Soleb é uma antiga cidade na Núbia, no atual Sudão. O sítio arqueológico está localizado ao norte da terceira catarata do Nilo , na margem oeste do rio. Foi descoberto e descrito por Karl Richard Lepsius em 1844. O templo foi construído durante o reinado de Amenhotep III e dedicado a Amon , mas após Akhenaton assumir o poder, foi rededicado a Áton.
Necrópole
Soleb também abriga uma vasta necrópole com pequenas capelas funerárias decoradas com pirâmides . Os túmulos reais mais antigos datam da 18ª dinastia , enquanto alguns pertencem aos períodos raméssida e meroítico.
Período de Amarna
Durante o Período de Amarna (meados da 18ª Dinastia), vários faraós prestaram serviços a Soleb, como Amenófis III , Aquenáton , Tutancâmon e Ay.
Amenófis III
Um grande templo de arenito foi fundado aqui por Amenófis III. É o templo mais ao sul que se sabe ter sido construído por este faraó. O templo foi consagrado à divindade Amon-Rá e ao faraó, representado deificado com chifres de carneiro. O arquiteto pode ter sido Amenófis, filho de Hapu.
Em Sedeinga , um templo complementar foi construído por Amenhotep III para a Rainha Tiye como uma manifestação do Olho de Rá.
Os chamados Leões de Prudhoe originalmente serviam como figuras guardiãs neste templo com o nome de Amenhotep III inscrito. Eles representam uma leoa, como símbolos de Sekhmet, uma importante divindade que protegia os faraós.
Akhenaton
Durante o reinado de Akhenaton, ele é inicialmente mostrado adorando seu pai e Amon no templo. Mas mais tarde, ele rededicou o templo a Áton.
Tutancâmon
Durante o reinado de Tutancâmon, as reformas religiosas de seu pai, Akhenaton, foram revertidas e o templo foi rededicado a Amon-Rá. Tutancâmon terminou o segundo leão de granito e inscreveu seu nome nos Leões de Prudhoe.
Ay
Durante o reinado de Ay, ele também inscreveu seu nome nos Leões de Prudhoe.
Lista de Pessoas Aprisionadas
Em 1829, o major Félix realizou uma expedição ao local e reconheceu que as inscrições de prisioneiros em colunas visíveis comemoravam as vitórias de Amenófis III. Jude Flurry argumenta que essas listas de prisioneiros podem ser um exagero ou uma mentira sobre as vitórias egípcias, mas mostram quem eram os inimigos dos egípcios. No entanto, o setor IV do salão hipostilo estava em ruínas, demolido e parcialmente coberto por areia, e foi descoberto séculos depois. Na expedição de escavação de 1957-1963 liderada por Michela Schiff Giorgini , outras partes do templo, incluindo as inscrições restantes dos prisioneiros, foram reconstruídas com as peças identificadas.
Nas colunas do salão hipostilo, há uma lista dos povos que os egípcios conquistaram. Um total de três listas foram preservadas com os nomes de lugares estrangeiros e povos sobreviventes. Cada lista retrata a figura de um soldado prisioneiro com os braços amarrados e com seu escudo. Em cada escudo há uma inscrição descrevendo a qual cidade e lugar o soldado pertence.
Listas
tꜣ šꜣsw trbr
tꜣ šꜣsw yhwꜣ
tꜣ šꜣsw smt
(destruído)
As três linhas transcritas referem-se à famosa lista de topônimos dos nômades Shasu, gravada originalmente nas paredes e colunas do Templo de Soleb (construído pelo faraó Amenófis III, por volta de 1400 a.C.) e posteriormente copiada no templo de Amara Ocidental (tempo de Ramessés II), no antigo Egito/Núbia.
O significado exato de cada linha e a razão de ter indicado "(destruído)" se contextualizam da seguinte forma:
O Significado das Inscrições
A palavra egípcia tꜣ significa "terra" e šꜣsw refere-se aos Shasu, um termo que os egípcios usavam para designar povos nômades, beduínos ou pastores que habitavam a região do Levante, Sinai e Transjordânia.
A lista dividia a grande "terra dos Shasu" em subregiões, clãs ou territórios específicos:
1. tꜣ šꜣsw trbr: "A terra dos Shasu de Terber" (uma região ou clã geográfico ainda não identificado com precisão).
2. tꜣ šꜣsw yhwꜣ: "A terra dos Shasu de Yhwꜣ" (Yahu/Yahweh). Esta é considerada a menção histórica mais antiga do nome Yahweh encontrada no mundo, ligando o nome do Deus bíblico a uma região ou tribo nômade séculos antes da formação do Reino de Israel.
3. tꜣ šꜣsw smt: "A terra dos Shasu de Semet" (outra subdivisão territorial ou de parentesco tribal vizinha).
O Termo ─ "Destruído"
A sua indicação de "(destruído)" faz total sentido no contexto arqueológico real dessas inscrições:
• Degradação Física dos Blocos: No Templo de Soleb (localizado no atual Sudão), os relevos foram esculpidos em colunas e paredes que sofreram severa erosão, vandalismo histórico e desmoronamentos ao longo de milênios. Muitas das listas de cartuchos e relevos que detalhavam os Shasu foram danificadas ou fragmentadas.
• A Cópia de Amara Ocidental: Quando os escribas de Ramessés II tentaram copiar essa mesma lista de Soleb nas paredes do templo de Amara Ocidental, partes da fonte original já estavam ilegíveis ou danificadas. Arqueólogos e epigrafistas frequentemente marcam como "destruído" ou "lacuna" os hieróglifos que desapareceram do registro físico na parede de pedra.
Coluna N4
btꜥn/f?[...]
(destruído)
• Coluna N4 [ 9 ]: Indica a localização exata do fragmento no manuscrito ou estela original (Coluna N4, linha ou fragmento 9).
• btꜥn/f?[...]: É a transliteração de sinais egípcios.
• O caractere ꜥ (ayin) representa uma consoante faríngea (glutual) específica do egípcio.
• O caractere / ou a interrogação ? indicam que a leitura de um sinal específico (provavelmente entre as variações dos fonemas n ou f) é incerta ou ambígua para o epigrafista.
• Os colchetes com reticências [...] mostram que o restante da palavra ou da frase está quebrado e se perdeu.
• ( destruído ): Confirma explicitamente que a continuação do texto naquele ponto físico do suporte (papiro, pedra, couro) foi danificada e não pode ser lida.
tꜣ šꜣsw Yhwꜣ
A transcrição de um dos povos conquistados é tꜣ šꜣsw Yhwꜣ , traduzida como "terra dos Shasu, aqueles de Yhwꜣ ", ou "terra dos nômades de Yhwꜣ ". Thomas Schneider vocaliza o nome como Yahwa, embora outras vocalizações, como Yehua , tenham sido propostas. Fleming relata que este Yhwꜣ estava localizado na Palestina e na Síria. De acordo com Kennedy, o que exatamente o nome Yhwꜣ significa tem sido "uma questão de debate", mas ele conclui que "logicamente se segue" que os Shasu poderiam ser identificados com os israelitas , dada a semelhança do termo com o nome do deus israelita Yahweh. Shalomi Hen, embora tenha notado o discurso acadêmico em torno do assunto, considera as evidências muito escassas para permitir tal identificação.




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