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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

ANACRONISMOS NA BÍBLIA



Anacronismos na Bíblia são inserções de eventos, objetos ou ideias que não existiam na época em que as histórias se passam, como o uso do termo "Faraó" em Gênesis ou a presença de camelos domesticados nas histórias patriarcais, que surgiram séculos depois, embora autores possam usar termos conhecidos para seus leitores. Exemplos incluem a presença de filisteus antes de sua migração e a interpretação de conceitos modernos (como "sangue de Jesus" como purificador biológico) em contextos antigos, o que exige cuidado na leitura para não impor valores atuais a contextos passados. 
Alguns críticos apontam anacronismos como indícios de que a Bíblia não é historicamente confiável e foi escrita muito tempo depois. 
Desenterrando a Bíblia e analisando o Livro de Gênesis e sua relação com as evidências arqueológicas para determinar o contexto no qual se estabeleceu sua narrativa. Diversos descobrimentos arqueológicos sobre a sociedade e a cultura no Oriente Próximo revelam para os autores uma série de anacronismos, os quais sugeririam que as narrativas foram escritas nos séculos, VII e V antes de Cristo.
Alguns críticos apontam anacronismos como indícios de que a Bíblia não é historicamente confiável e foi escrita muito tempo depois.

Exemplos comuns de Anacronismos:
◙ Editores posteriores inseriram termos modernos ou atualizações geográficas (como mudar "Laís" para "Dã") para maior clareza, como visto em Juízes 18:29.
◙ Faraó: O título "Faraó" não era usado para o Egito na época de Abraão, mas os autores bíblicos usaram a palavra disponível em sua língua para "governante do Egito".
◙ Camelos: Histórias patriarcais mencionam camelos domesticados, mas a domesticação e uso generalizado desses animais na região só ocorreu séculos mais tarde, conforme achados arqueológicos.
◙ Filisteus: A presença de filisteus nas narrativas patriarcais (como em Abraão) é considerada anacrônica, pois eles só apareceram na região após a invasão dos "Povos do Mar" (cerca de 1100 a.C.).
◙ Jericó: Evidências arqueológicas sugerem que a cidade de Jericó já estava abandonada ou em ruínas quando a conquista bíblica (segundo o cronograma bíblico) teria ocorrido. 
◙ O sistema organizado de sinagogas desenvolveu-se após o exílio babilônico e a destruição do Templo, embora apareça anteriormente em alguns textos.
◙ Ur dos Caldeus": Os caldeus não controlaram Ur até cerca de 1000 a.C., muito depois da época de Abraão.
◙ São mencionados com frequência os arameus, mas não existe nenhum texto deles até 1100 a. C. e só começaram a dominar as fronteiras setentrionais de Israel depois do século IX. Jacó interagindo com arameus antes de 900 a.C. é outro anacronismo, pois os arameus só se tornaram proeminentes localmente mais tarde.
◙ O texto descreve a origem do reino de Edom, mas registros assírios mostram que Edom só apareceu como Estado depois de que a zona foi conquistada pela Assíria. Antes dessa época, não tinha reis nem um Estado propriamente dito e a evidência arqueológica mostra que o território estava escassamente povoado.
◙ A história de José se refere a comerciantes que andavam em camelos e que levavam «goma arábica, bálsamo e mirra», um evento pouco provável para o primeiro milênio, mas muito comum nos séculos VIII a VII a. C., quando a hegemonia assíria possibilitou que este comércio florescesse.
◙ A Terra de Gósen tem um nome que provém de um grupo árabe que só chegou a dominar o Delta do Nilo nos séculos VI e V a.C.
◙ O Faraó egípcio está descrito como temeroso da invasão do leste, quando o território do Egito se havia estendido às partes do norte de Canaã, sendo o norte sua ameaça principal por conseguinte, até o século VII a. C.
◙ O livro comenta que isto concorda com a hipótese documental, na qual a crítica textual argumenta que a maioria dos primeiros cinco livros bíblicos foram escritos entre os séculos VIII e VI a. C. Ainda que os resultados arqueológicos e os registros assírios sugiram que o Reino de Israel era o maior dos dois, é o Reino de Judá ao que se outorga maior preeminência no livro de Gênesis, cujas narrativas se concentram em Abraão, Jerusalém, Judá (o Patriarca) e Hebrom, mais que nos personagens e lugares do Reino do Norte (Israel); A Bíblia desenterrada explica esta preeminência da tradição javista como uma tentativa de aproveitar-se da oportunidade brindada pela destruição de Israel em 720 a. C., para descrever aos israelitas como um só povo, com Judá havendo tido (sempre) a primazia.

Outros Anacronismos
Origens da agricultura e da música
Algumas gerações depois de Adão, lemos sobre a família de Lameque:
Em Gênesis 4:18-24, lemos: "Lameque tomou para si duas mulheres; o nome da primeira era Ada, e o da segunda, Zilá. Ada deu à luz Jabal; ele foi o primeiro dos que habitavam em tendas e cuidavam de rebanhos. O nome de seu irmão era Jubal; ele foi o primeiro de todos os que tocavam harpa e flauta. Zilá também deu à luz Tubal-Caim, que fundia metal e moldava todo tipo de ferramentas de bronze e ferro. A irmã de Tubal-Caim era Naamá."
♦ Isso é um completo absurdo. Flautas antigas feitas de osso de ave e marfim de mamute foram encontradas em uma caverna no sul da Alemanha e datadas de mais de 40.000 anos atrás. Existem várias outras descobertas semelhantes, quase tão antigas, e a incerteza na datação é de apenas alguns milhares de anos. Como Jubal era o tetraneto de Adão (Gênesis 4:17-21), e Adão viveu 75 gerações antes de Jesus, segundo Lucas 3, Jubal não poderia ter vivido há 40.000 anos. Mais provavelmente entre 6.000 e 8.000 anos atrás, considerando uma variação de até 80 anos por geração.
♦ Há também boas evidências arqueológicas de assentamentos e animais domesticados que remontam a cerca de 9000 a.C. e de metalurgia que remonta a cerca de 9500 a.C. Essas datas são muito antigas para que Jabal e Tubal-Caim sejam plausivelmente os verdadeiros criadores do acampamento, da agricultura e da metalurgia.

Os anacronismos são compreensíveis se o Gênesis for uma narrativa escrita por volta de 600 a.C., descrevendo a história mítica de Israel, mas não pode ser levado a sério como história narrativa.

O Êxodo do Egito 
Uma dificuldade séria para o registro bíblico é a falta de evidências arqueológicas que sustentem a existência de uma classe de escravos israelitas no Egito no segundo milênio a.C., ou mesmo em qualquer outra época.
Existem alguns relevos bem conhecidos de cerca de 1450 a.C. representando escravos com aparência semita, embora estes sejam identificados nas inscrições anexas como prisioneiros de guerra das campanhas do faraó no sul (Núbia) e no norte (Síria-Canaã), em vez de serem de famílias israelitas que viveram no Egito durante séculos.
O problema é que o nome Israel nunca é usado antes do final do século XIII a.C. Existem muitos documentos e inscrições onde ele poderia ter sido usado há inscrições dos Hicsos, inscrições egípcias e o extenso arquivo cuneiforme do século XIV de Tel el-Amarna, contendo cerca de 400 cartas que descrevem Canaã na época. Mas nada sobre Israel. Isso levou a maioria dos historiadores antigos a concluir que Israel não existia naquele período e só emergiu gradualmente como um grupo distinto durante o século XIII a.C.
Os lugares no Egito e na rota percorrida pelos israelitas refletem a geografia do primeiro milênio a.C. (quando o texto foi escrito), e não do segundo milênio a.C. (quando os eventos supostamente ocorreram). Vários lugares mencionados na rota do Êxodo foram identificados como desocupados na época da suposta peregrinação pelo deserto. Por exemplo, a ocupação mais antiga de Eziom-Geber data do século VIII a.C., mais de 500 anos depois da época em que o Êxodo teria ocorrido. Da mesma forma, os nomes Gósen, Pitom, Sucote, Ramessés e Cades-Barneia apontam para a geografia do primeiro milênio, e não do segundo.

A Conquista de Canaã
Uma omissão ainda mais grave no registro arqueológico é a ausência de evidências da invasão cananeia. A destruição de cidades e a substituição de uma cultura por outra são justamente os campos de estudo mais importantes da arqueologia. Mas, por mais flexíveis que sejamos com as datações, simplesmente não há evidências de uma invasão e conquista de Canaã. Em vez disso, as evidências arqueológicas mostram uma transição gradual de uma sociedade agrícola para cidades-reinos.
Historiadores cristãos conservadores, especialmente James Hoffmeier e Kenneth Kitchen, tentaram bravamente reunir as evidências para apoiar o relato bíblico do Êxodo, e por muito tempo encontrei conforto em seus livros. No entanto, eventualmente, o peso das evidências contra o relato do Êxodo me alertou sobre este assunto.
A explicação alternativa se encaixa muito melhor nas evidências disponíveis: a história inicial de Israel, descrita de Gênesis a Deuteronômio, reflete a geografia e a cultura de uma época muito posterior e foi construída para fornecer um mito fundador para Israel. É uma "história" contada de forma desajeitada para reforçar as reivindicações e exigências dos últimos reis de Judá. Isso explicaria o número incrivelmente grande de pessoas vagando pelo deserto, os nomes de lugares anacrônicos mencionados no relato do Êxodo, a falta de evidências arqueológicas de uma invasão israelita e a ausência de menção a Israel antes do final do século XIII a.C.
A história do Egito pode ainda conter algumas memórias culturais, mas estas foram embelezadas e exageradas a tal ponto que já não é possível recuperar quaisquer detalhes históricos essenciais que possam ter existido.

Babilônia
Não existiu Império Babilônico, mas existiu a cidade de Babel, as ruínas dos zigurates, templos e palácios mencionados no livro de Daniel. A grande Rua das Procissões, o Portão de Ishtar, os jardins suspensos da Babilônia. E leria as palavras de Nabucodonosor, conforme relatadas por Daniel:
“Não é esta a grande Babilônia que eu construí para residência real com a minha grande força e para a minha majestosa honra?” (Daniel 4:30)
No entanto, não mencionarei os problemas — que Dario, o Medo, não conquistou a Babilônia, mas sim Ciro, o Persa (Daniel 5:31; 6:28); que não há evidências arqueológicas ou históricas de um período de doença mental de Nabucodonosor (Daniel 4); que Belsazar nunca foi rei e não era parente de Nabucodonosor (Daniel 5:1-2). Esses detalhes complicariam a mensagem.

Problemas do Novo Testamento
Embora as partes posteriores do Antigo Testamento, e grande parte do Novo Testamento, sejam mais bem fundamentadas arqueologicamente, ainda existem algumas dificuldades.

O Evangelho de Lucas diz:
Naqueles dias, César Augusto decretou o recenseamento de todo o império para fins de impostos. Este foi o primeiro recenseamento, realizado quando Quirino era governador da Síria. (Lucas 2:1-2)
Sabe-se que Quirino foi governador da Síria em 6 d.C., muito tarde para o nascimento de Jesus. Várias explicações foram sugeridas: que Quirino era um administrador do censo, mas depois se tornou governador; ou que algum outro governador iniciou o censo, mas a compilação final dos dados só foi concluída durante o governo de Quirino; ou que Quirino serviu como governador em duas ocasiões distintas; e assim por diante. Mas nenhuma dessas hipóteses parece provável.
Outro problema com este censo é que não há evidências de que os governantes romanos exigissem que as pessoas se registrassem na cidade de suas terras ancestrais. Exigir uma migração tão massiva de pessoas para fins de contagem populacional parece extremamente improvável e é desconhecido em qualquer outro censo romano do qual tenhamos registros.

O Massacre de Bebês
O massacre de bebês em Belém também é desconhecido nos registros históricos fora da Bíblia. Isso é particularmente surpreendente, visto que temos um relato histórico da época escrito por Flávio Josefo, que, aliás, se esforçou bastante para registrar em detalhes os excessos de Herodes, o Grande, e vários outros massacres ocorridos na mesma época.
Cada problema isoladamente provavelmente pode ser explicado. Mas o acúmulo de anomalias no relato bíblico o torna cada vez mais suspeito.

Monoteísmo em toda a Bíblia
Como se observa na interpretação universalista da Bíblia, os compromissos teológicos muitas vezes levam a leituras anacrônicas das Escrituras. Os cristãos são monoteístas, mesmo que monoteístas trinitários. O problema é que o verdadeiro monoteísmo é raro na Bíblia. Quando surgiu sob influência persa por volta de 400 a.C., com Isaías 40-55, não perdurou por muito tempo.
A Bíblia é predominantemente henoteísta ( Êxodo 20:2-3 e 1 Coríntios 8:5 ). 
Monoteísmo significa "UM SÓ DEUS". Henoteísmo significa ser leal a um Deus que vive em meio a uma grande variedade de deuses. Henoteísmo significa que cada grupo étnico, ou mesmo cada subgrupo, presta lealdade ao seu próprio Deus supremo, sem negar que outros deuses existam como protetores celestiais de outros povos ( Juízes 11:24 ).
Os estudiosos Bruce Malina e Richard Rohrbaugh explicam que, nas Escrituras Hebraicas, a estrutura social da monarquia israelita servia como imagem teológica de Deus. Como essa monarquia se restringia a um único grupo étnico ou povo, a Bíblia apresenta o henoteísmo em vez do monoteísmo. Sendo assim, uma vez que se tratava de uma monarquia confinada a um único grupo étnico, a visão bíblica de Deus é predominantemente henoteísta, e não monoteísta. Uma vez que o homem que reinava em Israel era apenas um rei entre muitos reis, o Deus de Israel era visto como um Deus entre muitos deuses, mesmo sendo o supremo.

Igreja e Estado 
É quase infalível. Sempre que um cristão fundamentalista ocidental do século XXI fala sobre a história de Jesus sendo posto à prova quanto ao pagamento de impostos a César "Marcos 12:13-17 - Mateus 22:15-22 - Lucas 20:20-26", ela é distorcida e transformada em uma prescrição bíblica sobre como Igreja e Estado devem se relacionar. Para os ocidentais do século XXI, a religião, assim como os laços familiares, a política e a economia, é uma instituição social fundamental. Hoje, as pessoas discutem sobre a separação entre religião e política, um fenômeno que surgiu no século XVIII. Isso se infiltra na Bíblia por meio de anacronismos.
O camponês Jesus do Mediterrâneo do primeiro século desconhecia nossas perspectivas do século XXI. Igreja e Estado, e sua separação, seriam completamente estranhos para ele. A religião do Mediterrâneo antigo não possuía uma existência institucional separada no sentido moderno. A religião antiga era um sistema abrangente de significados que unificava os sistemas políticos e de parentesco em uma visão completa.
Para Jesus e todos os seus contemporâneos, a religião não era concebida como um sistema fechado, dotado de uma teoria prática específica e uma estrutura organizacional distinta. Em vez disso, a religião do primeiro século estava inserida e inextricavelmente ligada aos sistemas de parentesco (por exemplo, ancestralidade) e de pólis (por exemplo, templo, messias, teocracia). A religião antiga era, portanto, política (Templo; Império) ou doméstica (Lar).
Então, como Jesus poderia estar falando sobre manter Igreja e Estado separados ao questionar o pagamento de impostos ao Imperador? Tal distinção e prescrição futuras não fariam sentido para ele! Portanto, nossa familiaridade com essa história deve ser espúria e anacrônica!

Universalismo Bíblico 
Pergunte a qualquer cristão sobre Jesus e Paulo e provavelmente ouvirá que suas preocupações eram universais, ou seja, para toda a humanidade. Para nós, cristãos do século XXI, Jesus, Paulo e os Doze eram universalistas com preocupações globais. Esses homens buscavam evangelizar o mundo inteiro e converter todos ao cristianismo.
A Bíblia, e até mesmo os Evangelhos, pintam um quadro muito diferente. O Novo Testamento foi escrito por, para e sobre israelitas. O interesse e o foco do Jesus pré-pascal eram a renovação do Israel do primeiro século na teocracia israelita. Como os estudiosos do contexto explicaram, declarações como o preceito de Mateus 28:19, “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações…”, são de alto contexto. Os discípulos estão sendo ordenados a ir aos israelitas que vivem entre todos os povos, não aos não israelitas! Antes disso, na narrativa de Mateus, a missão se limitava apenas às terras dos israelitas bárbaros (Mateus 10:5).

Declarações da Ciência Bíblica
Livrarias cristãs estão repletas de livros sobre nutrição bíblica e vida saudável, assuntos que pertencem ao nosso mundo contemporâneo, dominado pela ciência. Essas livrarias também oferecem livros que afirmam que a Bíblia fornece a ciência correta no que diz respeito à idade da Terra e aos detalhes da origem humana. Muitos desses livros alegam que a Bíblia é um "texto cientificamente preciso".
Somos filhos de uma história imensamente complexa. No Ocidente do século XVIII, o foco se voltou para a natureza (ou seja, a homogeneidade) e a regularidade. Começamos a testar o mundo empírico ao nosso redor com a expectativa de obter resultados consistentes e quantificáveis. Essa foi a época da busca pela episteme, onde a razão pura se tornou a autoridade dos "Iluministas". A generalidade e a uniformidade da experiência humana foram enfatizadas nesses tempos pós Iluminismo. Sofremos com uma enorme ressaca dessa época.
A nossa cultura é a única que não consegue distinguir a verdade dos fatos. Embora todos os fatos sejam verdadeiros, nem todas as verdades são verdades factuais. A nossa é uma cultura que defende que as únicas verdades são aquelas comprovadas pela ciência. Influenciados por essas normas culturais, os fundamentalistas sentem a necessidade de provar a Bíblia com uma precisão científica rigorosa. Em vez de ser inerrante do ponto de vista da salvação, a Bíblia deve ser inerrante do ponto de vista cognitivo!
Não pensem que o fundamentalismo está excluído dos círculos católicos e evangélicos, que apenas “outros cristãos” podem ser fundamentalistas. O fundamentalismo católico/evangélico é muito real. Já ouvi pastores e padres discursando sobre como temos “provas científicas” de que realmente existiram os Três Reis Magos. Ou pregando sobre como os “milagres eucarísticos e da santa ceia” apresentam “provas científicas” sobre o ensinamento da Igreja acerca da Presença Real e do Sacerdócio. E não consigo contar quantas palestras já ouvi de católicos afirmando que o Sudário de Turim prova cientificamente a Ressurreição de Jesus. O sem pelagianismo não deveria ter desaparecido com o Segundo Concílio de Orange 529? Então!

Leis físicas que governam o universo nas Escrituras
Será que alguém pode realmente saber o que a Bíblia significa antes de entender o que ela significava (ou seja, o que significava para seus autores originais)? "De jeito nenhum!" deveria ser a resposta óbvia, e a Autoridade Pastoral da Igreja concorda ao explicar que o Sentido Literal das Escrituras vem em primeiro lugar.
Os leitores ocidentais da Bíblia enfrentam um grande problema ao ler os Evangelhos, pois os abordam com uma bagagem conceitual completamente alheia ao mundo antigo. Por exemplo, acreditamos em “leis da natureza” ou “leis físicas que governam o universo”. Portanto, quando observamos Jesus realizando feitos extraordinários e sobre-humanos nas histórias dos Evangelhos, sejam eles factuais ou ficcionais, declaramos esses atos como “milagres”. E definimos “milagre” como “uma violação das leis da natureza”.
Nossos ancestrais bíblicos na fé não viam a realidade como nós a vemos. Eles não reconheciam nada como "leis físicas que governam o universo". Portanto, não há nenhuma palavra na Bíblia que possa ser traduzida adequadamente como milagre. Assim como não se pode ter o conceito de "triângulo" sem antes conceber logicamente o de "ângulo", não se pode conceber "violar as leis da natureza" sem antes ter o conceito de "leis da natureza".
É por isso que a Bíblia Hebraica e o Novo Testamento Grego falam de maravilhas e prodígios, nunca de milagres. Lendo os Evangelhos com respeito, vemos que Jesus realizou “feitos poderosos” (dynameis) e, no Quarto Evangelho, “sinais” (semeia) e “obras” (ta erga). Mas nenhum texto do Novo Testamento afirma que ele infringiu quaisquer “leis físicas que governam o universo”.
John Pilch sabiamente disse: "Milagre é uma palavra interessante para o período pós Iluminismo". Assim como acontece com "sobrenatural", toda vez que alguém atribui um "milagre" ao mundo e aos personagens da Bíblia, está cometendo um anacronismo. Não há milagres na Bíblia. Tais violações das leis físicas que governam o universo eram desconhecidas no Mediterrâneo antigo.

O que devemos esperar da História e da Arqueologia?
Alguns apologistas bíblicos fazem questão de salientar que não se deve esperar que a Bíblia siga os padrões modernos da narrativa histórica. Concordo. Mas isso não dá aos autores bíblicos licença para inventar coisas como a origem dos instrumentos musicais ou o uso de camelos. Poderia justificar o uso de nomes de lugares posteriores na jornada do Êxodo, mas a maioria dos outros elementos mencionados neste capítulo não são simplesmente relatos imprecisos segundo os padrões modernos. Em vez disso, parecem fazer parte de uma história imaginada, criada por razões ideológicas.
Além disso, se permitirmos exageros e uma grande dose de imaginação histórica, a narrativa perde toda a sua força. Se não podemos acreditar que instrumentos musicais foram tocados pela primeira vez oito gerações depois de Adão (Gênesis 4:21), por que deveríamos acreditar nas maldições descritas no capítulo anterior? Se não podemos acreditar que Abraão veio de Ur dos Caldeus, por que deveríamos acreditar nas promessas que Deus fez a Abraão? As mensagens do evangelho do Novo Testamento dependem da confiabilidade e precisão dessas maldições e promessas, e uma vez que a historicidade do texto bíblico não pode ser presumida, a mensagem do evangelho também não pode ser crida.
É crucial não aplicar os valores, conceitos ou conhecimentos atuais a contextos históricos antigos para uma leitura mais precisa. E entender que a Bíblia foi escrita por humanos em contextos específicos, e que interpretações modernas podem ser anacrônicas (como ligar o "sangue de Jesus" a uma função biológica moderna, em vez de seu significado sacrificial). 

Anacronismos dificultam a compreensão das Escrituras
O anacronismo é uma praga generalizada que impede milhões de cristãos ocidentais de compreenderem a Bíblia ou Jesus. 
Anacronismo e leitura da Bíblia formam um casal infeliz, cujo filho é a ignorância.
Ao refletirmos sobre essas questões, chegamos à triste realidade da grande maioria dos estudos bíblicos católicos e evangélicos oferecidos em lares, paróquias, centros católicos, círculos de orações, consagrações, vigílias, catequeses, escolas dominicais e redes sociais & afins.
O anacronismo torna o estudo das Escrituras impossível.
Existem cinco grandes obstáculos, abusos que impedem o estudo das Escrituras, por mais que afirmemos o contrário. Esses cinco problemas são generalizados nos círculos católicos. São difíceis de perceber, muito menos de erradicar. São eles: anacronismo, etnocentrismo, fundamentalismo, ignorância genuína e estupidez sincera.



FARSA DAS MURALHAS DE JERICÓ

 


O relato bíblico alega que os Hebreus derrubaram a muralha de Jericó com sete sacerdotes tocando trombetas (chifres de carneiros) e levando também a Arca da Aliança, com sigo: 

"E sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifres de carneiros adiante da arca, e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. Josué 6:4"

"Então Josué, filho de Num, chamou os sacerdotes e disse-lhes: Levai a arca da aliança; e sete sacerdotes levem sete trombetas de chifres de carneiros, adiante da arca do Senhor. Josué 6:6"


E o povo iria, ajudando na sonoridade, gritando, para o barulho, abalar as estruturas do muro:

"E será que, tocando-se prolongadamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido da trombeta, todo o povo gritará com grande brado; e o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá por ele, cada um em frente. Josué 6:5"


Os guerreiros iam adiante, fazendo o pelotão de infantaria avançada:

"Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Josué 6:3"

"E disse ao povo: Passai e rodeai a cidade; e quem estiver armado, passe adiante da arca do Senhor. Josué 6:7"


Todo o povo, deveria fazer isso por seis dias consecutivos:

⁸ E assim foi que, como Josué dissera ao povo, os sete sacerdotes, levando as sete trombetas de chifres de carneiros diante do Senhor, passaram e tocaram as trombetas; e a arca da aliança do Senhor os seguia.

⁹ E os homens armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as trombetas; e a retaguarda seguia após a arca; andando e tocando as trombetas iam os sacerdotes.

¹⁰ Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis.

¹¹ E fez a arca do Senhor rodear a cidade, contornando-a uma vez; e entraram no arraial, e passaram a noite no arraial.  Josué 6:8-11


E enfim, cai a grande Jericó, com sua colossal muralha:

"E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade. Josué 6:16"

"Gritou, pois, o povo, tocando os sacerdotes as trombetas; e sucedeu que, ouvindo o povo o sonido da trombeta, gritou o povo com grande brado; e o muro caiu abaixo, e o povo subiu à cidade, cada um em frente de si, e tomaram a cidade. Josué 6:20"


Dados da Extraordinários Muralha

As muralhas de Jericó tinham cerca de 4 a 6 quilômetros de comprimento e uma altura de 9 a 12 metros, com  3,50 metros de espessura, isso é baseado em muralhas da época. 

As muralhas de Jericó eram um complexo sistema de fortificação, consistindo em um muro de contenção de pedra na base e, sobre ele, um muro de tijolos de barro, formando uma estrutura forte, com uma segunda muralha ainda mais alta protegendo a cidade interna, construída ao longo de milênios com pedra e tijolos, sendo um exemplo da engenharia defensiva antiga. 


Tamanho da População dos Hebreus

De acordo com a narrativa bíblica, o tamanho total da população de hebreus que participou da conquista de Jericó não é especificado, mas o livro de Josué menciona que cerca de 40.000 homens armados estavam prontos para a batalha e cruzaram o Rio Jordão em direção às planícies de Jericó. 

A Bíblia relata que a população total de israelitas, incluindo homens em idade de lutar, mulheres e crianças, era de aproximadamente 600.000 homens, o que pode chegar a um total de 2 a 3 milhões de pessoas, embora esse número seja objeto de debate entre historiadores e arqueólogos. No entanto, nem todos participaram diretamente do cerco de Jericó, que envolveu uma estratégia específica liderada por Josué, com a arca da aliança e sacerdotes à frente. 


Agora, vamos pensar um pouco...

Como sete sacerdotes, tocando sete berrantes cada um, e um amontoado de gente gritando, pode derrubar um muro como este?

Resposta: Pelo poder de Deus. O problema da religião é simplificar tudo, utilizando a frase "poder de Deus" ou "vontade de Deus"

Segundo a teologia cristã, o foco principal da história bíblica não é o número de pessoas, mas sim a intervenção divina que causou a queda das muralhas após o povo marchar ao redor da cidade por sete dias. 


Arqueologia

Desde o século XIX, Tell es-Sultan tem sido identificado como o local da antiga Jericó. Os estudiosos chegaram a essa conclusão com base em sua localização no Vale do Jordão e na presença de uma nascente natural, que a Bíblia afirmava estar próxima da cidade. 

A primeira equipe a escavar as ruínas da cidade foi liderada por Charles Warren, em 1868. Mas, após nada encontrarem além de terra e tijolos de barro, os pesquisadores desistiram. Quarenta anos mais tarde, novas escavações foram feitas em Jericó. 

Os arqueólogos alemães, guiados por Ernst Sellin e Carl Watzinger, desenterraram parte do muro e de casas da cidade entre os anos de 1907 e 1909. Nada acharam que pudessem considerar como resultado do ataque de Josué. 

Entre 1930 e 1936, John Garstang, da Universidade de Liverpool, após algumas semanas de escavações, surpreendeu o mundo. Ele encontrou tijolos de barro e os restos de uma muralha antiga que teriam sido destruídos por um terremoto que ajudou na conquista do local por Josué. Segundo ele, esses achados estavam relacionados com a conquista de Josué, o que provaria a historicidade da narrativa. Alan Millard destaca que Garstang teria encontrado dois muros, paralelos, com um espaço de 4,5 metros entre eles. A ideia era de que um dia houve construções assentadas sobre o topo desses muros, e um violento incêndio arrasou a cidade. Segundo Garstang, isso aconteceu por volta de 1400 AEC.

Alguns anos depois, Garstang solicitou à arqueóloga britânica Kathleen Kenyon que verificasse novamente os resultados de suas pesquisas. Em 1952, Kenyon iniciou sua jornada de escavações, que duraram até 1958.  Ela chegou a conclusões diferentes das de Garstang, que tinha datado seu achado por volta de 1400 AEC, enquanto Kenyon os datou por volta de 1550 AEC. Ela atribuiu a destruição de 1550 AEC à atividade egípcia, associada à expulsão dos hicsos e aos primórdios da hegemonia do Egito na região. Evento que confirma sua tese, pois a expulsão dos hicsos do Egito ocorreu por volta de 1550 a.C., marcando o fim do Segundo Período Intermediário e o início do Império Novo. 

Uma descoberta que foi posteriormente confirmada pela datação por radiocarbono realizada na década de 1990. Os israelitas, por outro lado, supostamente conquistaram a cidade centenas de anos depois. Mas a data da destruição de Jericó não foi a única coisa que as escavações de Kenyon confirmaram. Ela descobriu que um grande incêndio consumiu a cidade na época de sua destruição, em 1550 a.C., mas o que o causou? 

Após sua destruição, essa cidade foi desocupada por vários séculos e então reocupada brevemente durante a Idade do Bronze Final. A arqueóloga baseou-se, em grande medida, no fato de não haver encontrado cerâmica cipriota no local, o que justificaria sua datação.  As paredes da cidade foram datadas por ela como sendo pelo menos mil anos mais antigas do que a época de Josué. Kenyon confiou fortemente na ausência de cerâmica cipriota para sua datação, porém Garstang encontrou fragmentos desse tipo.  As análises mais recentes de ativações de nêutrons mostraram que esse tipo de cerâmica era de produção local e não importado. Essa evidência ainda sugere que os oleiros em Jericó ou em torno conheciam esse tipo de cerâmica.

A questão envolvendo a extensão da conquista é complicada, pois, ao mesmo tempo que o texto de Josué diz que a “terra toda” fora conquistada, também diz que os israelitas não puderam conquistar toda a terra (Js 11:23; 13). As narrativas do livro de Juízes apresentam inúmeros conflitos entre os israelitas e seus vizinhos na terra. Em Juízes 11:26 encontramos um diálogo de Jefté com o rei de Amom no qual o leitor é informado de que os israelitas já estavam há 300 anos na terra; Jefté tem sido datado em 1100 AEC. Se assim for, os israelitas chegaram na terra em torno de 1400 AEC, data aproximada para a conquista de Jericó, e durante todo esse período houve conflito com os demais moradores da terra.  Assim, a conquista da terra não deve ser vista como momentânea e completa, antes, foi uma conquista gradual que levou centenas de anos.


Dominação Egípcia

Egito controlava Canaã durante a Idade do Bronze Final (1550-1200 AEC) e tinha guarnições lá, não há menção de atividade israelita na esfera de influência do Egito, e por que não há referência no livro de Josué para a presença das forças egípcias. 

Os egípcios começam sua saga de conquistas com Amósis, por volta de 1540 AEC, quando este expulsa os hicsos das terras egípcias.  Pouco mais tarde, sob a liderança de Tutmósis III, aproximadamente 1490-1436 AEC, o Egito atinge o ápice de seu poder. Durante esse tempo, o seu império estendeu-se para o Norte até uma linha que ia aproximadamente do Eufrates até o afluente do Oriente, e para o Sul até a Quarta Catarata do Nilo, na Núbia.

Após esse período de conquistas militares, o controle egípcio sobre a região era indireto; os pequenos reis pagavam tributos ao faraó, e, ao que tudo indica, esses tributos eram pesados ao ponto de eles não poderem fortificar suas cidades. As cartas de Tell El-Amarna nos informam de que apenas três centros siro-palestinos eram sede dos governantes egípcios: Gaza, na costa meridional; Kumidi, na Beq’a libanesa; e Sumura, na costa setentrional. Ainda devemos observar que não mais do que 700 pessoas estavam responsáveis pela gestão desse “império”.

Assim, o Egito começa suas conquistas de forma avassaladora, mas isso não continua mais tarde.  Em outras palavras, durante o período em que os israelitas buscam conquistar alguns territórios, o Egito não tinha uma presença forte em todos os locais. As cartas de Tell El-Amarna exibem queixas de reis que estariam sendo alvo de um grupo chamado ‘apiru. Há amplo debate sobre a identidade desse grupo: alguns eruditos veem uma relação semântica   com   a   palavra hebreus, enquanto outros não. 

Um trecho de uma carta reflete bem essa realidade: Carta 286: (1-4) Fala ao rei, meu senhor; assim ʿAbdi-Ḫeba, teu servo: aos pés do meu senhor, o rei, sete vezes e sete vezes caí. (5-8) O que fiz ao rei, meu senhor? Eles estão me difamando; estou sendo caluniado perante o rei, meu senhor: “ʿAbdi-Ḫeba abandonou o rei, seu senhor.” (9-15) Olha, quanto a mim, nem meu pai nem minha mãe me colocaram neste lugar. O braço forte do rei me colocou na casa de meu pai. Eu (de todas as pessoas) cometo um crime contra o rei, ‹meu› senhor? (16-24) Enquanto (enquanto) o rei, meu senhor, direi ao comissário do rei, meu senhor: “Por que você ama os ʿapîrue e odeia a cidade [governantes]?”  Assim sou caluniado na presença do rei, meu senhor, porque estou dizendo: “Perdidas estão as terras do rei, meu senhor”, assim sou caluniado ao rei, meu senhor. [...] Os homens ʿapîru saquearam todas as terras do rei. Se existem tropas regulares neste ano, ainda haverá terras do rei, ‹meu› senhor. Mas se não há tropas regulares, as terras do rei, meu senhor, estão perdidas. (61-64) [Para o escriba do rei, meu senhor, assim ʿAbdi-Ḫeba, seu [servo]: “Apresente palavras eloquentes ao rei, meu senhor; [todas] as terras do rei, meu senhor, estão perdidas!” (SCHNIEDEWIND, 2015 et al., p. 1.108-1.110).

Parece realmente razoável que existam relações entre os hebreus e os ‘apiru, porém não se pode argumentar que todos os ‘apiru fossem hebreus.

Entrando no mérito da questão, os arqueólogos normalmente não escavam para provar nada da Bíblia, mas para encontrar a verdade sobre um sítio. Os arqueólogos que se deixam influenciar por convicções religiosas como Rodrigo Silva exemplo, normalmente partem de um princípio errado.

Na verdade, ninguém sabe bem quando os judeus chegaram (ou se chegaram) na Terra Prometida. Não há um registro histórico preciso que ateste esse evento. Normalmente a data mais comum entre os exegetas é aquela de 1.200 antes de Cristo, mas essa certeza não existe.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O DEUS DE ISRAEL TEM CHIFRES?

 


Este é o Deus original de Isra-El, o Deus semiótico Pai El com chifres de touro e tudo mais. Sua Bíblia afirma que Abraão não conhecia Yahweh, ele só conhecia El-Shaddai [ver Êxodo 6,2-4]. Então quem é El? ” A palavra ‘il é usada mais de 500 vezes nos textos de Ugarit. O uso mais óbvio da palavra é o nome do Deus patriarcal divino, que era o chefe do panteão. El tem um papel de pai (‘ab) do panteão e da humanidade. Ele está sentado diante do conselho divino (a família de El) como seu chefe [ver Salmo 82 & Deuteronômio 32,8]. Ele é retratado como sendo idoso e barbudo e é frequentemente chamado de “o sem idade” ou “pai dos anos”. Ele age como uma ajuda tanto para os Deuses menores quanto para a humanidade. Curiosamente, El também é visto como o criador em um texto hurriano-hittita descoberto na Anatólia. El senta-se no trono com sua consorte e esposa Athirat, ou a Asherah bíblica em hebraico, a “Progenitora dos Deuses”. Os atributos de El como um pai bondoso são expressos na frase “El bondoso, o Compassivo”. Outro epíteto importante associado a El é o de “Boi”, encontrado em quase todos os textos mitológicos ou épicos. ” – (Robinson, Jed. ” The God of the Patriarchs and the Ugaritic Texts: A Shared Religious and Cultural Identity”. Studia Antiqua 8, no. 1 (2010)). Veja a foto mencionando El como um homem velho, é uma tradução do Texto do ugarítico Ciclo de Baal. Ba’al era um filho de El no panteão cananeu. Baal, os “Baalim” e Asherah foram adorados pelos israelitas na Bíblia também no devido tempo [ver 2 Reis 17,16].

Texto da Doutora em Teologia, escritora, professora, linguista e teóloga, Angela Natel. Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Doutora em Teologia Exegese e interpretação da Bíblia) pela PUCPR. 

Link do Site: https://angelanatel.wordpress.com/2023/12/15/el-o-deus-de-israel/


El como "Touro El" (Shor El)

No panteão cananeu (especialmente nos textos de Ugarit), El era frequentemente chamado de Shor El (ou Thoru El), que significa literalmente "Touro El". Este título simbolizava sua força, supremacia como deus pai e poder gerador.

Em estatuetas e relevos da Idade do Bronze e do Ferro, El é comumente representado como um patriarca entronizado usando um tocado adornado com chifres de touro, que eram símbolos universais de autoridade divina e proteção no Antigo Oriente Próximo.

O culto ao "bezerro de ouro" (como o mencionado no Êxodo ou por Jeroboão I) é frequentemente interpretado por estudiosos como uma representação física de El (ou de sua fusão posterior com Yahweh), usando o touro como um pedestal ou símbolo de sua presença. 

Na Bíblia, Deus é comparado à força de um touro selvagem, especialmente em passagens que descrevem o poder e a libertação de Israel do Egito, como em Números 23:22 e 24:8, e na bênção de Moisés a José, onde seus filhos são vistos como chifres de touro selvagem, simbolizando sua força para lutar e subjugar inimigos, como em Deuteronômio 33:17. A imagem do touro selvagem (ou boi selvagem) representa uma força imponente, indomável e divina, usada para descrever tanto o poder de Deus quanto a força do povo de Israel. 


Referências Bíblicas ao "Touro Selvagem"

Números 23:22: Deus os tirou do Egito; ele tem a força de um boi selvagem (ou touro selvagem, dependendo da tradução).

Números 24:8: Deus o tirou do Egito; as suas forças são como as do boi selvagem; consumirá as nações, seus inimigos, e quebrará seus ossos, e com as suas setas os atravessará. 

Deuteronômio 33:17: Refere-se aos "chifres de um boi selvagem" como símbolos de majestade e poder para ferir nações.

Salmos 92:10: "Tu aumentaste o meu poder como o do boi selvagem". 


Essas metáforas refletem uma continuidade cultural onde o touro selvagem em hebraico, muitas vezes traduzido como auroque (boi selvagem ou primitivo ou unicórnio em versões antigas), representava a força indomável e a glória da divindade.

Teologias à parte, a questão é que, na época em que foi escrito o texto, é a questão da influência estrangeira na cultura hebraica desde os primórdios do nascimento da religião dos hebreus.

O estrangeirismo religioso revela que os hebreus, como todos os povos do planeta, fabricaram suas crenças, religião e teologia, a partir de povos que estavam ao seu redor e povos antigos, o que é muito comum na história antropológica de nosso planeta.

O problema é a forçação de barra que os religiosos fazem para manipular os textos, dizendo que Deus é uma entidade originária do povo hebreu, o que não é verdade,  cometendo desonestidade intelectual.


O DEUS HEBREU VEIO DO MONTE SEIR

 


O Deus Hebreu não é originário do Povo Hebraico, ele é uma divindade estrangeira.

O Monte Seir em Hebraico se diz, Har Sēʿīr, é o nome antigo e bíblico de uma região montanhosa que se estende entre o Mar Morto e o Golfo de Aqaba, na região noroeste de Edom e sudeste do Reino de Judá. Também pode ter marcado o limite histórico mais antigo do Egito Antigo em Canaã. Um lugar chamado "Seir, na terra de Shasu, que se acredita estar perto de Petra, na Jordânia, é mencionado no templo de Amenófis III em Soleb (cerca de 1380 a.C.). O equivalente nabateu é šrʾ, e o equivalente árabe moderno é considerado al-Sharat em árabe, Jibāl ash-Sharāh, literalmente. ' Montanhas de Sharāh ' na Jordânia.

A Bíblia Hebraica menciona duas áreas geográficas distintas chamadas Seir: uma 'terra de Seir' e 'Monte Seir' no Sul, limitados pelo Arabá a oeste; e outro 'Monte Seir' mais ao norte, na fronteira norte de Judá , mencionado no Livro de Josué Josué 15:10.


Versículos sobre Deus vindo de Seir

Juízes 5:4: "Quando tu, Senhor, saíste de Seir, quando marchaste desde a terra de Edom, a terra tremeu, os céus se derramaram, as nuvens despejaram água." (Indica a majestade e poder de Deus em movimento).


Deuteronômio 33:2: "Ele disse: 'O SENHOR veio do Sinai e lhes alvoreceu de Seir; resplandeceu desde o monte Parã. Ele veio das miríades de santos; à sua direita, havia para eles o fogo da lei.'" (Mostra a vinda e a luz de Deus de várias direções, incluindo Seir).


Ezequiel 35:3: "E dize-lhe: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu estou contra ti, ó monte Seir, e estenderei a minha mão contra ti, e te porei em assolação e espanto." (Deus declara julgamento contra Edom/Seir por sua inimizade).


Josué 24:4: Menciona que Deus deu a Esaú (descendente de Abraão, cujo povo habitou Seir) o Monte Seir para possuir, mostrando a ligação histórica da região com as promessas de Deus. 


Habacuque 3:3: "Deus vem de Temã, o Santo vem do monte Parã. A sua glória cobre os céus, e a terra se enche do seu louvor."

▬Embora não mencione explicitamente Seir, é um versículo semelhante que descreve a vinda de Deus de uma região próxima (Temã, que ficava em Edom/Seir) com grande glória. 


Esses versículos usam o Monte Seir (região de Edom) como um ponto geográfico de onde a presença ou a glória de Deus se manifestou ao Seu povo, em conjunto com o Sinai e Parã, simbolizando Sua majestade e poder. 

Segundo escritos do Antigo Testamento, o Deus hebreu veio da região de Seir, significando assim que ele não é oriundo do povo Hebreu, e sim, uma entidade estrangeira, que foi importado da região de Seir, sendo portanto, uma entidade estrangeira, adotada pelo povo Hebreu.


OS HICSOS

 


Hicsos do egípcio Hekau-khasut, "Soberanos de Terras Estrangeiras" foram um povo asiático, provavelmente de origem semita ou hurrita (nunca saberemos), que dominou o Baixo Egito (Delta do Nilo) durante o Segundo Período Intermediário (c. 1638-1530 a.C.), introduzindo avanços militares como cavalos, carruagens e o arco composto, antes de serem expulsos por faraós tebanos, evento que marcou o início do Novo Reino.  

Ao contrário do que antes se pensava, novos estudos indicam que os hicsos não invadiram a região oriental do Delta do Nilo durante a décima segunda dinastia do Egito, mas que tomaram poder como dinastia dominante em 1638 a.C. numa revolta após várias ondas de migrações anteriores.

São mostrados na arte local vestindo os mantos multicoloridos associados com os arqueiros e cavaleiros mercenários de Mitani (ha ibrw) de Canaã, Aram, Cadexe, Sidom e Tiro. Eram arqueiros cavaleiros vizinhos a Mitani, sua origem iraniana ou cítica é bem mais provável que a semítica. Acontece que os hicsos não eram um único grupo étnico, mas sim uma confederação ou um grupo misto de povos de origem asiática e semita provenientes do Oriente Próximo, principalmente do corredor Sírio-Palestino e desertos limítrofes.

Quando dominaram o Egito, a capital dos Hicsos era a cidade de Ávaris ou Avaris, localizada no sítio arqueológico de Tell el-Dab'a, no Delta do Nilo, no nordeste do Egito, identificada por escavações que revelaram sua importância como centro comercial e militar com traços culturais cananeus/levantinos, sendo posteriormente abandonada após sua expulsão pelos egípcios. Em 1885, os arqueólogos descobriram ruínas da capital hicsa, a cidade de Aváris, cerca de 120 quilômetros ao norte do Cairo.


Identificados por Maneto

O sacerdote, escriba e historiador greco-egípcio Maneto, do século III a. C., é quem relata os Hicsos em seus documentos, em sua obra, intitulada: Aegyptiaca ou "História do Egito". Ele é uma das principais fontes antigas para a história dos Hicsos. Seu relato, preservado em fragmentos por escritores posteriores como Flávio Josefo, retrata os hicsos como invasores brutais que conquistaram o Egito, embora as evidências arqueológicas modernas sugiram uma história mais complexa de migração gradual e mudanças internas de poder.

Maneto descreve os Hicsos como uma "raça obscura" do Oriente que invadiu inesperadamente e "facilmente conquistou" o Egito "sem desferir um único golpe". Ele afirma que eles "incendiaram nossas cidades impiedosamente, arrasaram os templos dos deuses e trataram todos os nativos com cruel hostilidade, massacrando alguns e escravizando as esposas e os filhos de outros".

Ele afirma que eles estabeleceram a Décima Quinta Dinastia, com sua capital em Avaris, no Delta do Nilo, e governaram por um longo período. Ele relata que, eventualmente, reis egípcios nativos de Tebas se revoltaram, levando a uma longa guerra. Os hicsos foram finalmente sitiados e autorizados a deixar o Egito por tratado, após o qual vagaram pela Síria e construíram a cidade de Jerusalém.


Flávio Josefo

O historiador Flávio Josefo, do século I d.C., utilizou e parafraseou a obra de Maneto, ligando explicitamente a expulsão dos Hicsos à história bíblica do Êxodo, uma conexão não feita explicitamente pelo próprio Maneto. Flávio Josefo fala extensivamente dos Hicsos, principalmente em sua obra apologética chamada Contra Apião ou Contra Apionem.

Nesta obra, Josefo discute a história judaica em resposta a escritores egípcios helenizados, como Manetão e Apião, que apresentavam os judeus de forma negativa. Josefo utiliza e cita os escritos do historiador egípcio Maneto para argumentar que os Hicsos eram, na verdade, os antigos hebreus. 


Apião de Alexandria

Apião de Alexandria, um gramático e historiador do século I d.C., é conhecido por seus relatos polêmicos e hostis sobre os judeus, que incluíam menções aos Hicsos. Suas obras originais foram perdidas, mas suas visões são conhecidas principalmente através da refutação feita por Flávio Josefo em sua obra Contra Apionem ("Contra Apião"). 


Não houve invasão, e sim, assimilação.

Os Hicsos não invadiram o Egito e tomaram de vez o poder, eles foram chegando aos poucos, e a conquista foi feita devagar. Quem comprova isso é a escritora Margaret Bunson, que em 1985 escreveu o livro The Encyclopedia of Ancient Egypt (A Enciclopédia do Antigo Egito).

É comprovado em seu livro que evidências arqueológicas da capital dos Hicsos em Tell el-Dab'a (antiga Avaris) sugerem que a ascensão dos Hicsos ao poder foi provavelmente um processo mais gradual, envolvendo ondas de imigrantes cananeus que se estabeleceram na região do Delta ao longo de muitos anos, conquistando eventualmente o controle político durante um período de instabilidade interna egípcia.

Pesquisas com análise de isótopos em dentes indicam que muitos habitantes de Avaris eram migrantes de diversas origens no Oriente Próximo, sugerindo que os Hicsos não foram uma invasão repentina, mas um processo mais gradual de assimilação e poder.

Os Hicsos adotaram muitos costumes egípcios, incluindo títulos reais e o culto aos deuses egípcios (assimilando seu próprio deus da tempestade, Baal, ao deus egípcio Seth), ao mesmo tempo que mantiveram suas próprias práticas arquitetônicas e culturais do Levante.

Os hicsos foram de fato expulsos pelos faraós tebanos Kamose e Ahmose I, o que marcou o fim do Segundo Período Intermediário e o início da era imperial do Novo Reino. Essa ação militar foi posteriormente celebrada nos registros egípcios como uma libertação, o que provavelmente contribuiu para a representação histórica negativa encontrada nos escritos de Maneto. 


Eram Hebreus?

Os Hebreus não eram Hicsos, nem faziam parte do povo Hicso, pelo menos, por enquanto, não há provas históricas ou arqueológicas que confirmem que os Hebreus faziam parte dos Hicsos. Embora existam teorias e narrativas que tentam conectar os dois grupos, elas são consideradas fracas pela maioria dos historiadores e egiptólogos. Eles tinham conexões culturais ligando os dois povos.

Esse erro vem do historiador Flávio Josefo, a ideia de que hebreus e hicsos seriam o mesmo povo foi popularizada pelo historiador. Ele citou o historiador egípcio Mâneto para argumentar que a expulsão dos hicsos era, na verdade, o relato egípcio do Êxodo bíblico. Josefo identificou os hicsos como "reis pastores", conectando-os aos ancestrais dos judeus. Ambos os grupos têm raízes em povos semitas vindos da região de Canaã e do Levante. Os Hebreus pertencem ao povo Cananeu.

A expulsão dos hicsos por volta de 1550 a.C. pode ter gerado um clima de hostilidade contra outros povos semitas remanescentes, levando à perseguição e escravidão dos hebreus. 

Contudo, arqueólogos como Israel Finkelstein sugerem que a narrativa bíblica do Êxodo pode ter sido influenciada por memórias distantes da expulsão traumática dos hicsos do Egito.

 

Conclusão

Embora a história tradicional os descreva como invasores, há evidências crescentes de que os Hicsos foram um grupo complexo de migrantes asiáticos que se estabeleceram, se assimilaram e eventualmente tomaram o poder, mais por uma ascensão gradual e aproveitamento de instabilidade interna do que por uma conquista militar avassaladora. 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

LISTA DE IMPERADORES ROMANOS DO ORIENTE (BIZANTINOS)

 


Ao todo foram 107 Imperadores

Dinastia Constantiniana

Constantino, o Grande – 306-337 (Constantinopla) / 324-337

Constâncio II – 337-350 (Ásia e Egito); 350-361 (como único imperador)

Juliano – 360-363

Joviano – 363-364

Valentiniano I – 364-375 (Imperador do Ocidente)

Valente – 364-378 (Imperador no Oriente)

Graciano – 375-383 (378-379 governou o império do Oriente e do Ocidente)

Valentiniano II – 375-392 (Imperador do Ocidente)

Teodósio I – 379-395

Arcádio – 395-408

Honório – 393–423 (imperador do Oeste)

Teodósio II – 408-450

Valentiniano III – 423–455 (imperador do Oeste)

Pulquéria – 450-453

Marciano – 450-457

Leão I, o Trácio (Flavius Valerius Leo) – 457-474

Leão II (Flavius Leo Junior) – 474

Zenão I (Flávio Zenão) – 474-475

Basilisco – 475-476

Zenão I (Flávio Zenão) – 476-491

Anastácio I Dicoro – 491-518

Justino I – 518-527

Justiniano o Grande I – 527-565, junto com Teodora I – 527-548

Justino II – 565-578

Tibério II – 578-582

Maurício I Tibério – 582-602

Focas o tirano – 602-610

Heráclio 610-641

Constantino III – 641 (reinou apenas 3 meses)

Heraclonas 641 – 7 meses

Constante II – 641-668

Constatantino IV Pogonato (o barbudo) – 668-685

Justiniano II Rinotmeto (o nariz cortado) – 685-695

Leôncio – 695-698

Tibério III Apsímaro – 698-705

Justiniano II Rinotmeto – 705-711

Filípico Bardanes – 711-713

Anastásio II – 713-715

Teodósio III – 715-717

Leão III, o Isáurio – 717-741

Constantino V Coprônimo  741-775

Artabasdo – 742-743

Leão IV, o Cazar – 775-780

Constantino VI (o cego) – 780-797

Irene de Atenas (a ateniense) – 797-802

Nicéforo I, o Logóteta ou Genikos (em grego: ‘o Vitorioso’; nikos = vitória) – 802-811. 

Estaurácio 811 – reinou 3 meses

Miguel I – 811-813

Leão V, o Armênio – 813-820

Miguel II, o Amoriano – 820-829

Teófilo – 829-842

Teodora II – 842-855 Regente de Miguel III

Miguel III, o Ébrio – 842-867

Basílio I o Macedônico – 867-886

Leão VI o sábio – 886-912

Alexandre – 912-913

Constantino VII Porfirogênito – 908-959

Romano I Lecapeno – 920-944 Co-imperador com Constantino VII

Romano II Porfirogênito – 959-963

Nicéforo II Focas – 963-969

João I Tzimisces – 969-976

Basílio II Bulgaróctone (‘matador de búlgaros’) – 976-1025

Constantino VIII Porfirogênito – 1025-1028

Zoé Porfirogênita – 1028-1050

Romano III Argiro – 1028-1034 Primeiro esposo de Zoé

Miguel IV Paflagônio – 1034-1041 Segundo esposo de Zoé

Miguel V, o Calafate – 1041-1042

Teodora III – 1042. Irmã de Zoé. Governa pela primeira vez

Constantino IX Monômaco – 1042-1055 Terceiro esposo de Zoé

Teodora III – 1055-1056. Governa pela segunda vez

Miguel VI o Estratiótico  1056-1057

Isaac I Comneno – 1057-1059

Constantino X Ducas – 1059-1067

Miguel VII Ducas – 1067-1078

Romano IV Diógenes (O Armênio) – 1067-1071 Co-Imperador e padrasto de Miguel VII.

Nicéforo III Botaneiates – 1078-1081

Aleixo I Comneno – 1081-1118

João II Comneno – 1118-1143

Manuel I Comneno – 1143-1180

Aleixo II Comneno – 1180-1183

Andrônico I Comneno – 1183-1185

Isaac II Ângelo – 1185-1195

Aleixo III Ângelo – 1195-1203

Isaac II Ângelo – 1203-1204

Aleixo IV Ângelo – 1023-1024 Co-Imperador com o pai, Isaac II.

Nicolau I Canabos – 1024 (1 mês)

Aleixo V Ducas – 1024 (2 meses)

Teodoro I Láscaris – 1204-1221

João III Ducas Vatatzes – 1221-1254

Teodoro II Láscaris – 1254-1258

João IV Láscaris – 1258-1261

Império Bizantino restaurado em Constantinopla, e unificado

Miguel VIII Paleólogo – 1261-1282

Andrônico II Paleólogo –1282-1328

Miguel IX Paleólogo – 1294-1320 

Andrônico III Paleólogo – 1328-1341

João V Paleólogo – 1341-1347 Governa pela primeira vez

João VI Cantacuzeno – 1347-1354

João V Paleólogo – 1354-1376 Governa pela segunda vez

Andrônico IV Paleólogo – 1376-1379

João V Paleólogo – 1379-1390 Governa pela terceira vez

João VII Paleólogo – 1390 (5 meses)

João V Paleólogo – 1390-1391 Governa pela quarta vez

Manuel II Paleólogo – 1391-1425

João VIII Paleólogo – 1425-1448

Constantino XI Paleólogo – 1448-1453 


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

LISTA DOS IMPERADORES ROMANOS DO OCIDENTE

 


Ao todo foram 81 Imperadores

Augusto (27 a.C. – 14 d.C. )

Tibério (14–37 d.C. )

Calígula (37–41 d.C. )

Cláudio (41–54 d.C. )

Nero (54–68 d.C. )

Galba (68–69 d.C. )

Otão (janeiro–abril de 69 d.C. )

Aulo Vitélio (julho-dezembro de 69 d.C. )

Vespasiano (69–79 d.C. )

Tito (79–81 d.C. )

Domiciano (81–96 d.C. )

Nerva (96–98 d.C. )

Trajano (98–117 d.C. )

Adriano (117–138 d.C. )

Antonino Pio (138–161 d.C. )

Marco Aurélio (161–180 d.C. )

Lúcio Vero (161–169 d.C. )

Cômodo (177–192 d.C. )

Publius Helvius Pertinax (janeiro a março de 193 dC )

Marcus Didius Severus Julianus (março-junho de 193 dC )

Sétimo Severo (193–211 d.C. )

Caracala (198–217 d.C. )

Públio Sétimo Geta (209–211 d.C. )

Macrino (217–218 d.C. )

Elagábalo (218–222 d.C. )

Severo Alexandre (222–235 d.C. )

Maximino (235–238 d.C. )

Gordiano I (março–abril de 238 d.C. )

Gordiano II (março–abril de 238 d.C. )

Pupienus Maximus (22 de abril a 29 de julho de 238 dC )

Balbinus (22 de abril a 29 de julho de 238 dC )

Gordiano III (238–244 d.C. )

Filipe (244–249 d.C. )

Décio (249–251 d.C. )

Hostiliano (251 d.C. )

Galo (251–253 d.C. )

Emiliano (253 d.C. )

Valeriano (253–260 d.C. )

Galiano (253–268 d.C. )

Cláudio II Gótico (268–270 d.C. )

Quintilo (270 d.C. )

Aureliano (270–275 d.C. )

Tácito (275–276 d.C. )

Floriano (junho–setembro de 276 d.C. )

Probo (276–282 d.C. )

Carus (282–283 d.C. )

Numeriano (283–284 d.C. )

Carino (283–285 d.C. )

Maximiano (oeste, 286–305 d.C. )

Constâncio I (oeste, 305–306 d.C. )

Galério (leste, 305–311 d.C. )

Severo (oeste, 306–307 d.C. )

Maxêncio (oeste, 306–312 d.C. )

Constantino I (306–337 d.C .; reunificou o império)

Galério Valério Maximino (310–313 d.C. )

Licínio (308–324 d.C. )

Constantino II (337–340 d.C. )

Constâncio II (337–361 d.C. )

Constante I (337–350 d.C. )

Galo César (351–354 d.C. )

Juliano (361–363 d.C. )

Joviano (363–364 d.C. )

Valentiniano I (oeste, 364–375 d.C. )

Valente (leste, 364–378 d.C. )

Graciano (ocidental, 367–383 d.C .; coimperador com Valentiniano I)

Valentiniano II (375–392 d.C .; coroado ainda criança)

Arcádio (leste, 383–395 d.C. , coimperador; 395–402 d.C. , único imperador)

Magnus Maximus (oeste, 383–388 d.C. )

Honório (ocidental, 393–395 d.C. , coimperador; 395–423 d.C. , imperador único)

Constâncio III (ocidental, 421 d.C. , coimperador)

Valentiniano III (oeste, 425–455 d.C. )

Marciano (leste, 450–457 d.C. )

Petronius Maximus (oeste, 17 de março a 31 de maio de 455 dC )

Avitus (oeste, 455–456 d.C. )

Majoriano (ocidental, 457–461 d.C. )

Libius Severus (oeste, 461–465 d.C. )

Antêmio (oeste, 467–472 d.C. )

Olíbrio (oeste, abril–novembro de 472 d.C. )

Glycerius (oeste, 473–474 d.C. )

Julius Nepos (oeste, 474–475 d.C. )

Rômulo Augusto (oeste, 475–476 d.C. )


ENUMA ELISH É MAIS VELHO DO QUE A CRIAÇÃO BÍBLICA



O Enûma Eliš é o mito de criação babilônico. Foi descoberto por Austen Henry Layard em 1849 (em forma fragmentada) nas ruínas da Biblioteca de Assurbanípal em Nínive (Mossul, Iraque), e publicado por George Smith em 1876.


Segundo a Bíblia, El (“Deus”) criou Adão a partir do barro ou do “pó da Terra”. Na Antiga Suméria e por toda a Mesopotâmea e no Egito Antigo, o barro era uma força criadora. Com o barro fazia-se: tabuletas, cerâmicas, utensílios caseiros, tijolos para construção de casas e monumentos, cerâmicas ritualísticas para oferendas aos deuses. Sumérios acreditavam que após a morte o cadáver tornava-se pó ou barro devido ao processo de decomposição. Quando “Deus” soube que Adão havia comido do fruto proibido censurou-o dizendo: “por que tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3: 19). No Mito de Gilgamesh, percebemos que Gilgamesh ficou enlutado por causa da morte de seu amigo Enkidu: “Quero gritar, para que todos ouçam! O amigo que me era tão caro tornou-se pó; Enkidu, o meu amigo, tornou-se como argila”. Tanto no Gênesis como no Mito de Gilgamesh o ser humano é criado do barro e se torna pó após sua morte.

Podemos notar que, no mito de Adão e na Epopeia de Gilgamesh, há alguma similaridade. Tanto Adão como Enkidu são a “imagem e semelhança” dos deuses. Isso sugere que antes da queda esses dois personagens teriam adquirido qualidades divinas que se perderam no decorrer de suas estórias mitológicas.
No mito, Adão teve dois filhos: Caim e Abel. Isso é uma alegoria que serve para representar o mundo urbano (Caim) em contraste com o mundo rural (Abel). Segundo a pesquisa realizada pelos mestres: Pedro Sahium, Vera Regiane Brescovici Nunes e Washington Maciel da Silva (2016) Caim e Abel e seu assassinato estaria no campo do simbolismo ao invés de ser tratado como um fato histórico.
No que tange as semelhanças, entre: Adapa e Adão, se substituirmos: o “p” pelo “m” – temos “Adama” (que significa: “Solo ou Terra” a origem de Adão). Se tirarmos a letra “a” de “Adama”, fica: Adam, que em hebraico que significa: “Homem” (Adão, em português) (ANDREASEN, 1981, p 181).
O livro de Gênesis está cercado de elementos mitológicos comuns entre as diversas sociedades do Mundo Antigo. Adão, a Serpente e o Jardim do Éden foram produtos importados de uma superpotência religiosa e cultural, Sumeriana. Não há como negar que sua herança serviu de trampolim para que anos mais tarde, os Hebreus compilassem suas ideias no que chamamos de: Gênesis.

O MITO
O universo primordial e o surgimento dos deuses
Antes de surgirem o céu e a terra, havia apenas as águas doces do fértil Apsu (do Sumério Ab= longe e Zu = água, era o deus das águas doces  de fontes subterrâneas, lagos, rios, poços) e as águas salgadas da oceânica Tiamat, que se misturavam indistintamente num único corpo abissal. 
Nada absolutamente havia aparecido, nem o pântano, nem o caniço (cana), nem mesmo os deuses, nada havia ganho nome ou destino determinado. Foi dessa massa líquida informe que os deuses começaram a ser formados e por seus nomes chamados: Lahmu e Lahamu, e em breve Anshar (a linha de horizonte do céu) e Kishar (a linha de horizonte da terra), que foram os pais de Anu, o céu – que gerou à sua imagem, entre outros, o poderoso e sábio Ea ou Enki deus das águas doces, deus da criação e deus da sabedoria.
Contudo, em seus movimentos incessantes, ruidosos e arbitrários os deuses perturbavam a entranhas de sua nutriz Tiamat e irritavam a seu pai Apsu, o qual (com ajuda de seu filho e ministro Mummu) tentou em vão convencer a mãe a extinguirem sua prole. Indignada com a proposta, Tiamat sugeriu relevarem pacientemente as atitudes dos deuses, mas Apsu preferiu dar ouvidos aos conselhos de Umun ou Mummu favoráveis ao extermínio. Umun que seu nome original Sumeriano, é o deus do conhecimento prático e da habilidade técnica, ele simboliza ou representa o mundo mental, o logos, a lógica.
Os deuses emudeceram ao saber o que contra eles se tramava, mas o sábio Ea ou Enki concebeu e executou um estratagema: elaborou, recitou e lançou um feitiço que, disseminando-se no abismo, adormeceu profundamente Apsu e imobilizou Mummu. Então, despindo Apsu de sua aura protetora, matou-o, construindo sobre o corpo abissal sua própria morada sagrada e deixando aprisionando Mummu. Ali habitando com sua esposa Damkina, Ea com esta gerou o poderoso e sábio Marduk, Amar UK - Amar Utu - Merodak ou Mer Odak "bezerro do sol; bezerro solar" deus da tempestade, deus da agricultura, deus da justiça, perdão ou compaixão, deus da cura, perdão, regeneração e da magia, senhor das tempestades e detentor dos raios, o mais belo, poderoso e altivo dos deuses.

A Ira de Tiamat Contra os Deuses
O torvelinho do poderoso quádruplo vento – que Anu criou e com o qual presenteou a Marduk – molestava a Tiamat, assim como a tempestade atormentava os deuses, que recorreram à mãe de todos: – Ó, Tiamat, mataram Apsu, teu esposo sem que tu o ajudasses; agora criaram o quádruplo vento que incomoda teus órgãos e nos tira o repouso. Recorda-te do que fizeram a teu esposo e ao vencido Mummu, de como fostes deixada sozinha! Vinga-te, para que repousemos! Então Tiamat fez terríveis criaturas para lutarem contra os deuses e encarregou Hubur (rio, curso d’água, rio do submundo, mundo inferior) – a que dá forma a todas as coisas – de armá-las terrivelmente com monstruosas serpentes venenosas e dragões que paralisam de medo a quem os vê. Assim foram criados a Víbora, o Dragão, a Esfinge, o Leão Gigante, o Cão Louco, o Homem-Escorpião, os Demônios-Leões, o Dragão de Asas e o Centauro. E convocou Assembleia para exigir união de todos a ela e para estabelecer comandante supremo a seu filho Kingu, a quem tomou como esposo e para quem entregou as Tábuas do Destinoque de direito pertenciam a Anu, as quais dotavam de poder irresistível suas palavras de comando. Diante desses preparativos, Ea ponderou e decidiu recorrer a Anshar, seu avô, que, tomado de pânico, ordenou-lhe que matasse Kingu como matara a Apsu. Mas ao ver de perto os planos de Tiamat, Ea amedrontou-se e retornou sem ousar ir ter com ela. Então Anshar enviou seu filho Anu para com palavras acalmar a ira de Tiamat, mas tampouco ele ousou dela aproximar-se.
Desanimados, os deuses se calaram sem esperança de encontrar quem ousasse desafiar Tiamat, mas finalmente Ea incumbiu seu filho Marduk de apresentar-se destemidamente diante de Anshar e convencê-lo a lhe dar sua bênção para comparecer diante de Tiamat e apaziguá-la. Marduk aceitou a terrível missão mas impôs uma condição: Pai, que os deuses em Assembleia me proclamem seu soberano, que minha palavra de comando passe a determinar para sempre os destinos e que tudo oque ela trouxer à existência seja inalterável, não possa ser renomeado nem alterado! 

O Combate Entre Marduk e Tiamat
Enviado a Anshar, este convenceu-se dos méritos de Marduk e ordenou a seu ministro Gaga ou Kakka (deus mensageiro de Anshar e An) ir buscar o apoio dos ancestrais Lahmu e Lahamu e dos demais deuses para, em Assembleia, instituírem Marduk como seu vingador. Temerosos, compareceram todos diante de Anshar e no Ubshukinna confraternizaram e solenemente aceitaram fazer de Marduk seu comandante, reconhecendo-o como soberano dos deuses e do universo, seus decretos instituídos como inalteráveis. Para pôr à prova sua palavra de comando, foram colocadas diante dele umas vestes, e ele venceu o desafio de fazê-las desaparecer e novamente reaparecer, confirmando-se assim aeficácia de seus decretos. Proclamado e coroado rei, Marduk foi armado e a ele os deuses confiaram
sua salvação: – Vai e mata Tiamat! Que os ventos espalhem seu sangue pelos mais ocultos recantos do universo! Marduk fez para si um arco para lançar suas flechas e armou-se da maça, do raio e de uma rede de cujos cantos encarregou os ventos Sul, Norte, Leste e Oeste. E criou Imhullu (a Ventania Nefasta), o Turbilhão, o Furacão, o Quádruplo Vento, o Sétuplo Vento, o Ciclone e o Vento Incomparável, reservando-os para enviá-los às entranhas de Tiamat. Finalmente ergueu a inundação torrencial, e à Tempestade (sua mais poderosa arma) atrelou quatro mortíferos e destruidores animais, pondo ainda, de cada lado de sua carruagem, os terríveis Golpeador e Combatente. 
Vestindo sua armadura de terror e portando sua aura temível, Marduk pôs-se a caminho para enfrentar a face indomável de Tiamat. Seus lábios proferiam um feitiço, e veneno ele levava em suas mãos, enquanto os deuses, seus pais, desferiam golpes em volta dele. Marduk aproximou-se para observar as entranhas de Tiamat e a estratégia de Kingu, e enquanto olhava perdeu-se nos caminhos, distraiu-se e seus atos se confundiram, para desespero dos seus companheiros.
Tiamat então lançou aos gritos um terrível desafio, e Marduk, levantando a tempestade do Dilúvio, bradou-lhe: – Porque teu coração exaltado suscitou conflitos; porque os filhos rejeitaram seus pais enquanto tu não mais os amas; porque desposastes a Kingu e impiamente lhe entregastes o que pertencia a Anu; porque buscas o mal a Anshar e aos deuses, meus pais, eu te desafio a combate singular! Então atiraram-se um contra o outro, atracando-se em batalha de armas e feitiços. Finalmente, Marduk estendeu sobre ela sua rede, lançou lhe contra o rosto a Ventania Nefasta e enquanto Tiamat abria a boca para devorá-lo orientou-a para o interior, que os terríveis ventos incharam.
Então Marduk empunhou o arco e atravessou o ventre de Tiamat com sua flecha, abrindo suas entranhas, rasgando seu coração e extinguindo-lhe a vida. Ao ver cair o cadáver de Tiamat, que agora servia de solo aos pés de Marduk, os inimigos bateram em retirada, mas foram cercados, aprisionados, desarmados e imobilizados sob a rede do vencedor, ficando à mercê de sua ira assim como as onze criaturas que Tiamat tinha enchido com o terror e seu comandante Kinguque foi amarrado e entregue a Uggae, o deus da morte, após ser-lhe retomada a Tábua dos Destinos. Finalmente, Marduk esmagou com sua maça o crânio de Tiamat e cortou suas artérias, e o Vento Norte espalhou seu sangue para os lugares mais remotos.

A Criação do Cosmos por Marduk
Observando o cadáver de Tiamat, Marduk viu que poderia com dele realizar inteligentemente grandes obras. Então como a um molusco ele o dividiu em dois, com a metade superior cobrindo o céu e puxando as bordas para baixo a fim de não permitir que as águas escapassem. No céu, mediu e delimitou o Apsu, morada de Ea, e estabeleceu o Esharra, a grande morada celeste na qual destinou as regiões de Anu, de Enlil (deus do  vento, ar, terra e tempestades) e de Ea demarcando com as estrelas do Zodíaco as estações dos grandes deuses, determinando assim o ano e suas divisões, com três constelações para cada um dos doze meses. E tendo definido os dias do ano mediante figuras celestes, fundou a estação de Nebiru, a Estrela Polar, a fim de que os astros em movimento não se extraviassem. E nas extremidades das estações dos grandes deuses abriu portões com fortes ferrolhos, estabelecendo o o ponto mais alto do ventre de Tiamat como o Zênite que é o ponto mais alto do céu. Criou a Lua brilhante para encarregar-se da noite e demarcar os dias do mês de acordo com o aspecto de sua coroa, que doravante apareceria nos seis primeiros dias de cada mês como um par de chifre luminoso a elevar-se sobre a terra, crescendo a coroa até a metade no sétimo dia e seguindo se um período de quinze dias em que a outra metade estará iluminada, passando a perder a luz quando o Sol dela se aproxima na base do céu (de onde vão juntos exercer julgamentos), antes de no trigésimo dia novamente se oporem. E criou o Sol, ao qual destinou a luz do dia, perfazendo assim a separação das noites e dos dias.
Em seguida tomou Marduk da saliva de Tiamat para formar as nuvens, que ele encheu de água, e distribuiu os ventos, a chuva, o frio e o nevoeiro, tudo planejado e criado por ele. Modelando a cabeça de Tiamat fez os montes, nos quais abriu lugares para o fluxo das águas das profundezas, fazendo jorrar de suas órbitas o Tigre e o Eufrates, mas estancando o fluxo de suas narinas; e dos seios fez as altas montanhas, nas quais perfurou poços para conter água. E assim tudo foi estabelecido sobre o Apsu.
Deste modo, foram cobertos os céus e estabilizada a terra, e se lhes impuseram limites e regras, e então Marduk fundou os lugares sagrados e deles encarregou Ea, e devolveu a Anu a Tábua dos Destinos retomada de Kingu. Quanto aos prisioneiros, ele os conduziu à presença dos deuses, seus pais, e as das onze criaturas suscitadas por Tiamat fez estátuas e as postou no portão do Apsu, para lembrança eterna. Os deuses se alegraram imensamente e lhe trouxeram presentes, e a Usmi, que lhe trouxe oferendas da parte de sua mãe Damkina, ele concedeu a chancelaria do Apsu e a administração dos santuários. Todos lhe rendem homenagem e o conclamam Rei, nomeando-o Lugaldimmerankia. Então Marduk
anunciou que entre o Apsu e o celeste Esharra, na terra, construiria para si uma rica morada, Babilônia, com um grande templo em que haveria aposentos para hospedar os deuses quando em
trânsito para Assembleia, ou dela retornando.

A Criação do Homem
Os deuses suplicaram que se encarregasse Ea de organizar esse domicílio dos deuses na terra, a fim de que não lhes faltassem jamais suprimentos e que, assim, todos pudessem exercer suas tarefas no universo. Foi então que Marduk concebeu a ideia de um ser, o homem, a ser criado com sangue e ossos e a quem se encarregaria de servir aos deuses, liberando-os de seus trabalhos para que melhor administrassem o céu e a terra. Visando a amenizar o plano concebido Marduk, Ea sugeriu: – Escolhe um dos deuses derrotados e poupa os outros! Que se julgue diante da Assembleia o mais culpado pela revolta de Tiamat, e que pereça para que dele seja feito o homem! Marduk então convocou os deuses e ordenou que lhe dissessem, sob juramento, quem concebeu a revolta e levou Tiamat a desejar a guerra. E eles denunciaram a Kingu, que foi então amarrado e suspenso diante de Ea, e este ordenou que se lhe cortassem as veias, e do sangue jorrado criou o homem imaginado por Marduk.

A Morada dos Deuses
Como mostra de gratidão pelos benefícios de que passariam a desfrutar, os deuses ofereceram-se para construir o santuário de Marduk em Babilônia, o Esagila (templo, zigurati), destinado ao repouso dos deuses. Para tanto, durante um ano inteiro moldaram tijolos e no segundo ano o elevaram à altura do Apsu, acrescentando-lhe uma torre de degraus tão alta quanto este, além de moradas para os grandes deuses – das quais se contemplava a própria base do celeste Esharra.
Concluído o Esagila, os deuses nele banquetearam-se e nele foram fixados os ritos e as normas e repartidas as estações do céu e da terra – trezentos deuses para cada, segundo a decisão dos
cinquenta grandes deuses e dos sete deuses do destino. Diante dos deuses, então, Enlil ergueu seu arco, que Anu adotou e ao qual deu nomes, destinando-o a brilhar no céu. Os deuses, prostrados, exaltaram o destino de Marduk e solenemente juraram empenhar suas vidas por sua soberania.
Os cinquenta nomes de Marduk
Finalmente, Anshar começou a proclamar os cinquenta nomes de Marduk: – Reverenciemos seu nome Asarluhi, e que suas declarações sejam determinações supremas tanto em cima como em baixo! Que conduza como um pastor suas criaturas! Que seja o sustento de seus pais! Que se lhes assemelhem na terra os caminhos que ele determinou no céu! Que se proclamem
os seus cinquenta nomes! Anshar, Lahmu e Lahamu proclamam cada um, a seguir, mais três dos nomes divinos, que – da mesma forma que o primeiro – evocam os atributos e façanhas do deus: Marduk, Marukka, Marutukku; Barashakushu, Lugaldimmerankia, Nari-Lugaldimmerankia; Asaruludu, Namtillaku eNamru.
Foi então solicitado aos outros deuses proclamá-los também. E eles, com efeito, sentaram-se e puseram-se a determinar destinos, pronunciando os nomes no santuário: Asaru, Asarualim, Asarualimnunna, Tutu, Ziukkinna, Ziku, Agaku, Tuku, Shazu, Zisi, Suhrim, Suhgurim, Zahrim, Zahgurim, Embilulu, Epadun, Enbilulugugal, Hegal, Sirsir, Malah, Gil, Gilma, Agilma, Zulum, Mummu, Gishnumunab, Lugalabdubur, Pagualguenna, Lugaldurmah, Aranunna, Dumuduku, Lugallanna, Lugalugga, Irkingu, Kinma, Esizkur, Gibil, Addu, Asharu e Nebiru.
E porque Marduk formou a terra firme, Enlil o chamou Senhor das Terras. E Ea, reconhecendo no filho sua própria natureza, chamou-o Ea, pois estava destinado a administrar e realizar os ritos e as instruções do pai.
A narração de seus feitos foi posta por escrito pelo próprio Marduk, para lembrança e instrução eterna, a fim de que se preserve para sempre em sua habitação o relato de como venceu a Tiamat e conquistou a soberania o deus cujas palavras de comando devem sempre impor-se para que o universo persista prospere.