democraticamente eleito do presidente Jacobo Árbenz e instalou Carlos Castillo Armas, o primeiro de uma linha de ditadores de direita em seu lugar. Não só foi feito com o propósito ideológico de contenção, mas a CIA tinha sido abordada pela United Fruit Company, uma vez que viu uma possível perda nos lucros devido à situação dos trabalhadores no país. O sucesso percebido da operação faria dela um modelo para futuras operações da CIA, uma vez que a agência mentiu para o presidente dos Estados Unidos ao informá-lo sobre o número de vítimas.


1955–1960: Laos

O governo dos Estados Unidos assumiu o financiamento do orçamento militar do Governo Real do Laos em sua guerra civil contra o movimento comunista Pathet Lao, que havia tomado o controle de uma parte do país. Os Estados Unidos pagaram 100% do orçamento militar do governo e em 1957 pagavam os salários do Exército Real do Laos. Além disso, os Estados Unidos estabeleceram o encoberto Programs Evaluation Office para mobilizar pessoal civil estadunidense com experiência militar, porque um tratado que os Estados Unidos haviam assinado proibia expressamente os conselheiros militares estadunidenses. Em julho de 1959, porém, os Estados Unidos enviaram unidades de comando vestidas como civis para treinar o Exército Real do Laos.


Golpes fracassados na Síria

1956: Operação Straggle. A CIA fez planos para um golpe de Estado no final de outubro de 1956 para derrubar o governo sírio. O plano implicava a tomada pelos militares sírios de importantes cidades e passagens de fronteira. O plano foi adiado quando Israel invadiu o Egito em outubro de 1956 e os organizadores estadunidenses consideraram que sua operação não teria sucesso em um momento em que o mundo árabe estava lutando contra a "agressão israelense". A operação foi descoberta e os conspiradores estadunidenses tiveram que fugir do país.


1957: Operação Wappen. Uma segunda tentativa de golpe de Estado no ano seguinte considerou o assassinato de altos oficiais sírios, encenando incidentes militares na fronteira síria para responsabilizar a Síria e depois ser usada como pretexto para uma invasão por tropas iraquianas e jordanianas, uma intensa campanha de propaganda estadunidense visando a população síria, e "sabotagem, conspirações nacionais e diversas atividades intimidadoras" para responsabilizar Damasco. Esta operação falhou quando oficiais militares sírios pagos com milhões de dólares em subornos para realizar o golpe revelaram o complô para a inteligência síria. O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou a acusação de uma tentativa de golpe e juntamente com a mídia estadunidense acusou a Síria de ser um "satélite" da URSS.


1957–1959: Indonésia

Como membro fundador do Movimento Não Alinhado e sede da Conferência de Bandung de abril de 1955, a Indonésia estava traçando um rumo para uma política externa independente que não estava militarmente comprometida com nenhum dos lados da Guerra Fria. A partir de 1957, a CIA apoiou um plano golpista fracassado de rebeldes militares indonésios. Pilotos da CIA, como Allen Lawrence Pope, pilotaram aviões operados pela organização de fachada da CIA, Civil Air Transport (CAT), que bombardeou alvos civis e militares na Indonésia. A CIA instruiu os pilotos da CAT a alvejar o transporte comercial a fim de afugentar os navios mercantes estrangeiros das águas indonésias, enfraquecendo assim a economia indonésia e, por conseguinte, desestabilizando o governo democraticamente eleito da Indonésia. O bombardeio aéreo da CIA resultou no afundamento de vários navios comerciais  e no bombardeio de um mercado que matou muitos civis. A tentativa de golpe falhou na época e o presidente Dwight D. Eisenhower negou qualquer envolvimento dos Estados Unidos.


1958: Líbano

Os Estados Unidos lançaram a Operação Blue Bat em julho de 1958 para intervir na crise do Líbano de 1958. Esta foi a primeira aplicação da Doutrina Eisenhower, segundo a qual os Estados Unidos deveriam intervir para proteger os regimes considerados ameaçados pelo comunismo internacional. O objetivo da operação era reforçar o governo libanês pró-ocidente do presidente Camille Chamoun contra a oposição interna e as ameaças da Síria e do Egito.


1959: Iraque

Richard Sale, da United Press International, citando Adel Darwish e outros especialistas, relatou que a tentativa de assassinato de outubro de 1959 contra o primeiro-ministro iraquiano Abd al-Karim Qasim envolvendo o jovem Saddam Hussein e outros conspiradores baathistas foi uma colaboração entre a CIA e a inteligência egípcia. Bryan R. Gibson contestou a veracidade de Sale e Darwish, citando documentos desclassificados que indicam que a CIA foi surpreendida pelo timing da tentativa de assassinato de Qasim e que o Conselho de Segurança Nacional "tinha acabado de reafirmar  política de não-intervenção" seis dias antes do ocorrido. Embora a tentativa de assassinato tenha fracassado depois que Saddam (que deveria apenas dar cobertura) abriu fogo contra Qasim — forçando Saddam a passar mais de três anos no exílio na República Árabe Unida sob ameaça de morte caso retornasse ao Iraque — isso levaria à ampla exposição de Saddam e do Ba'ath dentro do Iraque, quando ambos já estavam definhando na obscuridade, e mais tarde se tornou uma parte crucial da imagem pública de Saddam durante seu mandato como presidente do Iraque. É possível que Saddam tenha visitado a embaixada dos Estados Unidos no Cairo durante seu exílio.


Década de 1960

1960: Congo

Em janeiro de 1961, o primeiro-ministro democraticamente eleito do Congo, Patrice Lumumba, foi morto pelo regime de Mobutu Sese Seko em um golpe orquestrado pelas atividades da CIA sob o governo Eisenhower, como resultado dos receios em torno do desenvolvimento das relações do primeiro-ministro. com os governos soviético e chinês. Mobutu subsequentemente instituiu um regime totalitário cujas ações contribuíram para a atual situação do país empobrecido e acossado pela guerra.


1960: Laos

Em 9 de agosto de 1960, o Capitão Kong Le com seu batalhão de paraquedistas assumiu o controle da capital administrativa, Vientiane, em um golpe sem derramamento de sangue em uma plataforma "neutralista" com os objetivos declarados de acabar com a guerra civil no Laos, encerrar a interferência estrangeira no país, acabar com a corrupção causada pela ajuda externa e melhorar o tratamento para soldados. Com o apoio da CIA, o marechal-de-campo Sarit Thanarat, o primeiro-ministro da Tailândia, criou um grupo secreto de assessoria militar tailandesa chamado Kaw Taw. O Kaw Taw, juntamente com a CIA, orquestrou um contra-golpe em novembro de 1960 contra o novo governo neutralista em Vientiane, fornecendo artilharia, artilheiros e assessores ao general Phoumi Nosavan, primo de Sarit. Também implantou a Unidade de Reforço Aéreo da Polícia, patrocinada pela CIA, para operações no Laos. Com a ajuda da organização de fachada da CIA, a Air America, para transporte aéreo de suprimentos de guerra e outras assistências militares e ajuda secreta estadunidense a partir da Tailândia, as forças do general Phoumi Nosavan capturaram Vientiane em novembro de 1960.


1961: República Dominicana

Em maio de 1961, o governante da República Dominicana, Rafael Trujillo, foi assassinado com armas fornecidas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). Um memorando interno da CIA afirma que uma investigação do Office of Inspector General de 1973 sobre o assassinato revelou "um envolvimento bastante extenso da Agência com os conspiradores". A CIA descreveu seu papel em "mudar" o governo da República Dominicana como um "sucesso", na medida em que ajudou a transferir a República Dominicana de uma ditadura totalitária para uma democracia ao estilo ocidental." Juan Bosch, um beneficiário anterior de financiamento da CIA, foi eleito presidente da República Dominicana em 1962 porém seria deposto em 1963


Década de 1960: Cuba

A CIA orquestrou uma força composta de exilados cubanos treinados pela CIA para invadir Cuba com apoio e equipamento dos militares estadunidense, numa tentativa de derrubar o governo cubano de Fidel Castro. A invasão foi lançada em abril de 1961, três meses depois de John F. Kennedy ter assumido a presidência nos Estados Unidos. As forças armadas cubanas, treinadas e equipadas pelas nações do bloco oriental, derrotaram os combatentes invasores em três dias.

A Operação Mongoose foi um longo esforço do governo dos Estados Unidos para derrubar o governo de Cuba. A operação incluiu guerra econômica, abrangendo um embargo contra Cuba, "para induzir o fracasso do regime comunista em suprir as necessidades econômicas de Cuba", uma iniciativa diplomática para isolar Cuba e operações psicológicas "para aumentar o ressentimento popular contra o regime". A ramificação da operação da guerra econômica também incluiu a infiltração de agentes da CIA para realizar muitos atos de sabotagem contra alvos civis, tal como ponte ferroviária, instalações de armazenamento de melaço, usina de energia elétrica e colheita de açúcar, não obstante os repetidos pedidos de Cuba ao governo dos Estados Unidos para cessar suas operações armadas. Além disso, a CIA orquestrou uma série de tentativas de assassinato contra Fidel Castro, chefe do governo de Cuba, incluindo tentativas que implicaram a colaboração da CIA com a máfia americana.


1961–1964: Brasil

 Ver também : Operação Brother Sam e Relações entre Brasil e Estados Unidos no governo João Goulart

Quando o presidente do Brasil Jânio Quadros renunciou em agosto de 1961, foi legalmente sucedido por João Goulart, o vice-presidente eleito democraticamente do país. Goulart era um defensor dos direitos democráticos, da legalização do Partido Comunista e das reformas econômicas e agrárias, mas o governo dos Estados Unidos insistiu que ele impusesse um programa de austeridade econômica. O governo dos Estados Unidos implementou um esforço de desestabilização do Brasil, cortando a ajuda ao governo brasileiro, fornecendo ajuda aos governadores do Brasil que se opuseram ao novo presidente e encorajando altos oficiais militares brasileiros a tomarem o poder e apoiarem o chefe do Estado-Maior do Exército, general Humberto Castelo Branco, como líder golpista. O general Castelo Branco liderou a deposição do governo constitucional do presidente João Goulart em abril de 1964 e foi instalado como primeiro presidente do regime militar, declarando imediatamente o estado de sítio e prendendo mais de 50.000 adversários políticos no primeiro mês da tomada do poder, enquanto o governo dos Estados Unidos expressou aprovação e reinstituiu a ajuda e o investimento no país.


1963: Iraque

Várias fontes, notavelmente Said Aburish, alegaram que o golpe de fevereiro de 1963 que resultou na formação de um governo baathista no Iraque foi "planejado" pela CIA. No entanto, nenhum documento desclassificado estadunidense confirmou essa alegação. Tareq Y. Ismael, Jacqueline S. Ismael e Glenn E. Perry afirmam que "as forças baathistas e oficiais do exército derrubaram Qasim em 8 de fevereiro de 1963, em colaboração com a CIA." Por outro lado, Gibson argumenta que "a preponderância das evidências corrobora a conclusão de que a CIA não esteve por trás do golpe baathista de fevereiro de 1963". Os Estados Unidos ofereceram apoio material para o novo governo baathista após o golpe, apesar de um sangrento expurgo anticomunista e das atrocidades contra rebeldes curdos e civis iraquianos. Por causa disso, Nathan Citino afirma: "Embora os Estados Unidos não tenham iniciado o golpe do Ramadã, na melhor das hipóteses, tolerou e, na pior das hipóteses, contribuiu para a violência que se seguiu." O governo baathista colapsou em novembro de 1963 com a questão da unificação com a Síria (onde um ramo rival do Partido Baath havia tomado o poder em março). Tem havido muita discussão acadêmica com relação às alegações do rei Hussein da Jordânia e outros de que a CIA (ou outras agências estadunidenses) forneceu ao governo baathista listas de comunistas e outros esquerdistas, que foram então presos ou mortos pela milícia do Partido Baath - a Guarda Nacional. Gibson e Hanna Batatu enfatizam que as identidades dos membros do Partido Comunista Iraquiano eram publicamente conhecidas e que o Baath não precisaria confiar na inteligência estadunidense para identificá-las, enquanto o Citino considera as alegações plausíveis porque a embaixada dos Estados Unidos no Iraque havia realmente compilado tais listas e porque os membros da Guarda Nacional Iraquiana envolvidos na depuração receberam treinamento nos Estados Unidos.


1963: Vietnã

Embora os Estados Unidos fossem aliados do Vietnã do Sul durante a Guerra do Vietnã, o governo Kennedy tornar-se-ia cada vez mais frustrado com o governo corrupto e repressivo do presidente sul-vietnamita Ngo Dinh Diem. Em vista da recusa de Diem de adotar reformas, as autoridades estadunidenses debateram se deveriam apoiar os esforços para substituí-lo. Esses debates resultaram no envio do telegrama 243 em 24 de agosto de 1963, que instruiu o embaixador dos Estados Unidos no Vietnã do Sul, Henry Cabot Lodge Jr., a "examinar todas as possíveis alternativas de liderança e fazer planos detalhados sobre como poderíamos conduzir a substituição de Diem caso isso se tornar necessário". Lodge e seu oficial de ligação, Lucien Conein, estabeleceram contato com oficiais descontentes do Exército da República do Vietnã e estimularam sua decisão de derrubar Diem. Esses esforços culminaram em um golpe de Estado em 2 de novembro de 1963, durante o qual Diem e seu irmão Ngô Đình Nhu foram assassinados.

Os Pentagon Papers concluíram que "a partir de agosto de 1963 nós, de diferentes maneiras, autorizamos, sancionamos e encorajamos os esforços de golpe dos generais vietnamitas e oferecemos apoio total para um governo sucessor. Em outubro, cortamos a ajuda a Diem em uma rejeição direta, dando permissão aos generais. Mantivemos contato clandestino com eles durante todo o planejamento e execução do golpe e procuramos rever seus planos operacionais e propusemos novo governo."


1965–1966: República Dominicana

Na Guerra Civil Dominicana de 1965, uma junta liderada pelo presidente Donald Reid Cabral lutava contra as forças "constitucionalistas" ou "rebeldes" que defendiam a restauração do poder ao primeiro presidente democraticamente eleito da República Dominicana, o presidente Juan Bosch, cujo mandato havia sido interrompido por um golpe de Estado. Os Estados Unidos lançaram a "Operação Power Pack", uma operação militar para interpor os militares estadunidenses entre os rebeldes e as forças da junta, a fim de impedir o avanço dos rebeldes e, possivelmente, sua vitória. A maioria dos conselheiros civis indicou contrariedade a uma intervenção imediata na esperança de que a junta pudesse pôr fim à guerra civil, mas o presidente dos Estados Unidos Lyndon B. Johnson aceitou o conselho de seu embaixador em Santo Domingo, William Tapley Bennett, que sugeriu a intervenção estadunidense. O chefe do Estado-Maior General Wheeler disse a um subordinado: "Sua missão não anunciada é impedir que a República Dominicana se tornasse comunista".Uma frota de 41 embarcações estadunidenses foi enviada para bloquear a ilha quando os Estados Unidos invadiram. Em última análise, 42.000 soldados e fuzileiros navais foram ordenados para a República Dominicana e os Estados Unidos ocuparam o país.


1965-1967: Indonésia

Oficiais subalternos do exército e o comandante da guarda do palácio do presidente Sukarno acusaram os militares dos altos escalões da Indonésia de planejar um golpe de Estado apoiado pela CIA contra Sukarno e mataram seis generais em 1 de outubro de 1965. O general Muhammad Suharto e outros altos oficiais militares atacaram os oficiais subalternos no mesmo dia e acusaram o Partido Comunista da Indonésia (PKI) de orquestrar o assassinato dos seis generais. O exército lançou uma campanha de propaganda baseada em mentiras e agitaram as turbas civis para atacar os supostos defensores do PKI e outros oponentes políticos. Forças do governo indonésio com a colaboração de alguns civis perpetraram assassinatos em massa durante muitos meses. A CIA reconheceu que "em termos do número de pessoas mortas, os massacres anticomunistas e anti-chineses na Indonésia classificam-se como um dos piores assassinatos em massa do século XX". As estimativas do número de civis mortos variam de meio milhão a um milhão, mas estimativas mais recentes colocam o número em dois a três milhões. O embaixador dos Estados Unidos, Marshall Green, encorajou os líderes militares a agir com força contra os oponentes políticos. Em 2017, documentos desclassificados da Embaixada dos Estados Unidos em Jacarta confirmaram que os Estados Unidos tinham conhecimento detalhado e contínuo dos assassinatos em massa e os facilitaram e os encorajaram ativamente por seus próprios interesses geopolíticos. Diplomatas estadunidenses admitiram à jornalista Kathy Kadane, em 1990, que haviam fornecido ao exército indonésio milhares de nomes de supostos partidários do PKI e outros supostos esquerdistas e que os oficiais estadunidenses haviam, em seguida, retirado de suas listas aqueles que haviam sido assassinados. A base de apoio do presidente Sukarno foi em grande parte aniquilada, aprisionada e o restante aterrorizada, e assim ele foi forçado a deixar o poder em 1967, substituído por um regime militar autoritário liderado pelo general Suharto. Alguns acadêmicos atualmente referem aos assassinatos em massa como um genocídio.


1967: Grécia

Em 21 de abril de 1967, apenas algumas semanas antes das eleições marcadas, um grupo de oficiais de direita do exército liderados pelo brigadeiro-general Stylianos Pattakos e os coronéis George Papadopoulos e Nikolaos Makarezos tomaram o poder em um golpe de Estado. Os líderes golpistas posicionaram tanques em locais estratégicos em Atenas, ganhando efetivamente o controle total da cidade.

Ao mesmo tempo, um grande número de pequenas unidades móveis foram enviadas para prender políticos importantes, figuras de autoridade e cidadãos comuns suspeitos de simpatias com a esquerda, segundo listas preparadas com antecedência. Um dos primeiros a ser preso foi o tenente-general Grigorios Spandidakis, comandante-em-chefe do exército grego. Os coronéis persuadiram Spandidakis a juntar-se a eles, fazendo-o ativar um plano de ação previamente elaborado para levar o golpe adiante. Nas primeiras horas da manhã, toda a Grécia estava sob controle dos coronéis. Todos os principais políticos, incluindo o primeiro-ministro em exercício, Panagiotis Kanellopoulos, foram presos e mantidos incomunicáveis pelos conspiradores. Às 6:00 da manhã EET, Papadopoulos anunciou que onze artigos da constituição grega foram suspensos.

O fundador do partido de esquerda União do Centro, Georgios Papandreou, foi preso após uma incursão noturna em sua villa em Kastri, Attica. Andreas Papandreou foi preso no mesmo período, depois que sete soldados armados com baionetas e uma metralhadora entraram à força em sua casa. Andreas escapou para o telhado de sua casa, mas se rendeu depois que um dos soldados apontou uma arma para a cabeça de seu filho, então com catorze anos de idade, George Papandreou. Gust Avrakotos, um oficial de alto escalão da CIA na Grécia, que era próximo dos coronéis, supostamente os aconselhou a "atirar no filho da puta porque ele vai voltar para assombrá-lo".

Os críticos estadunidenses do golpe incluíram o então senador Lee Metcalf, que criticou o governo Johnson por fornecer ajuda a um "regime militar de colaboradores e simpatizantes do nazismo". Phillips Talbot, o embaixador dos Estados Unidos em Atenas, desaprovou o golpe, queixando-se de que representava "um estupro de democracia", ao que John M. Maury, chefe da estação da CIA em Atenas, respondeu: "Como você pode estuprar uma prostituta?". A CIA afirma que o timing do golpe aparentemente pegou a agência de surpresa.


Década de 1970

1971: Bolívia

O governo dos Estados Unidos apoiou o golpe de 1971 liderado pelo general Hugo Banzer, que depôs o presidente Juan José Torres, da Bolívia. Torres desagradou Washington ao convocar uma "Asamblea del Pueblo" (Assembleia do Povo ou Assembléia Popular), na qual representantes de setores proletários específicos da sociedade estavam representados (mineiros, professores sindicalizados, estudantes, camponeses) e, mais genericamente, liderando o país, o que foi percebido como uma direção a esquerda. Banzer eclodiu uma sangrenta revolta militar, que teve inicio em 18 de agosto de 1971, na qual conseguiria tomar o poder em 22 de agosto de 1971. Após Banzer ascender o poder, os Estados Unidos forneceram extensa ajuda militar e outros auxílios para a ditadura Banzer uma vez que esta reprimiu a liberdade de expressão e dissensão, torturou milhares, "desapareceu" e assassinou centenas e fechou sindicatos e universidades. Torres, que havia fugido da Bolívia, seria sequestrado e assassinado em 1976 como parte da Operação Condor, a campanha de repressão política e terrorismo de Estado dos ditadores de direita sul-americanos apoiada pelos Estados Unidos.


1972-1975: Iraque

Os Estados Unidos secretamente forneceram milhões de dólares para a insurgência curda apoiada pelo Irã contra o governo iraquiano. O papel dos Estados Unidos era tão secreto que até o Departamento de Estado dos Estados Unidos e o "40 Committee", criados para supervisionar as operações encobertas, não foram informados. As tropas do Partido Democrático Curdo foram lideradas por Mustafa Barzani. Notavelmente, sem o conhecimento dos curdos, essa era uma ação de mudança de regime encoberta que os estadunidenses queriam fracassar, destinada apenas a drenar os recursos do país. Os Estados Unidos suspenderam abruptamente o apoio aos curdos em 1975 e, apesar dos pedidos de ajuda curdos, recusaram-se a estender até mesmo a ajuda humanitária aos milhares de refugiados curdos criados como resultado do colapso da insurgência.


1973: Chile

O presidente democraticamente eleito Salvador Allende foi deposto pelas forças armadas e pela polícia nacional chilena. O golpe de Estado de 1973 ocorreu após um período prolongado de agitação social e política entre o Congresso do Chile dominado pela direita e Allende, bem como uma guerra econômica empreendida pelo governo dos Estados Unidos. Como um prelúdio para o golpe, o chefe de gabinete do exército chileno,René Schneider, um general dedicado a preservar a ordem constitucional, foi assassinado em 1970 durante uma tentativa frustrada de sequestro apoiada pela CIA. O regime de Augusto Pinochet, que chegou ao poder com o golpe, é notável por ter, por estimativas conservadoras, "desaparecido" com cerca de 3200 dissidentes políticos, encarcerado 30.000 (muitos dos quais foram torturados), e exilado cerca de 200.000 chilenos. A CIA, através do Projeto FUBELT (também conhecido como Track II), trabalhou secretamente para orquestrar as condições para o golpe. Inicialmente, os Estados Unidos negaram qualquer envolvimento, mas muitos documentos relevantes foram desclassificados nas décadas seguintes.


1979-1989: Afeganistão

No que ficou conhecido como "Operação Ciclone", o governo dos Estados Unidos secretamente forneceu armas e financiamento para diversos de senhores da guerra e várias facções de guerrilheiros jihadistas conhecidos como os Mujahideen do Afeganistão lutando para derrubar o governo afegão e as forças militares soviéticas que o apoiavam. Através do Inter-Services Intelligence (ISI) do Paquistão, os Estados Unidos canalizaram treinamento, armas e dinheiro para os combatentes afegãos, incluindo jihadistas que mais tarde ficaram conhecidos como Talibãs, e a um custo estimado de US $ 800 milhões para 35.000 combatentes estrangeiros árabes. Os árabes afegãos também se "beneficiariam indiretamente a partir do financiamento da CIA, através do ISI e das organizações de resistência" Alguns dos maiores beneficiários afegãos da CIA eram comandantes arabistas como Jalaluddin Haqqani e Gulbuddin Hekmatyar que foram principais aliados de Osama Bin Laden durante muitos anos. Alguns dos militantes financiados pela CIA se tornariam parte da al Qaeda mais tarde, incluindo Osama Bin Laden, de acordo com o ex-secretário de Relações Exteriores Robin Cook e outras fontes. No entanto, essas alegações são rejeitadas por Steve Coll ("Se a CIA teve contato com bin Laden durante a década de 1980 e, posteriormente, encobriu, até agora fez um excelente trabalho"), Peter Bergen ("A teoria de que Bin Laden foi criado pela CIA é invariavelmente desenvolvida como um axioma sem evidência corroborante") e Jason Burke ("Costuma-se dizer que bin Laden foi financiado pela CIA. Isso não é verdade, e, de fato, teria sido impossível, dada a estrutura de financiamento que o general Zia ul-Haq, que havia assumido o poder no Paquistão em 1977, havia estabelecido"). Embora a Operação Ciclone tenha terminado oficialmente em 1989 com a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, o financiamento do governo dos Estados Unidos para os Mujahideen continuou até 1992, quando os Mujahideen derrubaram o governo afegão em Cabul.


Década de 1980

1980-1989: Polônia

Ao contrário do governo Carter, as políticas de Reagan apoiaram o movimento Solidariedade na Polônia e - com base na inteligência da CIA - empreenderam uma campanha de relações públicas para impedir o que o governo Carter considerou "um movimento iminente de grandes forças militares soviéticas na Polônia". Michael Reisman, da Yale Law School, nomeou as operações na Polônia como uma das ações secretas da CIA durante a Guerra Fria. O coronel Ryszard Kukliński, um oficial superior do Estado-Maior polonês, estava secretamente enviando relatórios à CIA. A CIA transferiu cerca de US $ 2 milhões anuais em dinheiro para o Solidarność, num total de US $ 10 milhões ao longo de cinco anos. Não havia ligações diretas entre a CIA e o Solidariedade, e todo o dinheiro era canalizado através de terceiros. Oficiais da CIA foram impedidos de se reunir com líderes do Solidarnosc e os contatos da CIA com ativistas do movimento foram mais fracos do que os da AFL-CIO, o qual levantou US $ 300.000 de seus membros, que forneciam material e dinheiro diretamente ao Solidariedade, sem controle de uso deste pelo Solidariedade. O Congresso dos Estados Unidos autorizou o National Endowment for Democracy para promover a democracia, e este alocou US $ 10 milhões para o Solidariedade.

Quando o governo polonês lançou a lei marcial em dezembro de 1981, no entanto, o Solidariedade não foi alertado. Explicações possíveis para isso variam; alguns acreditam que a CIA foi pega de surpresa, enquanto outros sugerem que os decisores políticos estadunidenses consideravam uma repressão interna como preferível a uma "inevitável intervenção soviética". O apoio da CIA ao Solidariedade incluía dinheiro, equipamento e treinamento, que era coordenado pelas operações especiais. Henry Hyde, membro do comitê de inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, declarou que os Estados Unidos forneciam "suprimentos e assistência técnica em termos de jornais clandestinos, radiodifusão, propaganda, dinheiro, ajuda organizacional e conselhos". Os fundos iniciais para ações encobertas da CIA foram de US $ 2 milhões, mas logo após a autorização foram aumentados e em 1985 a CIA se infiltrou com sucesso na Polônia.


1980-1992: El Salvador

O governo de El Salvador travou uma sangrenta guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), uma organização guarda-chuva de grupos de oposição política de esquerda, e contra líderes de cooperativas agrícolas, líderes trabalhistas e outros que defendiam a reforma agrária e melhores condições para "camponeses" (rendeiros e outros trabalhadores agrários) que apoiaram a FMLN. O exército salvadorenho organizou esquadrões da morte militares para aterrorizar a população civil rural para que esta cessasse seu apoio à FMLN. As forças governamentais mataram mais de 75.000 civis durante a guerra entre 1980 e 1992. O governo dos Estados Unidos forneceu treinamento militar e armas para os militares salvadorenhos. O Batalhão Atlacatl, um batalhão de contra-insurgência, foi organizado em 1980 na Escola das Américas e teve um papel de liderança na política militar de "terra arrasada" contra a FLMN e nas aldeias rurais que a apoiavam. Os soldados do Atlacatl foram equipados e dirigidos por conselheiros militares estadunidenses que operavam em El Salvador. O Batalhão de Atlacatl também participou do Massacre de El Mozote em dezembro de 1981. Em maio de 1983, oficiais estadunidenses assumiram posições nos altos escalões das forças armadas salvadorenhas, estavam tomando decisões críticas e administrando a guerra. Uma comissão de apuração de fatos do Congresso dos Estados Unidos concluiu que a política de repressão de "secar o oceano" do exército de El Salvador implicava em eliminar "aldeias inteiras do mapa, para isolar os guerrilheiros e negar-lhes qualquer base rural da qual possam se suprir". A estratégia de "secar o oceano" ou "terra arrasada" foi baseada em táticas semelhantes àquelas empregadas pela contra-insurgência da junta na vizinha Guatemala e foram derivadas e adaptadas da estratégia dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã e ensinadas por assessores militares estadunidenses.


1982–1989: Nicarágua

O governo dos Estados Unidos tentou derrubar o governo da Nicarágua ao armar secretamente, treinar e financiar os Contras, um grupo rebelde baseado em Honduras que foi criado para sabotar a Nicarágua e desestabilizar o governo nicaraguense. Como parte do treinamento, a CIA distribuiu um manual detalhado intitulado "Psychological Operations in Guerrilla Warfare", que instruiu os Contras, entre outras coisas, sobre como explodir prédios públicos, assassinar juízes, criar mártires e chantagear cidadãos comuns. Além de orquestrar os Contras, o governo estadunidense também explodiu pontes e minou o porto de Corinto, causando o afundamento de vários navios civis nicaraguenses e estrangeiros e muitas mortes de civis. Após a Emenda Boland ter tornado ilegal o patrocínio das atividades dos Contras pelo governo estadunidense, a administração do presidente Reagan vendeu secretamente armas ao governo iraniano para financiar um aparato secreto do governo dos Estados Unidos que continuava a financiar ilegalmente os Contras, no que ficou conhecido como o caso Irã-Contras. Os Estados Unidos continuaram a armar e treinar os Contras mesmo depois que o governo sandinista da Nicarágua venceu as eleições de 1984.


1983: Granada

No que o governo dos Estados Unidos chamou de Operação Fúria Urgente, os militares estadunidenses invadiram a pequena nação insular de Granada para remover o governo marxista que a administração Reagan considerou condenável. A Assembleia Geral das Nações Unidas chamou a invasão de "uma violação flagrante da lei internacional", mas uma resolução similar amplamente apoiada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas foi vetada pelos Estados Unidos.


1989: Panamá

Em dezembro de 1989, em uma operação militar chamada Operação Justa Causa, os Estados Unidos invadiram o Panamá. O presidente George H. W. Bush lançou a guerra dez anos depois que os Tratados Torrijos-Carter foram ratificados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá no ano 2000. Os Estados Unidos depuseram o líder panamenho de facto, o general e ditador Manuel Noriega. O presidente eleito Guillermo Endara foi empossado no cargo e a Força de Defesa do Panamá foi dissolvida.


Pós-Guerra Fria  

Década de 1990

1991: Kuwait

Depois que o Iraque invadiu o Kuwait em agosto de 1990, o governo dos Estados Unidos fez lobby aos governos representados no Conselho de Segurança das Nações Unidas para apoiarem uma resolução autorizando os membros da ONU a usar "todos os meios necessários" para retirar as forças iraquianas do Kuwait. A Resolução 678, incluindo tal linguagem, foi aprovada e os Estados Unidos reuniram uma força de coalizão de 34 países para intervir. A operação foi lançada em janeiro de 1991 e possuiu o codinome "Operação Tempestade no Deserto". A coalizão liderada pelos Estados Unidos repeliu as forças iraquianas do Kuwait e retornou o poder ao emir, xeique Jaber Al-Ahmad Al-Sabah.


1994–2000: Iraque

A CIA lançou a Operação DBACHILLES, uma operação golpista contra o governo iraquiano, recrutando Ayad Allawi, que liderava o Acordo Nacional Iraquiano, uma rede de iraquianos que se opunha ao governo de Saddam Hussein, como parte da operação. A rede incluía militares iraquianos e oficiais de inteligência, mas foi infiltrada por pessoas leais ao governo iraquiano. Também usando Ayad Allawi e sua rede, a CIA dirigiu uma campanha de sabotagem e bombardeio em Bagdá entre 1992 e 1995, contra alvos que - segundo o governo iraquiano na época - mataram muitos civis, incluindo pessoas em uma sala de cinema lotada. A campanha de bombardeio da CIA pode ter sido apenas um teste da capacidade operacional da rede de ativos da CIA no terreno e não pretendia ser o lançamento do golpe em si. O golpe foi malsucedido, mas Ayad Allawi foi mais tarde nomeado primeiro-ministro do Iraque pelo Conselho Governante Iraquiano, criado pela coalizão liderada pelos Estados Unidos após a invasão e ocupação do Iraque em março de 2003. Como uma medida não secreta, os Estados Unidos em 1998 promulgaram a "Iraq Liberation Act", que afirma, em parte, que "deve ser a política dos Estados Unidos apoiar os esforços para remover o regime liderado por Saddam Hussein do poder no Iraque" e destinar fundos para a ajuda estadunidense "às organizações democráticas da oposição iraquiana".


1997: Indonésia

A administração Clinton viu uma oportunidade para derrubar o presidente indonésio Suharto, quando seu governo sobre a Indonésia tornou-se cada vez mais precário depois da crise financeira asiática de 1997. As autoridades estadunidenses tentaram exacerbar a crise monetária da Indonésia fazendo com que o Fundo Monetário Internacional se opusesse aos esforços de Suharto para estabelecer um comité monetário para estabilizar a rupia, provocando assim descontentamento. O diretor do FMI, Michel Camdessus, gabou-se: "criamos as condições que obrigaram o presidente Suharto a deixar o cargo". O ex-secretário de Estado dos Estados Unidos Lawrence Eagleburger comentou mais tarde: "Fomos bastante espertos ao apoiarmos o FMI quando este derrubou [Suharto]. Se isso foi uma maneira sábia de proceder é outra questão. Eu não estou dizendo que o Sr. Suharto deveria ter ficado, mas eu meio que gostaria que ele tivesse saído em termos diferentes daqueles pelo qual o FMI o expulsou". Centenas morreriam na crise que se seguiu.


Década de 2000

2000: Iugoslávia

Do período de 1998 a 2000, pouco mais de 100.000.000 dólares foram canalizados do Departamento de Estado dos EUA através de Quangos para os partidos da oposição, a fim de provocar uma mudança de regime na Iugoslávia. Na sequência de questões relativas aos resultados das eleições jugoslavas de 2000, o Departamento de Estado dos EUA apoiou fortemente grupos da oposição como a Otpor! através do fornecimento de material promocional e também de serviços de consultoria via Quangos. O envolvimento dos Estados Unidos serviu para acelerar e organizar a dissidência através da exposição, recursos, encorajamento moral e material, ajuda tecnológica e aconselhamento profissional. Esta campanha foi um dos fatores que contribuiu para a derrota do presidente incumbente nas eleições gerais jugoslavas de 2000 e na subsequente Revolução Bulldozer que derrubou Milošević a 5 de outubro de 2000, depois de ele se recusar a reconhecer os resultados das eleições. Contudo, a presidência de Milošević foi sucedida pela de Vojislav Koštunica, que denunciou a extradição do seu antecessor para o Tribunal de Haia, que considerou como um instrumento da política externa dos EUA, opôs-se ao envolvimento da OTAN em Kosovo, e "projetou uma atitude hostil para com os EUA".


2003–2011: Iraque

 Ver artigo principal: Guerra do Iraque

Em 1998, como medida não encoberta, os EUA promulgaram a "Lei de Libertação do Iraque", que declara, em parte, que "deveria ser política dos Estados Unidos apoiar os esforços para retirar o regime liderado por Saddam Hussein no Iraque do poder", e apropriou fundos para a ajuda dos EUA "às organizações da oposição democrática iraquiana". Depois de Bush ter sido eleito, começou a ser mais agressivo em relação ao Iraque. Depois dos ataques de 11 de setembro, a administração Bush começou a dizer que Saddam Hussein estava ligado e apoiava a Al-Qaeda e que possuía armas de destruição maciça, apesar de não haver provas de nenhuma delas. O Iraque era também um dos três países que Bush invocou no seu discurso do "Eixo do mal". Em 2002, o Congresso aprovou a "Resolução Iraquiana" que autorizava o presidente a "utilizar todos os meios necessários" contra o Iraque. A Guerra do Iraque começou em março de 2003, quando a coligação militar liderada pelos Estados Unidos invadiu o país e derrubou o governo iraquiano. Os EUA capturaram e ajudaram a processar Hussein, que mais tarde foi enforcado. Os Estados Unidos e o novo governo iraquiano também combateram uma insurreição após a invasão. Em 2011, os EUA retiraram os seus soldados do conflito, embora os tenham regressado militarmente em 2014 para ajudar a deter a ascensão do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL).