A Machonaria foi criada em 2018 pelo líder religioso Anderson Silva com a intenção de incentivar ações como resgate da masculinidade bíblica, liderança familiar, generosidade, combate à pornografia e envolvimento em projetos sociais. É uma confraria Homens, onde o homem é o dominador Alfa, ou seja, o macho Alpha, que nasceu para liderar e dominar.
Anderson Silva tem polêmicas relacionadas a declarações consideradas machistas e a gestão do movimento "Machonaria", que enfrenta acusações de má gestão financeira, segundo o site Metrópoles. Anderson Silva é o líder da Igreja em Movimento em Brasília, fundada por ele e sua esposa Keila Silva.
A Machonaria é um movimento religioso evangélico de orientação política de direita conservadora.
Machonaria propõe uma leitura do homem como “rei, profeta e sacerdote”. No entanto, essa retomada de papéis bíblicos é filtrada por valores modernos de empreendedorismo, produtividade e domínio econômico.
A evocação do “homem guerreiro”, como figura central do resgate, alinha-se a mitologias patriarcais que emergem da transição das sociedades nômades para a agricultura, com a consequente acumulação de bens e estratificação social. O patriarcado, nesse sentido, não é intrínseco à humanidade, mas resultado histórico de sistemas de poder.
A ascensão de deuses guerreiros, simboliza a institucionalização masculina como força divina. Essa lógica, reiterada por leituras teológicas enviesadas e por tradições filosóficas como a aristotélica, contribuiu para a invisibilização da mulher e sua subjugação.
Os movimentos Red Pill, Machonaria e Legendário nesse contexto, pode ser lido como parte do movimento mito-poético masculino, surgido nos EUA com Robert Bly, que buscava restaurar uma suposta essência masculina em resposta ao declínio do patriarcado. Esses grupos oscilam entre a sensibilidade e o sexismo, muitas vezes utilizando a linguagem da crise masculina para justificar práticas excludentes. Ao mesmo tempo, emergem movimentos antipatriarcais e pró-feministas, que tentam ressignificar a masculinidade de modo inclusivo.
Robert Bly (1926-2021) foi um poeta, ensaísta e ativista americano, conhecido por sua atuação no movimento de poesia pacifista e por ser um líder do movimento mitopoético masculino. Seu livro mais famoso foi João de Ferro: Um Livro Sobre Homens (1990), que se tornou um texto fundamental do movimento, com análises sobre a masculinidade. Com o livro João de Ferro, ele buscou promover uma visão mais positiva e profunda da masculinidade, explorando a psicologia e a espiritualidade.
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