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sábado, 29 de novembro de 2025

DEUS EL CANANEU E HEBRAICO

 


El era o nome próprio do deus principal dos cananeus. El também é uma raiz semítica comum que significa "deus". Por causa disso, quando a palavra "el" é usada na Bíblia Hebraica, há alguma confusão sobre se ela se refere a um deus específico e, em caso afirmativo, a qual.

A terra de Canaã é uma designação antiga para a área do Levante atualmente ocupada por:

Líbano - Israel - Síria - Jordânia

Como os leitores da Bíblia Hebraica estão acostumados a ver a história da região a partir da perspectiva judaica, alguns tendem a pensar nos israelitas como um grupo de pessoas e em todos os outros como cananeus. No entanto, como Canaã abrangia toda a região, os habitantes da Judeia e Samaria, assim como os fenícios de Tiro e Sidom, eram todos "cananeus" e falavam línguas semelhantes.

A palavra hebraica "el" é um termo genérico para uma divindade. O significado de "el" é um deus indefinido, não específico um deus entre muitos. É como a palavra inglesa "god" (deus) com "d" minúsculo, que pode se referir a qualquer divindade e não é um nome próprio de um deus em particular. No entanto, assim como cristãos e judeus que falam inglês se referem à sua divindade como "God" (Deus) com "D" maiúsculo, o povo cananeu chamava seu deus supremo de El.

El era adorado por todo o povo de Canaã como o ser supremo do mundo (embora cada reino dentro de Canaã também tivesse outros deuses nacionais exclusivos a eles). Javé era o deus nacional dos israelitas.

Às vezes, El era chamado de El Elyon , que significa "Deus Altíssimo". El presidia o panteão cananeu, que consistia em muitos deuses, cada um com uma função e história diferentes. O deus El era o pai da maioria dos deuses cananeus menores e era casado com a deusa principal, Aserá, que lhe deu muitos filhos. Entre eles estavam Baal e Anat, e possivelmente também Javé , o deus de Israel.

Embora os nomes El e El Elyon na Bíblia Hebraica sejam frequentemente interpretados por cristãos e judeus como referências a Javé, historicamente, essas divindades eram distintas. À medida que a religião de Israel e Judá se transformou de uma fé politeísta para o monoteísmo, as distinções entre El e outros deuses tornaram-se tênues, até que o nome El se tornou sinônimo do único Deus do universo. Contudo, ao analisar essa progressão sob uma perspectiva histórica, é preciso compreender que a mudança ocorreu gradualmente e que diferentes livros da Bíblia Hebraica foram escritos em períodos distintos

El era adorado como um deus supremo pela maioria dos povos do Levante, incluindo os antigos habitantes de Israel, Líbano e Síria. A mitologia e as histórias sobre El e sua esposa, Aserá, são, em alguns aspectos, semelhantes a outras mitologias mediterrâneas, como as da Grécia Antiga envolvendo Zeus e Hera. Referências a El, Aserá e Baal podem ser encontradas na Bíblia Hebraica, mas a melhor fonte para o conhecimento original sobre El são os textos ugaríticos.

Os textos ugaríticos foram descobertos em Ras Shamra, na Síria, em 1928. Escritos em tabuletas de argila em escrita cuneiforme, numa língua semítica do noroeste muito próxima do hebraico, os textos foram compostos entre os séculos XIII e XII a.C. e contêm a história dos deuses cananeus do ponto de vista do povo que os cultuava. As histórias incluem a epopeia de Baal e Anat e a lenda de Keret.

Na epopeia de Baal e Anat, El desempenha o papel de deus principal e pai de Baal e Anat. Baal e Yam, o deus do mar, nutrem uma grande rivalidade. Apesar de Baal derrotar Yam e reivindicar a supremacia, ele fica desolado ao perceber que não lhe foi concedido um palácio como os outros deuses. Anat, irmã de Baal, implora a El, seu pai, que conceda a Baal um palácio que ele possa chamar de seu. Baal finalmente tem um palácio construído, e Anat continua a lutar contra todos os inimigos de Baal, enquanto Baal desfruta de seus interesses amorosos em seu palácio. O deus da morte, Mot, desafia e mata Baal, mas Anat vinga Baal matando Mot e o cortando em pedacinhos. El e Asherah discutem sobre quem seria um bom substituto para Baal agora que ele está morto, mas como nenhum bom substituto é encontrado, Baal acaba sendo trazido de volta à vida. Mot também retorna à vida, apesar de ter sido reduzido a pedaços. Eles travam mais uma rodada de batalha, e Baal sai vitorioso.

Na lenda de Keret, o personagem principal, Keret, é um filho mortal de El, mas sofre grandes infortúnios. Embora tenha tido sete esposas, todas morreram, deixando-o sem herdeiros. Keret ora a El, que o aconselha a ir à guerra contra o reino de Udum, onde encontrará uma esposa. Keret triunfa na batalha e força o rei de Udum a lhe dar sua filha, Hiraya, em casamento. Eventualmente, Keret tem muitos filhos, incluindo uma filha que sobrevive para herdar seu trono. Alguns estudiosos veem paralelos entre a história de Keret e o Livro de Jó.

A mitologia que envolve El e seu panteão tece uma rica tapeçaria literária que, de muitas maneiras, lembra passagens encontradas na Bíblia Hebraica, mas a partir de uma perspectiva decididamente politeísta.


Na Bíbllia

Na Bíblia Hebraica, quando usada no plural ("elim"), a palavra "el" refere-se a deuses que não sejam Javé. Quando usada no singular, "el" é frequentemente interpretada por cristãos e judeus como referência a Javé, mas há muita ambiguidade em muitas dessas passagens. Javé é referido como o deus de Israel, o que implica que outras nações têm outros deuses.

O termo El Elyon (Deus Altíssimo) é usado na Bíblia Hebraica de uma forma que lembra o papel do deus cananeu El, como o deus supremo de um panteão politeísta. No entanto, esse mesmo termo, no contexto da religião monoteísta na Bíblia Hebraica, é geralmente interpretado como um elogio superlativo ao único deus que existe. Da mesma forma, El Shaddai é visto como um termo de carinho ao se dirigir a Javé como Deus Todo-Poderoso.


El e Elohim

Elohim é uma palavra relacionada, no plural, usada para Deus na Bíblia Hebraica, derivada da mesma raiz que "el". A forma singular de Elohim é "eloha", e é outra palavra genérica para um deus. No entanto, quando Elohim é usado com um verbo no singular, fica claro que se refere ao Deus monoteísta, e não a um deus genérico. Cristãos e judeus acreditam que Elohim se refere a Javé, assim como El. Contudo, alguns estudiosos sugerem que El e Elohim foram, em tempos passados, divindades distintas.

No Salmo 82, Elohim aparece no Conselho de El, sugerindo que Elohim e El não são a mesma entidade. Além disso, em Deuteronômio 32:8, 9 e 43 (que foram preservados em sua forma original na Septuaginta, uma tradução antiga da Bíblia Hebraica para o grego), há uma implicação de que El Elyon dividiu as nações da Terra entre seus filhos e as entregou a Yahweh Israel para governar. Com a disseminação do monoteísmo, essas passagens foram reescritas para criar a impressão de que todas as referências a uma divindade suprema na Bíblia Hebraica são apenas maneiras diferentes de se referir a Yahweh, o único Deus verdadeiro.

Segue um resumo dos nomes das divindades e seus significados originais:


El: o chefe do panteão e pai dos outros deuses (o "el" em minúsculo é apenas uma palavra para um deus)

El Elyon: Deus Altíssimo

El Shaddai: Deus Todo-Poderoso

Javé: o Deus dos israelitas

Elohim: Deus monoteísta


El é um componente comum de nomes próprios e topônimos na Bíblia Hebraica. Betel significa "casa de El" (casa de Deus). Miguel pode ser traduzido como uma pergunta completa: "Quem é como Deus?". A palavra árabe Allah é linguisticamente relacionada à palavra El.

El era o deus supremo dos cananeus. Como deus principal, El era casado com Aserá e era pai de Baal, Anat, Javé e Yam. Ele era frequentemente representado na forma de um touro e, às vezes, também era chamado de Hor-El ou  Shor-El o deus touro.

De uma perspectiva semítica comparativa, El e Javé não eram originalmente a mesma divindade. El era o patriarca e pai dos deuses cananeus. Javé era o deus de Israel. À medida que a religião dos reinos de Israel e Judá evoluiu para o monoteísmo, as referências mais antigas a El foram absorvidas pela identidade do único deus do universo. Cristãos e judeus modernos consideram El e Javé como sinônimos, mas, de uma perspectiva histórica, eram divindades distintas.

DEUSES ADORADOS DENTRO DO TEMPLO DE JERUSALÉM

 


O deus principal e legítimo adorado no Templo de Jerusalém, de acordo com a fé judaica e os textos bíblicos, era Javé (ou Yahweh), o único Deus de Israel. A adoração a Javé era central para o javismo, que evoluiu para o monoteísmo judaico. 

No entanto, os registros históricos e os próprios livros proféticos da Bíblia indicam que, especialmente durante o período do Primeiro Templo (Templo de Salomão), a adoração a outras divindades também ocorreu, muitas vezes em paralelo ou em oposição ao culto exclusivo de Javé, e era vista como idolatria. 

As principais divindades e práticas idólatras mencionadas dentro ou nas proximidades do templo incluíam:

Aserá: Textos bíblicos e descobertas arqueológicas sugerem que a deusa cananeia Aserá (consorte de El, o deus supremo cananeu) era adorada, e havia até mesmo uma imagem ou representação de Aserá (um poste sagrado) dentro do templo em certos períodos.

Baal: O culto a Baal, deus da tempestade cananeu, era uma prática idólatra comum entre os israelitas e, em algumas épocas, também esteve presente nos altares do templo ou em seus arredores.

Outros deuses: Outras divindades, como Camos (deus dos moabitas) e Milcom/Moloque (deus dos amonitas), para quem Salomão construiu santuários em colinas próximas a Jerusalém, também podem ter tido influência nas práticas religiosas da época. 

Durante o período do Segundo Templo (incluindo o Templo de Herodes), após o exílio babilônico, a adoração idólatra foi largamente erradicada, e o culto a um único Deus, Javé, tornou-se a prática estritamente monoteísta predominante e central para o judaísmo. O Lugar Santíssimo nesse período estava vazio, pois a Arca da Aliança havia desaparecido, e não continha imagens de deuses.


Ídolos no Templo de Jerusalém

Neste caso é no Portão Norte do Templo de Jerusalém, onde estavam muitos ídolos, inclusive, a Deusa Asherah.

⁵ E disse-me: Filho do homem, levanta agora os teus olhos para o caminho do norte. E levantei os meus olhos para o caminho do norte, e eis que ao norte da porta do altar, estava esta imagem de ciúmes na entrada.

⁶ E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Mas ainda tornarás a ver maiores abominações. 

Ezequiel 8:5,6


⁹ Então me disse: Entra, e vê as malignas abominações que eles fazem aqui.

¹⁰ E entrei, e olhei, e eis que toda a forma de répteis, e animais abomináveis, e de todos os ídolos da casa de Israel, estavam pintados na parede em todo o redor.

¹¹ E estavam em pé diante deles setenta homens dos anciãos da casa de Israel, e Jaazanias, filho de Safã, em pé, no meio deles, e cada um tinha na mão o seu incensário; e subia uma espessa nuvem de incenso. 

Ezequiel 8:9-11


¹⁴ E levou-me à entrada da porta da casa do Senhor, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz.

¹⁵ E disse-me: Vês isto, filho do homem? Ainda tornarás a ver abominações maiores do que estas.

¹⁶ E levou-me para o átrio interior da casa do Senhor, e eis que estavam à entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor, e com os rostos para o oriente; e eles, virados para o oriente adoravam o sol. 

Ezequiel 8:14-16


Lista de Reis Idólatras de Israel

Reis idólatras do Reino do Norte de Israel:

Jeroboão I: Promoveu a idolatria ao erguer bezerros de ouro em Dã e em Betel.

Nadab: Seu reinado foi breve e marcado pela continuidade das políticas idólatras de seu pai.

Baasa: Seguiu as práticas idólatras.

Ela: Continuou a tradição de desobediência.

Zambri: Tomou o trono após matar Ela, mas seu reinado também foi idólatra.

Amri: Fundou sua própria dinastia, mas seu reinado foi marcado pela idolatria.

Acabe: Casou-se com Jezabel e introduziu o culto a Baal em Israel.

Ocozias: Seguiu os passos de seu pai, Acabe, e venerou ídolos.

Jorão: Continuou a política idólatra de sua dinastia.

Jeú: Embora tenha acabado com a dinastia de Acabe, ele não se afastou completamente dos bezerros de ouro.

Jeroboão II: Reinou em um período de prosperidade, mas a idolatria ainda era praticada.

Zacarias: Assumiu o trono após o reinado de Jeroboão II.

Salum: Tomou o trono após a morte de Zacarias.

Menaém: Reinou em um período de instabilidade.

Faceias: Reinou durante o período de instabilidade, seguido por seu sucessor.

Faceia: Reinou em um período de instabilidade, seguido por seu sucessor.

Oséias: Foi o último rei de Israel. 


Reis idólatras do Reino do Sul de Judá:

Roboão: O primeiro rei de Judá, cujo reino foi marcado por práticas idólatras.

Abias: Continuou as políticas idólatras de seu pai.

Jeorão: Um rei ímpio que introduziu a idolatria em Judá.

Acazias: Seguiu o caminho ímpio de seu pai e avô.

Atalia: Rainha idólatra que se apoderou do trono.

Joás: Embora tenha começado como um rei virtuoso, foi-lhe induzido a seguir a idolatria.

Amassias: Em sua maior parte, seguiu o caminho ímpio de seu pai.

Ozias (Azarias): O rei idólatra que também praticava idolatria.

Jotão: Foi um rei idólatra em seus últimos dias.

Acaz: Um rei idólatra que sacrificou seus filhos a ídolos.

Manassés: Foi um dos reis mais idólatras de Judá, que introduziu o culto aos ídolos em Judá.

Amom: Foi o último rei idólatra de Judá. 


A maioria dos reis, tanto do Reino do Norte (Israel) quanto do Reino do Sul (Judá), praticou ou permitiu a idolatria, sendo considerados "maus" aos olhos de Deus, segundo os relatos bíblicos. 

Reis Idólatras do Reino de Israel (Norte) 

Todos os reis do Reino do Norte foram considerados idólatras, perpetuando o pecado de Jeroboão I: 

Jeroboão I: Introduziu a adoração a bezerros de ouro em Betel e Dã, afastando o povo do templo de Jerusalém.

Nadabe, Baasa, Elá, Zinri, Onri, Acabe e seus sucessores: Continuaram e, em alguns casos, intensificaram as práticas idólatras. Acabe, em particular, foi um dos piores, influenciado por sua esposa Jezabel a adorar o deus Baal.

Jeú, Jeoacaz, Jeoás, Jeroboão II, Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías, Peca e Oseias: Todos seguiram o caminho de Jeroboão I, praticando o mal aos olhos do Senhor. 

Reis Idólatras do Reino de Judá (Sul) 

Embora Judá tenha tido alguns reis considerados "bons" (como Ezequias e Josias), muitos foram idólatras: 

Salomão: No final do seu reinado, influenciado por suas muitas esposas estrangeiras, permitiu a construção de altares para deuses pagãos como Camos e Moloque.

Roboão, Abias, Jeorão, Acazias, Atalia (rainha), Acaz: Promoveram ou toleraram a adoração a ídolos.

Manassés: Considerado o rei mais pecaminoso de Judá, reintroduziu a idolatria em grande escala, construiu altares para Baal no templo e até sacrificou seus filhos no fogo.

Amon: Filho de Manassés, seguiu o exemplo do pai na idolatria.

Jeoacaz, Jeoiaquim, Jeoiaquin e Zedequias: Foram os últimos reis de Judá, que também praticaram o mal diante de Deus, levando ao exílio babilônico.



segunda-feira, 17 de novembro de 2025

AMA-GI - LIBERDADE EM SUMÉRIO

 



Ama-gi é umapalavra suméria escrita como 𒂼𒄄 ama-gi ou 𒂼𒅈𒄄 ama-ar-gi. Os sumérios a utilizavam para se referir à libertação de obrigações, dívidas, escravidão, impostos ou punições. Ama-gi é considerada a primeira referência escrita conhecida ao conceito de liberdade e tem sido usada nos tempos modernos como um símbolo do libertarianismo.

Ama-gi foi traduzido como "liberdade", bem como "alforria", "isenção de dívidas ou obrigações" e "a restauração de pessoas e propriedades ao seu estado original", incluindo a remissão de dívidas. Outras interpretações incluem um "retorno a um estado anterior" e libertação de dívidas, escravidão, impostos ou punição. 

A palavra tem origem no substantivo ama "mãe" (às vezes com o marcador de caso dativo enclítico ar) e no particípio presente gi "retornar, restaurar, pôr de volta", significando literalmente "retornar à mãe". O assiriólogo Samuel Noah Kramer identificou-a como a primeira referência escrita conhecida ao conceito de liberdade. Referindo-se ao seu significado literal "retornar à mãe", escreveu em 1963 que "ainda não sabemos por que essa figura de linguagem passou a ser usada para 'liberdade'". 

O primeiro uso conhecido da palavra foi no decreto de Enmetena, que restituiu "a criança à sua mãe e a mãe ao seu filho".  Na Terceira Dinastia de Ur, era usada como um termo jurídico para a alforria de indivíduos. 

Em alguns textos cuneiformes, é traduzido pela palavra acádia andurāru(m) , que significa "liberdade", "isenção" e "libertação da escravidão (da dívida)".

Diversas organizações libertárias adotaram o glifo cuneiforme como símbolo, alegando ser "a aparição escrita mais antiga conhecida da palavra 'liberdade' ou 'liberdade'". É usado como logotipo pelo Instituto Político para la Libertad do Peru, pela New Economic School – Georgia,  pela editora libertária Liberty Fund, e foi o nome e logotipo do periódico da Sociedade Hayek da London School of Economics. O músico britânico Frank Turner e a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, têm o símbolo tatuado em seus antebraços.


domingo, 26 de outubro de 2025

MOISÉS NUNCA EXISTIU

 


Diz a Bíblia: “E em Israel nunca mais surgiu um profeta como Moisés, a quem o Senhor conhecia face a face”. Esta frase está no último capítulo do livro do Deuteronômio, logo após a narrativa da morte do herói. Tamanha intimidade com Deus teria permitido que o líder israelita visse o próprio Criador (ainda que não o rosto divino, que não podia ser vislumbrado) e recebesse das mãos dele as tábuas com os Dez Mandamentos, a base da legislação sagrada que judeus e cristãos veneram até hoje. De quebra, segundo a tradição judaica, os cinco primeiros livros da Bíblia, que compõem a parte mais sagrada do Velho Testamento, seriam obra de Moisés.

Só tem um problema: descobertas de historiadores e arqueólogos têm lentamente desmontado a saga de Moisés. O libertador dos israelitas talvez seja uma figura quase tão mitológica quanto Daenerys Targaryen, a heroína de Guerra dos Tronos. É verdade que um líder tribal chamado Moisés, ou algo parecido, pode até ter existido há 3 mil anos, mas basicamente nenhum feito atribuído a ele passa pela peneira do escrutínio histórico.

Por outro lado, a saga que está na Bíblia não surgiu do nada. Ela é fruto de um longo processo histórico, que culminou na criação do monoteísmo. Essa saga, embora não contenha milagres e talvez seja complexa demais para virar novela, é tão fascinante quanto a narrada pelo Livro Sagrado.


O Nome

A primeira pista para dissecar a origem de Moisés está no nome dele e de seus parentes. Apesar de, segundo a Bíblia, todos eles serem israelitas, seus nomes não são em hebraico, a língua desse povo. As denominações “Moisés”, “Aarão” (seu irmão) e “Fineias” (seu sobrinho-neto) são derivadas do idioma egípcio.

“Moisés”, por exemplo, tem a mesma origem que as terminações dos nomes dos faraós Ramsés e Tutmósis. Os três derivam do egípcio antigo “msézs”, que significa “filhos de” – Ramsés, portanto, quer dizer “filho do deus Ra” (faraós não eram modestos). “No caso de Moisés, falta o nome da divindade da qual ele seria considerado filho”, destaca o teólogo Leonardo Agostini Fernandes, especialista em Antigo Testamento da PUC-RJ.

Ou seja: o nome “Moisés” estaria para “Tutmósis” assim como “son” está para “Anderson”. Não é um nome, mas um sufixo, que nem faz sentido sem o devido prefixo. Isso pode significar, primeiro, que o herói é completamente lendário. Segundo, que seus criadores queriam dar ao personagem um nome que soasse egípcio (já que o Egito era a grande potência da época), mas erraram a mão por não conhecerem bem a língua estrangeira. Mais ou menos como acontece hoje com quem batiza o filho como “Maicon”.

Mas por que inventar um personagem de nome “egipciado”, e não israelita (como seria se ele se chamasse “Saul” ou “Isaías”)? Provavelmente por causa do domínio que o Egito exerceu sobre vastas áreas do Oriente Médio no período final da Idade do Bronze (de 1500 a.C. até uns 1200 a.C.). Nessa época, boa parte dos territórios atuais de Israel, Palestina, Jordânia, Líbano e Síria não passavam de províncias egípcias, controladas pelos faraós com o auxílio de nobres vassalos das cidades-Estado da região.

Entre 1200 a.C. e 1100 a.C., porém, o império egípcio desmoronou – o motivo mais provável é que uma mudança climática tenha causado um período de fome, desestabilizando o Estado. E olha só: exatamente nessa época, como  arqueólogos do século 20 descobririam, surgiu uma nova onda de assentamentos nas montanhas de Canaã: seriam os primeiros vilarejos israelitas, levantados no vácuo de poder que instalou-se em Canaã com o fim do domínio dos faraós.

Essa comunidade, como qualquer agrupamento humano, tinha suas histórias – lendas para serem contadas em volta da fogueira. Uma dessas lendas provavelmente envolvia rebeldes egípcios que ajudaram a fundar a própria comunidade na periferia dos domínios faraônicos, conforme o governo se desmantelava. As  figuras lendárias de Moisés (e de Aarão, e de Fineias) teriam nascido nesse momento de transição, como personagens de histórias orais, que cresciam e se multiplicavam de fogueira em fogueira, enquanto a comunidade israelita se firmava numa Canaã agora livre do jugo egípcio.

Quem conhece a Bíblia sabe que essa é uma realidade bem diferente da registrada ali. Só para recapitular: no Livro Sagrado, a comunidade israelita começou como uma família, por volta de 1900 a.C., cujo patriarca era justamente um homem chamado Israel (e nascido com o nome de Jacó). No fim da vida, Jacó/Israel sai de Canaã com seus filhos e netos. Sai para morar no Egito, onde José, outro de seus 12 filhos, é uma espécie de primeiro-ministro. A família cresce nos séculos seguintes até se tonar uma nação de mais de 1 mihão de indivíduos, encravada em pleno Delta do Nilo, bem longe de Canaã.

Essa nova nação, diz o texto bíblico, acaba escravizada pelos egípcios. Então surge Moisés, um descendente de Jacó que crescera como príncipe na corte egípcia. Ele liberta seu povo e termina guiando-o para Canaã, a terra que Jacó e seus filhos tinham deixado para trás 400 anos antes – a mesma terra que, lá atrás, tinha sido prometida por Deus a Abraão, avô de Jacó.


Os israelitas jamais moraram no Egito

Na vida real, como a arqueologia deixa claro, não foi bem isso: a nação de Israel surgiu a partir de tribos que sempre haviam morado em Canaã mesmo. Eles eram cananeus da gema. Nunca, jamais, moraram no Egito. Muitos cananeus proto-israelitas (cujos netos e bisnetos formariam o povo de Israel lá na frente) certamente foram escravos de egípcios – inclusive dentro de Canaã, já que esse era o destino de vários habitantes de regiões dominadas. Daí teria surgido a história de que toda a comunidade israelita formou-se como nação enquanto era escrava.

Mario Liverani, arqueólogo da Universidade La Sapienza, em Roma, é um dos pesquisadores que defendem essa tese. Seu ponto de vista é o seguinte: com o passar dos séculos, as sagas sobre a libertação do jugo egípcio dentro da Terra Prometida passaram a ser contadas como uma fuga épica do Egito para a Terra Prometida. Simples assim.


Moisés não escreveu a Torah

Outra certeza dos historiadores é que Moisés não escreveu o quinteto inicial de livros bíblicos – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

As pistas a esse respeito são diversas, a começar pela presença de várias narrativas diferentes, e muitas vezes contraditórias, do mesmo evento nos livros supostamente mosaicos. Há, por exemplo, três versões diferentes dos Dez Mandamentos. Como ninguém imagina que Moisés andava se esquecendo das coisas e escrevendo a mesma história diversas vezes, com variações, a hipótese dominante desde o século 19 é que vários textos antigos foram costurados e editados para produzir o Pentateuco, os “cinco livros de Moisés”, que os judeus chamam de Torá.

Mais: todos os textos do Livro Sagrado foram escritos séculos depois do suposto Êxodo do Egito, que teria começado em 1446 a.C., segundo a cronologia bíblica. A redação dos primeiros textos data de, no mínimo, 800 a.C., época em que os israelitas já formavam uma sociedade próspera e organizada – ou seja, com exércitos, sacerdotes, escribas, burocratas; o único tipo de ambiente capaz de produzir obras literárias complexas. Essa fase teria começado quando uma dúzia de tribos se uniu nas montanhas de Canaã para formar um Estado propriamente dito, o reino de Israel. Em poucas gerações, porém, essa nação acabou dividida em duas: as rivais Judá, no sul de Canaã, e outra, ao norte, que manteve o nome antigo (Israel). A capital de Judá era Jerusalém, a cidade mais importante do reino original. Já os monarcas de Israel ( “Israel 2”, no caso) viviam na luxuosa Samaria.

Seja como for, os habitantes dos dois reinos podem ser chamados de “israelitas”. E foram os reis, sacerdotes e escribas israelitas, tanto de Judá como de Israel, que colocaram no papiro as histórias de beira de fogueira que seu povo contava desde 1200 a.C., 1100 a.C. Essas histórias, diga-se, se tornariam a coluna vertebral do maior best-seller de todos os tempos, a Bíblia.

Mas não foram só lendas que entraram ali. Os textos da Bíblia, afinal, também funcionavam como uma Constituição para os israelitas. Segundo o que foi escrito no Livro Sagrado, Moisés recebeu das mãos de Deus a parte mais importante dessa Constituição – os Dez Mandamentos. Mas, se Moisés provavelmente é um personagem fictício, e a hipótese de que Deus escreveu Ele mesmo os Mandamentos, como está na Bíblia, é questão de fé, não de história com “H” maiúsculo, nos resta uma pergunta: Quem escreveu os Dez Mandamentos?

Boa parte da lista dos Dez Mandamentos – “Não matarás”, “Não cometerás adultério”, “Não roubarás” – provavelmente é bem mais antiga que a Bíblia, já que nenhuma sociedade consegue funcionar sem esse tipo de regra. Mas a forma definitiva das leis é bem mais recente.

Quase todos os especialistas concordam hoje que a versão mais antiga dos Dez Mandamentos é a que consta no capítulo 5 do Deuteronômio, livro bíblico “publicado” pela primeira vez em 622 a.C. Nesse ano, segundo o Antigo Testamento, um texto conhecido simplesmente como o “Livro da Lei” ou “Livro da Aliança” foi descoberto dentro do Templo de Jerusalém e levado até Josias, rei de Judá.

De acordo com a Bíblia, essa obra seria a compilação original das leis dadas por Deus a Moisés, que teria ficado esquecida por séculos. De acordo com a maior parte dos pesquisadores, essa obra é o livro bíblico hoje conhecido como Deuteronômio.

Trata-se de um livro que contém vários discursos atribuídos a Moisés. Ali, o líder lendário do passado recita as centenas de leis tradicionais da comunidade israelita; as Leis de Moisés, entre as quais estão os Dez Mandamentos.

Ao tomar conhecimento do conteúdo do “Livro da Aliança”, diz a Bíblia, Josias ficou transtornado por perceber que seu povo não estava seguindo as leis divinas escritas ali. Não que Judá tivesse se convertido numa terra de adúlteros, ladrões e assassinos. Mas uma coisa era fato: enquanto o Livro da Lei falava o tempo todo que só existe UM Deus, Iahweh, e que cultuar outras divindades era um crime mortal, Judá era uma nação politeísta. Iahweh até era o deus principal. Mas tratava-se de apenas uma divindade em meio a tantas outras.


Mandamentos

Josias, segue a versão bíblica da história, iniciou então um projeto ambicioso de reforma religiosa. Primeiro, fez uma leitura pública do livro sagrado para todos os moradores de Jerusalém, para mostrar que Moisés em pessoa, o maior personagem das lendas israelitas, repudiava o politeísmo. Depois destruiu as estátuas de deuses pagãos, que existiam no próprio Templo de Jerusalém, o santuário de Iahweh.

Ele ainda eliminou os altares tradicionais na zona rural, onde sacrifícios costumavam ser feitos a Iahweh. Dali por diante, a adoração ao deus dos judeus, aquele que séculos mais tarde se tornaria o Deus com “D” maiúsculo dos cristãos e muçulmanos, ficaria totalmente centralizada no Templo em Jerusalém. A Bíblia, por fim, elogia esse conjunto de medidas com toda a pompa: “Não houve antes dele rei algum que se tivesse voltado, como ele, para Iahweh, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força, em toda a fidelidade à Lei de Moisés; nem depois dele houve algum que se lhe pudesse comparar.”

Só para lembrar: a história de Josias até aqui é a que está na Bíblia. Mas a verdade histórica sobre ele, ao que tudo indica, é outra, a que vamos ver daqui em diante. Para começar, a semelhança desse elogio bíblico com o que o Deuteronômio diz sobre Moisés no início desta matéria não é mera coincidência. É que, justamente na época de Josias, o Egito voltava a fincar garras em Canaã, coisa que não acontecia desde a fundação das primeiras comunidades israelitas, aquelas que contavam histórias sobre rebeldes libertadores em volta da fogueira, 600 anos antes de Josias.

De volta para o futuro. Os egípcios começam a avançar sobre Canaã na condição de aliados do Império Assírio, uma potência da Mesopotâmia (atual Iraque) que há séculos infernizava a vida dos israelitas. Em 722 a.C., os assírios haviam destruído o reino de Israel e anexado seu território. Nas décadas seguintes, chegaram perto de destruir Judá. O  reino acabou poupado.

Mas Josias agora temia pelo futuro de Judá. Sob a pressão de egípcios e assírios, seu reino poderia ter o mesmo destino daquele reino de Israel original, que acabou dividido. Sem falar que Judá era pequena até para os padrões da Antiguidade. Com área um pouco maior que a da região metropolitana de São Paulo, o reino não resistiria se perdesse a unidade política. Viraria parte do Egito, ou da Assíria, e terminaria sua odisseia na Terra, como já tinha acontecido com tantos povos e culturas do Oriente Médio.

Mas Josias tinha um plano. Para dar a unidade que ele imaginava necessária ao seu reino, o soberano adotou uma ferramenta inédita: proibir o culto a deuses estrangeiros. Só Iahweh, o deus nacional, poderia (e deveria) ser cultuado. Era uma forma eficaz de evitar influências de fora, que eventualmente poderiam rachar a nação.

Até porque, pelo que a arqueologia revela, os israelitas sempre tinham acreditado em vários deuses. É o contrário do que diz a Bíblia, já que ali o monoteísmo começa bem antes, com Abraão, o avô de Jacó, e sofre apenas alguns “soluços” de politeísmo. Mas não: além de Iahweh, os israelitas cultuavam Baal, Asherah, El… – deuses que faziam parte da mitologia de Canaã desde mais ou menos 2000 a.C.

Josias, então, decide banir essa democracia ritualística com o propósito de fortalecer a unidade nacional. Como? Anunciando que encontrou um certo “Livro da Lei” perdido no Templo, um documento com quase mil anos de idade, contendo a palavra de Moisés, em pessoa. Um documento com o líder mais legendário ditando as leis “originais” dos Filhos de Israel. Na prática, aquilo servia como se fosse a Bíblia inteira, já que o Livro Sagrado, até onde se sabe, ainda não existia na forma como o conhecemos.

Na opinião de boa parte dos historiadores, essa forma final começava a nascer ali, sob a pena de Josias. O rei teria escrito ele mesmo (com a ajuda de sacerdotes e escribas) o “Livro da Lei”. Ele seria, então, o autor dos Dez Mandamentos. Ele teria criado a história na qual Moisés recebe as tábuas das mãos de Iahweh.

Agora, vamos convir: se você fosse um israelita típico, ficaria muito, muito tentado a obedecer essas leis. Nada podia ser mais fenomenal, mais sagrado, do que palavras escritas pelo deus nacional e entregues para o herói nacional, o homem que libertara seu povo da escravidão séculos atrás.

E, se você decidisse seguir mesmo essas leis, estaria fazendo exatamente o que Josias tinha imaginado: abandonaria seu politeísmo. Sim, porque, dos Dez Mandamentos, nada menos que três são ordens para desistir de uma vez por todas de venerar outros deuses. Tudo para não deixar a menor dúvida sobre o que significava ser um morador de Judá. Para aglutinar ainda mais a população, Josias implementou outra medida: o culto a Iahweh só poderia acontecer no Templo de Jerusalém. E uma nova religião nascia ali, em Judá: o judaísmo.

O “Livro da Lei” de Josias acabaria dando novas cores à história de Moisés. Agora o líder do passado não seria tratado apenas como libertador, mas também como legislador. O Pentateuco terminaria de ser escrito no século seguinte. E trechos do “Livro da Lei” iriam parar no futuro livro do Êxodo, que contaria a história de Moisés do jeito que ela é conhecida hoje – com a cestinha no Nilo, a abertura do Mar Vermelho (que provavelmente já era a lenda oral mais antiga dos israelitas) e, para fechar com chave de ouro, os Dez Mandamentos.

A continuação da saga também ganharia sua forma final, com Josué, sucessor de Moisés, finalmente guiando o povo de Deus para dentro da Terra Prometida. Tudo numa grande ofensiva militar contra as cidades cananeias (e politeístas) da região. O ápice cênico, aliás, é a conquista da cidade murada de Jericó – outra história bíblica desmentida pela arqueologia, já que não havia uma cidade grande com muralhas na região quando Josué teria vivido.

Outro episódio marcante que a historiografia ajuda a descortinar é aquele que envolve um certo bezerro de ouro. A narrativa bíblica diz que Moisés passou 40 dias e 40 noites recebendo instruções de Deus no alto do Monte Sinai. Cansados de esperar o profeta, os israelitas teriam pedido a Aarão, o sacerdote do Êxodo: “Faze-nos um deus que vá à nossa frente”. Usando milhares de brincos de ouro, Aarão forjou então a estátua de um bezerro e construiu um altar diante dela, no qual foram oferecidos sacrifícios.


Bezerro de Ouro

Essa história também teve uma inspiração clara na vida real. É que outra figura do passado israelita era fã de bezerros de ouro. Trata-se de Jeroboão, primeiro monarca de Israel, o reino do norte, que mandou construir duas dessas estátuas, uma em Betel outra em Dan, uma em cada ponta de seus domínios. A ideia era rivalizar com o Templo de Jerusalém, em Judá.

É óbvio que o reino do sul não gostou da ideia. Tanto que, durante sua reforma religiosa, Josias fez questão de visitar Betel (que a essa altura pertencia oficialmente à Assíria, após o fim do reino de Israel) e destruir o altar-bezerro construído por Jeroboão.

Mais. Ao testemunhar o episódio de adoração ao bezerro de ouro, Moisés perde a cabeça e quebra as tábuas onde estão gravados os Dez Mandamentos, diz o capítulo 34 do Êxodo. Iahweh repõe o material destroçado, produzindo uma segunda versão. Só que esta surge bem diferente da primeira, como você pode ver neste adendo aqui. Ou seja: na vida real, cada lista provavelmente foi escrita por um autor distinto, com décadas, ou séculos, de intervalo.

Moral da história: a narrativa sobre o bezerro no Êxodo também teria sido retrojetada – ou seja, inserida no passado – para justificar uma ação que Josias tomou na vida real.

Só tem um problema: a Judá forte e unida forjada por Josias não se mostrou um projeto bem-sucedido. A Assíria tinha sido ela própria dominada por outro reino da Mesopotâmia, por volta do ano 600 a.C.: o da Babilônia. Judá, então, virou um mero peão no jogo de xadrez entre a agora poderosa Babilônia e sua eterna pedra no sapato, o Egito. Josias morreu com Judá ainda de pé. Mas seus sucessores, sem grande habilidade diplomática, tomaram decisões que levaram à destruição do reino – e à deportação de milhares de membros da elite judaica para a Babilônia, em 586 a.C.

O que a história de Moisés tem a ver com isso tudo? Bem, 50 anos após o fim do reino de Judá, as famílias dos deportados foram autorizadas a voltar para casa e reconstruir Jerusalém. Como os israelitas do Êxodo, tiveram de atravessar o deserto no caminho para a terra natal.


Talvez seja por isso que, no Deuteronômio, Moisés morra pouco antes de seu povo adentrar a Terra Prometida. Na versão final do livro, redigida pelos exilados que estavam voltando, Moisés sai de cena sem o prêmio de colocar os pés em Canaã. E fica a mensagem: a vida do libertador não precisava disso para fazer sentido. Tudo já tinha valido a pena.

Essa característica inspiradora, de certa forma, ajuda a explicar o poder que a saga tem até hoje. A jornada árdua pelo deserto rumo à liberdade motivaria vários outros povos a enfrentar seus próprios “faraós”. É o caso dos responsáveis pela declaração de independência dos EUA, no século 18, que construíram a primeira democracia depois da Grécia Antiga. Os revolucionários ali quase transformaram a imagem de Moisés abrindo o Mar Vermelho no brasão de seu país.

É isso. Acredite você ou não que a história de Moisés foi escrita sob inspiração divina, o fato é que isso não muda em nada a força da mensagem que está ali. Uma mensagem de superação e de luta por liberdade que moldaria a história do mundo séculos mais tarde. E que continua viva e influente, milênios depois de todos os impérios da Antiguidade que oprimiam a pequena Judá terem virado pó. 


Fonte:

https://super.abril.com.br/historia/os-dez-mandamentos-a-verdadeira-historia-de-moises/

HERÓIS COLOCADOS EM UM CESTO E EM UM RIO

 


Sargão da Akadia

A mãe de Sargão, cujo nome é desconhecido, colocou Sargão em um cesto no rio Eufrates, o nome do pai de Sargão é La'ibum, mas eles não eram próximos. Sargão da Acádia foi encontrado no rio Eufrates por um jardineiro, chamado Akki. 

Sargão se orgulha de ser filho de um carregador de água, reconhecendo Akki como seu pai adotivo, contudo, ele sabe de sua origem, pois ele diz ser cidadão da antiga cidade de Azupiranu. 

Azupiranu é um nome acadiano que significa "cidade do açafrão.


Um texto neoassírio do século VII a.C., que alega ser a autobiografia de Sargão, afirma que o grande rei seria o filho ilegítimo de uma sacerdotisa. No relato neoassírio o nascimento e a infância de Sargão são descritos:


Minha mãe foi uma alta sacerdotisa, meu pai eu não conheci. Os irmãos de meus pais amavam as montanhas. Minha cidade é Azupiranu, que se situa às margens do Eufrates. Minha mãe, alta sacerdotisa, me concebeu, em segredo me pariu. Colocou-me numa cesta de juncos, e selou-o com betume. Colocou-me no rio, que se elevou sobre mim, e me carregou a Akki, o carregador de água. Akki, o carregador de água, me aceitou como seu filho e me criou. Akki, o carregador de água, me nomeou como seu jardineiro. Enquanto eu era um jardineiro, Istar me concedeu seu amor, e por quatro e [...] anos eu exerci o reinado.


Karna Herói do Épico MAHABHARARATA 

Karna  é filho de Surya (a divindade do Sol) e da princesa Kunti (mais tarde a rainha Pandava). Kunti recebeu a bênção de ter um filho com as qualidades divinas desejadas pelos deuses e, sem muito conhecimento, Kunti invocou o deus sol para confirmar se era realmente verdade.

Karna foi colocado no rio Aswa  por sua mãe, Kunti, e descoberto mais tarde pelo cocheiro Adhiratha e sua esposa Radha. A história é contada no épico hindu Mahabharata. 

Em seguida, chegou ao rio Yamuna. Finalmente, flutuou até o rio Ganges, onde foi encontrado. 

No mito, o cocheiro  Adhiratha e sua esposa Radha, acham Karna no rio Ganges.

Duryodhana filho do Rei Dhritarashtra e da Rainha Gandhari foi quem nomeou Karna rei de Anga. 


Karna também foi chamado por muitos nomes. Alguns deles são:

Vasusena – Nome original de Karna, significa “nascido com riqueza”, pois ele nasceu com armadura natural e brincos. 

Suryaputra – Filho de Surya

Radheya – filho de Radha (mãe adotiva de Karna).

Sutaputra – filho do cocheiro.

Angaraja – rei de Anga .

Daanaveera – alguém de natureza caridosa ou alguém que é excepcionalmente munificente (generoso) 

Vijayadhari – portador de um arco chamado Vijaya que foi presenteado pelo Senhor Parashurama.

Vaikartana – aquele que pertence à raça solar (relacionado a Surya).

Vrisha – aquele que é verdadeiro no discurso e mantém seus votos.


Karna é o filho mais velho de Kunti, concebido com o deus-sol Surya antes de seu casamento. Os seus meio-irmãos são os cinco irmãos Pandavas, filhos do Rei Pandu.

Os cinco filhos de Kunti, também conhecidos como os Pandavas, são: 

Yudhishthira: O mais velho dos irmãos, conhecido por sua retidão e justiça.

Bhima: Famoso por sua imensa força e bravura.

Arjuna: Considerado o maior arqueiro de seu tempo.

Nakula: Especialista em esgrima e com uma beleza incomparável.

Sahadeva: Conhecido por sua sabedoria e conhecimento.


Os irmãos adotivos de Karna eram os filhos de seus pais adotivos, Adhiratha e Radha. Embora suas vidas não sejam tão detalhadas quanto as de outros personagens no épico Mahabharata, algumas fontes mencionam seus nomes: 

Sangramajit

Shatrunjaya

Vipatha

Vrikaratha

Chitrasena 


Moisés

Filho de Jokebede e de Amrão (Anrão).  Joquebede e Anrão eram da Tribo de Levi.

Amram, cujo significado é Amigo do mais alto/ou "amigo do Altíssimo". Conforme Êxodo 6:20, Anrão é o pai de Moisés (da tribo de Levi, descendente dos Coatitas).

Yōḵeḇeḏ quer dizer Glória de Yahweh. Eles foram os pais de  Aarão, Moisés e Miriã.

Moisés foi colocado em um cesto no rio Nilo por sua mãe. 


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

PAPIRO DE MERER

 


O Diário de Merer (também conhecido como Papiro Jarf) é o nome dado a registros em papiro escritos há mais de 4.500 anos por Merer, um oficial de nível médio. São os papiros mais antigos conhecidos com texto, datando do 27º ano do reinado do faraó Quéops (c. 2589–2566 a.C.) durante a 4ª dinastia.

Situado na costa egípcia do Mar Vermelho, Wadi al-Jarf é hoje um local sossegado e despretensioso. As areias secas do deserto e a água azul e plácida estendem-se até onde a vista alcança. Do outro lado do mar, é possível avistar a Península do Sinai. Esta aparente tranquilidade disfarça o movimentado centro que aqui existiu há mais de 4.000 anos. A importância histórica de Wadi al-Jarf foi consolidada em 2013 quando 30 papiros, os mais velhos do mundo, foram descobertos escondidos em grutas escavadas pelo homem em pedra calcária.

Além da sua idade, os chamados Manuscritos do Mar Vermelho são notáveis devido ao seu conteúdo. Não só revelam o passado distante de Wadi al-Jarf enquanto porto cheio de vida como contêm relatos na primeira pessoa de um homem chamado Merer, que participou na construção da Grande Pirâmide do faraó Khufu.

O sítio de Wadi al-Jarf foi descoberto em 1823 por um antiquário e viajante inglês chamado John Gardner Wilkinson, que pensou que as ruínas pertenciam a uma necrópole greco-romana.

Mais tarde, na década de 1950, dois pilotos franceses apaixonados por arqueologia, François Bissey e René Chabot-Morisseau, voltaram a tropeçar no sítio. Sugeriram que tivesse outrora sido um centro de produção metalúrgica. No entanto, a crise do Suez, ocorrida em 1956, atrasou investigações mais aprofundadas.

Os trabalhos só foram retomados em 2008. O egiptólogo francês Pierre Tallet liderou uma série de escavações que identificaram definitivamente Wadi al-Jarf como um importante porto com cerca de 4.500 anos, remontando ao reinado de Khufu e contemporâneo da construção da Grande Pirâmide. As equipas de Tallet revelaram que Wadi al-Jarf era um pólo económico vibrante situado no centro do comércio dos materiais utilizados para construir as pirâmides, a cerca de 241 quilómetros de distância. Comprovando as evidências arqueológicas, o fabuloso diário de Merer foi encontrado entre os papiros. 

O sítio de Wadi al-Jarf é composto por várias zonas diferentes, abrangendo vários quilómetros entre o Nilo e o Mar Vermelho. Partindo do rio Nilo, a primeira zona, situada a cerca de cinco quilómetros da costa, contém cerca de 30 grandes câmaras de armazenamento escavadas no calcário. Foi aí que os papiros foram descobertos.

Avançando cerca de 460 metros para leste, em direcção ao mar, surge uma série de campos e, depois destes, um grande edifício em pedra dividido em 13 secções paralelas. Os arqueólogos supuseram que o edifício fosse utilizado como residência. Por fim, na costa, encontra-se o porto propriamente dito, com habitações e mais espaços de armazenamento. Utilizando a cerâmica e as inscrições existentes no sítio, os arqueólogos conseguiram enquadrar cronologicamente o complexo portuário na quarta dinastia do Egipto, há cerca de 4.500 anos.

Eles acham que o porto foi inaugurado no tempo do faraó Seneferu e abandonado por volta do fim do reinado do seu filho Khufu. Funcionou durante pouco tempo, mas nesse período, o porto esteve dedicado à construção do túmulo de Khufu, conhecido na altura como Akhet-Khufu, o “Horizonte de Khufu”.

Para além dos papiros, muitas outras descobertas arqueológicas importantes revelaram a importância do porto. Estruturas de grande dimensão, como o pontão em pedra com 180 metros de cumprimento, mostram um grande investimento na zona. Tallet e a sua equipa descobriram mais de 130 âncoras, cuja presença implica um porto movimentado.

Zarpando do porto, apelidado de “O Mato” pelos antigos egípcios, os navios do faraó atravessavam o Mar Vermelho até à Península do Sinai, rica em cobre. O cobre era o metal mais duro disponível na altura e os egípcios precisavam dele para cortar as pedras para a gigantesca pirâmide do seu faraó. Quando regressavam ao porto, os navios egípcios vinham carregados de cobre. Entre viagens, os navios ficavam guardados nas câmaras de calcário.

Quando o porto de Wadi al-Jarf foi encerrado, por volta da altura da morte de Khufu, os registos mostram que uma equipa veio de Gizé para fechar os espaços de armazenamento escavados no calcário. Esta equipa era conhecida pelo nome de Equipa de Acompanhantes do “Ureu de Khufu e a Sua Proa”, numa muito provável referência a um navio com o Ureu (serpente protectora) na proa. Durante o processo de encerramento das grutas calcárias, os documentos em papiro de Merer, entretanto obsoletos, ficaram entre os blocos de pedra.

Permaneceram expostos ao ar do deserto durante cerca de quatro milénios e meio até serem descobertos, numa escavação liderada por Tallet, em 2013. O primeiro conjunto de Manuscritos do Mar Vermelho fora encontrado no dia 24 de Março desse ano, junto à entrada do espaço de armazenamento designado como G2. O segundo e maior conjunto de documentos foi descoberto dez dias mais tarde, enfiado entre blocos no espaço de armazenamento.

Os arqueólogos encontraram centenas de fragmentos de papiro nas grutas de Wadi al-Jarf. Escritos com tinta preta e vermelha, os textos mencionam o faraó Khufu. Muitos destes fragmentos foram reconstruídos de modo a formar documentos – alguns com cerca de meio metro!

Há vários tipos de documentos entre os Manuscritos do Mar Vermelho, mas foram os escritos de Merer que mais excitação causaram. Líder de uma equipa de operários, Merer registava as suas actividades num diário. É um relato diário do trabalho executado pela sua equipa ao longo de um período de três meses, durante a construção da Grande Pirâmide.

A equipa de Merer era composta por cerca de 200 trabalhadores que viajavam por todo o Egipto e eram responsáveis por executar todo o tipo de tarefas relacionadas com a construção da Grande Pirâmide. Uma das mais interessantes foi a extracção dos blocos de calcário utilizados para revestir a pirâmide. Merer registou com grande pormenor a forma como a equipa os removeu das pedreiras de Tura e os transportou de barco até Gizé.

Os homens de Merer colocavam os blocos de calcárioem barcos, transportavam-nos rio acima, e assistiam à sua contagem numa zona administrativa antes de serem despachados para Gizé. Um fragmento do diário relata a viagem de três dias desde a pedreira até ao local de construção da pirâmide.


Dia 25: O Inspector Merer passa o dia com a sua za [equipa] a transportar pedras no sul de Tura; passa a noite no sul de Tura.

Dia 26: O Inspector Merer zarpa do sul de Tura com a sua za, com uma carga de blocos de pedra, dirigindo-se a Akhet-Khufu [Grande Pirâmide]; passa a noite em She-Khufu [zona administrativa com espaço de armazenamento para a cantaria, mesmo antes de Gizé].

Dia 27: Embarque em She-Khufu, viagem até Akhet-Khufu com a carga de pedras, pernoita em Akhet-Khufu.

No dia seguinte, Merer e os seus trabalhadores regressaram à pedreira para buscar um novo carregamento de pedras:

Dia 28: Partida de Akhet-Khufu de manhã; navegando rio acima até ao sul de Tura.

Dia 29: O Inspector Merer passa o dia com a sua za a carregar pedras no sul de Tura; passa a noite no sul de Tura.

Dia 30: O Inspector Merer passa o dia com a sua za a carregar pedras no sul de Tura; passa a noite no sul de Tura.


O diário de Merer até fornece um vislumbre de um dos arquitectos da pirâmide. Ankhhaf, meio-irmão de Khufu, detinha a posição de “chefe de todas as obras do rei”. Um dos fragmentos de papiro diz: “Dia 24: O Inspector Merer passa o dia com a sua za a carregar [falta texto] com pessoas com cargos de elite, equipas de seguidores e o nobre Ankh-haf, director de Ro-She Khufu.”

Os materiais utilizados na construção da Grande Pirâmide vieram de todo o Egipto: calcário das pedreiras de Tura, junto ao Cairo, basalto de Fayyum, granito de Assuão e cobre da Península do Sinai. Para transportar estes materiais rápida e eficazmente, foram construídas vias aquáticas em Gizé para que que pudessem viajar de barco durante o máximo de tempo possível. Estes corpos de água transbordavam com as cheias de Verão e incluíam “A Foz do Lago de Khufu”, que servia de acesso a dois lagos interiores, próximos do local de construção da pirâmide: o “Lago de Khufu”, na ponta oposta do local de construção principal e o “Lago do Horizonte de Khufu”, uma lagoa mais pequena que era provavelmente utilizada por embarcações mais pequenas. Para facilitar ainda mais os trabalhos, foi construída uma pedreira para cortar os blocos de pedra utilizados na estrutura interior junto ao local de construção da pirâmide.

Merer também acompanhou cuidadosamente os pagamentos da sua equipa. Como não havia moeda corrente no Egipto faraónico, os salários costumavam ser pagos em medidas de cereal. Havia uma unidade básica, a “ração” e o trabalhador recebia mais ou menos consoante a sua categoria na hierarquia administrativa. Segundo os papiros, a alimentação básica dos trabalhadores consistia em hedj (pão levedado), pesem(pão ázimo), carnes diversas, tâmaras, mel e leguminosas, tudo acompanhado com cerveja.

Há muito que se chegou a consenso quanto ao facto de uma grande força laboral ter construído a Grande Pirâmide, mas os historiadores discutiram durante muito tempo sobre o estatuto dessa mão-de-obra. Muitos diziam que os trabalhadores deveriam ser pessoas escravizadas, mas os Manuscritos do Mar Vermelho contradizem essa ideia. Os registos de pagamento pormenorizados de Merer demonstram que os construtores das pirâmides eram trabalhadores hábeis que eram remunerados pelos seus serviços.

Existe algo ainda mais extraordinário nas linhas dos frágeis papiros. As palavras de Merer são um relato na primeira pessoa de alguém que não só testemunhou a construção das pirâmides, mas cujo trabalho foi uma parte essencial da obra no dia a dia. Devido a esta descoberta, os egípcios têm agora uma imagem pormenorizada (e um pouco prosaica) das etapas finais da construção da Grande Pirâmide.


https://www.nationalgeographic.pt/historia/merer-diario-antigo-revela-como-egipcios-construiram-grandes-piramides_4785



quarta-feira, 22 de outubro de 2025

A MATEMÁTICA É A MÃE DA CIÊNCIA?

 


A frase "A matemática é a rainha das ciências" foi cunhado pelo matemático alemão Carl Friedrich Gauss porque a matemática é essencial para a compreensão do mundo natural e serve como linguagem fundamental para outras disciplinas científicas. É considerada a "rainha" por fornecer a estrutura e as ferramentas básicas necessárias para todas as outras ciências, como física, química, engenharia, biologia, economia, administração de empresas, logística, etc.

Gauss também declarou: "a teoria dos números é a rainha da matemática", destacando a importância desse ramo específico dentro de um campo maior. 


"A matemática é a rainha das ciências e a teoria dos números é a rainha da matemática. Ela frequentemente se digna a prestar serviços à astronomia e outras ciências naturais, mas em todos os aspectos ela tem direito ao primeiro lugar.

~Carl Friedrich Gauss~


A matemática fornece a linguagem e as ferramentas para descrever e entender os padrões e leis do mundo físico.  Áreas como física, engenharia e biologia dependem fortemente de modelos e técnicas matemáticas para analisar dados, testar teorias e fazer previsões. 

Há grande mérito na afirmação de que a matemática é a rainha de todas as ciências. Agora, vamos à segunda parte, sobre a teoria dos números ser a rainha de toda a matemática. A matemática é normalmente dividida em duas seções: pura e aplicada. Gauss trabalhou intensamente em matemática pura, um campo em que o conhecimento matemático é buscado por seu próprio valor. As principais subcategorias em matemática pura incluem álgebra, geometria, combinatória, topologia, análise, teoria dos conjuntos e lógica e teoria dos números .

Agora que entendemos as distinções, por que Gauss considerava a teoria dos números o cerne da matemática? No cerne da teoria dos números está o estudo dos números inteiros e suas propriedades. Os números inteiros são absolutamente fundamentais para a matemática, seja na época de Gauss ou nos dias de hoje. Entre esses números inteiros estão os primos, um tópico extremamente fascinante para matemáticos e não matemáticos.

O próprio Gauss revolucionou a teoria dos números com seu trabalho com números complexos e aritmética modular. Alguns de seus trabalhos sobre primos podem ser vistos na aritmética modular, como, por exemplo, a lei da reciprocidade quadrática.


Título Controverso

Mas este título é controverso, para alguns, a matemática não é a Mãe da ciência, e sim a Filosofia. Para estes, a Mãe ou se você preferir, a rainha de todas as ciências é a filosofia. Foi a partir dela que todas as outras ciências foram se desenvolvendo. A filosofia nasceu na antiguidade e através dela foram geradas as primeiras hipóteses e soluções para o mundo.

As perguntas filosóficas sobre o mundo e a realidade levaram ao desenvolvimento de novas tecnologias que ajudaram a resolver problemas e melhorar a vida humana. Eu poderia até mesmo dizer que é através dela que você está aqui indagando se a matemática pode reger ou ajudar outras ciências.

O objetivo da filosofia na matemática é fornecer um relato da natureza e metodologia da matemática e entender o lugar da matemática na vida das pessoas, ou seja, é ela que diz como, onde e os porquês. Ela dá os motivos de como empregar a matemática em qualquer outra ciência.

Uma vez que foi através da Filosofia que vieram a Psicologia, Psiquiatria e a Teologia.

Enfim, o que rege todas as ciências são as abstrações filosóficas, a matemática é a ferramenta pelo qual você consegue organizar e gerar provas para embasar essas abstrações (mas não todas).

Eles dizem que a Matemática NÃO é uma ciência. Não é uma ciência porque não há uma conexão necessária com o universo físico. Não há nenhum aspecto experimental ou empírico. De fato, parece fundamentar a ciência, assim como a filosofia, mas NÃO é ciência. Aliás, não entendemos por que a matemática funciona tão bem como suporte à ciência.


CONCÍLIO DE JAMNIA - O CONCÍLIO QUE NÃO FOI?

 


A crença popular de que o Concílio de Jâmnia (Yavne), realizado por volta de 90 d.C., estabeleceu formalmente o cânon da Bíblia Hebraica é amplamente contestada por estudiosos modernos. Em vez de ser um concílio para determinar quais livros seriam incluídos, foi uma série de discussões entre líderes rabínicos sobre o status de alguns livros já aceitos. 

As reuniões em Jâmnia ocorreram após a destruição do Segundo Templo de Jerusalém em 70 d.C., um evento que levou à necessidade de reorganizar a vida religiosa judaica. O judaísmo rabínico se concentrou em questões de prática litúrgica, interpretação de textos e na preservação da identidade judaica. As discussões sobre certos livros bíblicos faziam parte desse processo, mas não significaram que o cânon estava em aberto. 

Hoje, a maioria dos estudiosos sugere que o cânon hebraico (o Tanakh) já estava amplamente estabelecido antes de Jâmnia. As discussões rabínicas serviram para confirmar a canonicidade de livros sobre os quais havia alguma dúvida entre os círculos de estudiosos, e não para determinar o cânon do zero. As decisões tomadas em Jâmnia também não eram obrigatórias para todo o judaísmo da época, que era descentralizado. 

Em suma, não se trata de uma lista de livros que foram usados para formar o cânon, mas de alguns livros já reconhecidos cuja validade foi debatida ou confirmada pelos rabinos.

Não há evidências sólidas de que um concílio formal em Jamnia (ou Jâmnia) tenha definido o cânone do Antigo Testamento. A teoria popular de que rabinos se reuniram em Jamnia por volta de 90 d.C. para decidir quais livros seriam incluídos na Bíblia hebraica é amplamente contestada pela maioria dos estudiosos modernos. 

Em vez disso, os estudiosos sugerem que os rabinos de Jamnia discutiram a interpretação, e não a canonicidade, de certos livros que já eram reconhecidos, principalmente Eclesiastes e o Cânticos de Salomão (Cântico dos Cânticos). O cânone hebraico já havia se estabelecido progressivamente antes do século I, com a Torá (a Lei) e os Nevi'im (os Profetas) sendo aceitos há muito tempo. 


Os livros especificamente discutidos em Jâmnia incluem: 

Eclesiastes

Cântico dos Cânticos (ou Cantares)

Ester

Ezequiel

Provérbios 


A grande maioria dos judeus nos primeiros séculos a.C. e d.C. vivia fora de Israel. Eram chamados de  diáspora , aqueles dispersos por todo o Império Romano. Muitos se helenizaram — isto é, adotaram a cultura greco-romana, incluindo a língua grega. A Septuaginta, contendo os livros deuterocanônicos, era a principal Bíblia usada por esses judeus da diáspora.

A maioria dos judeus não cristãos do primeiro século d.C. considerava a Igreja uma seita judaica herética e desinformada, provavelmente semelhante à forma como os cristãos veem os mórmons ou as Testemunhas de Jeová de hoje. No primeiro século, várias décadas após a vida de Cristo, a maioria dos primeiros cristãos eram gentios e usavam a Septuaginta grega como seu Antigo Testamento, seguindo o exemplo dos judeus de língua grega, incluindo Jesus e os apóstolos (nota 1, barra lateral, página 25).

Quando os cristãos começaram a usar essa tradução grega para converter os judeus à fé, os judeus começaram a detestá-la. Alguém se surpreende com a condenação do cânon e da tradução que os cristãos usaram, mesmo que tenham sido originalmente traduzidos, aprovados e colocados em circulação pelos próprios judeus trezentos e cinquenta anos antes (c. 250 a.C.)? A Igreja primitiva, seguindo a Septuaginta grega e o amplo uso que os apóstolos fizeram dela (Paulo extraiu dela a maioria de suas citações do Antigo Testamento), aceitou os livros deuterocanônicos. Quando o cânon foi finalmente encerrado pelos concílios da Igreja Católica, esses livros foram incluídos.

O chamado "Concílio de Jabné" era um grupo de estudiosos judeus que, por volta do ano 90, recebeu permissão de Roma para se reunir na Palestina, perto do Mar Mediterrâneo, em Jabné (ou Jâmnia). Lá, eles estabeleceram um Sinédrio "reconstituído" e não autoritativo. Entre os assuntos discutidos estava o status de vários escritos questionáveis ​​na Bíblia judaica. Eles também rejeitaram os escritos cristãos e fizeram uma nova tradução da Septuaginta grega.

Como muitos autores protestantes apelaram ao “Concílio de Jabneh” em seus casos contra os livros deuterocanônicos contidos na Bíblia Católica, será útil analisarmos alguns exemplos.

Em seu popular livro  Roman Catholics and Evangelicals: Agreements and Differences  (coautoria de Ralph MacKenzie [Baker Books, 1995]), Norman Geisler, reitor do Southern Evangelical Seminary, nega o cânone católico do Antigo Testamento, alegando que os rabinos judeus em Jabneh excluíram os livros deuterocanônicos recebidos pelos católicos e que o cânone foi fixado (ou seja, finalizado) em Jabneh.

Geisler escreve: “Os estudiosos judeus de Jabné (c. 90 d.C.) não aceitavam os apócrifos como parte do cânone judaico divinamente inspirado. Visto que o Novo Testamento afirma explicitamente que Israel foi incumbido dos oráculos de Deus e foi o destinatário das alianças e da Lei (Rm 3:2), os judeus devem ser considerados os guardiões dos limites de seu próprio cânone. E eles sempre rejeitaram os apócrifos” (169). E embora Geisler pareça negar a autoridade dos rabinos de Jabné em um ponto de sua  Introdução Geral à Bíblia  (com W.E. Nix [Moody Press, 1996]), ele posteriormente relata em um gráfico: “Concílio de Jabné (90 d.C.), Cânon do Antigo Testamento fixado” (286).

Geisler não está sozinho em sua afirmação de que os Apócrifos foram rejeitados e que o cânone final do Antigo Testamento foi fixado em Jabné. Parece ser uma lenda comum usada como "prova" para sustentar uma suposição a-histórica e incorreta. Antes de analisarmos o mito, demonstraremos como ele é frequentemente invocado. Mais alguns exemplos rápidos dessa falsa confiança no "Concílio de Jabné" serão suficientes:

“No final do primeiro século cristão, os rabinos judeus, no Concílio de Gâmnia [Jamnia], fecharam o cânon do livro hebraico (aqueles considerados autoritativos)” (Jimmy Swaggart,  Catholicism & Christianity  [Jimmy Swaggart Ministries, 1986], 129).

Após a destruição de Jerusalém, Jâmnia tornou-se a sede do Grande Sinédrio. Por volta do ano 100, um conselho de rabinos ali estabeleceu o cânon final do Antigo Testamento (Ed. Martin, Ralph P. e Peter H. Davids,  Dictionary of the Later New Testament and Its Developments  [InterVarsity Press, 2000, c1997], 185).

Embora muitos agora reconheçam que Jabne não excluiu os livros deuterocanônicos nem encerrou com autoridade o cânon do Antigo Testamento, ainda há muitas fontes que afirmam e presumem que isso aconteceu.


Jabneh tinha Autoridade?

De acordo com o  Dicionário Oxford da Igreja Cristã , o “conselho” em Jabneh em 90 não era nem mesmo um conselho “oficial” com autoridade vinculativa para  tomar  tal decisão:

“Após a queda de Jerusalém (70 d.C.), uma assembleia de professores religiosos foi estabelecida em Jabneh; este corpo foi considerado como, até certo ponto, substituindo o Sinédrio,  embora não possuísse o mesmo caráter representativo ou autoridade nacional . Parece que um dos assuntos discutidos entre os rabinos era o status de certos livros bíblicos (por exemplo, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos)  cuja canonicidade ainda estava aberta a questionamentos no século I d.C.  A sugestão de que um sínodo particular de Jabneh, realizado por volta de 100 d.C., finalmente estabelecendo os limites do cânon do Antigo Testamento, foi feita por HE Ryle; embora tenha tido ampla aceitação,  não há evidências para comprová-lo ” (ed. por FL Cross e EA Livingston [Oxford Univ. Press, 861], ênfase adicionada).

Não é interessante que os judeus não tivessem um "cânone fechado" das Escrituras durante a época de Cristo, antes do ano 100, ou mesmo depois de Jabné? Mesmo na época de Cristo, havia opiniões conflitantes sobre quais livros realmente pertenciam à Bíblia judaica. Havia várias coleções. Saduceus e samaritanos aceitavam apenas o Pentateuco, os cinco primeiros livros, enquanto os fariseus aceitavam um cânone mais completo, incluindo os Salmos e os profetas. O texto massorético não continha os deuterocanônicos, enquanto a amplamente utilizada Septuaginta grega continha.

Essa incerteza continuou até o século II. A discussão sobre os livros do cânon do Antigo Testamento continuou entre os judeus muito depois de Jabné, o que demonstra que o cânon ainda estava em discussão no século III — muito além do período apostólico. Os questionamentos à canonicidade em Jabné envolveram apenas Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, mas o debate sobre o cânon continuou além de Jabné, chegando até os séculos II e III. Até mesmo o cânon hebraico aceito pelos protestantes hoje foi contestado pelos judeus por duzentos anos  depois de  Cristo.


Alguns pontos de advertência devem ser observados aqui:

Embora autores cristãos pareçam pensar em termos de um concílio formal em Jabné, tal coisa não existiu. Havia uma escola para estudar a Lei em Jabné, e os rabinos ali exerciam funções legais na comunidade judaica.

Não só não houve um concílio formal, como também não há evidências de que alguma  lista de livros tenha sido elaborada em Jabneh.

Uma discussão específica sobre a aceitação em Jabné é atestada apenas para os livros de Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Mesmo assim, discussões sobre esses livros persistiram no judaísmo séculos após o período de Jabné. Houve também debates subsequentes sobre Ester.

Não temos conhecimento de nenhum livro que tenha sido excluído em Jabné. De fato, o Eclesiástico, que foi lido e copiado pelos judeus após o período de Jabné, não se tornou parte da Bíblia hebraica padrão (cf. Raymond Edward Brown, Joseph A. Fitzmyer e Roland Edmund Murphy, The Jerome Biblical Commentary  [Prentice-Hall, 1996, c. 1968], vol. 2, 522).

Por que a Igreja rejeita o cânone judaico

Mesmo que os rabinos de Jabné  tivessem  autoridade para fazer tal determinação canônica e  tivessem  encerrado o cânone, quem diz que eles tinham a autoridade de Deus para fazer tal determinação vinculativa? Por que os cristãos deveriam aceitar a determinação deles? Deus havia se afastado publicamente dos judeus como sua "voz profética" vinte anos antes, quando Jerusalém foi destruída e arrasada pelo fogo. Deus os julgou e rejeitou seus odres velhos. O vinho e o odre velhos (judaísmo) foram agora substituídos por vinho novo (o evangelho) e odres novos (a Igreja). Por que aceitar a determinação dos rabinos sem autoridade em vez da da Igreja?

Há ainda uma razão pela qual não devemos confiar nos judeus do primeiro século para a determinação do cânon, mesmo que eles  a tivessem  feito: os rabinos de Jabné acabaram fornecendo uma nova tradução em grego para substituir a tradução anterior da Septuaginta. Por quê? Porque os cristãos gentios estavam usando a Septuaginta para fins apologéticos e evangelísticos — em outras palavras, eles estavam convertendo os judeus usando suas próprias Escrituras Gregas!

Por exemplo, eles estavam usando isso para provar o nascimento virginal de Jesus. Na Bíblia Hebraica, Isaías 7:14 é traduzido como "Uma jovem conceberá e dará à luz um filho", enquanto a Septuaginta grega, citada por Mateus (1:23), traduz como "Uma  virgem  conceberá e dará à luz um filho" (ênfase adicionada). Os rabinos que supostamente "determinaram" o cânone protestante final também autorizaram uma nova tradução grega especificamente para dificultar o evangelho. Áquila, o tradutor judeu da nova versão, negou o nascimento virginal e mudou a palavra grega de  virgem  para  jovem mulher .

Uma das principais questões na mentalidade judaica do primeiro século em relação ao cânon não era necessariamente a inspiração, mas a resistência à evangelização cristã de judeus e gentios. Era uma questão de judeu versus o novo ensinamento cristão e o uso que os cristãos faziam das Escrituras Gregas Judaicas. Pareceria bastante estranho que um protestante escolhesse o cânon truncado escolhido pelos líderes judeus e, assim, caísse do lado do judeu anticristão e marginalizado nessa questão.

Não sabemos muito sobre as deliberações em Jabné, mas sabemos que mencionaram os Evangelhos do Novo Testamento. Mencionaram-nos especificamente para rejeitá-los. FF Bruce escreve: “Alguns disputantes também questionaram se a Sabedoria de Jesus, filho de Sira (Eclesiástico), os  gilyonim  (escritos evangélicos aramaicos) e outros livros dos  mínimos  (hereges, incluindo cristãos judeus) deveriam ser admitidos, mas aqui a resposta foi inflexivelmente negativa” ( The Books and the Parchments  [Fleming H. Revell, 1984], 88).

Muitos protestantes aceitam a oposição judaica ao cânone católico das Escrituras porque isso os apoia em seu anticatolicismo. Os católicos, por outro lado, aceitaram a determinação e o cânone do  novo  povo da aliança de Deus, aqueles que são o novo sacerdócio (cf. 1 Pedro 2:9), o novo odre. Como observamos anteriormente, Geisler comenta: “Uma vez que o Novo Testamento declara explicitamente que Israel foi incumbido dos oráculos de Deus e foi o destinatário das alianças e da Lei, os judeus devem ser considerados os guardiões dos limites de seu próprio cânone” ( Católicos Romanos e Evangélicos , 169).

Devo aceitar a suposta determinação dos rabinos como autoritativa e vinculativa para minha alma, quando o manto da autoridade foi passado à Igreja por um ato do Espírito Santo? Geisler fornece aos seus leitores essas informações históricas e cronológicas, lembrando-os de que Deus se afastou do povo judeu e destruiu seu templo antes que seu "concílio" sem autoridade rejeitasse os Evangelhos e "todo o cânone cristão", incluindo o Novo Testamento?

O povo judeu não tinha um cânone fechado antes de 300, e eles "construíram um muro ao redor dele" para manter os cristãos afastados. Por que confiar neles? Eu aceito o cânone dos apóstolos e da Igreja primitiva, que foi determinado pelos bispos da Igreja. E, como eles, não aceito o cânone dos líderes judeus anticristãos.

(Vários Padres, como Jerônimo, aceitaram o cânone massorético judaico, mas nunca foi um Padre individual que tomou decisões vinculativas para a Igreja; somente os concílios podiam fazê-lo.)

O cânon do Antigo Testamento não foi encerrado em Jabné, nem os deuterocanônicos foram excluídos do Antigo Testamento ali. Quem tem a autoridade de Deus para determinar e encerrar o cânon das Escrituras? Em termos simples, a Igreja. A hierarquia judaica na época de Cristo reivindicava autoridade para ligar e desligar, o que era um termo técnico claramente compreendido, mas Jesus nomeou especificamente uma nova hierarquia sobre o "novo Israel" — a Igreja — e transferiu a esse novo magistério o poder de ligar e desligar (Mt 16:19; 18:18). A Igreja foi, portanto, designada para falar em nome de Deus, e o cânon final das Escrituras estaria, portanto, sob sua autoridade.

O autor protestante Paul Achtemeier nos diz: “A tradição oriental e católica romana geralmente considerava os livros 'apócrifos' do Antigo Testamento como canônicos. Foi somente com a Reforma Protestante que esses livros foram claramente negados o status canônico (nos círculos protestantes). A Igreja Romana, no entanto, continua a afirmar seu lugar no cânon das Escrituras” ( Harper's Bible Dictionary , 1ª ed. [Harper & Row, c1985], 69).

No Concílio de Trento, a Igreja encerrou a questão listando definitivamente os livros aceitos, incluindo os deuterocanônicos, e o  Catecismo da Igreja Católica  confirma essa lista (CIC 120). Esta é a Bíblia Católica que temos hoje.

Não é interessante que Martinho Lutero tenha reconhecido a Igreja Católica como a guardiã das Sagradas Escrituras quando escreveu: “Admitimos — como devemos — que muito do que eles [a Igreja Católica] dizem é verdade: que o papado possui a palavra de Deus e o ofício dos apóstolos, e que recebemos deles as Sagradas Escrituras, o batismo, o sacramento e o púlpito. O que saberíamos deles se não fosse por eles?”