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quinta-feira, 31 de julho de 2025

PEIXOTO GOMIDE

 


Não só amenidades, brincadeiras, boêmia, trotes, penduras e uma já intensa vida cultural marcaram o Largo de São Francisco do século 19. Fatos trágicos passaram para a história da Academia e de São Paulo, pois envolveram antigos alunos, transformados em destacadas figuras públicas e sociais.

Dentre outros casos, dois merecem destaque.

Abalou São Paulo o assassinato que envolveu Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior e sua filha, cometido na residência de ambos, situada à rua da Princesa, atual Benjamin Constant.

Peixoto Gomide Júnior, formado no Largo de São Francisco em 1873, teve uma presença marcante na vida social e política de São Paulo, chegou a ser presidente da Província.

Sua casa era frequentada diariamente por políticos, advogados, antigos companheiros da Faculdade, e por pessoas pertencentes a variadas camadas sociais, que vinham prestar-lhe solidariedade política e, especialmente, pedir-lhe favores.

Além de filhos, Peixoto Gomide amparou e educou um mulato, Manuel Batista Cepelos, que graças ao seu apoio tornou-se promotor de Justiça e conhecido poeta parnasiano.

Manuel Baptista Cepelos e uma das filhas de Gomide tinham um relacionamento estreito, que logo se transformou em namoro com vistas a um próximo casamento. Gomide desconhecendo o namoro, via nesse relacionamento uma amizade fraterna, pois  Manuel Baptista Cepelos fora criado com os seus filhos, como se filho fosse. Aliás, na verdade  Manuel Baptista Cepelos era seu filho biológico,  nascido de uma relação sexual com uma escrava.

No entanto, quando o casal revelou os seus sentimentos e comunicou a sua intenção, houve uma reação enérgica por parte do pai da moça, que se colocou ardorosamente contra o enlace.

Inconformada, a filha não se submeteu à vontade paterna, desobediência pouco comum à época, e de forma obstinada e persistente tentou levar avante o seu intento. Recebeu o apoio de seus familiares, que não entendiam a resistência do patriarca. Até então ele demonstrara um afeto paternal por Cepelos. Estranho e inexplicável que não apoiasse o matrimônio.

A resistência do pai, horrorizado pela possibilidade da filha se envolver em uma relação incestuosa e a obstinação da filha em se casar com aquele que ignorava ser seu irmão, um não querendo revelar a verdade e a outra a desconhecendo, transformaram esse drama humano em um tragédia que chocou São Paulo.

Como não lograsse fazê-la desistir, Peixoto Gomide, para evitar a consumação do incesto, matou a moça e suicidou-se em seguida. Batista Cepelos era seu filho fruto de um relacionamento fora do casamento.

Marcado pela tragédia, o poeta anos após, foi encontrado morto no Rio de Janeiro, para onde se mudara, após cair de uma elevação.

A tragédia ocorreu na residência que vivia com a família na Rua Benjamin Constant número 25-A (atual n. 171), entre a Praça da Sé e o Largo de São Francisco, onde hoje está o Palacete Chavantes.

Não foi elucida a natureza da morte, se acidental, assassinato ou suicídio.

Em São Paulo (SP) leva seu nome a famosa Rua Peixoto Gomide, antes Rua Maria Izabel, que começa na Rua Augusta e termina na Rua Estados Unidos. Em Itapetininga (SP) leva seu nome a Escola Estadual Peixoto Gomide.




Outro homicídio repercutiu intensamente em São Paulo e em outras Províncias, especialmente no Maranhão, onde ocorreu. Teve como seu autor o desembargador José Cândido de Pontes Visgueiro, formado na turma de 1834 da nossa Academia. Vítima desse homicídio foi a jovem Maria da Conceição.

Pontes Visgueiro nasceu em Maceió e cursou os dois primeiros anos de Direito na Faculdade de Olinda, transferindo-se para São Paulo onde completou o curso. Segundo consta, a sua vinda se deu porque, nas férias escolares, passou a namorar uma moça de Maceió, que não era do agrado de sua família. Esta obrigou-o a vir estudar em nossa cidade.

Já nos primeiros anos na Academia mostrou ser portador de um temperamento agressivo. Andava armado com uma longa faca, fato que trazia intranquilidade para os colegas. E não era gratuito o receio dos demais estudantes. Certa ocasião, agrediu com canivetadas a um colega pois este fizera uma pisada que o desagradara. Consta, ainda, que em uma noite atirou pedras contra as janelas da Casa da Marquesa de Santos, onde se realizava um baile.

Exerceu a magistratura em Maceió e posteriormente em cidades da Província do Piauí, após um período na política, tendo sido deputado pelas Alagoas. Posteriormente, foi desembargador na Província do Maranhão.

Quando já desembargador, conheceu em São Luiz uma moça que mendigava pelas ruas do centro. Contava ela não mais do que 15 anos de idade. Ele beirava os setenta.

Apaixonado pela jovem, o ancião foi tomado por avassalador ciúmes, que o levava a agir violentamente contra a moça e contra quem ele entendia a estar cortejando. Toda a pequena sociedade local comentava o comportamento do magistrado e antevia a tragédia que acabou por ocorrer.

Mariquinhas, assim era conhecida Maria da Conceição, desapareceu por uns tempos, após ter sido flagrada por Pontes Visgueiro aos beijos com um jovem estudante. Ela conseguiu safar-se da ira do velho amante, o que não ocorreu com o moço que sofreu enfurecida agressão.

Durante várias semanas insistiu para um reencontro com Mariquinhas, que se esquivava por medo de represália. Cedeu por fim. Acompanhada por uma amiga foi à casa do desembargador. Durante algum tempo o encontro foi agradável, com o velho apaixonado desdobrando-se em gentilezas. No entanto, quando a amiga se retirou, o martírio de Maria da Conceição teve início. Ela foi segura por um empregado de Visgueiro, que estava escondido na casa e colaborou na prática do crime, que já vinha sendo planejado há vários dias.

Enquanto o empregado cúmplice chamado Guilhermino, a agarrava e a imobilizava pela garganta, o criminoso a esfaqueava e dava-lhe mordidas por todo o corpo, após aplicar-lhe clorofórmio nas narinas. Os requintes de crueldade, impressionaram as autoridades, que de plano vislumbraram um grave distúrbio mental, antes mesmo que Pontes Visgueiro fosse submetido a exames psiquiátricos.

O trecho comporta um parêntese para lembrar que o velho desembargador quando criança já fora acometido por grave enfermidade, que o marcou física e talvez psicologicamente, pela vida afora. Uma febre retirou-lhe a fala e a audição. Os sentidos voltaram, mas, aos quarenta anos perdeu a escuta por completo.

Após o horrível crime, cometido com fúria e com perversidade, o corpo de Mariquinhas foi colocado em um caixão e enterrado no quintal da casa. O caixão fora encomendado há dias.

O advogado Franklin Doria, um dos mais notáveis da época, década de 70, do século XIX, discordou da tese do acusador que afirmara ter sido o homicídio premeditado, meticulosamente planejado, especialmente em razão da encomenda do caixão. O defensor, ademais, postulou fosse reconhecida a ausência de higidez mental por parte do desafortunado magistrado.

No entanto, sobreveio a condenação imposta pelo Supremo Tribunal de Justiça. A pena originária foi a de galés perpétua, substituída pela prisão perpétua, pois contava o velho desembargador com mais de sessenta anos. Foi encarcerado na Casa de Correção do Rio de Janeiro.

Em certa ocasião, quando da visita do ministro da Justiça ao presídio, Pontes pediu e foi atendido, para se avistar com a autoridade. As perguntas do condenado eram respondidas por escrito em razão da surdez que o acometia. Perguntou ao ministro sobre a sua aposentadoria, pois se dizia desembargador. A resposta o teria chocado e abatido profundamente - "Foi".


Fonte: https://www.migalhas.com.br/coluna/marizalhas/301773/fatos-e-fitas--tragedias

GA ŠUR - O MAPA ŠUMERIANO MAIS ANTIGO DO MUNDO

 


Embora não haja um consenso entre pesquisadores, é possível apontar fortes candidatos ao título. O principal deles é uma pequena tabuleta de argila datada de cerca de 2.500 a.C. e encontrada no território onde hoje fica o Iraque, na antiga região da Mesopotâmia — o berço das primeiras civilizações humanas. Conhecida como Mapa de Ga-Sur, a peça foi encontrada nas ruínas da cidade suméria de Nuzi, próxima à moderna Kirkuk. Hoje, está preservada no Museu do Antigo Oriente, em Istambul, na Turquia.

De acordo com o portal Fórum, apesar de seu aspecto rudimentar, o mapa traz um nível surpreendente de organização: mostra propriedades agrícolas, canais de irrigação e divisões de terra. Isso indica que os sumérios já desenvolviam um entendimento sofisticado do espaço e de sua administração.


Imago Mundi

Há, no entanto, um segundo candidato notável ao título de mapa mais antigo: trata-se do Imago Mundi, uma tabuleta de origem babilônica datada de cerca de 600 a.C. Ao contrário do primeiro, que retrata um espaço local, a Imago Mundi tenta representar o mundo como um todo — ou ao menos, como os babilônios o concebiam.

Nela, a cidade de Babel aparece no centro, rodeada por um rio circular provavelmente o oceano e cercada por sete “ilhas” que simbolizam terras misteriosas ou míticas. Trata-se, portanto, de um mapa que mistura geografia, religião e cosmologia, revelando muito mais do que limites físicos: ele mostra como aquele povo via a si mesmo dentro do universo.



Esses mapas antigos não se guiavam por escalas ou orientações precisas, como os modernos. Eram representações simbólicas, instrumentos mentais e culturais de um tempo em que o conhecimento ainda era profundamente ligado ao sagrado e ao poder.

Na Mesopotâmia, por exemplo, os mapas serviam a múltiplas funções, como administrar terrenos e sistemas de irrigação, organizar a posse da terra entre reis, templos e camponeses e posicionar a cidade no centro do universo, em consonância com a visão cosmológica da época.

Ainda assim, esses registros rudimentares marcam o nascimento da cartografia entendida como ciência, arte e expressão cultural e revelam que o impulso de desenhar o mundo e marcar presença nele é tão antigo quanto a própria civilização.


quarta-feira, 30 de julho de 2025

ARCA DA ALIANÇA

 


A história da Arca da Aliança tem origem no Deserto do Sinai, com o povo de Israel, através de seu líder Moisés. Isso acontece quando Deus manda que se faça uma arca de madeira de acácia, que simbologicamente seria a representação da presença de Deus na Terra no meio do seu povo. 

No livro de Êxodo 25,10-22, temos a descrição detalhada da construção e confecção da Arca da Aliança. 

No Hebraico fala-se  ארון הברית Aróhn Hab Beríth e no Grego fala-se Ki Bo Tós Tes Di A Thé Kes foi o objeto mais sagrado na religião judaica, pois além de representar a aliança de Deus para com seu povo, continha também as tábuas dos Dez Mandamentos, a Vara de Arão que floresceu (que não só floresceu, mas que também brotou amêndoas) e o pote de Maná Hebreus 9:4.

A Arca também servia como objeto de guerra, pois indo adiante do exército nas batalhas, este símbolo representava Deus como General das Batalhas, conhecido como Jeová Sabaoth o Senhor dos Exércitos. 

Somente os sacerdotes levitas poderiam transportar e tocar na arca, e apenas o sumo-sacerdote, uma vez por ano, no dia da expiação, entrava no santíssimo do templo. Estando ele em pecado, morreria instantaneamente. 

A Arca era feita de madeira de acácia, tinha um metro e dez centímetros de comprimento, setenta centímetros de largura e setenta centímetros de altura. Êxodo 25:10.

Infelizmente, ninguém sabe do paradeiro da Aca do Concerto, sabemos que no ano 586 a.C.  Nebuzaradã, comandante da guarda imperial, incendiou o templo do de Jerusalém, o palácio real, todas as casas de Jerusalém e todos os edifícios importantes, foi uma destruição total. "No sétimo dia do quinto mês do décimo nono ano do reinado de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nebuzaradã, comandante da guarda imperial, conselheiro do rei da Babilônia, foi a Jerusalém. Incendiou o templo do Senhor, o palácio real, todas as casas de Jerusalém e todos os edifícios importantes. 2 Reis 25:8,9.

Depois desta devastação geral, a Arca nunca mais é mencionada na Bíblia, ao longo do Novo Testamento, a Arca não é mencionada estando na Terra de Israel, muito menos na sede do país em Jerusalém, Jesus ou os Apóstolos não falam nada da Arca estando no Templo Sagrado de Jerusalém ou estando em outro lugar, e nem os Fariseus, ou Saduceus, ou os Herodianos, mencionam alguma coisa sobre a sumida e desaparecida Arca da Aliança.

É uma incógnita, pois ninguém sabe o que aconteceu de fato com o objeto de culto mais adorado na religião Hebraica, tudo é vago quanto ao seu destino. Não há menção de sua destruição, não há menção de seu sumiço e nada de seu paradeiro. 

Há quem alegue que a Arca foi levada pelos Babilônicos com os demais objetos sagrados que existiam no Templo de Jerusalém, mas não há menção nas escrituras quanto a isso, na verdade, não há menção em nenhum lugar sobre isto. 

Uma coisa é certa, a Arca da Aliança está desaparecida e não existem evidências de seu paradeiro.


Idolatria Religiosa Evangélica

Hoje, os Evangélicos idolatram a Arca da Aliança e, infelizmente, é um ídolo muito usado na religião evangélica. Eles invalidam o que está escrito em Jeremias 3:16. Está escrito: "Quando vocês aumentarem e se multiplicarem na sua terra naqueles dias", declara o Senhor, "não dirão mais: ‘A arca da aliança do Senhor’. Não pensarão mais nisso nem se lembrarão dela; não sentirão sua falta nem será feita outra arca. Jeremias 3:16". 

Eles fazem campanhas, cultos, templos e uma infinidade de cerimônias religiosas em torno deste objeto. É mais um ponto de contato dentre tantos símbolos religiosos da religião evangélica. 

A Religião Evangélica é idolatra, pagã, politeísta, infiel e anticristã, é mais uma dentre tantas fanfarronices religiosas que não pregam o evangelho de Cristo e sim Usos e Costumes e Tradição Religiosa. 


Reaparecimento

No livro de Apocalipse, João vê a Arca do Concerto lá na Nova Jerusalém Celestial: Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da sua aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e forte chuva de granizo. Apocalipse 11:19. 

Significando que o concerto e a aliança de Deus são eternas e jamais serão desfeitas.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

O NOME ANTIGO DA ÁFRICA

 


Antes de os europeus se contentarem com a palavra África, o continente era chamado de muitos outros nomes. Eles incluem Corphye, Ortígia, Líbia e Etiópia, Alkebulan.

Outros nomes, como a terra de Ham (Ham significa peles escuras), a mãe da humanidade, o jardim do Éden, os reinos no céu e a terra de cuch ou kesh (referindo-se aos cuchitas que eram antigos etíopes) foram utilizados.

Ninguém sabe a origem dos nomes com certeza. No entanto, as teorias abaixo lançam alguma luz sobre como este segundo maior continente ganhou o seu novo nome.

Teoria Romana

Alguns estudiosos acreditam que a palavra se originou dos romanos. Os Romanos descobriram uma terra em frente ao Mediterrâneo e deram-lhe o nome da tribo Berbere que residia na área da Carnificina, atualmente referida como Tunísia. O nome da tribo era Afri.

Teoria do Tempo

Alguns acreditam que o nome foi dado, por conta do clima do continente. Derivando de Afrike, uma palavra grega que significa uma terra livre de frio e horror. Uma variação da palavra romana Aprica, que significa ensolarado, ou mesmo a palavra fenícia, que significa pó.

Teoria Africus

Esta teoria afirma que o continente derivou seu nome de Africus. Africus é um chefe Iemenita que invadiu a parte norte no segundo milênio a.C., argumenta-se que ele se estabeleceu em sua terra conquistada e a chamou de Afrikyah.

Teoria Fenícia

Outra escola de pensamento sugere que o nome é derivado de duas palavras fenícias Friqi e Pharika. As palavras significam calos e frutas quando traduzidas. Hipoteticamente, o fenício batizou o continente como a terra dos Frutos.

Alkebu-lan "mãe da humanidade" ou "jardim do Éden". ”Alkebulan é a mais antiga e a única palavra de origem indígena. Foi usado pelos Mouros, núbios, núbios, númidas, khart-Haddans (Cartagenianos) e etíopes.

Há pouca ou nenhuma certeza sobre a fonte ou significado África. Vários estudiosos tentaram explicar a origem da palavra, mas nenhum é convincentemente correto.


sexta-feira, 11 de julho de 2025

A PALAVRA DEUS EM DIFERENTES NAÇÕES

 


Deus é um termo latino que de início descrevia todas as deidades e que com o tempo passou a ser usado também para descrever o conceito de Deus como substantivo próprio, do mesmo modo que ocorreu ao termo germânico God. Os termos latinos deus e Dīvus são provenientes do idioma protoindo-europeu Deiwos, que quer dizer "celestial" ou "brilhante", da mesma raiz de Dyēus, o deus reconstruído do Panteão Proto-Indo-Europeu. Em latim clássico, deus (feminino: Dea) era substantivo comum, mas tecnicamente Divus ou Diva era uma figura que se tornara divina, como um imperador divinizado. Em latim tardio, "Deus" veio a ser usado principalmente para o Deus cristão. o termo foi herdado pela línguas românicas: em Francês Dieu, Espanhol Dios, Português e Galego Deus, Italiano Dio, etc., e também pelas Línguas Célticas en Galês Duw e Irlandês Dia.

Deus em Grego = Theos - Dyḗus - Zeo - Zeus

Deus em Hindu = Deva - Devai (feminino)

Deus em Latim = Dei - Divus

Deus em Sumério = Dingir

Deus em Hebraico = El - Elohim - Adonai - Hashem (o nome)

Deus em Árabe = Allah

Deus em Acádio = El - Ilum

Deus em Amorita = El - Ilum - Amurru

Deus em Assírio = El - Ilum

Deus em Kassita = Kaššû - Ka-áš-šu

Deus em Hitita = šiwas - šiwat

Deus em Inglês = God

Deus emd Armênio = Astvats

Deus em Egípcio = Netjer

Deus em Turco = Tanrı

Deus em Elamita = Napir

Deus em Persa = khodā

Deus em Saxão = God

Deus em Holandês = God

Deus em Frisio = God

Deus em Germânico = Guda

Deus em Alemão = Got

Deus em Gótico = Guds

Deus em Lombardo = Godan (Wodan)

Deus em Russo = Bog

Deus em Koreano = Hananim

Deus em Japonês = Kami

Deus em Chinês = Shàngdì - Tiān

Deus em Vietnamita = Chúa - Trời

Deus em Tailandês = Phracêā - Phra-Chao

Deus em Malaio = Tuhan

Deus em Filipino = Bathala

Deus em Cambojano = Preah - Tevta

Deus em Mongol = Tenger - Tengri

Deus em Tupi = Monã

Deus em Guarani = Ñandejára

Deus em Xingu = Mawutzinin - Itukó'ovit

Deus em Asteca = Teotl

Deus em Maia  = K'uh" ou "Kuh

Deus em Inca = Huaca - Wak'a

 


quinta-feira, 10 de julho de 2025

ARQUERÓGLIFOS REVELAM QUE FINALMENTE CONSTRUIU AS PIRÂMIDES

 


Descobertas arqueológicas lideradas por Zahi Hawass derrubam mito e indicam quem ergueu a pirâmide de Quéops, com tecnologia surpreendente

Recentemente, arqueólogos egípcios descobriram novas inscrições no interior da Grande Pirâmide de Gizé que, segundo eles, confirmam a identidade dos verdadeiros construtores do monumento e desmentem de vez a antiga crença de que ele foi erguido por milhares de escravos.

Liderada pelo renomado egiptólogo Dr. Zahi Hawass, a equipe encontrou inscrições e marcas de trabalhadores em câmaras estreitas acima da chamada Câmara do Rei, usando tecnologia de imagem para acessar áreas quase inacessíveis. Os grafites, datados de cerca de 4.500 anos, indicam que a pirâmide foi construída por equipes organizadas de trabalhadores qualificados, pagos e bem alimentados, e não por escravos.

Esses trabalhadores viviam em uma cidade planejada ao leste da pirâmide, onde escavações revelaram instalações para panificação, armazenamento de peixe e quartéis, além de ossos de animais indicando uma dieta substancial — incluindo carne de vaca e cabra capaz de alimentar até 10.000 pessoas por dia.

Túmulos descobertos ao sul da pirâmide, completos com ferramentas, estátuas e hieróglifos como "supervisor da lateral da pirâmide", reforçam a importância social desses trabalhadores. "Se fossem escravos, não teriam sido enterrados à sombra das pirâmides com túmulos preparados para a eternidade", afirmou Hawass em entrevista ao podcast Limitless.

Além disso, a equipe encontrou evidências de como a pirâmide foi construída: uma rampa feita de entulho e lama, conectando o monumento à pedreira de calcário a apenas 300 metros de distância. Fragmentos dessa estrutura foram localizados em escavações ao sudoeste da pirâmide.

Segundo o 'Daily Mail', outra frente de pesquisa, liderada por Hawass e financiada pelo podcaster Matt Beall, prepara uma nova expedição para explorar o chamado "Grande Vazio", uma cavidade de 30 metros descoberta em 2017 acima da Grande Galeria.

Um robô miniaturizado será enviado ao local no início do próximo ano para investigar a possibilidade de haver câmaras ocultas — talvez até o túmulo perdido do faraó Quéops, também conhecido como Khufu, o enigmático soberano responsável por uma das maiores maravilhas arquitetônicas da humanidade.


terça-feira, 17 de junho de 2025

A POLÍTICA DO IRÃ



A política do Irã ocorre no quadro de uma teocracia islâmica que foi formada após a derrubada da monarquia milenar do Irã pela Revolução de 1979. O sistema de governo do Irã (nezam) foi descrito por Juan José Linz em 2000 como combinando a inclinação ideológica do totalitarismo com o pluralismo limitado do autoritarismo "Embora" realize eleições regulares nas quais os candidatos que defendem políticas e titulares diferentes são frequentemente derrotados", o Irã pontuou abaixo da Arábia Saudita e da China no Índice de Democracia de 2021, determinado pela Economist Intelligence Unit, com uma pontuação de apenas 1,96.

A constituição de dezembro de 1979 da República Islâmica do Irã, declara que o islamismo xiita é a religião estatal do Irã (cerca de 90–95% dos iranianos se associam ao ramo xiita do islamismo), e combina elementos de teocracia (Tutela do Jurista Islâmico) com um sistema presidencial. Como muitas democracias ocidentais, o Irã tem um presidente e um parlamento (Majles). Ao contrário de outros governos ocidentais ou islâmicos, o governo da República Islâmica do Irã é supervisionado por um líder supremo e um Conselho Guardião nomeado e não eleito, metade do qual é composto por juristas islâmicos.


Revolução de 1979

Em 1979, o Xá Mohammad Reza Pahlavi foi deposto por uma Revolução Islâmica no Irã, substituindo sua monarquia milenar por uma república teocrática. Pouco depois, o líder da Revolução, um jurista islâmico sênior chamado Aiatolá Ruhollah Khomeini    , também transliterado Khumaynî, apoiou com sucesso referendos para declarar o Irã uma República Islâmica em março de 1979 e para aprovar uma constituição em dezembro de 1979, segundo a qual "o governo islâmico" seria "baseado na wilayat al-faqih", (Tutela do Jurista Islâmico), "conforme proposto pelo Imam Khumaynî", citando o preâmbulo da constituição. 

A constituição (que foi redigida por uma assembleia composta principalmente por discípulos de Khomeini), apela a um Vali-ye faqih (Jurista Islâmico Guardião), para servir como Líder Supremo do Irão, e a juristas islâmicos para servirem em outras instituições poderosas, como o Conselho dos Guardiões e a Assembleia de Peritos.


Estabelecimento da Tutela do Jurista

A tutela do jurista é um conceito na lei islâmica xiita duodecimana, que sustenta que, na ausência do "Imã Infalível", que, de acordo com as crenças duodecimanas, é o líder religioso e político do islamismo e reaparecerá algum tempo antes do Dia do Julgamento, os juristas xiitas justos (faqīh) devem administrar "alguns" dos "assuntos religiosos e sociais" da comunidade xiita. Em sua forma "absoluta" a forma avançada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini  e a base do governo na República Islâmica do Irã  o estado e a sociedade são governados por um jurista islâmico. Khomeini serviu como Líder Supremo Jurista Guardião do Irã até sua morte em 1989. Seu sucessor, Ali Khamenei, ainda governa em meados de 2023.

Num livro de 1970 sobre o assunto, que circulou entre a sua rede de apoiantes, Khomeini argumentou que, uma vez que a lei islâmica sharia contém tudo o que é necessário para governar um Estado, seja ele antigo ou moderno, qualquer outra base de governação conduzirá à injustiça e ao pecado. Assim, o Irão, o mundo muçulmano e, eventualmente, o mundo inteiro, devem ser governados de acordo com a sharia, e a pessoa que deve governar de acordo com a sharia é um especialista nessa forma de lei. 

Estes Guardiões são considerados os verdadeiros detentores da autoridade religiosa e política, que devem ser obedecidos como "uma expressão de obediência a Deus", e cujo governo tem "precedência sobre todas as ordenanças secundárias no Islão, como a oração, o jejum e a peregrinação." 


Condições Políticas Pós Revolucionárias

Os primeiros dias do governo revolucionário foram caracterizados por tumulto político. Em novembro de 1979, a embaixada dos EUA foi tomada e seus ocupantes foram feitos reféns e mantidos em cativeiro por 444 dias, por causa do apoio dos EUA ao Xá (monarca) do Irã. A Guerra Irã-Iraque de oito anos matou centenas de milhares e custou ao país bilhões de dólares. No início da década de 1980, as lutas pelo poder terminaram com esquerdistas e nacionalistas eliminados de todas as instituições governamentais, e o líder revolucionário aiatolá Khomeini e seus apoiadores firmemente no controle.

Os desafios pós-revolução do Irã incluíram a imposição de sanções econômicas e a suspensão das relações diplomáticas com o Irã pelos Estados Unidos devido à crise dos reféns, apoio político ao Iraque e outros atos de terrorismo que o governo dos EUA e alguns outros acusaram o Irã de patrocinar. A emigração do Irã custou ao Irã milhões de pessoas instruídas, incluindo empresários, profissionais, técnicos e artesãos qualificados e seu capital. A pobreza aumentou quase 45% em termos absolutos durante os primeiros 6 anos da Guerra Irã-Iraque, e, de acordo com o Banco Mundial, quando a guerra terminou em 1988, a renda per capita era um pouco mais da metade do que era em 1976, pouco antes da revolução.


Direitos Humanos

A alegada tirania e brutalidade para com toda a oposição à monarquia foi um dos temas de propaganda da revolução islâmica, mas a República Islâmica não tolerou oposição ao seu sistema de governo, uma vez que, como mencionado acima, acredita que a desobediência a ele é desobediência a Deus. Em 1984, o representante do Irão nas Nações Unidas, Saʿid Rajaʾie-Khorassani, declarou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos representava uma "compreensão secular da tradição judaico-cristã", que não estava "de acordo com o sistema de valores reconhecido pela República Islâmica do Irão" e cujas disposições a República Islâmica do Irão"não hesitaria em violar". 

Em resposta às críticas internacionais à repressão, as autoridades iranianas leais ao Líder Supremo negam qualquer irregularidade, afirmando que seu histórico de direitos humanos é melhor do que o dos países ocidentais que criticam seu histórico. Em 2004, o chefe do Judiciário, aiatolá Mahmoud Hashemi Shahroudi, negou que houvesse presos políticos no Irã, dizendo: "O mundo pode considerar certos casos, por sua natureza, crimes políticos, mas como não temos uma lei a esse respeito, estes são considerados delitos comuns." Em 2008, o presidente Mahmoud Ahmadinejad respondeu a uma pergunta sobre direitos humanos afirmando que o Irã tem menos prisioneiros do que os EUA e "a situação dos direitos humanos no Irã é relativamente boa, quando comparada... com alguns países europeus e os Estados Unidos."

Se a República Islâmica vai muito além do que sunitas e muitos muçulmanos xiitas consideram exceções islâmicas às normas internacionais de direitos humanos também é uma questão. O pronunciamento de Khomeini em janeiro de 1988 "... de que o governo [islâmico] é um ramo da wilayat absoluta do Profeta e uma das regras primárias (de primeira ordem) do Islã, que tem prioridade sobre todas as ordenanças da lei, até mesmo a oração, o jejum e o Hajj... O Estado Islâmico poderia impedir a implementação de tudo devocional e não devocional desde que parecesse contrário aos interesses do Islã", leva Ann Elizabeth Mayer a argumentar que essa teoria de velayat-e motlaqaye faqih ("a autoridade absoluta do jurista") "libertou" a República Islâmica "para fazer o que quisesse mesmo que isso significasse violar pilares fundamentais da religião...", e que essa doutrina, e não a lei sharia, explicava "a prevalência da tortura e da punição de dissidentes políticos" na República Islâmica. 

Por outro lado, apesar da enorme popularidade de Khomeini no Irão antes e depois da revolução (estima-se que aproximadamente 10 milhões de pessoas tenham participado no seu funeral num país com cerca de 60 milhões), observadores (Akbar Ganji, Arzoo Osanloo, Hooman Majd ) sugeriram que não existe um apoio generalizado à repressão violenta da dissidência no Irão contemporâneo. "As noções de democracia e direitos humanos" têm agora raízes muito mais profundas entre os iranianos do que sob o Xá, e são de facto "quase hegemónicas" (Arzoo Osanloo), de modo que é muito mais difícil espalhar o medo entre eles, mesmo ao ponto de que se os serviços de informações iranianos "prendessem qualquer um que falasse mal do governo em privado, simplesmente não conseguiriam construir celas com a rapidez suficiente para manter os seus prisioneiros", de acordo com o jornalista Hooman Majd. 

A República Islâmica centralizou e expandiu drasticamente o sistema prisional do regime anterior. Em um período inicial (1981-1985), mais de 7.900 pessoas foram executadas. Entre 3.000 e 30.000 presos políticos foram executados entre julho e o início de setembro de 1988, por ordem do aiatolá Khomeini, levando um relator especial da ONU a enviar uma carta ao regime em 2020, descrevendo os assassinatos como "crimes contra a humanidade". 

A República Islâmica tem sido criticada tanto pelas restrições como pelas punições que seguem a constituição e a lei da República Islâmica, mas não as normas internacionais de direitos humanos (penas severas para crimes, punição de crimes sem vítimas, restrições à liberdade de expressão e de imprensa, restrições à liberdade de religião, etc.); e por ações "extrajudiciais" que não seguem nenhuma delas, como bombardeios em redações de jornais e espancamentos, tortura, estupro e assassinato sem julgamento de presos políticos e dissidentes/civis. 

Embora a República Islâmica seja conhecida por sua estabilidade política, os protestos políticos contra a corrupção e a injustiça percebidas tornaram-se mais severos e comuns no século XXI. No entanto, pelo menos um analista, Seth G. Jones, acredita que, em 2019, "o movimento de protesto iraniano é... muito descentralizado e as forças de segurança iranianas... muito fortes" para que o regime corra o risco de ser derrubado pelos manifestantes. Alguns protestos incluem:

Protestos estudantis no Irã, julho de 1999 : protestos contra o fechamento do jornal reformista ( Salam ) e o ataque violento a um dormitório estudantil pela polícia de choque. Desaparecimento de mais de setenta estudantes, 1.200 a 1.400 presos. 

Protestos nas eleições presidenciais iranianas de 2009: Protesto contra supostas fraudes e irregularidades eleitorais durante as eleições de 2009. Estima-se que 36 mortos, de acordo com o governo iraniano, 72 mortos, de acordo com a oposição. 

Protestos iranianos de 2011–12: Protesto contra alegada fraude eleitoral durante as eleições de 2009, violação dos direitos humanos, falta de liberdade de expressão, corrupção. 

Protestos iranianos de 2017–18: Protesto contra as dificuldades económicas, a corrupção governamental, o envolvimento iraniano em conflitos regionais, o governo autocrático de Ali Khamenei, violações dos direitos humanos; mortos, 4.972 pessoas presas. 

Greves gerais e protestos iranianos de 2018–2019: protestos contra dificuldades econômicas, corrupção governamental, envolvimento iraniano em conflitos regionais. Mais de 300 presos.

Protestos iranianos de 2019–20 : protesto contra a corrupção governamental, aumentos nos preços dos combustíveis, violações dos direitos humanos, a favor da mudança de regime. Estima-se que 1.500 mortos,  mais de 7.000 presos. 

Protestos iranianos de 2021–2022 : protestos contra a escassez de água e os apagões de energia em todo o Irã. Estima-se que 11 pessoas foram mortas e mais de 100 foram presas. 


Líder Supremo do Irã

O Líder Supremo do Irã  é o chefe de estado e a mais alta autoridade política e religiosa (acima do Presidente). As forças armadas, o sistema judicial, a televisão estatal e outras organizações governamentais importantes, como o Conselho Guardião e o Conselho de Discernimento de Conveniência, estão sob o controle do Líder Supremo. De acordo com o artigo 110 da constituição, o Líder Supremo delineia as políticas gerais da República Islâmica. Houve apenas dois Líderes Supremos desde a fundação da República Islâmica, e o atual líder (Ali Khamenei) está no poder desde 1989. Seus poderes se estendem à emissão de decretos e à tomada de decisões finais sobre economia, meio ambiente, política externa, educação, planejamento nacional do crescimento populacional,  a quantidade de transparência nas eleições no Irã, e quem deve ser demitido e reintegrado no gabinete presidencial. 

O Líder Supremo é nomeado pela Assembleia de Peritos. Todos os candidatos à Assembleia de Peritos, o Presidente e o Majlis (Parlamento), são selecionados pelo Conselho dos Guardiões, metade dos quais são selecionados pelo Líder Supremo do Irão.  Todos os membros eleitos diretamente após o processo de seleção pelo Conselho dos Guardiões ainda têm de ser aprovados pelo Líder Supremo. 

O Conselho Guardião é um conselho de 12 membros nomeado e constitucionalmente mandatado, com poder considerável. Ele aprova ou veta projetos de lei da Assembleia Consultiva Islâmica (o Parlamento Iraniano), supervisiona as eleições e aprova ou proíbe candidatos que buscam cargos na Assembleia de Peritos, na Presidência e no parlamento. Seis de seus doze membros são faqihs islâmicos (especialistas em Lei Islâmica) selecionados pelo Líder Supremo do Irã. Os outros seis são juristas nomeados pelo Chefe do Sistema Judicial (que também é nomeado pelo Líder Supremo), e aprovados pelo Parlamento Iraniano.

Após a revolução, o Partido da República Islâmica foi o partido político governante e legal do Irã até sua dissolução em 1987. Sua abolição foi atribuída à crença bem fundamentada do aiatolá Khomeini de que esquerdistas, monarquistas e nacionalistas haviam sido reprimidos e que o lugar de sua rede no poder estava garantido. Os apoiadores do Partido da República Islâmica se reorganizaram como "principalistas" e, juntamente com os "reformistas", tornaram-se duas das principais facções políticas do país. 

O Partido dos Executivos da Construção foi formado em 1994 para concorrer às quintas eleições parlamentares, composto principalmente por executivos do governo próximos ao então presidente Akbar Hashemi-Rafsanjani. Existem vários outros partidos políticos legais ou associações operando no Irã. Os grupos políticos legais devem apoiar o aiatolá Khomeini, sua Revolução Islâmica e o sistema político islâmico (nezam) criado pela revolução, a exclusão de partidos "não revolucionários" e seculares da participação política e concordar que o interesse fundamental de segurança do Irã é a sobrevivência e o fortalecimento do nezam.

Grupos estudantis ativos incluem o pró-reforma "Escritório para o Fortalecimento da Unidade" e a "União das Sociedades Estudantis Islâmicas". Grupos que geralmente apoiam a República Islâmica incluem o Ansar-e Hezbollah, a Associação de Estudantes Islâmicos Iranianos, os Estudantes Muçulmanos Seguindo a Linha do Imã, os Estudantes do Islã e a Associação da Coalizão Islâmica. A base de poder conservadora é considerada composta por uma "teia de membros da milícia Basiji, famílias de mártires de guerra, alguns membros da Guarda Revolucionária, alguns funcionários do governo, alguns membros da população pobre urbana e rural e fundações ligadas aos conservadores".


Grupos Antigovernamentais

Existem muitos partidos e milícias dissidentes nacionalistas, de esquerda e monarquistas, incluindo a Frente Nacional, o Partido Constitucionalista, o Partido Tudeh , a Organização Mujahedin do Povo do Irã (MEK), a Guerrilha Fedai do Povo Iraniano (IPFG) e o Partido Democrático do Curdistão Iraniano .


Facções Políticas

Diz-se que os partidos/organizações políticas do Irão representam facções políticas no Irão, e, de acordo com pelo menos uma fonte, "o faccionalismo tem sido geralmente mais importante do que o processo constitucional na tomada de decisões", especialmente sob o Líder Supremo Ali Khamenei, ou seja, depois de 1990, quando a "competição faccional" cresceu "marcadamente tanto em intensidade como em influência". 

Acadêmicos como Maziar Behrooz, Behzad Nabavi, Bahman Baktiari, Maaike Warnaar, Payam Mohseni, deram diferentes formulações deles, variando em número, geralmente entre três e cinco, sendo os três básicos os principialistas, também conhecidos como linha-dura, pragmáticos e reformistas, e orientação (pureza ideológica vs. pragmatismo; apoio à liberdade política e religiosa vs. autoritarismo; apoio à regulamentação e intervenção no mercado vs. políticas de laissez faire).



REVOLUÇÃO IRANIANA 1979

 


O início dos conflitos entre Israel e Irã, começam com a Revolução Iraniana de 1979, que também é conhecida como  Revolução Islâmica de 1979, que culminou na queda da dinastia Pahlavi em 1979.

A revolução levou à substituição do Estado Imperial do Irã pela República Islâmica do Irã, já que o governo monárquico de Mohammad Reza Pahlavi foi substituído pelo teocrático Ruhollah Khomeini, um clérigo religioso que havia liderado uma das facções rebeldes. A expulsão de Pahlavi, o último Xá do Irã, marcou formalmente o fim da monarquia histórica do Irã. 

Em 1953, o golpe de Estado iraniano de 1953 apoiado pela CIA e pelo MI6 derrubou o primeiro-ministro democraticamente eleito do Irã, Mohammad Mossadegh, que havia nacionalizado a indústria petrolífera do país para recuperar a soberania do controle britânico. O golpe reinstalou Mohammad Reza Pahlavi como um monarca absoluto e consolidou o Irã como um estado cliente dos EUA e do Reino Unido. Nos 26 anos seguintes, Pahlavi consolidou o governo autoritário, suprimindo a dissidência por meio da controversa polícia secreta SAVAK, ao mesmo tempo em que alinhava o Irã firmemente com o Bloco Ocidental durante a Guerra Fria. Em 1963, ele lançou a Revolução Branca, um programa de modernização e reforma agrária de cima para baixo que alienou muitos setores da sociedade, especialmente o clero. O aiatolá Ruhollah Khomeini emergiu como um crítico vocal e foi exilado em 1964. No entanto, como as tensões ideológicas persistiram entre Pahlavi e Khomeini, manifestações antigovernamentais começaram em outubro de 1977, desenvolvendo-se em uma campanha de resistência civil que incluía comunismo, socialismo e islamismo. Em 1977, protestos em massa estavam em andamento. Um ponto de virada importante ocorreu em agosto de 1978, quando o incêndio do Cinema Rex matou cerca de 400 pessoas. Embora incêndios criminosos por militantes islâmicos tenham sido alegados posteriormente, uma grande parte do público acreditou que era uma operação de bandeira falsa da polícia secreta do Xá (SAVAK) para desacreditar a oposição e justificar uma repressão, alimentando a indignação e a mobilização em todo o país. No final de 1978, a revolução havia se tornado uma revolta de ampla base que paralisou o país pelo resto daquele ano.

Em 16 de janeiro de 1979, Pahlavi foi para o exílio como o último monarca iraniano, deixando seus deveres para o Conselho de Regência do Irã e Shapour Bakhtiar, o primeiro-ministro da oposição. Em 1 de fevereiro de 1979, Khomeini retornou, seguindo um convite do governo; vários milhões o saudaram quando ele desembarcou em Teerã. 

Em 11 de fevereiro, a monarquia foi derrubada e Khomeini assumiu a liderança enquanto guerrilheiros e tropas rebeldes subjugavam os leais a Pahlavi em combate armado. Após o referendo da República Islâmica de março de 1979, no qual 98% aprovaram a mudança para uma república islâmica, o novo governo começou a redigir a atual constituição da República Islâmica do Irã. Khomeini emergiu como Líder Supremo do Irão em Dezembro de 1979.

A revolução foi alimentada por percepções generalizadas do regime do Xá como corrupto, repressivo e excessivamente dependente de potências estrangeiras, particularmente os Estados Unidos e o Reino Unido. Muitos iranianos sentiram que o governo do Xá não estava agindo no melhor interesse do povo iraniano e que estava muito alinhado com os interesses ocidentais, especialmente às custas da soberania e da identidade cultural iranianas. No entanto, outros perceberam o sucesso da revolução como incomum, uma vez que faltavam muitas causas habituais do sentimento revolucionário, por exemplo, derrota na guerra, crise financeira, rebelião camponesa ou militares descontentes. Ocorreu num país que vivia uma prosperidade relativa, produziu mudanças profundas a grande velocidade, e resultou num exílio massivo que caracteriza uma grande parte da diáspora iraniana, e substituiu uma monarquia secular pró-ocidental e autoritária por uma república islâmica antiocidental baseada no conceito de Velâyat-e Faqih (Tutela do Jurista Islâmico), situada entre o autoritarismo e o totalitarismo. Além de declarar a destruição de Israel como um objectivo central, o Irão pós-revolucionário pretendia minar a influência dos líderes sunitas na região, apoiando a ascensão política xiita e exportando as doutrinas khomeinistas para o estrangeiro. Após a revolução, o Irão começou a apoiar a militância xiita em toda a região, para combater a influência sunita e estabelecer o domínio iraniano no mundo árabe, com o objectivo final de alcançar uma ordem política xiita liderada pelo Irã. 


ISRAEL X IRÃ - LINHA DO TEMPO

 


1967 — O Irã toma posse de seu Reator de Pesquisa de Teerã sob o programa americano “Átomos para a Paz”.

1979 — O Xá Mohammad Reza Pahlavi, mortalmente doente, foge do Irã em meio à crescente onda de protestos populares contra ele. Pahlavi mantém laços econômicos e de segurança com Israel. O aiatolá Ruhollah Khomeini retorna a Teerã e a Revolução Islâmica o leva ao poder. Estudantes tomam a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã, dando início à crise dos reféns, que dura 444 dias. O programa nuclear iraniano entra em declínio devido à pressão internacional. A nova teocracia iraniana identifica Israel como um grande inimigo.

Agosto de 2002 — Serviços de inteligência ocidentais e um grupo de oposição iraniano revelam a instalação secreta de enriquecimento nuclear de Natanz, no Irã.

Junho de 2003 — Grã-Bretanha, França e Alemanha envolvem o Irã em negociações nucleares.

Outubro de 2003 — Irã suspende enriquecimento de urânio.

Fevereiro de 2006 — O Irã anuncia que retomará o enriquecimento de urânio após a eleição do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad. Grã-Bretanha, França e Alemanha abandonam as negociações paralisadas.

Junho de 2009 — A disputada eleição presidencial do Irã vê Ahmadinejad reeleito apesar das alegações de fraude, desencadeando protestos do Movimento Verde e violenta repressão do governo.

Outubro de 2009 — Sob o comando do presidente Barack Obama, os EUA e o Irã abrem um canal secreto para mensagens no sultanato de Omã.

2010 — O vírus de computador Stuxnet é descoberto e amplamente considerado uma criação conjunta dos EUA e de Israel. O vírus interrompeu e destruiu centrífugas iranianas.

14 de julho de 2015 — Potências mundiais e o Irã anunciam um acordo nuclear abrangente e de longo prazo que limita o enriquecimento de urânio de Teerã em troca do levantamento de sanções econômicas.

2018 — O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu diz que Israel obteve dezenas de milhares de páginas de dados mostrando que o Irã encobriu seu programa nuclear antes de assinar um acordo com potências mundiais em 2015. Um ex-chefe do Mossad confirma que as informações foram obtidas por mais de uma dúzia de agentes não israelenses em cofres em Teerã em 2018. O presidente Donald Trump se retira unilateralmente do acordo nuclear do Irã com potências mundiais.

2020 — Os supostos ataques israelenses contra o programa nuclear do Irã aumentaram significativamente após a desintegração do acordo nuclear de 2015, que visava impedir o Irã de desenvolver armas nucleares.

Julho de 2020 — Uma explosão misteriosa destrói uma usina de produção de centrífugas na usina de enriquecimento nuclear de Natanz, no Irã. O Irã atribui o ataque a Israel.

Novembro de 2020 — Um renomado cientista nuclear militar iraniano , Mohsen Fakhrizadeh, é morto por uma metralhadora controlada remotamente enquanto viajava de carro nos arredores de Teerã. Uma importante autoridade de segurança iraniana acusa Israel de usar "dispositivos eletrônicos" para matar remotamente o cientista, que fundou o programa nuclear militar do Irã na década de 2000.

11 de abril de 2021 — Um ataque tem como alvo a instalação nuclear subterrânea do Irã em Natanz . O Irã culpa Israel, que não assume a responsabilidade, mas a mídia israelense noticia amplamente que o governo orquestrou um ataque cibernético que causou um apagão na instalação.

16 de abril de 2021 — O Irã começa a enriquecer urânio até 60%, sua maior pureza até então e um passo técnico em relação aos níveis de grau militar de 90%.

Junho de 2022 — O Irã acusa Israel de envenenar dois cientistas nucleares em cidades diferentes com três dias de diferença, embora as circunstâncias permaneçam obscuras.

7 de outubro de 2023 — Militantes do Hamas da Faixa de Gaza invadem Israel, matando 1.200 pessoas e fazendo 250 reféns, dando início à guerra mais intensa entre Israel e o Hamas . O Irã, que armou o Hamas, oferece apoio aos militantes.

14 de fevereiro de 2024 — Um ataque de sabotagem israelense causa múltiplas explosões em um gasoduto iraniano de gás natural que vai da província de Chaharmahal e Bakhtiari, no oeste do Irã, até cidades no Mar Cáspio.

1º de abril de 2024 — Um ataque aéreo israelense destrói o Consulado do Irã em Damasco, Síria, matando 16 pessoas, incluindo dois generais iranianos.

14 de abril de 2024 — O Irã lança um ataque sem precedentes com mísseis e drones contra Israel, disparando mais de 300 mísseis e drones de ataque em resposta ao ataque aéreo israelense em Damasco. Trabalhando com uma coalizão internacional liderada pelos EUA, Israel intercepta grande parte dos disparos.

19 de abril de 2024 — Um suposto ataque israelense atinge um sistema de defesa aérea perto de um aeroporto em Isfahan, Irã.

31 de julho de 2024 — O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, é assassinado por um aparente ataque aéreo israelense durante uma visita a Teerã. Israel havia prometido matar Haniyeh e outros líderes do Hamas pelo ataque de 7 de outubro.

27 de setembro de 2024 — Ataque aéreo israelense mata o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah . Formado por membros da Guarda Revolucionária Iraniana que foram ao Líbano em 1982 para combater as forças invasoras israelenses, o Hezbollah foi o primeiro grupo apoiado pelo Irã e utilizado como forma de exportar sua versão do islamismo político.

1º de outubro de 2024 — O Irã lança seu segundo ataque direto contra Israel, embora uma coalizão liderada pelos EUA e Israel tenham derrubado a maioria dos mísseis.

16 de outubro de 2024 — Israel mata o líder do Hamas Yahya Sinwar na Faixa de Gaza.

26 de outubro de 2024 — Israel ataca abertamente o Irã pela primeira vez, atingindo sistemas de defesa aérea e locais associados ao seu programa de mísseis.

30 de abril de 2025 — O Irã executa um homem que, segundo ele, trabalhava para a agência de inteligência estrangeira Mossad de Israel e teve papel no assassinato do coronel da Guarda Revolucionária Hassan Sayyad Khodaei em Teerã em 22 de maio de 2022.

Sexta-feira, 13 de junho de 2025 — Israel lança ataques violentos ao coração da estrutura nuclear e militar do Irã, utilizando aviões de guerra e drones contrabandeados para o país para atacar instalações importantes e matar importantes generais e cientistas.

Sábado, 14 de junho de 2025 — Israel expande seus ataques aéreos para incluir alvos na indústria energética do Irã, enquanto os ataques de mísseis e drones iranianos continuam contra Israel.

Domingo, 15 de junho de 2025 — Israel lança ataques aéreos contra o Irã pelo terceiro dia e ameaça usar força ainda maior , já que alguns mísseis iranianos escapam das defesas aéreas israelenses e atingem prédios no coração do país. As negociações planejadas sobre o programa nuclear iraniano em Omã entre os Estados Unidos e Teerã, que poderiam servir de saída, são canceladas.


INDEPENDÊNCIA DE ISRAEL À REVOLUÇÃO IRANIANA 1947 - 1979



Em 1947, o Irã foi um dos 11 membros que formaram o Comitê Especial sobre a Palestina (UNSCOP) encarregado de investigar a causa do conflito no Mandato da Palestina e, se possível, elaborar uma solução. Após muita deliberação, o comitê apresentou um Plano de Partilha para a Palestina , que teve o apoio de 8 dos 11 membros da UNSCOP. O Irã, juntamente com a Índia e a Iugoslávia, se opuseram ao plano, prevendo que ele levaria a uma escalada de violência. Argumentando que a paz só poderia ser estabelecida por meio de um único estado federal, o Irã votou contra o plano de partilha quando este foi adotado pela Assembleia Geral da ONU. O xá Mohammad Reza Pahlavi previu que a partilha levaria a gerações de lutas.

Na primavera de 1948, 30.000 iranianos reuniram-se em Teerão para protestar contra o estabelecimento de Israel.

Após o estabelecimento do Estado de Israel em maio de 1948, Israel e o Irã mantiveram laços estreitos. O Irã foi o segundo país de maioria muçulmana a reconhecer Israel como um estado soberano depois da Turquia.  Israel via o Irã como um aliado natural como uma potência não árabe na periferia do mundo árabe, de acordo com o conceito de David Ben Gurion de uma aliança da periferia. Israel tinha uma delegação permanente em Teerã que servia como uma embaixada de fato , antes da troca de embaixadores no final da década de 1970.

Após a Guerra dos Seis Dias , o Irã forneceu a Israel uma parcela significativa de suas necessidades de petróleo e o petróleo iraniano foi enviado para os mercados europeus através do oleoduto conjunto israelense-iraniano Eilat-Ashkelon. O comércio entre os países era intenso, com empresas de construção e engenheiros israelenses ativos no Irã. A El Al, a companhia aérea nacional israelense, operava voos diretos entre Tel Aviv e Teerã. Os laços e projetos militares iraniano-israelenses foram mantidos em segredo, mas acredita-se que tenham sido abrangentes, por exemplo, o projeto militar conjunto Projeto Flor (1977-79), uma tentativa iraniano-israelense de desenvolver um novo míssil. 

Em 1979, Israel devia cerca de um bilhão de dólares ao Irã por negócios realizados antes da revolução iraniana. Parte da dívida era proveniente do petróleo adquirido por Israel e uma parcela maior da operação do oleoduto Trans-Israel e das instalações portuárias associadas, uma joint venture entre empresas israelenses e a Companhia Nacional de Petróleo Iraniana . Israel decidiu não pagar a dívida em uma reunião em 1979 e concedeu indenização legal às empresas israelenses que a deviam. Sabe-se que pelo menos uma conta bancária israelense possui US$ 250 milhões devidos ao Irã.

Desde a década de 1980, o Irã vem processando os tribunais europeus pelo pagamento das dívidas e ganhou vários casos. O pagamento das dívidas é legalmente complicado pelas sanções internacionais contra o Irã e pelo fato de Israel classificar o Irã como um estado inimigo. Em maio de 2015, um tribunal suíço ordenou que a Eilat Ashkelon Pipeline Company pagasse US$ 1,1 bilhão ao Irã, o que Israel se recusa a fazer. 


Defesa Islâmica dos Palestinos 1947–1979

Os islamitas iranianos têm uma longa história de simpatia pelos palestinos. Em 1949, o aiatolá iraniano Mahmoud Taleghani visitou a Cisjordânia e ficou comovido com a situação dos refugiados palestinos. Taleqani então começou a defender os palestinos dentro do Irã nas décadas de 1950 e 1960. O aiotalá Taleghani também criticou as relações diplomáticas do governo iraniano com Israel e lamentou que o governo iraniano restringisse as reuniões pró-palestinas. O aiotalá Abol-Ghasem Kashani também criticou a decisão de seu governo de reconhecer Israel. Kashani, que havia apoiado movimentos anticoloniais no Egito e na Tunísia, via Israel como um posto avançado colonial. Após a Guerra dos Seis Dias em 1967, ele começou a arrecadar fundos (por exemplo, zakat ) dentro do Irã para serem enviados aos palestinos. O governo iraniano na época ficou alarmado com essas atividades e os documentos da SAVAK indicam que o governo acreditava que o público iraniano simpatizava com o povo palestino. Os iranianos frequentemente doavam seu zakat aos palestinos. Em 1970, o governo iraniano tentou impedir tais esforços de arrecadação de fundos. A SAVAK deteve e vigiou Ayotallah Motahhari e o pressionou a parar de arrecadar fundos, mas Motahhari recusou. Da mesma forma, Ruhollah Khomeini defendeu o povo palestino antes de se tornar o Líder Supremo do Irã em 1979. Ele também criticou os laços da dinastia Pahlavi com Israel, vendo Israel como um apoiador do regime Pahlavi.


Sob Khomeini 1979–1989

Após a Revolução Iraniana e a queda da dinastia Pahlavi em 1979, o Irã adotou uma postura fortemente anti-Israel. O Irã cortou todas as relações oficiais com Israel; declarações oficiais, institutos estatais e eventos. O Irã deixou de aceitar passaportes israelenses e os titulares de passaportes iranianos foram proibidos de viajar para "a Palestina ocupada". A Embaixada israelense em Teerã foi fechada e entregue à OLP.

O aiatolá Khomeini declarou Israel um "inimigo do Islã" e o "Pequeno Satã". Os Estados Unidos foram chamados de "Grande Satã", enquanto a União Soviética foi chamada de "Satã Menor".

De acordo com Trita Parsi, os imperativos estratégicos do Irã obrigaram o governo de Khomeini a manter laços clandestinos com Israel, enquanto a esperança de que a doutrina da periferia pudesse ser ressuscitada motivou a assistência do Estado judeu ao Irã. Ao mesmo tempo, o Irã forneceu apoio aos partidos libaneses islâmicos-xiitas, ajudando a consolidá-los em uma única organização política e militar, o Hezbollah, e fornecendo-lhes a doutrinação ideológica, o treinamento militar e o equipamento para atacar alvos israelenses e americanos.

Apoio logístico israelense ao Irã durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988)

Artigo principal: Apoio israelense ao Irã durante a guerra Irã-Iraque

Israel vendeu ao Irã US$ 75 milhões em armas dos estoques das Indústrias Militares de Israel, Indústrias Aeronáuticas de Israel e Forças de Defesa de Israel, em sua Operação Seashell em 1981. O material incluía 150 canhões antitanque M-40 com 24.000 projéteis para cada arma, peças de reposição para motores de tanques e aeronaves, projéteis de 106 mm, 130 mm, 203 mm e 175 mm e mísseis TOW . Este material foi transportado primeiro por via aérea pela companhia aérea argentina Transporte Aéreo Rioplatense e depois por navio. No mesmo ano, Israel forneceu apoio militar ativo contra o Iraque destruindo o reator nuclear de Osirak perto de Bagdá, que os próprios iranianos haviam anteriormente atacado , mas a doutrina estabelecida pelo ataque aumentaria o potencial de conflito nos anos futuros.

As vendas de armas para o Irã totalizaram cerca de US$ 500 milhões entre 1981 e 1983, segundo o Instituto Jafe de Estudos Estratégicos da Universidade de Tel Aviv. A maior parte foi paga com petróleo iraniano entregue a Israel. Segundo Ahmad Haidari, "um traficante de armas iraniano a serviço do governo Khomeini, cerca de 80% das armas compradas por Teerã" imediatamente após o início da guerra tiveram origem em Israel. 

Segundo Mark Phythian, o facto de "a força aérea iraniana ter conseguido funcionar" após o ataque inicial do Iraque e "ter sido capaz de realizar uma série de missões sobre Bagdad e atacar instalações estratégicas" deveu-se "pelo menos em parte à decisão da administração Reagan de permitir que Israel canalizasse armas de origem norte-americana para o Irão, a fim de impedir uma vitória iraquiana fácil e rápida".

Apesar de todos os discursos dos líderes iranianos e da denúncia de Israel nas orações de sexta-feira, nunca houve menos de cerca de cem conselheiros e técnicos israelitas no Irão em qualquer momento durante a guerra, vivendo num campo cuidadosamente guardado e isolado a norte de Teerão, onde permaneceram mesmo depois do cessar-fogo. 

As vendas israelitas também incluíram peças de reposição para jatos F-4 Phantom de fabricação norte-americana. Ariel Sharon acreditava que era importante "deixar uma pequena janela aberta" para a possibilidade de boas relações com o Irã no futuro. 


Tensões Crescentes 1989 - Presente

Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei

Em dezembro de 2000, o aiatolá Ali Khamenei chamou Israel de um "tumor cancerígeno" que deveria ser removido da região. Em 2005, ele enfatizou que "a Palestina pertence aos palestinos e o destino da Palestina também deve ser determinado pelo povo palestino". Em 2005, Khamenei esclareceu a posição do Irã depois que um furor internacional explodiu sobre uma observação atribuída ao presidente Ahmadinejad , segundo a qual Israel deveria ser "varrido do mapa "dizendo que "a República Islâmica nunca ameaçou e nunca ameaçará nenhum país". 

Em 15 de agosto de 2012, durante uma reunião com veteranos da Guerra Irã-Iraque , Khamenei disse estar confiante de que "o supérfluo e falso regime sionista desaparecerá da paisagem". Em 19 de agosto, ele reiterou os comentários feitos pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, que os membros da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, a França, a chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenaram, durante os quais ele chamou Israel de um "tumor cancerígeno no coração do mundo islâmico" e disse que sua existência é responsável por muitos problemas que o mundo muçulmano enfrenta. 

Em 9 de setembro de 2015, Khamenei disse em seu discurso durante a discussão sobre o JCPOA: "Eu diria a Israel que eles não verão o fim desses 25 anos". Essas palavras foram expressas em resposta ao regime sionista, que afirmou não ter mais preocupações com o Irã pelos próximos 25 anos após o acordo do JCPOA


ANTECEDENTES DA REVOLUÇÃO IRANIANA 1891 - 1977

 


As razões apresentadas para a revolução e seu caráter populista, nacionalista e, mais tarde, islâmico xiita incluem:

Uma reação contra o imperialismo;

O golpe de estado iraniano de 1953;

Um aumento nas expectativas criado pela receita inesperada do petróleo em 1973;

Um programa econômico excessivamente ambicioso;

Raiva devido a uma curta e acentuada contração económica em 1977-1978.

O regime do Xá era visto como um regime opressivo, brutal, corrupto e pródigo por algumas classes da sociedade naquela época. Também sofria de algumas falhas funcionais básicas que trouxeram gargalos econômicos, escassez e inflação.  O Xá era percebido por muitos como devedor de - se não um fantoche de  uma potência ocidental não muçulmana (ou seja, os Estados Unidos) cuja cultura estava afetando a do Irã. Ao mesmo tempo, o apoio ao Xá pode ter diminuído entre os políticos e a mídia ocidentais, especialmente sob a administração do presidente dos EUA Jimmy Carter, como resultado do apoio do Xá aos aumentos do preço do petróleo da OPEP no início da década. Quando o Presidente Carter promulgou uma política de direitos humanos que estabelecia que os países culpados de violações dos direitos humanos seriam privados de armas ou de ajuda americana, isso ajudou a dar a alguns iranianos a coragem de publicar cartas abertas e petições na esperança de que a repressão do governo pudesse diminuir. 

A revolução que substituiu a monarquia de Mohammad Reza Pahlavi pelo islamismo e por Khomeini é creditada em parte à disseminação da versão xiita do renascimento islâmico. Resistiu à ocidentalização e viu o aiatolá Khomeini seguindo os passos do imã xiita Husayn ibn Ali, com o xá desempenhando o papel de inimigo de Husayn, o odiado tirano Yazid I. Outros fatores incluem a subestimação do movimento islâmico de Khomeini tanto pelo reinado do xá  que os considerava uma ameaça menor em comparação com os marxistas e socialistas islâmicos, quanto pelos oponentes secularistas do governo, que pensavam que os khomeinistas poderiam ser marginalizados. 


Protesto Contra o Tabaco 1891

No final do século XIX, o clero xiita (ulemá) teve uma influência significativa na sociedade iraniana. O clero mostrou-se pela primeira vez como uma força política poderosa em oposição à monarquia com o protesto do tabaco de 1891. Em 20 de março de 1890, o monarca iraniano de longa data Nasir al-Din Shah concedeu uma concessão ao major britânico GF Talbot para um monopólio total sobre a produção, venda e exportação de tabaco por 50 anos.  Na época, a indústria do tabaco persa empregava mais de 200.000 pessoas, então a concessão representou um grande golpe para os fazendeiros e bazares persas cujos meios de subsistência dependiam em grande parte do lucrativo negócio do tabaco.  Os boicotes e protestos contra ela foram generalizados e extensos como resultado da fatwa (decreto judicial) de Mirza Hasan Shirazi.  No espaço de 2 anos, Nasir al-Din Shah viu-se impotente para travar o movimento popular e cancelou a concessão. 

O Protesto do Tabaco foi a primeira resistência iraniana significativa contra o Xá e os interesses estrangeiros, revelando o poder do povo e a influência dos ulemá entre eles. 


Revolução Constitucional Persa 1905–1911

A crescente insatisfação continuou até a Revolução Constitucional de 1905-1911. A revolução levou ao estabelecimento de um parlamento, a Assembleia Consultiva Nacional (também conhecida como Majlis), e à aprovação da primeira constituição. Embora a revolução constitucional tenha sido bem-sucedida em enfraquecer a autocracia do regime Qajar, ela falhou em fornecer um governo alternativo poderoso. Portanto, nas décadas seguintes ao estabelecimento do novo parlamento, uma série de eventos críticos ocorreram. Muitos desses eventos podem ser vistos como uma continuação da luta entre os constitucionalistas e os xás da Pérsia, muitos dos quais eram apoiados por potências estrangeiras contra o parlamento.


Reza Xá 1921–1941

A insegurança e o caos criados após a Revolução Constitucional levaram à ascensão do General Reza Khan, o comandante da Brigada Cossaca Persa de elite, que tomou o poder em um golpe de estado em fevereiro de 1921. Ele estabeleceu uma monarquia constitucional, depondo o último Qajar Shah, Ahmad Shah, em 1925 e sendo designado monarca pela Assembleia Nacional, a partir de então conhecido como Reza Shah, fundador da dinastia Pahlavi.

Houve amplas reformas sociais, econômicas e políticas introduzidas durante seu reinado, algumas das quais levaram ao descontentamento público que forneceria as circunstâncias para a Revolução Iraniana. Particularmente controversa foi a substituição das leis islâmicas por ocidentais e a proibição de vestimentas islâmicas tradicionais, separação dos sexos e véu do rosto das mulheres com o niqab. A polícia removeu à força e rasgou os chadors das mulheres que resistiram à proibição do hijab público.

Em 1935, dezenas foram mortos e centenas ficaram feridos na rebelião da Mesquita de Goharshad. Por outro lado, durante a ascensão inicial de Reza Shah, Abdul-Karim Ha'eri Yazdi fundou o Seminário Qom e criou mudanças importantes nos seminários. No entanto, ele evitaria entrar em questões políticas, assim como outros líderes religiosos que o seguiram. Portanto, nenhuma tentativa antigovernamental generalizada foi organizada pelo clero durante o governo de Reza Shah. No entanto, o futuro aiatolá Khomeini foi aluno do xeque Abdul Karim Ha'eri.


Invasão anglo-soviética e Mohammad Reza Shah 1941–1951

Em 1941, uma invasão de tropas aliadas britânicas e soviéticas depôs Reza Shah, que era considerado amigo da Alemanha nazista , e instalou seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, como Xá. O Irã permaneceu sob ocupação soviética até que o Exército Vermelho se retirou em junho de 1946. 

Os anos do pós-guerra foram caracterizados pela instabilidade política, à medida que o Xá entrou em conflito com o primeiro-ministro pró-soviético Ahmad Qavam, o Partido comunista Tudeh cresceu em tamanho e influência e o Exército iraniano teve que lidar com movimentos separatistas patrocinados pelos soviéticos no Azerbaijão iraniano e no Curdistão iraniano. 


Mosaddegh e a Companhia Petrolífera Anglo-Iraniana 1951–1952

A partir de 1901, a Anglo-Persian Oil Company (renomeada Anglo-Iranian Oil Company em 1935), uma empresa petrolífera britânica, desfrutou do monopólio da venda e produção de petróleo iraniano. Era o negócio britânico mais lucrativo do mundo. A maioria dos iranianos vivia na pobreza, enquanto a riqueza gerada pelo petróleo iraniano desempenhou um papel decisivo na manutenção da Grã-Bretanha como uma potência global preeminente. Em 1951, o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mosaddegh prometeu expulsar a empresa do Irã, recuperar as reservas de petróleo e libertar o Irã de potências estrangeiras.

Em 1952, Mosaddegh nacionalizou a Anglo-Iranian Oil Company e tornou-se um herói nacional. Os britânicos, no entanto, ficaram indignados e o acusaram de roubo. Os britânicos buscaram, sem sucesso, punição no Tribunal Internacional de Justiça e nas Nações Unidas, enviaram navios de guerra ao Golfo Pérsico e, finalmente, impuseram um embargo esmagador. Mosaddegh não se comoveu com a campanha britânica contra ele. Um jornal europeu, o Frankfurter Neue Presse, relatou que Mosaddegh "preferia ser frito em óleo persa a fazer a menor concessão aos britânicos". Os britânicos consideraram uma invasão armada, mas o primeiro-ministro britânico Winston Churchill decidiu por um golpe após ter o apoio militar americano recusado pelo presidente dos EUA, Harry S. Truman, que simpatizava com movimentos nacionalistas como o de Mosaddegh e não tinha nada além de desprezo por imperialistas antiquados como aqueles que dirigiam a Anglo-Iranian Oil Company. Mosaddegh, no entanto, soube dos planos de Churchill e ordenou o fechamento da embaixada britânica em outubro de 1952, forçando todos os diplomatas e agentes britânicos a deixar o país.

Embora os britânicos tenham sido inicialmente rejeitados em seu pedido de apoio americano pelo presidente Truman, a eleição de Dwight D. Eisenhower como presidente dos EUA em novembro de 1952 mudou a posição americana em relação ao conflito. Isso, aliado à paranoia da Guerra Fria e aos temores da influência comunista, contribuiu para os interesses estratégicos americanos. Em 20 de janeiro de 1953, o secretário de Estado dos EUA, John Foster Dulles, e seu irmão, o diretor da CIA, Allen Dulles, disseram a seus colegas britânicos que estavam prontos para agir contra Mossadegh. Aos olhos deles, qualquer país que não estivesse decisivamente aliado aos Estados Unidos era um inimigo em potencial. O Irã possuía imensa riqueza em petróleo, uma longa fronteira com a União Soviética e um primeiro-ministro nacionalista. A perspectiva de uma queda no comunismo e uma "segunda China" (após Mao Zedong vencer a Guerra Civil Chinesa ) aterrorizou os irmãos Dulles. Nasceu a Operação Ajax, na qual o único governo democrático que o Irã já teve foi deposto. 


Golpe de Estado Iraniano 1953

Em 15 de agosto de 1953, um golpe de estado foi iniciado para remover Mosaddegh, com o apoio dos Estados Unidos, do Reino Unido e da maioria do clero xiita.  O Xá fugiu para a Itália quando a tentativa inicial de golpe em 15 de agosto falhou, mas retornou após uma segunda tentativa bem-sucedida em 19 de agosto. Mosaddegh foi removido do poder e colocado em prisão domiciliar, enquanto o tenente-general Fazlollah Zahedi foi nomeado como novo primeiro-ministro pelo Xá. O soberano, que era visto principalmente como uma figura de proa na época, finalmente conseguiu se libertar dos grilhões das elites iranianas e se impor como um governante reformista autocrático. 

Pahlavi manteve uma relação próxima com o governo dos EUA, visto que ambos os regimes compartilhavam oposição à expansão da União Soviética, o poderoso vizinho do norte do Irã. Grupos de esquerda e islâmicos atacaram seu governo (frequentemente de fora do Irã, já que eram reprimidos internamente) por violar a Constituição iraniana, por corrupção política e pela opressão política, tortura e assassinatos praticados pela polícia secreta SAVAK.